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Melgueiro, Chack & Amundsen... Tormentas

por desvela, em 04.01.11

Citando ainda o Cardeal Saraiva (Vol.5, pág. 151):
Anno de 1660: A este ano se faz memória de um Português apelidado Melgueiro, que sendo mestre, e piloto de um navio Holandês, saiu do Japão em Março, dirigiu-se aos mares do pólo árctico, subindo até 84º, passou entre a antiga Groenlândia e Spitzberg, e deixando à esquerda a Escócia, viera a Portugal. 
O escritor, que nos subministrou esta noticia, cita Mr. de Buache, no "Paralléle des Fleuves", Historia da Academia das Sciencias de Paris, anno 1753, e Memorias da mesma Academia, pag. 885. E acrescenta por testemunho de Mr. de Buache, que os Batavos tinham, e ocultavam com recato o Diário desta navegação, única até àquele tempo. 
O mesmo escritor nos dá ainda outra noticia, que diz ser sabida: "Notum etiam est  Martinum Chack Lusitanum... etc."; isto é, que um Português, por nome Martim Chack, governando uma nau em conserva de outras duas pelo mar Pacífico, fora correndo os mares, arrojado por huma violenta tempestade, e ventos ocidentais, achando-se por fim à parte meridional da Irlanda, d'onde viera a Lisboa.
Presume-se que Saraiva fale do relato de um diplomata/espião francês, o Seigneur de la Madeleine, sobre a viagem de David Melgueiro (relato publicado quarenta anos mais tarde). Esta viagem de Melgueiro é semi-oficial, tendo sido divulgada algumas vezes (mais raramente, após o 25 de Abril).

Phillipe Buache já foi aqui citado a propósito de Fusang, quando colocou a colónia chinesa em terras americanas. Um outro seu mapa polémico, e que se revelou falso, é este da Antártida (note-se ainda que o mapa coloca apenas a metade holandesa da Austrália, por ser anterior a Cook):
(imagem em diego cuoghi)

Já o nome Martim Chack, identificado como português, tem ocorrência única neste texto de Saraiva. Nem é mesmo claro que a descrição corresponda à Passagem Nordeste ou à Passagem Noroeste... apenas lemos que, por efeito de uma habitual tormenta, se viu do Oceano Pacífico no Atlântico, próximo da Irlanda.

As diversas passagens, Noroeste, Nordeste, Pólo Sul e Norte, podem ser todas atribuídas a Amundsen.
Há uma tentativa de distribuição dos louros, incluindo o sueco Nordenskjöld para a passagem Nordeste, e Robert Peary, para o Pólo Norte, mas o seu registo não terá sido suficientemente meticuloso.

Lembramos é claro da épica disputa entre Amundsen e Scott, que levou ao falecimento de Scott no Pólo Sul.
A coroa de glória britânica a nível de explorações foi completamente destroçada por Amundsen, acabando por ser um reconhecimento final às diversas explorações marítimas dos vikings... afinal, Shakespeare também coloca Hamlet no reino da Dinamarca (e Noruega)... pátria original dos Saxões.

Acerca das Passagens Noroeste e Nordeste, já aqui referimos o mapa Theatrum Mundi de Lavanha, que é razoavelmente indicativo do conhecimento que havia já no Séc. XVI acerca destas passagens.

Por outro lado, não vimos nenhum Cabo das Tormentas, mas encontrámos uma Ilha das Tormentas, assinalada, quer na carta "Pedro Reinel a fez", quer no Tratado de Marinharia:
 
Ilha(!) das Tormentas... situada no Labrador 
mapas de Pedro Reinel (~1500 , à esquerda), e de João de Lisboa (~1514, à direita).

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publicado às 07:40


9 comentários

De Anónimo a 04.01.2011 às 19:48

Caro Alvor,
ao lêr as colónias chinesas na América, vc conhece os Chiricahua?

Com os melhores cumprimentos,

Calisto

De AlvorSilves a 05.01.2011 às 00:47

Caro Calisto,

conhecia o Geronimo... aliás tinha reservado esse papel nos início dos anos 70, já que primos mais velhos reservavam a si o papel de Buffalo Bill!
Agora, passados quarenta anos, venho a perceber que temos "primos" ainda mais velhos, desconhecidos, que também nos reservaram o papel de índios, colocados numa grande reserva.
Por outro lado, convenhamos, o Buffalo Bill também não passou de um actor circense...

Acho que a colónia chinesa de Fusang estaria muito circunscrita à parte costeira, e eventualmente estas tribos índias, mais antigas, seriam um primeiro travão à progressão nessa direcção... serviam de território tampão. Não seria muito diferente do que se passava na China, que sempre conviveu com as tribos nómadas mongóis, a norte.

Os chineses devem ter sabido do que iria ocorrer na América pelos Portugueses. A concessão comercial privilegiada de Macau pode ter sido uma troca pela manutenção de Fusang.

É claro que depois apareceu outro problema... Pedro, o Grande (quase Magno), que encostou toda a China ao seu "meio". Os esquimós... não me admirava que fossem chineses com frio, que escaparam de Fusang!
Afinal, que registos há de esquimós antes do Séc. XIX?

Abraços.

De Anónimo a 05.01.2011 às 02:10

Caro Alvor,
eu era mais o rei Artur e as histórias de cavalaria, tal como a batalha de Hastings em 1066 onde os Bretões eram comandados por um tal de conde Alan. É sempe curioso ver tácticas de cavalaria Alanas, tal como o rei Artur ter elementos Alanos.
De todos os apaches eles (Chiricahua) são os únicos q têm um mito/lenda de migração curioso:
seriam um povo caçador retido em cativeiro por um povo agricola que construi piramides e tinham tanto cavalos como arcos. Revoltaram-se e fugiram para este através de floresta e atravessaram àgua maior que rios, moveram-se para este e sul, os Chokonen, o povo do sol nascente. Lutaram com Azetecas, Pimas etc e depois com Espanhois (resumidamente). o povo que os manteve em cativeiro foram provavelmente da Manchuria...estamos a falar de uns milhares de anos atrás.
Lembra-se da questão Gaia, começa a haver evidências ciêntificas sobre viagens transoceanicas em ambos os sentidos e nos 2 maiores oceanos, isto no 7º milénio antes de cristo. Já não é só uma migração pelo estreito de Bering.
Desculpe ter me desviado tanto, mas isto começa é tudo a ligar-se, e se dermos com o início tudo começa a tornar-se mais claro.

abraço

Calisto
P.S. continuo a perguntar-me com quem é que nós fizemos todas as descobertas...

De AlvorSilves a 05.01.2011 às 05:52

Pois... não sabia essa do conde Alan e dos alanos!
Excelente notícia, pois já tinha aqui conjecturado que o uso nacional do nome Lancaster, escrito quase sempre como Alancastro, fazia-me crer nessa ligação Alan-castro, "castelo" dos alanos... e também o facto de Phillipa ter andado muito por Alenquer (Alan-ker).

Também não conheço minimamente as lendas dos indios americanos, em particular essa, que é deveras interessante.
A migração pelo estreito de Bering seria sempre difícil, mesmo em tempos de glaciação. Se fugissem, ninguém iria atrás pelo mesmo caminho?
Parece-me mais provável que tenham ficado abandonados. Ou seja, teria havido viagens "chinesas" nesses tempos mais antigos, que aportavam na América. Depois a ligação quebrou-se (mudança de dinastia), e ficaram à sua conta na América.
Os chineses têm de facto pirâmides, mas é um outro assunto mais ou menos secreto.
http://www.crystalinks.com/pyramidchina.html
Com o Google Earth podem ser vistas...

Quanto à última questão...
Com quem?
- Quanto a isso, a resposta da história oficial parece-me boa: com os Templários, i.e. com a Ordem... do Templo de Salomão, que entretanto deixou cair os Bizantinos.

Depois, com a reforma de 1529, a Ordem de Salomão foi navegar para outras laranjas, de Orange, etc...
E, seguindo a opinião de KT, anda a mandar foguetes no Canaveral.

Obrigado pelas preciosas infos!

De Anónimo a 14.01.2011 às 23:57

Caro Alvor,
uma publicação de antropologia da universidade do Alasca "The Dene-Yeniseian Connection", falam que a lingua ket da Sibéria central está relacionada com a Norte Americana Na-Dene que inclui Tlingit, Gwich'in, Dena'ina, Koyukon, Navajo, Carrier, Hupa, Apache e mais outras 45. Ket é uma lingua primitiva, a "Yeniseian". Encontraram evidências que mostram que a população começou a falar a lingua no mesmo local geográfico e depois migraram via o estreito de Bering.
Coincidindo assim com a lenda dos Chiricahua.

Melhores cumprimentos,

Calisto

De Alvor-Silves a 16.01.2011 às 06:09

Caro Calisto,

A análise do mapa genético com os haplogrupos, que o José Manuel (e Maria da Fonte) já nos indicaram:

http://www.scs.illinois.edu/~mcdonald/WorldHaplogroupsMaps.pdf
(http://www.scs.illinois.edu/~mcdonald/WorldHaplogroupsMaps.pdf)
tem justamente essa ligação.

O gene C (cor de rosa) está presente em parte dos índios norte-americanos e também na Sibéria central.
Isso ser agora confirmado linguisticamente, pois acho que não deixa muita margem para dúvidas. No entanto, faltará ligar às pirâmides... chinesas?

Abraços.

De Anónimo a 16.01.2011 às 20:03

Caro Alvor,
pirâmides...Manchuria desde pelo menos há 5000 anos atrás até ao sec v.
Mas o curioso não é o facto de haver pirâmides, d haver confirmação através de estudos linguisticos ou DNA, mas sim de eles serem os únicos a terem um mito migratório.
É claro que é curioso encontrar estudos não relacionados nem interligados que confirmam um mito (pelo menos para mim).
Melhores cumprimentos,

Calisto

De Anónimo a 16.01.2011 às 20:25

Caro Alvor,
esqueci-me de um detalhe, para encaixar as datas, que são os cavalos.
De acordo com a historiografia oficial: 6000-4000 os cavalos são domesticados a sul da Rússia, Indo-Iranianos e Celtas são os primeiros cavaleiros.
Foi este o registo mais antigo que encontrei, e o mais perto geográficamente, é claro que o registo na China é de 1200-900.
Um aparte, colocam os celtas a entrar na Espanha em 1400 com o cavalo domesticado, é claro que ninguém conhece as grutas do Escoural, nem as alabardas (armas anti-cavaleiro) datadas V-IV milénio A.C. pormenores...
Deculpe a extensão e o aparte,
melhores cumprimentos,

Calisto

De Alvor-Silves a 17.01.2011 às 02:33

Caro Calisto,

i) tem razão, o mito ter sido preservado tem valor para além da migração. Aliás, só mostra que os mitos devem ser levados mais a sério. É demasiado fácil ver tudo como estórias sem história, quando o oposto acontece mais vezes.

A resistência desses relatos nos índios americanos pode remontar a tempos onde falta a memória europeia ou asiática. À nossa memória foram adicionados factos sucessivos, uns perderam-se, outros misturaram-se. Tribos isoladas de um maior contacto civilizacional podem ter preservado melhor essa memória antiga.

ii) Muito boa observação a dos cavalos... e do Escoural.
Curiosamente, lembrei-me primeiro do Escorial... há destas coisas!
As pinturas rupestres do Escoural, indicam uma presença de cavalos que não me parece ser notória em Altamira ou Lascaux!
Acho que já falámos do cavalo lusitano a propósito do mito do cavalo de Tróia...
Seria interessante saber a origem da cavalaria grega. Os gregos parecem muito tropas de infantaria, e a sua cavalaria mostra-se mais após a queda de Tróia, tendo o apogeu com os Macedónios e Alexandre.
A Grécia não era um terreno propício à criação de cavalos... a maioria deveria ser importada.
O mesmo não se poderá dizer de Tróia... talvez os sucessivos cavalos roubados/criados tenham permitido, ao fim de 10 anos de "cerco", combater de igual para igual com os troianos. Nesse sentido, a cavalaria troiana, força local, seria usada pelos gregos a seu próprio favor.

Já agora, lembrei-me do Escorial pois para além do nome similar, a mudança de Filipe II fez construir um enorme palácio em nenhures, com referências ao templo de Salomão.
http://es.wikipedia.org/wiki/El_Escorial_y_el_Templo_de_Salom%C3%B3n
Por isso, parece estranho a justificação de que Escorial segue do nome da "escória" de uma pedreira local.
Isto está mais ligado com o último post, já que Salomão parecia fazer muitas referências a bois... que afinal talvez fossem touros.

É como a tradição cretense muito ligada aos bois, quando a ilha dificilmente teria condições para eles. Ou seja, talvez Creta não fosse mais do que um entreposto comercial avançado, que lembraria os touros que deixara noutras paragens!

Bom, é a minha vez de me desculpar pelo alongar na resposta e no desfocar...

Um abraço!

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