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António Galvão é filho do cronista Duarte Galvão, que ao serviço de D. Manuel escreveu a crónica de D. Afonso Henriques. Isto tem relevo para entendermos como dispõe pela via paterna de acesso a informação normalmente reservada aos cronistas. Por outro lado, a sua desvalorização na corte não é caso único no que diz respeito aos filhos de cronistas. Fernão de Pina, filho de Rui de Pina, que aliás sucede ao pai no cargo de cronista-mor.

Sobre Fernão de Pina, coloco aqui informações de um livro de 2012 de G. Marcocci: "A consciência de um império: Portugal e o seu mundo (Séc. XV- Séc. XVI)" (que aliás, já tinha colocado na Wikipedia há algum tempo):
  • Uma longa desatenção por parte dos estudiosos tem caracterizado o processo inquisitorial contra Fernão de Pina, cronista-mor do reino, e guarda-mor do arquivo da Torre do Tombo desde 1523, cargo já ocupado pelo seu pai, Rui de Pina. Julgado culpado de nutrir crenças e «dizer palavras outras muitas sospectas na fé escandalosas», Pina abjurou de forma privada à frente dos inquisidores de Lisboa a 31 de Março de 1550.
  • Em data imprecisa desse ano de 1546 (certamente depois da Páscoa) a Inquisição procedeu à prisão de Pina. Tratava-se de «pessoa poderosa», conforme escreveram os juízes nas actas. Apesar disso, ou talvez mesmo por isso, o cronista régio sofreu um longo abandono.
  • O seu destino já estava escrito antes da sentença. Demonstra-o, de igual modo a atribuição em 1548 do cargo de guarda-mor da Torre do Tombo a Damião de Góis «em quamto Fernão de Pina não for livre dos casos per que ora he preso e acusado».

Há referências ao enorme trabalho que Fernão de Pina teve na reorganização dos forais, algum do qual efectuado a expensas próprias. Nisso há uma semelhança com António Galvão, que também usou das suas finanças pessoais para o serviço da nação.

Porém, se sabemos alguma coisa de António Galvão, devido aos ingleses, de Fernão de Pina não nos terá chegado quase nada. Para isso, é claro que contribuiu o Processo da Inquisição, que o via como "pessoa poderosa"... e este poder só poderia ser o seu acesso à informação privilegiada como cronista-mor, filho de cronista-mor.

João de Barros, Damião de Goes, passam a ser cronistas "autorizados", cujas obras chegaram aos nossos dias, mas não eram "cronistas-mor". Damião de Goes acaba por ser nomeado guarda-mor da Torre do Tombo, ainda em vida de Fernão de Pina, mas o cargo de cronista-mor era vitalício, e como o próprio Damião de Goes terá problemas com a Inquisição, nem será ele a suceder-lhe.

João de Barros explica, de forma muito curiosa, parte do problema, usando o facto do pai de Alexandre Magno, Filipe II da Macedónia, ser zarolho:
(...) tanto louvor se dá àquele Pintor, que tirando a El Rey Filipe pai de Alexandre per natural, tomou-lhe a postura do rosto de maneira, que lhe encobrisse o defeito que tinha, que era um olho menos. E melhor está a um Autor por este modo dissimular os tais defeitos, que louvar os Príncipes de maneira, que vendo eles tanta lisonjaria, façam o que fez Alexandre; o qual oferecendo-lhe Aristobolo um livro de muitos louvores, deu com ele num rio, dizendo, que desejava depois de morto tornar ao Mundo, para ver se o louvavam tanto.
Foi aliás com este prólogo de João de Barros, que fechei os textos iniciais (feitos ainda em 2009), porque pareceu-me ser a forma de Barros evidenciar que as suas Décadas apenas iriam pintar o "olho bom", escondendo a completa zarolhice da história dos descobrimentos portugueses... e mesmo Camões terá que deixar ficar o retrato zarolho, pelo menos para a leitura simples.

Se António Galvão surpreende na primeira parte, que transcrevi até aqui, irá depois optar por deixar a cegueira manter-se, no relato dos descobrimentos recentes, sob pena de nem ver a sua obra autorizada para publicação. Na altura em que Galvão escreve, já Fernão de Pina teria morrido em 1550, desgraçado pelo processo inquisitorial de que tinha sido vítima. Os tempos tinham mudado... como sentiu bem Cervantes em caricaturar o deslocamento social dos velhos ideais nobres em Quixote de la Mancha. Os heroísmos, as proezas individuais, eram sarcasticamente ridicularizadas pelos ratos de esgoto, que se alimentavam dos podres da corte.

No entanto, como veremos aqui, Galvão não deixa de mostrar como a "rota das especiarias", das drogas, sempre teve o seu caminho de Oriente para Ocidente, ou do Levante para o Poente. Fosse através do Egipto, como ocorrera no tempo da dinastia Ptolomaica, que e como até um filho de Calígula (Caio César Augusto), provavelmente Tiberius Gemelus, tinha visto restos de antigas naus hispânicas nas costas arábicas.

Talvez mais singular seja o registo do confronto directo entre Romanos e Chineses, circa ano 200 a.C. Era uma altura em que se desenrolava ainda a 2ª Guerra Púnica, e portanto inconveniente para uma aventura arriscada de uma armada romana... no entanto, é também a altura em que se dão as guerras que implantam a dinastia Han (entre 206-202 a.C.), sendo que a batalha naval mais significativa (conhecida), é a "batalha dos penhascos vermelhos" que marca o fim da dinastia Han, quatrocentos anos depois (em 208 d.C.). Talvez por isso, Galvão diz "... se é fábula ou certeza, pula como a achei escrita". Onde? Esse é um problema de Galvão, não coloca referências... e o tradutor Ch. Bethune coloca neste ponto a mesma interrogação sobre a fonte: "What histories may these be?".


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DESCOBRIMENTOS 
em diversos anos & tempos, 
& quem foram os primeiros que navegaram.
purl.pt/15321 
por António Galvão (1563)

continuação de (3) (2) (1) 

No ano de 277 Antes da encarnação de Christo, sucedeu neste Reyno Philadelphos, & ordenou que viessem as mercadarias da Europa à cidade de Alexandria pelo rio Nillo acima, até outra que se chama o Copto: e dela por terra as levassem a um porto que está em o mar roxo, que se chama Miosormo, andasse este caminho de noite, governando-se pelas Estrelas, & pilotos que disso tinham conhecimento, & por esta estrada ser pobre de água a levavam para toda a companhia, até que fizeram poços muito fundos, & cisternas, com que se sustêm de maneira que ficou esta estrada mais frequentada. 

Dizem que por este estreito ser perigoso de baixos, ilhas, restingas, foi este rey Philadelphos com seus exércitos da parte dos Trogoditas & em um porto que se chama Bereniche [Berenice], mandou que se descarregassem as naus que vinham da Índia por ser lugar mais seguro & podiam chegar sem perigo donde as levassem à Cidade do Copto & daí a Alexandria: pela qual causa foi esta Cidade tão próspera, & rica que dizem não haver naquele tempo mais na Redondeza. Veio este trato em tanto crescimento que se escreve render em tempo del Rey Tholomeu Aulete pai de Cleópatra sete contos & meio de ouro: & ainda naquela idade não havia mais de xx [vinte] naus neste caminho.

Mas depois de vir esta Província, em poder dos Emperadores de Roma, como eram mais poderosos, ou cobiçosos, em pouco tempo lhes rendeu o tresdobro [sextuplo]: & veio em tanto crescimento, que mandavam em cada um anno à Índia cento & vinte naus de carrega, partiam de Miosormo meado Iulho, & tornavam dentro em um ano: as mercadorias que levavam, dizem que valeriam um milhão douro & duzentos mil cruzados, & no retorno faziam cento de um. E a fora isto as Matronas despendiam em cada um ano muito infindo dinheiro em pedraria, pulpura [púrpura], aljofre [pequena pérola], bëjoim [benjoim], encenso [incenso], almiscre [almíscar], âmbar, sandalos [sândalos], aguila [águila], e outros cheiros, e brinquinhos, nisso se afirmam os escritores daquele tempo.

Também escreve Plinio, citando Cornelio Nepote que em seu tempo houve um rey no Egypto que se chamou Tholomeu Latiro, & um Edoxo [Eudoxo] fugindo dele pelo golfam Arabico [Golfo Arábico] veio pelo mar ao longo da costa Dafrica, & cabo de Boa Esperança à ilha de Calex [Cadiz], & querem ainda que se usasse esta navegação naquele tempo como agora: pelo qual o filho de Cayo Cesar Augusto andando na Arábia achara neste mar Criteo pedaços de naus da feição das Despanha [de Espanha]. 

Assim contam que os reys dos Sudianos, e príncipe dos Batrianos, e outros Capitães famosos foram por terra à Índia, e Sythia [Cítia], & houveram vista daquelas Províncias, & terras todas até ao levante, & mares deles da parte do Norte, & mercadores, & caminhantes que se afirmam andarem por aquelas partes. Marco Paulo [Marco Polo] largas cousas escreveu delas, ainda que o haviam por fabuloso já agora lhe dão mais crédito por acharem nomes de terras, cidades, villas, Angras, sítios, & alturas conformes a suas escrituras. 

No ano de 200 antes da Encarnação de Christo dizem que os Romãos [romanos] mandaram uma Armada à Índia contra o gram cão do Cathayo [China], & saindo pelo Estreito de Gibaltar fora, correram ao Noroeste, e defronte do Cabo de Finisterra acharam dez ilhas em que havia muito estanho, e deviam ser aquelas que chamam Cassiteriaes, & posto em cinquenta graus de altura acharam um Estreito por onde foram a Loeste à superior Índia, e pelejando com o senhor de Cathayo se tornaram à cidade de Roma, se é fábula ou certeza, pula como a achei escrita. 

No ano de cento depois da vinda de Christo o Imperador Trajano mandou fazer uma Armada nos rios Eufrates, & Tigres foi por eles às Ilhas de Zizara, & Estreito de Persya, saíram ao mar Oceano da Índia, & por aquela Costa navegara além donde Alexandre chegara, tomara naus que vinham de Bengala, de que se informara daquela terra, & por ser velho, & cansado, & achar nela pouco mantimento se tornara. 

Depois que os Romãos senhorearam a melhor parte do Mundo se fizeram muitos, & notáveis descobrimentos, mas vieram os Godos, Mouros, & outros Barbaros, e destruiram tudo porque no anno 412 depois da Encarnação de Christo tomaram a Cidade de Roma, e os Vandalos saíram de Espanha a conquistar Africa. E no ano de 450 el rey Atilla destruiu muitas cidades Ditalia [de Itália], & começou-se a de Veneza, & neste tempo os Francos, & Vandalos entraram em França. E no ano de 474 se perdeu o Império de Roma, & depois disto vieram os Longobardos a Itália no qual tempo andavam os demónios tão soltos pela terra que tomaram a figura de Moyses, e os Iudeus [judeus] enganados foram muitos no mar afogados. E a seita Arriana [ariana] prevalecia. E Merlim em Inglaterra foi neste tempo. E no ano de 611 foi Mafamede, & os de sua seita, que tomaram por força Africa & Espanha. 

Assim que segundo parece nestas idades todo o mundo ardia, por onde dizem que esteve quatrocentos anos tão apagado, e escurecido que não ousava nenhum povo andar de uma parte para outra, por mar, nem terra, tão grande abalo, e mudança se fez em tudo que nenhuma cousa ficou em seu ser, e estado, assim Monarquias como reinos, & senhorios, religiões, leis, artes, ciências, navegações, escrituras que disso havia, foi tudo queimado, e consumido segundo consta, porque os Godos eram tão cobiçosos da glória mundana, que quiseram começar em si outro novo Mundo, e que do passado não houvesse nenhuma memória. 

Os que depois sucederam sentindo tamanha perda, & proveito como era o comércio, & trato das gentes umas com as outras, & que não podiam gastar suas mercadorias, nem haver as alheias sem este meio determinaram de buscar maneira como se não perdesse de todo, & as mercadorias do Levante tornassem ao Ponente como saíam. Desesperados de as trazerem pelo mar roxo, & rio Nilo, abriram outro caminho, ainda que muito mais comprido, e custoso, porque as traziam pelo rio Indo acima: & desembarcadas as passavam por terra & portas Peraponesas [portas Cáspias de Alexandre, muralha de Gorgan?] à provincia de Batriana, & embarcavam-nas no rio Oxo [rio Amu Dária], que se mete no mar Caspio, & iam a um porto do rio Ram [Volga], que se chama Sicatrum, & por esse rio acima que se agora diz Volga segundo parece as levavam à cidade de Nonogardia [Novgorod?], que é agora do gram Duque de Moscovia, e está da parte do Norte em 57 graus de altura, e atravessavam por terra a província de Sarmacia ao rio Tanais, que a divide da Europa, onde embarcavam, & por ele abaixo as levava, à Lagoa Meotas, & cidade de Cafa que antigamente se dizia Theodosia [Feodosia], e por ser de Genoeses [Genoveses] vinham por elas às suas galeaças.

E dizem que durou este trato até o tempo de Commodita Emperador Arménio, que mandou mudar este caminho ao rio Carius [rio Kura ?], no fim do qual desembarcavam, & atravessavam o Reino de Hiberia que se agora diz Iorgiana [Georgia], e tornavam a embarcar no rio Facis [rio Phasis]; e por ele iam ao mar de Lacana, & cidade de Trapezonda [Trebizonda], que está em quarenta e tantos graus de altura, onde vinham por estas mercadorias as naus da Europa, e África: e dizem ainda que Nicana [Seleuco I Nicator] determinava, ou tinha já posto por obra de abrir mais de cento & vinte léguas de terra que há desse mar Caspio ao Euxinio para que pudessem ir & vir por água as especiarias, Drogas, & outras mercadorias que por aqui então caminhavam, se o não matara Tholomeu-Carauno [Ptolomeu Cearuno], por onde não executou seu generoso pensamento.

Assim que perdido este caminho, pelas guerras do grão Turco, a indústria humana abriu logo outro a estas mercadorias, & a outras que traziam da ilha de Samatra, cidade de Malaca, ilha da Jaoa [Java]: a enseada de Bengala, e pelo rio Gãje [rio Ganges] acima as levavam à Cidade Dagra [de Agra], donde atravessavam por terra a outra que está no rio Índio que se chama Bacar [Bikaner], donde iam pelo Sertam [sertão] dentro à cidade de Cabor [Cabul], que é a principal dos Mogores: & daí à gram cidade de Samarcante [Samarcanda] que está na Provincia de Batriana: & juntos os mercadores da Índia, Persia, Turquia, que traziam borcados, veludos, chamalotes, escarlatas, alcatifas, feltros, e outros panos de lã que iam gastando até o Cathayo, e gram província da China: donde traziam ouro, prata, pedraria, Aljofre, seda, almiscre, Canfora, aguila, sandalos, e muito Ruybarbo, e outras cousas que cá tinham valia. 

Depois disto diz que levaram estas mercadorias, drogas e especiarias, em naus pelo mar Índico ao estreito Dormuz [de Ormuz], & rio Eufrates & Tigres & as desembarcavam na cidade de Baçora, que está em trinta & um graus ao Norte. Daí iam por terra à Cidade Dalepo [de Alepo], Damasco, Baruti [Beirute], que está da mesma banda em trinta e cinco graus; donde as vinham tomar as galés de Veneza, que traziam romeiros à casa Sancta [Jerusalém]. 

No ano de 1353 em tempo do imperador Federico Barba roxa, diz que foi ter a Lubres [Lübeck ?] cidade Dalemanha [da Alemanha] uma nau com certos índios em uma canoa, que são navios de remo, parecem-se aos tones de Cochim: porém esta canoa devia de ser da costa da Florida bacalhãos, & aquela terra, por estar na mesma altura Dalemanha: de que os Tudescos ficaram espantados do tal navio & gente, por não saberem donde eram, nem entenderem sua linguagem, nem terem notícia daquela terra, como agora, porque bem os podia aí levar o vento, e água, como vemos que trazem as almadias de Quiloa, Moçambique, Sofala, a ilha de sancta Ilena [Santa Helena], que é um ponto de terra, que está naquele gram mar daquela costa, & Cabo de boa esperança tão separada. 

No anno de 1300. depois da vinda de Christo, o gram Soldam [sultão] do Cairo: mandou que tornassem as especiarias, drogas, mercadorias das Índias ao mar Roxo, como em principio costumavam: somente que desta vez desembarcavam da banda de Arábia, e porto de Iuda [porto de Meca, Jidá], as levavam à casa de Meca, e as caravanas que iam a ela em romaria as traziam donde cada um era, por enobrecer sua terra, principalmente a cidade do Cairo, donde as passavam pela provincia do Egipto, Libia, Africa, ao reyno de Tunez, Tremecem [Tlemcen], Fez, Marrocos, Sus, algumas levavam além dos montes Atlanticos à cidade de Tungubutum, & regno dos Ialopsos [reino dos Jalofos], até que os Portugueses as trouxeram pelo cabo de boa esperança à nossa Cidade de Lisboa, como se dirá a seu tempo. 

No ano de 1344 reinando dom Pedro Daragam [Pedro IV de Aragão] o quarto dizem os coronistas [cronistas] de seu tempo, que lhe pediu ajuda dom Luys de la cerda  neto de dom Ioam de Lacerda para ir conquistar as Ilhas Canárias que estão em vintoito graus desta mesma banda, por lhe serem dadas pelo Papa Clemente vj [VI], natural de França. E segundo isto já naquele tempo havia muita notícia daquelas ilhas por toda Europa, quanto mais em Espanha, porque tamanhos príncipes não se haviam de mover a esta empresa sem muita certeza. 

Também querem que neste meio tempo fosse a Ilha da Madeira descoberta, que está em trinta & dous graus, por um Ingres [inglês] que se chamava Machim, que vindo de Inglaterra para Espanha com uma mulher furtada, foram ter à Ilha com tormenta, e surgiram naquele porto que se agora chama Manchico [Machico], de seu nome tomado, e pela amiga vir do mar enjoada saiu em terra com alguns da companhia e a nau com tempo se fez à vela, e ela faleceu danojada. Machim que a muito amava para sua sepultura fez uma Ermida do bõ Iesu [Bom Jesus], e escreveu em uma pedra o nome seu, e dela: e a causa que os ali trouxera, e pôs-lha por cabeceira: e ordenou um barco do tronco de uma arvore, que ali havia muito grossos, e embarcou-se nele com os que tinha, e foram ter à Costa Dafrica sem velas, nem remos. Os mouros houveram isto por cousa milagrosa, e por tal os apresentaram ao Senhor da terra, e ele pela mesma causa os mandou a el rey de Castella. 

No anno de 1393 reinando em Castella el rey dom Enrique III, pela informação que Machim desta Ilha dera, & a nau de sua companhia, moveu a muitos de França, e Castella irem a descobri-la, & a gram Canaria, principalmente Andaluzes, Biscainhos, Lepuzcos: levando assaz gente, e cavalos, mas não sei se foi isto à sua custa, se del Rey: como quer que seja, querem que fossem os primeiros que houvessem vista das Canárias, & saíssem nelas, & cativassem cento & cinquenta pessoas: outros querem que fosse isto no ano de 1405.

(continua)
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