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da vinda a Hespanha de Nabucodonosor

por desvela, em 31.03.11
Título do Capítulo XXVIII da Monarchia Lusitana, de Bernardo Brito (1596):
- Das guerras que houve na Lusitania entre os Celtas, e Turdulos, e da vinda a Espanha de Nabucodonosor.

Este título nada teria de especial, excepto não haver qualquer registo, ou plausibilidade histórica, de alguma vez os Babilónios terem chegado à Hespanha - pelo menos de acordo com a historiografia oficial.

No texto Ebreus do Ebro já falámos da possível presença hebraica em Hespanha, e que tal registo teria sido perdido na deportação dos judeus que Nabucodonosor empreendera.

Segundo Bernardo Brito, a vinda a Espanha de Nabucodonosor é confirmada por Estrabão, Plínio e Josefo, entre outros...

A história que Brito conta é a de que Nabucodonosor começou a executar a vingança na Catalunha, na costa marítima do Ebro, e progressivamente vai até Caliz (Cadiz). A vingança seria da ajuda hispânica que lhe teria prolongado o cerco a Tiro por 13 anos e a necessidade de tréguas. Para Brito, Caliz é uma colónia fenícia, tal como Cartago, que teria conseguido convencer os povos vizinhos nessa assistência a Tiro. Para Brito, os babilónios vão trazer judeus que largam na Hespanha, formando povoações no Reino de Toledo, nomeadamente em Lucena. Não explica nenhuma razão plausível para esse transporte migratório.
O cativeiro judaico na Babilónia. (imagem)

O importante, é reparar, mais uma vez, como a História mundial omite por completo esse desembarque babilónio na Península Ibérica, operação militar audaciosa, mas que segundo Brito teria sido rechaçada.

Coro dos Escravos - Nabucco, de Verdi.

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publicado às 05:51


da vinda a Hespanha de Nabucodonosor

por desvela, em 30.03.11
Título do Capítulo XXVIII da Monarchia Lusitana, de Bernardo Brito (1596):
- Das guerras que houve na Lusitania entre os Celtas, e Turdulos, e da vinda a Espanha de Nabucodonosor.

Este título nada teria de especial, excepto não haver qualquer registo, ou plausibilidade histórica, de alguma vez os Babilónios terem chegado à Hespanha - pelo menos de acordo com a historiografia oficial.

No texto Ebreus do Ebro já falámos da possível presença hebraica em Hespanha, e que tal registo teria sido perdido na deportação dos judeus que Nabucodonosor empreendera.

Segundo Bernardo Brito, a vinda a Espanha de Nabucodonosor é confirmada por Estrabão, Plínio e Josefo, entre outros...

A história que Brito conta é a de que Nabucodonosor começou a executar a vingança na Catalunha, na costa marítima do Ebro, e progressivamente vai até Caliz (Cadiz). A vingança seria da ajuda hispânica que lhe teria prolongado o cerco a Tiro por 13 anos e a necessidade de tréguas. Para Brito, Caliz é uma colónia fenícia, tal como Cartago, que teria conseguido convencer os povos vizinhos nessa assistência a Tiro. Para Brito, os babilónios vão trazer judeus que largam na Hespanha, formando povoações no Reino de Toledo, nomeadamente em Lucena. Não explica nenhuma razão plausível para esse transporte migratório.

O cativeiro judaico na Babilónia.

O importante, é reparar, mais uma vez, como a História mundial omite por completo esse desembarque babilónio na Península Ibérica, operação militar audaciosa, mas que segundo Brito teria sido rechaçada.

Coro dos Escravos - Nabucco, de Verdi.

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publicado às 21:51


Traffic Signs

por desvela, em 30.03.11
ATTENTION to ALL
PHOENICIAN, GREEK, ROMAN seamen!

All ships, quadrirreme, navis lusoria, etc...
 when passing the Pillars of Hercules
PLEASE TURN RIGHT

This is just a temporary restriction 
for no more than one or two thousand years.

THINK ABOUT THE FUTURE
HELP US KEEP OUR HISTORY BOOKS
PLAIN AND SIMPLE 

Traffic Control acknowledges your cooperation!

---------------------------------------------------------------------------------------
... if you are puzzled about the new traffic control in our lives, 
perhaps it is time to think how old it must be:
---------------------------------------------------------------------------------------

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Traffic Signs

por desvela, em 29.03.11
ATTENTION to ALL
PHOENICIAN, GREEK, ROMAN seamen!

All ships, quadrirreme, navis lusoria, etc...
 when passing the Pillars of Hercules
PLEASE TURN RIGHT

This is just a temporary restriction 
for no more than one or two thousand years.

THINK ABOUT THE FUTURE
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alvodemaia (2)

por desvela, em 10.03.11
O blog Alvor-Silves vai fazer uma pausa durante algumas semanas... 
Ficam aqui em formato PDF os textos publicados, durante os últimos tempos.

ALVODEMAIA - 2011 (Volume 2)
  
Número 1    ------------------------   Número 2   ------------------------    Número 3


Blog Alvor-Silves - 2010 (Tombo 1)


-------- textos anteriores -------

Scribd: http://www.scribd.com/alvorsilves3896
Knol: http://knol.google.com/k/alvor-silves/tese-de-alvor-silves/

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publicado às 05:12


alvodemaia (2)

por desvela, em 09.03.11
O blog Alvor-Silves vai fazer uma pausa durante algumas semanas... 
Ficam aqui em formato PDF os textos publicados, durante os últimos tempos.

ALVODEMAIA - 2011 (Volume 2)
  
Número 1    ------------------------   Número 2   ------------------------    Número 3


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Bolhão

por desvela, em 07.03.11
Godefroy de Bouillon foi na prática o primeiro Rei de Jerusalém...
... e foi ainda tio do Conde D. Henrique, pai de D. Afonso Henriques, ou seja foi o seu tio-avô.
Godofredo de Bolhão (1058-1100)


A investigação é de Damião de Góis, que tendo acesso aos documentos em França, acabou por reconstruir a linhagem do Conde D. Henrique, pai do fundador de Portugal.
(...) o Conde dom Anrique da parte femenil descende por linha directa dos Reis Daragam [de Aragão] & quanto à linhagem da parte do pai, que é o mais importante, foi pelo modo seguinte. No ano do Senhor de 1019 faleceu Geofroi Duque da Lorraina, & por não deixar filhos sucedeu no ducado seu irmão Gozellon Conde de Bulhom, a este Gozelllon sucedeu Godefroi o brioso, ou barbudo, seu filho: que reinou 26 anos e teve grandes guerras com o Imperador Anrique III, as quais acabadas casou uma sua filha única herdeira, por nome Idaim com Eustácio Conde de Bolonha-sobelo-mar em França, & lhes deu logo em casamento o Condado de Bulhon, do qual casamento procederam Godefroi de Bulhom & Baldoim, reis bem aventurados de Hierusalem, & Eustácio (...)
Convém interromper aqui a citação para explicar algumas confusões habituais. 
Primeiro, confunde-se Boulogne na França com Bouillon na Bélgica ou ainda na Mancha, já para não falar da confusão com a Bolonha italiana. Essa confusão entre Boulogne-sur-mer e Bouillon encontra-se nos historiadores, já que Godefroy de Bouillon era originário de Boulogne-sur-mer, mas teria vendido Bouillon ao Bispo de Liège para participar nas crusadas. O mais natural é que seja sempre Boulogne (... sobre o mar), a actual cidade francesa.
As confusões não terminam aqui, pois não consta Santa Ida (Idaim) ter sido filha única de Godefroi, o barbudo. Para além disso, Damião de Góis vai invocar um segundo casamento de Eustácio II, com D. Mahual - será desse casamento que surge o pai do Conde D. Henrique:
(...) e por morte de D. Idaim mãe destes príncipes, casou Eustácio, Conde de Bolonha, com D. Mahual, filha de dom Giral Conde de Mosalanda, o qual condado jaz entre as ribeiras da Mosa e da Mosella & corria terras de Lorraina, Lucemburgo, Lemburgo & Treuer até à ribeira do Rim (...)  
Desta filha do Conde de Mosalanda (ou Duque, como alguns têm por opinião que era) houve o Conde de Eustácia de Bolonha Guilhelme, barão de Ioynuilla, & quando estes três irmãos Godefroi de Bulhom, Baldoim, & Eustacio foram à guerra de ultra mar, sendo já seu pai falecido, Guilhelme barão de Ioinuilla irmão mais moço, por ordenança deles ficou por governador do ducado de Lorraina, porque o condado de Bulhon vendeu Godefroi ao Bispo de Liege, para despesas destas guerras, & a cidade de Metz em Lorraina, que era sua, vendeu aos mesmos da cidade, o qual Guilhelme de Ioinuilla por morte dos seus irmãos sucedeu no ducado de Lorraina, & foi casado com Allis filha de Tibaut Conde de Champagne da qual senhora houve três filhos. Thierry (ou Thiodorico) que por sua morte sucedeu no Ducado de Lorraina, & Anrique, & Geofroi, que nas guerras da Síria fez grandes proezas, este dom Anrique filho segundo do Conde Guilhelme foi pai del Rei Dom Afonso Anriquez, a quem el Rei D. Afonso VI de Castela  deu o condado Destorga pelos muitos serviços (...)
É claro que aqui as confusões são demasiadas... porque Guilherme de "Ioinuilla" não consta de registos como irmão de Godofredo, Balduíno ou Eustáquio. Supostamente o Conde D. Henrique é filho de Henrique de Borgonha. Passa assim a haver uma versão com borgonha e outra sem borgonha...   

Porém, Damião de Góis, que sofrerá vários problemas com a Inquisição, é muito claro... 
- D. Afonso Henriques teria como tio-avôs Godofredo e Balduíno, de Bouillon, ou seja (em bom português) do Bolhão!
O mercado do Bolhão, no Porto.

A importância à época de Godofrey de Bouillon, é clara... em 1099, com a reconquista de Jerusalém pelos cruzados que lidera, fica como regente, recusando o título de Rei, por considerar que esse título era de Deus. Realmente o primeiro Rei de Jerusalém será o irmão Balduíno (Baldouin, Baldwin), que aceita o título. Ambos seriam irmãos de Guilherme, ou seja, o avô de D. Afonso Henriques.

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publicado às 07:02


Bolhão

por desvela, em 06.03.11
Godefroy de Bouillon foi na prática o primeiro Rei de Jerusalém...
... e foi ainda tio do Conde D. Henrique, pai de D. Afonso Henriques, ou seja foi o seu tio-avô.
Godofredo de Bolhão (1058-1100)


A investigação é de Damião de Góis, que tendo acesso aos documentos em França, acabou por reconstruir a linhagem do Conde D. Henrique, pai do fundador de Portugal.
(...) o Conde dom Anrique da parte femenil descende por linha directa dos Reis Daragam [de Aragão] & quanto à linhagem da parte do pai, que é o mais importante, foi pelo modo seguinte. No ano do Senhor de 1019 faleceu Geofroi Duque da Lorraina, & por não deixar filhos sucedeu no ducado seu irmão Gozellon Conde de Bulhom, a este Gozelllon sucedeu Godefroi o brioso, ou barbudo, seu filho: que reinou 26 anos e teve grandes guerras com o Imperador Anrique III, as quais acabadas casou uma sua filha única herdeira, por nome Idaim com Eustácio Conde de Bolonha-sobelo-mar em França, & lhes deu logo em casamento o Condado de Bulhon, do qual casamento procederam Godefroi de Bulhom & Baldoim, reis bem aventurados de Hierusalem, & Eustácio (...)
Convém interromper aqui a citação para explicar algumas confusões habituais. 
Primeiro, confunde-se Boulogne na França com Bouillon na Bélgica ou ainda na Mancha, já para não falar da confusão com a Bolonha italiana. Essa confusão entre Boulogne-sur-mer e Bouillon encontra-se nos historiadores, já que Godefroy de Bouillon era originário de Boulogne-sur-mer, mas teria vendido Bouillon ao Bispo de Liège para participar nas crusadas. O mais natural é que seja sempre Boulogne (... sobre o mar), a actual cidade francesa.
As confusões não terminam aqui, pois não consta Santa Ida (Idaim) ter sido filha única de Godefroi, o barbudo. Para além disso, Damião de Góis vai invocar um segundo casamento de Eustácio II, com D. Mahual - será desse casamento que surge o pai do Conde D. Henrique:
(...) e por morte de D. Idaim mãe destes príncipes, casou Eustácio, Conde de Bolonha, com D. Mahual, filha de dom Giral Conde de Mosalanda, o qual condado jaz entre as ribeiras da Mosa e da Mosella & corria terras de Lorraina, Lucemburgo, Lemburgo & Treuer até à ribeira do Rim (...)  
Desta filha do Conde de Mosalanda (ou Duque, como alguns têm por opinião que era) houve o Conde de Eustácia de Bolonha Guilhelme, barão de Ioynuilla, & quando estes três irmãos Godefroi de Bulhom, Baldoim, & Eustacio foram à guerra de ultra mar, sendo já seu pai falecido, Guilhelme barão de Ioinuilla irmão mais moço, por ordenança deles ficou por governador do ducado de Lorraina, porque o condado de Bulhon vendeu Godefroi ao Bispo de Liege, para despesas destas guerras, & a cidade de Metz em Lorraina, que era sua, vendeu aos mesmos da cidade, o qual Guilhelme de Ioinuilla por morte dos seus irmãos sucedeu no ducado de Lorraina, & foi casado com Allis filha de Tibaut Conde de Champagne da qual senhora houve três filhos. Thierry (ou Thiodorico) que por sua morte sucedeu no Ducado de Lorraina, & Anrique, & Geofroi, que nas guerras da Síria fez grandes proezas, este dom Anrique filho segundo do Conde Guilhelme foi pai del Rei Dom Afonso Anriquez, a quem el Rei D. Afonso VI de Castela  deu o condado Destorga pelos muitos serviços (...)
É claro que aqui as confusões são demasiadas... porque Guilherme de "Ioinuilla" não consta de registos como irmão de Godofredo, Balduíno ou Eustáquio. Supostamente o Conde D. Henrique é filho de Henrique de Borgonha. Passa assim a haver uma versão com borgonha e outra sem borgonha...   

Porém, Damião de Góis, que sofrerá vários problemas com a Inquisição, é muito claro... 
- D. Afonso Henriques teria como tio-avôs Godofredo e Balduíno, de Bouillon, ou seja (em bom português) do Bolhão!
O mercado do Bolhão, no Porto.

A importância à época de Godofrey de Bouillon, é clara... em 1099, com a reconquista de Jerusalém pelos cruzados que lidera, fica como regente, recusando o título de Rei, por considerar que esse título era de Deus. Realmente o primeiro Rei de Jerusalém será o irmão Balduíno (Baldouin, Baldwin), que aceita o título. Ambos seriam irmãos de Guilherme, ou seja, o avô de D. Afonso Henriques.

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publicado às 23:02


Mapas de Dieppe (2)

por desvela, em 06.03.11
Quando o Cardeal Saraiva escreve um texto sobre o Infante D. Henrique, é claro que não pode deixar de se queixar das pretensões francesas sobre os mesmos territórios africanos. No seu estilo sarcástico, ataca uma referência do Padre Labat à presença de marinheiros de Dieppe para além do Senegal e Serra Leoa, em 1364. Esse comércio teria levado mesmo à construção de uma igreja na zona da Mina (segundo d'Avezac, ocorrida em 1383).
Enuncia facilmente as razões, que se resumem basicamente ao facto dos franceses não se terem pronunciado sobre a existência de descobertas suas, aquando da divisão de Tordesilhas, ou do anti-meridiano. Só muito depois, os franceses teriam começado a referir esses descobrimentos... mas faltavam-lhes monumentos que comprovassem a evidência de tal presença anterior, afirmando feitorias de Cabo Verde até à Mina.  

Este problema ocorre quando a História é construída sob uma fábula de jogos e problemas políticos... Depois, quando a posição se torna dominante e vencedora, é fácil aparecer com uma versão para a reescrita dessa História. Fariam sentido estes relatos dos marinheiros de Dieppe?
- Claro que sim!
Nada impedia as navegações ao sul do Bojador, tirando as imposições internas na Europa!
Como é fácil observar a navegação pelo Mediterrâneo, do Estreito de Gibraltar até à Terra Santa era superior à navegação pela costa de África até à Serra Leoa... 
Semelhantes distâncias marítimas a partir do estreito: 
até à Terra Santa (linha vermelha), e até à Serra Leoa (linha branca)

Tanto mais que o Mediterrâneo tinha a dificuldade adicional de navegação sob ataque muçulmano que começava logo na passagem do Estreito (até à conquista de Gibraltar e Ceuta, no Séc. XV, ambos os lados estavam sob controlo muçulmano). E como é óbvio, a navegação nunca seguiu a linha de costa... seria ridículo seguir pela costa espanhola, francesa, ou ainda contornar a península italiana.
Por isso, é óbvio que as navegações até à Guiné do Infante D. Henrique longe de serem primeiras, estavam ainda longe de se referir apenas à Guiné africana. Como vimos dizendo, há mais de um ano, Guiné era um termo que se aplicava inicialmente a vários territórios, muito em particular à América. Quando D. João II diz que as descobertas de Colombo estão no seu senhorio da Guiné, é fácil perceber a extensão do termo.

A importância relativa do Infante D. Henrique é quase a mesma de Colombo... ambos tiveram uma chancela do poder que lhes daria ao longo da História a prevalência de descobrimentos, apenas correcta no sentido do termo "descobrimento = retirar do encobrimento instituído".  
Sob esta perspectiva, o papel do Infante D. Henrique é muito maior do que tudo o que se segue... é ele o primeiro a conseguir a autorização de alargar o conhecimento oficial do mundo europeu, desde a Antiguidade, antes restringido ao espaço ptolomaico.

A continuidade desses descobrimentos só vai ser quebrada pela persistência em não revelar a parte americana acima da Califórnia, e a Austrália. Esse hiato é quebrado pela viagem de Cook... 

Tal como no caso dos mapas de Pedro Reinel, em que os territórios americanos aparecem ocultados, mas podem ser vistos pela rotação dos mapas, volta a ser necessário ocultar a Austrália nos novos mapas. Já apresentámos como Buache e Brouscon fizeram isso... há outros casos portugueses, também!

Porém, um exemplo simples de verificar obtém-se usando dois mapas de Dieppe, voltando-se a repetir a técnica de Reinel (motto deste blog). 
O autor usa dois mapas, faz uma inversão e reflexão... obtendo-se directamente:
- Até as paisagens dos mapas distintos colam... o que há mais a dizer?
Os mapas de Dieppe contêm ilustrações interessantes, conforme já explicámos aqui (... há seis meses atrás).
O que se torna claro nestes mapas é porque razão a visita de Tasman em 1642 apenas revelou a parte ocidental/norte, onde se encontrariam os aborígenes. A parte oriental da ilha, não "descoberta" por Tasman, aparece assim povoada por "europeus", conforme se torna "claro" pelo seu aspecto.

- Quem são?
Já aqui explicámos que o Senado de Cartago tinha decretado pena de morte a quem fosse para os territórios paradisíacos. Haveria sempre o perigo iminente de que fartos da opressão do poder, os navegadores decidissem ser refractários e fazer vida numa ilha paradisíaca. Foi o que aconteceu com a Bounty (ver também filme ganhador de Oscar em 1935)...

Porém, isso foi uma situação pontual. Poderia perfeitamente acontecer algo muito mais organizado e coordenado... ou seja, haver um grupo razoavelmente grande, revoltado com a situação opressiva na Europa, liderado por capitães (ou ainda aristocratas, ou um príncipe...), que teria visto como possibilidade efectiva definir um novo reino, afastado da opressão imperial europeia. Melhor ainda, oferecia-se com um excelente clima! 

Isto seria um teste ao longo braço do Senado do Império Ocidental... 
Até que algum reino se dispusesse a terminar com essa faceta refractária, haveria um autêntico "Reino Pirata" situado algures na Austrália. Não estando sob domínio ocidental (tal como Fusang), não seria reconhecido, e o território ficou sob ocultação (mesmo a parte declarada por Tasman).
Até que, após a Guerra dos Sete Anos, passados 60 longos anos após o Longitude Prize, um dos participantes notabilizado na Batalha das Planícies de Abraão, o capitão James Cook, tem finalmente autorização para viajar e traçar mapas da Austrália.
Batalha das Planícies de Abraão, 1759 - morte do general Wolfe.
(uma enorme torre, supostamente de Québec, 
avista-se ao fundo, entre as nuvens, à esquerda)

Depois, como já referimos ocorre o episódio da extinção dos "aborígenes da Tasmânia", consumada na Black War... é de assinalar que no mapa de Dieppe, a Tasmânia está então representada como "ilha de gigantes", e o desenho indicaria a prática de canibalismo. É mais um problema de Gulliver...

Aos ingleses tinha sido outorgada a parte final da descoberta... 
Descobertas que começam com o Infante D. Henrique, mas também com a escravatura reintroduzida na bula papel que consagra a si os domínios da Guiné... Descobrimentos que continuam com os espanhóis, após Colombo, mas com uma quase extinção dos Aztecas, Incas, Maias, etc... Terminam na Austrália e na parte ocidental da América do Norte (cf Fusang), de forma igualmente dramática. O avanço que parece surgir, tem uma descompensação na ética e moral cristã...

Napoleão surge assim após as últimas descobertas inglesas... fora de tempo! Poderia ter sido Magno, como Alexandre, porém o Corso juntou-se ao Carnaval, no bloco dos napoleões retintos...

 

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Mapas de Dieppe (2)

por desvela, em 05.03.11
Quando o Cardeal Saraiva escreve um texto sobre o Infante D. Henrique, é claro que não pode deixar de se queixar das pretensões francesas sobre os mesmos territórios africanos. No seu estilo sarcástico, ataca uma referência do Padre Labat à presença de marinheiros de Dieppe para além do Senegal e Serra Leoa, em 1364. Esse comércio teria levado mesmo à construção de uma igreja na zona da Mina (segundo d'Avezac, ocorrida em 1383).
Enuncia facilmente as razões, que se resumem basicamente ao facto dos franceses não se terem pronunciado sobre a existência de descobertas suas, aquando da divisão de Tordesilhas, ou do anti-meridiano. Só muito depois, os franceses teriam começado a referir esses descobrimentos... mas faltavam-lhes monumentos que comprovassem a evidência de tal presença anterior, afirmando feitorias de Cabo Verde até à Mina.  

Este problema ocorre quando a História é construída sob uma fábula de jogos e problemas políticos... Depois, quando a posição se torna dominante e vencedora, é fácil aparecer com uma versão para a reescrita dessa História. Fariam sentido estes relatos dos marinheiros de Dieppe?
- Claro que sim!
Nada impedia as navegações ao sul do Bojador, tirando as imposições internas na Europa!
Como é fácil observar a navegação pelo Mediterrâneo, do Estreito de Gibraltar até à Terra Santa era superior à navegação pela costa de África até à Serra Leoa... 
Semelhantes distâncias marítimas a partir do estreito: 
até à Terra Santa (linha vermelha), e até à Serra Leoa (linha branca)

Tanto mais que o Mediterrâneo tinha a dificuldade adicional de navegação sob ataque muçulmano que começava logo na passagem do Estreito (até à conquista de Gibraltar e Ceuta, no Séc. XV, ambos os lados estavam sob controlo muçulmano). E como é óbvio, a navegação nunca seguiu a linha de costa... seria ridículo seguir pela costa espanhola, francesa, ou ainda contornar a península italiana.
Por isso, é óbvio que as navegações até à Guiné do Infante D. Henrique longe de serem primeiras, estavam ainda longe de se referir apenas à Guiné africana. Como vimos dizendo, há mais de um ano, Guiné era um termo que se aplicava inicialmente a vários territórios, muito em particular à América. Quando D. João II diz que as descobertas de Colombo estão no seu senhorio da Guiné, é fácil perceber a extensão do termo.

A importância relativa do Infante D. Henrique é quase a mesma de Colombo... ambos tiveram uma chancela do poder que lhes daria ao longo da História a prevalência de descobrimentos, apenas correcta no sentido do termo "descobrimento = retirar do encobrimento instituído".  
Sob esta perspectiva, o papel do Infante D. Henrique é muito maior do que tudo o que se segue... é ele o primeiro a conseguir a autorização de alargar o conhecimento oficial do mundo europeu, desde a Antiguidade, antes restringido ao espaço ptolomaico.

A continuidade desses descobrimentos só vai ser quebrada pela persistência em não revelar a parte americana acima da Califórnia, e a Austrália. Esse hiato é quebrado pela viagem de Cook... 

Tal como no caso dos mapas de Pedro Reinel, em que os territórios americanos aparecem ocultados, mas podem ser vistos pela rotação dos mapas, volta a ser necessário ocultar a Austrália nos novos mapas. Já apresentámos como Buache e Brouscon fizeram isso... há outros casos portugueses, também!

Porém, um exemplo simples de verificar obtém-se usando dois mapas de Dieppe, voltando-se a repetir a técnica de Reinel (motto deste blog). 
O autor usa dois mapas, faz uma inversão e reflexão... obtendo-se directamente:
- Até as paisagens dos mapas distintos colam... o que há mais a dizer?
Os mapas de Dieppe contêm ilustrações interessantes, conforme já explicámos aqui (... há seis meses atrás).
O que se torna claro nestes mapas é porque razão a visita de Tasman em 1642 apenas revelou a parte ocidental/norte, onde se encontrariam os aborígenes. A parte oriental da ilha, não "descoberta" por Tasman, aparece assim povoada por "europeus", conforme se torna "claro" pelo seu aspecto.

- Quem são?
Já aqui explicámos que o Senado de Cartago tinha decretado pena de morte a quem fosse para os territórios paradisíacos. Haveria sempre o perigo iminente de que fartos da opressão do poder, os navegadores decidissem ser refractários e fazer vida numa ilha paradisíaca. Foi o que aconteceu com a Bounty (ver também filme ganhador de Oscar em 1935)...

Porém, isso foi uma situação pontual. Poderia perfeitamente acontecer algo muito mais organizado e coordenado... ou seja, haver um grupo razoavelmente grande, revoltado com a situação opressiva na Europa, liderado por capitães (ou ainda aristocratas, ou um príncipe...), que teria visto como possibilidade efectiva definir um novo reino, afastado da opressão imperial europeia. Melhor ainda, oferecia-se com um excelente clima! 

Isto seria um teste ao longo braço do Senado do Império Ocidental... 
Até que algum reino se dispusesse a terminar com essa faceta refractária, haveria um autêntico "Reino Pirata" situado algures na Austrália. Não estando sob domínio ocidental (tal como Fusang), não seria reconhecido, e o território ficou sob ocultação (mesmo a parte declarada por Tasman).
Até que, após a Guerra dos Sete Anos, passados 60 longos anos após o Longitude Prize, um dos participantes notabilizado na Batalha das Planícies de Abraão, o capitão James Cook, tem finalmente autorização para viajar e traçar mapas da Austrália.
Batalha das Planícies de Abraão, 1759 - morte do general Wolfe.
(uma enorme torre, supostamente de Québec, 
avista-se ao fundo, entre as nuvens, à esquerda)

Depois, como já referimos ocorre o episódio da extinção dos "aborígenes da Tasmânia", consumada na Black War... é de assinalar que no mapa de Dieppe, a Tasmânia está então representada como "ilha de gigantes", e o desenho indicaria a prática de canibalismo. É mais um problema de Gulliver...

Aos ingleses tinha sido outorgada a parte final da descoberta... 
Descobertas que começam com o Infante D. Henrique, mas também com a escravatura reintroduzida na bula papel que consagra a si os domínios da Guiné... Descobrimentos que continuam com os espanhóis, após Colombo, mas com uma quase extinção dos Aztecas, Incas, Maias, etc... Terminam na Austrália e na parte ocidental da América do Norte (cf Fusang), de forma igualmente dramática. O avanço que parece surgir, tem uma descompensação na ética e moral cristã...

Napoleão surge assim após as últimas descobertas inglesas... fora de tempo! Poderia ter sido Magno, como Alexandre, porém o Corso juntou-se ao Carnaval, no bloco dos napoleões retintos...

 

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