Site Meter

Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Fénix e Fenícia

por desvela, em 01.12.10
Na arte pictórica, a Fénix é representada como uma ave mitológica com penas douradas e vermelho-arroxeadas (... e esta côr purpúrea é reveladora), com capacidade de auto-regeneração, ao renascer das cinzas em que se consome por auto-combustão. Esta representação não é muito diferente da que D. João II usava para o seu Pelicano:
Fenix avis unica (crónicas de Nuremberga, 1493), e o "pelicano" de D. João II.

O sacrifício do pelicano, que se auto-flagelava para alimentar os filhos, não é muito diferente do mito da fénix, que antecipando a morte, renasce num filho que depositaria depois as cinzas no templo de Heliopolis. 
Há várias Heliopolis (cidades do sol), uma das quais era a fenícia Baalbek

A escolha desta cidade Fenícia para a Fénix, é claramente fonética... é difícil não associar fénix e fénice... e a palavra servia para identificar em grego a cor púrpura com que caracterizavam os fenícios, pelo comércio associado, e também as palmeiras de tâmaras.

Até que ponto será adequado associar uma fénix à fenícia, no sentido em que se tratava de uma cultura que renascia dos seus próprios apocalipses? Neste sentido, a herança fenícia ultrapassava um povo particular situado na cidade de Tiro, ou nas suas colónias Cartago e Cartagena... esses seriam já renascimentos de civilizações anteriores, eventualmente de uma possível cultura atlântida.

Quando D. João II retoma o tema, com o pelicano, e atendendo a que própria Fénix seria vista como um moto da ressurreição de Cristo, poderá estar a reivindicar parte dessa herança antiga.

A restauração da independência nacional foi um projecto ligado à casa Medina-Sidónia, e à influência que Ana de La Cerda (e o marido português Rui Gomes da Silva) tiveram na política herdada pela Casa Medina-Sidónia e também pela herança de Luis de La Cerda (que reclamou em 1344 as Canárias para Castela).

Ana de la Cerda, o Escudo da Casa Medina-Sidónia, Luísa de Guzman (bisneta).

Simultaneamente, a família Medina-Sidónia lança um ataque interno ao império de Filipe IV, procurando a independência do seu ducado em Cádis (... a fenícia Gades), de Portugal (através de Luísa de Gusmão), e da Catalunha. Apenas a independência portuguesa será bem sucedida, e temporariamente... o tratado de Vestfália (8 anos depois, 1648) mostraria uma agressividade da restante Europa contra o império espanhol, e a singularidade portuguesa não seria excepção. A ténue restauração nacional foi sustentada com uma aliança britânica, consolidada com o casamento da filha Catarina de Bragança (... mais uma mulher), e depois com o desastroso Tratado de Methuen... que só mostrou que passados 400 anos Portugal continua a abdicar da sua produção interna, e independência, em troca de uma subsídio-dependência europeia.

Esse desígnio de restauração, de procura da verdade, manteve-se na Casa Medina-Sidónia, através da chamada "duquesa vermelha", Luísa Isabel Alvarez de Toledo, historiadora nascida em Portugal e recentemente falecida. Tentou em 1992 publicitar a outra história dos descobrimentos, no seu livro
Africa versus America, la fuerza del paradigma
... mas só em Marrocos conseguiu ter uma aceitação e divulgação aceitável. Na Europa, ninguém quer ouvir falar em documentação que prova a presença portuguesa e árabe nas Américas, muito antes de Colombo.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:52



Mais sobre mim

foto do autor


calendário

Dezembro 2010

D S T Q Q S S
1234
567891011
12131415161718
19202122232425
262728293031



Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2010
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D