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Haplogrupo e "há pelo grupo"

por desvela, em 10.03.14
O grupo protege e esmaga o indivíduo.
"Há pelo grupo" significa aqui que "o indivíduo existe pelo grupo", pelo povo, pela espécie.
Conectar "haplogrupo" a "há pelo grupo" não é certamente etimológico, é simples visão ou cegueira, consoante os olhos inquisidores.
Até que cada indivíduo consiga equilibrar-se ao grupo, numa relação de igual para igual, a luta da potência contra a impotência não tem fim previsto. O apego à potência é apenas um prolongar infantil do medo da incontornável impotência. Ninguém domina o processo que leva da vontade de erguer o braço ao efectivo erguer do braço, e no entanto há quem julgue dominar tudo em seu redor... enfim, são visões ou cegueiras!

Com o lançamento de dados sobre haplogrupos haverá múltiplas hipóteses sobre a migração humana, a maior parte das quais apontam a clássica saída de África, com a dispersão sempre feita na zona entre o Cáucaso e Himalaias. Tenho insistido numa outra migração, saída da Oceania-Melanésia, e vou retomar esse assunto com alguns esquemas gráficos mais elucidativos.
O assunto é complexo, difícil de juntar, sujeito a ser questionado por vários detalhes, mas o meu objectivo foi apenas procurar dar um nexo que fosse consistente com as informações que tenho. Como é óbvio, não cuidará dos detalhes de informações que não tenho...

Y-DNA
Primeiro pelo lado Y-DNA, de que já tinhamos falado.
Encontrei no Dienekes' Anthropology Blog um mapa muito bom que está na Wikipedia, e conforme se diz, representa um grande esforço de representar o panorama actual, com a versão "mais consensual" para as migrações:

Como as letras dos haplogrupos são pouco informativas, irei arriscar usar nomes... não arbitrariedades como já foi feito, em que um H serve para Helena... 
A ideia será que o nome reflicta objectivamente a ascendência. 
O remoto ascendente adâmico seria um certo A perdido, dos quais houve variantes umas que se encontram em África, que designaremos por Á. Ao descendente que originou todos os restantes chamaremos Ã... e quase todos os nomes irão terminar em "ã" para reflectir essa ascendência (a letra pequena significa o rasto perdido). O negrito nas letras indica a sua designação simples actual, e usarei letras "u,y" para indicar elos perdidos.

(0) Temos uma separação Á e "ã" ainda em África.
(1) A descendência de "ã" serão Bã (África) e "cã" (todo o mundo).
(2) Desse "cã" perdido surgem "ucã" e "ycã" ambos perdidos, mas que originam:
   -- Ducã (Ásia), Eucã (dominante em África), Cycã (Austrália, Sibéria), Fycã (resto do mundo).
(3) Há aqui um salto e Fycã irá originar Gu-Fycã (Europa-Cáucaso) e outro elo perdido yu-Fycã.
   Este último origina Hyu-Fycã (Dravidiano), e ainda a outro elo perdido vyu-Fycã.
(4) Será desse novo elo perdido que surgem dois novos elos perdidos: u-vyu-Fycã e y-vyu-Fycã.
   Do primeiro aparecem Iu-vyu-Fycã (Escandinavo-Balcã) e Ju-vyu-Fycã (Semita).
   O restante dá novo elo perdido uy-vyu-Fycã surgindo então:
   Kuy-vyu-Fycã e um wuy-vyu-Fycã que gerará Twuy-vyu-Fycã e Lwuy-vyu-Fycã (India). 
(5) Surge a descendência dominante Kuy-vyu-Fycã, que dá SKuy-vyu-Fycã, e ainda mais dois elos perdidos (designamos x e y). 
   Um "x" terá como "netos" Nyx-Kuy-vyu-Fycã e Oyx-Kuy-vyu-Fycã.
   Outro "y" terá My-Kuy-vyu-Fycã e Py-Kuy-vyu-Fycã, como "filhos"...
   ... e finalmente QPy-Kuy-vyu-Fycã e RPy-Kuy-vyu-Fycã, como "netos".

Esta nomenclatura é estranha, mas não é mera "invenção" - por exemplo, reflecte o parentesco entre os haplogrupos M,N,O,P,Q,R,S que remete ao K, todos aqui com o nome comum Kuy-vyu-Fycã. Mostra que estão distantes das letras D, E, com quem já só partilham a terminação "cã" em Ducã e Eucã. A única "invenção" que aqui fazemos é usar as letras u, y,... para indicar os elos perdidos, e pouco mais. 
O comprimento do nome reflecte a maior diversidade de variações, e não terminaria aqui. 
Interessa aqui seguir de novo a possível história destas "famílias"...

Começamos pelo Quadro 1 em que vemos basicamente a linha primordial, que tem basicamente duas linhas que nunca saíram de África (A e B), essas irão manter-se ali até ao fim. 
O que vai mudar é um c, "", que será eneavô dos restantes saídos de África...

Supomos uma primeira separação "ucã" presa em África, pelo fim da passagem no Mar Vermelho, que irá gerar Ducã e Eucã (letras DE), por oposição aos restantes "ycã", que ficam na Ásia, ou seja Cycã e Fycã (letras CF).

Para abreviar, no Quadro 2 temos logo a descendência alargada destes "Fycã". 
Supomos que os Fycã terão dominado, empurrando uma divisão da restante população Cycã, uma para a Sibéria, Mongólia (C1,C3) e outra para a Oceania (C2, C4). Haverá uma reentrada na Ásia de parte da população retida antes em África, os Ducã
Um primeiro evento de subida de águas (diluviano) remeterá esses Ducã às montanhas do Tibete ao Japão (Ainos). Pelo lado dos dominantes Fycã, o evento diluviano leva uma parte Gu-Fycã a refugiar-se no Cáucaso, outra parte Hyu-Fycã, nas montanhas do Sul da Índia e Ceilão (população dravidiana e cigana). Finalmente, a parte restante vyu-Fycã (mencionada na figura 2 como IJK) será sujeita a novas variações ao refugiar-se nas montanhas que vão da Birmânia, Tailândia e Vietname até à Indonésia e Oceania. 

Passamos então ao Quadro 3. 
Nesta fase, a descida das águas permitirá a expansão da população dravidiana (Hyu-Fycã) pela Índia, que deverá ter dominado o sul asiático. Pelo lado africano, parte da população Eucã (berbére, moura), terá entrado na Europa, sendo notável ainda a percentagem elevada E3 na Grécia, havendo vestígios no restante sul da Europa. Nesta fase quase toda a África é dominada por essa população Eucã (E1), e assim se irá manter. 

Por via da descida de águas, uma parte da população vyu-Fycã, remetida às montanhas da Birmânia irá tentar regressar às planícies indianas. É natural ter havido um conflito com a população dravidiana Hyu-Fycã, e nesse conflito migrante alguns, vistos como gigantes, foram repelidos das paragens indianas. Esses "gigantes" iriam contornar o Cáucaso em direcção à Europa, os Iu-vyu-Fycã (antecessores de escandinavos ou croatas), enquanto que outros iriam para a península arábica os Ju-vyu-Fycã (antecessores de árabes, semitas... e romanos!). Assinalamos essa direcção migratória com as setas saindo dos IJ, que fica explícita no quadro 4, bem como a passagem Cycã para a América, talvez movidos por pressão dos Ducã (a influência de tibetanos em mongóis ainda hoje se mantém no aspecto religioso).

No Quadro 4 assinalamos ainda uma propagação europeia dos Gu-Fycã, com alguma ligação neandertal. Finalmente, há uma parte restante dos IJK que fica na Indonésia-Oceania, serão os Kuy-vyu-Fycã, ainda que se possa falar de novas tentativas de ingressão na Índia - populações Lwuy-vyu-Fycã e Twuy-vyu-Fycã (estas populações não estão assinaladas, porque não se constituíram como dominantes, tendo mantido alguns pontos de dominância em partes da Índia, os T podem ter acompanhado os R1b na migração seguinte, talvez denotando uma origem da mesma ilha oceânica)

Entre o Quadro 3 e 4 falamos circa 30 a 15 mil a.C., de acordo com a datação convencional à entrada no continente americano:
Migração Homo Sapiens (vermelho), Erectus (verde), Neandertal (amarelo). [Wikipedia]

Terminámos o Quadro 4 com a migração dos Kuy-vyu-Fycã para a Nova-Guiné, onde constituem a população SKuy-vyu-Fycã. A evolução em ilhas separadas irá trazer maior diversidade, sendo todos estes novos elementos da família Kuy-vyu-Fycã, vamos apenas designá-los pelo "primeiro nome"... SMy (Nova-Guiné), Nyx (turcos-siberianos), Oyx (chineses), QPy (índios-americanos), RPy (indo-europeus).

Nota: A presença específica de antecedentes comuns na Nova-Guiné faz-me ser difícil conceber outra qualquer hipótese que não coloque a origem naquelas paragens. Outras teorias migratórias não têm qualquer cabimento com um final só naquela ilha. Esta é a única possibilidade "natural" que vejo, sem entrar com outras considerações mirabolantes ou simplistas (que em última análise poderiam conter uma intervenção global externa feita por alienígenas). Os novos dados sobre tradições na Nova-Guiné, que envolvem mumificações, antas, etc. suportam esta hipótese.

Podemos já passar ao Quadro 5, que mostra como esta família Kuy-vyu-Fycã se pode ter movimentado.
Já falámos sobre os S e My que terão ficado na Nova-Guiné. De ilhas adjacentes... em que os candidatos podem ser Java, Bornéu, Sumatra, Timor, Celebes, ou tantas outras, terão partido os Py que depois de se estabelecerem na zona da Tailândia-Birmânia, tendo migrado por um lado em direcção à zona chinesa (os QPy), e por outro à zona indiana (os RPy). No entanto, pela mesma época terão partido, doutra ilha, os Nyx, também em direcção a paragens chinesas, tal como fariam por fim os Oyx. Se os Nyx já teriam empurrado os QPy, mais o fizeram com a nova pressão dos Oyx, tendo como resultado a migração dos QPy para a América, conforme se vê já no Quadro 5, e ainda mais no Quadro 6:

O Quadro 6 pretende apenas tornar clara a situação de evolução da migração/conquista com a entrada dos indo-europeus R na Índia, antes da sua migração para a Europa. Na zona europeia colocámos nestes quadros uma presença menos dominante dos G, já que há maior vestígio dos I e J

Nota: Aproveito para assinalar um problema de datação típico. O grupo G tem sido atribuído c. 17000 a.C. enquanto I e J chegam a ser colocados em 30000 a.C. No entanto, como fica explícito pela extensão do nome, a parte comum é o elo u-Fycã do qual G era "filho" e os I, J seriam "trisnetos". Qual a razão para colocar o "filho" 15000 anos mais novo que um "trisneto"? É claro que pode haver variações a qualquer altura, partindo dos existentes... mas teriam que ser minimamente justificadas, algo que tem parecido ser desnecessário. A teoria actual parece dar a ideia de que a população estaria em hibernação e mutações no Cáucaso, e de vez em vez uns saiam para passear... Esse problema é tanto mais notório quando se liga Cro-Magnon a R1b. Simplesmente as datações não batem certo umas com outras!

Adiante, passamos ao Quadro 7, que antecede, e ao Quadro 8, que tem a distribuição populacional actual. O domínio da população oceânica Oyx é completo no território do sudeste asiático, remetendo os Nyx para paragens siberianas numa ligação tartára que se estenderia depois à Turquia.
Da mesma raiz oceânica, os Q ficam dominantes na América, e os indo-europeus R iniciam a invasão europeia, provocando uma divisão dos I numa parte escandinava (I1) e balcã (I2), o mesmo se passando com os R1a e R1b, por virtude diluviana que estabeleceria o continente europeu como ilha. Os G passam a residuais na Europa, remetidos à origem caucasiana. Os R1a manteriam a ligação indo-europeia, enquanto que os R1b definiriam uma civilização atlântica (ou atlante...). Este seria o panorama à época diluviana, circa 9000 a.C. (ou bem menos...). 

mt-DNA
Vamos agora ver o que se passa pelo lado mitocondrial de transmissão feminina. Este aspecto será mais relevante em sociedades matriarcais. Só agora me refiro a esta análise porque há muito menos mapas, e a informação parece muito menos clara.
De qualquer forma, o panorama não é muito diferente no início... começa também em África, mas há logo uma separação em dois haplogrupos principais "m" (mais asiático) e "n" (mais europeu-oceania).

É interessante ver que os nomes aqui serão muito mais curtos... a variação genética pela herança mitocondrial parece ser muito menor.

Há variações do L, mas para seguir a mesma linha que fizémos para o Y-DNA, atribuímos o nome "Lã" às companheiras de "cã" na migração fora de África.

(1) As "filhas" de "Lã" são MLã e NLã.
(2) De MLã surgem D'MLã, E'MLã, G'MLã, Q'MLã, Cy'MLã e Zy'MLã.
      De NLã surgem A'NLã, S'NLã, R'NLã, I'NLã, W'NLã, X'NLã, Y'NLã.
(3) Restam apenas as descendentes de R'NLã, que são
BR'NLã, FR'NLã, PR'NLã, UR'NLã e ainda elos: aR'NLã, eR'NLã
(4) KUR'NLã descende de UR'NLã, e as restantes descendências são:
- HaaR'NLã e VaaR'NLã;
- JaeR'NLã e TaeR'NLã.

Como vemos, o nome mais comprido pelo lado mt-DNA envolve apenas 7 ascendências, enquanto no caso Y-DNA se verifica o dobro.

As letras agora mudam, e vou usar minúsculas nos quadros seguintes para não confundir com as de cima.
Começamos pelo quadro i). A hipótese é que um ramo L  teria-se separado em M e N, já na Ásia.
Esta separação bate certo com uma "situação diluviana", ligando MLã aos Cycã, e NLã aos Fycã.
A grande variação ocorrerá nessa altura por isolamento insular.
Uns ficam na zona caucasiana, outros na zona himalaia e na parte tailandesa-indonésia. 
Passamos à nova divisão, que apresentamos no Quadro ii), que é muito mais complexa.
Mais complexa, porque há várias subdivisões do n e várias subdivisões do m, algo que não acontecia no outro caso. 
Para explicar tal efeito, mais uma vez recorrerei à questão das ilhas asiáticas em situação diluviana - para evoluções diferentes. Mas com um carácter distintivo face ao Y-DNA masculino, ou seja, não haveria eliminação drástica da população feminina nos confrontos, permitindo a sobrevivência dessa diversidade. Ou seja, um grupo "masculino" poderia acompanhar-se de dois ou mais grupos "femininos", simplesmente pela imposição sobre as populações, sem aniquilação da componente feminina.

Inicialmente a população "m" estendia-se pela zona asiática oriental, atingindo as ilhas oceânicas. Pela separação a que os Fycã forçaram os Cycã, uma parte destes (mongóis-esquimós), que rumou à América, levou duas populações filhas D'MLã e Cy'MLã... mas não na totalidade, pois uma maior parte dessas filhas manteve-se em território asiático. Outras variações ficaram em territórios insulares da Ásia-Pacífico, por exemplo, E'MLã (Bornéu, Filipinas), Q'MLã (Papua).
Por aqui termina praticamente a história da migração pelo lado descendente MLã.

A história de NLã é mais complicada, envolvendo uma separação entre filhas caucasianas W'NLã e I'NLã, provavelmente associadas a uma inicial povoação europeia, e todas as restantes a, r, s, x, y, que voltamos a remeter à zona da Oceania. Note-se que NLã é ainda elemento dominante nos aborígenes australianos.

Fazemos isso também porque A'NLã e X'NLã são levadas numa segunda migração em direcção às Américas, algo que só tem correspondente masculino na migração dos QPy-Kuy-vyu-Fycã ou eventualmente numa migração parcial dos Nyx-Kuy-vyu-Fycã. De qualquer forma, são já migrações tardias. Na zona da Oceania, vão ficar R'NLã e S'NLã (a outra variante australiana).

É agora de R'NLã que vão surgir todos os descendentes seguintes, e mais uma vez a presença da ligação filha PR'NLã na Nova Guiné não deixa muitas outras escolhas quanto à origem de onde partiram.
Passamos então ao Quadro iii), onde apontamos a nova migração das filhas R'NLã, que podem ter acompanhado a primeira migração dos Iu-vyu-Fycã Ju-vyu-Fycã (escandinavos e semitas), com UR'NLã, HaaR'NLã, VaaR'NLãmas certamente acompanharam depois a migração dos RPy-Kuy-vyu-Fycã (indo-europeus), com TaeR'NLã e JaeR'NLã.
No Quadro iv) temos já essa situação final, conforme ocorre nos dias de hoje, e que reflecte a outra parte da descendência oceânica. 
Da mesma origem de R'NLã surgem FR'NLã e BR'NLã, na zona do sudeste asiático e Oceânia (já tinhamos referido PR'NLã), o que reforça essa origem oceânica, mas, mais que isso há um povoamento de BR'NLã que é tipicamente migração marítima, ligada a uma migração que os Oyx-Kuy-vyu-Fycã levaram até Madagascar, e que se estendeu até às Américas, muito provavelmente associada à migração dos QPy-Kuy-vyu-Fycã.


Conclusão: 
Bom, o retrato anterior é confuso no detalhe, mas esse mesmo detalhe permite algumas conclusões mais verosímeis que outras. 
Uma delas, que me parece clara, e em que tenho insistido, é numa mesma origem dos indo-europeus, chineses e índios-americanos, na mesma zona oceânica, ligando directamente à Papua-Nova-Guiné, e que de alguma maneira é justificável pela competitividade extrema que se atingiu naquelas paragens insulares. 

Há sempre outras justificações, e podemos apontar detalhes num sentido ou noutro.
Também podemos pensar que do Cáucaso apareciam de vez em vez autênticos Adónis masculinos que seduziam todas as mulheres da redondeza... mas enfim, ainda que Genghis Khan sozinho tenha deixado uma grande prole ainda hoje visível, parece que há umas coisas mais prováveis que outras. Ainda que tenha muito de mito, a consanguinidade agrava problemas biológicos, e não é muito claro que uma simples família tenha dado origem a toda uma raça. As ilhas surgem assim como o ambiente natural para a diversidade.

Posteriormente, pelo efeito de sedentarização, houve um outro fenómeno que provocou divisões suplementares, de que aqui não falámos. Basta ver que só dentro do R1b temos as linhas:
R1b1a2a1a2 (a,b,c,d,e) - (ibérico, gaulês, norte-atlântico, nórdico, britânico),
o que mostra como as variações de DNA não se esgotam nos grupos e é claro definem os indivíduos!
A sedentarização, o isolamento de aldeias, é já uma característica posterior, e tem aspectos semelhantes ao isolamento em ilhas... mas isso só ocorreu com civilizações já bem estabelecidas, onde a agricultura se tornava a actividade dominante. O que é interessante é que estes estudos mostram uma maior proximidade genética nuns casos, e uma maior distância noutros... quando isso não era suspeitável pelo simples aspecto físico.

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publicado às 21:56


90 comentários

De Anónimo a 13.03.2014 às 01:35

Muito bonito, Caro Da Maia

Seria até perfeito, não fossem existir assim uns pormenores discrepantes, como por exemplo o Crâneo de Buenos Aires.
Um crâneo típico do Homem Moderno, datado de cerca de 1 Milhão de anos.

Ou o Crâneo de Itália, do Plioceno Médio, com cerda de 3 a 4 Milhões de anos.
Crâneo igualmente típico do Homem Moderno.

É que há 3 Milhões de anos, o Out of África, nem sequer era ainda, o Out of The Egg....

Abraço

Maria da Fonte

De Alvor-Silves a 13.03.2014 às 04:34

Certo, Maria da Fonte... mas aqui estava apenas a usar a informação dos haplogrupos.
Conforme disse no texto, há coisas que não me parecem bater certo com datações correntes, começando pelos Cro-Magnon serem R1b...
Por isso, aqui segui a sequência DNA, assumindo que a informação disponível de ligações e descendências está minimamente correcta.

Eu tenho um problema com homens de 1 Milhão de anos... simplesmente nem sequer consigo conceber o que se poderia fazer em mil anos, quanto mais em um milhão!
Não me entra na cabeça que um homem pensante como nós pudesse ficar estagnado por um milhão de anos... é simplesmente isso.
Não vejo homens à caça de mamutes durante dezenas de milhares de gerações... 1 Milhão de anos daria para umas centenas de evoluções semelhantes à nossa.

Abraço.

De Amélia Saavedra a 13.03.2014 às 12:51

Ora aqui está um bom "paper" como dizem agora.. digno de ser submetido ao Jornal of Antrophology...

Sobre a questão das datações... realmente levanta questões pertinentes e é ainda uma área recente (estudos genéticos).. a curiosidade humana é realmente impressionante, principalmente quando contacta com outros tipos de povos... mas por outro lado como explica que ainda hoje existam sociedades, digamos, primitivas?! Será que estando isoladas em determinados ambientes, a curiosidade não se desenvolve?

De Alvor-Silves a 13.03.2014 às 16:15

Obrigado Amélia, tomo isso como um simpático elogio para também dizer que está intragável... e devo concordar.
Porém, a certa altura é mesmo preciso entrar pelos detalhes mais confusos, senão não dá para nos orientarmos, dadas as possibilidades.

Sobre a datação, sempre achei que havia demasiados problemas... fazem lembrar aquelas estatísticas com sondagens feitas a 200 pessoas, e que escrevem na ficha técnica que "têm um grau de probabilidade de 95% com erro máximo da amostra de 3%". Tudo tem um significado rigoroso, mas não é aquele que as pessoas são induzidas a ler. Com as datações é o mesmo... dizer que é 5000 a.C. raramente quer dizer mais do que "tem um grau de probabilidade de 95% com erro máximo da amostra de 3%", e portanto tanto pode dar para 5000 a.C. como por vezes 500 d.C.
O estudo dos haplogrupos pode não dar bem a datação... dificilmente será consensual que dê só pelo tamanho das cadeias de DNA, mas pelo menos remete a esse grau de parentesco, que é de alguma forma indicador da posição temporal relativa.

A questão da estagnação é muito pertinente.
Eu acho que a curiosidade deveria desenvolver-se, sem grande dúvida, mas há pelo menos dois aspectos:
1) A educação e cultura subjacente;
2) A necessidade efectiva.
Uma criança que nasça numa tribo da Papua, vai pensar de que forma? - Da forma como foi ensinado, com os medos e desejos induzidos pela sociedade. No entanto, acidentalmente, haveria sempre quem pensasse diferente... a educação formata, mas não definitivamente. Só que aí entra a cultura, e o domínio dos anciãos, conservador, que tenderia a repor a ovelha tresmalhada no rebanho, ou então bani-la. Ora, os que foram banidos podem ter migrado e efectivamente ter feito a diferença por essa curiosidade, levando a uma outra cultura, diferente da que ficou nas ilhas.
Porém, ainda que banidos, mantiveram tradições e símbolos semelhantes aos que tinham na origem... daí a mumificação e as antas.
Poderiam ainda haver símbolos mais secretos... e sobre isso debrucei-me nos textos "Com chás":
http://alvor-silves.blogspot.pt/2013/07/com-chas-3.html

Porquê? Porque os símbolos do Caminho de Santiago, tradição que remontava aos druidas, poderiam remeter para essa origem - a Concha gigante de onde saíra Vénus, e a Cabaça na origem da agricultura.
É muito especulativo, eu sei... mas um grupo banido poderia nunca ter perdido a vontade de regressar à origem e mostrar o seu valor.
A tradição mais secreta poderia ter passado outros símbolos (por exemplo, especiarias únicas dessas ilhas - caso das Molucas), por inúmeras gerações sacerdotais... até ao momento em que os portugueses regressam àquelas paragens, e concluem o ciclo... deparando-se com aquelas tribos.

De Alvor-Silves a 13.03.2014 às 16:15

No entanto, a questão acaba por ser mais profunda, já que as 800 línguas faladas na Papua - Nova Guiné envolvem uma desorganização organizada. Ou seja, só é possível uma situação de equilíbrio com 800 tribos com tendências canibais se houver um controlo superior. Esse controlo pode ter sido exercido pelos xamãs locais.
Fica de perceber se ainda conseguiam ou não exercer algum controlo sobre as tribos emigradas... e aí bate o ponto de as Ilhas Molucas terem dominado o comércio de especiarias, de forma notável. Ou seja, nunca deixaram de estar em contacto comercial com as restantes partes do mundo! As especiarias chegavam ao Antigo Egipto, ao Islão, à China, etc...
Se mantinham esse contacto, saberiam do que se passava, ainda que de forma diferida, através dos mercadores.
Ora, o que é preciso efectivamente para ter o controlo?
Roma era uma cidade, menor que uma ilha, e dominou o Mediterrâneo... mas era preciso estar no centro?
Lisboa era uma cidade, menor que uma ilha, e dominou todo o Índico, sem estar no centro... bastava ter os seus vice-reis de confiança!
Por que razão não poderia ser o mundo dominado por um rei numa ilha paradisíaca tropical? Será que o rei deveria preferir o frio europeu?
E se houvesse problemas, que melhor sítio para se esconder do que numa Papua rodeada por ferozes canibais?

Portanto, isto são meras hipóteses, mas acho que não devem ser desconsideradas.

Abraço.

De Anónimo a 14.03.2014 às 05:15

Caro Da Maia

Uns eram Alfas, Brâmanes, Druidas, o que queira. A maioria eram os "Homúnculos", criados para serem escravos.
A confusão surgiu com os intermédios, os bastardos dos filhos dos Deuses. Que nem eram, nem deixavam de ser.
O Caos, instalou-se com a explosão demográfica, que foi buscar sequências a um e outro lado, e baralhou tudo.

Os Homúnculos, continuaram calmamente o seu caminho...À Margem.

Dos outros, alguns que no caos, herdaram uma Sequência Primordial, mas não todo o Código, vivem nessa eterna procura, das Sequências que lhes faltam.

É mais ou menos isto....

Abraço

Maria da Fonte

De Paulo Cruz a 14.03.2014 às 09:43

It's clear that Neanderthals and humans exchanged genes - and some of those genes still exist in the human gene pool.

http://www.usatoday.com/story/news/nation/2014/01/29/neanderthal-human-dna-interbreeding/5027375/

De da Maia a 14.03.2014 às 10:21

Cara Maria da Fonte,
creio que tem razão, mas a situação é a seguinte... completo não é ser mais, é ser menos.
Por isso aquilo que aparentemente poderia ser mais é na realidade menos, porque o que importa é entender a incompletude, e não usufruir de nenhuma completude.
Os animais são completos face ao entendimento que têm, e por isso não procuram maior entendimento. O mesmo se passa com máquinas.
Poderia haver deuses que tivessem maior entendimento que o humano, sim, mas se o vissem como completo estavam no mesmo plano de animais ou máquinas.
Mais, e isto ainda pode parecer mais estranho... mas mesmo que surgissemos apenas como parte dessas entidades divinas, e elas contivessem todo o nosso conhecimento, o facto de se verem completas limitaria-as à percepção de incompletude. Por isso, o mais nesse caso redundaria afinal a menos.

Essa informação de que teria havido inteligência pró-divina que tomaria como "escravos" a inteligência pró-animal, já me chegou por várias vias, e é típica propaganda dos judeus e afiliados, remontando à tradição hindú mais antiga.
Com isso sempre procuraram ver-se como "povo eleito" e justificar a existência de escravos, que poderiam ser tratados como animais.
Depois, acrescentam uma pimentazinha sexual com a desculpa de que há uns "escravos" que são afinal muito mais inteligentes que os próprios, porque houve esse devaneio sexual que deu bastardos.
Essa é mais uma vez a conversa da eugenia, a conversa de inteligência zero.

Abraços.

De Amélia Saavedra a 14.03.2014 às 16:45

"Por que razão não poderia ser o mundo dominado por um rei numa ilha paradisíaca tropical? Será que o rei deveria preferir o frio europeu?"
Estou curiosa para descobrir quem será esse tal rei! :)
E por falar em reis... eis aqui alguns. Estes são de África... quem diria... apesar de todas as reviravoltas que vão acontecendo naquele continente (que mais parece um verdadeiro laboratório de ensaios.. muitos deles sinistros)... Agora não sei se dominam alguma coisa para além das suas extensas proles...
http://realbeiralitoral.blogspot.pt/2014/03/fantastico-trabalho-sobre-reis-africanos.html?spref=fb

De Alvor-Silves a 14.03.2014 às 23:40

Cara Amélia, será que o próprio rei sabe que é rei?
O mais interessante ainda nestas coisas é a incerteza, e a incerteza pode ser tortuosa, mesmo para quem julga deter o poder, porque o poder exigem uma organização e todas as estruturas tal como se constroem, desmoronam-se.

De facto, já falei aqui de teorias, algumas levadas à prática, sobre desresponsabilização.
Considere o seguinte - há uma decisão complicada que ninguém queria tomar, por exemplo, sobre lidar com um grupo de terroristas. O que fazer? Escolhe-se uma comunidade modelo, digamos irrepreensível eticamente, e começa-se a atormentá-los com vândalos. O que eles fizerem em resposta será uma indicação moral para o que os decisores podem fazer, socorrendo-se de um exemplo comunitário modelo. É claro que nessas circunstâncias, a polícia não age, e deixa a coisa complicar-se o suficiente para meter medo à comunidade... até que os cidadãos exemplares decidem tomar conta do assunto por mãos próprias. Quem tomou a decisão diferida? - a comunidade modelo, ou os decisores?

Por isso, pode bem acontecer que o último decisor sobre a gestão da dívida nacional, seja um pacato cidadão que está cheio de dívidas, e em vez de ir renegociar com o banco, corta sucessivamente na mesada do filho, mas não quer cortar na mesada do enteado, para não ter chatices com a segunda mulher, a quem continua a não faltar nada.
Isto pode parecer ridículo, mas este tipo de coisas existe mesmo em funcionamento.

Quanto aos reis africanos... pois isso é um mistério. A razão do aparente desinteresse romano ou islâmico pela África profunda, não se explica muito facilmente... afinal sempre houve ligação terrestre.
Creio que o problema principal seria a ausência de civilização a conquistar... eram apenas tribos, e qualquer colonizador estaria sujeito a ser surpreendido por acções de guerrilha. Isso veio a acontecer mesmo durante o séc. XIX e XX, quando era mais fácil a uns poucos controlarem muitos... antes disso seria muito mais difícil. Pode ter sido tentado sem sucesso. Afinal o nosso estabelecimento em África também foi sempre instável, só se mantendo como bastião o Forte da Mina.

A informação sobre os reis africanos é uma delícia...

Abraços.

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