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Afonso Henriques e Ourique

por desvela, em 24.02.11
A batalha lendária que está no centro da formação de Portugal, é a batalha que D. Afonso Henriques trava em Ourique, em 1139. Foi carregada de misticismo pela anunciada visão de Cristo, tendo tal visão ficado consagrada de forma marcante no escudo de armas português - as cinco quinas e os 30 dinheiros.
A visão de D. Afonso Henriques - Batalha de Ourique 
(quadro de Domingos Sequeira, 1793)

Que sentido faz colocar a Batalha de Ourique no Alentejo quando nem Santarém, nem Lisboa estavam conquistadas? Como passariam por todas as linhas inimigas, indo fazer uma batalha isolada no Alentejo?
Não faz quase nenhum sentido... e por isso o evento foi declarado mítico, ou então foram consideradas outras localizações para Ourique, em lugares próximos, de Leiria ou Santarém.
Porém essas novas localizações nada trazem de mais extraordinário do que a conquista de Leiria, lembrando que Óbidos terá caído em 1148, após Lisboa. A que ponto a proeza convenceria D. Afonso Henriques da magnitude mística e declarar-se Rei de Portugal.  
Que territórios teriam então ficado consagrados nessa batalha, se Lisboa e Santarém ainda estavam em poder inimigo?

Colocamos uma hipótese, no sentido de viabilizar a versão alentejana.
A principal conquista seria Lisboa, que será marítima, mas para esse efeito seria estrategicamente ousado cortar as comunicações e abastecimentos a Lisboa, pelo sul. 
Uma incursão por desembarque marítimo até Ourique, seria uma táctica da cunha, colocando uma restrição, quer pela via marítima, quer pela via fluvial da bacia do Sado.
Ou seja, a novidade na conquista de Afonso Henriques seria o ataque naval, consolidando os principais pontos costeiros, e depois partindo para o interior. Assim foi com Lisboa, reconhecidamente um desembarque naval, e não há razão para não ter sido isso em Ourique, talvez visando Sines. Diremos que Ourique está bem longe no interior, mas como já vimos não há razão para supor que orografia tenha sido sempre a mesma... aliás sabemos bem que a Holanda ganhou imensa terra ao mar, e também Porto de Mós ou Marinha Grande já terão feito jus aos seus nomes, colocando Leiria no litoral... conforme já aqui abordámos
Se o avanço tivesse sido por terra em direcção a Lisboa, teriam que conquistar pelo menos Porto de Mós ou Óbidos... o que não fizeram! Ambas os castelos caíram só no ano seguinte a Lisboa, em 1148.
Há assim uma clara indicação de que a prioridade era a consolidação de pontos na costa atlântica.
O limite dessa costa atlântica, antes do Algarve, seria justamente a linha do rio Mira. 
Associado à conquista de Odemira, corre a lenda de que a surpresa do ataque de Afonso Henriques teria levado à expressão "Ode, Mira!", da parte da mulher do alcaide Ode...
Qual a razão da surpresa do ataque, se tivesse ocorrido na progressão de Afonso Henriques para o sul?
Nesta hipótese, teria sido pela bacia do Mira que teriam seguido na direcção de Ourique e consolidado aquela posição estratégica.
Há uma outra data que corrobora esta hipótese - Beja é conquistada antes de Évora!

Doutra forma, sem considerar esta conquista feita da costa atlântica para o interior, as datas aparecem desconexas, e sem razão aparente.
Há outro aspecto interessante... a formação de Portugal teria sido naval, a partir do Atlântico!

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publicado às 05:06


73 comentários

De Anónimo a 24.02.2011 às 23:25

Muito bem visto, amigo Alvor.
O ataque foi naval! As datas são claras.
Primeiro foi reconquistado o litoral, e só depois foi reconquistado o interior.
Ora assim o caso muda de figura.
Quem ajudou D. Afonso Henriques, foi a marinha, não foi a cavalaria.

Amigo Calisto
Sobre os forcados, ainda não encontrei nada para acrescentar ás suas informações.

Anónimo José

De Anónimo a 26.02.2011 às 04:53

E de onde viria a Marinha?
De Castela não viria, porque nem a tinha.
Viria da Normandia?
Do Norte? Da terra dos Duques de Moer, da Terra dos Vikings?

De Alvor-Silves a 26.02.2011 às 06:30

Consta de facto que tivemos "ajuda" de marinha externa... mas convém não esquecer que o norte de Portugal (e Galiza) sempre mantiveram uma tradição marítima, o que implicava a construção de navios.
Aliás a navegabilidade do Douro mostra bem como os barcos foram sempre esse um ponto fulcral de movimentações. Afinal, mesmo para atravessar rios, seriam precisas barcaças... se a fronteira estava no Mondego, pois não deveria de haver nenhuma ponte.
A questão é que se tem sempre omitido a importância da deslocação marítima e fluvial, sem qualquer razão lógica.
Cumprimentos!

De Anónimo a 26.02.2011 às 06:40

No sec. V d.C., mil anos antes da data oficial das epopeias marítimas, já existia navegação saída do actual território Português

Numa gruta em Cascais foram descobertos anzóis com cerca de 15.000 anos de antiguidade, pelo que se concluiu a já existência nessa época de barcos de pesca. Mas é do sec. V d.C. que temos o primeiro dado importantíssimo sobre a tradição náutica lusitana.

Em 428 d.C. Giserico, rei dos Vândalos, invade a Península Ibérica e forma, pouco tempo depois, uma armada com os Lusitanos (os Alanos já se tinham fundido no povo lusitano). Nem os Vândalos nem os Alanos tinham qualquer tradição naval; Giserico chega à Lusitânia e poucos anos depois leva uma frota construída graças aos préstimos dos Lusitanos para o Mediterrâneo. Não tendo os Vândalos, nem os Alanos – como e sabido historicamente – conhecimentos da arte de navegar e de construção naval, podemos concluir que já existia pelo menos no sec. V uma sabedoria náutica detida pelos Lusitanos.

Significativo e o facto desta armada dos Vândalos ter provocado humilhantes derrotas às duas armadas mais fortes do Mediterrâneo, a romana e a bizantina. Estas duas vitórias da armada luso-vandala foram extraordinárias do ponto de vista histórico, pois tanto a armada romana como a bizantina – que foram vencidas – tinham largas centenas de barcos de guerra.
Indubitavelmente tiram-se duas conclusões deste facto histórico. A primeira, que os Lusitanos possuíam conhecimentos de construção naval suficientes para, em poucos anos, poderem lançar ao mar uma armada que iria vencer as duas maiores e melhores armadas do mundo. A segunda, é que tinham conhecimentos da arte de navegar para percorrerem todo o Mediterrâneo e, facto curioso, passarem pelas Canárias no regresso.Tudo isto está historicamente provado, basta ler uma boa história da saga dos Vândalos.

Resumindo, já no sec. V d.C., mil anos antes da data oficial das epopeias marítimas, tínhamos uma navegação saída de Portugal para todo o Mediterrâneo e para as Canárias, alem de outra para a Irlanda. São pequenos pormenores, mas tem o seu peso.

http://www.facebook.com/note.php?note_id=143740335681636

Cpts

De Alvor-Silves a 26.02.2011 às 15:42

Boa observação! Sim, os Vândalos não teriam conseguido sucesso naval sem terem ao seu lado a experiência ibérica. Não sei se lusitana, se andaluza, se é que haveria diferenças na altura...
E com a conquista posterior de Belisário, a fenix de Cartago caiu pela segunda vez...

Bom link, que vou adicionar.
Obrigado!

De Anónimo a 06.06.2013 às 01:31

é preciso ter imaginaçao fertil..

1-nunca existiu na penisula iberica nenhum povo com o nome de lusitanos nem coisa parecida.

2-batalha de ourique nunca aconteceu.historia inventada.

3-o tótó do afonso henriques atacar os mouros por mar?os mouros?os melhores navegadores com os melhores e mais sofisticados instrumentos de navegaçao do mundo?mouros que tinham sofrido ataques dos vikings e que se tinham precavido de mais ataques chegando a acordo com eles e que depois desses ataques melhoraram a sua força naval nao fossem eles quebrar o acordo?
no tempo da "reconquista" nem os vikings eram capazes de tal proeza quanto mais o atrasado do d.afonso henriques e os exercitos de atrasados mentais que o acompanharam.


ja nao basta a historia de portugal ser uma mentira completa,ainda querem acrescentar mais..

a historia da cruzada a jerusalem é bem real.reza a historia que ainda nao tinham partido para jerusalem ja andavam a matar e a pilhar.da europa a jerusalem deixaram um rasto de destruiçao e quando la chegaram pilharam e mataram tudo o que apanharam pela frente e obrigavam os peregrinos a pagar para visitar os templos sagrados.

foi gente como essa que atacou a penisula iberica,fizeram o mesmo que fizeram a jerusalem,mataram e pilharam e deixaram o povo na miseria.

d.afonso henriques nem iberico era nem tinha quaquer relaçao com o povo.ninguem o queria ca.nem a ele nem os estrangeiros que vieram com ele roubar as terras ao povo.
800 anos de apartheid.

palmas para d.afonso henriques.

De Alvor-Silves a 06.06.2013 às 11:40

LOL. Dizer frases sem justificar é fácil, muito fácil mesmo.
1- Então não houve lusitanos? Coitado do Camões.
Quem está com imaginação fértil? É claro que pode assumir que havia uma mistura e que se davam a outro nome, mas foi assim que ficaram conhecidos no período romano.
Aliás como saberá, houve vários nomes de várias tribos, dadas em várias épocas. Autores do Séc. XVI tanto chamaram ao conjunto portugueses, como lusitanos.
2- Também se pode dizer o contrário... Desdizer que a batalha de Ourique não ocorreu é uma invenção de influência francesa, para destruir os mitos nacionais, como o de Tubal e do período mítico.
3- Afonso Henriques existiu? Estamos mais descansados. Os mouros tinham uma boa frota, tinham. D. Fuas bateu-se contra eles. Mas ninguém estava a falar disso, estava-se a falar de desembarque, e não era em Lisboa.

Ninguém está a inventar nada... as invenções já existiram - aqui só se estava a dar um nexo, na eventualidade de ter ocorrido a batalha de Ourique, em Ourique. Tem menos nexo pensar que o exército passou despercebido em passeio pelo território árabe, onde teve pelo menos que passar o Tejo (como? a cavalo?), e só sofreu batalha no final do Alentejo.

A história da Cruzada é real? Homessa, então já não invoca a grande frota naval dos mouros, que impedia o pessoal de passar? Tem que decidir e depois manter coerência.
Você preferia uma Ibéria moura? Pois, mas como perceberá, a população não foi dada a manter nenhum registo árabe na Ibéria. Quer de árabes, quer de Suevos, quer de Visigodos, não se conhecem muitas palavras que tenham ficado na língua. Nem sequer restou nenhum dialecto no Algarve, onde ficaram mais um século.
Por isso, como verá, as populações nem sequer mantiveram tradições árabes, como houve nalguns pontos onde se vêem tradições judaicas.
Parece-me que o caro Anónimo leu alguma agenda que desconheço, mas estou interessado em perceber, desde que justifique alguma coisa, e não se limite a "mandar bocas".
Cumprimentos.

De Anónimo a 06.06.2013 às 15:42

desculpe se o ofendi mas nao era para ofender,era mais para picar:-)

1-camoes?autores do sec.XVI?o que é que eles sabiam da antiquidade da penisula iberica?eles foram ler o que nos lemos hoje em dia,textos romanos,gregos,etc.mas nesses textos nao aparece os lusitanos,nao ha nada.nao ha provas que uma tribo na penisula iberica alguma vez tenha usado esse nome.nem esse nome e nem nenhum nome que hoje se atribui a tribos da penisula iberica.
nao sabemos que lingua falavam nem que nomes usavam para eles proprios.
basicamente,nao sabemos nada a nao ser relatos de escritores da antiquidade que nao sabiam da nossa historia,nao se preocupavam muito em saber e muitos deles nem ca estiveram.
existe uma provincia com esse nome criada pelos romanos,mais nada.os que viviam na provincia chamada baetica eram baeticos?

2-eu nao tenho nenhuma simpatia especial para com os franceses,por eles ou por qualquer outro,eles podem ter as suas razoes politicas para o afirmar mas a verdade é que nao ha relatos dessa batalha de ourique.nem os mouros deixavam escapar uma batalha com essa importancia,uma batalha como essa nao escapava na historia,mas escapou.porque sera?que razoes tinha o d.afonso henriques para inventar tal batalha?voce sabe nao sabe?

3-d.fuas bateu-se contra eles no centro/norte do pais onde eles nao tinham grande força.basta lembrar que morreu a lutar contra a verdadeira frota.dizem.
e nao esquecer que a frota era a frota dos cruzados.ingleses,franceses,alemaes,etc.
nao me diga que tambem acredita na lenda da nazare?


o exercito nao passou despercebido mas tambem nao houve batalhas.agora é chegar a conclusoes.
os mouros da penisula iberica ja nao eram os arabes que os cruzados encontram fora daqui.nao havia mouros em jerusalem.

mesmo a batalha de lisboa nao acabou em batalha.acabou com acordos de paz.

Os colonenses e flamengos, vendo na cidade tantos excitativos de cobiça, não observam respeito algum ao juramento e fidelidade; correm aqui e ali; fazem presa; arrombam portas; esquadrinham os interiores de cada casa; afugentam os habitantes, afrontando-os com injúrias contra o direito divino e humano; estragam vasos e vestidos; procedem injuriosamente para com as donzelas; igualam o lícito ao ilícito; e às ocultas surripiam tudo que devia ser dividido por todos. Contra o direito e o lícito matam até o bispo da cidade, já muito idoso, cortando-lhe o pescoço.

foram a pessoas como estas que foram entregues muitas terras em portugal.estas pessoas nao tinham qualquer respeito pela populaçao,fosse ela crista,islamica ou de origem judaica.
o povo nao tinha ligaçao a esta gente e nem aos nossos reis.
tambem nao tinham ligaçao aos mouros que governavam antes,nem a povos germanicos.

nao fossem actos como estes e nem tinha existido batalhas no sul.

o que eu acredito é que a sul nao aconteceu o mesmo que no norte e centro.no sul,os mouros ja sabiam que a derrota era um dado adquirido e renderam-se,fizeram acordos.
parte das terras dos mouros continuaram ser dos mouros,a maioria nao foi entregue a cruzados como noutras zonas.os que nao fizeram frente a d.afonso henriques tiveram essa recompensa.mesmo os que lutaram contra d.afonso henriques,no fim,tiveram que fazer acordos semelhantes.


os reis portugueses nao trouxeram nada ao povo nem ao pais.a populaçao continuou a viver como vivia no tempo dos mouros so que com outros a governar.

a minha avo nasceu e viveu no algarve da mesma forma que os antepassados viveram no tempo dos mouros.nao usava nada que os nossos reis tenham trazido.nao sabia ler nem escrever nem sabia o que era um mouro.

De Anónimo a 06.06.2013 às 15:43

tem um blog chamado de alvor-silves,digo que deve ser do algarve.é do algarve e diz que nao existe nada dos mouros no pais?acha pouco o que existe no algarve?
nao restou nenhum dealecto?pois,no entanto deixaram palavras no portugues,lingua que nao existia quando eles governaram.como foi possivel tal coisa?.
ate parece que os reis portugueses e espanhois fizeram alguma coisa para preservar a historia.nao fizeram o contrario?

eu nao tenho preferencia por uns ou por outros,isso nem interessa para nada.

a historia de portugal so conta a historia de reis e nobres,contada por eles proprios da maneira que lhes convinha,a eles e ao clero.mas eles sao 1% da populaçao e fazem parte da populaçao nao nativa.

e o resto?


atençao que gosto muito do seu blog.ainda no outro dia adormeci a ler alguns dos seus textos,e nao foi por serem aborrecidos,foi por nao conseguir parar de ler.lol

De Anónimo a 06.06.2013 às 15:54

quando foi preciso lutar com espanhois nao tinham cruzados franceses,ingleses,alemaes,etc para os ajudar.
como nao tinham ligaçoes ao povo tiveram que ir buscar historias da carochinha de lusitanos e viriatos.
foi o faz de conta que somos diferentes dos espanhois,faz de conta que os reis sao da mesma raça que o povo,somos todos iguais,viemos dos lusitanos,ja o viriato tinha lutado contra os inimigos bla bla bla..

e assim se poe o povo a lutar por nos.

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