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Lemuria

por desvela, em 25.02.14
Nos estudos sobre migrações, um elemento de controlo, e que deveria ser particularmente tido em conta, seriam os estudos sobre os animais que podem ter acompanhado essas migrações. Tais estudos não parecem ter colhido a mesma atenção que os estudos directos, pelo menos em alguns casos.

Lemuria
No entanto, quando se fala no continente "Mu" ou "Lemuria", isso relaciona-se com os Lemures:
Lemures (Madagascar), Loris Tardigradus (Ceilão), Lemure voador (Sunda, Filipinas)

O nome Lemúria parece ter sido sugerido para explicar uma ligação dos primatas através do Oceano Índico, que seria assim explicada pela existência dessa plataforma continental, algo que veio a ser abandonado ao considerar-se a deriva das placas tectónicas.
No entanto, como esta versão encaixava ainda com um mito dos Tamil, de um reino afundado, criou uma ideia de "atlântida" no Índico... que se estendeu depois ao Pacífico.

Algumas notas:
  • (i) Lemurias - é ainda nome de festividades romanas, de 9 a 13 de Maio. Celebravam o espíritos "lemures" que atormentavam os vivos por terem sido vítimas de morte violenta. Foi o nome destes espíritos que Lineu usou para os primatas, seguindo talvez a sugestão de Paracelso.
  • (ii) Tardigradus - é o nome de um Loris, parente próximo dos Lemures, e que basicamente designa os seus passos vagarosos, foi ainda designação aplicada aos Tardigrades - os ursinhos espaciais (cf. Portugalliae). O Loris Tardigradus é encontrado no Ceilão, e no sul da Índia, entre os Tamil.
  • (iii) Acerca de Kumari Kandam, o míto Tamil refere esse continente afundado, e liga-o à personagem mítica: Maya Danava (Mayasura, Mamuni Mayan). Esse "asura" Maya é ligado à construção de construções notáveis - inclusive de cidades voadoras: Tripura. Este registo é usado na ligação mítica a fenómenos ETs.
__________
Os lemures (propriamente ditos) são uma excepção de Madagáscar, onde não há macacos, ou outros primatas. Os primatas têm essa particularidade de não serem nadadores, e como tal uma continuidade migratória deveria ter sido feita naturalmente por terra. Por outro lado, no lado americano apenas se encontram pequenos macacos, que diferem dos outros pelo facto de usarem uma cauda preensil.
Vejamos a distribuição dos primatas (não humanos):

Tornam-se razoavelmente evidentes algumas coisas normalmente menos consideradas.
  • (i) Os primatas gostam de calor. O número de primatas fora das zonas tropicais é quase reduzido ao Japão.
  • (ii) À excepção dos humanos, os primatas têm pêlo e não são nadadores.
  • (iii) Não há primatas na Austrália e na Papua - Nova Guiné.
Começamos por rever um mapa com a situação perante uma diminuição considerável do nível do mar, dentro dos limites habitualmente considerados para a Idade do Gelo (circa 200m):
Aumento continental (a azul claro) por descida do nível do mar (época glaciar).

Ou seja, a população de primatas que avançou para a zona das ilhas da Indonésia pode ser justificada pela mancha terrestre (azul clara) que praticamente levou a uma extensão contínua do sudeste asiático até à Austrália. A grande profundidade marítima na Fossa de Timor poderia justificar uma separação efectiva face à Nova Guiné e Austrália, mesmo em época de glaciação.
Nesse caso de separação marítima, a única possibilidade para a deslocação humana na direcção australiana seria por algum método de navegação primitiva. A restante possibilidade seria uma caça intensiva dos aborígenes, e específica dessas regiões (Austrália, Nova Guiné), que teria levado à extinção de quaisquer outros macacos ou hominídeos. 

Nota-se ainda neste mapa a ligação do Ceilão à Índia, com um eventual prolongamento terrestre na direcção do Índico (Dorsal de Chagos-Laquedivas), o que pode corresponder a esse mito antigo do "Kumari Kundam" (ver também o Planalto das Ilhas Mascarenhas, Reunião e Seychelles).
Parece-nos ainda natural considerar que Mu (para além da extensão de Kumari Kundam) poderia corresponder a todo o planalto afundado que vai de Java ao Japão. Esse certamente estaria emerso durante a Idade do Gelo.

Por oposição podemos ver o mapa que obtemos quando fazemos o oposto, ou seja subindo o nível do mar, por situação simétrica (a azul claro as partes que seriam submergidas). Há grandes extensões que têm uma altitude reduzida, e o efeito mais dramático seria na Europa-Rússia.
Submersão de zonas de baixa altitude (a azul claro) por aumento do nível do mar.

Numa situação deste género mantinha-se a grande cadeia montanhosa que é praticamente contínua entre Portugal e o Vietname ou pela China até o nordeste siberiano (as descontinuidades são nos Pirinéus e o Dardanelos; nesta situação Pequim passaria a cidade costeira...). 
Manter-se-iam muitas ilhas montanhosas da Indonésia à Nova-Guiné, mas haveria novas ilhas - em particular, a Austrália dividir-se-ia, a Índia e a Coreia passariam a ser, tal como o Japão, ilhas. Da grande extensão russa, não oriental, restaria a linha dos Urais.

É habitual folclore dizer-se que tais transformações demoram milhares de anos, etc... No entanto, nem sempre é assim. O Aral era um dos maiores lagos do mundo, aliás era chamado Mar Aral, e só era ultrapassado em dimensão pelo Mar Cáspio, e pelos lagos Superior e Victoria.
No espaço de 20 anos ficou reduzido a uma dimensão insignificante.
O que aconteceu ao Mar Aral?
Desaparecimento do Mar Aral em 20 anos (entre 1989 e 2009)

Pode falar-se do desvio dos rios, mas as causas do desaparecimento do Aral são essencialmente naturais... e o Cáspio também sofreu uma redução significativa.
Já aqui falámos de como o Mar Cáspio se deve ter ligado ao Oceano Ártico, e no Aral restaria uma outra parte desse enorme Mar que dividia a Europa da Ásia. 
A situação começou a ficar pantanosa já no tempo dos romanos, permitindo fácil migração dos mongóis, Hunos, até às paragens europeias. Ainda hoje toda aquela região tem inúmeros lagos, devido a essa baixa profundidade.
______
Tentou-se sempre tomar como fabulosas as referências dos geógrafos antigos que davam o Cáspio como um verdadeiro mar ligado ao Oceano Ártico. Esta situação recente mostra como se podem processar grandes alterações num curto espaço de tempo. Dentro de poucas décadas o próprio mar Aral poderá ser visto como um registo fabuloso, só conhecido por estudiosos e pela memória das populações locais. 

Nova Guiné - Múmias, Mãos, Antas 
Voltamos a insistir na questão singular da Papua - Nova Guiné, neste caso para notar que a tribo dos Anga tem uma tradição de mumificar antepassados:
«Mummies are not only found in Egypt. 
In Papua New Guinea, mummies show respect to their ancestors 
and are treated as if they’re still alive.» (http://blogs.ksbe.edu/lenelson/ )

De facto, a tradição de mumificar corpos não é apenas egípcia, conhecem-se outros casos, mas é especialmente notável esta tradição na Papua-Nova Guiné, que parece ser contínua desde os tempos mais remotos. O método é aqui "fumegante" e pode ter origem nalguma observação canibalesca...
É significativa esta atribuição religiosa de presença dos mortos, fortalecida certamente por algumas "inspirações" dos xamãs locais.
Portanto, para além de ter sido um ponto de origem da agricultura, também a Nova Guiné surpreende nesta remota tradição de mumificação... Isto liga ainda com a migração vista nos haplogrupos, que parece ter como ponto de origem as paragens da Oceania... e provavelmente as circunstâncias de variação do nível do mar, a variação entre a ligação continental (Mu) e a formação de ilhas, causando uma diversificação e competição acentuada. 

Temos ainda outras tradições que se mantêm - cavernas com mãos pintadas... num tom mais colorido do que o habitual:
Awim Cave Art (A. Toensing, National Geographic)

E o que é interessante, devido à tradição se manter naquelas paragens, compreender como isto resultava de um sangrento ritual de iniciação juvenil, neste caso da tribo Karawari.
Aparentemente há várias outras cavernas com inscrições variadas, para além de mãos... mas a informação parece ser mais escassa (actuam para isso outro tipo de mãos).

Ainda na Nova-Guiné, numa ilha chamada Unuapa, encontrámos um excelente artigo:
Sarah Byrne: "Community Archaeology as Knowledge Management: 
Reflections from Uneapa Island, Papua New Guinea", Public Archaeology 11(1), 2012.

onde, entre muitas interessantes considerações, parece ficar evidente que os dólmens tiveram um interesse prático algo surpreendente:
 

É claro que chegados à Europa, os dólmens cresceram, talvez crescendo a importância dos chefes locais, que requeriam um lugar mais alto à "mesa"... (Abraracourcix montado no seu escudo é uma boa caricatura dessa "necessidade de elevação").
Há ainda outras referências mais complicadas... de monumentos megalíticos na Nova Guiné, mas faltam imagens (por exemplo, no caso de Bunmuyuw ou Muyuw - Ilha de Woodlark - ver reconstrução simulada).

Deixamos um link para uma lista muito interessante de monumentos na Oceania - Melanesia:
http://www.wondermondo.com/Melanesia.htm

Porque afinal, não há apenas a Ilha da Páscoa no Pacífico, e se ela tem concentrado todas as atenções, é apenas uma parte de um fenómeno muito maior, que se estendia pelo oceano.
Já tínhamos falado do Taiti e da Pirâmide de Mahaiatea... juntamos apenas mais alguns exemplos de outras construções, espalhadas pelas ilhas do Pacífico:
Ilha de Tonga - Anta denominada Ha amonga a Maui

 
Ilhas Marquesas (tiki)[à esquerda] ....  Micronésia (Palau) - "Pedra Dinheiro" [à direita]

Há um misto entre a diversidade de construções, a sua discutível datação, e algumas analogias directas que se estabelecem com outras construções universais.

Parece-nos mais natural entender que as alterações geológicas, nomeadamente devido ao isolamento em ilhas, provocaram conflitos com rápida evolução daquelas populações... esse terá sido o contributo de um eventual afundamento de terras correspondentes a Mu ou a uma Lemuria perdida. As comunidades sobreviventes herdaram "lamúrias" passadas a violentos rituais sociais.

A parte de herança comum parece denotar que se restabeleceu uma cultura primitiva, baseada na zona da Nova-Guiné que veio a influenciar de forma definitiva todo o mundo... seriam evidências disso a mumificação, a pintura em cavernas, ou até os dólmens - que afinal podem ter servido mais de tronos do que de monumentos funerários. 
Convém recordar que os haplogrupos parecem apontar para uma origem na zona da Nova-Guiné
A passagem do K para M, S é feita nessas paragens, e é dessa mesma linha que surgem os N (siberianos), os O (chineses), os Q (indios-americanos) e os R (indo-europeus).
O poderoso controlo xamã teria mantido uma sociedade estagnada nas ilhas de origem, principalmente na Papua-Nova Guiné. Nos outros locais para onde migraram essa estagnação foi desaparecendo progressivamente, até ter resultado na civilização ocidental... que de alguma forma parece ser herdeira, para o mal e o para o bem, dessa primitiva forma de ser que foi reencontrada naquela ilha "parada no tempo".
24 a 27 Fevereiro 2014

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publicado às 07:59


Cosquer - caverna rupestre submersa

por desvela, em 05.02.14
Apesar de ser claro que o nível de água teria que aumentar após a "Idade do Gelo", e que assim há diversos registos humanos que estão obviamente submersos, persiste a ideia de evitar considerar o assunto.
Basta ver o esforço em desacreditar que Yonaguni não seria construção humana:
Degraus submersos em Yonaguni (Japão) 
Degraus em Sachsayhuaman (Peru)
Comparação e mais imagens em: 

A Caverna Cosquer, perto de Marselha, foi "encontrada" em 1985 por Henri Cosquer, mas só foi "achada" em 1991, quando morreram 3 exploradores (informação da wikipedia). Durante 6 anos esteve encoberta, para além de ter estado realmente submersa durante vários milhares de anos.
Apesar de fazer já parte do património francês, dificilmente se pode considerar que a Caverna Cosquer tenha a atenção que deveria merecer, dado o carácter único do achado... longe disso! Já tinha visto muito sobre cavernas pré-históricas e nunca vi nenhuma referência especial a esta. Eu diria que apesar de achada, ainda não foi descoberta... usando os termos "achar" e "descobrir", segundo as conveniências políticas passadas, e por sinal presentes.
Ou seja, para descobrir, é preciso ter o acordo dos cobridores...
- Qual penso que seja o maior problema?
- Simples. Depois de tantos anos a desacreditar o misticismo, incluindo a história do dilúvio, ter de aceitar que houve uma inundação da área habitável é visto como uma possível credibilização bíblica, ao nível da população.

Entrada submersa a 37 metros
A entrada submersa da Caverna Cosquer está a mais de 30 metros, e como não se aceita que os nossos antepassados tivessem guelras, fatos de mergulho, ou capacidade de teletransporte, parece ter sido finalmente aceite que as pinturas foram feitas numa época em que o nível do mar estava dezenas de metros abaixo do actual - e a custo, fala-se em centenas, mas a barreira instituída, por agora, são os 150 metros... já que polvilham evidências por todo o lado até essa profundidade.

a entrada submersa leva uma gruta que está acima do nível de água... 

Ora, o que se encontra na Gruta de Cosquer?
Não parece ser muito diferente dos outros locais... registos de mãos pintadas, já datadas com 27 mil anos, e outras pinturas de animais, mais recentes, datadas com 19 mil anos.

O ministério da cultura francês tem uma página bastante boa:
e não se poderá criticar a ausência de reconhecimento governamental, neste caso.
Também há fundações privadas que têm um registo igualmente bom:

... mas o problema é que até fazer parte da "agenda de conversa" nos quiosques habituais da internet, nos livros dos divulgadores dedicados a estes e outros assuntos, a informação é residual. Na maioria das vezes somos apenas caixas de ressonância, repetindo num lado o que foi visto no outro, e é quase sempre a mesma informação seleccionada.
Como já disse, e creio ser natural, estes exemplos só servem para mostrar que deveria haver imensas cavernas com arte rupestre. Os nossos antepassados eram dados à espeleologia, e se não encontramos mais registos, muito provavelmente estão encontrados, mas por "descobrir", ou foram "lavados pelo tempo".

Deixamos algumas figuras, das várias que podem ser encontradas nos referidos sítios:



Merecem só uns pequenos comentários. Por um lado vemos que o local estaria próximo de caça de veados, cavalos, bisontes, o que nos parece que coloca a caverna não tão próximo do mar quanto isso... e por outro lado, a última imagem sugere realmente algum animal aquático.
A legenda da figura diz "três pinguins"... talvez pudessem ser pinguins, alcas, focas, ou lobos marinhos... mas com o mesmo grau de arbitrariedade também podemos pensar em coisas mais antigas, lembrando que o primeiro fóssil de réptil marinho foi encontrado numa caverna, em Maastricht, e foi o então famoso Mosossauro:

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publicado às 17:38


O engenho a vapor que se vaporiza (2)

por desvela, em 22.11.13
Surge hoje uma notícia que vem confirmar a invenção prévia de máquinas a vapor em Espanha:
A Biblioteca Nacional espanhola anunciou hoje ter adquirido um documento datado de Espanha do início do século XVII que faz referência ao que tudo indica ser uma máquina a vapor, 100 anos antes da sua invenção.  ________ Datado de 1600, o documento descreve as ideias do navarro Jerónimo de Ayanz e Beaumont, comendador de besteiros da ordem de Calatrava, sobre o uso "industrial da energia do vapor mediante uma série de engenhos" (...)  

 Ler mais em
http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=697830&tm=4&layout=121&visual=49
http://expresso.sapo.pt/documento-espanhol-do-seculo-xvii-faz-referencia-a-uma-maquina-a-vapor-primitiva=f842455

O assunto já tinha sido aqui abordado, com uma documentação ainda mais antiga, relatando não apenas uma invenção de máquina a vapor, mas de um inteiro barco a vapor, apresentado a Carlos V:
http://alvor-silves.blogspot.pt/2011/02/o-engenho-vapor-que-se-vaporiza.html

... portanto, não é a mesma notícia, é algo de muito mais suave, mas caminha na direcção certa de desencobrimento da monstruosa cobertura que nos envolve.

Sobre Jeronimo de Ayanz y Beaumont, pudemos ler rapidamente uma descrição constante de um artigo de 2003:
Out of his experience as overseer of mines came not only new assaying techniques but a precision balance, designs for more efficient furnaces, a steam injector to ventilate mines (a priority after his assistant was poisoned by toxic gases), and pumps using pressurized steam to drain flooded mines. He also developed a diving bell and suit for retrieving underwater treasure, shipboard pumps, a submarine, windmills, and sundry other useful machines.
Un inventor navarro: Jeronimo de Ayanz y Beaumont (review), Alison Sandman
 
Imagens da página


Portanto isto não é novidade, como atestam artigos antigos, a novidade é mais o esforço da Biblioteca de Espanha na divulgação.
No entanto, devemo-nos lembrar que as notícias do barco a vapor de Blasco de Garay, contemporâneo a Cortés, Pizarro, (até de Colombo), também as obtivemos em jornais do Séc. XIX, e pouco ou nada adiantaram -- foram simplesmente esquecidas pelas gerações seguintes.

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publicado às 23:10


Dos bancos, o velar e as pirâmides

por desvela, em 25.09.13
Muito oportunamente recebemos hoje um comentário de Olinda Gil sobre a descoberta de um banco com formato piramidal por um velejador açoriano, Diocleciano Silva, em mais uma reportagem da RTP Açores.

Com base nesse comentário, no blog Portugalliae (de J.M. Oliveira) está já uma compilação que relaciona com outras descobertas subaquáticas na zona dos Açores:
http://portugalliae.blogspot.pt/2013/09/teoria-da-atlantida-no-arquipelago-dos.html

Este é mais um achado, que se junta a outros que têm vindo a merecer atenção sobre os Açores (já aqui falámos das Pirâmides da ilha do Pico, da Grota do Medo, dos hipogeus na Terceira e Corvo, etc., não esquecendo também a estranha formação submarina ao largo da Madeira... agora disfarçada no Google Maps)

Apenas aproveito para complementar com alguma outra informação relacionada.
Começamos por uma informação batimétrica dessa zona, entre a Terceira e São Miguel, onde é muito bem conhecido o Banco de D. João de Castro.
Imagem batimétrica, onde se vê o Banco D. João de Castro (info daqui
e assinalamos com uma seta o outro banco que pode ser a formação pirâmidal mencionada.

A seta preta assinala uma proeminência que se destaca, que parece ter uma forma piramidal pronunciada, e que é a única tão próxima da superfície do mar, sem ser o conhecido Banco de D. João de Castro. Aliás as montanhas submarinas dos Açores têm sido alvo de exploração recente, como mostra o vídeo da Univ. dos Açores:
Vídeo da Univ. Açores sobre montanhas submarinas açorianas.

Portanto, é claro que o velejador Diocleciano Silva não será o primeiro a deparar-se com a estrutura, que será bem conhecida de todos os que realizaram estudos batimétricos na zona da fossa planalto Hirondelle (... andorinha, era o nome do barco do princípe Alberto I do Mónaco).
A página de onde retirei a figura batimétrica é sobre uma outra formação, chamada o Banco do Mónaco, mais a sul, sudoeste de S. Miguel. Trata-se de um vulcão submarino, e é curiosa a menção feita na página de vulcanologia:
The volcano is unusual for a European volcano as it has never been studied.

Os Açores têm destas coisas... há coisas que nunca foram estudadas.
Por isso são naturais as tentativas de descobrir - ou seja de retirar do encobrir, já que Portugal é feito da matéria do Encoberto.

É claro que a questão do velejador seria prontamente resolvida se houvesse informação disponível, mas assim fica encoberta por toda a ausência de informação divulgada. Estes "achados" são assim falados por uns tempos, correm o facebook por um par de dias, e depois aguarda-se que entrem naturalmente no esquecimento.
Como a população tem uma curiosidade não persistente, o assunto merece uma atenção fugaz, já que as pessoas se conformaram a ter uma informação não esclarecida. Rapidamente haverá outro assunto que prenderá a atenção, e o mistério desaparece naturalmente.

No caso em concreto convém notar apenas que a formação pode ser natural, pois o aparelho usado pelo velejador parecia estar no limite da sua resolução, e nessa altura as linhas curvas podem ser apresentadas simplificadamente por quatro linhas, e a forma quadrangular pode sugerir uma forma piramidal (as curvas de nível da montanha do Pico numa má resolução poderiam aparecer da mesma maneira).
De qualquer forma, mais importante do que haver ali ou não uma pirâmide, é não haver logo um esclarecimento ao velejador, e o assunto ser alvo de reportagem como se a Marinha não soubesse, nem se tivesse passado ali com um sonar antes...
Ora, este conhecimento vai mesmo para além dos 100 anos, já que há esses estudos reportados a Alberto do Mónaco, e também ao nosso rei D. Carlos, que foi igualmente um oceanógrafo reconhecido.

Muito antes, no Séc. XVI, o próprio D. João de Castro ficou conhecido pelos seus estudos sobre os baixios.
Nessa altura chamavam-se "baixios" e não "bancos", mas agora é mais fácil associar a riqueza que guardam estes bancos e perceber como pode haver uma crise com a revelação dos segredos dos bancos (... velando pirâmides financeiras).
O significado das palavras serve vários propósitos.

Esses baixios apareciam representados nos Roteiros de D. João de Castro, vice-rei da Índia, como é exemplo na próxima gravura, e visavam evitar problemas de navegação com profundidades baixas.
(Roteiros de D. João de Castro, Biblioteca da Univ. Coimbra)

É claro que esta precisão de contornos dos baixios envolveu uma pesquisa sistemática na navegação.
Na altura seria provavelmente usado o esquema clássico de lançar uma corda ao fundo e medir as braças.
Esta menção aos baixios pode ter sido mais sistematizada por ordem de D. João de Castro, mas já seria encontrada em mapas anteriores.
Alguns baixios em frente da costa de Moçambique já estavam delineados no Livro de Marinharia de João de Lisboa e apareceram designados depois com a referência a D. João de Castro. Por isso, antes da designação desse Banco D. João de Castro nos Açores (vulcão submarino que originou uma ilha temporária em 1720-22) havia outros "bancos de D. João de Castro", na costa próxima de Moçambique, junto às Ilhas Comores.

Costa de Moçambique. Baixios de D. João ... de Castro.
No Livro de Marinharia (c. 1514-60) a menção aos baixios, 
e sua localização no Google Maps (seta amarela).


Repare-se que a menção aos baixios envolve um conhecimento de grande profundidade no Séc. XVI.
E, é literalmente profundo, pois marcas envolvem medições que iriam muito além de várias centenas de metros.

Nota adicional: (12/10/2013) __________________
A Marinha parece ter reduzido o problema à confusão do navegador com o Banco D. João de Castro:

É engraçada a forma de desinformação dos tempos recentes - basta a uns dizerem que sim, e a outros dizem que não.
Um é velejador solitário, o outro é a Marinha com os registos oficiais de maior "sensibilidade".
Não foi preciso confrontação dos dois registos. 
Ficamos a saber que até à comunicação à RTP Açores, o velejador pesquisou durante vários meses sem saber da existência de tal banco, que aparece em todos os mapas. Por outro lado, os repórteres da RTP Açores fazem uma reportagem sem se informarem com mais nenhuma fonte. A Marinha demora 12 dias a concluir uma trivialidade poderia ter sido esclarecida em 5 minutos. 
Uma trapalhada!... uma sucessão de enganos e incompetências, que afectam instituições com algum prestígio - mas é suposto ser normal as instituições darem como perdida a sua respeitabilidade. Haja paciência!

De qualquer forma, já antevendo desfechos deste género como os únicos possíveis num quadro de ocultação, este texto foi feito para ter relevância para além da observação de Diocleciano Silva.
Entre outras coisas, fica claro pelo mapa que apresentámos aqui que há uma estrutura de forma piramidal acentuada, que não é o Banco D. João de Castro, é aquela que está assinalada pela seta a negro, e que mais uma vez não foi mencionada.

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publicado às 07:55


Pés e Cabeça

por desvela, em 16.09.13
Um dos registos passados mais misteriosos é o que diz respeito à deformação cefálica.
Que motivo levou diferentes civilizações a deformarem os seus crânios de forma tão pronunciada?
Olhando para os crânios deformados da civilização de Paracas (Perú, zona Nazca), apenas pelos aspectos morfológicos, poderíamos até duvidar que se tratavam de Homo Sapiens...
Crânios deformados encontrados em Paracas... (ver também esta página)
Dada a sua vizinhança à paisagem Nazca, é de perguntar: 
- por que razão estes crânios expostos em museu, que lembram "figurações extraterrestres",
não aparecem habitualmente nos livros sobre Nazca, onde se fazem conjecturas sobre visitas passadas?

Não é só em Paracas (península de Ica, perto das figuras Nazcas) que se encontram crânios deformados.
A página da wikipedia que citámos (e que remete ao livro The Enigma Of Cranial Deformation: Elongated Skulls Of The Ancients, D.H. Childress and B. Foerster, 2012), indica vários casos: 
They were not unique in this, as the process of manipulating the shape of a child's head in infancy was practiced by many cultures, at different times, around the world. These other cultures include those in ancient Iraq, Russia, Melanesia, Malta, North America, Mexico, and possibly Egypt during the Amarna period: Tutankhamen has been cited as having an elongated head, but that is disputed by many scholars.
O que motivaria esta tradição em culturas que vão da Oceania (Melanésia) até à Europa (Rússia, Malta), ou às Américas (Mexico, Perú)?
Não se trata propriamente de uma moda de "corte de cabelo"... a deformação craniana é um processo violento, que poderia provocar dores inimagináveis.
Pintura do Séc. XIX (Paul Kane), representando o processo de deformação cefálica
numa criança índia Chinookan (EUA), e um resultado obtido no adulto...

No entanto, este processo estava normalmente associado a uma certa casta social... ou seja, parecia haver uma vontade de se parecer com algum modelo. Haveria uma ligação religiosa a xamãs ou sacerdotes, propagada pelas classes mais altas. É pouco verosímil que povos tão distintos se lembrassem do mesmo absurdo sem que houvesse um motivo forte, e sem dúvida que teria havido um elo ou influência comum. É dito ainda que tal prática, que ocorre modernamente, poderia colocar a pessoa mais próximo do "mundo dos espíritos"... pode ser por alucinações, ou por tradição de contacto com os tais "modelos".

Quanto à conexão entre estes crânios alongados, existentes nos Aztecas, Maias, Incas e os crânios alongados representados no Egipto, creio que esta imagem (daqui) é auto-suficiente:
Os crânios alongados de um lado do Atlântico... e do outro.
Quase todas as imagens apresentadas na página (que deve ser visitada)
... mostram bem as semelhanças e conexões culturais entre o Egipto e os Incas.

Bom, a sugestão de ligação habitual passa pela Atlântida perdida... mas convenhamos, isso não nos leva à Melanésia ou Polinésia, onde este costume ainda se mantinha, bem como que parece ter sido praticado entre os Aborígenes Australianos. Nem nos leva a registos russos... ou ainda à tradição que se manteve entre suevos e alanos (de que já falámos no texto "Suevos e os Arianismos", a propósito do texto "Mare Suevorum", no blog Portugalliae)

Isto é mais um dado no sentido da ligação que vai da Nova Guiné à Europa, passando pela América... falha aqui o registo indiano ou chinês. 
No caso chinês (ou japonês), as deformações não ficaram na cabeça, passaram para os pés.
O drama da deformação de pés, num conceito de "beleza" oriental.

Dir-se-à que isto "não tem pés, nem cabeça"... mas fico cada vez mais circunspecto com a língua e expressões que herdámos. Aliás, para além de alguns títulos "sugestivos", estou a evitar entrar na questão da linguagem, porque apesar de haver coincidências a um nível demasiado grande, não é fácil abordar o assunto de maneira clara, sem entrar em especulações. 
Porém, neste caso é inevitável falar na questão da palavra "colar"... lembrar a Cola do Dragão, cobra que afinal cobre e cobra, a troco de cobres, unindo o "cou" ao pescoço francês. E sendo coço a traseira, juntar pés e coço em pescoço, mostra como colam os colares ao pescoço, com as devidas Ordens. Bom, mas já dei o meu chá para essa procissão... 

O que me interessa aqui é abordar o "modelo"... ou seja, será que estas culturas pretenderam imitar um modelo de pessoas que tinham um aspecto diferente?
Haveria uma raça diferente, dominadora, que teria servido de modelo?
Poderia falar em extraterrestre... mas tenho largas dúvidas sobre essa teoria. 
O que teria mais de "extra" seria não se querer misturar com os outros, porque afinal de contas não deixariam de ter aspecto macacóide, como todos nós, desde o Erectus ao Sapiens, passando pelos Neandertal. Ah, e claro que também teriam "esperteza macaca"!

O que é perfeitamente natural, e é nisso que tenho insistido, é que estes últimos 100 ou 200 anos, nos mostraram como poderia evoluir rapidamente uma sociedade humana, quando o génio é libertado, e não fica preso em tradições absurdas que nos amarraram a cabeça e os pés.
Se houve dezenas de milhar de anos de estagnação não foi por falta de génio... foi porque uma educação condicionada, baseada numa estrita tradição, é a maior prisão que pode existir para o espírito humano. As pessoas são ensinadas a ter os seus objectivos programados para uma inserção na sua sociedade, e se essa sociedade está doente, os indivíduos são contaminados por essa doença. As ideias instalam-se e formatam os cérebros para determinadas expectativas e objectivos, são raros os que questionam o funcionamento, e só o fazem quando tiverem razões para isso.
Faço apenas notar uma coisa - o tempo mais importante é o tempo de perceber o que é importante.
Esse tempo nunca é uma perda de tempo, porque só depois de perceber a importância das coisas é que podemos falar em perda de tempo.

A verdade é importante, mas muito mais importante do que conhecer a verdade, é aprender a distinguir o que é falso. A verdade surge apenas como consequência desse processo. 
Por exemplo, o que será mais relevante? 
- Que se decida agora publicar os segredos, ou que se definam políticas educativas que mostrem a falsidade e de como a ocultação pode ser global?
Se os segredos fossem "revelados", ficaríamos convencidos?... Como dizia Albert Pike, o famoso mação, "revelar" é apenas colocar novo véu (velo). Tal coisa poderia ser feita numa grande encenação hollywoodesca, talvez até com  gente disfarçada de humanóides, para justificar a nossa provação (e de como os nossos dirigentes eram uns meros coitados, lutando contra forças extraterrestres)!

Não há qualquer dúvida que grande parte da humanidade foi enganada durante milhares de anos, e essa capacidade de enganar não desaparece pela simples vontade. Se somos capazes de enganar, o que é importante é ser capaz de reconhecer o engano. Se há estruturas sociais dedicadas ao engano, deveria também haver estruturas sociais dedicadas a combater o engano... caso contrário o desequilíbrio é imenso.

O maior engano das estruturas sociais é que passam a seres abstractos que se usam os indivíduos contra si próprios. Nunca nenhum indivíduo vai conseguir identificar-se à estrutura, e por isso, enquanto indivíduo, vai-se sempre sentir frágil. Pode julgar que ignora isso, por estar dentro e beneficiar da estrutura, mas não conseguirá nunca libertar-se do seu papel de simples indivíduo no meio da estrutura que o ultrapassa... 
O que uma sociedade faz de mal a um indivíduo, faz por medo a todos o que o souberem.

Bom, voltando à questão das cabeças alongadas, não posso deixar de mencionar o texto anterior Cobertura de Anedotos... onde fiz notar da semelhança das vestes dos Anedotos-Anunaki com os "bacalhaus", e também com a mitra papal. Ora, uma mitra alongada, sendo uma "cobertura" da cabeça, não pode deixar de ser referida neste contexto, porque tanto pode ter existido uma raça dominante com a cabeça alongada, como essa cobertura poderia ser disfarce, que depois levou a uma propagação desse costume entre os povos que sofriam a dominação dos outros.

No sentido da hipótese de ter havido mesmo uma raça com essa característica basta reparar numa grande diversidade de fisionomias humanas, que ainda existe, mas que seria muitíssimo mais acentuada há uns milénios atrás... e não deixo de lembrar uma figura que vi no Museu Nacional do Rio de Janeiro. Uma pequeníssima cabeça mumificada da Amazónia, da tribo dos jívaros:
Apesar de se poder ler na descrição que a cabeça foi reduzida pela remoção do crânio, o tamanho das letras dá para ter uma ideia de que tal cabeça caberá numa mão, algo que me impressionou, e que me deixou muitas dúvidas sobre a dimensão original do indivíduo liliputiano. Conhecemos a espécie que sobreviveu, mas já aqui referimos várias notícias que apontam no sentido de terem havido homens quase gigantes na Patagónia, e homens muito pequenos, pigmeus na Indonésia, na ilha das Flores, perto de Timor.

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publicado às 05:34


Quinotauro de Chauvet

por desvela, em 09.09.13
Devo começar por dizer que o título não é meu, vem emprestado de um texto noutro blog :
Rokus blog: The demise of oriental neolithic admixture
juntamente com a figura que o justifica:

Esta representação mista de um touro e de um ventre feminino está na Gruta de Chauvet, e terá perto de 30 mil anos. Estamos portanto na época do Paleolítico, e quando foi descoberta, em 1994, esta gruta teria as pinturas rupestres mais antigas até então. 
Aqui ultrapassa-se claramente a simples representação literal, há uma composição pensada, ao ponto da perna do touro se confundir com a representação da perna feminina.
A questão sobre uma alusão ao mito do Minotauro coloca-se com muitos milhares de anos de diferença!

O nome "Quinotauro" é invocado nesse blog devido a uma lenda francesa antiga, do período merovíngio, do Séc. VII. O rei Meróvis, fundador da linhagem Merovíngia, teria sido gerado por um "quinotauro marinho", de acordo com a Crónica de Fredegar (ou Fredegário). A menção "quino", o número 5, parece dizer respeito a uma representação de Neptuno com o tridente (3) mais os cornos (2). A lenda reportada por Fredegar insere-se numa época suficientemente obscura, e já aqui mencionámos o registo lendário de Fredegunda, Brunilda, bem como o registo que leva à lenda dos Nibelungos, imortalizado pela ópera de Wagner (e também na fantasia do Senhor dos Anéis).
Curiosamente a Crónica de Fredegar parece ter sido continuada por ordem de Childebrand, um filho de Pepino II, que dará origem à linhagem Nibelunga, enquanto um outro filho, Carlos Martelo, será avô de Carlos Magno. A vitória de Carlos Martelo contra os muçulmanos em Poitiers, em 732 d.C., será decisiva não apenas para a circunscrição dos mouros apenas à península ibérica, mas também para terminar com a dinastia merovíngia. Desde Pepino I que os mordomos-mor já eram efectivos regentes, enquanto os reis merovíngios eram considerados reis-mendigos, tal era a sua ausência de poder ou riqueza. A vitória contra os mouros deu apenas o pretexto aos carolíngios para apresentar formalmente o poder real que já se conhecia nos bastidores do palácio, em que os "mordomos" passaram a efectivos governantes.

Bom, mas sobre esta época mítica francesa, já falámos no texto Tabula Peutingeriana.
Interessa aqui voltar à figuração representada, independentemente de ser interessante o mito taurino reaparecer na Creta do rei Minos, ou depois como legitimação mítica da dinastia Merovíngia.
Tendo visto o filme-documentário "Gruta dos Sonhos Perdidos" de Werner Herzog, dedicado em exclusivo à Gruta de Chauvet, o tema das pinturas rupestres regressou com novas interrogações.

Primeiro, o fecho da gruta é aqui acidental, provocado por uma derrocada que tapou a entrada, deixando preservado um museu vivo com 30 mil anos. Depois, esse retrato da vida pré-histórica parece bem diferente do que é comum pensar. Um aspecto notável é que a gruta não servia então para habitação, não se encontram restos humanos, nem vestígios de restos alimentares. Acresce que só havia pinturas em locais remotos, bem no interior da gruta, pelo que a gruta teria um propósito ligado às representações e a eventuais cultos associados. 
Onde habitavam então aqueles pintores? 
A gruta está muito perto de uma notável formação rochosa, denominada Pont d'Arc, e é nessa zona que foram encontrados em escavações alguns vestígios paleolíticos.
Pont d'Arc, a centenas de metros da Gruta Chauvet.

Não me atrevo a dizer se Pont d'Arc é ou não natural... é certamente uma estrutura rochosa notável, com uma enorme abertura arredondada numa espessa rocha. Se aquela abertura não existisse as águas deveriam subir umas dezenas de metros formando cascatas, e a zona jusante estaria sujeita a inundações. Assim, o fluxo do rio ficou regularizado, e as águas de Neptuno penetram a dura rocha da mãe Terra pela abertura.

A gruta permanece fechada ao público, com os compreensíveis argumentos de protecção, mas que são de tal forma exagerados, que Werner Herzog se queixa moderadamente da sua circunscrição a um trilho muito bem definido, e a um efectivo impedimento de filmagens para além do estipulado.

A questão da datação fica aqui difícil de contornar porque algumas pinturas tinham já uma deposição de cristais na parede, por cima das figuras, acusando uma grande antiguidade. Havia estalagmites formadas em cima de caveiras de ursos, mas nada vi que aponte para tantos milhares de anos. Essa conclusão resulta da datação por Carbono 14 e especialmente pelas imagens representadas, com a fauna que deixou de existir - nomeadamente rinocerontes com um unicórnio muito mais proeminente do que o habitual.

Ficam diversas questões. A datação por Carbono 14 apontava diferenças entre as pinturas na mesma parede que podiam ir até 5000 anos... e pergunta-se 5000 anos?
Que civilização mantém 5000 anos de tradição sem um desenvolvimento?
Os arqueólogos da pré-história parecem tratar milhares de anos como se fossem dezenas.
Compreendia-se um intervalo de 50 anos, com muito maior dificuldade de 500 anos... mas 5000 anos?
Estamos a falar de um período que vai desde as primeiras pirâmides egípcias até hoje, não estamos a falar do tempo como um número qualquer. 5000 anos é o tempo da civilização humana conhecida, e o que se passou nesse período não se resumiu a olhar para o curso de um rio e dar um retoque numa pintura.
Acho que tem que haver limites para o ridículo, e devemos ser críticos, com bom senso. 
Ninguém pode dizer, sem se rir, que houve ali uma população que se dedicou à pesca de rio durante 5000 anos, que tinha uma gruta onde alguém fez umas pinturas notáveis, e esperaram milhares de anos para uns retoques e novidades.

Outro problema complicado é a singularidade artística das pinturas. À excepção das grutas não se encontram outros vestígios correspondentes. Mesmo as mais formosas Vénus, encontradas em escavações, têm habitualmente um traço tosco, quando comparado com o que ali se vê em termos técnicos.
Qual a explicação?
A explicação mais convincente parece-me ser uma casta de conhecimento. Ou seja, insisto na ideia de que haveria uma classe sacerdotal, de xamãs, que controlava a população. Essa teria acesso à gruta, e preservaria as representações dos olhares restantes. Há uma pegada de uma criança de 8 anos, que poderia ser um iniciado. 
Durante um número indeterminado de gerações, os xamãs controlariam um conhecimento e deixariam a restante população num estádio muito inferior de desenvolvimento, para mais fácil controlo. Isso explicaria que as esculturas encontradas sejam razoavelmente toscas... são meros artefactos feitos a partir do estádio zero de desenvolvimento, repetidos sem um acumular de conhecimento. O conhecimento acumulado era apenas passado para o novo candidato a xamã, escolhido desde tenra idade, com a missão de preservar o "jardim do paraíso". 
Fariam o papel de deuses, tentando evitar que o progresso destruísse a harmonia que controlavam.
O avanço civilizacional resultou da obstinação de muitos, que quiseram abrir a Caixa de Pandora, apesar de todas as restrições colocadas pelos "deuses de serviço". O maior perigo... a tentação do xamã, a necessidade de preservar o seu estatuto sigiloso. Afinal, ainda que passasse as provações necessárias para a sua fidelidade última, bastaria uma paixão feminina para transformar a cabeça do homem numa besta taurina, deitando a perder uma herança milenar de segredos. Sem o controlo dos xamãs, o que seria daquela herança de deuses, daqueles que prescindiam do seu "eu" para serem "de eus", de todos os "eus"?

Repare-se, se houve pinturas que resistiram em cavernas durante tantos milénios (não importa se foram 30 mil ou apenas 10 mil anos), se se tratasse de uma faculdade popular, por que razão não haveriam de ser comuns os registos de pinturas em tantas grutas que há? Não são comuns, porque se tratava de um conhecimento muito restrito, detido apenas pelos xamãs - não era do conhecimento da tribo inteira. De entre as crianças que mostravam algum génio, eram seleccionados os herdeiros da tradição, e procurava-se reprimir o génio dos outros. Todos os vestígios eram sucessivamente apagados, a memória ficava no xamã, não passaria de pais para filhos, e toda a nova geração era educada como se nada existisse antes.

Uma filosofia destas só pode ter sido imposta após um acontecimento deveras traumático. Ou seja, deveria haver locais precisos, em que se reunissem provas de tal forma contundentes do que se tinha passado antes, que nenhum aprendiz alguma vez ousaria quebrar o protocolo, perante o perigo de nova catástrofe. Ao estilo de Noé, quem sobrevivesse ao "dilúvio" teria feito um compromisso de preservar a civilização do perigo da auto-destruição, e arranjou forma de o fazer por uma tradição estanque, à prova de tentações próprias. Essa seria razão mais que suficiente para uma herança elitista de secretismo. O mais curioso numa estrutura destas é que ninguém terá completa certeza de ser o último na pirâmide de controlo... só poderia aferir isso se ousasse quebrar por completo o compromisso, pondo em risco a própria segurança pessoal.

Como é óbvio, o traço certo e seguro, ou a técnica artística presente em Chauvet, Lascaux, Altamira,  etc... denunciam que estes não teriam sido nem os únicos, nem os primeiros, nem os últimos lugares onde se passou essa herança.

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publicado às 04:42


Antes Maroiços e Antas

por desvela, em 07.09.13
A Associação Portuguesa de Arqueologia, APIA, através de Nuno Ribeiro e Anabela Joaquinito, tem vindo a publicitar várias descobertas nos Açores. Praticamente todos os anos estamos com novidades, e desta vez são estruturas piramidais, denominadas "Maroiços":

 
Maroiços no Pico (Madalena) [esq: foto Expresso, dir: foto Artazores]

É claro que só se tratam de descobertas para quem não sabe... e a questão mais uma vez é atribuir uma autoria, já que ao contrário da Grota do Medo, duvido que alguma sumidade nacional arriscasse uma versão natural para tais construções. Há ainda assim alguns limites para o ridículo. Mais uma vez, há uma versão oficial que atribui tal obra aos agricultores, dentro do quadro da Paisagem da Ilha do Pico.
Já tinhamos mencionado no texto "Degraus da Maia" que os muros da Ilha do Pico tinham sido classificados na lista WHC da UNESCO, o que nos pareceu algo estranho, mas meritório. Estranho, porque não parecia haver nada de tão extraordinário naqueles muros, que não se encontrasse frequentemente em serras portuguesas... conforme já referimos na zona da Serra dos Candeeiros, não longe de Fátima, há vários quilómetros quadrados cheios de muros, que dão ideia de cidadelas abandonadas no tempo.

Ora, uma coisa é haver uma sensação visual, outra coisa é arriscar dizer que se tratam de monumentos arqueológicos. Neste caso dos "Maroiços" é nítido que há uma construção piramidal, a questão é saber se tal obra se pode reportar a período anterior à colonização oficial portuguesa... ou se são apenas construções agrícolas mais recentes. A notícia do Expresso:
http://expresso.sapo.pt/arqueologos-revelam-segredos-das-piramides-da-ilha-do-pico=f827624
dá a entender que há vários factores que podem apontar para ser construção antiga. Nomeadamente a semelhança com estruturas semelhantes noutras ilhas (e.g. dos guanches nas Canárias), o facto de terem câmara interna (falsa abóbada), e a orientação solar. Apenas estes factores estão longe de ser decisivos, e seria fácil rebater tal hipótese... O problema é que também é difícil de acreditar que os agricultores açorianos andaram a copiar construções arqueológicas antigas. Já são pelo menos 3 ou 4 monumentos bem distintos que invocam uma presença anterior à versão oficial portuguesa.

O nome Maroiço não é exclusivo açoriano. Há uma serra perto de Fafe que se chama Serra do Maroiço, e esse nome já foi associado pelo arqueólogo Luis Chaves (1951) à presença de antas:
Luis Chaves, As Antas de Portugal.

Nesse texto, Luis Chaves, faz uma pequena síntese de topónimos que poderiam invocar essa ligação.
Deixo aqui um breve resumo das diversas palavras que ele associou na toponímia nacional:
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Altar (ex: Anta de Altar, Mamaltar).
Anta (ex: Pedra d'Anta, Vale de Antas, Antadega, Anto).
Antão, Antões: : aumentativos de Antas.
Ante (ex: Penedante, Pedra Dante, Touça Dante, Antemil)
Antela, Antelas, Antaínha, Antoínha : diminuitivos de Antas (Antanhol).
Arca (ex: Fraga de Arcas, Pena de Arcas, Arcã) : montes de terra.
Arcaínha, Arcanha, Arcela, Arcelo, Arquinha : diminuitivos de Arcas.
Arcal, Arcais, Arcão : aumentativos de Arcas.

Casa : "nome comum às antas e às lapas, covas, etc."
Casarelo, Casinola : diminuitivo de Casa.
Cova : similar a Casa, pode não ser Anta.
Covelo : diminuitivo de Cova.

Forno : "por semelhança construtiva com fornos".
Fundo : similar a Cova, Casa.

Lagar : por "sugestão de capacidade e imagem dos lagares".
Lagarão : aumentativo de Lagar.
Lagareta : diminuitivo de Lagar.
Lapa : (gr. lapados) rochedo, "a Anta formada por esteios e coberta" (Lapa dos Mouros, Lapa da Orca)

Madorra: monte de pedras miúdas ou cascalho.
Medorra, Modorra, Mudura, Madorrinha : vem de Madorra.
Mamôa: "monte, colina, ou proeminência de terra", arredondada, "semelhante a peito".
Maroiço, Marouço, Maroço, Meroço, Tulha : "monte de seixos".
Mêda : "monte de pedras".
Monte : "o monte de pedras quando a Anta não tinha cobertura de terra".
Montilhão : aumentativo de Monte.
Moimento : vem de Monumento, Leite de Vasconcelos dizia ser de Antas desaparecidas.

Orca : "grande vaso de barro ... conserva de peixe seco", passou a designar habitação mítica (Casa da Orca, Lapa da Orca, Pedra da Orca, Orca das Orcas).

Padrão, Padrões, Pedrão, Pedrões : "pedra grande, o conjunto da anta" (Anta dos Padrões, Antela da Mamoinha do Senhor do Pedrão)
Pala : "pedra horizontal sobre outras (Pala da Moura).
Pedra : "a pedra formada pelo todo da anta, ou conservada de pé (Pedralta, Pedra do Altar, Pedra da Anta, Pedra da Orca).
Penedos : "associado o nome às antas que os formam" (Penedante, Penedo de Anta, Penedos de Arcas)

Sepultura: "associação ao uso sepulcral".
Touça, Touca, Toutiço ou Touta : toma a forma de cabeça.
Urna : "vaso onde se guardavam as cinzas dos mortos".
--------------------
Esta lista organizada por Luís Chaves é extensa, mas creio que ainda faltam associar outras palavras que se ligam a construções antigas, como por exemplo Fragas, Azambuja, Zambujal, Zambujeiro, etc...
Ainda que não tenham resistido os monumentos, houve um registo de nomes que ainda não se perdeu, e que nos liga a tempos imemoriais.

Aditamento (08/09/2013):
Por lapso ao compor o texto falei dos guanches, mas esqueci-me depois de explicitar a relação destes Maroiços com os Marajos, as pirâmides das Canárias, colocando uma imagem ilustrativa:
Pirâmides de Guímar, Tenerife (Canárias)

Também no caso espanhol é suposto que estas pirâmides sejam já posteriores à ocupação espanhola, não sendo reconhecido oficialmente que remetam aos guanches. No caso das Canárias, como é reconhecido uma habitação anterior pelos guanches, não se coloca a questão das ilhas serem desabitadas, o problema é que a estrutura parece ter sofrido alterações ou reconstrução no Séc. XIX, pondo em causa um registo mais antigo. Também no caso canarinho, foi demonstrada uma orientação solar dos monumentos.

Para quem queira ver nestas construções uma obra agrícola de camponeses europeus, deve explicar por que razão tiveram a mesma ideia os agricultores do Pico e de Tenerife, e porque razão tal construção não tem tradição nos países de origem, em Portugal e Espanha. Justificação complicada... boa sorte!

Contribuição (Sid, 17-11-2013):
Na última coisa que aqui escrevi, disse faltar uma justificação para o aparecimento destas estruturas agrícolas. Tendo a sorte de ter o comentário de Sid, natural da Ilha do Pico, sobre este assunto, creio que esclarece no outro sentido. A característica específica dos terrenos vulcânicos levaria a este amontoar de pedras ordenado.
Os arqueólogos da APIA, que certamente ouviram estas explicações dos agricultores, deveriam ter tornado públicas as razões pelas quais não ficaram convencidos.
Pela minha parte, dou o devido destaque a ambos, e a conversa segue na caixa de comentários.

-- Comentário de Sid --

Atraquei aqui porque o assunto diz-me respeito, pois sou natural do Pico e fui criado no sopé daquela montanha.
O meu contributo para a questão é simples e curto, pois eu próprio em criança fazia deles o meu castelo e em jovem ajudei meu pai a construir alguns (pequeninos) ao limpar o chão dos terrenos para torna-los próprios para as sementeiras e diversas culturas próprias de quem vive da terra. 
Como tal, passo a descrever os maroiços em causa, e até dou, de boa vontade, uma ajuda na compreensão razão para agora estas gentes andarem a estudar estes amontoados de pedras.
Diversas áreas da ilha do Pico são de solo coberto de pedra basáltica, digo coberto porque refiro-me a uma camada que pode variar em espessura, mas é muito comum, depois de se escavar meio metro ou um metro encontrar terra própria para cultivo. Esta característica, quanto a mim, é fruto de erupções vulcânicas intercaladas por grandes períodos de tempo, na ordem dos milhares de anos, tempo suficiente para que a erosão natural forme terra arável mas que depois acaba por ser coberta por um manto de lava. Manto este que actualmente, já em forma de pedras soltas e cascalho definem o solo de grande parte da paisagem do Pico, principalmente aquela localizada no sopé da montanha, como é o caso da vila da Madalena.
Os maroiços, começam a nascer a partir do momento em que alguém limpa uma qualquer área que nunca havia sido usada para cultivo, estes variam de dimensão consoante o tipo de cultura ou a quantidade de pedras existente sobre o solo. No caso da vinha, que é muito comum nas áreas em questão e onde por sinal a paisagem e o solo são a imagem de marca dos vinhos do Pico, bem como paisagem classificada pela UNESCO desde 2004. Ora, o processo original de trabalhar solo desta zona para o cultivo a vinha, consistia em abrir uma pequena cova entre as pedras, introduzir terra e nessa terra plantar a videira, com as pedras maiores que se encontravam sobre o solo, faziam-se os muros que servem de abrigo ás videiras, contra os ventos, e ao mesmo tempo que se faz obrigo arruma-se a pedra duma forma rápida e pratica. Para os casos em que há maroiços, esses surgem naturalmente quando estes muros não chegam para arrumar toda a pedra, então num canto ou mais cantos de uma determinada parcela levantavam-se muros, dispostos em formas variadas - circular, rectangular, triangular ou quadrangular, para reter as pedras que posteriormente foram depositadas no seu interior. Estas construções variam muito de tamanho, algumas vão crescendo com o passar dos anos, conforme o área em redor vai sendo explorada, principalmente nos casos em que a cultura é de sementeiras. Nestas, sempre que se trabalha a terra, surgem pedras entre a terra, que são recolhidas e depositadas no maroiço, o que leva à necessidade de reforçar este com a construção de mais um "andar" fazendo com que estes formem pirâmides. Ainda é de salientar que em tempos passados estas terras eram a base da economia da ilha, era comum ver nestas terras famílias inteiras a trabalhar de sol a sol, levavam almoço, levavam as crianças e era para maroiço que se atirava tudo o que era lixo e sólidos encontrados no chão da propriedade onde esta localizado, daí ser frequente encontrar restos de loiças, restos metálicos, conchas de lapas (marisco muito apreciado nas ilhas) etc. 
Estas ideias recentes que tem surgido em torno destes montes (organizados) de pedra, são isso mesmo, ideias.

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publicado às 05:57


As valetas, o Gozo e a Malta

por desvela, em 01.08.13
Há Carris nos Açores... mas menos conhecidos. Teriam outro propósito que não servir para subsidiar rendas, rendilhados, subvenções vitalícias, com que a via direita alimenta a esquerda, e assim conduz os protestos da manada pelos carris programados...

São estas as imagens dos Açores, de carris definidos agora em pedra solidificada, que estão em causa:
Açores: imagens de carris "pré-históricos" - segundo ancient-wisdom.co.uk

Segundo a informação constante do site ancient-wisdom.co.uk

The presence of cart-ruts on the Azores is one of the most unexpected facts to present itself in the search for the first settlers on the Azores. The Portuguese cart-ruts are pre-Christian, as are those on Malta. As we have no record of their being made since the 'official' discovery of the Azores, we must assume that these were made by a people prior to the Portuguese.
... e sim, é tão surpreendente encontrar estes carris, tratando-se de registos "pré-cristãos", tais como os "carris" de Malta.

Serão apenas valetas naturais?
Vamos seguir a Malta, no encalço das valetas... não pela capital La Valeta, porque isso seria um gozo óbvio com a designação. Ao lado, sim, está a Ilha de Gozo... bem conhecida pelos monumentos megalíticos, onde também se encontram estas valetas:
Valetas ou carris, de Gozo, na Malta. 
(mais imagens em ancient-wisdom.co.uk

Estas valetas bem pronunciadas, sugerindo carris, não estão apenas no Gozo, encontram-se espalhadas nos diversos continentes. No mesmo site podemos encontrar registos em:
deixamos aqui a imagem dos que estão no Piódão:

Poderíamos seguir no encalço das espirais que também fazem parte de monumentos, onde?... bom, no Piódão, e não é que também é no Gozo?
  
Espirais no Gozo (Templo de Tarxien), e no Piódão (Vale da Égua).

As espirais não expiram no Gozo ou no Piódão... como é óbvio, encontram-se espalhadas por toda a cultura megalítica da Europa Atlântica (o José-Manuel já fez bastantes vezes referências a elas).

Encontra-se ainda em Gozo, uma referência a uma deusa-mãe:

Duas Estatuetas de deusa-mãe em Gozo. (ancient-wisdom.co.uk/malta.htm)
Estatueta boliviana de Pachamama (obtida em ucl.ac.uk)

Se a primeira figura de deusa-mãe remete para vénus neolíticas, como a de Willendorf, podendo anteceder o culto de Cíbele (deveria escrever-se Cúbele...), já a segunda tem demasiadas semelhanças com Pachamama... na região de Machupichu, para que não se note. 

A língua maltesa não é indo-europeia... e a explicação parece ser o domínio árabe durante 2 séculos.
Se em território nacional estiveram 5 séculos e 8 na Andaluzia... parece que aos árabes só o gato maltês não lhes comeu a língua, já nos outros casos o malte foi bem destilado.
Esta maneira de escrever pode parecer coisa de Puto, de Raia miúda, de Gaiato, invocando algumas piadas fonéticas fáceis... porém como temos visto as coisas são mais complicadas do que parecem.
Podemos falar de coincidências quando não passam a dezena, já é negação fazê-lo acima disso, mas quando as coincidências passam as centenas, como é o caso... então, negá-lo seria simples ocultação deliberada.

Falo ou não falo? Fá-lo ou não fá-lo?
Só havia deusas-mãe, símbolos exagerados de fertilidade?
Por Min, não... mas, já se sabe como foi e é a política de repressão cultural.
 
Culto do falo - deus egípcio Min.
Divindade primordial criadora.

Mais do que uma repressão de carácter sexual, terá começado por ser uma necessidade de repressão religiosa, destinada a erradicar os antigos cultos sexuais de fertilidade, que ofendiam a tradição judaica, tradição que o cristianismo bebeu pelos exageros.
Será de prever que todas as representações e símbolos fálicos explícitos, mais do que ocultados, foram pura e simplesmente destruídos e omitidos. 
Se parece ter-se mantido algum registo primevo na linguagem, parece ter sido remetido para as reprimidas asneiras populares... Gaia em gaja, com os gaiatos, Reia na raia miúda, Cupido como puto, e a mãe Vénus, como Laputa

Não há nenhum gozo no dom dos trocadilhos da língua portuguesa.
"Dom" é manifestação de "senhor" - alguém que exibia o "senho", que escondia uma "senha"... quando se brinca a clubes de Chaves, levando ao fundo de Caves... porque o "Ch" foi adulterado, escrevia-se "Chimera" para se ler "Quimera". 
As regras ortográficas tiveram propósitos notórios - por exemplo, ao fazer ler "cinco" como "sinco", mas não perdemos o "quinto" que nos recorda que deveria ler-se "quinco"... porque a convenção do "ce" se ler "se" ou do "ci" se ler "si" encerra milénios de deturpação e ocultação.

Haveria muito mais a dizer, mas terminamos com a ligação ao lado "Jovem", do Abraçadabra...
Gozo parece ter os monumentos megalíticos mais antigos... que aparecem numa ilha mediterrânica, há mais de 5000 anos. Há uma tradição da população posterior que liga a construtores gigantes... 
Esses construtores surgiram e morreram por ali? 
Ou antes de mais... certamente que os malteses não chegaram a nado a Malta! Teriam barcos.
Bom, a parte "jovem" é no sentido "jovial" de Jove, ou seja de Júpiter, filho de Saturno.
Como referimos no texto Abraçadabra  uma nova cultura haveria de suplantar a cultura pré-existente, e teria a sua germinação nas ilhas mediterrânicas. Tendo os indo-europeus dominado o continente, da Índia até à Europa Atlântica, faltaria o domínio sobre o Mediterrâneo. Cresceriam como potência naval a ocidente, e lançariam um ataque crucial a partir do seu domínio sobre essas ilhas (Malta, Sicília, Creta, Chipre), contra as populações estabelecidas na orla mediterrânica. Esse ataque seria manipulador, não destruiria as civilizações existentes... iria manobrá-las como colónias sujeitas à sua influência. Condicionariam a ascenção e queda dos restantes, procurando manter-se fora dos conflitos. Talvez a excepção tenha sido a até hoje enigmática invasão dos "povos do mar", após a Guerra de Tróia. 
Quando a influência chegou ao ponto de fundar uma colónia nas "barbas" dos aqueus, estes rebelaram-se, perante a ameaça externa... e rumaram em direcção à Tróia original. Aí foi preciso um reínicio que restabelecesse o poder, o poder onde ele sempre esteve... oculto.

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publicado às 07:55


Pontas da língua

por desvela, em 24.06.13
Ao analisar um mapa da distribuição das linguagens no mundo, somos confrontados com um misto de diversidade e homogeneidade.
Na wikipedia é apresentado um tal mapa, devendo dar-se o desconto na colonização europeia da América e da Austrália, na parte Boer da África do Sul, ou na penetração russa até Vladivostok. Tudo isso aumenta a dimensão das línguas europeias, neste caso indo-europeias (marcadas a azul escuro):

Em muitos aspectos este mapa "bate certo" com a distribuição genética dos haplogrupos.
Esta é uma dificuldade maior para quem pretender considerar uma influência e domínio à escala mundial, desde os tempos primitivos. 
Não há interesse nenhum em secundarizar o problema... para entender várias coisas há que tratar com o problema com os dados fornecidos. Não apenas com estes, mas também os registos escritos e com os legados arqueológicos - artefactos e monumentos que sobraram...
É claro que muitos destes estudos pretendem ser mais do que são, e há claros problemas.

Um desses problemas são os índios americanos: Ojibwe, Chippewa, Seminole, Sioux, Cherokee, Algonquian, Papago, todos eles com percentagens de haplogrupo R superiores a 40%, pelo que ficariam melhor na Europa Ocidental do que na costa atlântica americana. Percentagens superiores ao Norte de África também se vêem entre os Maias e Cheyenes.
O caso dos Ojibwe parece exemplificativo pois os valores atingem 80%, ficando quase ao nível dos Bascos,  Galegos, Bretões, Galeses, ou Irlandeses. Uma fotografia dos Ojibwe feita no Séc. XIX dá-nos uma ideia do que se fala:
Olhando bem para o rosto do personagem central na fotografia, ou até para todos, podemos perguntar - "por que razão os disfarçaram de índios?"... e isto acontece sistematicamente com muitos "índios".
Aliás, chamar "peles vermelhas" aos índios é quase paródia, quando vemos muitos europeus na praia, que são autênticas lagostas...
Portanto, trata-se daquela situação em que é complicado perceber se houve alguma migração europeia, ou simplesmente alguns navegadores ou colonos que foram acolhidos entre os índios americanos. Como a população índia também se foi integrando nas sociedades americanas, estes estudos acabam por ter sempre um número reduzido de indivíduos.

A linguagem desempenha aqui um papel mais complicado. Nas linguagens ameríndias não parece haver grande traço de palavras indo-europeias... ou seja, se houve integração parece algo estranho não ter sido influenciada por algumas palavras dos novos elementos. Só que aí surge a subjectividade do estudo, em que normalmente uma semelhança de palavras europeias seria entendido como resultado do posterior contacto.
Depois, se houve algum traço escrito, também se perdeu... ou seja, tudo aparenta remeter para tempos muito antigos.
 
Inscrições índias na zona dos Grandes Lagos. 
À esquerda podemos ver o que pode ser uma canoa, duas serpentes, 
e um grande "bicho" com escamas - convém não esquecer que os dinossauros estavam extintos!

Ou seja, não temos culturas índias a escrever caracteres latinos, nem a dançar o vira, nem o fandango... pelo menos dos que restaram. Se houve desses, e muito naturalmente deveria ter havido, perdeu-se-lhes o rasto... e alinharam todos na dança-da-chuva.
Consta ainda que estas tribos dos Grandes Lagos teriam vivido no Atlântico até ao Séc. X, tendo depois sido aconselhadas por "sete magos" a sairem do Atlântico e seguir uma concha para oeste, até ao lagos.

Trata-se de um registo comum, quer na América, quer na África Atlântica... não houve propriamente muitos europeus a serem recebidos por índios em canoas, ou de haver índios sediados em povoações costeiras. Ficou a ideia de que estavam escondidos no interior, na floresta... algo diferente do que se veria nas ilhas do Pacífico. Os Incas tinham a cidade de Tumbés no Pacífico, enquanto que os Aztecas, Maias, etc... pareciam não ter nenhuma cidade costeira. Na África do Índico havia várias cidades costeiras, ao passo que na África Atlântica parece que não se passava nada!
O Atlântico sempre foi um oceano complicado...

Em 1889, durante uma escavação num monte fúnebre no Tennessee foi encontrada uma pedra com inscrições que pareciam ser fenícias:

Quem a encontrou, classificou "sabiamente" a inscrição como tendo sido feita pelos Cherokee, e o facto passou despercebido, entrou na literatura, até que passados quase 100 anos a polémica surgiu, notando que seria escrita fenícia ou proto-hebraica.
O mais engraçado é que a maneira de varrer o problema como falsificação antiga é curiosa.
A ideia é que haveria uma inscrição semelhante, paleo-hebraica, num livro maçon à época:
Portanto, concluiu-se, foi uma brincadeira, feita pelo responsável do Smithsonian a C. Thomas, que conduzia a escavação. Porquê? Porque Thomas queria encontrar registos Cherokee, e à falta de melhor, o outro teria copiado umas letras do seu livro maçon, para o deixar contente. O homem ficou contente e isso é que interessa, durante quase 80 anos ninguém notou. Assim funcionaria o Smithsonian...
Esta paródia justificativa, saída da imaginação de dois arqueólogos operacionais, conseguiu que a pedra esteja classificada como "falsificação".

Como é óbvio o que vai interessando é manter a versão de que antes de Colombo não se passava nada!
Poderiam usar o discurso que se ensina na Faculdade de Letras - "se Colombo foi o primeiro a fazer a viagem Atlântica até à América, como é que os fenícios ou hebreus o fizeram?".
A universidade não mudou muito desde os tempos medievais, nessa altura dir-se-ia - "se Deus fez o homem, quem pode falar em evolução?". Normalmente os que ridicularizam esta frase são os primeiros a defender a outra! Porque a única coisa que mudou foi o credo, não o método...

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publicado às 07:57


Grota do Medo

por desvela, em 10.06.13
RTP Açores. Programa "Em Foco" (8 de Maio de 2013)

Entrevista ao Prof. Felix Rodrigues, da Universidade dos Açores
a não perder!

Retive esta pergunta da jornalista e a resposta do arqueólogo.
- Haverá arqueólogos a acreditar nesta tese do megalítico e interessados em estudar isto?
- Concerteza. Curiosamente, portugueses são só dois... estrangeiros muitos.

Grota do Medo, Ilha Terceira... sim, Açores!

Já me perguntam por que razão eu escrevo em português... aqui está outra resposta - é um problema interno!
A Direcção Regional de Cultura considera que se tratam de construções agrícolas, e não dá autorização nem para escavações, nem para a conservação do monumento.
Percebe-se?
Claro que sim, poderiam também ser tocas de toupeiras gigantes, mas seria menos verosímil.
Agora, admitir uma ocupação neolítica dos Açores... isso é que já é de malucos!

Por isso, há apenas dois arqueólogos nacionais com vontade de estudar o assunto, os outros já devem ter conhecido as toupeiras, e devem querer continuar a trabalhar sem problemas. Os estrangeiros, claro, nunca viram a cegueira das nossas toupeiras, e não vão acreditar na bicharada que para aqui há!
(Desde já peço desculpa por uma vez ter colocado um comentário num site de arqueologia que a partir desse instante deixou de funcionar durante quase um ano... calculei que fosse mau, mas não tanto!)

As claras explicações de Felix Rodrigues (arqueólogo), Antonieta Costa (antropóloga), Francisco Nogueira (historiador), inclusas no vídeo são mais que suficientes. Acho que só lhes faltou explicar que as construções não tinham sido obra de ET's, pois também tiveram que explicar que não se tratavam de construções da 2ª Guerra Mundial. 
As imagens que retirei do vídeo são mais que suficientes para mostrar Antas, ou Mouras encantadas... seriam assim consideradas em Portugal continental, e devem assim ser consideradas nos Açores. A ocultação e ilusão têm limites... sob pena de aceitarmos toda a palhaçada!... e se há quem não queira ser considerado palhaço, pois não vista o avental de chef dos cozinhados.

Não vale a pena perder mais tempo com o assunto. Os senhores ocultos do culto não merecem a atenção que pretendem... podem julgar que se pretende resolver este mistério da origem da humanidade - são visões estreitas, é muito mais que isso.

Interessa aqui perceber que eram possíveis grandes viagens marítimas à mesma época que se construíam as antas. É claro que havia construções noutras ilhas costeiras, na zona da ilhas Britânicas, mas não a tão grande distância. Percebe-se também que a chegada ao continente americano estava quase a meio do caminho, mesmo na época pré-histórica.

Livros Púnicos do Rei Hiempsal
Vamos citar os chamados livros do Rei Hiempsal (II), conforme Salustio (que foi governador da Numídia), usando a tradução de Isaac Cory.
Hiempsal começa por dizer que os aborígenes africanos eram os Getulianos e os Líbios, considerados rudes, sem moral nem lei. No entanto, quando Hércules morreu na Hispania, segundo a opinião dos Africanos, o seu exército constituído de várias nações acabou por se dispersar, por falta de liderança unificadora.
Nas fileiras estavam Medos, Persas, Arménios, que tinham ido de barco até África, e acabaram por se estabelecer junto ao mar. 
Os persas ficaram junto ao Oceano Atlântico (em África), fazendo habitações com os cascos invertidos dos barcos... porque não conseguiam obter materiais, nem comprá-los, dos hispânicos. Por casamentos acabaram por se misturar com os Getulianos, passando a ser designados Numidianos, e ainda então as suas habitações chamadas "mapalia" eram oblongas, com tectos lembrando as curvas do casco dos navios.
ilustração romana de uma mapalia

O território ocupado por Medos e Arménios era vizinho dos Líbios, mais próximo do "mar africano" (enquanto que os Getulianos estavam próximos da zona tórrida). Fizeram cidades próximo da Hispania, só separados pelo estreito, e assim comerciavam.

Hiempsal diria ainda que o nome dos Medos foi corrompido pela linguagem dos Líbios, que os passaram a chamar Mouros em vez de Medos. Termina com uma pequena referência à chegada posterior dos Fenícios.

Ora, convém aqui notar que em Portugal o nome Mouro tem a conotação habitual de ligar aos povos do norte de África, da Mauritânia (Marrocos), como também ao islamismo que traziam aquando da invasão de 711. Porém, esse não é o único significado.
O nome "moura" aplica-se também como sinónimo de "anta".
As histórias de "mouras encantadas" diriam mais respeito ao encantamento nos monumentos megalíticos do que propriamente a belas donzelas árabes... lendas que podem depois ter sido alteradas, por propósitos ilusórios, coisas de Magos.

Isto interessa no contexto da Gruta do Medo, porque "Medo" pode ter o significado de "Pânico", mas isso também nos remete para uma palavra religiosa que vem do culto de Pã, associado às Antas, às Mouras. 
Ora, como Hiempsal apresenta "Mouros" como designação alternativa dos "Medos", fica a relação feita.
Ou seja, "Grota do Medo" pode simplesmente significar "Gruta do Mouro"... onde este "mouro" era apenas um descendente dos "medos" que tinham acompanhado a expedição de Hércules.

Aditamento [10/06/2013]:
- este texto surge na sequência desta notícia no Expresso (gentilmente comunicada por cafc).
- nessa notícia há uma mistura com a descoberta dos hipogeus, no Monte Brasil (também na Terceira) e no Corvo, que apareceu várias vezes na comunicação social (ver aqui os textos [1][2], e as notícias na imprensa [3], [4], [5], [6], [7], [8], nestes dois últimos anos, agradecendo também a Calisto e José Manuel).
- recordo ainda as placas do Pico que referem o ano 682, usando um típico "V" latino para "U", e um 682 que aparece disfarçado com mais dois símbolos para "I682Z".
- a Grota do Medo era bem conhecida das populações, como aliás refere a antropóloga Antonieta Costa, referindo-se a Gaspar Frutuoso e à proibição da zona, que ele relatava. Complementa isso existir o chamado "Império do Espírito Santo da Grota do Medo".
Por isso, como é óbvio, nada disto é novo... apenas resta saber se ficará por um apontamento perdido na imprensa, ou se desta vez tomará um carácter mais oficial, já que parece difícil continuar a ocultar uma evidência tão descarada... a que custo isso é feito?

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