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Correspondência de D. João II

por desvela, em 12.04.10
Na obra "Portugal e os Estrangeiros", de Manoel Bernardes Branco (1879), encontramos um relato de uma troca de cartas entre o humanista italiano Angelo Policiano (1454-1494) e El-Rey D. João II... (a tradução do latim é de Teófilo Braga):


De Angelo Policiano a D. João II

Angelo Policiano a D. João por graça de Deus rei invictissimo de Portugal e dos Algarves, d'aquém e d'além mar em África e senhor de Guiné, saúde !

Comquanto nem a minha condição nem o meu saber nem merecimento algum meu sejam tais que eu julgue ser-me lícito escrever-vos, rei invicto, todavia a vossa grandeza, lustre e glória, os vossos louvores, espalhados já por toda a terra, têm-me assombrado de modo que, de si mesma, a própria pena arde em desejos de apresentar-vos letras minhas, atestar-vos os meus sentimentos, exprimir-vos a minha simpatia e, finalmente, render-vos graças em nome de todos quantos pertencemos a este século, o qual agora, por favor dos vossos méritos quasi-divinos, ousa já denodadamente competir com os vetustos séculos e com toda a antiguidade.

De feito, se a brevidade de uma carta ou a consideração do tempo o consentira, a mesma verdade me dera ousadia para que tentasse mostrar que nem lauréis nem dourados carros de nenhum antigo herói podem ser comparados às vossas glórias e imortais feitos.
Sim: — deixando atraz os combates que, ainda em tenros anos, empenhastes contra os povos Ímpios da insofrida Africa, os poderosíssimos exércitos de inimigos apartados uns dos outros que derrotaste, as praças que rendeste, as prêas que fizeste, as leis que impuseste a nações barbaras e indómitas, passando não menos em silêncio os brazões pacíficos, que não cederiam a palma às glórias guerreiras, — que grandioso e vasto quadro de proezas apenas acreditáveis se me não oferecia, se eu fosse comemorar as vagas do túmido e soberbo oceano, antes intactas e sem carreira aberta, provocadas e quebrantadas pelos vossos lenhos, as balizas de Hércules desprezadas, o mundo que havia sido mutilado, restituído a si mesmo, e aquela Barbaria, d'antes nem por vagas notícias de nós assaz conhecida, selvagem, feroz, vivendo sem organização regular, sem figura de lei, sem religião, quasi ao modo de brutos animais, agora trazida à policia humana, à brandura de trato, suavidade de costumes e, até, aos sentimentos religiosos!

Que lugar tão azado não teria eu então para recontar os preciosos benefícios que os habitantes do nosso continente d'ali receberam, os abundantes recursos que de lá vieram para nos melhorar e opulentar a existência, o engrandecimento que até à história antiga coube, a fé que adquiriram antigas narrativas que outr'ora escassamente se podiam acreditar; e, por outro lado, a quebra que tiveram na admiração? Então haveria eu também de absolver de toda a suspeita de falsidade o grande Platão e os annaes seculares do Egipto, que, sem prestarem crédito, fizeram menção d'esse Oceano por ti subjugado com poderosos exércitos.

De maneira que também confessaria que razão teve Alexandre de Macedónia em se amesquinhar lamentando que ainda restassem outros mundos às suas vitórias.
Na verdade que outra coisa nos fizestes vós, preclaro príncipe, senão — achar seria expressão inadequada — trazer de trevas eternas e, quasi diria, do antigo caos, para a luz que nos ilumina, outras terras, outro mar, outros mandos e, em cabo, outros astros?
— Mas a que fim veio espraiar-me agora n'este assunto?
Foi para vos rogar em nome não só do presente século, senão também de toda a posteridade e de todos os povos, que não sofrais que de tão sublimes obras feneça ou se perca a memória que deve ser eternizada, mas antes ordeneis lhe alce um padrão a voz dos varões doutos, à qual nem o dente roedor do tempo no seu curso silencioso vale a consumir.
E, se dais favor ao merecimento, porque não o haveis de dar à glória, companheira do merecimento? E se ganhais por mão a todos os monarcas em generosidade de brios e grandeza de ânimo, esta vida humana tão breve, tão instável, que de tão escassas e minguadas esperanças depende em tão angustiados limites é estreitada, porque a não haveis de prolongar com a carreira imortal de inacessível glória?

Por que não há-de a memória de feitos grandiosos transmitir-se aos vossos successores mesmos, para que essas illustres façanhas que jamais encontrarão segundas, lhes aproveitem servindo-lhes também de ensinamento e norma?
Porque não haveis de deixar um como typo a vossos filhos e futuros netos, para que nenhum degenére jamais da perene e abonada virtude dos seus maiores e a tenham diante dos olhos como traslado para se lhes formar o caracter e educar o coração segundo a príncipes convém?
Finalmente porque não hão-de também os outros reis que nascerem sob os desvairados climas do mundo, haver de vós, senão que imitar, ao menos que admirar?
Ora fazer extremadas proezas e não lhes dar realce e luz com as letras o mesmo vale que procriar filhos de peregrina gentileza e não lhes dar sustentação. Não aconteça, não, rei excelso, que essas vossas glorias, tão credoras da imortalidade fiquem escondidas n'aquele vasto acervo da nossa fragilidade, em que jazem sepultados os trabalhos de todos quantos não houveram os sufrágios dos varões de saber prestante.
Acordai-vos de Alexandre, acordai-vos de César, os dois nomes principais que a fastosa antiguidade nos alardeia. De um, assaz memorada é a exclamação que soltou ao pé do túmulo de Aquiles, chamando afortunado ao mancebo por ter encontrado em Homero o pregoeiro das suas glorias. O segundo, ainda quando estava apercebido para travar combate, e quasi que até no meio do estrondo das pugnas, com tal esmero compunha as memórias dos seus feitos, que nenhuma obra a crítica julga por tão bem trabalhada que a puríssima elegância d'aquele autor lhe não leve a palma.
A estes, logo, vós deveis, ao menos imitar, a estes a quem nos outros respeitos desmesuradamente vos avantajais. O que vos acabo de dizer, compreendereis que é a expressão da verdade e não a linguagem da adulação, quando para vós mesmo volverdes os olhos da vossa inteligência soberana e tiverdes atentamente examinado os formosos títulos da vossa glória, magestade e poderio, e considerado reflectidamente a que fastígio estais subido nas cousas humanas.

De feito, ver-vos-eis rei da Lusitânia, isto é (para resumir em uma palavra o que entendo), de um povo de romanos de que outr'ora numerosas colónias, segundo a história refere, se achavam disseminadas n'esta região mais do que em nenhuma outra. Vereis em vós o libertador da Africa, essa terceira divisão do orbe, que desde já, pelos vossos esforços, solta dos ferros dos bárbaros, exulta cada vez mais com a esperança de completa liberdade. Vereis em vós também o domador d'aquelle vasto e indignado oceano, a cujos primeiros embates o mesmo Hércules, o subjugador do mundo, enfiou.

Reconhecereis em vós o defensor da santa fé cristã e da verdadeira religião, e o mais potente arbitro da paz e da guerra contra a perfídia de Mahomé, alagando só com a vossa magestade, aquela pestilencial fúria e acabando as guerras mais consideráveis só com o terror do vosso nome, só com a maravilha do vosso valor. E ao mesmo tempo, senhor das chaves de um novo mundo, como que abrangeis em um punhado os seus numerosos golfos e os promontórios e as praias e as ilhas e os portos e as praças e as cidades à beira-mar, e quasi tendes nas vossas mãos nações inúmeras, aonde, contudo, nem a própria fama com as suas azas tão velozes havia até então chegado.
E quão grandioso não é ver os reis mais ignotos arderem em desejos de vos visitar, venerar as vossas pisadas, e correrem açodados a ajoelhar aos vossos pés e a receberem à porfia das vossas mãos tão poderosas pela fé como pelas armas as águas purificadoras do baptismo?! e ver, espertados pelo amor de uma virtude jamais ouvida dos antigos séculos, os habitantes dos mais apartados confins da terra acudirem apinhados à vossa presença, e já todo o meio-dia, arrancado do fundo das suas moradas, dar-se pressa a correr venerabundo ante vós, para de mais perto contemplar esse semblante celestial, a auréola de gloria que vos adorna a régia fronte, essa magestade, fiel transumpto da divina?!

Com tais grandezas venha alguém pôr em parallelo a tomada de Babilónia, bem que ufana dos seus muros de tijolo, a rota dos bárbaros do oriente, já do próprio natural tão fugazes! Venha pôr em parallelo a provocação, não muito esforçada das iras do Scytha nómada, vagando por dilatadas campinas, contanto que não lance também à conta de louvor o assassinato, em meio dos festins, dos mais caros amigos, nem a adopção de estrangeiros costumes e desdourosas adulações! Ponha em parallelo também o vencimento das Gálias a custo subjugadas ao cabo de dez annos, ou outros feitos inferiores a este contanto que não tenha encómios para o sangue de concidadãos e parentes barbaramente vertido por todo o orbe!
— Assim que, rei sem par, vós sobre todos (estoure embora a inveja), vós sobre todos sois digno de eternas honras. A vós, primeiro do que a ninguém, devem de ser consagradas as nossas vigílias, quero dizer, as de todos quantos somos sacerdotes das Musas. Por tal razão (se, homem desconhecido, mas a vós mui dedicado, encontro alguma fé junto à vossa pessoa), seja incumbido, eu vos conjuro, a sujeitos idóneos o encargo de pôr em memória (sem duvida que interinamente), em qualquer língua, em qualquer estilo o assunto tão ubertoso dos feitos praticados por vós e pelos vossos, obra que, mais tarde, tanto os outros em quem ferve o mesmo entusiasmo, como também nós mesmos, envidando todas as forças, hajamos de polir e aperfeiçoar. Na verdade, pedi, não há muito, a estes súbditos vossos que estão aqui, mancebos de subido talento e elevado carácter, os filhos de Teixeira, vosso Chanceller-mór, que por sua intervenção me fossem aí copiadas as memórias (se é que existem) dos vossos feitos: prometeram eles desempenhar-se cuidadosamente no encargo em respeito da obrigação que devem ao seu preceptor; todavia não quiz eu faltar a mim próprio, mas assentei de vos endereçar eu mesmo esta carta, rei mui indulgente e clemente, a quem já posso dar também o nome de meu, querendo antes poder ser arguido de arrojado, se escrevesse, do que de apoucado de ânimo, se me conservasse silencioso.

— No que respeita a minha pessoa, não é, certo, ordinária a minha condição, mas, na profissão das letras, também alguns crêem que não é de todo inferior a minha reputação. Quasi de menino fui ou criado (e porventura que esta circunstância virá a propósito) no seio da honesta família d'aquele varão illustre, o primeiro personagem na sua tão florente república, Lourenço de Medícis. Não cedendo a ninguém em dedicação à vossa pessoa, soube ele, falando-me de vós, acender em mim entusiasmo tão ardente pelos vossos merecimentos, que dia e noite eu não largo de pensar no pregão dos vossos feitos, e o mais fervoroso voto que eu agora faço é que mo seja outorgada força, poder e finalmente ensejo, para que o vosso nome tão digno de divinos elogios, os testemunhos da vossa piedade, integridade, rectidão, temperança, prudência, juízo, os da vossa justiça, fortaleza, providência, liberalidade e grandeza de alma, e enfim os de tantas obras, tantas e tão exímias façanhas vossas, tenham monumentos fiéis levantados, ainda que seja por mim, na lingua latina ou grega, de modo que não haja vicissitude de humanos acontecimentos, nem assalto da varia e inconstante fortuna nem vetustade de séculos que valha a extingui-los.

Resposta de D. João II
D. João por graça de Deus, rei de Portugal e dos Algarves, d'áquem e d'além mar em África, e senhor de Guiné, ao mui douto varão e prezado amigo, Angelo Policiano, saúde !

A vossa agradável carta, que já há muito li, e, sobretudo o que amiudadas vezes nos tem referido o nosso querido Chanceller-mór João Teixeira, me deu cabal conhecimento de quanto vos interessa a nossa glória (se em cousas humanas alguma existe) e quanto desejais salvar do olvido com as vossas letras o nosso nome e feitos. Tal vontade, ainda que é uma prova assaz clara de entranhado afecto e summa deferência, todavia parece-nos que nasce ainda mais da bondade do vosso coração, da agudeza de engenho e da copia de saber, que miram a alvo mais remontado.

Assim que nos sentimos grandemente penhorados de vós, e, quando o tempo e as circunstâncias o demandarem, testemunharemos mais amplamente o nosso agradecimento, esperando que não hajais de vos arrepender da afeição que nos dedicais. Respondendo em breves termos ao assunto da vossa carta, dir-vos-emos que somos gratos sobremaneira ao oferecimento que tão frequentemente nos fazeis dos vossos serviços e affectuosa diligencia para nos alcançardes a imortalidade, e estimamo-lo. E para pôr em efeito o intento, teremos todo o cuidado de ordenar que a nossa crónica, que, seguindo o uso do nosso reino, mandamos escrever era língua vernácula, seja composta no idioma toscano ou pelo menos no latim comum, enviando-vo-la depois, o mais depressa que ser possa, para que vós, sem vos afastardes do caminho da verdade, assegurando a nossa memória, a adorneis com as graças e gravidade do vosso estilo e com a vossa erudição, e a aperfeiçoeis de forma que, ao menos com o auxílio da vossa eloquência, se torne digna de ser lida.
Com efeito, muito releva (e melhor o sabeis) o estilo em que é recontado cada feito, embora ilustre. Porquanto, assim como a experiência mostra que as comidas melhores de natureza, se houve menos asseio em as guisar, são avisadamente engeitadas, assim a história, se lhe falecem as devidas galas e donaire próprio, havemo-la por sem mérito e merecedora de que a enjeitem.

Defeitos d'esta ordem, porém, não há que receá-los, se fordes vós, sujeito de tão subidas partes e tão versado em todas as boas letras, quem haja de tomar a peito a história dos nossos feitos. Esta é pois a nossa intenção. Resta, Angelo amigo, que aos filhos do nosso Chanceller-mór, fidalgos da nossa casa, consagreis os maiores disvelos. Sem duvida que a vossa bondade não havia mister recomendação para assim o fazerdes espontaneamente, contudo, encarecidamente vos rogamos que por nosso respeito tenha ainda algum aumento vosso zelo. E na verdade a eles deveis toda a gratidão, porque o pai e os filhos, aquele com os louvores, estes com os testemunhos provadíssimos do vosso saber, não cessam de vos exaltar, falando-nos de vós, e de fazer chegar até estes confins da terra, a fama do vosso nome, o que não faz pouco era prole da vossa glória e reputação. Mas aos próprios mancebos nós damos os emboras, por lhes ter cabido o viver em tempo em que da fonte abundante da vossa ciência possam beber alguma instrução, para que, servindo primeiro a Deus, e depois a nós, hajam de merecer e conquistar tanto a bem-aventurança celeste, como a terrestre.

De Lisboa, aos 23 dias do mês de Outubro de 1491.

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publicado às 03:58


14 comentários

De AlvorSilves a 15.04.2010 às 02:00

Quem diria que um dos mais famosos poetas italianos do seu tempo, quisesse colocar um "rei estrangeiro" ao nível (ou acima) de Alexandre, de César, etc...

... quais são as "ilustres façanhas que jamais encontrarão segundas", e os "méritos quasi-divinos"?

Que factos poderiam levar a tal consideração, seria apenas mera bajulação? Tratando-se de alguém que tinha os favores do famoso Lorenzo Medici, é hipótese difícil de entender!

Já não é tão difícil, se olharmos com atenção os mapas, e começarmos a suspeitar o que se estava a passar!

Pois... vejamos então:

- tal como Poliziano devemos também absolver de falsidade Platão no relato de Atlântida?

- Oceano subjugado com poderosos exércitos?

- libertar a África?

- árbitro de paz e guerra contra a perfídia de Maomé?

- acabando as guerras mais consideráveis só com o terror do nome?... só com a maravilha do valor?

Em suma:
"Por que não há-de a memória de feitos grandiosos transmitir-se aos vossos successores mesmos, para que essas ilustres façanhas que jamais encontrarão segundas, lhes aproveitem servindo-lhes também de ensinamento e norma?"

Esta é a verdadeira questão que ainda hoje interessa saber!

De Anónimo a 17.04.2010 às 07:56

Caro Da Maia

Tal como Poliziano, temos o dever de absolver de falsidade Platão, no relato da Atlântida, e mais temos a obrigação de pensar porque motivo, foi a Atlântida referenciada, pelos historiadores da Antiguidade, "ao tempo em que o SOL nascia onde hoje se põe."

Mas temos uma obrigação muito maior, a de esclarecer clara e definitivamente, que foram os nossos que atravessaram o Mar-Oceano e chegaram à América.
Poliziano é claro, quando refere que se deve absolver Platão e os Anais Egípcios quando se referiam ao Oceano que Dom João II, subjugara com poderoso exército.
O Atlântico, que Dom João II evidentemente controlava.

Mas muito mais de isto, cumpre-nos descobrir a razão porque os Portugueses se empenharam tanto, em encontrar, nos Quatro Cantos do Mundo, os vertígios da Antiga Civilização Pré-Diluviana, e qual o motivo porque só os Portugueses sabiam da sua existência, e os locais exactos onde os encontrar.

A fama de Dom João II, estendia-se a todo o Mundo, e como também afirma Poliziano, os seus descendentes têm que conhecer os seus feitos e seguir o seu exemplo, quase Mítico.

Poliziano, não o pode fazer com as suas sábias palavras, porque o calaram definitivamente para que o não fizesse.

Cabe-nos a nós Portugueses, passados Cinco Séculos, retomar o trabalho que Poliziano começou, e prestar a Dom João II, a Honra que é devida, e colocá-lo no lugar que por Direito lhe
pertence, na História Universal.

Maria da Fonte

De AlvorSilves a 17.04.2010 às 19:45

Duvido que inicialmente os Portugueses tenham procurado os vestígios do que quer que fosse...
prosseguiam apenas o caminho dos seus ancestrais que nunca perderam a América de vista!

Mas depois... tiveram que render-se às evidências, quando encontraram monumentos inexplicáveis.
Segundo Cândido Costa, ainda por volta de 1900 havia perto de 5000 nos USA, onde estão agora?
Terão sido destruídos e arrancados, como fez D. Manuel à estátua da ilha do Corvo?

Não sei qual foi o plano de D. João II, ninguém sabe, mas ele poderia ter um plano para além do seu tempo... a resposta dele é tão enigmática quanto isso!
Não devemos ignorar que os seguidores de D. João II dirigiam-se a D. Manuel como "Príncipe" e só depois como "Rei de Portugal" (... é o caso de Duarte Pacheco Pereira).
Garcia de Resende diz que D. João II foi o primeiro Rei que não morreu em Portugal (referia-se apenas ao facto de ter morrido no Algarve?)

A neblina é muito espessa, e tal como as cinzas do vulcão islandês, não se vê nas simples imagens metereológicas de satélite... é mais profunda.
Demora mais tempo a entender os seus contornos, pois, ao que parece, os players ainda estão em jogo, para confundir mais as coisas!

De Anónimo a 18.04.2010 às 03:50

Caro da Maia

Vai-me dizer, que os nossos tropeçaram em todos os vestígios existentes da Grande Civilização Pré-Diluviana?

Muito tropeçaram eles!

Tropeçaram na Gronelândia.
Tropeçaram na Torre de Newport.
Tropeçaram na Civilização chamada Maia, e na Pré-Inca do Perú.
Tropeçaram na Antiga Civilização do Grande Zimbabwé, na África Oriental.
Tropeçaram na única Região da Índia onde existem Antas Megalíticas.
Tropeçaram na China, na Terra dos Uygurs, de DNA Europeu, na Região das Múmias Ruivas do Tamaklan.
Tropeçaram no Japão em Nagasaki, Terra dos Ainos, que têm um DNA idêntico aos Mochicos Pré-Incas, e onde existe, em Yunaguni uma grande Pirâmide submersa.

Anteriormente, já tinham tropeçado nas Canárias, onde também existem Pirâmides, e no Brasil na Ilha de Marajó, com os seus vestígios de uma Grande Civilização, e no Amazonas na Terra Preta do Índio, que nunca pertenceu a Índio algum.

Será que os nossos tinham alguma entorse congénita?

É que ainda tropeçaram nas Falkland, junto à Antártida, e depois, ainda foram tropeçar na Passagem do Noroeste.

Mas concordo que a nebelina seja espessa.
Angelo Poliziano, o Humanista, morre envenenado com arsénico em 1494.

O Conde Giovanni Pico della Mirandola, Filósofo, Humanista e Astrólogo, profundo conhecedor do Zoroastrismo, da Caballa, dos livros de Esdras, e de antigos Textos Caldeus, morre envenenado com arsénico, em 1494, no dia em que Carlos VIII, de França, invade Florença.
Savonarola, o´Sábio Dominicano, que reza a Oração Fúnebre de Pico, foi excomungado e mandado executar, em 1498 por Alexandre Bórgia, que se tornara entretanto Papa.

Piero de Médicis, filho de Lourenço de Médicis, foi apontado como o mandante das mortes de Pico e de Poliziano, mas também ele foi deposto e exilado.

E como sempre Franceses e Espanhóis, decidem entre si a divisão do espólio. Desta vez, o espólio é a Península Itálica.

Dom João II, tinha que ser muito hábil, em toda esta conjuntura.
A sua morte no Alvor, teve algo de Simbólico, já que o Rei, pede que o coloquem sobre uma Cruz, antes de morrer.

Duarte Pacheco Pereira, investigara as coordenadas de Tordesilhas, no Brasil desde 1498.
Vasco da Gama, aportara a Calecut, na Índia, e regressara a Lisboa em Agosto de 1499.
Cristóvão Colombo, que partira em 1498, para Trinidad e para a Venezuela, em 1499, fora preso pelo Inquisidor Bobadilha.

Quase juraria, que Duarte Pacheco Pereira e os outros, só tratam D. Manuel por Rei, após Outubro de 1499.

E que Bobadilha, só prendeu Cristóvão Colombo, depois do dia, em que Duarte Pacheco Pereira, tratou D. Manuel, pela 1ª vez, por Rei.

Maria da Fonte

De AlvorSilves a 18.04.2010 às 05:33

Cara Fonte,

Como bem sabe, de acordo com Pedro Nunes, andámos em toda a parte antes dos outros. Difícil pois seria não termos tropeçado com tantas coisas... pelo menos a nível costeiro.

Aliás, o grande mérito de D. João II é ter ido mesmo ao interior, e não se ter ficado pela costa, como os anteriores.

Ele foi transladado para o Mosteiro da Batalha em Outubro de 1499 de "corpo intacto", como se tivesse morrido há pouco tempo, não é?

O maior puzzle que me ocupa de momento não é eles terem tropeçado com tudo isso... é terem tropeçado com Jerusalém, conforme atesta uma bandeirazita naquele "incómodo" Livro de Marinharia, de João de Lisboa.

Cito-lhe uma coisa magnífica:

O Xá da Persia, Ismail I (antes da batalha de Chaldiran, 1514), manda esta preciosidade ao Sultão Otomano Selim I:

» I know the Truth as my supreme guide,
» I would sacrifice myself in his way,
» I was born yesterday, I will die today,
» Come, whoever would die, here is the arena

Ismail não morreu na batalha, mas ficou sem poder... até 1570 os turcos não aborreceram mais os portugueses, estavam ocupados a invadir a Europa!
- Como muçulmanos, tinham que ir a Meca, certo? E quem controlava esses mares arábicos e pérsicos?
- Parece que, mesmo assim, mesmo sendo D. Manuel "senhor da Arábia", era mais importante atacar a Áustria?
- Por que razão a conquista de Jerusalém deixou de fazer parte da agenda política europeia?

Pois... o Mosteiro da Batalha é bonito, mas belo, belo, é o "Taajo" Mahal!
Perto de Acra, que na India se chamou Agra, a tal cidade fundada por volta de 1500...
O arquitecto disfarçou bem a disposição octogonal... associam-lhe um nome "Benarus" que soa a sefardita. Percebemo-nos?

Talvez não... veja em

http://www.stephen-knapp.com/an_architect_looks_at_the_taj_mahal_legend.htm

onde ele acaba por presumir que em 1640, o edifício já tivesse mais de 100 anos... foi só restaurado. A história dos amores, lembra a Inês de Castro!
Tente responder às 6 questões que lá estão, são difíceis!

Mas estou a divagar... é claro que imperadores mongóis, tão poderosos, não se preocupavam com ninharias como terem os portugueses a dominar toda a sua linha marítima!

De Anónimo a 19.04.2010 às 21:22

Caro Da Maia
Veja bem o web sito. O nome inicial do Taj Mahall era TEJO MAHALL, nao e' conjectura, e' facto de harmonia com o proprio investigador, Marvin H. Mills.

Knight Templar US.

De Anónimo a 19.04.2010 às 21:25

Caro Da Maia,

Repare bem que o nome original e' mesmo TEJO Mahal de harmonia com os livros do investigador Marvin H. Mills.

Knight Templar US.

De Anónimo a 10.01.2015 às 05:13

Vê agora Caro da Maia

Porque deixa Jerusalém, de fazer parte da Agenda do Vaticano e da Gilda do Comércio e da Banca?!

Só em 1492, com Fernando e Isabel, a Espanha começa a recuperar das perdas sofridas pelo Grande Crash Financeiro de 1340.
E não é com o ouro das Minas do Perú, porque essas eram exploradas pelos Portugueses, como explica magistralmente o Cardeal Saraiva, nas suas Memórias.

Espanha recupera, como em tempos recuperaram o Conde da Flandes, Bonifácio de Montferrant e todos os outros, nobres e falidos Cruzados, que serviram Veneza e o Vaticano.

Com o Perdão da Dívida!

D. Manuel será apenas Rei de uma coroa virtual e o monopólio da exploração das Novas Terras será entregue aos Judeus de Veneto, agora com a Banca na City, e o Centro Comercial na Flandres, ambos a salvo das inundações dos esgotos de Veneza.

O Vaticano movendo-se como sempre, pelos subterrâneos judaico-maçónicos da intriga e da traição, emerge hegemónicamente.

Fernando de Aragão e D. Manuel, pagaram, um as dívidas e o outro a coroa, abrindo o Atlântico à Nova Ordem formada, que obviamente dispensa novas Cruzadas Orientais.
Embora não dispense os úteis Crashes da Banca, que se repetirão periódicamente, e sempre que necessário.

A História será reescrita e os Mapas Milenares serão escondidos ou queimados.
A América aparecerá na Nova História, como tendo sido descoberta por acaso, em 1492.
E o irrelevante e desnecessário, Caminho Marítimo para a Índia pelo Oriente, surgirá como o "Grande Feito".

Não terão sido, seguramente, estes meandros sórdidos, que fascinaram Poliziano.

A Guerra de Entreteniento/Enriqueciento dos Grupos Financeiros e de Endividamento dos Reinos/Nações, irá entretanto passar por uma variante Ocidental: Os Estados Protestantes. para mais tarde ser convertida de Guerra Religiosa em Luta de Classes.

E só o Século XX, O Estado Islâmico, sairá de novo do Baú das Falsas Bandeiras.

Abraço

Maria da Fonte

De Alvor-Silves a 10.01.2015 às 20:53

Cara Maria da Fonte,
ainda não estou com muito tempo, mas agradeço-lhe desde já as informações sobre a crise de 1340.
Isso explica muito o "Honi soit qui mal y pense", pois ao que parece Eduardo III foi particularmente visado pelos bancos italianos Bardi, Peruzzi, e Acciaiuoli, tendo feito "default" da sua dívida...
http://www.schillerinstitute.org/fid_91-96/954_Gallagher_Venice_rig.html

É estranho, porque a política de D. João II pareceu ser mais contra Génova do que Veneza, ainda que a sua principal ligação italiana fosse mesmo com Florença.
Vou ver se vejo melhor este assunto.
Muito obrigado de novo, e abraços.

De Anónimo a 13.01.2015 às 06:12

Caro Da Maia

Dom João sabia com quem lidava. Conhecia o perigo. Sabia do que eram capazes, daí o secretismo, a mistificação.
Não para iludir os Castelhanos, que não passavam de uns mortos de fome, arruinados pela Peste que se seguiu ao Grande Crach, e pela invenção da Guerra de Granada, que "alguém" lhes meteu na cabeça fazer, contra os Persas Nasr, originários do fabuloso Período Yemdet-Nasr.
Dom João tinha pela frente o poder do Vaticano e do Império Judaico na época sediado em Veneza e aliados desde o início.
Tinha pela frente, os inventores de Religiões e de Guerras "Santas". Os destruidores dos Povos.
Esteve a um passo de conseguir. Mas tal como o Duque da Flandres e Bonifácio de Montferrant tinham feito, quando destruiram Bizâncio, também Fernando de Aragão traiu Dom João em troco do perdão da dívida.

Abraço

Maria da Fonte

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