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O 25 de Abril e a NATO

por desvela, em 25.04.16
STANAVFORLANT foi acrónimo para "Standing Naval Force Atlantic" que englobava navios de diversos países da NATO, desde 1968, em exercício e patrulha pelo norte do Oceano Atlântico... "contra os russos", como era característica da época de "guerra fria".

Acontece que em 1974, esta força iniciou um périplo atlântico, e estava estacionada em Lisboa, por "grande coincidência", em Abril:

Cruise Book - 1974, do navio americano USS Julius A. Furer (DLG 6, primeiro à esquerda)
O plano da expedição está traçado numa carta naval, onde como é fácil ver, Lisboa era apenas o 6º destino, de um conjunto de 17 escalas programadas.

Ora, o Cruise Book de 1974 é escrito no passado provavelmente em Julho de 1974... e há um destaque sobre a passagem por Lisboa, e esse destaque era sobre o quê?

- After almost two weeks crossing the fickle gray Atlantic, the exciting and unforseen adventures of Lisbon (Texas Bar, anyone?) were a relief to many seafarers.

Certo, certíssimo, o destaque ia para o Texas Bar, no Cais do Sodré.

- For the next two-and-one-half weeks, NATO shipmates were to enjoy a most pleasant and friendly port-of-call - not to mention the 25th anniversary of the NATO Alliance!


Ah, claro, para além do Texas Bar havia o 25º aniversário da NATO (a 4 de Abril de 1974). 
Sendo o relato posterior, de Junho... fica a imagem duma tourada no Campo Pequeno, e abaixo uma imagem da comemoração dos 25 anos da NATO em solo português. 

Sendo mais um livro de fotos que outra coisa, o facto de ter ocorrido o 25 de Abril durante a estadia das forças da NATO (e assim ter mudado o regime que os acolheu nas comemorações dos 25 anos da NATO), foi um mero detalhe não mencionado, afinal "unforseen adventures" eram no Texas Bar.

Se pelo lado americano não conseguimos mais informação, pelo lado canadiano, a perspectiva pareceu algo diferente:
  • International Operation Name:  Portugal 1974
  • International Mission Name:  Portugal 1974
  • Mandating Organization:  Government of Canada
  • Region Name:  Europe
  • Location:  Portugal
  • Mission Date:  4/25/1974 - 4/25/1974
  • Mission Mandate: Potential non-combatant evacuation operation if the coup of 25 April 1974 had become prolonged or violent.
  • Mission/Operation Notes:
For 48 years, Portugal had been ruled by a dictatorship, first by Antonio Salazar and then by Marcello Caetano. On 25 April 1974, members of the Movimento das Forcas Armadas (MFA - Armed Forces Movement), composed primarily of military personnel at the captain and major ranks, staged an almost bloodless coup d’état. Known as the “Carnation Revolution”, the revolution converted Portugal from a fascist state into a liberal democracy in two years. The MFA was led and organized by Major Otelo Saraiva de Carvalho.
Although the MFA did not have the support of senior officers, many of whom were loyal to the regime, they faced little opposition from the rank and file of the Portuguese armed forces and it took only one day for them to bring down the government.
Canada’s relationship to the coup was purely by chance. NATO naval Exercise Dawn Patrol was scheduled to start on the morning of 25 April. On 16 April, HMC Ships Preserver, Huron, Iroquois, Assiniboine, and Annapolis departed Halifax for Lisbon. They and other NATO vessels rendezvoused in Lisbon on 23 April for pre-exercise briefings and a two-day port visit. HMCS Yukon was the flagship for the Standing Naval Force Atlantic, meeting up with the other NATO ships in Lisbon, where she turned over flagship duties to HMCS Annapolis. While events unfolded ashore, the NATO ships were moved from berths alongside Lisbon harbour to anchorages in the harbour – this was part of the normal schedule and not related to the coup. Later that morning, around 11:00 AM, they departed, following the script of the exercise.
The only Canadian ship to remain in Lisbon was HMCS Assiniboine. Enroute to Lisbon, she had been detached from the Canadian Task Group on 22 April to assist the MV Trade Mariner, which had suffered an engine failure. Assiniboine towed the ship into Lisbon, arriving on 24 April. As a result, she received permission to stay in Lisbon an extra day, to 26 April. At 7:00 AM on 25 April, Assiniboine was moved to an anchorage so the rest of the NATO fleet could sail later in the morning. Shortly after 9:00 AM, the Almirante Gago Countinho, guns at the ready, was observed circling the harbour and the Assiniboine. Assiniboine moved to a higher state of watertight readiness; however, by mid morning the tension was defused when the Coutinho elevated its guns skywards, indicating its neutrality in the coup attempt.
About 10:25 AM, the commanding officer of Assiniboine took a small party ashore to meet the Canadian ambassador and seek guidance. Unfortunately, lack of knowledge about what was happening prevented the Ambassador from providing any specific instructions. What was known was that there appeared to be no direct threat to Canadians. The Commanding Officer was later approached by the American Assistant Naval Attaché who could provide some details, which were then passed on to the Canadian Embassy. By 3:00 PM Assiniboine slipped her anchorage and sailed down the Tagus River.
An Argus maritime patrol aircraft detachment, from 405 Squadron, happened to be at Montijo, on the other side of the harbour from Lisbon, preparing for Exercise Dawn Patrol as well. With the airport shut down, they could neither depart, nor take part in the exercise.
Como saliento no texto, e nem era preciso referi-lo, "a participação canadiana no golpe foi completamente acidental", tal como foi a de toda a NATO, que estava ali por acaso - no Texas Bar, já se sabe, e dá-se uma revolução - que aborrecimento. Querem sair todos às 11h00 do dia 25 de Abril, conforme planeado no exercício "Patrulha da Madrugada"... um nome certamente inspirado nas madrugadas ("dawn") após o Texas Bar.
Ora, há uma fragata portuguesa - a Gago Coutinho, que circunda o navio da NATO, Assiniboine - um dos 5 navios canadianos, que se juntaram com os restantes navios da NATO no dia 23 de Abril - para briefing do exercício e visitar o porto. Os canadianos, menos explícitos, não revelam que a verdadeira intenção era visitar o Texas Bar. As coisas com o navio Assiniboine só acalmam a meio da manhã, quando a Gago Coutinho levanta as armas para o céu - indicando neutralidade no golpe... isto numa altura em que os canadianos não sabiam o que se passava em Lisboa, mas achavam por bem que os aliados portugueses não interviessem, no que quer que ocorresse (imagine-se se fossem os comunistas com apoio dos russos...).

Ora, também como manifesta coincidência, é no dia 23 de Abril que se dá o primeiro sinal de vida dos revoltosos, com o estabelecimento da linha de transmissões entre os Pupilos e o Colégio Militar, com o posto de comando do MFA na Pontinha... e curiosamente, noticiava o Jornal de Notícias que nesse dia 23, o norte do país tinha estado isolado do mundo. «caiu uma faísca no cabo coaxial Porto – Lisboa»
A preocupação do MFA com as forças da NATO estacionadas em Lisboa... e que "nada sabiam do golpe" (lembremo-nos), era uma preocupação nula. Avaliando a versatilidade de Otelo, o MFA teria controlado a situação com o dono do Texas Bar, que entreteria os gringos.

Em 2014, quarenta anos depois, ainda se discutia qual o papel do Comandante da Gago Coutinho, ou seja, António Seixas Louçã, numa disputa de um comunicado de vários intervenientes no 25 de Abril e a versão dos filhos do comandante (um dos quais, o conhecido Francisco Louçã).
Quase como análogo à posição americana ou canadiana, a relevância das forças da NATO é também negligenciada pelos "capitães de Abril"... os gringos estavam ali por acaso, e não interessava nada haver em Lisboa uma força militar capaz de tomar a cidade de assalto.

Não se percebe que raio de glória é que esta gente quer levar para as tumbas, mas certamente parece que não deixam cá nenhum apego pela verdade... e à conta de meias-verdades que caem bem, a um ou a outro, a pena que umas gerações deixam às outras seguintes, é a persistência na ocultação da verdade.

Vem isto a propósito de um postal que coloquei no Odemaia: Mary Poppins, Dona Celeste e o 25 de Abril... face a informação de Carlos S. Silva, e onde se mostram fotos da Gago Coutinho com as canhoeiras levantadas, e do contra-torpedeiro canadiano Huron, com canhão em posição de disparo.
Fragata Gago Coutinho (F 473) ameaça bombardear posições revoltosas
Contra-torpedeiro Huron (DDG 281) da NATO bloquearia a Gago Coutinho
face ao seu alvo - forças de Salgueiro Maia
Na revolução republicana de 1910, o grão-mestre maçon foi pedir a benção às lojas francesa e inglesa, antes que mexessem uma palha... Neste caso, passados estes anos, continua a insistir-se no fabrico caseiro da revolução, sem conhecimento externo. Acresce a presença de um enorme contigente da NATO no porto de Lisboa, que se reune a 23 e parte a 25 de Abril.
Já sabemos, foi tudo co-coincidência, mas tanta incidência de CoCos tem um preço, isto mesmo sem precisar de ir buscar o jardim da Celeste para falar das flores.


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publicado às 07:37


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