Site Meter

Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Acordar

por desvela, em 16.07.12
Acordar tem origem latina, de raiz no "cor" de coração, tal como concordar, discordar, recordar...
Quando "Acordar!" é ouvido numa caserna, os soldados saem dos seus sonhos unipessoais e são convocados para um Acordo... o acordo com a realidade comum.
Uns podem discordar, outros concordar, mas do sonho anterior só lhes restará o recordar.

Estas particularidades linguísticas são heranças que passam desapercebidas no nosso uso comum da língua, apesar de estarem ali, óbvias, prontas a serem compreendidas.
A relação com o "cor" de coração já é menos óbvia, e poderíamos ser levados numa "corda" que perdeu o "h" na transliteração de "chorda".

Isto a propósito de uma particularidade interessante na palavra "Quinas".
A transliteração do K tornou semelhante as formas:
Chinas, Quinas, Cinas ou Sinas.
No caso da China isso é ainda notório pela sua declinação latina enquanto "Sínica".

Porém, devido a essa simples alteração, ganha um significado substancialmente diferente falar em
Cinco Quinas / Cinco Chinas / Cinco Sinas

As cinco quinas fizeram parte da identidade nacional, variando apenas o número de bezantes, que acabou por se fixar também em cinco, com D. João II. Falamos da altura em que o nome Índias serviu tanto para territórios a ocidente, quanto a oriente. Aliás, a designação "índios" serviu praticamente para a maioria dos novos povos. Não seria de estranhar talvez uma designação de "Cinco Índias", para ilustrar a diversidade geográfica, mas os índios americanos estavam claramente mais próximos de uma ancestralidade chinesa.
Convém ainda notar que era "Seres" o nome que era usado pelos romanos para os chineses, e que à época dos descobrimentos, o nome mais comum era "Cathay" (a confusão entre Cathay e China manteve-se até à viagem de Bento de Goes). António Galvão faz ainda a referência da mudança de nome de "Taybencos" para "Chins", como sendo coisa recente em meados do Séc. XVI.

A palavra "quina" está ainda ligada a cantos, ou melhor a "esquinas", como quando se refere o Castelo das Cinco Quinas, devido ao formato da torre do Castelo do Sabugal, de que já falámos.
O nome Torre Quinária, referindo-se aos cinco cantos da Torre de Hércules do Castelo de Coimbra, dá ainda uma junção da raiz de "Quinto" com "Quina", dispensando quase a menção de serem cinco, as quinas, ou esquinas. Também já falámos muito desta torre destruída pelo Marquês de Pombal, acrescentamos apenas que se achou por bem destruir o que restava - o chão, no decurso da demolição do Observatório, por volta de 1950:
Demolição do Observatório, que antes servira de pretexto 
para demolir a Torre Quinária de Coimbra, dita de Hércules.

O parecer "erudito" no sentido da completa destruição é, digamos, bastante "traquinas".

Acrescento um documento interessante publicado em 1799, dirigido a D. João VI, sobre uma disciplina denominada "Quinografia Portugueza", de José Mariano Veloso, que se debruçava sobre as 22 espécies de "quinas", plantas que se encontravam no Brasil, e das quais se extraía o quinino... substância eficaz contra as febres, especialmente da malária.
Quina ou Cinchona, de onde se extrai o quinino

É um pouco mais complicado estabelecer se há alguma relação etimológica para o nome da planta, mas se o cravo foi especiaria procurada, a quina resolveu o problema da malária nas navegações.

Quando ainda se discute o Acordo ortográfico, é talvez conveniente não desprezar o legado linguístico, e acordar acordado. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 07:46


Acordar

por desvela, em 15.07.12
Acordar tem origem latina, de raiz no "cor" de coração, tal como concordar, discordar, recordar...
Quando "Acordar!" é ouvido numa caserna, os soldados saem dos seus sonhos unipessoais e são convocados para um Acordo... o acordo com a realidade comum.
Uns podem discordar, outros concordar, mas do sonho anterior só lhes restará o recordar.

Estas particularidades linguísticas são heranças que passam desapercebidas no nosso uso comum da língua, apesar de estarem ali, óbvias, prontas a serem compreendidas.
A relação com o "cor" de coração já é menos óbvia, e poderíamos ser levados numa "corda" que perdeu o "h" na transliteração de "chorda".

Isto a propósito de uma particularidade interessante na palavra "Quinas".
A transliteração do K tornou semelhante as formas:
Chinas, Quinas, Cinas ou Sinas.
No caso da China isso é ainda notório pela sua declinação latina enquanto "Sínica".

Porém, devido a essa simples alteração, ganha um significado substancialmente diferente falar em
Cinco Quinas / Cinco Chinas / Cinco Sinas

As cinco quinas fizeram parte da identidade nacional, variando apenas o número de bezantes, que acabou por se fixar também em cinco, com D. João II. Falamos da altura em que o nome Índias serviu tanto para territórios a ocidente, quanto a oriente. Aliás, a designação "índios" serviu praticamente para a maioria dos novos povos. Não seria de estranhar talvez uma designação de "Cinco Índias", para ilustrar a diversidade geográfica, mas os índios americanos estavam claramente mais próximos de uma ancestralidade chinesa.
Convém ainda notar que era "Seres" o nome que era usado pelos romanos para os chineses, e que à época dos descobrimentos, o nome mais comum era "Cathay" (a confusão entre Cathay e China manteve-se até à viagem de Bento de Goes). António Galvão faz ainda a referência da mudança de nome de "Taybencos" para "Chins", como sendo coisa recente em meados do Séc. XVI.

A palavra "quina" está ainda ligada a cantos, ou melhor a "esquinas", como quando se refere o Castelo das Cinco Quinas, devido ao formato da torre do Castelo do Sabugal, de que já falámos.
O nome Torre Quinária, referindo-se aos cinco cantos da Torre de Hércules do Castelo de Coimbra, dá ainda uma junção da raiz de "Quinto" com "Quina", dispensando quase a menção de serem cinco, as quinas, ou esquinas. Também já falámos muito desta torre destruída pelo Marquês de Pombal, acrescentamos apenas que se achou por bem destruir o que restava - o chão, no decurso da demolição do Observatório, por volta de 1950:
Demolição do Observatório, que antes servira de pretexto 
para demolir a Torre Quinária de Coimbra, dita de Hércules.

O parecer "erudito" no sentido da completa destruição é, digamos, bastante "traquinas".

Acrescento um documento interessante publicado em 1799, dirigido a D. João VI, sobre uma disciplina denominada "Quinografia Portugueza", de José Mariano Veloso, que se debruçava sobre as 22 espécies de "quinas", plantas que se encontravam no Brasil, e das quais se extraía o quinino... substância eficaz contra as febres, especialmente da malária.
Quina ou Cinchona, de onde se extrai o quinino

É um pouco mais complicado estabelecer se há alguma relação etimológica para o nome da planta, mas se o cravo foi especiaria procurada, a quina resolveu o problema da malária nas navegações.

Quando ainda se discute o Acordo ortográfico, é talvez conveniente não desprezar o legado linguístico, e acordar acordado. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 23:46


Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

calendário

Julho 2012

D S T Q Q S S
1234567
891011121314
15161718192021
22232425262728
293031



Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2010
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D