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Galos de Gales

por desvela, em 29.09.14
A costa ocidental europeia, onde o Atlântico embate violenta e directamente em promontórios elevados, é uma marca de territórios associados aos "celtas". Na parte ocidental da Grã-Bretanha, essa parte ocidental incluía a Cornoalha, e o País de Gales. O termo Wales poderia ligar-se a whales (baleias), mas para registo latino a habitual presença posterior dos "w" não afectou aqui o "g" ficando Gales. 
Por outro lado, os galeses denominam a região como Cymru, que latinamente é lida Cambria (existe ainda Cumbria, na parte inglesa, também designação já existente em tempo romano).

Por outro lado, Wales-Cambria poderia ser entendido como "Vales-Cambria" e se quisermos dar sentido à primitiva migração hispânica para paragens britânicas, lembramos, sem nenhum galo na cabeça, ou câimbra na perna, que "Vale de Cambra" é uma cidade portuguesa, às margens do Rio Cambra (cujo nome passou no Séc. XIX a Rio Caima, e onde existe a notável cascata da Mizarela).
Ora, apesar das evidências da distribuição comum do haplogrupo R1b, indicando origens comuns, há uma clara diferença linguística entre as supostas línguas remanescentes dos celtas e as línguas latinas. 

Brithenig
No ano passado recebi um simpático email (Evany F.) que me dava conta de um texto galês que tinha semelhanças claras com o português, ou pelo menos com o latim. À época procurei, mas não consegui encontrar mais nada sobre o assunto. Entretanto, percebi que se tratava de uma "espécie de anedota" - ou seja, uma linguagem inventada em 1996, o Brithenig, que simulava como seria uma língua latina em Gales, aquando da transição após o Império Romano. Eis parte do texto que gerou a confusão:
 (...) a romanized Cadwallon, using the same chancellery-language, might have sworn as follows on allying himself with King Penda of Mercia in 632:
Per amur dy Dew ed per salwament dy pobol cristiane ed dy nus tuts, dy yst di inawant, in cant Dew saber ed poder mi duna, sig eo salwerai yst mew fradre Penda, sig cum hom dy drieff sew fradre salwar debe, in ho che ill altertan face, ed cun Edwyn nul plegit nunche prendrai, che willy mewe a yst mew fradre Penda damnuse sî.
Quem não leu, ou não quis ler, "might have" podia ler directamente o texto em português como qualquer coisa da forma "por amor de Deus, e por salvamento de povo cristiano e de nós todos..."

Há mesmo uma comunidade que alimenta esta brincadeira de história alternativa, e sendo certa a citação que usam de Horácio - "O que impede de, rindo, dizer a verdade?", não se percebe muito bem onde está a piada, nem onde estará a verdade.
De facto, a informação mais importante sobre a evolução do galês vem antes no texto, e essa parece não ter passado na anedota:
V still pronounced as W long after it had become labio-dental V elsewhere; whence Welsh gw as in Gwener (Friday) from (dies) Veneris; gwir (true) from verus, - a change which was effected by the eighth century (later in Cornish and Breton). Secondly, there were idiosyncrasies such as the insertion of W between U and another vowel (e.g. destruo was pronounced destruwo, whence Welsh distrywio 'to destroy', and posuit, 'he placed' was pronounced posuwit (cf. W.clywed) which produced posiit in some inscriptions). Even more remarkable, the same W was inserted between E and O and between E and U. Leo, for example, was pronounced lewo, whence Welsh llew (lion), oleum became olewum W. olew (oil), deus became dewus, W. duw(god; cf. the Gaulish prefix Devo- seen in the name of the Galatian king whom Cicero defended, Deiotarus). Thus, if Brythonic had borrowed the word for boy, puer, Welsh would have had a word like pewyr.
É claro que se quiséssemos passar em letras todos os sons variantes da pronúncia portuguesa, o dialecto de S. Miguel nos Açores passaria facilmente por língua estrangeira. Basta notar por exemplo que "Mem" e "Mãe" se pronunciam de forma semelhante.

Para o que aqui interessa, notamos então que Gwynned se deveria ler Vined (ou talvez Vinheda), e isso corresponde a uma região galesa (ainda que sem produção vinícola significativa hoje em dia), desde os tempos romanos. Portanto, atendendo a isto, o nome da mítica Gwynnevere, mulher do Rei Artur, deverá ser lido de forma mais inebriante.
Voltamos ao início... e vemos aqui como a ambiguidade entre g, w. gw, pode ter mudado bastante os nomes, por via de simples mudanças impostas.
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Juramento de Estrasburgo
O texto em questão, simulado recentemente em "Brithonig" é baseado num documento histórico, assinado em Estrasburgo (843), entre dois netos de Carlos Magno: Carlos II de FrançaLuís II, o Germânico. Acordo já resultante de divisões entre França e Alemanha, na sucessão do Império Carolíngio, e que terminaram num Tratado de Verdun (... e sim, a escolha de nomes ou locais, raramente será acidental).
 
Texto do juramento de Estrasburgo e excerto usado.

A parte interessante do texto do juramento de Estrasburgo é que se encontra em três línguas - latim, romana, e teudisca. Esta "língua romana" conforme aparece identificada em latim é entendida hoje como uma "língua romance" e neste caso como uma forma de "francês antigo" (o "teudisca", refere-se ao tedesco alemão).

Para "francês" parecem algo estranhos os termos "salvamento", "inquanto", "poder", "adiuda" (ajuda),  "cad huna cosa" (cada uma coisa), "salvar", "fazer", "nunquã" (nunca), etc.  ainda que marginalmente se pudessem remeter ao latim.
Assim, apesar da transliteração, nota-se uma maior proximidade com as línguas ibéricas, algo estranho no Séc. IX, após Carlos Magno.

No entanto, a história do Romance como origem das línguas ibéricas é um completo romance. Começa pelo facto de não se registar qualquer invasão vinda de paragens gaulesas, nem mesmo assim se justificar minimamente as diferenças ibéricas, acresce aqui a existência de um texto destes, de sonoridade ibérica, assinado em Estrasburgo no Séx. IX.
Ora, Carlos Magno mostrara uma grande preocupação com o ensino da Gramática, e o que se passou no resto do período medieval foi um desvio muito acentuado do francês face ao que podemos ler naquele documento, muito mais próximo das línguas ibéricas.

Quando no documento se introduz em latim a língua "romance" é dito literalmente:
- "verba romana lingua" ou "romana lingua sic se habet"
Portanto, é uma clara deturpação da cultura vigente falar em língua romance em vez de língua romana, conforme é explícito no texto.

Esta língua romana seria a língua popular comum no Império Romano, bastante diferente do latim. Ficou mais conservada no lado ibérico porque a invasão de Carlos Magno não teve sucesso, ao ser desbaratada em Roncesvalles. Seria provavelmente uma língua semelhante entre os "Galos", que ocupavam grande parte da Europa Ocidental. Obviamente que sofreu alterações durante o período romano, com uma revolução gramatical próxima do latim, mas isso favoreceu a base comum. A tarefa medieval posterior, levada a cabo em muitos séculos, com ajuda de invasões saxónicas e normandas nas ilhas britânicas... terá servido para uma nova diferenciação na Europa ocidental.
Quando houve direito a escrever de novo em linguagem vernacular e não apenas em latim, ou seja, já no tempo de Dante, estavam cimentadas diferenças suficientes entre as línguas dos diversos reinos europeus. Por outro lado, no juramento de Estrasburgo, nota-se que as diferenças para o tedesco germânico, essas eram grandes, cimentadas há muito pela fronteira romana do Reno.
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Gálico, Ogham e Ockham
Como referimos, o texto em "Brithonig" é uma brincadeira com menos de 20 anos, em contraponto com as línguas britónicas originárias da Grã-Bretanha (em particular, o Galês, ou o Córnico da Cornualha), e que são ainda diferentes das línguas gaélicas ou gálicas, originárias da Irlanda.
No Séc. VI, perante a queda do Império Romano e invasões anglo-saxónicas, a ligação marítima entre as ilhas britânicas, a Bretanha e a Galiza, serviu de fuga a essas populações.
Sobre a ligação directa com a Bretanha, já falámos de Conan, e há ainda o registo da migração no Séc. VI em direcção à Bretanha e Galiza:
Esta ligação entre Bretanha e Britânicos foi terminando com outra ligação posterior, entre a Normandia e a Inglaterra, pela invasão de Guilherme I em Hastings. Portanto, o estabelecimento autorizado dos normandos em terras francesas, e subsequente invasão britânica, ofuscou a anterior ligação, que se desvaneceu por completo no final da Guerra dos Cem Anos, com a anexação do Ducado da Bretanha à coroa francesa, e com a definitiva união galesa à Inglaterra, através de Henrique VII, o primeiro Tudor, de família galesa, que esteve em exílio na Bretanha até à conquista do trono em 1485, pondo fim à Guerra das Rosas.

Bom, mas pelo lado gaélico, irlandês, chegou a existir uma prevalência irlandesa sobre as paragens britânicas galesas, ilustrada nos contos Tristão e Isolda, ou mesmo nas lendas do Rei Artur.
Júlio César conta do secretismo celta, que impediria qualquer registo escrito, no entanto entre os Séc. V e VI, com a queda do Império Romano terão sido erigidos monumentos com inscrições numa linguagem aparentemente secreta:
- alfabeto Ogham
... cuja cifra seria depois revelada no chamado Livro de Ballymote.
Estes monumentos encontram-se em boa parte na região de Gales e da Cornualha. O interessante acerca desta forma de alfabeto é que pode passar mesmo despercebida, como traços feitos por algo natural, ou ocasional:
Exemplo de inscrição Ogham (img)

Também no caso da caligrafia árabe, podemos ver vários monumentos em que as inscrições surgem algo escondidas, como efeitos decorativos. O alfabeto Ogham poderia também ser disfarçado, servindo propósitos apenas conhecidos pelos receptores que conhecessem a cifra, sem que sequer houvesse intuito dos inimigos em decifrá-lo. Curiosamente este alfabeto é remetido à origem Cita, na tal migração que passara pela Hispania, a um neto de Magog, cujo nome Fénius Farsa, parece revelar mesmo a farsa desta fénix encriptada no disfarce.

Se o propósito deste tipo de escrita seria a naturalidade das inscrições, há muitas outras circunstâncias em que este tipo de riscos pode aparecer, e fica assim a questão de saber se podemos ou não remeter sempre a sua origem ao alfabeto Ogham.
Uma hipótese, a que não deixo de fazer referência, porque me foi comunicada por email (Herculano), será haver alguma influência do alfabeto Ogham, dos Séc. V e VI, em inscrições antigas encontradas no Brasil, o que a ser concluído, levaria a um manifesto contacto entre paragens atlânticas remotas - Brasil e Irlanda. Deixo aqui a referência à página web do autor:
onde é abordado o assunto. Estas ligações podem parecer fortuitas e forçadas, ou revelarem-se mesmo sistemáticas, e aí interessa também saber se estes candidatos a códigos Ogham batem certo no tempo de datação com as inscrições europeias conhecidas.

Finalmente, e mais por questões fonéticas, o nome Ogham faz imediatamente lembrar o de Ockham, monge que viveu no Séc. XIV, pouco antes da publicação do Livro de Ballymote sobre o alfabeto Ogham. O nome do monge é conhecido do seu princípio da "explicação mais simples", designada habitualmente como "Occam's razor". Porém, se essa ideia é conceptualmente apelativa, é óbvio que uma explicação mais simples não serve sempre manifestações complexas. Porque, tendencialmente a explicação mais simples, tende a ficar tão simples que deixa de haver explicação, ou é simplista. Por exemplo, uma explicação simplista é aceitar que é tudo um acaso, argumentar com coincidências a torto e a direito, outra explicação simplista é aceitar que só há uma razão para tudo, sem evidenciar porquê.

Portanto, quando ligámos aqui "Wales Cambria" a "Vales de Cambra", é óbvio que isso é apenas uma mera indicação fonética, que até pode ser entendida como algo viciada, mas que por outro lado tem suporte nos registos de migração ibérica para paragens galesas. Há uma tentativa de nexo simples, sob pena contrária de não ver nexo nenhum em nada - admitindo que a migração ocorreu, mas que não é possível estabelecer ligações. Ora, os estudos dos haplogrupos acabaram por evidenciar que é ainda possível estabelecer a ligação pela presença do R1b, ainda que não se admitam mais nenhumas.

Porém, convém sempre resistir à tentação simplista do carpinteiro que, munido de um martelo, tende a ver tudo como um prego ou um cravo, ou do pescador que tende a ver tudo como pesca por anzol. As especializações têm esse defeito de vício de raciocínio, e a insistência num leque de abordagens reduzido, foca uma determinada visão frontal, diminuindo a igualmente importante visão periférica.
As coincidências são sempre co-incidências, e se o nexo existe ele acaba por se tornar evidente - não vale de nada martelar para o fazer aparecer, ou tapá-lo para o esconder.
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30/09/2014

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publicado às 05:43


O Tonante (2)

por desvela, em 25.09.14
Das diversas observações no texto anterior, a que mais interessa aqui é a questão da domesticação animal. É claro que poderíamos pensar em guiar, ou enguiar, o texto por múltiplas curvas linguísticas ao Ton do Tonante, em folhas ao tom de Outono, sinal da repetição do ciclo solar. Outono, não apenas pelo regresso do que chove de Jove, mas também pelo sonante Tonante associado aos raios do filho de Raia. Curiosamente, estação ainda aconselhada para a pesca de atum.

Indo pelo lado da Cavala, parente menor do Atum, seguiríamos na direcção da Anedota, notando que o termo originalmente se referia a anedocta enquanto conhecimento não dotado, não ensinado, secreto. De certa forma, ao douto escaparia o anedouto, ou seja, as anedotas dos Anedotos, nomeadamente a difusão e velocidade de propagação da anedota, fora dos circuitos oficiais. 
Ora, já elaborámos bastante sobre os Anunnaki, novo nome para os Anedotos, no texto "Cobertura de Anedotos", e não há propriamente grande diferença em disfarçar-se com um bacalhau ou com um atum... a dimensão da vestimenta poderia ser maior, mas o mau cheiro seria o mesmo.
 
Um recorde na pesca do atum (quase 1 Ton, de peso) e os Anedotos disfarçados de peixe.

Se há algo a acrescentar, que julgo que ainda não referi, por não ver grande importância, é que sendo a cavala nome quase idêntico a cavalo, também bacalhau na pronúncia nortenha é próximo de baca, e de certa forma Athenaeus entendia o atum como um -do-mar. [Acrescentou Bartolomeu, num comentário incluso, que os atuns da variedade Albacora, são chamados bácoros-do-mar]

Bom, seguimos esta caldeirada pela observação acerca do deus egípcio Apis:
                           "Apis served as an intermediary between humans and an all-powerful god (originally Ptah, later Osiris, then Atum)."

Acontece que a representação de Apis, que serviria como intermediário divino com Atum, era a representação bovina, touro com o disco solar O sobre o U em "cronos", noutros tempos.
Por isso, se parece algo estranho Athenaeus referir a alimentação de Atum com bolotas dos "carvalhos-marítimos" (o atum, como a maioria dos grandes peixes, é suposto alimentar-se só de peixes mais pequenos), é sabido que o gado bovino, tal como o suíno, pode ser alimentado com bolotas. Ou seja, noutros tempos Atum teria o touro Apis como intermediário, e aí sim faria sentido falar em bolotas. Uma tradução fora de tempo, tiraria os cronos que levavam a Atum.
Por outro lado, o aspecto da bolota do carvalho, do quercus, não será de dissociar do nome da árvore, e mais uma vez remeter a divindades pagãs ainda mais antigas, e cujo nome permaneceu em Anedotas.

Ainda nesta divagação pouco importante, notamos que Apis era a palavra latina para abelha... e de que maneira podemos ligar o gado bovino à apicultura? - Não ligamos, porque querer ligar tudo normalmente é encarado com a mesma arbitrariedade de não querer ligar nada.

No entanto, serve a pergunta, essa sim importante - qual o candidato mais plausível para ser o primeiro animal domesticado?
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A velha abelha, ou velha ovelha?
O vi no ovino, ouvi no ovino, ou vi no ovino?
A conjugação de "ouvir" mudou, a criança diz "eu ouvo", o adulto diz "eu ouço", não se resolveu a ambiguidade fonética, apenas o irregular "osso" sucede ao regular "ovo" infantil.
Ouve o que houve, ou houve o que ouve, seria o haver, um a ver dirigido pelo ouvir, um presente feito de fé no ovo passado, ora contradição, ora com tradição, ora contra dicção, oral.

Entre ouve, ou vê o que houve, o aproveitamento dos animais envolveu um grande entendimento dos animais, tal como o aproveitamento da agricultura envolveu um grande entendimento da Terra e dos Tempos, um tempo solar, cronometrado por Cronos, e outro tempo do céu, donde chove de Jove.
Importa pois alguma ponderação sobre os termos, para além da invocada, ou imbocada, co-incidência. Como já dissemos, co-incidência também é fazer frio no inverno e calor no verão, até que outras incidências levaram a uma cedência na coincidência.

Ovos e Ovas
O aspecto ovular do cacho de uvas, surge como ovas, onde cada ovinho fez "o vinho".
Não nos querendo afastar demais do assunto, este ovo continua pelo latim, que vai de ovis a bovis, ou do ovino ao bovino. Aqui os termos parecem ter perdido todo o sentido ligado ao ovo, e seria altura de meter a viola no saco, nesta deriva linguística... afinal, os ovinos não dão ovinhos!
Será tempo de dizer "é uma ova, e não ovo mais". Não sendo ovas de esturjão, parecem ovas de intrujão, e em vez de caviar, parecerá ser sempre a aviar.
Independentemente disso, se há registo que aponta para a carne da carneirada, no início da domesticação animal, acho que não devemos excluir como ovinos primordiais, os ovinos que davam mesmo ovinhos... os galináceos. Porquê?

Gallus Gallus
Somos remetidos às paragens remotas do costume - Melanésia e Oceania, se atendermos ao galo bankiva, de Java, galo selvagem que é apontado como ascendente dos galináceos domésticos.
 
Gallus gallus - galo selvagem, e sua distribuição - Melanésia. 

Porquê este candidato? Porque praticamente não alterou o seu aspecto inicial, e tanto sobrevive em cativeiro, como no estado selvagem - ou seja, a domesticação não implicou nenhuma necessidade de mudar as suas características originais. A ancestralidade do galo enquanto animal doméstico tem registos apontados para, pelo menos, 5000 anos, o que é metade do admitido para a domesticação do gado caprino.
Na hipótese de migração, sugerida nos haplogrupos humanos, da Oceania em direcção à Europa, em tempos glaciais, o seu eventual transporte, especialmente para regiões europeias, seria complicado, sob efeito de frio rigoroso, dado o seu habitat natural.

Portanto, tentando forçar o nexo da raiz linguística, parece ainda assim possível que, como substituto alimentar aos "ovinos galináceos" que punham ovos, essa tribo migrante tivesse visto noutros "ovinos" um igual aproveitamento doméstico. A razão fraca que parece favorecer esta hipótese é a semelhança entre ovis e bovis, ovino e bovino, algo que aparentemente só teria nexo pela semelhança da domesticação, sendo certo que, por exemplo, o termo caprino quebra essa raiz comum... mas devemos ter em conta as influências e variações, por outras razões.
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Basiliscos e Fenix
Normalmente os galos parecem passar um pouco ao lado da bestialidade mitológica, mas esse não é o caso dos basiliscos, monstruosos galináceos (ou serpentes) capazes de matar com o olhar - e de serem assim aniquilados com o olhar sobre si mesmos (poderosa figura metafórica, como a da medusa).
A fénix também pode ser vista com um certo aspecto galináceo, e a mitologia de renascer das suas cinzas, contém um aspecto do "ovo e da galinha", na questão da auto-criação, ou ciclo criador, subjacente ao deus egípico Atum.
Por outro lado, nem sempre é claro que o entendido como cabeças de águias não possam denotar outro tipo de aves... como no caso de Anedotos:

Portanto, seja a fénix fenícia, ou o galo galaico, filho dos céus (var-celos), para além do carnaval caldeu dos Anedotos, havia uma certa raridade no galo como alimento grego, sendo iguaria exótica e cara. A tempo romano, talvez após o fim de Cartago, os galináceos tornaram-se comuns na Europa - e acerca da palavra romana "gallus" é dito:
But it also has an ancient association with Gaul (see Gallic), and some speculate that this is the source of the word, "on the assumption that the Romans became acquainted with the cock from Gaul, where it was brought by the Phoenicians.

Dieta Paleolítica
Os primatas não são normalmente carnívoros, a macacada gosta mais de fruta, mas essa dependência seria insuficiente em regiões não tropicais, pelo que associada à inteligência também favoreceu muito o estabelecimento humano a faculdade de ter um estômago flexível, tornando-se praticamente omnívoro. Juntou-se a esse assunto o fogo, para outro processamento alimentar. Assim, certamente que os ovos de répteis ou aves, seriam um alimento de mais fácil obtenção do que a caça, especialmente havendo aves, estes galináceos, que sobreviviam bem ao cativeiro.
A questão de sobreviver bem no cativeiro, não se aplicava apenas a outros animais, e esta poderá ter sido uma infeliz conclusão. O que sabemos doutros primatas, por exemplo chimpanzés, aponta também num sentido mais macabro:
Anthropologists such as Tim White suggest that cannibalism was common in human societies prior to the beginning of the Upper Paleolithic, based on the large amount of “butchered human" bones found in Neanderthal and other Lower/Middle Paleolithic sites. [Wikipedia: Tim D. White (2006-09-15). "Once were Cannibals". Evolution: A Scientific American Reader.]
Afinal, desde os primórdios até hoje, sempre se estabeleceu uma estrutura social em que uns comiam à conta de outros criados para tal - escravos, servos e assalariados, foram apenas aspectos de evolução moral, mas o regresso à selva, sem restrições morais sob as acções, esteve sempre latente. O muro moral, começou por ser trabalho religioso, uma autêntica revolução de consciências, que formou algumas restrições que a selva não impunha... o porco e outros animais foram substituindo outro tipo de sacrifícios.

A palavra inglesa "game" não significa apenas jogo, significa também a caça de animais não domesticados, não necessariamente gamos ou veados. Portanto, nalguns casos a caça é apenas um jogo, ou o jogo é apenas a caça, e o troféu é ainda a cabeça capturada. Porém, quando se dá caça a uma cabeça, é porque a cabeça do caçador foi capturada no confronto de ideias.

Apis Mellifera
Entre os aproveitamentos naturais, não terá escapado à atenção europeia o mel, conforme é atestado na Cueva de las Arañas, onde há uma representação (assumida com 8 mil anos) que é facilmente interpretada como uma recolha de mel de uma colmeia, com abelhas circundantes:
Cueva de Las Arañas (Valencia, Espanha) - primeiros apicultores...

Já há bastante tempo falámos de Berlanga del Duero cujo símbolo é um urso numa colmeia

... e também de Gorgoris, rei mítico da Lusitania, que teria o cognome "Melícola", por ter recebido dos deuses o segredo do mel. Abundando na Europa as referências ao urso, será ainda provável que tenha saído da observação do seu comportamento a conclusão para o primeiro aproveitamento das colmeias selvagens. As vantagens das colmeias não se esgotavam no mel, e a cera serviria as velas, tal como aconteceria com o azeite nas antigas lamparinas... a preservação da chama foi sempre assunto importante.

Ovis Aries
Para além da Cueva de las Arañas, que mostra uma perseguição a gado caprino, na Cueva de los Letreros (já mencionada por Annete Meakin em 1904), em Almeria, temos também uma ilustração do que se tem entendido como um feiticeiro com "cronos" caprinos (note-se ainda o símbolo da foice, a foice adamantina, associada a Cronos):
Diversas imagens da Cueva de Los Letreros 
e esculturas modernas correspondentes em Almeria.

A principal diferença entre o "cronos" caprino e bovino está no formato do V divergente caprino face ao U convergente bovino.

De entre as diversas raças ovinas, a "merino" era a mais considerada, e o seu segredo guardado pelos espanhóis ciosamente, até há poucos séculos. Até há pouco tempo era considerado que o muflão da Córsega seria o ancestral das raças caprinas domesticadas, mas o corso passou, e o habitual carnaval dos carneiros coloca-se agora no muflão iraniano, sem que se tenha estabelecido esse nexo. Já aqui mencionámos o haplogrupo das cabras e não adiantamos muito mais.

Parece-nos apenas que conseguir a domesticação de animais antigos, sejam muflões em montanhas, grandes bovinos taurinos, suínos do javali (que existe até Java), equínos ou outros - conseguir que eles se aguentassem e reproduzissem em cativeiro, parece mais complicado. Acresce a isso a série de evoluções genéticas para apurar raças até ao nível mais ou menos estável com que foram aparecendo na Antiguidade. Os animais domésticos já pouco tinham a ver com os selvagens, e as hipóteses de evolução feral (ou seja, de raças saídas de animais domésticos que se libertaram), são ou muito próximas dos selvagens, ou muito próximas dos domésticos, pois os híbridos ficavam estéreis.
O que parece pouco provável é que toda a evolução da domesticação até uma estabilização não tenha ocorrido num ambiente muito estável, durante milhares de anos.
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28/9/2014

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publicado às 05:31


O Tonante (1)

por desvela, em 23.09.14
Tonante
Augusto manda construir um templo a Júpiter Tonante em 22 a.C., após o regresso das campanhas nas Astúrias e Cantábria, destinadas ao domínio completo da Hispania. 
O motivo invocado - ter escapado a um relâmpago de um trovão, associado assim a Júpiter:
Iuppiter Tonans, aedes (templa, Martial; ναός): a temple on the Capitol, vowed by Augustus in 26 B.C. because of his narrow escape from being struck by lightning during his Cantabrian campaign, and dedicated 1st September, 22 B.C. The name Iuppiter Tonans was a translation of Ζεὺς βροντῶν, which form appears in a Latin transliteration in two inscriptions.

Escapando do evento fatal, Augusto terá dado importância ao assunto, e o templo a Jovis Tonans passou a ser à época uma maior referência do que era o anterior, de Jovis Capitolinus
 
Restam do templo a Jovis Tonans três colunas e uma estátua (agora no Prado, e que se supõe não ser a original).

Encontraram-se também moedas de Augusto constando no verso o templo ao TON

 

Talvez a melhor tradução, face à linguagem actual, fosse Júpiter Sonante, que dá mais ideia do som do trovão do que "Tonante" (que remete mais a tunante). Porém, "tom" ou "som" são semelhantes no significado sonoro. A ligação de "sono" a "som" estará muito provavelmente à observação do ressonar ligado ao dormir (tal como o "bronco", de brônquios, se associa ao ronco).

O adjectivo Tonante referindo Júpiter, é usado por Camões. Numa curiosa e "severa" crítica aos Lusíadas, o Padre José Agostinho Macedo aproveita para fazer observações interessantes. Entre as quais está  (Censura das Lusíadas, vol. 1, p. 115)
Os Deuses das Lusíadas são muito tolos. Jupiter Tonante dá o Estreito de Magalhães anterior a Vasco da Gama no 2º Canto, e Thetis no 10º Canto dá o Estreio de Magalhães coevo ao mesmo Gama: "O Estreito que se arrea : Com o nome delle agora"!
Erram os tempos dos verbos e são Deuses que não conhecem nem o presente, nem o passado, nem o futuro.
Mais bonita ficaria a Edição rica das Lusíadas se lhe tirassem esta Oitava.
De facto, Macedo tem razão.
Se a narrativa dos Lusíadas é colocada em torno de Vasco da Gama, é errar o tempo do verbo ao dizer que já então, à época da viagem de Gama, o estreito teria o nome de Magalhães.
A crítica aos Lusíadas de Macedo, parece ser um bom pretexto para deixar estas observações pertinentes, que mais do que colocarem o texto em causa, questionam a história difundida.
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Aton e Atum
A designação abreviada TON, inscrita nas moedas romanas, motiva falar de Aton, a versão religiosa monoteísta do faraó Akenaton, que levou a um conturbado período religioso no Egipto. Esta nova divindade será a primeira manifestação registada de um Deus único, resultado provável da crescente importância de Amon (também "Amun", "Amen") e  (também "Ré", "Rei"). Convém notar que Zeus-Amon foi uma variante helénica que pode assim ser lida como Deus-Amen.
Amon aparece-nos pelo lado tebano, enquanto pelo lado de Menfis é venerado Pta (é entendido que a vogal em falta poderia ser lida em tempos gregos como Pita... mas certamente que as nossas 5 vogais permitem variantes). Havia ainda outra variante, de Heliopolis, venerando Atum.

Atum, Aton, Pta, Amon e a variante Zeus-Amon, podem ligar-se assim ao jovem tunante, ou melhor, a Jovis Tonante. Agora não apenas pelo "tom", mas também pelo papel de divindades centrais.

Usando aqui apenas a coincidência do nome, iremos falar de outro Atum - do peixe.
Nas Histórias de Polybius, apesar de faltar o Livro 34, o tradutor fez o obséquio de apontar outros autores que falavam desse livro. Em particular, é citado Athenaeus (VII. 302e) sobre a Lusitania, que diz o seguinte:
Polybius of Megalopolis in the Thirty-Fourth Book of his Histories, in speaking of that portion of Iberia called Lusitania, says that there are oak-trees planted deep in the sea, on the fruit of which the tunnies feed and get fat. So that we should not be wrong in calling the tunnies sea-hogs.
Ou seja, é sugerido que na Lusitania plantava-se no mar algo de algas para alimento e "engorda de atuns". Nesse sentido Athenaeus chama a estes "atuns" porcos-do-mar, e parece quase mencionar-se uma espécie de aquacultura, se este relato fosse entendido literalmente.

Seja como for, está registado que a Lusitania exportava uma grande quantidade de ânforas com Atum e Cavala, peixes aparentados, e conhecidos pelos seus grandes registos migratórios em alto mar.

Cultura
O culto ligou-se à cultura, e grande parte das primeiras divindades associavam-se não só à agricultura, mas também à cultura de animais domésticos. 
Suficientemente notável, a pesquisa que foi feita para a domesticação, nos primórdios ancestrais, não mudou muito. Desde as primeiras civilizações que vemos praticamente o mesmo registo de animais domesticados, e as mudanças fisiológicas foram enormes - veja-se o caso do cão enquanto variante do lobo. Uma casa na Antiguidade poderia ter os mesmos cães, gatos, porcos, vacas, cabras, etc.. os mesmos animais domésticos de hoje. Isso incluía ainda aves, desde galinhas a pombos, mas certamente que não incluiria peixes.
Agora, a questão é saber se não foi feita uma tentativa de criar peixes... sendo conhecidos os registos de enguias em piscinas romanas. As vantagens de aquacultura seriam claras - em vez de aventuras em mares complicados, haveria conveniência em criar perto em vez de ir pescar longe.

O caso das enguias é curioso, devido ao seu registo migratório de rios para o Mar dos Sargaços...
(imagem daqui)

Portanto, se algum pescador se lembrasse de querer saber onde iriam as enguias na sua migração, arriscaria ir parar ao Mar dos Sargaços, praticamente em paragens americanas.
Se as enguias funcionassem como guias desse caminho, do Minho ou doutro sítio, digamos que a sua função seria "em guias".

Raias Eléctricas
Quando falamos nos diversos tipos de enguias, lembramos as famosas enguias eléctricas, capazes de descargas quase tão potentes quanto as usadas na reanimação cardíaca. Porém, essas enguias eléctricas têm paradeiro no Amazonas, e segundo a historieta habitual, fora do alcance dos antigos europeus. No entanto, há um outro peixe com capacidade eléctrica - a raia:
Raia Eléctrica, com curiosas inscrições naturais no dorso.

Acontece que estas raias eléctricas eram conhecidas na Antiguidade, e há referências mesmo em textos de Platão:
The electrogenic properties of electric rays have been known since antiquity. The ancient Greeks used electric rays to numb the pain of childbirth and operations. In his dialogue Meno, Plato has the character Meno accuse Socrates of "stunning" people with his puzzling questions, in a manner similar to the way the torpedo fish stuns with electricity.
wikipedia (R. A. Martin, Electric Rays, 2008)

Portanto, vemos aqui que o fenómeno de electricidade não estava apenas presente nos "raios" de Zeus, filho de Raia, estava também num tipo de "raias", as raias eléctricas. E digamos, se quiséssemos pensar em termos de enguias eléctricas, talvez o termo lampreia, na decomposição Lamp-Reia não precise de lamparina ou de lâmpada esclarecedora (o termo "peixe-torpedo" também é bom pela ligação de "tor" a Thor, o equivalente a Zeus).

Tuna
Por outro lado, indo para o lado da Polinésia, o termo Tuna não serve para designar Atum, mas serve para uma divindade que é uma Enguia. Um dos mitos invoca Tuna como enguia doméstica da deusa Ina, ligada à Lua.
Mata o le Alelo - piscina na Samoa
associada à lenda da enguia de Ina (ou Sina)
 

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23/09/2014

Até aqui apresentámos um certo caldo de informação, e pelas múltiplas variantes haveria muito mais a juntar. Porém, não vamos deixar os ingredientes no caldo, sem fazer uma caldeirada, e por isso o tópico prossegue.

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publicado às 05:06


Colcha (2)

por desvela, em 13.09.14
Continuamos pela cobertura da Colcha.
Um mapa de 1706 (de Ch. Cellarius) aponta designações romanas da região caucasiana, onde podemos ver - Colchi, Iberia, e Albania.

No mapa assinalei outras "atracções turísticas" no contexto, destacando as "Colunas de Alexandre".
Já aqui havíamos falado das Portas Cáspias, que se associam a portas ou muralhas de Alexandre Magno. Serviriam como uma espécie de Muralha da China ocidental, para evitar as incursões dos bárbaros - no caso chinês, os mongóis; no caso alexandrino, os Citas, entendidos como os míticos gigantes biblícos, Gog e Magog.

Outra curiosidade, é que a região caucasiana apresenta uma grande quantidade de nomes que encontramos noutras paragens, e não apenas neste mapa.
Podemos referir Qabala, um nome muito cabalístico para a antiga capital da Albânia caucasiana, ponto de passagem das chamadas "Rotas da Seda". 
Coraxi é um nome de rio assinalado no mapa, nome não distante de Corasan, vizinha região persa, ou talvez nome mais próximo de Carachi, cidade às margens do Indo (ainda mais a ocidente, no mapa, está nomeada Sindi).
A isto associa-se Ganja, cidade e rio caucasiano, cujo nome se assemelha ao Ganges, por um lado, e por outro Ganja é palavra do sânscrito que significa canabis. Talvez o termo granja ou granjear seja apropriado a esta cultura de grageas. Porém, o som local é mais Gança ou Gandza, sendo claro que no português a ligação do sânscrito de canabis é literalmente o popular termo Ganza, enquanto que na variante gansa iríamos para outras visões mitológicas de patos.

Sem esforço adicional, vemos nomes como Asturcani, Lazi, Harmorica, que nos lembram directamente as Astúrias, a Lácio e a gaulesa Armorica. Se juntarmos a estes nomes, as já referidas Iberia e Albania, vemos que pouco falta para termos no Cáucaso a maioria dos nomes antigos de diferentes regiões europeias. Acrescem ainda neste mapa os rios Serbi e Olonda, e noutros mapas não é difícil encontrar nomes também com sonoridade conhecida (Telavi, Baghdati, Java, Andi, Mousa, etc.)

Alanos e Lugus 
Um outro nome identificado no mapa é o dos Alanos. Tal como Vândalos e Suevos, foram um dos povos que se lembraram de invadir o Império Romano na mesma data, atravessando o Reno em 31 de Dezembro de 406. Uma notável coordenação de tribos tão distintas, aceite oficialmente a data no livro de Próspero da Aquitânia. Se Júlio César tinha estabelecido pelas Pontes do Reno, a fronteira do Império Romano, na noite de passagem de ano em 406, terá havido uma vontade de mudar de vida em povos de paragens distintas, rumando todos com o mesmo destino - a Hispania. 
Aponta-se a pressão dos Hunos como causa deste "saltar o Reno", já antes feito pelos Visigodos de Alarico. Isto justificaria o agrupamento naquele dia de tribos que iam da Germania dos Suevos ao Cáucaso dos Alanos, e que na sua rota ibérica iriam passar pelos visigodos instalados na Aquitânia, e dividir a Hispania entre si - Suevos a norte (Galiza e Cantábria), Alanos ao centro (da Lusitânia até à Catalunha), e Vândalos ao sul (na Andaluzia, que empresta o nome - Andalus ~ vAndalus). 

Convirá aqui lembrar que os Vândalos seriam originários do Sul da Polónia, de uma zona próxima da Galicia polaca-ucraniana, e a migração para paragens da Galiza, merece uma coincidência no nome, tal como o nome do povo Lugii identificados hoje aos Vândalos. Este nome Lugii parecendo declinação latina, não se deverá desligar de Lugh ou Lugus, divindade celta.
A tripla cabeça de Lugus, talvez por isso divindade 
associada a Mercúrio ou Hermes, Trimegisto.

Ora, o que se lê sobre a etimologia de Lugh é uma eventual ligação a uma raiz indo-europeia "leuk" (branco em grego), significando Luz
Por isso, é admitido que o nome Lusitania se ligue a Lugh, e não é incorrecto ligar também a Luz em Luz-itania, atendendo a que a raiz de Lugh seria Luz (aliás será mais uma questão de pronunciar bem o som "gh" como o "ch" do "z" final). Pela mesma razão em Andaluz temos o sufixo "luz", e poderá ser lido na razão de identificação entre Vândalos e Lugii, entendendo "van-da-luz" como um certo "vem-da-Lugii". Ou seja, indo por um caminho, ou por outro, parecem guiar-se por uma "Luz" comum.

Minho e Caminho a Caminha
Acresce a isto, o registado interesse de Augusto em fazer o "primeiro caminho da luz", na direcção de Lugus Augusta. Recuperando aqui um comentário de Bartolomeu Lança
Codex Calixtinus. Escrito em Cluny no sec XII, Bernard de Clairvaux (Clara Vallis), Cistercenses, foi a ordem de marcha para a iniciação do Calix.
A anterior mudança foi o Callix Ianus, iniciado por Augustus, um Príncipe ou um novo Eneas ou Rómulo, que funda um novo centro a partir do qual se repete a cosmogonia. O Sacramentum por vontade de Augusto é alcançar a convivência da paz entre Roma e os Indios do Ocidente.
... e sobre este Codex endereçado ao Caminho de Santiago, e atribuído ao Papa Calisto II, pode encontrar-se mais informação (aqui e aqui, por exemplo).

Ora, apesar de me afastar frequentemente da linha inicial do texto, estas diversas direcções vão aparecendo, umas atrás das outras, e dificilmente consigo escrever todas.
Não gostaria de deixar de notar que o "g" pode aparecer por vezes para denotar uma aspiração como num "h", e nesse sentido Lugus soaria Luhus, literalmente Luz (mantemos uma palavra semelhante "Lugar" que lida como "Luhar" mostra o Luar, um sítio onde há luz, um "Lume"; e "local" deve ser lido como "lucal" onde acresce o caminho da "cale", ou o branco da cal, que veremos).

Se esta parte é claramente especulativa, deixa de ser tanto, quando entendemos que o Callix Ianus de Augusto, tem as duas cabeças de Iano, ou Janus, numa representação semelhante à de Lugus. 
Porém, devemos reparar que relativamente a Lugh, falta uma cabeça...
Assim, adicionadas às duas cabeças de Iano, ficaria outra no Caminho de Iago - Sant'Iago, apóstolo decapitado, que passaria a ser a referência do novo Caminho...
Este "caminho" não seria exactamente no rio Minho, ainda que Caminha esteja na sua foz - e por manifesta coincidência, o Minho passa pela cidade de Lugo.
Lugo seria o fim do caminho Callix Ianus, mas continuando o caminho pelo Minho, para quem mais caminha, tinha Caminha. (Tal como depois, na nova compustura de Compostelo, muitos peregrinos continuavam até ao mar, até Finisterra).
Haveria mais a contar nesta Cale, ou neste Callix, de cálice, ou cale-se, mas passamos a outra parte.  

Tanas
O Tanas é a outra componente Luz-i-Tana. Porque, o sufixo "Tana" ou "tânia", aplicou-se a territórios ocidentais - Lusitânia, Mauritânia, Turdetânia, Aquitânia, Britânia.
Acontece que há uma outra divindade celta - a deusa Dana, ou Ana e a deusa fenícia Tano, ou Tanit.
Se Dana, na variante fonética Danu, se associa ao Danúbio, numa espécie de Danu-rio, é muito provável que na sua forma Ana, se associe ao Guadiana, na Antiguidade chamado apenas Ana.
Este assunto tem mais variantes associando Ana à Diana celebrada em Évora.

Assim, a palavra Lusitana parece-me poder ser ligada ao par de divindades celtas: Lugh e Dana, as mais importantes divindades do panteão antigo, a luz solar e a fertilidade da terra. E sem nenhuma pesquisa deste tipo, quem entende Lusitânia como "luz-terra", chega por caminho diferente a significado análogo.
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Cal
No mito de Jasão, aparecem os Calcotauros (Khalkotauroi), onde este prefixo "calco" é suposto referir-se à característica de serem de bronze, ainda que khalkos se refira primitivamente a cobre, sendo diferente do kolkhos referente à Cólquida.
Acontece, especialmente pelo lado latino, que este "calco" também referia pedras, e em particular ao calcário branco que servia para cal. 
Temos assim juntas várias peças para o caldo no caldeirão de onde saía a cal por via do calor.

Seguindo a observação de A. Meakin que nos sítios da Cítia a palavra cauca significaria branco, notamos a semelhança fonética com calca, especialmente numa pronúncia brasileira do português que dá sentido à noção de cal associada também ao branco. Por isso, para além da ligação de Cauca a Coca feita antes (sobre a cidade, e não tanto o pó branco), esta pintura de Cal ganha ainda sentido na própria designação Calaica, de Cale. Mais uma vez, podemos unir os caminhos dos calhaus, porque o branco do leite é em grego "Gala", e nota-se a ênfase no Caminho de Santiago designar a Via Láctea, marcando assim a direcção ocidental, da Cale Lactea, numa redundância em Galactea (Galáxia). O acordar para esse caminho solar, que à noite era pintado pelo branco da Via Láctea, era dado pelos galos.

Assim, parece-nos uma especulação interessante entender o Cáucaso também como Calcaso.
Desta forma, os Calcotauros tanto poderiam ser touros do Cáucaso, como touros brancos.
A noção de "Touro Branco" não é estranha à mitologia grega, pois o rapto de Europa por Zeus, é feito sob o disfarce de Zeus enquanto touro branco.
Rapto de Europa por Zeus, disfarçado de touro branco

Repara-se que se a Ibéria é conhecida pelos seus touros negros, fomos aqui encontrar a noção de touro branco associado à outra Ibéria, caucasiana, vizinha da Albania - designação que remete a albino, ou alvo, também com o significado de branco. A menção taurina pode não referir o animal, mas sim a cultura ou uma divindade taurina (Thor, Tur - Turdulos, Turdetanos), tendo em atenção que entre os mamíferos, homem e primatas se distinguem pela visão tricolor, ao contrário de outros mamíferos, essencialmente daltónicos, onde o touro é um caso conhecido.

Como se conjugam as diferentes pedras neste caldo?
O ponto principal será o calor, que permite a cal, mas que também esteve na primeira cerâmica e metalurgia, nomeadamente no cobre. Por isso, o mesmo calor levava à cal branca, no "calco" do calcário, e à produção de "calco", o cobre (em grego). Uma simples evolução do sentido comum das palavras, em grego o branco passou a estar associado à luz em "leuko", e o cobre/bronze associado ao calor em "khalko" (acresce que "kaió", som próximo do nosso "caiou", significa arder), poderá estar na origem do mito do touro de bronze, depois decorado condicentemente.

Portanto, a colcha de "Colchis" aparece aqui numa cobertura do cobre, do "Chalcos".
Convém ponderar sobre a evolução da nossa terminologia.
Há trinta anos atrás, "ver um rato" remeter-se-ia para o animal... hoje para o adereço de computador. No futuro, desconhecendo a época exacta do texto, a palavra "rato" poderá aparecer como ambígua - e até poderá servir para especular que já haviam "ratos" antes dos computadores.

Col
Ligada à gente da Cólquida, antes da Sarmácia, aparece no mapa a designação latina Colica Gens.
A declinação cólica deriva de cólon do grego kólon, e é diferente do kolkhos da Cólquida.

Parecendo um pouco lateral a este assunto, nota-se que este "cólon" pode ser uma tripa, ou um membro (observação que Manuel Rosa costuma fazer sobre Cristobal Cólon assinar com ":").
Sem grande esforço imaginativo, podemos ligar as tripas. Porque "cólon" aparece no sentido de membro de um texto, de um poema, onde o símbolo ":" (colon) serviria a cola, a ligação. Ora o nosso percurso de escrita, assemelha-se ao enrolar de uma tripa - limitado pelas margens, vai descendo, ziguezagueante. O sentido de "cola" como membro colado nota-se ainda o sufixo latino, por exemplo, "agrícola" cola com agricultura, "vinícola" cola com vinha,  "piscícola" cola com peixe... ou cola pelo menos com piscis.
Para além deste cólon intestinal, surge a "cola" como parte final, como cauda. Já mencionámos isto a propósito da Cola do Dragão, ou Draco-Cola, sendo símbolo da Ordem do Dragão a cauda que prendia ao pescoço. Esta ordem de cavalaria juntava, por exemplo, o Infante D. Pedro e Vlad III Dracula.
No sentido de membro, a palavra "colon" derivou em "colónia", uma parte territorial que se colava ao território original. Ter Colombo com uma missão de colono é mais um aspecto de ser Cólon de uma Ordem que poderia ir dos ovinos da Cólquida, no Tosão de Ouro, até ao Dragão da Cauca-Cola.

Finalmente, o cólon termina como uma postura vertical na forma de coluna. As colunas tanto podem ser encaradas como parte do texto, quando o sentido é de "cólon" membro, como podem exibir essa verticalidade... não deixando uma coluna de ser membro de uma estrutura arquitectónica maior, até mesmo quando aparece isolada.


Colunas de Alexandre
Não é muito fácil encontrar algo escrito sobre a localização destas Colunas de Alexandre, que definiam um limite ao "mundo civilizado". 
A única descrição que encontrei foi a de Don Juan Van Halen (um nome que parece brincadeira) no livro

Long before arriving at Tchamkhor is seen a column, at the foot of which is the Russian redoubt bearing that name, and forming a kind of square. Opposite to this place, and on a steep acclivity over which the road passes, are the remains of a bridge of three arches, against which rush the rapid waters of the river Tchamkhor.
The base of the column is fourteen feet square and of equal height, and the columnv itself is extremely lofty, and resembles, though built of brick, that of the Place Vendéme, at Paris. I ascended tothe top of it by an interior staircase, which, though in a very dilapidated state, shows that it has been several times repaired to serve as an observatory in time of war. On some of the stones of the entablature, on which there appears to have been an exterior gallery, are seen some Arabic inscriptions, Which seem to be of a more modern date than the column. Some persons are of opinion that it was built in the time of Pompey, and others in that of Alexander the Great. Be this as it may, the number of ruins that are scattered about this spot seem to establish the conjecture, that this column was once the ornament of a considerable city, now inhabited by a few Cossacks.
An Armenian merchant, whom we met at Tchamkhor, ‘sold to me for five roubles a silver medal bearing the profile of Alexander the Great, which he assured me had been found among the ruins of Tchamkhor. 
Procurei Tchamkhor sem sucesso, e os nomes Tíflis e Elizabethpol, passaram entretanto a Tbilissi e Ganja (de que já aqui falámos).

Algo que se poderia assemelhar a Colunas de Alexandre, naquela região, são as ruínas de grandes portas de entrada de Qabala, considerada a mais antiga cidade do Azerbeijão.

No entanto, haverá melhores candidatos. Atribuindo-se as colunas a Alexandre Magno, seria sempre de esperar algo de grandioso... tanto mais que se pretendiam comparar às de Hércules, no outro limite bárbaro. Porém, como a grandiosidade também torna o alvo mais visível, é natural que a principal razão para o desaparecimento sem rasto, pudesse ser justamente a pretensa grandiosidade.

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13.09.2014

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publicado às 06:30


Colcha

por desvela, em 04.09.14
Perto de Segóvia (Espanha), há uma povoação chamada Coca, que exibe o Castelo de Coca (Séc. XV)

há indicações actuais que dizem que esta Coca seria a romana Cauca, terra calaica onde teria nascido Teodósio I, Flavius Theodosius Augustus, o último imperador a reinar sobre todo o Império Romano, após derrotar Flavius Magnus Maximus

A este propósito disse Annete Meakin, falando sobre a Galiza:
Furthermore, we learn from the chronicle of Idatius, written in the fifth century, that the Roman Emperor Theodosius was born in the town of Cauca, in the province of Galicia. No one can say with certainty where the town of Cauca was situated, but it is thought to have been somewhere between Braga and the river Minho. Now the word cauca in the language of the ancient Scythians meant "white", and the name of the mountains of Georgia which divide Europe from Asia is "Caucasus", said to have been given to them on account of their peaks being eternally "white" with snow. So here we have at least one Asiatic Iberian name given to a town of Galicia, and we should in all probability find others were we to begin to search for them.
Portanto, ou a indicação de Idatius sobre o nascimento de Teodósio na Gallaecia era errónea, a ponto de cair em zona castelhana, ou temos uma passagem de Cauca a Coca.
Aqui ficamos à coca... e tal coisa surpreendeu menos, se atendermos ao nome do rio Cauca... um rio colombiano, onde não serão estranhas a plantações de coca. E como os espanhóis não foram muito imaginativos na sua colónia de Nova Granada, podemos ver que este rio colombiano atravessa os municípios de Cartago, Filadélfia e Palestina em Caldas, Santa Fé e Caucasia em Antioquia.

Bom, mas se passarmos à versão galaica, descrita por Meakin, encontramos a Gens Flavia.
Salientámos os nomes "Flavius" de Teodósio e Maximus, porque foi esta família de gente Flavia que dominou a sucessão imperial romana após Constantino (Flavius Valerius Aurelius Constantinus Augustus). Mas cedo houve Flávios (sabinos Titus Flavius) na sucessão imperial, começando com Vespasiano. Esta primeira dinastia Flávia terminou com a ascenção de Trajano (ou Traiano), de família hispânica, e o primeiro imperador não-romano.
Ora esta Gens Flavia tinha uma cidade bem nomeada na Gallaecia - Aquae Flaviae - Chaves.
Ponte de Trajano em Chaves
 
Chaves fechadas e Chaves abertas, com o escudo sobre a ponte.

Assim, parece algo natural que o galaico Teodósio fosse minhoto ou transmontano, de perto de Chaves.
Afinal, se flama é chama, também flaviae daria chávie... de Chave e talvez Xavier em opção a Flávio.

Teodósio une o império romano após uma série de guerras civis, não apenas contra outro flávio, Maximus, conhecido em Gales como Macsen Wledig (que provavelmente devia ser lido Maxen Flevis). 
Esta ligação destes Flávios à Britannia fica mais clara quando Constantino é declarado imperador em York (Eburacum) em 306 após a morte do pai, Flávio Constâncio, imperador ocidental na tetrarquia imperial.

Após a morte de Teodósio, o império é de novo dividido, e ambos os imperadores são menores.
Pelo lado ocidental, Honório vê o império desfazer-se com a entrada das tribos godas, mas surpreende a aliança com os Suevos, que são autorizados a instalar-se, justamente na província Galaica em 409.
Assim, o exército imperial romano vai em máxima força socorrer Hemerico, rei suevo, contra o ataque conjunto de Alanos e Vandalos, na Batalha dos Montes Nervasos

Nos seus comentários sobre a Gália, Júlio César tinha definido os Suevos como a tribo germânica mais temível, invocando a descrição de outras tribos na fronteira do Reno que os temiam mais que aos romanos.
É nesse sentido que César decide investir numa notável jogada psicológica - decide construir uma ponte sobre o Reno, num espaço de poucos dias... porque considerou que seria pouco impressionante o exército romano atravessar por barcaças.
Esta incursão apanhou os Suevos que abandonaram povoações, que seriam depois incendiadas pelas tropas romanas. Feita a incursão sem oposição, César retirou-se e destruiu a ponte sobre o Reno. Mais tarde, voltou a construir e destruir outra, com o mesmo resultado. Um ponto claro que marcou a diferença romana foi a sua engenharia militar, capaz de produzir em poucas semanas, ou até dias, navios ou pontes, surpreendendo os opositores. César tentou conquistar a parte galaica por invasão naval de Brigantium (La Coruña) com navios rapidamente construídos em Gades (Cadiz)... mas mais uma vez houve uma retirada dos galegos, neste caso para as montanhas.

O rio Reno marcaria a fronteira germânica, que será violada com a entrada das tribos Visigodas de Alarico. É neste contexto que também Suevos, Vandalos e Alanos atravessaram o Reno, em direcção à Hispania.
A chegada dos, antes temidos, Suevos de Hemerico parecia ser nesta fase bem aceite pelos romanos, por comparação com Vândalos ou Alanos. Dá-se ainda o caso de uma migração britânica para o reino Suevo perante a chegada dos Anglos e Saxões, onde se forma uma Britonia na Galiza (que seria, de certa forma, um regressar às origens).

De que forma adicional podemos ver esta ligação hispânica e britânica?
Bom, o nome romano para a Escócia era Caledonia e para a Irlanda Hibernia.
O H foi acrescentado, tal como o chegou a ser acrescentado para Hiberia, em vez do grego Iberia.
Portanto, no que diz respeito à parte irlandesa, vemos que apenas um "n" fez a diferença entre Ibernia e Iberia. No que diz respeito à parte escocesa, se Calaico remete a Cale (o porto Cale), certamente que também Caledonia pode remeter ao mesmo porto Cale. Portanto, para além da declaração escocesa de Arbroath e dos foles nas suas gaitas, o nome Caledonia remete ao mesmo Porto.

Acresce um outro detalhe que retorna agora à Cauca, derive isso em cacau ou coca... 
Os três reinos metidos no Cáucaso - na zona da Georgia - eram a Cólquida, a Ibéria, e a Albânia.
Ora, estes nomes vão aparecer noutras paragens, como se de colónias se tratassem.
A Ibéria na península hispânica e a Albânia na península Ilírica, notando a já referida importância de Alba Longa em Roma, na península itálica.
Por outro lado na dualidade entre Irlanda e Grã-Bretanha, uma aparece como Ibernia e outra como Albion ou Albany, em registos posteriores, mas remetidos a tempos romanos.
Falta sempre a Colquida, Colchis... uma colcha para compor esta tríade - provavelmente porque a sua paragem era posicionada, na ordem, mais a ocidente - e mais a ocidente está apenas a América.

Na mitologia diluviana de Noé, que termina nas montanhas caucasianas, a primeira cidade é Saga Albina.
Esta saga albina poderá muito bem reportar a diferenciação albina, os alvos que foram alvos de racismo, e que depois acabaram por definir a tonalidade dominante.
A marginalização albina é um fenómeno que ainda hoje se verifica, e que poderá estar na origem da saga para ocidente, no rendilhado de uma colcha complicada.

Terminamos, citando Meakin de novo:
The Iberians of the Caucasus are believed to have established themselves on the banks of the Caucasian rivers as far back as 3000 B.C. They multiplied so fast, we are told, that four hundred years after their arrival numbers of them wandered forth to seek a new home. They hurried along the northern coast of Africa and entered Spain by what was then the Isthmus of Hercules.
acrescendo:
I have not had an opportunity of following the more recent anthropological studies of Señor Anton Ferrandez in connection with the subject of the first inhabitants of Spain, but in some of his lectures in the Athenaeum of Madrid he has propounded a theory that the two primitive races of Spain were that of the Cro-Magnon and that of the Celto-Slav. His conviction had been supported, moreover, by the recent discovery of prehistoric antiquities in Egypt analogous to those that have been found in Spain such as stone instruments, ornamental vases, and pictorial engravings upon rocks, representations of men and animals. In certain cases the signs discovered on Egyptian rocks have been found to be identical with those found in central Spain (Fuencaliente, Cueva di los Letreros, etc.) ; even the red colour with which some of them were engraved appeared to be the same. 
... acrescendo às referidas antiqualhas espanholas semelhantes às egípcias, acresce recentemente a indicação de ADN ibérico em faraós egípcios.

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publicado às 07:59


dos Comentários (8) - 8 de Octávio

por desvela, em 02.09.14
Segue-se uma concatenação de três comentários no texto "César, Kaisers e Czares", enviados por Bartolomeu Lança. É o oitavo desta série de textos trazidos "dos comentários", e que apropriadamente calha abordar o 8 de Octávio, para além do oitavo mês do calendário, onde ficou como Augustus.
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Julio César levou 7 anos a submeter a Gália aos seus exércitos. Na Lusitânia, Roma só conseguiu instalar o seu direito após 199 anos de guerra.
Os Lusitanos, não só deram 199 anos de batalha aos Romanos, foram sim durante muitos séculos desde Viriato, Sertório ou Púnico, o povo que provavelmente mais baixas causou a Roma. No Século V, Giserico Rei dos Vandalos (batizado em Lisboa, Cristão Ariano), depois de falhado o cerco de 10 anos para a conquista de Cartago, contratou uma Armada Lusitana para proteger o seu exército e deu-se uma batalha naval em Tunis, onde os Lusos defrontaram a maior Armada Romana alguma vez reunida, mais de 1000 navios em que aproximadamente 300.0000 soldados a compunham, os guerreiros Lusitanos usavam técnicas muitos avançadas de guerrilha e contra-guerrilha, como os lança-chamas e a vela latina (séculos antes dos Árabes) que lhes permitia virar o seus navios a 45º em apenas meio minuto enquanto um navio Romano levava meia hora para a mesma manobra, a batalha durou apenas um dia.
Neste episódio dos antigos, mais uma vez sobressai o 'disparate' do encontro de forças em números que sempre impressionam. Encontramos esta relação descrita em "Os Lusíadas" no canto oitavo: "Que os muitos, por ser poucos não temamos", que ipsis verbis está no listel da heráldica do grupo de Operações Não Convencionais do exército português, membro honorário da Ordem de Aviz, actualmente com sede em Lamego, conhecidos popularmente como 'Rangers'.
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Representação de Octávio como Zeus

Julio e Augusto, terão tido uma importância enorme nas reformas de Roma. De Augusto não só um mês tem o seu nome de imperador (após ser iniciado) como também o seu nome de nascimento familiar, Otavianus, o oitavo mês. Ora, antes destes dois personagens, Julho e Agosto eram Quintilus e Sextilus, Setembro era o sétimo mês, embora o calendário tivesse 12 meses o ano começava em Março, até estes dois homens, o calendário era proclamado pelos Reis Sabinos, depois deixou de assim ser, o poder mudou de centro.

Propondo que "as barreiras da Antiguidade" são simbólicas, estando ligadas ao percurso solar e ao complexo de Caronte [Caronte aparece na Divina Comédia e no tecto da Capela Sistina. É o barqueiro de Hades, o barqueiro do inferno]. Assim, sem dúvida alguma que foram as navegações do Reino de Portugal que mudaram o mundo, que deram Novos Mundos ao Mundo, as Américas foram o nascimento do Novo Homem, as Indias representaram a demanda espiritual, Jerusalém o destino celestial. Oriente, América, India, Jerusalém, não eram pontos cardeais ou locais no mapa (não será por acaso que se dizia e ainda se diz, que Cabral se enganou quando ia para a India, entre outras análises que fazemos de viés), o Sul não existia como referência...só apareceu com o Cruzeiro do Sul (é interessante estudar a figura estrelar que nos indica o Sul). Então, a concepção dos ciclos de nascimento, vida e morte, foi alterada, o Espírito Santo expandiu-se das estepes Mongóis aos quatro cantos do mundo, embora o culto tivesse sido iniciado pelos Cristãos Arianos, o Espírito Santo levou séculos até ser implementado e fez correr muito sangue para não ser 'descoberto'. O ser nasce e é registado pelo Estado, casa e é registado pelo Estado, morre e é registado pelo Estado, sendo que a sua Alma está ao cuidado da instituição religiosa durante toda a sua vida até mesmo depois da morte, mas o espírito não...uma revolução daquelas faraónicas! Portanto, o Templo é o espírito e não está subjugado a nenhum poder, seja ele estatal ou religioso.
A coroa do Sacro-Império Romano (com apenas um arco que fecha)

Foi o imperador do Sacro Império Romano-Germânico, Otto I, o primeiro a coroar uma criança com a coroa imperial (onde estava representado o corpo, a alma e o espírito, com quatro pontas, uma cruz com uma rosa embebida nessa mesma cruz, e uma pomba, respetivamente), no sec I. Esse acontecimento provocou uma onda de violência e intolerância que durou séculos. Um Rei, também ele Germânico, Frederico Barba Ruiva foi um dos maiores percursores e adeptos do culto, bisavô de Santa Isabel Rainha de Portugal que conjuntamente com El-Rey D Dinis semearam de vez o culto no Reino de Portugal de Aquém e Além Mar (mar também terá outro significado à época, não designando precisamente o mar feito de água que envolve as placas continentais). Os Cristãos Arianos não rejeitavam Deus, só que o seu culto indicava que não eram precisos intermediários para o divino, eles cultuavam na cama, na cozinha, nos rios, nos oceanos, nas florestas.
O último Império é regido por uma criança, sem mais Reis ou Bispos. Não é matéria, não é de barro nem de metal.
A carochina, que carinhosamente indicou, parece-me de facto, uma reforma das mais importantes para a humanidade, tudo feito e comunicado pela encriptação...tinha de ser assim, tal como outros falaram por parábolas, aos portugueses coube outra missão, descobrir, isto é, por a descoberto, revelar.

A palavra também pode ser um signo. Por isso, devemos olhar para além do que vemos ou lemos com o olhos.
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Octávio Augusto, o Oitavo Filho Sagrado.
Um 8 deitado tem outra 'carga'. Oito é o número de lados nas charolas Templárias (também está na cruz pátea), é o número de direcções nas escolas de kung fu, é o número de braços de Vixnu, o número de pontos cardeais, é o número de pétalas do lotus, é o número da palavra - o verbo, é o número da ressureição de Cristo, ou seja, do nascimento do novo homem.
Augusto foi o 1º Imperador Romano, terá sido por acaso?!?!?!

"Ou seja, o uso dos metais é necessariamente posterior a uma sedentarização. Porquê?"
Porque a sedentarização trouxe a casa e a cidade, portanto, a disputa pela terra, a guerra. Os nómadas não têm esse problema, toda a terra é deles (os Masai não roubam gado, todo o gado no mundo pertence-lhes).
A agricultura pode ser uma boa variável para a interrogação, mas quando observamos os povos que viviam do mar, como podemos atribuir a classificação de nomadismo ou sedentarismo?
Será que os desenhos das cavernas são da caça ou são um ritual?
Eram sobre o passado ou para o futuro?
A caverna era uma casa ou templo?
Lá por não se verem construções não quer dizer que elas não possa ter havido, tipo camas de rede com um sistema de peles à prova de água e frio. Do lyceu também não há vestígios e não há dúvidas que existiu.

Arianos.
Aries. O Carneiro. Genitivo. Primeiro signo do zodíaco, um dos tríplices dos signos do fogo, ligado a Marte, o primeiro mês no antigo calendário romano antes de Augusto. O símbolo do carneiro é um aparelho reprodutor feminino. 
Aries Y Ovaries... a gens do ovo.

Pai, mãe e filho. Sem estes três não há família e a espécie acaba.
Explicar isto a barbudos cuja preocupação era correr atrás dos coelhos, não devia ser 'pêra doce'. Ao mesmo tempo havia "outra chatice", quando ela ficava barriguda, ninguém podia ir para muito longe, quanto mais ser nómada. (agora tb não se pode, mas pronto, sempre há o benfica/sporting)
Na minha imaginação, foi ela que comandou isto, reduzindo de um enorme tempo de gestação (que era necessário para a cria vir com o chip completo) para os recentes 9 meses e assim o grupo podia dar seguimento à diáspora, mas depois veio outra dor de cabeça, a cria nasceu sem andar, sem falar e só passado um montão de luas ficava autónoma, então bora fazer uma casa e viver juntos, depois o grande problema mesmo - "como eu provo que a casa e a terra é minha por herança"? Bora casar!
Há quem acredite que determinadas condições sociais foram impostas por certas instituições, até pode ter sido, mas se não fossem essas condições, independentemente de onde vieram, não estaríamos aqui a ler-nos.
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Estes textos seguem de conversação informal, que pode ser seguida no link
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publicado às 16:25


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