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Dra-co-la (cola del dragon)

por desvela, em 05.11.10
Retomo o tema da Cola do Dragão, a que os espanhóis chamam La Cola del Drágon, o que significa "Cauda do Dragão". Na versão inglesa anterior coloquei o termo "Dragon Cola", por não me parecer clara qual a melhor tradução... só o significado espanhol de "Cauda" para "Cola" parece apropriado (na idade moderna, no português, esse significado deve ter-se perdido).
No entanto, nem é claro que essa Draco-Cola (usando uma versão latinizada) fosse exactamente o Estreito de Magalhães... conforme podemos ver no mapa seguinte, quer a parte sul da América, quer a península que emerge da Antártida têm um aspecto que justificaria o nome "Cauda de Dragão".

É claro que a contracção do termo Draco-Cola leva a Dracola...
O célebre personagem de Bram-Stoker era inspirado em Vlad III Dracula, cujo pai em 1431 teria aderido à Ordem do Dragão (criada pelo Imperador Sigismundo em 1408). A presença do mapa antigo, do Infante D. Pedro, que teria a referência à Cola do Dragão, é de 1428, de acordo com o relato do séc. XVI de António Galvão. Reparemos num dos símbolos da Ordem do Dragão:
Insignia da Ordem do Dragão

Podemos comentar o pormenor curioso de na Insígnia da Ordem do Dragão, a Cauda fechar, amarrando o pescoço. Há muitas maneiras de representar dragões, mas não com esta utilização da Cauda... isto dá um sentido seguro na designação Draco Cola se referir à cauda. Notamos ainda que há uma folha nas costas do dragão que poderia passar por um mapa da América do Sul, com uma cruz. O combate da Ordem do Dragão seria para manter esse círculo fechado, amarrando o dragão americano... talvez o medo de que o sonho americano se tornasse num pesadelo de políticas draconianas.

As curiosidades não ficam por aqui... para além de Luís de Camões e Ana Mendonza de La Cerda, também Oswald von Wolkenstein, um poeta viajante que participou na tomada de Ceuta, teve essa particularidade de ser zarolho direito. Foi nomeado ao mesmo tempo que Vlad II Dracula, em 1431, para a Ordem do Dragão. (*)
.. ..
Caolhos direitos: Camões, Ana de La Cerda, Wolkenstein

Sobre a história malfadada de Bram Stoker, sobre o mais famoso membro da Ordem do Dragão, o Conde Drácula... a sua ligação a vampiros, enquanto elite supra-humana que se alimentaria do sangue humano para manter a sua imortalidade, tem assim um significado próprio! É difícil perceber se haverá um lado mau ou bom, no meio de toda esta história vampiresca... A cauda do dragão foi solta, e o sonho americano libertou-se para a descoberta europeia. Por outro lado, de acordo com a fábula de Stoker, muito popularizada na Inglaterra imperial, esses vampiros da ordem draconiana, apesar de mortos ainda existiriam nas remotas paisagens da Transilvânia. Restou-nos uma efabulação permanente e as políticas draconianas.

______________________________________________
(*) Nota (10.07.2016):
Suprimi uma frase acerca de uma sugestão na Wikipedia, entretanto retirada:
Acrescenta-se a isso o facto do Infante Dom Pedro, pelos seus serviços ao Imperador Segismundo, ter sido nomeado membro da Ordem do Dragão, tendo usado a sigla DESIR que significaria (sugestão na wikipedia)
D.E.S.I.R.: Draconis Equitas Societas Imperatur et Regis
Sociedade Imperial e Régia dos Cavaleiros do Dragão
Como foi notado entretanto (ex: David Soares), este acrónimo não parece corresponder a nada existente sobre a Ordem do Dragão, cujo nome em latim seria Societas Draconica seu Draconistarum, e assim pode ser algo simplesmente inventado para ligar à divisa DESIR. 
No entanto, penso que uma ligação de Avis à Ordem do Dragão faz sentido, quer pela participação de Wolkenstein na tomada de Ceuta, quer pela recompensa de Treviso, que o Imperador Sigismundo fez ao Infante D. Pedro.
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publicado às 14:35


21 comentários

De AlvorSilves a 13.11.2010 às 03:37

English summary:
This post is about the Magellan Strait, previously called "Dragon Tail", as mentioned in a 16th century text. This translation is not obvious nowadays because only in Spain the original "Cola de Dragon" refers to the tail of the dragon. In Portuguese "Cola" means "glue"...
"Glue of the dragon" would be meaningless... however it is not!

If you follow this connection, you search for the latinized "Draco Cola", which contracts to Dracola...
A delirious connection to Dracula, you may think.

However, while doing some research on these topics you start to see that coincidences are rare.
Dracula was a surname used by Romanian kings Vlad II and Vlad III (the empalor). This was due to the fact that they were members of the Order of the Dragon, recently created by the Emperor Sygmund in 1408.
One of the most remarkable Portuguese princes, Peter, which was brother of Prince Henry the Navigator, was a member of this Order, and brought a map in 1428. According to Galvão (1565), this map had the Magellan Strait named "Dragon's Tail" (Draco Cola).
It might be a coincidence, but then you look at the insignia of the Order of Dragon (picture above)... the tail of the Dragon imprisons its head.
A rather strange way to represent a Dragon, is it not?
The meaning of the Tail... also meets the meaning of the Tale, by Bram Stoker.

De Anónimo a 19.11.2010 às 21:37

Caro Alvor,
La Cola del Dragon é um assunto deveras interessante.
conhece "Imago Mundi the international journal for the history of cartography"?
Possivelmente tenho algo que lhe interessa (http://www.informaworld.com/smpp/content~db=all~content=a713703013~tab=content~order=page), se estiver interessado diga.

Com os melhores cumprimentos,

Calisto

De AlvorSilves a 21.11.2010 às 15:21

Caro Calisto,

aparentemente o assunto tem sido mais explorado em língua espanhola e inglesa, e tem passado despercebido em português. A conexão de Cola à Cauda (de Dragão) pelos vistos é já algo estudado pelos sul-americanos, e esse artigo, de acordo com o sumário tenta desacreditar a teoria. Terei muito gosto em que me envie o artigo, mais uma vez, obrigado.
Há uns tempos fui ver os jornais e conferências em cartografia... Achei interessante na conferência mundial dizer-se especificamente:

(...) All papers must primarily concern the history of cartography, i.e., the interdisciplinary study of maps, their making, and their use in the past.
(...) Papers that concern only related subjects (e.g., the history of discoveries,...) would not be considered to fall within the history of cartography.

(ICHC Conference in Russia (http://www.ichc2011.ru/index.php?r=211)
Acho que isto diz da predisposição geral - só discutir a história dos mapas e não discutir a história dos descobrimentos!

Outro link com bom material é este:MapHistory (http://www.maphistory.info/index.html).

Abraços

De Fernanda Durão a 27.06.2016 às 07:59

Sim o cronista António Galvão sabia do que falava. O Dragão ESTÁ lá: vai do Perú até ao Estreito de Magalhaães.
Além disso, existe também desenhado no famoso Mapa de Piri Reis que, para o desenhar, utilizou informações de portugueses prisioneiros dos turcos. E também no Mapa Mundi desenhado e pintado por Ventura Ferreira em 1931, que pode ser visto na Sala Algarve na Sociedade de Geografia de Lisboa

De Alvor-Silves a 28.06.2016 às 05:24

Boa sugestão, a do mapa na Sociedade de Geografia... mas esse creio que será mesmo de 1931, enquanto que o
Mapa do Museu da Marinha (http://alvor-silves.blogspot.pt/2013/05/prova.html)
é muito mais subtil na forma de engano, dado que apresenta uma data de 1970, quando há diversas provas reunidas no sentido de lhe atribuir uma data de 1570, como fonte de inspiração para o fac-simile.

Obrigado pela informação!

De Fernanda Durão a 30.06.2016 às 07:55

P.f. não lhe chame "engano"!
O dragão existe!
Relativamente aos "Paineis de S. Vicente", se quiser conhecer outra opinião, veja o site: www.sintraserpente.com

De Alvor-Silves a 04.07.2016 às 07:09

Nunca falei aqui do relato de Avieno sobre Ofiusa, é verdade... boa sugestão.
Mas relativamente aos painéis, ou geoglifos, não acompanho nenhuma das leituras sugeridas.
Obrigado.

De Fernanda Durão a 07.07.2016 às 15:06

Não tem importância. Nunca foi fácil ser pioneiro...um dia lá chegaremos!
Alvor e Silves são duas palavras mágicas. E no meio está CONISTORGIS, a antiga capital dos Cónios, um Povo civilizadíssimo, enquanto nós - "cá do norte" - eramos uns simpáticos selvagens...
Graças à Geoglifa já podemos vislumbrar a localização dessa magnifica cidade.

De Alvor-Silves a 08.07.2016 às 03:20

Irei procurar ver melhor como se conjuga a referência de Avieno a Ofiusa com o restante.
Aparentemente há uma outra Ofiusa na zona do Mar Negro.
Não é nada claro que a zona sul dos Cónios estivesse muito mais desenvolvida que o norte... o que acontecia é que estavam mais no caminho do comércio com os fenícios cartagineses, e foi essa memória que foi prevalecendo.
Cumprimentos.

De Fernanda Durão a 10.07.2016 às 13:50

Contactos com os fenícios e cartagineses...Achas "pouco"? "Quem" é que havia mais, nesse tempo???

f.d.

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