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Anacronismos

por desvela, em 12.01.15
O que ensinam os livros sagrados?
Uns poucos exemplos...

Bíblia - Velho Testamento 
(Deuterómio 20, King James Bible)
And when the Lord thy God hath delivered it into thine hands, thou shalt smite every male thereof with the edge of the sword: But the women, and the little ones, and the cattle, and all that is in the city, even all the spoil thereof, shalt thou take unto thyself; and thou shalt eat the spoil of thine enemies, which the Lord thy God hath given thee. 
... ou seja, "quando o Senhor teu Deus tiver posto a espada nas tuas mãos, deves trespassar todos os machos pelo fio da espada, mas as mulheres e crianças, e o gado, e tudo mais na cidade, deves tomar para ti"... 

Parece muito drástico, mas o grande profeta judaico, Moisés, corrige: 
(Números 31, King James Bible)
And they warred against the Midianites, as the Lord commanded Moses; and they slew all the males. And they slew the kings of Midian, beside the rest of them that were slain; namely, Evi, and Rekem, and Zur, and Hur, and Reba, five kings of Midian: Balaam also the son of Beor they slew with the sword.And the children of Israel took all the women of Midian captives, and their little ones, and took the spoil of all their cattle, and all their flocks, and all their goods.And they burnt all their cities wherein they dwelt, and all their goodly castles, with fire.And they took all the spoil, and all the prey, both of men and of beasts.(...) And Moses said unto them, Have ye saved all the women alive? (...)Now therefore kill every male among the little ones, and kill every woman that hath known man by lying with him. But all the women children, that have not known a man by lying with him, keep alive for yourselves.
... ou seja, seguindo ordens divinas, para além de chacinarem todos os homens, incendiar as cidades, tomariam o espólio, mulheres e crianças. Porém, Moisés ficou indignado - deveriam ter também morto todas as mulheres e crianças, excepto as virgens. Só as virgens é que poderiam tomar como escravas.

Vê-se assim que só os profetas é que conheciam bem a vontade do Deus, e os ignorantes da vontade divina cumpriam mal as ordens.

Corão (5:33)
The punishment of those who wage war against Allah and His Messenger, and strive with might and main for mischief through the land is: execution, or crucifixion, or the cutting off of hands and feet from opposite sides, or exile from the land: that is their disgrace in this world, and a heavy punishment is theirs in the Hereafter; 
Com efeito, Maomé foi também um exemplar chefe militar, conduzindo uma centena de expedições militares, que iniciam o rápido sucesso conquistador dos árabes muçulmanos.
A sua tolerância com os sobreviventes é ilustrada na Batalha de Badr, onde de entre as hipóteses mencionadas no Corão (execução, crucifixação, cortar pés e mãos, ou exílio da terra), Maomé opta pela execução, conforme antiga ilustração onde é colocado a assistir à decapitação feita por Ali. A sucessão de Maomé por Ali (seu genro, casado com a filha Fátima) dividirá os ramos xiita e sunita. 
Maomé presidindo à decapitação de Nadr ibn al-Harith 
(pintura de Siyer-i_Nebi)

A citação do Corão é mais aplicável a outro episódio, onde são apanhados oito ladrões que teriam morto um muçulmano, e que para Maomé mereceram um destino mais cruel:
The accused were brought back and handed over to Muhammad. He had their hands and feet cut off and their eyes gouged out with hot iron, in recompense for their behaviour, and then they were thrown on the stony ground until they died.    (cf. wikipedia)
Portanto, para além das visões celestiais, atribuídas ao anjo Gabriel, pelos olhos de Maomé também terão passado visões infernais próprias, resultado de execuções a que presidiu. 

Anacronismos
Este tipo de eventos teve o seu contexto e o seu tempo.
Os textos, que foram conservados preciosamente na sua literalidade, mostram isso mesmo - valores e costumes que escandalizam hoje qualquer um, pela sua crueldade. A actuação de Maomé ou Moisés não terá sido muito diferente de tantos outros generais, nomeadamente de Júlio César, que também depois se pretendeu divino.

O problema é que estes textos preservando a sua literalidade, transportam para os tempos modernos actuações anacrónicas. Quando entendidos no contexto religioso, de inviolabilidade sagrada, transportam uma explícita aplicação da violência de épocas antigas para épocas modernas. 

A inviolabilidade sagrada dos textos é o legado que os sacerdotes herdaram e procuram preservar, porque é a mais valia hereditária que transportam. De certa forma, é como se uma família exibisse uma relíquia de ouro, e visse em cada dúvida à autenticidade do metal, uma dúvida à sua única riqueza. 
Por isso, é algo caricato invocar o conhecimento superficial dos leigos, já que o conhecimento efectivo, espalhado nas múltiplas traduções bíblicas e corânicas, também não será muito instrutivo para a educação dos jovens quando se apresentam literalmente actuações sangrentas de profetas divinizados e castigos medievais. 

É claro que os textos podem conter dados e informações relevantes, talvez até preciosas para alguns, mas pouco mais se vê do que obras literárias anacrónicas, por alguns tidas como encriptadas, mas que objectivamente trazem pesadelos antigos aos tempos modernos. E o principal foco desses conflitos acaba por ser o Médio Oriente, onde os guardiões dos textos judaicos e islâmicos mais são indefectíveis na sua herança ancestral, e mais nos transportam do presente para um passado cristalizado.

Para mais, transportam-nos para um passado de implantação regional, onde usaram violência. 
Os grandes acontecimentos cravados nestas histórias são muitas vezes pequenos acontecimentos, à escala de um pequeno grupo, de uma tribo familiar. As batalhas lidas e celebradas, pouco mais foram do que escaramuças que não entrariam em nenhum livro de história, não fosse o seu carácter religioso cristalizado no tempo. Porque os velhos foram seleccionando sempre os novos mais fiéis, que iriam manter o seu legado intocável, que iriam preservar aqueles momentos na memória. A sua legitimação era pelo passado, e era essa herança que teriam que respeitar. As posteriores batalhas, com centenas de milhares de soldados, ficaram esquecidas perante as celebradas escaramuças, por vezes com meia dúzia de bandidos ou opositores. 

Humanismo
O humanismo, que se implantou lentamente no Ocidente, não resultou apenas do cristianismo.
Também no Novo Testamento encontramos frases anacrónicas, algo controversas:
Vós, servos, sujeitai-vos com todo o temor ao senhor, não somente ao bom e humano, mas também ao mau (1ª Epístola de Pedro, 2:18)
E se isto pode ser enquadrado na perseguição cristã, onde uma revolta de escravos poderia levar a uma dizimação do movimento cristão, tomando esta frase solta, surge como uma anacrónica recomendação de submissão servil. É claro que este tipo de mensagem serviria muito mais o interesse apaziguador dos romanos, que evitaram assim as revoltas de escravos pela filosofia incrustrada.
Há várias outras frases controversas, entre as quais (Mateus 10:34)
Não penseis que vim trazer paz à terra. Não vim trazer paz, mas a espada. Com efeito, vim contrapor o homem ao seu pai, a filha à sua mãe e a nora à sua sogra. Em suma: os inimigos do homem serão os seus próprios familiares. Aquele que ama pai ou mãe mais do que a mim não é digno de mim. 
Este texto é claramente anacrónico, pois é dirigido aos jovens de uma época, colocando-os em confronto com os ideais dos seus pais, que na sua maioria não seriam cristãos. A espada pode ter aqui um valor simbólico, mas será também pelo fio da espada que o cristianismo se irá impor, que irá dividir as crenças judaicas e depois as gentias. 

A cativação de novas ideias é sempre procurada pelos elementos mais jovens. São eles os que aparecem dispostos a questionar o mundo onde foram colocados, independentemente de se tratar de um mundo mais ou menos justo. Sempre que a sociedade tende a marginalizar os jovens, não lhes vislumbrando melhor futuro, está inerentemente a criar um grande caldo que pode ser aproveitado para extremismos.
Se a sociedade é democrática, o contraponto em convite será de um extremismo totalitário, se a sociedade for totalitária, o apelo será ligarem-se a movimentos democratas. Isto é usado com a sábia manipulação dos velhos, prontos a encontrar soldados para as suas guerras. Apresenta-se o fruto iluminado, prometendo a maçã proibida, e o jovem raramente se interroga sobre a sombra, que inevitavelmente está do outro lado da luz. Motivado para iluminar a maçã, dificilmente questionará se a maçã pode ou não ter luz própria, dificilmente perguntará se é possível haver um mundo sem sombras, onde cada objecto tenha a sua própria luz. Esquece que por mais intensa que seja a luz que ilumina, mais cavada será a sombra que deixa atrás. Os profetas, querendo iluminar como estrelas, acabaram simplesmente por deixar uma enorme sombra atrás de si.

O humanismo, desprendido de outras crenças particulares que o ajudaram a solidificar, acabou por ser a luz que melhor iluminou as almas. Esse legado universal, surgiu como uma luz tanto mais consensual, quando se libertou de uma nomeação apontada a uma estrela. E sempre que se quiser nomear um Sol para iluminar melhor o dia, haverá a cada volta uma noite que nos espera.
Simplesmente porque um mundo sem sombras, é um mundo onde cada um ganha luz própria. Não é um mundo de sóis que atraem planetas (em grego, vagabundos) para a sua órbita.

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publicado às 04:43


6 comentários

De Anónimo a 13.01.2015 às 03:49

Re "múltiplas traduções bíblicas e corânicas"

Alcorão é só em árabe, nunca foi alterado, revisto, nem interpretado de maneira diferente, bíblias sim há muitas.

E donde vem esse " humanismo, desprendido de outras crenças particulares que o ajudaram a solidificar, acabou por ser a luz que melhor iluminou as almas " ?

E já agora quem legou esse "legado universal, surgiu como uma luz tanto mais consensual, quando se libertou de uma nomeação apontada a uma estrela" ?

E o que acontecerá à humanidade quando se cristalizar essa luz acabadas as sombras religiosas e outras ?

Para mim os anacronismos aos Abraãonistas que aponta são o resultado por um lado duma tentativa falhada de reconstruir algo perdido, por outro lado travestido oportunistamente com intuitos tenebrosos.

O que estas três religiões de Abraão combatem, a razão pela qual se disputam, para mim é sempre o mesmo antes depois e agora, extemporâneo, o controlo da humanidade.

Cpts.
José Manuel CH-GE

De Anónimo a 13.01.2015 às 06:52

Caros Da Maia e José Manuel

O Islamismo, não passa de uma invenção do Vaticano, para perpectuar a guerra contra os Descendentes de Cristo.
Pura estratégia, que lhes permitiu inventar o Estado Islâmico, e neutralizar os Árabes Cristãos, do Império Indo-Parto, altamente inconvenientes para o poder dos descendentes de Octávio.

A perfídia subjacente, o ódio, a perversidade dos devotos de um "deus" malévolo, rancoroso e vingativo, é contra os Filhos do Homem, que à custa de inúmeras falsificações, conseguiram fazer crêr que era Judeu, e lhe conferiram a paternidade de conceitos que nunca defendeu.

A Mauria Madalena, do Reino de Magada ainda hoje deve provocar insónias aquelas criaturas de ADN, deteriorado, que povoam os subterrâneos maçónicos das lojas do poder.
Consta que os desgraduados, estão impedidos de estudar, ou sequer mencionar, a Civilização do Vale do Indo...

Não existem três Religiões, existe uma Prisão, e Alguém que ensinou como seria possível libertar-mo-nos dela.

É assim que eu vejo o Passado e o manipulado Presente.

Abraços

Maria da Fonte

De Alvor-Silves a 14.01.2015 às 04:35

José Manuel e Maria da Fonte,
este texto era simplesmente para recolocar a letra dos livros no seu lugar, pois muitas vezes vem dourada como uma pílula do que não é, querendo ser o que se quiser que seja.

Se o Corão tem a sua versão original árabe, também o Velho Testamento tem a sua versão hebraica, semi-original, mas anterior ao Corão, notando que o Islão é suposto ser apenas um acrescento às anteriores, só negando a Jesus o seu carácter de divindade suprema, deixando-o apenas como profeta, algo que os judeus ainda recusam. Todos estão traduzidos, e são aceites com essa "impureza", que nada acrescenta ou tira à literalidade da mensagem.

O humanismo é remetido habitualmente a Erasmo, mas é claro que os movimentos humanistas começaram logo no momento em que os aspectos benignos do cristianismo eram ensinados aos pagãos. Essa distinção moral era crucial para fazer passar a mensagem. As doutrinas cristãs têm por sua vez múltiplas ligações a outras filosofias e morais, que vão do budismo ao taoismo.
O que se passou foi que os missionários com a mensagem cristã, inevitavelmente, acabaram por propagar a moral humanista, independentemente se apontar Jesus como a estrela para esse caminho.

A questão da luz explica-se rapidamente. As pessoas só se sentem livres se não precisarem de nada, nem temerem nada. Chegados a esse ponto, quando ganham luz própria, perceberão rapidamente que precisam dos outros, por uma simples razão - para não ficarem isolados. Quanto o isolamento é pesado, qualquer idiotice que saia do mundo previsível reduzido a si mesmo, acabará por ser bem vinda.

Agora, é claro que por trás das religiões não estava directamente a espada, estavam as cabeças que influenciavam as cabeças que tinham a espada. E sim, há sempre uma questão de controlo, para uns, mas esse jogo não é o fim, é o meio.

Pode bem ser que o Islamismo tenha sido invenção de Roma, já que Maomé terá sido influenciado por cristãos, nomeadamente pela viúva rica com quem se casou - Cadija, tida como árabe cristã.

Mas se houve alguma vontade de lançar um contrapoder, que acabasse com o eventual poder que um Egipto pudesse retomar, o que é certo é que houve invasões pelo lado ocidental com os Vândalos que chegaram até Cartago, onde foram aniquilados por Belisário, e depois houve a invasão árabe, essa já bem sucedida. A saída apressada do Egipto, onde constavam já estar "francos" com os seus legados, acabou por levar a toda aquela saga Nibelunga:
http://alvor-silves.blogspot.pt/2012/05/tabula-peutingeriana.html

Sim, houve toda a vontade de fechar a ligação entre ocidente e oriente, e depois dos Persas, Medos, e Partos, o islamismo fez esse papel. Seria através dos infiéis muçulmanos que os Papas teriam as suas sedas da China. Por isso, judeus e muçulmanos sempre se prestaram ao comércio entre inimigos.

E é claro que começa por haver uma prisão no que parece ser sentido figurado. Só nos sentimos presos quando nos damos conta das barras da prisão... quem não se confronta com elas acha-se livre.
Essa foi a maneira mais inteligente de prender as pessoas - vendando-as para não entenderem como prisão, apesar de estarem rodeados de grades. É esse o ponto principal - perceber onde estão as grades, mas só sentimos que estamos presos se as quisermos passar. E a questão que se levanta sempre, passado o primeiro muro, é muito simples - haverá um próximo?
Por isso, a resposta nunca é definitiva, até que apareçam novas grades... se não as vir então dar-se-à como livre, mas isso também será a mesma sensação de quem nunca viu as primeiras.

Convém nunca esquecer que há dois escritores no Presente - um é o Passado que descreve o previsível, e outro é o Futuro, que escreve o imprevisível.

Abraços.

De Anónimo a 16.01.2015 às 02:00

Re: "O humanismo é remetido habitualmente a Erasmo"

Eu remeteria para fábulas originais dos Vedas sendo a fonte mais antiga onde tantos foram beber, mas até nisto os franceses ficam com os louros pelo La Fontaine.

Mas o establishment não gosta que lhe retirem o papel de decretar o que é imoral por isso inventa o humanismo onde é o umbigo do mundo esquecendo-se que é filho da Terra mãe.

Cpts.
José Manuel CH-GE

De Anónimo a 16.01.2015 às 02:22

Cara Maria

Re: "Não existem três Religiões, existe uma Prisão, e Alguém que ensinou como seria possível libertar-mo-nos dela."

Sim muitos o têm feito, é um trabalho que nunca acaba, onde eu colaboro, e tantos aqui neste blog.

Cpts.
José Manuel CH-GE

De Alvor-Silves a 17.01.2015 às 06:14

Certo, José Manuel.
Começando pela herança, assumida mais antiga que Esopo, de várias fábulas, que depois foram literalmente reescritas com um nome de "a Fonte", ou seja de "La Fontaine". Aqui eu não quis ir tão atrás, mas deixei explícitas as influências do budismo e taoísmo, que remontam ainda a tempos anteriores, é claro.

É verdade que somos filhos da "Terra mãe", mas essa mãe pouco mais faz do que colocar uma etiqueta de DNA no filho. Nesse sentido, põe os ovos e abandona-os a uma sorte funesta.
É claro que a sorte pode ser imputada ao Caos pai, mas a diferença é crer que a ordem materna pode suplantar a fé paterna.
O establishment fundado em Ordens pela ordem, vive para uma ordem que pretende suprimir o Caos, e com tal pretensão, arriscam a virar simples adoradores de uma certa Meca - a Mecânica que transformaria homens em simples máquinas de processamento das ordens.

Abraços

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