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Na sequência de um comentário de OMC sobre o alelo genético HLA A25-B18-DR15, que será uma particularidade portuguesa, seguiram-se uma série de respostas de Maria da Fonte, José Manuel Oliveira, e João Ribeiro, que levaram a diferentes tópicos, em particular à presença neandertal.

Há o que se Queria, e há o que se Cria. Esse é o processo da Criação.
A Criação está reportada na Bíblia no capítulo do Genesis
Sim, não é no capítulo dos Genes, mas digamos que não queremos também que as coisas estejam escarrapachadas tão literalmente que nem seja preciso fazer um esforçozinho para as ler adequadamente.

Ninguém tem grandes dúvidas que os humanos tomaram nas suas mãos a Criação, pelo menos a Criação de animais domésticos. Fizeram-no de tal forma, que foram apurando as raças à sua melhor conveniência. Os animais silvestres ficaram dóceis e cada vez mais produtivos, tendo em vista o objectivo dos criadores... fosse esse objectivo a força de trabalho, a carne, o leite, o queijo, etc.
Podemos pensar que os humanos apenas fariam isso com animais, mas não haveria verdadeiramente nada que impedisse que o fizessem também com outros humanos.
Para guardar animais é normalmente construída uma Cerca, e ninguém lhe chama Jardim, muito menos lhe dá o nome de Éden, mas ainda que o dono da Cerca forneça toda a alimentação, e uma vida razoavelmente facilitada, onde os animais não têm que se esforçar para a subsistência, nós funcionaríamos como serpentes se avisássemos os animais domésticos que as intenções do dono podem não ser exactamente as melhores. É claro que alguns animais domésticos, tão reconhecidos pela generosidade do seu criador, que lhes fornece tudo o que precisam, a troco de nada, dificilmente acreditariam nessas informações serpentinas... seriam certamente motivadas pela inveja da serpente não ter sido escolhida para domesticação, mas isso é outra história. Os gatos podem ser desconfiados e solitários, mas os canídeos exibem um grau de fidelidade notável, mesmo com criadores perversos.

Claro que a utilização de humanos como "animais domésticos" acabou por se instituir de forma estranhamente natural, sob a designação de "escravos", mesmo em sociedades pretensamente democráticas, como na Grécia. Só raros espíritos livres, como Aristófanes, eram suficientemente audazes para ridicularizarem essa "democracia". 
Não se tratando de nenhuma "engenharia genética", mas sim de uma simples "engenharia sexual", reprodutiva, os animais foram sendo desviados duma "selecção natural", e foram conduzidos para uma Criação orientada, visando certos objectivos. Tal como os vencedores de corridas de cavalos são escolhidos como garanhões, no comércio esclavagista houve venda selectiva de escravos visando aumentar a resistência e a força de trabalho da sua prole.
Ou seja, em "criação" ouve-se também "queria são", se queria um corpo são, como sua criação. Ou ainda lê-se "que ria são", para uma mente sã que o "cria são".

Portanto, não precisamos de nenhuns Anunaki (nascidos de Anu, Anu-nasci), também ditos Anedotos (dotados por Anu), de origem extraterrestre, para pensar em malta que quisesse fazer engenharia sexual, tendo em vista um apuramento racial. Bastava que alguns fizessem com os humanos o mesmo que tinham feito com os animais... seleccioná-los pelas suas características. 
Estas ideias de "criação" ainda não desapareceram. Têm o nome de Eugenia e foram consideradas pelos nazis na tentativa de melhorar a pretensa "raça ariana", e fazem parte ainda de uma certa paranóia judaica, que levou a sério a sua criação domesticada pelo Senhor, com vista a vencerem talvez algum concurso de "povo eleito" entre a carneirada, e assim escaparem ao sacrifício pascal.

No caso humano, após a "engenharia sexual", apostou-se na "engenharia social", como forma de optimizar a produção "animal". Senão vejamos... é dispendioso ao dono dos animais assegurar a sua subsistência. Seria muito melhor se os animais domésticos tomassem isso a seu cargo, e continuassem a trabalhar com o mesmo empenho como bestas de carga. Com os humanos conseguiu-se isso na Idade Média usando o estatuto de "servo". Ao contrário do escravo, o dono do servo não se preocupava com a alimentação deste, e recebia à mesma o fruto do trabalho, pelo imposto. 
Aplicado a um burro, este deixava de ser chicoteado para levar a carga... passava a levar a carga de livre vontade, sabendo que só comeria cenouras se o fizesse... porque o campo das cenouras era do Senhor.
O problema nesse caso é que ficava demasiado evidente que o fruto do trabalho ia parar ainda ao Senhor, e assim não era muito produtivo. Os camponeses trabalhavam poucos dias por ano, e tinham imenso tempo livre. 
Muito melhor foi a passagem para o estatuto de "cidadão", onde o homem poderia gerir o seu tempo para obter riqueza pessoal... ainda que tivesse que trabalhar todos os dias. 
Aplicado ao burro, seria como se o burro à conta de receber elogios do Senhor, e cada vez mais cenouras, trabalhasse cada vez mais afincadamente e com mais entusiasmo, pedindo até mais carga. 
Estranhamente os burros não trabalham mais se os elogiarmos, se aparecerem na televisão, ou se lhes dermos a última albarda da moda... mas resulta muito bem com humanos! Mais estranho ainda, não encontramos burros capazes de inventar chicotes mais eficazes, para aumentar a produção dos burros, a troco de receberem elogios e prestígio na comunidade asinina.

Bom, mas isto é o aspecto da "engenharia social" dos últimos séculos, verdadeiramente eficaz.

Regressando ao aspecto da "engenharia sexual", convém notar que, exceptuando uma imposição pela força, a escolha de parceiro sexual foi definida naturalmente na natureza como sendo uma opção feminina. Portanto, a evolução genética depois de ser definida por critérios irracionais, instintivos, passou a ser uma opção inteligente, definida por mulheres inteligentes.
Podemos considerar que foi tudo aleatório, e sem nenhum propósito particular, mas atendendo a que há registos de primitivas sociedades matriarcais, dando efectivo relevo ao aspecto da procriação, ou melhor... da Criação, não devemos excluir a hipótese de que a evolução humana, do nosso ideal de beleza, tenha resultado de uma escolha consciente e inteligente, nem sempre irracional, feita pelo lado feminino.

Aspectos dessa prevalência matriarcal são as Vénus paleolíticas
Vénus de Dolni-Vestonice (Rep. Checa) e Vénus de Hohle Fels (Suévia alemã)

sendo ainda notado (documentário indicado por J. Ribeiro) que se tratou de uma transição abrupta, que marcou a diferença evolutiva e a posterior extinção,,, do homem de Neandertal.
Além disso (conforme notado pelo José Manuel), a presença de uma estatueta que é chamada "homem-leão", mas que é muito mais provavelmente uma "mulher-leoa", encontra notável consonância numa estatueta de Çatal Huyuk, onde vemos uma matrona dominante sentada num trono e ladeada por dois leões (ou leoas...):
Estatuetas de mulher-leoa (Suévia alemã) e matrona com leoas em Çatal Huyuk (Turquia)

Há uma mitologia suméria coincidente com a passagem de uma sociedade matriarcal para uma sociedade patriarcal, que provavelmente coincide com a passagem do Paleolítico para o Neolítico.
Na mitologia babilônica a morte de Tiamat pelo deus Marduk, que divide seu corpo em dois, é considerada um grande exemplo de como correu a mudança de poder do matriarcado ao patriarcado: "Tiamat, a Deusa Dragão do Caos e das Trevas, é combatida por Marduk, deus da Justiça e da Luz. Isto indica a mudança do matriarcado para o patriarcado". A mitologia grega também apresenta Apolo matando Píton, e dividindo seu corpo em dois, como uma acção necessária para se tornar dono do oráculo de Delfos 
in wikipedia, citando Gateways to Babylon. 
Depois dessa prevalência das sociedades femininas no Paleolítico, a estrutura social estabilizando-se com exércitos bélicos, de guerreiros masculinos, só terá tido o seu contraponto com a mítica presença das Amazonas em paragens da Cítia, que ainda terão feito Ciro perder a cabeça às suas mãos.

Portanto, é de considerar que na confluência entre Homo Sapiens e Neandertais, se tenha efectuado um apuramento de raça, conduzido conscientemente pelo lado feminino, talvez com apoio de xamãs. Assim, ao invés de um deus barbudo criador, poderia ser mais adequado uma deusa matrona feminina criando e seleccionando, como depois se iria fazer na domesticação animal. Na versão masculina que nos chegou da Bíblia, a vontade de criar um homem puro e casto, terá sido contrariada pela vontade feminina de manter na prole uma inteligência não completamente burra, o que poderá ter sido visto como uma tentação viperina... que estragou a colheita. Essa vontade de pureza aparece depois repetida aquando do degelo, que terá levado a sucessivas inundações, vistas como dilúvio, após a Idade do Gelo. Feita a selecção física, o que interessaria seria uma selecção moral, que evitasse um contínuo conflito humano... essa tentativa de selecção genética, condicionada pela moral, é essencialmente o que transparece na história bíblica, desde o Genesis.
Esse seria muito provavelmente o grande desígnio de orientação dos xamãs, que teriam conseguido evitar uma completa chacina e extinção humana em territórios da Oceania, fazendo algo tão simples como confundir as línguas (a Papua - Nova Guiné tem 800 línguas), e mantendo um controlo submerso acima de qualquer controlo visível.


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publicado às 07:57


59 comentários

De João Ribeiro a 31.08.2016 às 13:42

Em qualquer espécie animal essa escolha pelos melhores genes acontece. Por norma só os mais aptos, saudáveis e fortes conseguem copular. As fêmeas escolhem instintivamente o melhore pai possível para a sua prole, é uma escolha natural e instintiva. É normal que na espécie humana tenha acontecido o mesmo ainda que supostamente entre raças diferentes. Tendo em conta que se vivia em maior contacto com a Natureza, maior seria a força desse instinto. Não tenho é a certeza de ter sido (apenas) as fêmeas Neandertais a fazer essa escolha e não as fêmeas Sapiens. Facilmente uma fêmea Neandertal poderia suprimir em força um Homo Sapien masculino... Enfim lá que se cruzaram, cruzaram. Temos o ADN como prova disso.

Ab

De Alvor-Silves a 31.08.2016 às 16:59

Sim, de acordo, João Ribeiro.
Nos anteriores comentários sugeri que as matronas fossem possivelmente Neandertais, mas neste texto já não especifiquei nada sobre esse assunto, porque não me parece haver matéria para concluir num sentido ou noutro. Mas, um dos pontos no sentido neandertal era justamente esse que apontou - as mulheres neandertais seriam muito mais fortes fisicamente que as correspondentes sapiens.
Por outro lado, se fossem os neandertais macho a imporem-se sobre as belas sapiens, digamos que a sociedade perderia o seu foco de estabilidade, e o ideal de beleza retratado não seria propriamente o daquelas Vénus.

Agora, não me parece é que a escolha tenha sido apenas "natural e instintiva".
Aliás, o ponto deste texto é mesmo sugerir o contrário.
O que é normalmente sugerido é que as Vénus representavam apenas um desígnio reprodutivo, fosse ele qual fosse. Só que a partir do momento em que há inteligência, não se pode falar apenas em escolhas instintivas. Isso mesmo assim nada significaria, se as escolhas fossem apenas individuais e não relacionadas. Agora, o que as Vénus sugerem é que o foco na reprodução não era individual, era social, e portanto muito mais determinante no efeito.

Este foco inteligente na orientação da procriação é apenas a hipótese alternativa a considerar que foi tudo instintivo e acidental. Acho que merece tanta ponderação quanto supor que foi só instinto, ou mais, dado que se instituiu como factor social inteligente.

Se a reprodução tivesse visado apenas o aspecto físico, teria sido muito mais simples e rápido de alcançar.
Porquê? Porque nesse caso praticamente iriam seleccionar-se apenas para reprodução as pessoas com um determinado aspecto, e a partir de um casal único ou pouco mais que isso, iria gerar-se uma quantidade imensa de descendência similar... ou seja, os descendentes seriam tão parecidos entre si quanto nos parecem os chineses.
Portanto, para além de não ser de excluir que tal "jardim" tenha sido experimentado na China, não foi certamente com este ideal de beleza, já que será difícil encontrar Vénus chinesas com o aspecto retratado nas esculturas.

Assim, não me parece que possamos ver essas Vénus como ideal de beleza, que ultrapassa largamente em matéria fofa as jovens roliças de Rubens. Havendo um foco reprodutivo, parece até que seria de âmbito muito largo quanto ao corpo, o que conviria à parte feminina menos elegante, que não se ajustaria ao padrão sapiens.
Seguindo a história bíblica, o que parece ter preocupado a herança da espécie, ou pelo menos de parte dela, terá sido uma selecção orientada por valores morais. Só que isso, como me parece óbvio, não seria algo alcançável geneticamente, ainda que tal coisa não pudesse ser sabida no início, se fosse julgado que a moralidade era herança genética... ou seja que pais bons dariam filhos bons, tal como pais louros davam filhos louros.

Abç

De João Ribeiro a 01.09.2016 às 14:07

Olá,

Na minha maneira simplista de ver as coisas penso que, tenham sido as sapiens ou as neandertais, a escolha do parceiro mesmo que fosse intencional, se não lhe quiser chamar "natural ou instintiva" chame-lhe normal. Uma vez que tenham coexistido as duas espécies porque não alargar o leque de escolha? Na Natureza as fêmeas escolhem sempre os mais "aptos" para procriar. Os animais escolhem os mais aptos como os mais saudáveis ou fortes, nos humanos da época talvez os mais aptos fossem aqueles que melhor hipótese de sobrevivência lhes parecesse. Fosse pela força, inteligência, coragem, astúcia ETC. Como a mulher leoa da suévia até é bem esbelta, pode ter acontecido ambos os casos. Parece que os neandertais também conseguiam manufacturar instrumentos. Nada nos diz que em cada grupo existiria apenas uns destinados à reprodução e outros proibidos disso. Sabemos que ao contrário dos lobos o ser humano não funciona assim. Todos à excepção de uma hipotética líder ou macho líder que poderiam escolher qualquer parceiro do grupo, os restantes provavelmente andariam por essas florestas fora no truca truca. Portanto essa hipótese de existir apenas um casal que gere pessoas todas parecidas não me parece verosímil. Resumindo: Uma vez que foram escolhas feitas com inteligência e moral, tendo em conta que cada um tem os seus gostos, e o que é uma característica fundamental num homem para uma mulher não o é para a vizinha, penso que houve mistura de todo o tipo, apenas os sapiens seriam mais que os neandertais e por isso temos tão pouco ADN neandertal. Isto não invalida nem trás nada de novo ao seu texto são duas maneiras de ver as coisas. A minha mais banal, admito.

Ab

De Anónimo a 02.09.2016 às 00:07

https://www.youtube.com/watch?v=cCOQxlo7i2E

Cpts.

José Manuel

De da Maia a 02.09.2016 às 12:05

Sim, em termos de funcionalidade, as ferramentas neandertais eram eficazes, e a passagem de "pedra lascada" a "pedra polida" (típica do Neolítico) não terá sido um ganho funcional, mas muito mais um ganho estético...

Uma dúvida, que não parece estar bem esclarecida, é a de saber se houve de algo de muito inovador por parte dos Sapiens antes do contacto com os Neandertais.
Aparentemente não há propriamente registos de invenções Sapiens que os Neandertais não usassem também, antes desse contacto. Ferramentas com ossos pareciam ser típicas dos Sapiens, mas parece que foram agora encontrados registos Neandertais mesmo anteriores... levando à pergunta noutro sentido - teriam sido os Neandertais a ensinar os Sapiens?
http://www.livescience.com/38821-neanderthal-bone-tool-discovered.html

https://www.newscientist.com/article/mg22029432.800-worlds-oldest-string-found-at-french-neanderthal-site#.Uvfld_ldUYk

Estas coisas mudam consoante as descobertas, as datações e as interpretações... ainda tendo que se considerar que houve (e há) toda uma política de ocultação.

Uma linha cronológica de descobertas/invenções:
http://www.eupedia.com/europe/timeline_human_evolution.shtml
é sempre muito instável, porque basta um novo achado para tirar a invenção a uns e colocar noutros. O pior nisto é a tendência de quem apoia as teorias dominantes, que faz muito esforço para negligenciar o que é novo, e por outro lado quem quer lugar ao sol, tende a negligenciar as descobertas anteriores, para impor uma nova.
Além disso, como é habitual, misturam-se interpretações com conclusões. O link é bom até porque aponta as fontes, mas seguindo as fontes, nem sempre a conclusão corresponde taxativamente ao que foi dito na fonte.
Ou seja, permanece uma grande confusão mesmo no que está aceite oficialmente.

Quanto à estatueta, eu vejo-a mais como leoa-mulher do que mulher-leoa, ou seja, seria mais uma leoa em pose humana (note o pequeno tamanho das pernas relativamente ao corpo, e a forma das patas que não parecem pés nem mãos...), do que uma mulher armada em leoa (ou homem armado em leão).

O exemplo do lobo é bom, eu acho que pode ter ocorrido uma coisa desse género, e justamente por não ser muito natural entre primatas, é que eu diria que só teria ocorrido por estratégia social, e isso levaria a um distanciamento maior e definitivo entre os hominídeos sobreviventes e os restantes primatas.

Abç

De João Ribeiro a 02.09.2016 às 13:35

O interessante é estar tudo ainda esclarecer :)

https://en.wikipedia.org/wiki/Neanderthal_genome_project

Aproveito para agradecer os seus links e o do caro José Manuel sobre a vida em Marte.

Vou ali ao lado, noutro seu tópico expor-lhe uma dúvida.

Ab.

De Anónimo a 02.09.2016 às 15:39

Há duas coisas que arrasam definitivamente a versão oficial do africano sapiens evoluído vindo de África se impor ao troglodita neandertal:
1) o homem de Neandertal era agricultor (campos de cultivo na Alemanha) era essencialmente vegetariano.
2) o homem de Neandertal tinha um cérebro maior que o sapiens (provavelmente mais inteligente que o sapiens africano)

Isto meus caros é como as bibliotecas das antigas civilidades, o ser humano não admite que a geração anterior possa ser superior, vanidade humana leva a destruir todo o passado, afinal o leão aproveita a ausência da leoa para destruir a progenitura de outro e deixar os seus genes para a posteridade, a força prevalece sobre tudo, se o neandertal era mais forte e desapareceu foi por outras razões ainda não determinadas, penso que a era glacial os reduziu a um número não viável, com o degelo os sapiens africanos (eram morenos de olhos azuis, não pretos ) invadem a Europa e absorvem a espécie neandertal.

Boas leituras
Cumprimentos
José Manuel

L'homme de Neandertal n'était pas que carnivore
http://www.20minutes.fr/sciences/644406-20101227-sciences-l-homme-neandertal-carnivore

L'homme de Néandertal n'était pas « compatible » avec l'homme moderne
http://www.ouest-france.fr/sciences/lhomme-de-neandertal-netait-pas-compatible-avec-lhomme-moderne-4151197

De João Ribeiro a 02.09.2016 às 17:07

Ninguém o diz, digo-o eu correndo o risco de ser mal interpretado. As coisas são como são e não há mal em se falar delas sem preconceito.

Estabelecendo um paralelismo com a instinção do neandertal europeu com a vinda do homo sapiens de África, não estamos nós hoje em dia a testumunhar uma mudança idêntica? Óbvio que não existe raças nem espécies humanas mas existem fenótipos e esse é o paralelismo mais próximo que conseguimos com os acontecimentos que falamos de à 40 mil anos atrás.
Quero dizer, não estamos nós a receber população africana em número suficiente para nos mudar em todos os sentidos? Físicos, morais, intelectuais, culturais, artísticos, etc...? Não são os Africanos mais numerosos do que nós a nível mundial e a população “branca” a minoria? Penso então que dá para estabelecer um paralelismo em termos modernos.
O que aconteceu aos neandertais que foram absorvidos pelos mais numerosos homo sapiens irá eventualmente acontecer com o “branco” face ao “negro”. É de conhecimento geral que pela norma filho gerado de branco e negro nasce negro, um pouco esbatido mas as características são evidentes. Dos “brancos” irá restar algumas características muito esbatidas no futuro homem moderno mundial, miscegenado entre todos fenótipos mundiais, maioritariamente negro e asiático. A História é cíclica. Se Portugal servir de exemplo do resto do mundo e pelo menos na Europa central e EUA acontece o mesmo, vejo inúmeros casais mistos, maioritariamente de macho negro e fêmea branca e não são casos residuais ou esporádicos, são inúmeros. Falo pelo menos na zona de Lisboa, a maior maternidade do País. Por isso a escolha das fêmeas neandertais de que o caro Da Maia fala, pode muito bem estar a começar a dar-se novamente. Provavelmente daqui a 500 anos se tanto seremos mais semelhantes ao ser humano original antes de se ter dividido por esse mundo fora.

Bom fim de semana.

De da Maia a 02.09.2016 às 19:17

Muito interessante, José Manuel, especialmente o último link que diz:

Les chercheurs ont également trouvé certaines différences étranges dans des codages génétiques de protéines entre les chromosomes Y des néandertaliens et ceux des humains. Trois de ces différences sont des mutations dans des gènes connus chez les humains pour produire des incompatibilités spécifiques aux mâles.

... ou seja, as incompatibilidades eram específicas para os machos, e para o seu cromossoma Y.
Ora, isto parece ir no sentido de uma prevalência pelo lado feminino, e teria sido pelo lado feminino que se teria feito a transmissão que nos restou, ainda que seja apenas no máximo de 4%. Não é conclusivo, mas por acaso calha no sentido de prevalência de matronas de origem neandertal, conforme tinha sido sugerido antes.

Quanto ao cérebro maior dos Neandertais, tem sido argumentado que a parte em excesso face ao Sapiens era a parte de trás, que é associada ao processamento de informação visual, espacial. Talvez a paisagem europeia tivesse requerido um maior sentido de orientação, para que os caçadores não se perdessem.
Sem ser os hominídeos há outros primatas que são omnívoros, ou simplesmente vegetarianos, mas já a agricultura parece ter o registo mais antigo na Nova Guiné...

Há uma questão que pode bater no "politicamente correcto" que é a diferença, não muito esclarecida, entre Homo Sapiens e Homo Sapiens Sapiens... ou seja, a designação Sapiens Sapiens aplica-se a uma certo salto tecnológico que ocorreu na altura do contacto com os Neandertais.
Nunca vi nada que argumentasse a diferença em termos genéticos... mas ao que parece até os aborígenes australianos têm pedaços de Neandertal (dado o aspecto, não será de estranhar!):
Like other populations outside Africa, the Australian Aboriginal man owes small chunks of his genome to Neanderthals
http://www.nature.com/news/2011/110922/full/news.2011.551.html
... o que dá ideia de que houve um cruzamento que tomou lugar logo no primeiro contacto.

Já agora, quanto ao meteorito marciano... só vem reforçar o aspecto já falado de que haveria até matéria orgânica mesmo em cometas, e isso abona em favor da tese da Panspérmia inicial.
Isso não parece oferecer problemas, porque ao que consta há um registo fóssil razoavelmente contínuo, que vai no sentido de uma evolução dentro da Terra, partindo de células iniciais.

A grande questão do ponto de vista de "desenho inteligente" é mais da geologia da Terra, e da existência de materiais que vão do Hidrogénio ao Urânio. As teorias de formação da Terra não convencem ninguém que faça algumas perguntas menos joviais. Pelo menos, não vejo nada que explique como é que vieram cá parar aglomerados de ouro, de prata, e de tantos outros materiais...
Isso só seria justificado com a queda de grandes meteoritos de ouro, de prata, etc... e sendo esses materiais mais pesados formados por estilhaços de supernovas - segundo a teoria vigente, esses estilhaços não ficaram volatilizados na explosão, ficaram concentrados. Ora, não há nenhuma lei de gravitação que diga depois que o ouro só atrai ouro, e que a prata só atrai prata, para depois justificar que tais grandes pedaços de materiais tivessem ficado juntinhos, para depois serem encontrados em minas.

Abraços.

De Alvor-Silves a 03.09.2016 às 04:50

Já o afirmei por aqui, que uma consequência rápida do desenvolvimento do intelecto humano em competição e conflito, guerra, terá colocado as coisas em patamares de quase extinção da espécie.
Se tiver que apostar, diria que isso ocorreu com a invenção do arco e flecha, porque se imaginar um pequeno exército desses com vontade assassina, aniquilaria rapidamente tribos desarmadas. Acrescente a isso o factor surpresa, porque no início a maior preocupação tribal com exércitos, seria com alcateias, e para isso bastaria fogo para afugentar.

Nesse sentido, a evolução determinaria uma prevalência de uma tribo, mas aniquilados os competidores, os novos competidores estariam dentro da tribo... porque despoletado o instinto destrutivo, todos os outros passam a ser potenciais inimigos. Ou seja, o caos passaria para guerra civil interna. Como não desaparecemos todos, alguém terá sobrevivido, e terá usado a inteligência para evitar que algo semelhante voltasse a ocorrer.

Como? Tal como um pai, ou mãe, iria criar filhos fora da cultura bélica, e supervisionaria "as brincadeiras" à distância, para ninguém se aleijar a sério. E tal como os lobos temem o fogo, arranjaram um fogo que causasse medo - a ira dos deuses. Creio que foi assim que apareceu o papel fulcral dos xamãs nas sociedades primitivas.
O papel da religião serviu para balizar uma actividade humana que, sem qualquer limite moral, arriscaria levar a conflitos na escala da extinção. Os xamãs, os sacerdotes, passaram a ter essa função de pais... de "padres", que tomariam conta das crianças.
O xamã não poderia ser chefe, porque esse cargo seria o alvo da competição, o seu papel seria definir os rituais, as leis dos deuses, que até os chefes estavam obrigados a respeitar. Seria uma espécie de garante constitucional. Bom, e se o chefe não respeitasse, e liquidasse o xamã? Nesse caso teria que se sujeitar à ira divina... ou seja, os outros xamãs, de outras tribos, sabendo disso, instigariam a desgraça sobre aquela tribo.
Os xamãs estariam coordenados, entender-se-iam entre si, ao passo que cada tribo teria língua diferente, e a principal função xamã era evitar não pequenas guerras, mas sim extinções completas.
O caso da Nova Guiné é que me fez concluir isto. Não vejo outra maneira de ter ali mantido milhares de tribos, com 800 línguas completamente diferentes, havendo uma cultura de violência que fazia dos outros almoço.

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