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Heliocentrismo e Evolucionismo (1)

por desvela, em 15.01.11
Houve duas teorias que marcaram o advento da concepção científica descentrada do homem: 
  • primeiro o heliocentrismo, recuperado por Galileu do trabalho de Copérnico (apesar de Aristarco de Samos ser mesmo citado por Arquimedes);
  • depois o evolucionismo, em que Darwin propõe a evolução das espécies, colocando o homem como apenas mais uma espécie.

Estas concepções marcaram o afastamento do Homem e a Terra do centro do universo, deixando de ocupar um lugar especial no mundo, seja por criação divina, seja por razão natural.
Ao que parece, o matemático Pedro Nunes, quando informado pela teoria publicada por Copérnico, seu contemporâneo, terá respondido que era "matematicamente equivalente".

De facto, não é difícil perceber que, ao contrário do que é popularizado, ambas as representações - geocêntrica ou heliocêntrica - são absolutamente equivalentes. É uma relatividade de posição trivial.
Convirá desmistificar a "falsidade" da posição geocêntrica...

Devem distinguir-se duas posições geocêntricas. Num caso mais puro não se admite a rotação terrestre, noutro caso admite-se essa rotação, mas não a rotação em torno do Sol. O sistema ptolomaico era complexo e muito ajustado às observações terrestres, que conseguiria obter com o auxílio de órbitas adicionais nos planetas que manifestassem movimentos retrógrados. Ptolomeu parece ter referido que, mais importante do que a validade do sistema, era o aspecto de poder calcular sem grande erro, as posições planetárias... não se tratava de entrar em conflito com o sistema heliocêntrico de Aristarco.

Anticítera
De facto, o sistema geocêntrico deverá ter sido usado na concepção do mecanismo encontrado em Antícitera... um mecanismo de relógio, com a posição do Sol e Lua (e talvez de planetas), com mais de 2100 anos, que só teria sido igualado no Séc. XVIII.
A incrível máquina encontrada em Antícitera

Do ponto de vista prático, seria mais importante conhecer as posições na Terra do que ter uma visão externa do sistema. Este mecanismo dá-nos uma clara ideia de que o conhecimento na Antiguidade era muito superior ao que foi relatado e transmitido ao longo de gerações... até hoje. Excluindo, é claro, um eventual conhecimento secreto.

Comparações de visões:
Ninguém se preocupa com os detalhes do sistema geocêntrico. No entanto, o primeiro problema são as fases da Lua. A rotação da Lua diferiria em ~1/28 para comportar uma diferença de iluminação, que permitisse regressar à fase inicial ao fim de ~28 dias. Galileu argumentará com as fases de Vénus e com os satélites de Júpiter, mas nada disso invalidaria a aparente rotação em torno da Terra.

Ilustramos, numa simples simulação computacional, ambas as visões, no caso geocêntrico mais puro:
Descrição parcial das órbitas dos 4 primeiros planetas, de forma equivalente, na visão heliocêntrica e geocêntrica pura, num período de 84 dias (~ revolução de Mercúrio). Na visão geocêntrica pura, a rotação da Terra é substituída pela rotação de todos os outros corpos, o que complexifica o sistema. Apesar da simplificação heliocêntrica, ambas as representações são equivalentes (note-se que a posição relativa dos planetas é a mesma).

A rotação terrestre não é perceptível na imagem da visão heliocêntrica, enquanto na imagem geocêntrica ela é predominante e como consequência complexifica as órbitas na forma espiral... 
A mais elaborada visão Ptolomaica (tal como Oresme Séc. XIV) admitiria uma simplificação com a rotação terrestre. Nesse caso, o sistema geocêntrico fica mais simples, sem órbitas diárias, mas mesmo assim demasiado complexo:  
Sistema geocêntrico, onde a rotação terrestre é suprimida do modelo, permitindo visualizar o modelo num espaço de 7 anos. É mais facilmente perceptível o aparente movimento retrógrado dos planetas.

Estas visões geocêntricas são tão exactas quanto a heliocêntrica, é uma questão de referencial, tal como na mecânica se pode pode optar por coordenadas Eulerianas, fixas, ou Lagrangianas, ligadas ao corpo em movimento. Mas, a visão heliocêntrica teve a sua vitória final com o modelo gravitacional de Newton. À simplificação matemática, acrescia uma base física, a lei da gravidade.

A concepção Ptolomaica tinha ainda erros, de averiguação difícil, no que dizia respeito à ordenação planetária. Em particular, porque os planetas internos (Mercúrio e Vénus), próximos do Sol, são apenas visíveis no período crepuscular (aprox. 20º (1h30m) para Vénus e 10º (45 min) para Mercúrio, antes do nascer ou após o pôr do Sol). A difícil observação de um trânsito de Vénus (sobre o Sol), clamada pelo persa Avicena, terá sido influência para considerar Vénus mais próximo da Terra. Tal é particularmente notável num época em que não era claro que Vénus ao anoitecer fosse o mesmo planeta que ao amanhecer!
   
A posição geocêntrica de Mercúrio, Vénus e Marte teria que contemplar o caso desses planetas estarem mais próximo ou mais longe da Terra do que o Sol. Assim a sua posição relativa seria indecidível entre os quatro, Marte pode estar mais próximo da Terra do que o Sol, Mercúrio ou Vénus.
Apenas um planeta com órbita do Sol acima de 2 UA (1 UA= distância da Terra ao Sol) ficaria sempre mais longe do que o Sol... Acima de 2UA é a distância ao Sol do cinturão de asteróides, e depois dos planetas externos, com Júpiter, Saturno, etc.

Isidoro de Sevilha
É neste contexto de ambiguidade que encontramos a obra de Isidoro de Sevilha (de Rerum Natura, Séc. VI). Vemos que há uma separação de Vénus, é colocado Lucifer, anterior ao Sol, e Vesper, posterior ao Sol - ambos os nomes correspondem a designações de Vénus. 
Lucifer é a estrela de alva, e Vesper a sua aparição ao entardecer. De forma estranha, como não é mencionado Marte podendo aqui colocar-se uma identificação de Marte a Vesper, já que também Júpiter aparece nomeado como Faeton (optando pela nomeação grega). Mercúrio e Saturno aparecem designados normalmente.
Sistema planetário por Isidoro de Sevilha (Séc. VI)

É razoavelmente bizarra a associação depois dada ao nome Lucifer ("portador da luz") a Vénus, enquanto estrela da manhã, e prende-se com interpretações da literatura bíblica, e à influência posterior das obras de Dante e Milton. 
Ao contrário, o aparecimento de Vénus a ocidente, no pôr do sol, era associado à esperança com o nome Hesper (ou Vesper), muitas vezes associado ainda às Hespérides, ilhas paradisíacas ocidentais... cujo nome viria de Hespero, um dos reis míticos da Ibéria.
Manifestação clara da dualidade Ocidente/Oriente, em que o Ocidente era associado à terra prometida ocidental, ou seja à América... à esperança de regressar ao Paraíso Perdido (trazendo o título de Milton).

Bartolomeu Velho
Dentro da concepção geocêntrica, posterior a Copérnico, a representação de Bartolomeu é interessante, pois assume apenas uma rotação solar anual, e não propriamente a visão pura, da rotação diária do Sol. O tempo já é outro, e este será já um esquema geocêntrico de compromisso que assume claramente a rotação terrestre.
Sistema geocêntrico sem rotação - Bartolomeu Velho (1568), cartógrafo.

Apresenta as curiosas esferas de Ar e Fogo, antes da Lua.
A posição dos astros indica claramente a ordem crescente do seu tempo de revolução:

  • Lua: 27 dias e 8 horas (~correcto -15 min.) ; 
  • Mercúrio: 70 dias e 7 horas (~88 dias) 
  • Vénus: 273 dias e 23 horas (~225 dias)
  • Sol: 365 dias e 6 horas (~correcto -ano bissexto)
  • Marte: 2 anos, 730 dias (~687 dias)
  • Júpiter: 12 anos (~11,86 anos)
  • Saturno: 30 anos (~29,4 anos); 
  • Estrelas: 36000 anos
Os valores são bons atendendo à época, sendo o valor mais estranho os 36000 anos para a revolução estelar. Mais curioso ainda é arriscar valores para as circunferências. Sendo o valor 6300 léguas correspondente à dimensão do perímetro equatorial terrestre, com uma légua aproximadamente 6,3 Km... obtemos praticamente 2 UA para a localização das estrelas, enquanto para a distância ao Sol, dá menos de 1% do valor conhecido. Não há uma ligação directa entre o tempo de revolução e a distância em léguas para o grau, não se conhecendo outra razão para os valores apontados. 
O mapa-mundi incluso também não apresenta nenhuma novidade à época.


Contexto
O modelo heliocêntrico de Aristarco deverá ter sido considerado em todo o mundo grego, e nem o próprio Ptolomeu o terá querido colocar em causa. 
Como é óbvio, no período de regressão civilizacional que se seguiu, os textos de Aristarco caíram no esquecimento, e o Almagesto de Ptolomeu acomodaria uma visão popular e ao mesmo tempo bíblica.

O heliocentrismo puro (Sol no centro do universo) acabou por ser rapidamente substituído, por uma visão galáctica recomeçada com a catalogação de Messier no Séc. XVIII, e com a inclusão da própria Via Láctea enquanto mais um entre tantas galáxias.

Grupo de seis galáxias - sexteto de Seyfert

A Terra perdeu o seu lugar especial no Universo, e os homens ficaram reduzidos na sua dimensão...  seriam simples habitantes de um planeta minúsculo. 
Ainda assim, habitantes especiais, feitos à imagem de Deus... 
Ora, sobre essa questão coube a Darwin postular a nossa insignificância seguinte.

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publicado às 04:24


6 comentários

De Anónimo a 04.04.2012 às 15:32

Demais! A última frase arrebata!

De Bartolomeu Lanca a 15.09.2015 às 22:23

Página 26 do livro "A Origens das espécies" por Charles Darwin:
- Não há uma verdadeira grandeza nesta forma de considerar a vida, com os seus poderes diversos atribuídos primitivamente pelo Criador a um pequeno número de formas, ou mesmo a uma só? Ora, enquanto que o nosso planeta, obedecendo à lei fixa da gravitação, continua a girar na sua órbita, uma quantidade infinita de belas e admiráveis formas, saídas de um começo tão simples, não têm cessado de se desenvolver e desenvolvem-se ainda.

De Alvor-Silves a 17.09.2015 às 02:22

Caro Bartolomeu, se Darwin considerava os planetas "obedientes" às "leis fixas", era natural que se interrogasse sobre o legislador. Só os inimputáveis podem achar normal existirem "leis" sem outra razão.

Assim, os "planetas", nome de vagabundos na Grécia antiga, passaram então a obedientes às leis de Newton. Ainda não sabiam os planetas que lei era a sua, e já seguiam a lei de Newton, depois revista e autenticada por Einstein em formato 3 da inquisição judia. Agora os planetas já não seguem a lei em que pensava Darwin, porque Einstein revogou-a numa vírgula que se chamava periélio de Mercúrio.(*)


(*) O brilhantismo de Einstein foi acertar no valor experimental previsto em 1905! Completo deslumbre, acertou em cheio num valor que em 1960 se admitiu finalmente que estava completamente errado. Mas a teoria continua válida, porque alguém refez as contas juntando mais termos. Fantochada completa, é o que é, já que a verificabilidade se resume ao periélio de Mercúrio... mas as extrapolações einsteinianas seguem alegres e contentes nas histórias da carochinha sobre buracos negros, viagens no tempo, wormholes, etc...

De Bartolomeu Lanca a 17.09.2015 às 23:34

Este comentário foi removido pelo autor.

De Bartolomeu Lanca a 17.09.2015 às 23:39

Caro amigo, não sou grande especialista em alguma coisa, só leio aqui e acolá meia dúzia de assuntos fora do circuito mais comercial e que me despertam atenção. O que me leva a assumir, e isto vale só por isso mesmo uma assunção e nada mais além disso, que há muita matéria corrompida pela acção diluviana, e, aqui não está implícito qualquer conotação organizacional, é mero uso da força destrutiva do elemento água.

Parece-me que somos nós, representando uma certa maioria que necessita de uma bengala, provavelmente de maneira inconsciente - o que não invalida que possa haver dano consciente também, o que certamente será uma realidade - que somos um dos gatilhos do diluvio. E disto não está livre ninguém nem nenhuma organização, seja laica, religiosa, dogmática, filosófica ou a agremiação de leitores ao fundo da rua.

Entendo o que refere, comecei a aperceber-me de algumas construções falaciosas quando li o meu primeiro livro sobre ciência dos astros - uso "ciência" como poderia usar "estudo", mas como esta última palavra sugere uma "logia" prefiro a "ciência" que embora tenha a mesma representação etimológica passa mais desapercebida e assim acredito fazer menos fricção a qualquer leitor - , por exemplo no "Perdeu-se Metade do Universo" de Jean-Pierre Petit (investigador no CNRS), está descrito de forma clara as forças que circulam entre os próprios cientistas, bem como os erros que provocam ao divulgar determinadas informações mesmo sabendo que não estão correctas, daí ter escrito que somos os principais actores da hecatombe. Nesta obra o autor explica que quando se definiu uma determinada idade ao universo, quase no mesmo momento se encontrou uma luz com mais uns milhares de milhão de idade que o próprio universo, e, eles souberam e publicaram mas a tal maioria não quis, ou não pode, "escutar".

Noutro caso, num livro mais recente "A Física do Impossível", o autor Michio Kaku explica os entraves que Física enfrentou, barreiras criadas pela estreiteza dos próprios cientistas que determinavam ser isto ou aquilo apto a servir de base para iniciar o trabalho, por exemplo, refere que houve uma época contemporânea em que quem estivesse no ramo da Física estava proibido de ler ficção, ver filmes do fantástico ou aceder a fontes teológicas. Interessantemente neste seu livro, ao consultarmos as referências bibliográficas podemos ler nomes de prémios Nobel, reputadíssimos cientistas e inclusive Stan Lee (Marvel), entre outros.

Por último, em "Os Jesuítas - o regresso" de Jean Lacouture, conta-se como a Ciência laica nasceu de uma "bolha" na Igreja, dominada e defendida pelos próprios Jesuítas para se tornar um ofício fora da instituição religiosa (curioso que muitas das crateras lunares e alguns corpos celestes tem nomes de Soldados de Cristo), o que não invalidou que quer dentro da Igreja nem dentro da própria Companhia existissem querelas tanto sobre os assuntos teológicos como os científicos.

O próprio Einstein não foi lá muito bem tratado por Planck.

Aproveito estas trocas para ir enriquecendo da maneira possível o meu esclarecimento, mesmo sabendo que dificilmente esclarecerei seja o que for, aprecio bastante um bom jogo como aqui no seu blog por vezes acontece.

abcs
B

PS Li recentemente um daqueles aforismos algures que dizia qualquer coisa como "Para criar inimigos não é necessário declarar guerra, basta dizer o que pensa"

PS 2
Wormholes, o meu favorito é do Satriani...ao vivo no Campo Pequeno, um postulato!!!

De Alvor-Silves a 24.09.2015 às 03:20

Caro Bartolomeu,
a especialização é uma miopia, que permite ao "especialista" ver bem ao perto, mas ser completamente cegueta para o contexto que rodeia o detalhe.
Isto para dizer que a noção de "especialista" é uma das maneiras que a sociedade tem de inverter as coisas, e transformar um defeito numa virtude. É claro que numa sociedade de abelhinhas interessa que cada abelhinha seja especialista na sua tarefa, só que isso não revela nada de bom, nem para abelha, nem para a sua sociedade... simplesmente porque um homem não é uma abelha, e uma sociedade humana não é uma colmeia.

Dito isto, por razões que talvez um dia tenha mais tempo de aqui discorrer, compreendo perfeitamente que as coisas tenham seguido o caminho que seguiram, ao ponto de parecerem nuns casos tão organizadas e pensadas, e noutros completamente caóticas e irreflectidas.
Nem quem controla as coisas tem completo controle sobre a coisa, nem deixa de ter... simplesmente grande parte do mérito do seu controlo é nem sequer exercê-lo, é simplesmente levar o outro a crer que controla, e condicionar assim as acções alheias.

Esse Michio Kaku é um vendedor de banha da cobra, como a maioria dos pseudo-cientistas que vemos aparecer como "grandes divulgadores". À nossa pequena escala tivemos cientistas medíocres que também passaram por grandes divulgadores - Mariano Gago e Nuno Crato deram excelentes exemplos da podridão instalada, em que o lambe-botas inútil chega ao ministério do compadrio político.
De facto, em Portugal, os anos em que as coisas mais se desenvolvem são os anos em que não se mexe em nada, já que o que é habitual é estarem-se a mudar as coisas todos os anos, e avaliar-se tudo de novo.
O passado é sempre como se não existisse, e é sempre tudo para recomeçar do zero, como se não tivessem havido responsáveis pelos disparates e incompetências anteriores.

O Einstein não foi bem tratado pelo pessoal da Mecânica Quântica, porque estavam em campos opostos. O pessoal da mecânica quântica estava a mudar a forma de pensar motivado pelos resultados experimentais, enquanto os relativistas estavam a inventar cenários baseados em fórmulas simplificadas.
Einstein recusava que "Deus jogasse aos dados..." e recusava o aspecto caótico do universo. No fundo estava a seguir o velho determinismo, só que do outro lado tinha toda a gente, toda a gente, da mecânica quântica que já tinha percebido que não era assim. Só que, contra a evidência factual, apresenta-se a religião, e em torno de Einstein foi feita uma religião popular e académica.

Quanto ao problema de dizermos o que pensamos... é apenas um - as pessoas continuam a julgar-se donas das ideias, e assim não percebem que são escravas delas.
Eu não tenho nenhum problema em que critiquem as ideias que aqui fui colocando, não me vejo como dono delas, nem seu protector. Se são verdadeiras, não precisam que ninguém tome conta de si, e se são falsas, então merecem ser atacadas, e eu serei o primeiro a fazê-lo, se mais ninguém o fizer.
Se todos fizessem como eu, ninguém se ofenderia com as críticas às ideias.
O problema é que há gente que quer ser dono de ideias, e quer escravizar com elas... mas isso é outra história.
https://www.youtube.com/watch?v=-miLbYrpdvQ
Abraço

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