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_____________ Comentário de Amélia Saavedra (29 Janeiro 2014)

Encontrar um fio condutor na história da humanidade é obra… não é tarefa fácil, pois temos que incluir uma infinidade de variáveis. É muita informação para analisar… e absorver.
Desde as variáveis físicas/naturais…a começar pelo próprio corpo humano (o que temos de único – o cérebro; as nossas limitações físicas – que nos impeliram a desenvolver instrumentos/tecnologia), passando pela geografia (morfologia, hidrografia, clima, etc.) até às variáveis históricas, sociais e económicas… É uma infinidade de informação… e como se isso não fosse suficiente, ainda temos que considerar o que está lá “fora”… do nosso planeta… É mesmo muita informação!

A nossa origem ainda é uma incógnita, mesmo para a ciência (apesar das inúmeras descobertas feitas, nomeadamente na genética, a questão é que ainda não temos uma resposta única).
Depois há que ter em conta a capacidade extraordinária do ser humano em adaptar-se ao meio envolvente. Logo aqui conseguimos perceber as diferenças que (ainda) existem entre os vários povos no mundo. Vejam os vários exemplos de sociedades que resultam das especificidades locais, como por exemplo: desertos, tundras, estepes, savanas, montanhas, ilhas, etc. A presença de rios e o acesso ao mar também têm um grande impacto – são as chamadas localizações estratégicas ou privilegiadas que fazem com que certas cidades e países tenham uma maior importância face a outros locais. Não esquecer, além da água e dos alimentos (plantas e animais), outros recursos naturais, como os minerais (ferro, cobre, ouro, prata, crude, etc). Não há sociedade que não necessite de consumir energia. Tal como o ser humano precisa de energia (comida e água) para viver, também as civilizações não conseguem sobreviver sem fontes energéticas. E foram diversas as fontes de energia que fizeram florescer e aniquilar impérios ao longo da história (dependendo do tipo de recursos surgiram tipos diferentes de rotas comerciais – por terra e por mar). 

Temos então os registos históricos (que já percebemos serem facilmente moldados conforme as conveniências politicas, económicas e até mesmo religiosas) que vão desde os registos fósseis, passando pelos arqueológicos, culturais, etc.
São muitos eteceteras…. ;)
Juntar estas peças todas de forma ordenada e cronológica não é tarefa fácil. Além de que todas elas marcaram e marcam a nossa forma de pensar e de estar no mundo. Estamos condicionados, mais do que possamos pensar (ou até aceitar) … A somar a isto, temos a variável mais critica – a variável humana (o factor humano que é de natureza por vezes imprevisível).
_____________

As questões abordadas neste comentário são muito pertinentes, questionando a possibilidade de enquadramento global pela inerente complexidade global. Como esse é o propósito primeiro deste blog - o enquadramento global, importaria questionar a possibilidade disso, desde logo.

Poderia ser algo demagógico e referir que a imensidão do mar não foi impedimento de construir um batel para nos aventurarmos nele, e tem sido um pouco essa a nossa postura face a grandes desconhecidos - ter consciência do desafio, mas não temer naufragar na primeira vaga, ainda que se possa meter alguma água.
Porém, parece-me mais adequada outra imagem. Podemos perder tempo a analisar cada um dos detalhes com que nos deparamos, mas qual é o referencial global para isso?
Ou seja, caminhamos pelo simples acidente casual da inspiração que nos faz inventar ou descobrir coisas, ou há uma lógica nessa pesquisa, que não é o simples acaso de uma invenção suceder a outra, uma descoberta suceder a outra?
Foi por aí que decidi ir há quatro anos atrás, pelo questionar se haveria uma lógica global. Por um lado a lógica global na maquinação humana - associada à "teoria da conspiração". E é engraçado o teor pejorativo que o termo ganhou, porque todo o historiador tem que reconhecer as múltiplas conspirações que sempre existiram na História, mas por outro lado é quase proibido pensar que hoje existe, ou que foi prolongada por quase todo o tempo histórico.
Ou seja, quem fala em pequenas conspirações é historiador, quem fala em grandes conspirações é maluco... Ora, sendo inquestionável a presença de conspirações ao longo da História, só há uns interessados óbvios em que não se fale em conspiração - são os conspiradores!

Isso é pelo lado humano, mas o que mais me surpreendeu foi começar a ver uma lógica que transcendia a própria componente humana conspirativa. Ou seja, se os humanos trabalhavam ardilosamente, quais abelhinhas, numa conspiração que servia interesses dalguns, desenhava-se uma outra "conspiração", muitíssimo mais poderosa, que usara múltiplos mecanismos evolutivos, dos quais os humanos eram apenas o resultado mais recente. Poderia falar-se em "conspiração divina"? Talvez, ou ET, conforme os gostos, mas ainda que isso fosse uma parte explicativa, não era suficiente... antes da galinha há sempre o ovo, e antes de qualquer Fénix há sempre a sua geração. Antes da inteligência houve o não-inteligente. Por muitas semelhanças que se vejam, há sempre diferenças, porque o processo informativo é uma espiral sem fim. Não devemos afundar na simplificação do remoinho de Caribdis, nem permanecer imóveis dirigindo-nos contra a rocha de Scila... há um compromisso entre o querer tudo conhecer e o recusar conhecer.
Assim, o próprio processo do acordar da consciência é inerentemente conspirativo, e replica a sua estrutura, fecundando incessantemente novos filhos, sempre semelhantes, sempre diferentes. E isso é natural, é matemático, é lógico, é inevitável. O Universo é uma mulher caprichosa, e o Homem (com letra maiúscula) saiu duma sua costela. Porquê? Porque esta bela rainha precisava de um espelho, que não fosse apenas uma réplica de si mesma. As réplicas seriam iguais, mas havendo diferença teriam que ser criados olhos que o vissem. Haverá alguém mais bela que eu? Oh, minha rainha, se não vemos maior perfeição é pelos pobres olhos que nos deste... resposta errada! Como poderia alguém perfeito fazer tal imperfeição? Por isso, e como não queremos apanhar com a ira de tal potência caprichosa, devemos lembrar Vénus que tem no passado o perfil fecundo da mãe neolítica, como presente a graciosidade da amante grega, mas será também uma filha com futuro. Por isso há um entrelaçar de papéis, numa história complementar entre ovo e galinha, entre masculino e feminino.

É claro que as ideias seriam todas equivalentes, mesmo as mais absurdas, quando não se tem um referencial de raciocínio... e isso pagou-se caro, com a vida. Raciocínios desajustados à realidade eram colocados "fora de jogo" rapidamente, pela pragmática sobrevivência. A partir desse momento, as ideias não passaram a ser todas equivalentes. Umas ajustam-se mais que outras à lógica que presenciamos. Não creio que a nossa origem seja nenhuma incógnita. Mas haverá sempre quem persista em manter dúvida sobre tudo... quem persista em ideias absurdas, e até isso se pode compreender como necessário, faz parte das contradições e dúvidas que esse grande feminino exige à certeza da boa escolha no pequeno masculino. No fundo, a cognição presente evidencia a imperfeição passada, e a ideia da perfeição futura permanecerá como canção do bandido... até que seja unânime, não o podendo ser. Complicado, mas natural.

Portanto, há um avanço pelo detalhe, pela análise, em que a ciência faz o seu papel, mas é bom não descurar o avanço pelo geral, pela síntese, mais próprio da filosofia. As duas coisas em simultâneo não será possível, aí seria a tal pretensão do conhecimento universal, esmagador, fora de alcance.
Mas há essas duas componentes, a multiplicidade da divisão na análise, no detalhe, que vejo como lado feminino, e uma visão mais unitária, sintética, determinada, pelo lado masculino, com vista a uma conciliação. É claro que uma é sempre alvo de crítica da outra. Uma não se ajustará logo à outra.
Mas alguém quereria que a história terminasse? Onde ficaria o futuro?

Lá está, acabei por parar a série "Estória Alternativa", porque cedi ao lado do detalhe, e em vez de prosseguir no âmbito geral, comecei a tentar colar todos os detalhes... algo manifestamente desajustado nesta fase.


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publicado às 17:59


3 comentários

De Amélia Saavedra a 03.02.2014 às 12:34

Mais um artigo interessante.

E já tentou juntar as peças todas? É que esse exercício pode trazer mais alguns "insights" à visão global que já possui... se bem que é uma tarefa infindável, pois estão sempre a surgir novas (ou velhas) peças...

O seu trabalho é notável... Confesso que não tenho a mesma capacidade para empreender tal obra.

Na minha modesta opinião e focando somente no ser humano, deixando de lado questões mais filosóficas, a necessidade é que faz e tem feito o engenho... E é com esta premissa que o ser humano tem consigo adaptar-se ao meio que o envolve, mas também fazer adaptar o meio à sua imagem - é uma espécie de relação dialética.

Se no início o imperativo foi a sobrevivência, com o tempo juntaram-se outros imperativos. Com a agricultura e posterior sedentarização (uma forma eficaz e eficiente mas igualmente perigosa de garantir uma sobrevivência mais confortável e com menos esforço), tornou-se imperativa a necessidade de organizar/ordenar a sociedade e aqui podemos começar a falar de conspirações. A diferenciação entre indivíduos será necessária não só para dividir tarefas/funções para o melhor funcionamento de toda uma estrutura que com o tempo se torna cada mais complexa e sofisticada (se bem que sempre houve interregnos – acidentais ou não – entre as diversas civilizações – o imperativo de se fazer pausas ou resets?), mas também para garantir que a sociedade se mantenha una e leal – e é aqui que entra o misticismo, religião, ciência, cultura e a conquista e manutenção do poder/status. É imperativo que o povo partilhe os mesmos códigos (culturais, religiosos, etc.) – a necessidade de pertença ao grupo é natural no ser humano. E essa necessidade tem sido bem aproveitada por quem detém e quer continuar a deter o poder com o objectivo imperativo de que o povo (sociedade) caminhe numa determinada direcção e que trabalhe para um determinado fim ou fins.

Continuação de um excelente trabalho…

De Alvor-Silves a 03.02.2014 às 21:06

Cara Amélia,
certamente que a uma pessoa não é possível juntar as peças todas, basta-me ter a sensação de que elas não estão a ir contra o que tenho presente, no momento em que as escrevo. Esqueço-me sempre de algumas coisas, mas se vou perder tempo a mostrar como os detalhes podem colar, vou sair do objectivo, e vou divagar por mais hipóteses, em cima de hipóteses.
Este tipo de coisas não se faz por encomenda... ou se está verdadeiramente motivado, ou nem vale a pena começar. Acabava por ser um vício, que foi alimentado pelo facto de as coisas terem colado naturalmente, umas atrás das outras. Isso começou nos descobrimentos portugueses. Há muito que me convenci da farsa, e por isso deixei de procurar detalhes adicionais... é indiferente ter 100 ou 1000 argumentos, a partir de uma quantidade esmagadora de provas, é indiferente.
Já muito diferente é a situação anterior à época dos descobrimentos, porque começa logo por ser tudo informação repiscada da antiguidade, por cópias, etc... não tem acesso aos originais, excepto algumas inscrições em pedra.
Porém, como dizia o José Manuel, um dos problemas com o egípcio, hebreu, etc... é a supressão de vogais, uso de abreviaturas, etc.
Mesmo nalgumas inscrições latinas, quando se usam abreviaturas, fica-se no domínio da crendice. Dei aqui o exemplo de St. Ursula, em que a abreviatura XI M V tanto podia ser 11 mártires virgens como 11 mil virgens, tendo ficado a história das 11000 virgens. Se é assim em língua latina, podemos ver a confusão que reina nas outras traduções.
Ninguém questiona, porque pouca gente aprende, e quem aprende não questiona quem lhe ensina. Se tiver dúvidas pergunta e acredita. Não há massa crítica para duvidar.
Assim, se vir algumas designações egípcias, tem vários conjuntos de símbolos para o mesmo deus, o que pode ser natural, ou conveniente.
De qq forma, é uma posição fácil duvidar, porque me poupo ao trabalho de aprender. Mas, de facto, já me vi enganado por traduções para o inglês de autores gregos e romanos. Sei o suficiente para detectar erros grosseiros, mas não erros normais, mesmo assim prefiro ir pelas fontes greco-romanas do que pelas novas interpretações de símbolos egípcios, sumérios, etc...
Para se fazer um trabalho minimamente decente no detalhe, teria que aprender imensas línguas, por exemplo, os símbolos chineses, algo que manifestamente sai fora do meu interesse imediato. Logo, isto não é para ser levado mais a sério do que pode ser... ou seja, serve para questionar o que é ensinado, mas não serve para o substituir.
Agora, a minha motivação é esta - quebrando a confiança no que é dito, preciso de o substituir, seja pelo que for, desde que faça mais sentido do que aquilo que foi vendido.
Se puder seguir a versão oficial, é um descanso... mas quando ela é contraditória ou omissa, não me vou enganar a mim mesmo, e preciso de encontrar alternativas.

De Alvor-Silves a 03.02.2014 às 21:06

Depois, o mais surpreendente, e não me tem parado de surpreender é a ajuda da língua, especialmente portuguesa...
Ainda agora, acabei de escrever o outro texto sobre a hipótese que o Paulo Cruz trouxe - da Lua recente.
Ontem, reparei que usamos a designação de "Lua Nova"... e agora pergunta-se, porquê "nova"? - se isso até corresponde à ausência de ver a Lua.
É claro que se pode justificar com o aparecimento de novo ciclo, mas não deixa de ser curioso. Acresce que a designação "crescente" poderia efectivamente corresponder não só a um aumento da luz, mas também a um aumento de tamanho, antes da estabilização. A Lua, a ter sido capturada pela gravidade terrestre, foi justamente no momento em que houve Lua Nova. Antes disso, começaria a ser vista em quarto crescente, aproximando-se enormemente em Lua cheia, e desapareceria em quatro minguante. Só voltaria a ser vista passados vários meses. Isto, é claro, de acordo com a hipótese que coloquei...

A dialética é palavra certa, porque há até um ajustamento entre o que vemos e o que queremos ver. O "querer" é herança genética e cultural... genética nos instintos, cultural nas manias. Mais uma vez uma mistura de herança da mãe-Terra com o pai-Homem.
Progressivamente a sociedade caminhou no sentido ridículo de se libertar do cordão umbilical à mãe-Terra, querendo-se substituir por uma artificialidade em quase tudo. Só que aqui se vê como o Homem é infantil no subconsciente, e acredita no Pai Natal. A artificialidade é ela própria um presente da mãe-Terra... e tudo parece como aquelas mães que compram o presente para os filhos (neste caso um Lego atómico), e deixam que os filhos julguem que foi o Pai Natal que trouxe.
E depois qual é a finalidade do Homem?
Eu estava muito bem na minha vidinha, e a sociedade até poderia caminhar num sentido de remediar muitos erros inerentes, mas o problema é que não quis. A queda do muro de Berlim, não foi o fim das hostilidades, aliás agudizou a crise social na Europa ocidental. A partir do momento em que vemos o nosso trabalho não ser usado para fins positivos, devemos questionar a sociedade, que cada vez se desequilibrou mais. O progresso científico passou a estagnação, tirando o caso da informática e medicina.
As ocultações históricas propositadas, foram para mim novidade há quatro anos, mas há muito que eu sabia das ocultações científicas, e não é só por razões comerciais, é mesmo por razões sociais. A questão energética é óbvia - há interesse em limitar as opções, e por isso se fez do nuclear um fantasma.
Mas, é claro que é fácil criticar, não vendo o quadro global de birras internacionais, mas como é óbvio, se vemos apenas criancices, devemos entender que estamos perante crianças que não sabem bem o que fazer com o poder lhes foi dado, e como tal podem ser perigosas... especialmente para si próprias, mas isso é a outro nível.
Mais uma vez, obrigado pelos comentários.

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