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A notícia aparece no Expresso, num breve artigo de Virgílio Azevedo, e foi aqui indicada por um comentador anónimo:
S. Miguel já era povoada 150 anos antes da descoberta oficial dos Açores

Um estudo que procurava determinar a vegetação antiga dos Açores, baseado em sedimentos de poléns, esporos, depositados na Lagoa Azul, concluiu que a ilha de S. Miguel teria habitação humana, por volta do ano 1287, ou seja, 150 anos antes da data oficial reconhecida para a descoberta dos Açores.
O artigo científico está publicado aqui (o acesso é condicionado à subscrição da revista), mas o resumo é acessível:

"Vegetation and landscape dynamics under natural and anthropogenic forcing on the Azores Islands: A 700-year pollen record from the São Miguel Island
- Quaternary Science Reviews. Volume 159, 2017, Pages 155–168.
- Autores: Valentí Rull, Arantza Lara, María Jesús Rubio-Inglés, Santiago Giralt, Vítor Gonçalves, Pedro Raposeiro, Armand Hernández, Guiomar Sánchez-López, David Vázquez-Loureiro, Roberto Bao, Pere Masqué, Alberto Sáez
- Instituições dos autores: Institute of Earth Sciences Jaume Almera, Botanic Institute of Barcelona; CBIO - Univ. Açores; Instituto Dom Luiz - Univ. Lisboa; CICA - Univ. da Coruña; Edith Cowan University, Joondalup, Australia; ICTA - Universitat Autònoma de Barcelona; University of Western Australia, Crawley.
Resumo: The Azores archipelago has provided significant clues to the ecological, biogeographic and evolutionary knowledge of oceanic islands. Palaeoecological records are comparatively scarce, but they can provide relevant information on these subjects. We report the palynological reconstruction of the vegetation and landscape dynamics of the São Miguel Island before and after human settlement using the sediments of Lake Azul. The landscape was dominated by dense laurisilvas of Juniperus brevifolia and Morella faya from ca. 1280 CE to the official European establishment (1449 CE). After this date, the original forests were replaced by a complex of Erica azorica/Myrsine africana forests/shrublands and grassy meadows, which remained until ca. 1800 CE. Extractive forestry, cereal cultivation (rye, maize, wheat) and animal husbandry progressed until another extensive deforestation (ca. 1774 CE), followed by the large-scale introduction (1845 CE) of the exotic forest species Cryptomeria japonica and Pinus pinaster, which shaped the present-day landscape. Fire was a significant driver in these vegetation changes. The lake levels experienced a progressive rise during the time interval studied, reaching a maximum by ca. 1778–1852 CE, followed by a hydrological decline likely due to a combination of climatic and anthropogenic drivers. Our pollen record suggests that São Miguel were already settled by humans by ca. 1287 CE, approximately one century and a half prior to the official historically documented occupation of the archipelago. The results of this study are compared with the few palynological records available from other Azores islands (Pico and Flores).
Traduzindo rapidamente, a paisagem era dominada por laurissilvas, cuja presença hoje é apenas significativa na Ilha da Madeira (a Laurissilva da Madeira é paisagem UNESCO). Essa vegetação foi substituída com a colonização oficial no Séc. XV, e depois mudada de novo nos séculos XVIII e XIX. 
A análise dos pólens sugere adicionalmente a ocupação humana por volta de 1287 (ou seja, em reinado de D. Dinis).

No artigo do Expresso refere-se que "... há historiadores que defendem que os Açores já eram conhecidos antes, baseados em mapas de 1339 onde as ilhas do Corvo e de São Miguel já estão assinaladas, embora com nomes diferentes (Corvinaris e Caprara, respetivamente)"... e o mapa/portulano de 1339 é atribuído a Angelino Dulcert, onde aparecem as ilhas, mas a uma latitude mais condicente com Madeira e Porto Santo.

Parte do mapa de Angelino Dulcert -1339 (wikipedia), com ilhas nomeadas.

Os pequenos esporos, tal como estes mapas antigos revelam apenas uma parte da evidência, que espera que uma espora decisiva nos cavalgue das trevas, para a luz. 

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publicado às 04:44


13 comentários

De da Maia a 06.03.2017 às 11:35

Cara Maria da Fonte, temos que ter paciência... faz-me lembrar esta descrição:

Il paroit que ces nouvelles decouvertes avvoient fait alors beu d'impression, puisqu'en 1525 Garcie de Loyasa Chevalier de Malte étant arriver aux Isles Moluques avec une Flotte Espagnole, y trouva des Portugais, avant qu'ont sçut en Portugal qu'il y en êut ces lieux.
Et le même Amiral s'étant avancé au seconde degrée de latitue méridionale, jusqu'à l'Isle de Saint Mathieu, qu'il trouva déserte, y remarqua néanmoins plusieurs traces des Portugais; car, sans compter divers arbres frutiers, & quelques troupeaux apprivoisés, il lut sur l'écorce d'un arbre une Inscription que lui apprit que les Portugais avoient été dans cette Isle dix-sept ans (24 no inglês) auparavant.
Ils y avoient joint la célébre divise du Prince Henri, Talent de bien Faire, suivant l'usage des Matelots de leur Nation, qui lassoient ce témoignage de leur arrivée dans tous les lieux où ils abordoient.


http://alvor-silves.blogspot.pt/2015/09/mesa-para-sandwich.html

... ou seja, quando os espanhóis (e outra malta) andaram a reclamar ilhas e continentes, chegavam lá e davam de caras com uma placazita a dizer "Talant de bien faire"!
Portanto, minha cara, parece tão provável que os templários tenham sido os primeiros a chegar aos Açores, quanto que os americanos tenham ido à Lua em 1969, e quando chegaram terem dado com uma placa a dizer "Talant de bien faire"...

Afinal para Colón os habitantes da América ficaram todos "índios", e as Companhias das Índias, insistiram no "erro" por séculos, só distinguindo as Índias pelo epíteto de serem Índias Ocidentais ou Índias Orientais.

Dir-se-ia que confundiam a noção de Índias com a noção de Colónias.
Tanto havia colónias a ocidente como a oriente...
Mas, até em Colónias, temos o prefixo de Colón, que esta coisa é intestina, e Colón vem da mesma Cola, que é a Cola do Dragão.

Por isso, quando o epíteto é Cristovão Colón, parece-me dizer "por Cristo vão colonos".
Aliás o próprio nome "Cristo-foro" significa em grego "leva Cristo" - daí o emblema de S. Cristovão, ser levar Cristo... onde? - ao "colo".

Portanto, era uma questão missionária, e quando em Agosto de 1492 os espanhóis conseguiram meter o Borja (depois Bórgia) como Papa Alexandre VI, passados 2 meses tinham pronta a campanha de Colonização pelo Colon adentro.

Nessa fase os índios americanos ainda não sabiam que eram "índios", nem sabiam a profundidade da colonoscopia a que iriam ser sujeitos.

Abraços.

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