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Pontas da língua (3)

por desvela, em 07.07.13
Conforme referido no texto anterior, em condições favoráveis uma pequena tribo familiar teria a possibilidade de constituir um grande aglomerado populacional, digamos que ao fim de mil anos poderia atingir um milhão de pessoas. 
Porém, para o grande aumento populacional teria que se fazer uma mudança radical na sociedade... teria que se organizar como sociedade agrícola. Essa mudança parece ser recente.

(Como facto lateral, este mapa dá uma ideia de como a agricultura nalgumas zonas verdes ou amareladas 
poderiam ter o óbice de estar sob gelo, ou debaixo de água... noutros tempos)

Expansão da agricultura na Europa (fonte: eupedia.com
e possíveis origens mundiais:
Médio Oriente (9000 a.C., trigo, centeio),  Nova Guiné (9000 a.C., inhame), China (7000 a.C., arroz),
México (3000 a.C., milho, feijão, cacau), Peru (3000 a.C., batata, cabaças), 
África (2000 a.C., sorgo), EUA (2000 a.C., girassol).

A dedução destes mapas virá da arqueologia neolítica, considerando a datação de algumas sementes encontradas. Notável é o primitivo aparecimento de agricultura na Nova Guiné, Timor, Ilhas Salomão, que chega a ser considerado existente há 25 000 anos, nas Salomão.
Este aspecto é interessante para nos reportarmos a culturas que pouco terão mudado nos últimos 10 mil anos. Talvez uma causa comece por rituais iniciáticos. É especialmente curioso este ritual encontrado numa tribo da Papua-Nova Guiné, onde os jovens rapam o cabelo e colam ao rosto, para parecerem mais velhos:
imagem em themonthly.com.au ... de fotos © James Morgan 

Há por isso uma questão - tradição versus necessidade. A tradição tende a preservar, a necessidade a mudar.
Uma das primeiras zonas que parece ter introduzido a agricultura é também aquela que menos parece apresentar evolução face aos ancestrais ritos. O que encontramos nestas zonas é uma estrutura social dimensionada para um conjunto limitado de habitantes, que é replicada pelo território circundante.

Creio que não é preciso ser antropólogo para perceber uma provável transição.
1) Tribos primitivas. Terão sido as primeiras, e não se afastariam muito do padrão social de muitos primatas superiores. Comunidades familiares até algumas dezenas de elementos. Passado esse número, alguns jovens sairiam do território original, movimentando-se para territórios adjacentes, fazendo novas famílias, novas tribos. Enquanto a expansão territorial fosse possível, por exemplo em África, teríamos essencialmente uma disseminação pouco competitiva. A competição entre animais da mesma espécie é quase sempre reduzida ao mínimo confronto possível. O grande confronto interno à espécie aparece depois como característica humana.
A sedentarização das tribos aparecerá primeiro ligada a um território favorável. Um bom território de caça, fixaria tribos de caçadores-colectores. Não haveria uma subespeciação evidente porque acabaria por haver uma mistura de elementos no mesmo território. Poderia ocorrer subespeciação por rejeição de elementos... um caso frequente ainda em África são os albinos. A rejeição de albinos é uma causa provável de diferenciação na tez da pele. Foi provavelmente mais frequente em período glaciar, e poderá ter levado a um isolamento de elementos que se definiriam na subespeciação, talvez como os neandertais. Mas seria o excesso populacional, ocorrendo ao fim de poucos milhares de anos, que levaria a confrontos pela inevitável escassez de recursos com o sucessivo aumento das tribos. 
Se os animais lutavam individualmente por um território, o homem passando a ser animal social transformou o conceito de individualidade à tribo. Em vez de termos um leão a desafiar outro pela posse de um território, teríamos uma tribo a desafiar outra. Onde isso poderia ocorrer? O mais natural é que ocorresse num local donde já não haveria migração possível e onde o confronto fosse inevitável.
Não falamos aqui de nenhuma razão civilizacional, os propósitos seriam essencialmente de sobrevivência por coexistência. Os territórios deveriam ser inicialmente suficientemente vastos para permitirem o direito de passagem sem confronto... a ideia de um território cuidadosamente guardado será noção recente. O único cuidado antigo seria com um abuso de permanência que ameaçaria os mesmos recursos. Isso iria mudar com a agricultura, podendo requerer uma efectiva vigilância do espaço, e uma disputa de carácter mais letal.
Iremos tomar o exemplo da Oceania com particular importância.
Porque a Oceania com o fim da Idade do Gelo passaria a uma situação de várias ilhas onde se poderia formar uma competição feroz, devido à limitação territorial. Em pequenas ilhas talvez não se formassem muitas tribos, e o destino de alguns passou por uma migração marítima, resultando numa expansão polinésia. O resultado mais violento e letal desse confronto talvez se tenha dado na Papua - Nova Guiné, onde o espaço era suficientemente grande para múltiplas tribos, hoje culturalmente desligadas por quase 900 línguas diferentes. Aí a expansão populacional implicaria um confronto mortal entre tribos. Ainda na 2ª Guerra Mundial, apesar de estar incluída na Austrália, as tribos da Nova Guiné alinhavam com australianos ou com japoneses consoante o alinhamento das tribos rivais. Havia uma guerra cultural local e intemporal que não parecia afectada pela presença dos novos deuses da guerra, externos ao seu micro-confronto ancestral.

2) Primeiras civilizações. Para se constituírem as primeiras civilizações, a sociedade teve que mudar de paradigma. Precisaria de tempo suficiente para se constituir numa estrutura estável de divisão de tarefas, tendo por um lado elementos autoritários, e por outro, elementos obedientes. Ou seja, a menos de grande entendimento, havia uma coabitação de duas culturas... a cultura de mandar e a cultura de obedecer. Deixamos de ter uma tribo onde todos eram vistos como iguais, recebiam rituais iniciáticos semelhantes, e partilhariam a mesma cultura transmitida pelos anciãos. Nas civilizações passaria a haver uma cultura cortesã ou sacerdotal, diferente da cultura popular.
As múltiplas tribos que adoptaram a filosofia de partilha comunitária cultural acabaram por não se desenvolver... desde as ultra-competitivas tribos da Nova Guiné, às tribos da Guiné, passando pelas da Guiana. 
Onde terá ocorrido esta mudança de paradigma? Um sistema de castas antigo, não sabemos se o mais antigo, é sem dúvida o indo-europeu, onde sobressai o velho sistema de castas indiano.
De qualquer forma, o incremento populacional numa metrópole não permitiria uma cultura tribal equalitária. De entre os irmãos surgiam os varões que passavam a barões. Ao fim de poucas gerações, a prole dos restantes irmãos constituiria uma enorme massa populacional... a prole passava a proletariado.
Esse era um mecanismo, o outro mais evidente era o da simples conquista. Se nos confrontos das tribos da Nova Guiné o resultado era habitualmente a aniquilação, as primeiras civilizações passaram a usar uma estrutura social de escravos, resultante das capturas de tribos derrotadas.

A linguagem comum passou a ser fulcral nas comunicações e a língua comum da civilização impôs-se pelo seu sucesso a todos os intervenientes, passando a ser uma caracterização de nova estrutura - o povo. Poderia haver uma linguagem diferente falada pela elite da varonia, mas a longo termo a linguagem comum da população iria dominar. Deve ter sido esse o caso do latim, que a longo termo acabou apenas por ter espaço na erudição, tal como foi o caso do francês usado pela corte inglesa normanda que desapareceu.
A comunicação específica no poder passou a usar preferencialmente alegorias, símbolos e códigos abstractos, cujo significado escaparia à generalidade da população. Ao estilo dos hieróglifos egípcios, um mesmo texto poderia ter vários significados.

Munda.
Na filogenia dos haplogrupos Y-DNA aparece uma origem comum K que irá variar para diferentes haplogrupos que constituem a maioria da população mundial, gerando os L, M, N, O, P, Q, R, S, T.
Já vimos no texto "abertura genética" os mapas dos N, O, Q, R, que constituem a maioria da população terrestre, faltava mostrar, os M e S que se situam justamente na Oceania, e os L e T de pequena expressão (especialmente Oceano Índico, na zona do Indo (L) e do corno de África (T)).

  
Haplogrupos M e S
 
Haplogrupos L e T


Bom, falta ainda o P... mas sobre esse não encontrei mapa, tal como o K, talvez por serem comuns aos "descendentes" não aparecem especificados. Mas encontrei esta frase (Abe-Sandes, Human Biology, 2004)
This haplogroup P-92R7 is frequently observed among Europeans: 44.0% among Italians (Previdere` et al. 2000), 52.0% among Portuguese, and 54.0% among Spaniards...
Por outro lado, no site eupedia.com é basicamente afirmado que o P é hoje inexistente, e na wikipedia remete-se para a zona central asiática ou para os Munda, no Bangladesh. Visitando um pequena discussão técnica aquando publicação de resultados sobre Portugal diz-se: "The authors have no individuals who would have been typed as P (92R7) who are not also typed as R1a or R1b, so there is no way to associate it with or exclude it from P."
Ou seja, mudou-se a classificação, e na prática os P foram misturados nos R1b.
Atendendo a como a academia encara a Grota do Medo, usa-se o habitual "método científico":
- os resultados servem para provar a teoria (existente).
Dificilmente temos acesso a dados que não estejam enquadrados numa teoria... se isso acontecesse, ou os resultados estariam mal (o que não interessa aos autores), ou seria a teoria vigente a estar mal (o que não interessa à academia). Mudanças ou falhas na teoria só aparecem garantindo os devidos cuidados na divulgação e divulgadores, assegurando os interesses da academia...

Qual o problema? Bom, o haplogrupo P é suposto preceder o Q, dos ameríndios, e seria estranho ter uma maioria P entre os latinos, conforme reportada no artigo de Abe-Sandes. Como a disciplina era recente no início de 2000, não excluo uma confusão nas primeiras análises de resultados.
Porém, também cada vez mais será difícil ver resultados genuínos... há uma flagrante tentativa de apresentar os resultados numa linha politicamente correcta, indo sempre buscar um centro euro-asiático de onde tudo se espalha.
Ironizando... pode ver-se como uma teoria da estrelinha dispersora, assim:

Nova ou Velha Guiné?
Como referimos, a forte presença dos M e S na Nova Guiné parece sugerir algo bem diferente (mesmo não sabendo por onde andam os P)... porque a questão é que os P não deveriam estar longe da Oceania, já que o haplogrupo "pai", o K é ainda encontrado com grande frequência aí. Pode ler-se na wikipedia:
"Paragroup K - Specially in Oceania. Also in Timor, Philippines and East India."
Esse haplogrupo K originaria os actuais orientais, siberianos, ameríndios, e indo-europeus.

A hipótese que se levanta aqui é completamente diferente. A origem dessas linhas estaria na imensidão de ilhas entre o Pacífico e o Índico, na zona da Oceania. Alguns australianos queixam-se, e com razão, que toda a cultura aborígene parece ter sido esquecida, apesar de ter os registos de pinturas mais antigas da humanidade.
Ora, uma hipótese bem plausível é que um primeiro degelo tenha levado ao isolamento de populações naquelas ilhas. Tratavam-se ainda de mares mais susceptíveis à navegação... e se há povos que associemos à água são justamente os povos da Oceania.
Com o degelo as águas subiam mergulhando o seu continente, digamos Mu, e ficariam afastados de populações vizinhas, em ilhas que podiam ver à distância. Que fazer então?
Os mais próximos do continente asiático podem ter retornado a "terra firme", mas os restantes acabariam por ter uma vertente mais aquática. Já sabemos onde foram parar os M e S... estão concentrados nas diversas ilhas da Oceania. E os outros?
Os P que vão dar os Q ameríndios e os R indo-europeus podem ter tomado um caminho mais complicado!

A questão é que há semelhanças entre as culturas tribais dos ameríndios e das tribos da Oceania.
Um desses aspectos é a adaptabilidade à água. As canoas, as pirogas, são um desses elementos comuns.
As culturas da Oceania usavam e abusavam das pirogas, tal como depois os europeus foram encontrar essa tradição entre os índios americanos, especialmente na zona do Canadá ou da Amazónia, mas também na zona das Caraíbas, ou similares (até em esquimós). Note-se que não é assim tão comum ver noutras paragens uma antiga vocação humana aquática, apesar dos inúmeros cursos de água.
Alguns hábitos antropofágicos de indígenas americanos, e a extrema violência contra outras tribos também parecem ser um ponto comum com a Nova Guiné, competição atroz que a priori não se justificaria nos novos territórios americanos, de grandes espaços desabitados.
Ou seja, aqui seria precisa a teoria Kon-Tiki inversa... uma migração dos polinésios no sentido americano. A América já estaria povoada pelo haplogrupo C3 (mongol), pelo que pode ter havido aspectos de invasão, onde figurou o elemento masculino Q no Y-DNA, mas o mtDNA, pelo lado feminino, teria emprestado um aspecto oriental à descendência invasora. Convém notar que os Olmecas, civilização primeira na mesoamérica, teriam um aspecto menos oriental do que o que se viria a encontrar depois.
Cabeça Olmeca  (La Venta, 1400 a 400 a.C.)

Algo semelhante se poderá ter passado com violência no Japão. Os Ainos D terão sido suplantados pelo haplogrupo O, o traço vencedor que se disseminou pela China e sudeste asiático, talvez remetendo os N para paragens siberianas.

Nesta pequena especulação alternativa falta falar dos R, que originariam os Indo-Europeus.
Bom, os R são "irmãos" genéticos dos ameríndios Q, ambos descendendo do haplogrupo P, de que se perdeu o rasto.
Por muito que se tente esconder, há um registo R na costa leste americana, na zona do Canadá, dos grandes lagos, típica zona de canoas ou caiaques. Também, como descendentes dos K, temos os L que se estabeleceram na zona do Indo e os T que entraram em África.
Vou considerar duas hipóteses para a migração dos R:
a) A mais plausível, com os dados conhecidos, leva a uma entrada dessas populações da Oceania no subcontinente indiano, onde há ainda um grande registo R (R2 e R1a). Aí, na Índia, submeteram as populações anteriores (E,F,H), instituindo um sistema de castas, e prosseguiram na direcção do continente europeu, que praticamente esmagaram com o seu ímpeto característico. A sua língua, que seria afinal uma das centenas de variantes na Oceania, ganhou uma dimensão igual à sua expansão conquistadora. Entraram pelo Oceano Índico e só pararam quando viram mar de novo... no Oceano Atlântico, ou teriam prosseguido (ainda em caiaques?) para as paragens canadianas.
b) A mais especulativa, indo pela teoria de Schwennhagen. Os R (tal como os Q) também teriam migrado para a América e constituído aí uma civilização dominante (no norte da América). Chegariam como colonizadores à Europa Atlântica, em particular à península Ibérica onde teriam feito a sua progressão na direcção indiana. Isto seria a versão de uma "Atlântida americana", que teria sido colonizadora da bacia mediterrânica, segundo os registos egípcios comunicados a Sólon, reportados por Platão no Timeu. Esta hipótese pode ter várias falhas...

Ambas as hipóteses ajustam-se a uma predominância R na Europa, e justificam haver um diferente haplogrupo R-M173 na zona oeste da Austrália e na parte atlântica canadiana, que doutra forma tem permanecido como "mistério". Só este detalhe inviabiliza muito da teoria habitual sobre a expansão centrada no Cáucaso.

Em qualquer caso, antes da chegada dos R, a Europa deveria ter uma distribuição do haplogrupo E (especialmente na Grécia), do J (na bacia mediterrânica), do I (Escandinávia e Balcãs), e do G, que se espalhava pela Europa (mas que hoje se concentra apenas no Cáucaso). A chegada dos indo-europeus terá embatido com todas estas populações, quase fez desaparecer os G, dividiu os I, e entrou nos territórios dos E e J.
A língua indo-europeia tornou-se quase exclusiva na Europa, com variantes adaptadas aos povos sucessivamente conquistados. O caso basco, tido como singular, por não ser língua indo-europeia, mas ter a maior concentração de R1b, pode ter duas explicações simples... por um lado na Oceania a variação linguística seria uma técnica defensiva básica, por outro lado isso só seria feito num ambiente exclusivo de elementos da tribo... que teriam escolhido aquela região como assento próprio, não se misturando com os habitantes primitivos. Os casos magiar ou finlandês são substancialmente diferentes, prendendo-se com as migrações posteriores, nomeadamente dos hunos.

Esta invasão indo-europeia do haplogrupo R pode ter acontecido nos milénios subsequentes à época glaciar, na sequência do degelo. Isto seria um registo demasiado tardio, mesmo para mais velhos mitos que nos levam apenas até ~ 4000 a.C. A subsequente evolução teria misturado populações, mas também a separação do continente europeu na zona do Mar Negro terá contribuído para a separação R1a e R1b.

Os R1b formariam depois a indistinta população celta que habitou a Europa Ocidental.
Não teriam conquistado a zona mediterrânica, mas também não há propriamente registos míticos de que tenha havido qualquer conquista europeia. Curiosamente, ou não, nem mesmo os mitos parecem esclarecer o que se passou nesse passado remoto. Talvez seguindo os gregos se possa dar sentido às guerras com Titãs, Gigantes, ou Centauros... mas isso será outra história.

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publicado às 08:04


Panóptico ou ovo de colon

por desvela, em 07.02.13
Há um ponto que ficou por esclarecer naquilo que fui escrevendo até aqui.
Creio que deixei claro que há fortes motivos para suspeitar de uma ocultação que antecedeu o período de descobrimentos, dizendo respeito a todas as descobertas, indo até à Antiguidade, proibindo praticamente contactos entre as civilizações ocidentais e orientais, ou as explorações marítimas.
No entanto, não apresentei qualquer conexão que se impusesse a Oriente e a Ocidente, de forma minimamente semelhante. Por que razão a China e Índia se haveriam de fechar? Se o Budismo foi uma religião que procurou difusão, que obstáculos tão grandes impediriam uma tentativa de propagação a ocidente? Por que razão o Império Romano, durante vários séculos de apogeu, não procuraria entrar em contacto com as zonas orientais, seguindo a rota de Alexandre Magno, pelo menos em direcção à Índia. Afinal, seria esse "descuido" a oriente que levaria os hunos às suas portas, precipitando o fim do império.

Há uns jogos instrutivos na internet, que permitem simular a evolução de um domínio. O utilizador pode começar em igualdade de circunstâncias numa "aldeia" numa "ilha", estabelece algumas alianças locais, mas rapidamente perceberá que nem todos chegaram ao mesmo tempo, e noutras "ilhas" haverá "alianças mais desenvolvidas". Esquecendo as finalidades comerciais, que deturpam as prestações, os novos jogadores são aliciados para fazerem parte de alianças com jogadores mais experientes... e a filosofia rapidamente se torna num "join or die". A pequena ilha que pareceria inicialmente imune a ataques externos, ver-se-à rapidamente envolvida num jogo global entre duas ou três alianças principais, que se formaram no início do jogo. Em casos mais subtis, as alianças, que parecem antagónicas, são controladas pelo mesmo jogador, que garantirá assim a vitória, fazendo jogo duplo, ou triplo, de aparente oposição a si próprio. Aos iniciados, esse tipo de estratégia escapa-lhes por completo, pelo menos até passarem uns meses, ou anos... porque alguns jogos mentais conseguem ser viciantes, e há muita gente entretida no mercado de "realidades" paralelas ou virtuais.

Isto é apenas ilustrativo de como é possível dissimular antagonismos, objectivos, deturpando a imagem que os outros fazem do seu oponente. Um oponente dissimulado é muitíssimo mais difícil de combater, mas por outro lado requer uma sofisticação, uma sólida ligação entre intervenientes, e precisa ainda de um motivo unificador. Num jogo estabelece-se normalmente um objectivo, agora em termos da nossa vivência humana, os pequenos objectivos tendem-se a confundir com objectivos maiores, ou até com a profunda inexistência de objectivo declarado, na existência humana.

É claro que a nossa raiz animal traz alguns objectivos inerentes, que se prendem com a constituição familiar, com a identificação de um parentesco, de um povo... mas quando a civilização começou a ganhar ascendente por via de novas ideias, essas ideias não tinham marca genética. Podem ter sido entendidas assim pela ligação entre o povo e a sua cultura, mas se as culturas não fossem hostis, só períodos de carência levariam a conflitos, a disputas territoriais, onde regressavam os valores de "base animal", ligados à própria sobrevivência.
O esquema agredir-para-não-ser-agredido deve ter-se tornado rapidamente numa real-politik, e as populações destroçadas passaram a ser remetidas para uma condição de escravatura, onde a sua utilização seria semelhante à que os humanos fariam dos restantes animais. Uns seriam tratados como "bestas de carga", outros seriam mais acarinhados... passando a uma figura semelhante à de "animais de estimação".

Um aspecto, que ainda hoje se pratica, é a castração de "animais de estimação". Também é histórica a utilização de eunucos para serviço cortesão. A sua prática atravessou fronteiras, e encontrou especial aplicação a Oriente. Do Egipto, Babilónia, Pérsia, até à China, os eunucos atingiram um estatuto social que lhes permitia ganhar controlo sobre a pirâmide burocrática dos estados. Mas o que os motivaria?
Numa corte que estabelecia linhagem pela descendência familiar, aos eunucos estaria reservado o papel de meros espectadores, mais ou menos empenhados na garantia da descendência dos genes do seu "senhor", que não eram seguramente os seus. Se eles tinham poder, não serviria essa filosofia de carácter reprodutor... provavelmente o seu povo de origem estava escravizado em condições piores.
É fácil à distância dos factos esquecer os sofrimentos envolvidos, mas a nossa História é uma sucessão de dramas, alguns dos quais difíceis de compreender para além da mera barbárie envolvida.

Se haveria humanos receptivos a uma idealização da humanidade, para além do aspecto animal, da reprodução da espécie, é natural que se encontrassem entre os eunucos. Caso constituíssem uma fraternidade, sem fronteiras, ganhariam o poder de aconselhar os soberanos às melhores e piores decisões, consoante a sua estratégia global. E que motivo teriam eles para as fronteiras? Qual seria o seu povo, se lhes negavam descendência?

O texto já está a ficar longo, e ainda mal comecei... este assunto, ainda que hipotético, afigura-se complicado, pela sua verosimilidade, e génese "casual". 
Acontece que alguns estudiosos de Colombo salientaram que o seu nome "Colon" referiria uma afiliação secreta, representada na sua (e noutras) assinaturas com ":", e estas duas bolinhas têm o nome latino de "colon". Da mesma forma que são hoje usados para fazer os olhos de um "smile" :) nada impede que tivessem outro significado... Foi um pouco ao jeito de smile, que escrevi no blog  Delito de Opinião (onde fazem a gentileza de suportar os inconvenientes):
Quer Rosa, não Rosso, que o Cristobal, o Colón das Méricas não seja intestinal, mas sim um par de bolinhas ":" designadas por colon, que representa ainda "membro".
Sendo vulgar que, por castelhanização, o "ll" em Collon se leria de forma inconveniente, não deixo de reparar que Collons não faltaram, para grandes Mericas.
Mas não é dessa coragem organizada em confrarias, aí falo dos outros membros, "pomodoros", em italiano "tomates", essoutros membros que partiram para o jardim das Hespérides em busca das "maçãs de ouro"... e foram longe desencontrar o fruto proibido escondido no laranjal.

Esta prosa tem um contexto casual... e é claro que a partir desta pequena constatação informal, o "colon" ganha outros signicados, inclusivé o do feminino "cola" para cauda (e já dissertei sobre a cola do dragão, ou dra-cola).

Pareceu-me consequente que o símbolo ":" pudesse representar um drama, tal como a crux "+" representa outro. E é claro que se encontram casos particularmente significativos desses dramas.
Um deles é o do adolescente Sporus, ao tempo de Nero, que o apresentou publicamente castrado como sua "noiva", para substituir a mulher, Poppaea Sabina (que Nero tinha morto a pontapé, estando grávida, segundo Suetónio).  Após a morte de Nero, Sporus ficou de novo como escravo sexual de Sabino, Oto, e finalmente suicidou-se, quando Vitélio decidiu humilhá-lo publicamente com a representação da "violação de Perséfone (por Hades)".
Conjectura-se que Poppaea seria uma simpatizante do culto cristão, mas como Sabino tratava Sporus com o mesmo nome da anterior imperatriz, em alusão à substituição por Nero, poderá haver confusão de nomes. 
Parece provável que o sacrifício de Sporus tenha tido impacto na comunidade cristã.
O Evangelho de S. Mateus (19:12) refere esta passagem:
                      "Alguns são eunucos porque nasceram assim; outros foram feitos assim pelos homens; outros ainda fizeram-se eunucos por causa do Reino dos Céus. Quem puder aceitar isso, aceite."

São Mateus é contemporâneo do despotismo de Nero e da tragédia de Sporus. De qualquer forma, a Igreja aceita este evangelho, e a associação dos eunucos ao Reino dos Céus parece ligada a votos de castidade, em particular ao celibato na Igreja. 


Falando no celibato, temos o culto de Cíbele, entendida como equivalente a Raia, a Perséfone, talvez na sua variante mais popular, enquanto deusa-da-terra, a Maia. Os sacerdotes de Cibele eram eunucos, denominados "Galli" ou Galos, de origem "frígia"... e acho que já disse o suficiente sobre o prefixo "Galo", e a sua ligação a toda cultura "celta". Se por um lado os galos anunciam o amanhecer... e há todo um simbolismo com a alvorada. Por outro lado há uma relação a Cale - via, caminho, de onde surge a palavra "Galactica" - ou via láctea, por alterações entre "G" e "C".
Assim, a representação da violação de Perséfone, a ser feita a Sporus, eunuco, tinha uma conotação de perversidade cultural.

Cíbele era entendida como Magna Mater, ou Alma Mater, uma designação que se aplicaria depois à Virgem Maria. Também não deixei de notar que o Papa tem o poder de atribuir a Ordem da Espora Dourada, uma prestigiosa condecoração para a fé Católica, tendo como "patrono" a Virgem Maria.

A "espora" tornou-se um símbolo da cavalaria (também em westerns), e a sua forma de estrela não será acidental. Parece-me ter sido visto algo estelar num "esporo"... numa borboleta esmagada por uma roda, citando Pope, que pareceu ridicularizar Sporus. 

O outro ponto estelar acaba por ser representado literalmente por Ganimedes.

Ganimedes nesta representação com um barrete frígio, sendo a sua origem troiana, terá sido raptado por Júpiter/Zeus, por ser o mais belo de entre os mortais. Tal como os outros satélites de Júpiter, a saber - Io, Europa e Calisto, todos foram vítimas de rapto de Zeus, para atribuições sexuais.
Assim, o maior satélite natural de Júpiter, Ganimedes, foi nomeado desta forma, não porque Galileu quisesse (não quis), mas porque tinha que ser assim. Dessa forma não esquecemos que a potência de Zeus tinha também o seu lado perverso, num desequilíbrio de atribuições que não poderia ser estável.

Há muitos "eus" nesta história, e estão no plural, em "meus", "teus", "seus", "Deus", "Zeus", "Teos", "Céus"... Porquê "eu"? Por que não "eu"?, e raramente se conjuga no plural vendo todos os "Eus", apenas esperando que o outro "eu" também veja o seu "eu".

Voltamos ao "eu nuca", nuca no suporte da cabeça. Ganimedes foi também um eunuco egípcio que ficou famoso por combater Júlio César, sendo a nuca de Ptolomeu XIII e não de Cleópatra. Tempos complicados, em que Crasso cometia o "erro crasso" de crucificar 30 mil escravos na Via Ápia, após a revolta de Spartacus, dando uma outra dimensão para a crux "+", para além da que lhe reconhecemos.

Se a sociedade romana era violenta com os escravos, não usava eunucos, e o caso de Sporus pode ser considerado dentro das excepções a essa castração violenta. Aliás a sociedade romana (tal como a grega) teria costumes sexuais que não tornariam a posição de nenhum eunuco humilhante, o estatuto humilhante seria colocado na escravatura... tendo como escape romano nas Saturnálias, que estão na origem do Carnaval.

A abdicação religiosa de função sexual esteve ligada a esse ritual que remonta a Cibele, e que se liga aos eunucos, dedicados a um projecto social que ultrapassava o mero conceito da reprodução. Essa limitação sexual de uns pode ainda justificar toda a necessidade de ser imposta religiosamente a outros, não por uma mera questão "vingativa", mas para ligar a existência humana a objectivos que ultrapassassem a efemeridade. Por outro lado, convém não esquecer o papel secundário a que foram remetidas as mulheres, consideradas para o objectivo "menor", reprodutor, mais ligadas à sua descendência genética, e talvez consideradas menos aptas para uma visão que ultrapassasse o seio familiar, a que estariam instintivamente mais presas.

Por outro lado, um outro culto primitivo, ligado à terra, é o de Pan, ou Fauno.
A apresentação deste deus, com cornos e pés de cabra, tem uma conotação directa com uma figura popularizada do Diabo, e o quadro "El gran cabron" de Goya representa uma adoração pagã associada a bruxaria. Em português popular não é de desconsiderar o prefixo "pan" associado a "pânico", e as outras terminações  em "ilas", "asca", "eiro"... ainda que a natureza do deus seja mais a da luxúria e não a misogenia. É aliás habitual a sua ligação a Dionísio, ou a Baco, de onde vem a palavra "bacanal" e talvez "baca" (com "v"). Os seus cornos (talvez cifras em chifres) podem ser ligados à cornucópia de Cibele, e também tomam uma ligação a Cronos, não apenas linguística, mas pela sua origem ao panteão remoto. Tal como Zeus, Pan teria sido criado por Amalteia e alimentado da mesma cabra, podendo ser irmão de Arcas, havendo um outro Pan, mais antigo, filho de Cronos. Pelo lado de Arcas, encontramos a sua mãe Calisto, uma das vítimas dos apetites de Zeus, e colocada também como Ursa Maior, enquanto o seu filho Arcas, corresponde à Ursa Menor. 
Há uma ligação comum à Lua, que Pan cortejou, e digamos que uma floresta ao luar será o ambiente que associamos a faunos. Por outro lado, no rabo de peixe, é considerado Capricórnio, talvez devendo  ainda ser associado à figura mítica do centauro.

O prefixo "pan" leva-nos a outras considerações, nomeadamente globais, já que significa "tudo".
Em particular, o sistema "panóptico" desenhado por Bentham no Séc. XVIII para prisões:
foi também considerado por Michel Foucault como um modelo aplicável a outras vigilâncias. A ideia é a de um vigilante que vê todas as celas, sem que os presos se apercebam que estão a ser vigiados. No fundo, uma visão Orwelliana já com alguns séculos, mas que peca por ter apenas um olho, que julga que tudo vê. Estes sistemas são aplicados hoje em dia, e convivemos com eles sem dar por isso... e não será apenas nas câmaras de vigilância, nem só na comunicação da internet, nos telemóveis, ou nas webcameras. É já velho o ditado que diz "as paredes têm ouvidos"... porque apenas conhecemos uma parte da tecnologia que é divulgada. Hoje em dia há máquinas, e micro-máquinas...
Se essa concepção prisional favorece a nossa segurança, admitindo que o vigilante é bem intencionado, deixa-nos também numa fragilidade desconfortante, quando esse vigilante perde a noção dos seus limites éticos. 
Quando a intrusão não é consentida, trata-se de violação... seja ela de Sporus, de Perséfone, ou de Ganimedes, apareça Zeus ou Hades sob forma dissimulada, com pretensos propósitos de amor, que não passam de simples lascívia, escondida sob as cores do arco-íris, e pantominas de pote-de-ouro.

Foi este óvulo que se construiu, não um ovo, não de colombo, mas sim de colon.
No filme de Kubrick, "2001, Odisseia no Espaço", o epílogo é curiosamente uma nova forma de vida, que surge na ida a Júpiter. Há coisas que não são obviamente coincidência, nomeadamente o módulo chamar-se EVA, ou computador chamar-se HAL. O epilogo com uma nova forma de vida, posso entendê-lo, no sentido do "ovo de colon", quando colocado em Ganimedes... funcionando como o resultado final do projecto de gestação social, numa visão primeva de alguém a quem foi suprimida a possibilidade de outra descendência. Agora, o remake com um "2010, ano do contacto", só o consigo ver como sequela fortuita... tal como seria fortuita uma navegação em mar alto sem entender as estrelas, ou desaproveitado o entender as estrelas sem ousar navegar.

As ocultações podem servir um olho, mas comprometem definitivamente a visão de conjunto, remetendo-nos a uma sombra do que somos. Não se trata aqui do que uns sabem e outros não, mas sim do que uns não querem saber, enquanto que os outros caminharão inevitavelmente nesse sentido. Uns presos nos medos, outros movidos por sonhos. O controlo dos medos ou dos sonhos só superficialmente se condiciona. É um paradoxo do próprio julgar que domina o seu pensamento, e quem pensar o contrário, simplesmente não pensou no assunto. 

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publicado às 07:16


Conan, o bretão

por desvela, em 18.12.12
Do longínquo tempo em que o governador da Califórnia representava, não no protocolo, mas sim no cinema, conhecemos um dos personagens fabulosos que marcou gerações - Conan, o Bárbaro:
Arnold Schwarzenegger em Conan (1982, 84)

Conan foi visto como um produto de fantasia moderna, iniciada com o livro de R. Howard, em 1932, depois em banda-desenhada, e passados 50 anos aparece o filme. Era assim mais fácil a Howard introduzir um nome esquecido que foi visto como herói noutro contexto:
Conan, primeiro rei da Bretanha (383-427)

Conan, aparece ainda na fábula como Cimério, ligando-o a outros cimérios, apesar de Howard referir que se tratava de um celta... como o próprio nome indicia (Conan é um nome comum na Bretanha). É natural que Howard ligasse Cymmerian a Cymry - o nome celta de Gales, e que Hyboria invocasse a Hibernia-Irlanda. Com a grande excepção do Rei Artur, os mitos que surgiram na época de queda do Império Romano e transição para a época medieval, acabaram mais ou menos esquecidos, e toda essa época aparece envolta numa enorme névoa histórica.

A informação sobre Conan está, no entanto, bem detalhada na obra de 1854, de Charles Barthelemy:
Histoire de la Bretagne, ancienne et moderne
que toma o moto atribuído a Conan: "Malo mon quam foedari"... "antes morrer que me manchar", e associa os arminhos no escudo da Bretanha a um episódio que Conan tomara como bom presságio - ao desembarcar nas costas da Bretanha, alguns arminhos refugiaram-se sob o seu escudo. 

 
Um arminho. Escudo da Bretanha, com o símbolo dos arminhos.

Talvez não seja despropositado notar que se o latim "ermini" se mantém no catalão, não difere muito no francês "hermines". Ou seja, também poderíamos ter o nome "hermínios" em vez de "arminhos"... e os Montes Hermínios dariam significado a uma fauna entretanto extinta em Portugal (manter-se-à na Galiza).

Antes de retomar o lendário Conan, neste caso o bretão, é adequado numa veneta falar dos Venetos. Charles Barthelemy inicia a sua história com as dificuldades que Júlio César teria sentido na tentativa de anexação da Bretanha (ou Armorica), especialmente no que dizia respeito aos Venetos.
Acontecia que os Venetos eram navalmente superiores aos Romanos... no Oceano Atlântico os quadrirremes eram pouco eficazes, e os Venetos manobravam superiormente apenas com velas.
Barthelemy refere que, finalmente, com um expediente engenhoso, os romanos conseguiram cortar as cordas que operavam o velame, permitindo a abordagem aos navios. A maioria dos barcos venetos foi subjugada, e a independência da Bretanha/Armorica perdeu-se num só dia de batalha. Sucessivamente todos os portos se renderam... Júlio César foi implacável contra os Venetos que não escolheram morrer, e a história de uma Bretanha independente seria retomada quando entra Conan em cena - no final do Séc. IV.

Ora, como é natural, o nome "Venetos" sugere outra região... a "Venetia", a região de Veneza.
Essa ligação foi estabelecida (cf. Vénètes), e também outra ligação com a região de Gwynedd (Gales), denominada Venedotia pelos romanos.
Temos assim uma ligação marítima entre Gales, Bretanha e Veneza... havendo ainda quem adicione uma região polaca, ou eslava, referente aos Wendes, que migrariam para a Sérvia.
Coincidência?
Pelo critério etimológico, não podemos deixar de relembrar a conexão por Gal... deixando Portu-gal, passando à Galiza, aos Gauleses, Galeses, Galicia (Ucrânia/Polónia), ou até à Galatia (Turquia). Isto praticamente evidencia uma conexão marítima de grande escala fora do Mediterrâneo.
Para relembrar esta ligação, feita por onde antes a terra era mar, coloco de novo o mapa ilustrativo:

e assim, a propósito deste texto, notar que há uma razão para uma Grã-Bretanha e outra "pequena" Bretanha - pelo menos em tempos anteriores ambas teriam sido ilhas. César conquista uma Bretanha, Cláudio conquistará a outra, ou parte dela (os Pictos resistirão na Escócia). O mesmo nome, e a sua proximidade, parece prestar-se a confusões nas referências históricas.
Aliás Barthelemy refere que essa conexão entre as Bretanhas era tão presente, que durante vários séculos o rei comum residia em Trinovante - Londres. Conan partiu da Grã Bretanha para conquistar a Bretanha.

Como se as duas ligações marítimas apontadas não fossem suficientes, temos ainda os Pictones na França, ao sul da Bretanha, e os Pictos na Escócia. Etimologicamente ligam-se Vene, Gal, Picto, a distintas partes marítimas.
Coincidência? - A genética falou antes de a calarem... lê-se no Scotsman.com de 21/09/2006:
uma notícia que mostra como a maioria dos ingleses, escoceses e galeses descendem das mesmas tribos que os povos da Península Ibérica, concluindo aliás serem migrações destes.
(...) a research team at Oxford University has found the majority of Britons are Celts descended from Spanish tribes who began arriving about 7,000 years ago.
Even in England, about 64 per cent of people are descended from these Celts, outnumbering the descendants of Anglo-Saxons by about three to one.
The proportion of Celts is only slightly higher in Scotland, at 73 per cent. Wales is the most Celtic part of mainland Britain, with 83 per cent.
Previously it was thought that ancient Britons were Celts who came from central Europe, but the genetic connection to populations in Spain provides a scientific basis for part of the ancient Scots' origin myth.
The Declaration of Arbroath of 1320, following the War of Independence against England, tells how the Scots arrived in Scotland after they had "dwelt for a long course of time in Spain among the most savage tribes".
Olhando para a Declaração de Arbroath, dirigida ao Papa, a "coisa" torna-se ainda mais clara:
Most Holy Father, we know and from the chronicles and books of the ancients we find that among other famous nations our own, the Scots, has been graced with widespread renown.  It journeyed from Greater Scythia by way of the Tyrrhenian Sea and the Pillars of Hercules, and dwelt for a long course of time in Spain among the most savage peoples, but nowhere could it be subdued by any people, however barbarous.  Thence it came, twelve hundred years after the people of Israel crossed the Red Sea, to its home in the west where it still lives today.  The Britons it first drove out, the Picts it utterly destroyed, and, even though very often assailed by the Norwegians, the Danes and the English, it took possession of that home with many victories and untold efforts; and, as the histories of old time bear witness, they have held it free of all servitude ever since.  In their kingdom there have reigned one hundred and thirteen kings of their own royal stock, the line unbroken by a single foreigner.
Não restam muitas dúvidas de como as gaitas (de foles) são comuns a Trás-os-Montes e à Escócia. Também não restam muitas dúvidas de como "os mitos" que foram passando, nas "crónicas dos antigos", são afinal "mitos" com alguma "sustentação genética". Em 1320 os escoceses acabavam de receber uma das duas partes principais dos templários perseguidos em França... Se pelo lado português, os templários se estabeleceram na Ordem de Cristo, pelo lado escocês acabaram por formalizar a Maçonaria, de onde terá saído o "rito escocès".

É ainda interessante estes escoceses traçarem a sua origem a tempos de migrações da "Grande Cítia", ou seja da zona Tartária, a norte do Mar Negro e mar Cáspio. Depois de viverem muito tempo na Península Ibérica, acabam por aportar na Irlanda ("... its home in the west"), e numa grande contracção de tempo falam da destruição dos Pictos e invasões vikings... Para entender melhor isto, é preciso recorrer a Nennius, e à sua Historia Brittonum, do Séc. VIII - o que merece um texto separado.
Por outro lado, o traço genético é mais alargado, e não diz respeito apenas aos escoceses, inclui especialmente os galeses, e por isso reporta a tempos bem mais antigos, talvez próximos dos 5000 a.C. sugeridos pelo estudo genético.
Mas para não alongar nesta variante, voltamos a Conan...

Barthelemy começa por abordar o assunto referindo Cohel (nat King Cole) e o irmão Octavius (Outam), últimos reis de Trinovante-Londres. Diz que Cohel seria pai de Santa Helena, mãe do Imperador Constantino... tese controversa que procurou ligar a consagração imperial de Constantino em York, a uma ascendência britânica. Apesar da origem de Santa Helena ser algo incerta, há enormes hiatos temporais nestas versões. Se a Europa continental tinha um unificador em Carlos Magno, os britânicos procuraram associar-se a Constantino "Magno". Através de Geoffrey de Monmouth, outra referência incontornável para este período britânico, o rei Artur seria descendente do rei Cohel.

Conan aparece como protagonista na sucessão de Octavius seu tio (ou pai?), numa altura em que o imperador romano Graciano estava prestes a ser defrontado por Maximus, um general romano da Hispânia.
Maximus estaria destacado na Grã Bretanha, e como no caso de Constantino, as legiões britânicas irão apoiar a sua pretensão a Imperador Romano. Ele surge como sucessor de Octavius pelo casamento com a filha Elen (outra Santa Helena). A esta sucessão opõe-se Conan, segundo diz Barthelemy, e aparecerá contra Maximus ao lado dos Pictos e Escotos.
Conan perde a batalha, e as legiões proclamam Maximus imperador romano. Maximus tem planos maiores, e propõe a Conan uma aliança para a invasão da Bretanha. Em 383 d.C. Conan desembarca ao serviço desse plano de Maximus, tem os arminhos a recebê-lo, e em breve terá um reino sob seu poder. Maximus prossegue, derrota Graciano na batalha de Lutécia, e durante 4 anos será imperador romano.

Magnus Maximus, Imperador Romano do Ocidente (384-388)

Maximus é primeiro visto como usurpador, mas é aceite com o co-imperador Valentiniano II, até que o tenta depor. Apesar do seu êxito no Império Romano do Ocidente, acabará por ser morto por Teodósio I, Imperador do Oriente, que irá recolocar Valentiniano II no Ocidente. Como era habitual em Roma, a mulher (Elen) e os filhos, serão também mortos. O senado romano declara a sua "memória danada"... e por isso é natural que pouca memória oficial da época se tenha mantido. Na tradição galesa, o nome de Maximus é Macsen Wledig, e Conan Meriadoc aparece como irmão de Elen, sua mulher. 

Com a aniquilação de Maximus, Conan não deixa de ficar no poder da Bretanha mais 40 anos, de acordo com Barthelemy. A incursão de Maximus acaba por deixar o Império do Ocidente fragilizado, e Honório, sucessor de Valentiniano II, terá por ter que negociar as diversas concessões de poder aos suevos, alanos, e godos. Roma já não controlaria a maior parte da Gália e Hispânia. Também a Bretanha teria um acordo de autonomia com Honório.
Assim, o período de Conan acaba por reflectir, segundo Barthelemy, uma grande estabilidade e independência, que atraírá o mundo celta à Bretanha, face ao desmoronar do mundo romano. O sucessor de Conan, será o seu filho Salomon, e apesar de Conan ter favorecido o cristianismo, não deixa de ser interessante este nome, e notar que Maximus teria sido acusado de "judaísmo", por Santo Ambrósio, por se ter oposto ao incêndio de uma sinagoga em Roma...

Finalmente, Barthelemy vai associar Conan a um outro episódio marcante - o martírio de Santa Ursula e das 11 000 virgens. Conan terá solicitado a mão da filha de Dionote, rei da Grã Bretanha, e Ursula terá partido também com a missão de "cristianizar o bárbaro". Por resultado de tempestade, o barco teria sido desviado para uma embocadura do Reno na Holanda, onde Ursula teria sido presa e depois morta pelos Hunos. Desde 406 d.C. que os Hunos tinham forçado a migração das tribos germânicas para oeste do Reno, e essa pressão levara às primeiras incursões bárbaras a que Honório cedeu. Quanto às 11000 virgens, o número é emblemático, por ser implausível que Ursula fosse acompanhada em tal número.
Assim, levantam-se hipóteses instrutivas de como alguma informação é facilmente deturpável ou interpretativa. Uma hipótese diz que "XI M V" foi entendido como 11 mil virgens e deveria ser 11 mártires virgens... outra diz que se referia a Ursula como virgem com 11 anos, etc.
Este exemplo é instrutivo porque são muitas as abreviaturas em latim, o que deixa alguma margem de interpretação e possível distorção face ao conteúdo original dos textos.

Conclusão. Barthelemy refere que Ana da Bretanha, bem como todos os duques anteriores, orgulhava-se da sua ascendência até Conan. A Bretanha seria definitivamente incorporada no Reino da França pelo casamento de Ana da Bretanha, e a sua autonomia seria depois limitada.
A ascendência de Conan seria bretã, não seguia a linhagem goda que resultaria na aristocracia europeia depois das invasões bárbaras. Também dificilmente se poderá invocar uma ascendência germânica aos godos, já que os Alamani eram uma confederação de Suevos. Os suevos acabaram por ser dominados pelos visigodos na Hispania, e por isso grande parte do que se chamaria "alemães" seriam muito mais suevos, de ligação celta, em grande parte inseridos no mundo romano. Os godos teriam uma origem diversa e alargada, sendo escandinava pela parte visigoda, até à Cítia/Tartária (zona Khazar) pela parte ostrogoda.
As monarquias estabelecidas na Europa acabarão todas por ter essa linhagem goda (os monarcas suevos não a teriam e não eram reconhecidos em Roma). Assim, quando os escoceses invocam a sua migração a partir da Cítia, estão a invocar a mesma zona geográfica dos ostrogodos, e talvez a mesma nobreza goda para justificar as pretensões de realeza.
No entanto, pelo traço genético, a população das ilhas britânicas terá essencialmente a mesma origem ibérica, e esse traço alagar-se-ia por uma civilização atlântica que incorporaria ainda a costa francesa, e poderia mesmo chegar a paragens mais orientais, remontando a épocas de ligação com o Mar Negro.
Na parte ocidental, há evidentes traços de ligação cultural, denominada celta, que vão das ilhas britânicas à parte ibérica, onde os monumentos de pedra, de "brita", os menires, cromeleches, dólmens, estão bem presentes. A tradição naval seria uma ligação, tornada clara na menção que se faz acerca da superioridade dos barcos venetos bretões face aos romanos, e a que se ligará também certamente um conexão fenícia.
Toda a mitologia celta britânica, acabará por se fundar numa nacionalidade perdida, desde o tempo do Rei Artur, e de Avalon. As invasões dos Anglos, Saxões e Normandos, acabam por reduzir os bretões praticamente a servos, como é bem ilustrado no conto de Robin Hood. Isso não acontece apenas na Grã Bretanha, por todo o lado, a cultura "celta" permanecerá como um resquício pagão popular. Porém, não apenas pelo nome, a Britania, acabará por conseguir trazer lendas que se perderam noutros tempos e lugares.

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publicado às 05:57


Conan, o bretão

por desvela, em 17.12.12
Do longínquo tempo em que o governador da Califórnia representava, não no protocolo, mas sim no cinema, conhecemos um dos personagens fabulosos que marcou gerações - Conan, o Bárbaro:
Arnold Schwarzenegger em Conan (1982, 84)

Conan foi visto como um produto de fantasia moderna, iniciada com o livro de R. Howard, em 1932, depois em banda-desenhada, e passados 50 anos aparece o filme. Era assim mais fácil a Howard introduzir um nome esquecido que foi visto como herói noutro contexto:
Conan, primeiro rei da Bretanha (383-427)

Conan, aparece ainda na fábula como Cimério, ligando-o a outros cimérios, apesar de Howard referir que se tratava de um celta... como o próprio nome indicia (Conan é um nome comum na Bretanha). É natural que Howard ligasse Cymmerian a Cymry - o nome celta de Gales, e que Hyboria invocasse a Hibernia-Irlanda. Com a grande excepção do Rei Artur, os mitos que surgiram na época de queda do Império Romano e transição para a época medieval, acabaram mais ou menos esquecidos, e toda essa época aparece envolta numa enorme névoa histórica.

A informação sobre Conan está, no entanto, bem detalhada na obra de 1854, de Charles Barthelemy:
Histoire de la Bretagne, ancienne et moderne
que toma o moto atribuído a Conan: "Malo mon quam foedari"... "antes morrer que me manchar", e associa os arminhos no escudo da Bretanha a um episódio que Conan tomara como bom presságio - ao desembarcar nas costas da Bretanha, alguns arminhos refugiaram-se sob o seu escudo. 

 
Um arminho. Escudo da Bretanha, com o símbolo dos arminhos.

Talvez não seja despropositado notar que se o latim "ermini" se mantém no catalão, não difere muito no francês "hermines". Ou seja, também poderíamos ter o nome "hermínios" em vez de "arminhos"... e os Montes Hermínios dariam significado a uma fauna entretanto extinta em Portugal (manter-se-à na Galiza).

Antes de retomar o lendário Conan, neste caso o bretão, é adequado numa veneta falar dos Venetos. Charles Barthelemy inicia a sua história com as dificuldades que Júlio César teria sentido na tentativa de anexação da Bretanha (ou Armorica), especialmente no que dizia respeito aos Venetos.
Acontecia que os Venetos eram navalmente superiores aos Romanos... no Oceano Atlântico os quadrirremes eram pouco eficazes, e os Venetos manobravam superiormente apenas com velas.
Barthelemy refere que, finalmente, com um expediente engenhoso, os romanos conseguiram cortar as cordas que operavam o velame, permitindo a abordagem aos navios. A maioria dos barcos venetos foi subjugada, e a independência da Bretanha/Armorica perdeu-se num só dia de batalha. Sucessivamente todos os portos se renderam... Júlio César foi implacável contra os Venetos que não escolheram morrer, e a história de uma Bretanha independente seria retomada quando entra Conan em cena - no final do Séc. IV.

Ora, como é natural, o nome "Venetos" sugere outra região... a "Venetia", a região de Veneza.
Essa ligação foi estabelecida (cf. Vénètes), e também outra ligação com a região de Gwynedd (Gales), denominada Venedotia pelos romanos.
Temos assim uma ligação marítima entre Gales, Bretanha e Veneza... havendo ainda quem adicione uma região polaca, ou eslava, referente aos Wendes, que migrariam para a Sérvia.
Coincidência?
Pelo critério etimológico, não podemos deixar de relembrar a conexão por Gal... deixando Portu-gal, passando à Galiza, aos Gauleses, Galeses, Galicia (Ucrânia/Polónia), ou até à Galatia (Turquia). Isto praticamente evidencia uma conexão marítima de grande escala fora do Mediterrâneo.
Para relembrar esta ligação, feita por onde antes a terra era mar, coloco de novo o mapa ilustrativo:

e assim, a propósito deste texto, notar que há uma razão para uma Grã-Bretanha e outra "pequena" Bretanha - pelo menos em tempos anteriores ambas teriam sido ilhas. César conquista uma Bretanha, Cláudio conquistará a outra, ou parte dela (os Pictos resistirão na Escócia). O mesmo nome, e a sua proximidade, parece prestar-se a confusões nas referências históricas.
Aliás Barthelemy refere que essa conexão entre as Bretanhas era tão presente, que durante vários séculos o rei comum residia em Trinovante - Londres. Conan partiu da Grã Bretanha para conquistar a Bretanha.

Como se as duas ligações marítimas apontadas não fossem suficientes, temos ainda os Pictones na França, ao sul da Bretanha, e os Pictos na Escócia. Etimologicamente ligam-se Vene, Gal, Picto, a distintas partes marítimas.
Coincidência? - A genética falou antes de a calarem... lê-se no Scotsman.com de 21/09/2006:
uma notícia que mostra como a maioria dos ingleses, escoceses e galeses descendem das mesmas tribos que os povos da Península Ibérica, concluindo aliás serem migrações destes.
(...) a research team at Oxford University has found the majority of Britons are Celts descended from Spanish tribes who began arriving about 7,000 years ago.
Even in England, about 64 per cent of people are descended from these Celts, outnumbering the descendants of Anglo-Saxons by about three to one.
The proportion of Celts is only slightly higher in Scotland, at 73 per cent. Wales is the most Celtic part of mainland Britain, with 83 per cent.
Previously it was thought that ancient Britons were Celts who came from central Europe, but the genetic connection to populations in Spain provides a scientific basis for part of the ancient Scots' origin myth.
The Declaration of Arbroath of 1320, following the War of Independence against England, tells how the Scots arrived in Scotland after they had "dwelt for a long course of time in Spain among the most savage tribes".
Olhando para a Declaração de Arbroath, dirigida ao Papa, a "coisa" torna-se ainda mais clara:
Most Holy Father, we know and from the chronicles and books of the ancients we find that among other famous nations our own, the Scots, has been graced with widespread renown.  It journeyed from Greater Scythia by way of the Tyrrhenian Sea and the Pillars of Hercules, and dwelt for a long course of time in Spain among the most savage peoples, but nowhere could it be subdued by any people, however barbarous.  Thence it came, twelve hundred years after the people of Israel crossed the Red Sea, to its home in the west where it still lives today.  The Britons it first drove out, the Picts it utterly destroyed, and, even though very often assailed by the Norwegians, the Danes and the English, it took possession of that home with many victories and untold efforts; and, as the histories of old time bear witness, they have held it free of all servitude ever since.  In their kingdom there have reigned one hundred and thirteen kings of their own royal stock, the line unbroken by a single foreigner.
Não restam muitas dúvidas de como as gaitas (de foles) são comuns a Trás-os-Montes e à Escócia. Também não restam muitas dúvidas de como "os mitos" que foram passando, nas "crónicas dos antigos", são afinal "mitos" com alguma "sustentação genética". Em 1320 os escoceses acabavam de receber uma das duas partes principais dos templários perseguidos em França... Se pelo lado português, os templários se estabeleceram na Ordem de Cristo, pelo lado escocês acabaram por formalizar a Maçonaria, de onde terá saído o "rito escocès".

É ainda interessante estes escoceses traçarem a sua origem a tempos de migrações da "Grande Cítia", ou seja da zona Tartária, a norte do Mar Negro e mar Cáspio. Depois de viverem muito tempo na Península Ibérica, acabam por aportar na Irlanda ("... its home in the west"), e numa grande contracção de tempo falam da destruição dos Pictos e invasões vikings... Para entender melhor isto, é preciso recorrer a Nennius, e à sua Historia Brittonum, do Séc. VIII - o que merece um texto separado.
Por outro lado, o traço genético é mais alargado, e não diz respeito apenas aos escoceses, inclui especialmente os galeses, e por isso reporta a tempos bem mais antigos, talvez próximos dos 5000 a.C. sugeridos pelo estudo genético.
Mas para não alongar nesta variante, voltamos a Conan...

Barthelemy começa por abordar o assunto referindo Cohel (nat King Cole) e o irmão Octavius (Outam), últimos reis de Trinovante-Londres. Diz que Cohel seria pai de Santa Helena, mãe do Imperador Constantino... tese controversa que procurou ligar a consagração imperial de Constantino em York, a uma ascendência britânica. Apesar da origem de Santa Helena ser algo incerta, há enormes hiatos temporais nestas versões. Se a Europa continental tinha um unificador em Carlos Magno, os britânicos procuraram associar-se a Constantino "Magno". Através de Geoffrey de Monmouth, outra referência incontornável para este período britânico, o rei Artur seria descendente do rei Cohel.

Conan aparece como protagonista na sucessão de Octavius seu tio (ou pai?), numa altura em que o imperador romano Graciano estava prestes a ser defrontado por Maximus, um general romano da Hispânia.
Maximus estaria destacado na Grã Bretanha, e como no caso de Constantino, as legiões britânicas irão apoiar a sua pretensão a Imperador Romano. Ele surge como sucessor de Octavius pelo casamento com a filha Elen (outra Santa Helena). A esta sucessão opõe-se Conan, segundo diz Barthelemy, e aparecerá contra Maximus ao lado dos Pictos e Escotos.
Conan perde a batalha, e as legiões proclamam Maximus imperador romano. Maximus tem planos maiores, e propõe a Conan uma aliança para a invasão da Bretanha. Em 383 d.C. Conan desembarca ao serviço desse plano de Maximus, tem os arminhos a recebê-lo, e em breve terá um reino sob seu poder. Maximus prossegue, derrota Graciano na batalha de Lutécia, e durante 4 anos será imperador romano.

Magnus Maximus, Imperador Romano do Ocidente (384-388)

Maximus é primeiro visto como usurpador, mas é aceite com o co-imperador Valentiniano II, até que o tenta depor. Apesar do seu êxito no Império Romano do Ocidente, acabará por ser morto por Teodósio I, Imperador do Oriente, que irá recolocar Valentiniano II no Ocidente. Como era habitual em Roma, a mulher (Elen) e os filhos, serão também mortos. O senado romano declara a sua "memória danada"... e por isso é natural que pouca memória oficial da época se tenha mantido. Na tradição galesa, o nome de Maximus é Macsen Wledig, e Conan Meriadoc aparece como irmão de Elen, sua mulher. 

Com a aniquilação de Maximus, Conan não deixa de ficar no poder da Bretanha mais 40 anos, de acordo com Barthelemy. A incursão de Maximus acaba por deixar o Império do Ocidente fragilizado, e Honório, sucessor de Valentiniano II, terá por ter que negociar as diversas concessões de poder aos suevos, alanos, e godos. Roma já não controlaria a maior parte da Gália e Hispânia. Também a Bretanha teria um acordo de autonomia com Honório.
Assim, o período de Conan acaba por reflectir, segundo Barthelemy, uma grande estabilidade e independência, que atraírá o mundo celta à Bretanha, face ao desmoronar do mundo romano. O sucessor de Conan, será o seu filho Salomon, e apesar de Conan ter favorecido o cristianismo, não deixa de ser interessante este nome, e notar que Maximus teria sido acusado de "judaísmo", por Santo Ambrósio, por se ter oposto ao incêndio de uma sinagoga em Roma...

Finalmente, Barthelemy vai associar Conan a um outro episódio marcante - o martírio de Santa Ursula e das 11 000 virgens. Conan terá solicitado a mão da filha de Dionote, rei da Grã Bretanha, e Ursula terá partido também com a missão de "cristianizar o bárbaro". Por resultado de tempestade, o barco teria sido desviado para uma embocadura do Reno na Holanda, onde Ursula teria sido presa e depois morta pelos Hunos. Desde 406 d.C. que os Hunos tinham forçado a migração das tribos germânicas para oeste do Reno, e essa pressão levara às primeiras incursões bárbaras a que Honório cedeu. Quanto às 11000 virgens, o número é emblemático, por ser implausível que Ursula fosse acompanhada em tal número.
Assim, levantam-se hipóteses instrutivas de como alguma informação é facilmente deturpável ou interpretativa. Uma hipótese diz que "XI M V" foi entendido como 11 mil virgens e deveria ser 11 mártires virgens... outra diz que se referia a Ursula como virgem com 11 anos, etc.
Este exemplo é instrutivo porque são muitas as abreviaturas em latim, o que deixa alguma margem de interpretação e possível distorção face ao conteúdo original dos textos.

Conclusão. Barthelemy refere que Ana da Bretanha, bem como todos os duques anteriores, orgulhava-se da sua ascendência até Conan. A Bretanha seria definitivamente incorporada no Reino da França pelo casamento de Ana da Bretanha, e a sua autonomia seria depois limitada.
A ascendência de Conan seria bretã, não seguia a linhagem goda que resultaria na aristocracia europeia depois das invasões bárbaras. Também dificilmente se poderá invocar uma ascendência germânica aos godos, já que os Alamani eram uma confederação de Suevos. Os suevos acabaram por ser dominados pelos visigodos na Hispania, e por isso grande parte do que se chamaria "alemães" seriam muito mais suevos, de ligação celta, em grande parte inseridos no mundo romano. Os godos teriam uma origem diversa e alargada, sendo escandinava pela parte visigoda, até à Cítia/Tartária (zona Khazar) pela parte ostrogoda.
As monarquias estabelecidas na Europa acabarão todas por ter essa linhagem goda (os monarcas suevos não a teriam e não eram reconhecidos em Roma). Assim, quando os escoceses invocam a sua migração a partir da Cítia, estão a invocar a mesma zona geográfica dos ostrogodos, e talvez a mesma nobreza goda para justificar as pretensões de realeza.
No entanto, pelo traço genético, a população das ilhas britânicas terá essencialmente a mesma origem ibérica, e esse traço alagar-se-ia por uma civilização atlântica que incorporaria ainda a costa francesa, e poderia mesmo chegar a paragens mais orientais, remontando a épocas de ligação com o Mar Negro.
Na parte ocidental, há evidentes traços de ligação cultural, denominada celta, que vão das ilhas britânicas à parte ibérica, onde os monumentos de pedra, de "brita", os menires, cromeleches, dólmens, estão bem presentes. A tradição naval seria uma ligação, tornada clara na menção que se faz acerca da superioridade dos barcos venetos bretões face aos romanos, e a que se ligará também certamente um conexão fenícia.
Toda a mitologia celta britânica, acabará por se fundar numa nacionalidade perdida, desde o tempo do Rei Artur, e de Avalon. As invasões dos Anglos, Saxões e Normandos, acabam por reduzir os bretões praticamente a servos, como é bem ilustrado no conto de Robin Hood. Isso não acontece apenas na Grã Bretanha, por todo o lado, a cultura "celta" permanecerá como um resquício pagão popular. Porém, não apenas pelo nome, a Britania, acabará por conseguir trazer lendas que se perderam noutros tempos e lugares.

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Carpo

por desvela, em 15.07.11
Como complemento dual ao texto Tarso, ficaria incompleto não falar do Carpo, mesmo que pareça ser algo que surge do pé para a mão...
Os primeiros RX de Roentgen, em 1896.

Há sempre alguma dúvida em fazer associações, porque é muito fácil associar coisas completamente distintas, sem que haja necessariamente uma relação. Esse é o caminho restritivo, que conhecemos bem, que nos guia na precaução, mas que não deve conduzir à inibição.
Neste caso do "carpo" a linha condutora não tem a mesma sustentação do "tarso"... tem a sua própria razão.

Cárpatos
Os Cárpatos são montanhas que se estendem da Eslováquia, pela Polónia, Ucrânia, e Roménia até à fronteira Sérvia. O nome das montanhas foi apontado por Ptolomeu e associado a um povo denominado Carpos
Ora, indo recuperar um mapa anterior (sobre a viagem de Jasão), reparamos que as montanhas dos Cárpatos estão praticamente coladas às montanhas dos Balcãs: 
relembrando que já havíamos referido a particularidade da região húngara aparecer como uma planície  ao nível do mar, que assim aparece neste mapa colocada como lago.
O notável é que estas duas grandes cadeias montanhosas separam-se nas chamadas Portas de Ferro, sulcadas pelo curso do Danúbio, numa extensão de 134 Km.
Danúbio nas Portas de Ferro

O Danúbio esculpiu uma paisagem de gargantas, entre as duas cadeias montanhosas, no seu percurso para nascente, que termina no Mar Negro. 
Não foi só o Danúbio que foi escultor nas Portas de Ferro...

Quem fizer o cruzeiro pelo Danúbio, ficará certamente surpreendido por uma enorme escultura na montanha invocando Decebalus, que foi feita entre 1994 e 2004, por um promotor romeno, Constantin Dragan... fecit. Para além das dificuldades inerentes à obra, não devemos esquecer que este período de dez anos inclui uma turbulência na zona, não tanto na parte romena, mas mais na parte sérvia.
Uma estátua desta dimensões num pilar natural do rio, não deixa de despertar a invocação de Tolkien, no filme "Senhor dos Anéis", relativa aos "pilares dos reis" da "terra média". Constantin Dragan, sendo historiador pode apenas ter querido homenagear o mítico rei Decebalus, mas a obra também não deixa de sugerir que naquelas Portas podem ter estado esculturas que o "tempo" apagou...
Filme "Senhor dos Anéis" - pilares dos reis

Não longe, encontra-se a célebre Ponte de Trajano, de que já aqui falámos, a propósito "de uma ponte de Lisboa há muitos mil anos".
 
Esboço da Ponte de Trajano sobre o Danúbio (comprimento ~ 1 200 metros);
Vestígios da ponte (princípio do Séc. XX);
Placa de Trajano (Tabula Traiana)... o que resta depois
da construção da barragem Dardap I em 1972, que submergiu o conjunto.

Na sua expedição contra os Dácios, Trajano terá derrotado Decebalus, que se suicida para evitar o cativeiro, cortando a própria garganta, conforme ilustrado no relevo romano:
Relevo invocando a morte de Decebalus, derrotado por Trajano

O anel dos Cárpatos completa-se juntando a Iliria, as montanhas balcânicas, fechando como uma bacia Ilíaca sobre a planície húngara. A divisão entre os Cárpatos e os Balcãs surge singularmente como uma brecha nos Portões de Ferro (que não devemos confundir com a Cortina de Ferro, ainda que a sua divisão com uma Jugoslávia neutral tivesse passado por esse ponto do Danúbio). 
Esta brecha chega a reduzir-se a 150 metros de largo, mas com 53 metros de profundidade... um trabalho de erosão notável para o Danúbio, podendo mesmo dizer-se quase de precisão cirúrgica! 
Essa erosão é tanto mais um prodígio "natural" se atendermos a que o rio desde a zona de Budapeste vai serpenteando calmamente a Hungria a um nível próximo de 100 m até chegar a Belgrado, com aproximadamente 80 m de altitude... são muitos milhares de quilómetros de extensão, com uma inclinação reduzidíssima, até desaguar no Mar Negro.


Carpetani
Carpetanos era ainda o nome de um dos povos ibéricos assinalados por Estrabo. Ao falar no Tejo diz:
The river contains much fish, and is full of oysters. It takes its rise amongst the Keltiberians, and flows through the [country of the] Vettones, Carpetani, and Lusitani, towards the west;
Portanto os Carpetanos viveriam provavelmente na zona montanhosa da Extremadura espanhola, sendo "vizinhos" dos Lusitanos. É claro que aqui convém não ignorar que etimologicamente temos a palavra "escarpa", que era ainda latina, e que se liga a uma possível origem dos "carpos", tendo o significado de rocha na língua albanesa, na Ilíria. 
Estrabo diz ainda que devido à estóica resistência Galaica, muitos dos Lusitanos tinham passado a designar-se como Galegos.
Já aqui mencionámos que a Galicia era uma região da Ucrânia (e Polónia), convém agora dizer que esta região se situa exactamente na zona dos Cárpatos, nesses países.
A Roménia tem ainda o episódio singular de manter uma língua latina, com a desculpa de ter resultado de uma política romana de colonização agressiva, que basicamente teria substituído os Dácios de Decebalus por colonos romanos. 
Porém, estoutra eventual ligação deixa outra pista para essa ligação linguística... poderia acontecer que esses povos - em partes tão distintas - estivessem ligados por uma língua e cultura semelhante.
Essa conexão seria marítima, não através do Mediterrâneo, mas sim através da costa oceânica europeia, que se estenderia com ligação até ao Mar Negro... até que essa ligação desapareceu, com o fecho final do Tanais. 


Lethes
O que aqui falamos é de uma possível conexão entre povos em extremidades diferentes, e de um esquecimento, tal como o simbolizado pelo Rio Lethes - Lima. Estrabo menciona um outro detalhe relativo à lenda do esquecimento no Rio Lima. Se já tínhamos mencionado a ligação entre os nomes a norte (como Astorga) e os nomes a sul (como Conistorga), e as desavenças internas que podem até ser reflectidas no nome "Endovélico", Estrabo conta que o episódio que teria dado fama ao Lima resultava de uma desavença, da morte de um líder, e da dispersão dos que habitavam as margens do Guadiana para norte do Lima:
Around it dwell the Keltici, a kindred race to those who are situated along the Guadiana. They say that these latter, together with the Turduli, having undertaken an expedition thither, quarrelled after they had crossed the river Lima, and, besides the sedition, their leader having also died, they remained scattered there, and from this circumstance the river was called the Lethe.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 07:25


Carpo

por desvela, em 14.07.11
Como complemento dual ao texto Tarso, ficaria incompleto não falar do Carpo, mesmo que pareça ser algo que surge do pé para a mão...
Os primeiros RX de Roentgen, em 1896.

Há sempre alguma dúvida em fazer associações, porque é muito fácil associar coisas completamente distintas, sem que haja necessariamente uma relação. Esse é o caminho restritivo, que conhecemos bem, que nos guia na precaução, mas que não deve conduzir à inibição.
Neste caso do "carpo" a linha condutora não tem a mesma sustentação do "tarso"... tem a sua própria razão.

Cárpatos
Os Cárpatos são montanhas que se estendem da Eslováquia, pela Polónia, Ucrânia, e Roménia até à fronteira Sérvia. O nome das montanhas foi apontado por Ptolomeu e associado a um povo denominado Carpos
Ora, indo recuperar um mapa anterior (sobre a viagem de Jasão), reparamos que as montanhas dos Cárpatos estão praticamente coladas às montanhas dos Balcãs: 
relembrando que já havíamos referido a particularidade da região húngara aparecer como uma planície  ao nível do mar, que assim aparece neste mapa colocada como lago.
O notável é que estas duas grandes cadeias montanhosas separam-se nas chamadas Portas de Ferro, sulcadas pelo curso do Danúbio, numa extensão de 134 Km.
Danúbio nas Portas de Ferro

O Danúbio esculpiu uma paisagem de gargantas, entre as duas cadeias montanhosas, no seu percurso para nascente, que termina no Mar Negro. 
Não foi só o Danúbio que foi escultor nas Portas de Ferro...

Quem fizer o cruzeiro pelo Danúbio, ficará certamente surpreendido por uma enorme escultura na montanha invocando Decebalus, que foi feita entre 1994 e 2004, por um promotor romeno, Constantin Dragan... fecit. Para além das dificuldades inerentes à obra, não devemos esquecer que este período de dez anos inclui uma turbulência na zona, não tanto na parte romena, mas mais na parte sérvia.
Uma estátua desta dimensões num pilar natural do rio, não deixa de despertar a invocação de Tolkien, no filme "Senhor dos Anéis", relativa aos "pilares dos reis" da "terra média". Constantin Dragan, sendo historiador pode apenas ter querido homenagear o mítico rei Decebalus, mas a obra também não deixa de sugerir que naquelas Portas podem ter estado esculturas que o "tempo" apagou...
Filme "Senhor dos Anéis" - pilares dos reis

Não longe, encontra-se a célebre Ponte de Trajano, de que já aqui falámos, a propósito "de uma ponte de Lisboa há muitos mil anos".
 
Esboço da Ponte de Trajano sobre o Danúbio (comprimento ~ 1 200 metros);
Vestígios da ponte (princípio do Séc. XX);
Placa de Trajano (Tabula Traiana)... o que resta depois
da construção da barragem Dardap I em 1972, que submergiu o conjunto.

Na sua expedição contra os Dácios, Trajano terá derrotado Decebalus, que se suicida para evitar o cativeiro, cortando a própria garganta, conforme ilustrado no relevo romano:
Relevo invocando a morte de Decebalus, derrotado por Trajano

O anel dos Cárpatos completa-se juntando a Iliria, as montanhas balcânicas, fechando como uma bacia Ilíaca sobre a planície húngara. A divisão entre os Cárpatos e os Balcãs surge singularmente como uma brecha nos Portões de Ferro (que não devemos confundir com a Cortina de Ferro, ainda que a sua divisão com uma Jugoslávia neutral tivesse passado por esse ponto do Danúbio). 
Esta brecha chega a reduzir-se a 150 metros de largo, mas com 53 metros de profundidade... um trabalho de erosão notável para o Danúbio, podendo mesmo dizer-se quase de precisão cirúrgica! 
Essa erosão é tanto mais um prodígio "natural" se atendermos a que o rio desde a zona de Budapeste vai serpenteando calmamente a Hungria a um nível próximo de 100 m até chegar a Belgrado, com aproximadamente 80 m de altitude... são muitos milhares de quilómetros de extensão, com uma inclinação reduzidíssima, até desaguar no Mar Negro.


Carpetani
Carpetanos era ainda o nome de um dos povos ibéricos assinalados por Estrabo. Ao falar no Tejo diz:
The river contains much fish, and is full of oysters. It takes its rise amongst the Keltiberians, and flows through the [country of the] Vettones, Carpetani, and Lusitani, towards the west;
Portanto os Carpetanos viveriam provavelmente na zona montanhosa da Extremadura espanhola, sendo "vizinhos" dos Lusitanos. É claro que aqui convém não ignorar que etimologicamente temos a palavra "escarpa", que era ainda latina, e que se liga a uma possível origem dos "carpos", tendo o significado de rocha na língua albanesa, na Ilíria. 
Estrabo diz ainda que devido à estóica resistência Galaica, muitos dos Lusitanos tinham passado a designar-se como Galegos.
Já aqui mencionámos que a Galicia era uma região da Ucrânia (e Polónia), convém agora dizer que esta região se situa exactamente na zona dos Cárpatos, nesses países.
A Roménia tem ainda o episódio singular de manter uma língua latina, com a desculpa de ter resultado de uma política romana de colonização agressiva, que basicamente teria substituído os Dácios de Decebalus por colonos romanos. 
Porém, estoutra eventual ligação deixa outra pista para essa ligação linguística... poderia acontecer que esses povos - em partes tão distintas - estivessem ligados por uma língua e cultura semelhante.
Essa conexão seria marítima, não através do Mediterrâneo, mas sim através da costa oceânica europeia, que se estenderia com ligação até ao Mar Negro... até que essa ligação desapareceu, com o fecho final do Tanais. 


Lethes
O que aqui falamos é de uma possível conexão entre povos em extremidades diferentes, e de um esquecimento, tal como o simbolizado pelo Rio Lethes - Lima. Estrabo menciona um outro detalhe relativo à lenda do esquecimento no Rio Lima. Se já tínhamos mencionado a ligação entre os nomes a norte (como Astorga) e os nomes a sul (como Conistorga), e as desavenças internas que podem até ser reflectidas no nome "Endovélico", Estrabo conta que o episódio que teria dado fama ao Lima resultava de uma desavença, da morte de um líder, e da dispersão dos que habitavam as margens do Guadiana para norte do Lima:
Around it dwell the Keltici, a kindred race to those who are situated along the Guadiana. They say that these latter, together with the Turduli, having undertaken an expedition thither, quarrelled after they had crossed the river Lima, and, besides the sedition, their leader having also died, they remained scattered there, and from this circumstance the river was called the Lethe.

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publicado às 23:25


Pontes, o Lethes do esquecimento

por desvela, em 25.06.11
aqui mencionámos, através do relato de Plínio, que o Rio Lima teria ficado associado ao esquecimento, ao mítico Lethes... mas de que esquecimento se fala?

Na Pousada de Santa Luzia, em Viana do Castelo, está uma tapeçaria de Almada Negreiros sobre o episódio lendário da recusa da passagem do Rio Lima pelas tropas de Décimo Júnio Bruto, dito Calaico ou Galaico...
É preciso especificar o Galaico, pois terá havido cinco Décimo Júnio Bruto, sendo que a expressão
  "também tu Brutus"
ganha um significado diferente ao saber-se que se tratava pelo menos do quinto com o mesmo nome...
Aqui falamos do avô, que se atreveu a não esquecer a passagem do Rio Lima.

A "lenda" está descrita na legenda da tapeçaria, sendo dispensável repeti-la.
Não conhecia a tapeçaria, mas mostra que o episódio não seria desconhecido ao jovem Almada Negreiros. Se em 1916 ainda não havia o célebre Queijo Limiano, a lenda torna claro que ao tempo de Brutus não haveria a célebre Ponte de Lima... e Almada Negreiros vai dispor as pontas das lanças dos soldados sobre o rio, de forma curiosa.

O que o quadro evidencia é que a passagem do exército pressupunha um rio baixo, e a ausência de qualquer ponte. Ponte de Lima irá ter uma ponte romana...
- Mas, afinal não são todas as pontes antigas, romanas?
- Nomeie-se uma ponte antiga não romana e teremos uma verdadeira novidade!
Egípcios, assírios, babilónios, persas, celtas, fenícios, e até os gregos (veja-se a excepção admitida sobre um ribeiro) ou macedónios, não gostavam de fazer pontes. Por isso, ficou praticamente reservado aos romanos a ideia de atravessar rios com pontes. Pelo menos com pontes de pedra, sendo admitido que haveria pontes de madeira... por exemplo, chinesas.

Pontes Romanas
A região portuguesa sendo sulcada por muitos rios, especialmente na zona "mesopotâmica" de entre-os-rios, exibe inúmeras pontes antigas. Muitas destas pontes ficavam fora das nomeadas estradas romanas (outro problema... encontrar calçadas que não sejam romanas), mas não deixaram de merecer esse epíteto, ou alternativamente o nome de ponte medieval.
Na maioria dos casos os autores e datas são dados completamente desconhecidos, mas isso não parece apoquentar ninguém. Apesar de termos arquitecturas completamente diferentes entre as nomeadas pontes romanas, mesmo as atribuídas ao mesmo imperador (por exemplo, a ponte de Trajano em Chaves e a de Alcântara, em Espanha), todos parecem ficar satisfeitos com a classificação simplificada - ou é romana, ou é medieval. De facto, poderíamos dizer que os templos antigos seriam romanos, e as igrejas medievais... e apesar de não andar muito longe disso, há mesmo assim mais cuidado do que no caso das pontes.

Será que poderia haver uma ponte no Rio Lima, e que o esquecimento necessário seria ignorar que aquela ponte já lá estava antes de Brutus chegar?
Por uma questão pragmática, sendo as estruturas úteis que sentido faria mandar todas abaixo para reconstruir de novo?
Deixamos aqui a actual ponte medieval do Lima, com alguns exemplos de diferentes pontes romanas... a maior dificuldade é sempre perceber o critério com que se distinguem ou são identificadas como tal.
  
Ponte de Lima, dita romana mas com reconstrução medieval, e outras 
quatro pontes romanas (Alcantara, Chaves, Vila Formosa, das Taipas).

A Ponte de Trajano de Chaves é a mais curiosa, pois numa das colunas afirma-se que foram os locais que a construíram, às suas expensas, já na outra honra-se Trajano e Vespasiano...

Enfim, o problema de ter uma memória danada... excluída da lembrança, sempre existiu e não parece querer deixar de existir. Conheciam-se os casos de pessoas, o que não é admitido é a danação da memória de povos inteiros. O Rio do Esquecimento, o Lethes do Lima será simbolicamente recuperado numa identificação ao Queijo Limiano e ao "mito popular" de que o queijo provocaria falha de memória. Se a produção começa só em 1959, também é só em 1960 que encontramos (Google Books) um comentário sobre essa associação "popular", num excerto de livro sobre "Frases feitas", em que se procura desvalorizar essa associação nacional com outros exemplos europeus. Depois é claro que a União trouxe um problema no virar de Milénio, que deu origem a uma greve de fome e ao episódio do Orçamento Limiano, em que um deputado minhoto fazia a diferença!

Se antes a região era vista como um Jardim do Éden, proibido, os Romanos ao fazerem correr sobre estas terras o Rio Lethes, do esquecimento, trouxeram um pouco do Hades a estas paragens!

Paulus Orosius
Estrabo descreve os rios até ao Minho, falando da navegabilidade do Douro (até ao cachão de S. João da Pesqueira), e afirmando o Minho como maior rio da Hespanha, sendo navegável na mesma extensão.
É no Rio Minho que Estrabo diz que terminou a expedição de Brutus... ou seja, o apenso Galaico só lhe deve ter sido colocado por omissão!
No entanto, depois encontramos em Paulo Orósio (Séc. V), na Historiae Adversum Paganos, algo completamente diferente...
In the meantime Brutus in Further Spain crushed sixty thousand Gallaeci who had come to the assistance of the Lusitani. He was victorious only after a desperate and difficult battle, despite the fact that he had surrounded them unawares. According to report, fifty thousand of them were slain in that battle, six thousand were captured, and only a small number escaped by flight.
Orósio, tido como natural de Braga, vai comparar a actuação dos Romanos com a actuação dos invasores bárbaros, e não poupará os registos de crueldade romana. Aqui fala da actuação de Brutus, acusando a sua expedição da morte de 50 mil galegos que teriam ido socorrer os lusitanos em batalha.
Terá sido isso que justificou o cognome "Galaico", mas contradiz um pouco o término da sua expedição no Rio Minho, assinalado por Plínio. A província Galaica estava dividida em 3 conventos, e esta incursão terminava na parte Bracarense, faltariam os conventos Lucense (Lugo) e Asturicense (Astorga). É aqui que aqui o sufixo transmontano +Torga aparece ligado ao sudoeste cónio, na junção do noroeste em Astorga com o sudoeste em Conistorga.

O que nos despertou a atenção foi o registo do cerco, em que teriam sido apanhados desprevenidos, e a ausência de registo de baixas lusitanas... ou seja, este número elevado de mortes em batalha, pareceu-nos ajustado à descrição que levaria o nome à Serra de Ossa, conforme já aqui sugerimos. Orósio nomeia vários povos ibéricos, mas não fala de Cónios, por isso não é de excluir que passados vários séculos já estivesse sob influência de uma versão de esquecimento ou confusão (os Cónios poderiam passar por Galaicos, ou serem efectivamente o mesmo povo em localizações diferentes).
Há ainda um registo semelhante, passado um século, em 22 a.C. os povos Galaicos vão sofrer uma brutal derrota no Monte Medulio (serra de Arga), que levará a um suicídio colectivo, pois os habitantes preferiram morrer a ser tomados como escravos... a uma falha da Pax Julia, impunha-se a Pax Augusta.

Galicia
Talvez fosse altura de falar na confusão Galaica, ou Calaica... já que o nome (que parece alteração de Galo, ou Gaulês) se espalhou por várias partes. Por estranho que pareça, para além de outros locais, merece especial atenção o Reino da Galicia na actual zona da Ucrânia (ucranianos que tomaram a decisão acidental de recentemente rumarem até aos confins da Europa e falar português como se sempre tivesse sido a sua língua...)
Como ilustração colocamos o brasão desse Reino da Galicia na Ucrânia (e Polónia), e o brasão do Reino de Leão, de Astorga, das Astúrias:

  
É claro que o leão tornou-se um símbolo comum, mas para além das cores, que têm significado, as semelhanças são ao nível da identificação completa!

Quando Afonso VII decide proclamar-se imperador em 1135, juntando definitivamente o Reino de Leão com o de Castela, um problema complicado surge ao nível do "esquecimento"... provavelmente temeu-se que a conexão ancestral se fosse diluir no tempo com a junção! 
Por isso, a incursão de Afonso Henriques, indo direito ao coração alentejano de Ourique, em 1139, vai directamente aos registos antigos de Conistorga, e ao coração de Leão e Astorga. Não terá adoptado o símbolo, pois havia outras questões pessoais, e quando falámos em "táctica da cunha", não estávamos propriamente a pensar na "cunha" que dava nome aos Cónios... mas também não há propriamente outra razão para essa designação!

E que sentido faz novamente esta ligação ibérica a paragens junto ao Mar Negro? Ainda por cima, territórios interiores? Só faz sentido pela ligação entre o Mar Negro e o Oceano, através de um "rio", o Tanais, que depois foi sendo fechada por assoreamento, deixando povoações costeiras no interior da Europa! Nesta estória que vamos contando, os galaicos da ucranianos são também descendentes de uma civilização oceânica europeia, que foi sepultada no Lethes do esquecimento pelos romanos e pelo tempo.

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publicado às 07:58


Pontes, o Lethes do esquecimento

por desvela, em 24.06.11
aqui mencionámos, através do relato de Plínio, que o Rio Lima teria ficado associado ao esquecimento, ao mítico Lethes... mas de que esquecimento se fala?

Na Pousada de Santa Luzia, em Viana do Castelo, está uma tapeçaria de Almada Negreiros sobre o episódio lendário da recusa da passagem do Rio Lima pelas tropas de Décimo Júnio Bruto, dito Calaico ou Galaico...
É preciso especificar o Galaico, pois terá havido cinco Décimo Júnio Bruto, sendo que a expressão
  "também tu Brutus"
ganha um significado diferente ao saber-se que se tratava pelo menos do quinto com o mesmo nome...
Aqui falamos do avô, que se atreveu a não esquecer a passagem do Rio Lima.

A "lenda" está descrita na legenda da tapeçaria, sendo dispensável repeti-la.
Não conhecia a tapeçaria, mas mostra que o episódio não seria desconhecido ao jovem Almada Negreiros. Se em 1916 ainda não havia o célebre Queijo Limiano, a lenda torna claro que ao tempo de Brutus não haveria a célebre Ponte de Lima... e Almada Negreiros vai dispor as pontas das lanças dos soldados sobre o rio, de forma curiosa.

O que o quadro evidencia é que a passagem do exército pressupunha um rio baixo, e a ausência de qualquer ponte. Ponte de Lima irá ter uma ponte romana...
- Mas, afinal não são todas as pontes antigas, romanas?
- Nomeie-se uma ponte antiga não romana e teremos uma verdadeira novidade!
Egípcios, assírios, babilónios, persas, celtas, fenícios, e até os gregos (veja-se a excepção admitida sobre um ribeiro) ou macedónios, não gostavam de fazer pontes. Por isso, ficou praticamente reservado aos romanos a ideia de atravessar rios com pontes. Pelo menos com pontes de pedra, sendo admitido que haveria pontes de madeira... por exemplo, chinesas.

Pontes Romanas
A região portuguesa sendo sulcada por muitos rios, especialmente na zona "mesopotâmica" de entre-os-rios, exibe inúmeras pontes antigas. Muitas destas pontes ficavam fora das nomeadas estradas romanas (outro problema... encontrar calçadas que não sejam romanas), mas não deixaram de merecer esse epíteto, ou alternativamente o nome de ponte medieval.
Na maioria dos casos os autores e datas são dados completamente desconhecidos, mas isso não parece apoquentar ninguém. Apesar de termos arquitecturas completamente diferentes entre as nomeadas pontes romanas, mesmo as atribuídas ao mesmo imperador (por exemplo, a ponte de Trajano em Chaves e a de Alcântara, em Espanha), todos parecem ficar satisfeitos com a classificação simplificada - ou é romana, ou é medieval. De facto, poderíamos dizer que os templos antigos seriam romanos, e as igrejas medievais... e apesar de não andar muito longe disso, há mesmo assim mais cuidado do que no caso das pontes.

Será que poderia haver uma ponte no Rio Lima, e que o esquecimento necessário seria ignorar que aquela ponte já lá estava antes de Brutus chegar?
Por uma questão pragmática, sendo as estruturas úteis que sentido faria mandar todas abaixo para reconstruir de novo?
Deixamos aqui a actual ponte medieval do Lima, com alguns exemplos de diferentes pontes romanas... a maior dificuldade é sempre perceber o critério com que se distinguem ou são identificadas como tal.
  
Ponte de Lima, dita romana mas com reconstrução medieval, e outras 
quatro pontes romanas (Alcantara, Chaves, Vila Formosa, das Taipas).

A Ponte de Trajano de Chaves é a mais curiosa, pois numa das colunas afirma-se que foram os locais que a construíram, às suas expensas, já na outra honra-se Trajano e Vespasiano...

Enfim, o problema de ter uma memória danada... excluída da lembrança, sempre existiu e não parece querer deixar de existir. Conheciam-se os casos de pessoas, o que não é admitido é a danação da memória de povos inteiros. O Rio do Esquecimento, o Lethes do Lima será simbolicamente recuperado numa identificação ao Queijo Limiano e ao "mito popular" de que o queijo provocaria falha de memória. Se a produção começa só em 1959, também é só em 1960 que encontramos (Google Books) um comentário sobre essa associação "popular", num excerto de livro sobre "Frases feitas", em que se procura desvalorizar essa associação nacional com outros exemplos europeus. Depois é claro que a União trouxe um problema no virar de Milénio, que deu origem a uma greve de fome e ao episódio do Orçamento Limiano, em que um deputado minhoto fazia a diferença!

Se antes a região era vista como um Jardim do Éden, proibido, os Romanos ao fazerem correr sobre estas terras o Rio Lethes, do esquecimento, trouxeram um pouco do Hades a estas paragens!

Paulus Orosius
Estrabo descreve os rios até ao Minho, falando da navegabilidade do Douro (até ao cachão de S. João da Pesqueira), e afirmando o Minho como maior rio da Hespanha, sendo navegável na mesma extensão.
É no Rio Minho que Estrabo diz que terminou a expedição de Brutus... ou seja, o apenso Galaico só lhe deve ter sido colocado por omissão!
No entanto, depois encontramos em Paulo Orósio (Séc. V), na Historiae Adversum Paganos, algo completamente diferente...
In the meantime Brutus in Further Spain crushed sixty thousand Gallaeci who had come to the assistance of the Lusitani. He was victorious only after a desperate and difficult battle, despite the fact that he had surrounded them unawares. According to report, fifty thousand of them were slain in that battle, six thousand were captured, and only a small number escaped by flight.
Orósio, tido como natural de Braga, vai comparar a actuação dos Romanos com a actuação dos invasores bárbaros, e não poupará os registos de crueldade romana. Aqui fala da actuação de Brutus, acusando a sua expedição da morte de 50 mil galegos que teriam ido socorrer os lusitanos em batalha.
Terá sido isso que justificou o cognome "Galaico", mas contradiz um pouco o término da sua expedição no Rio Minho, assinalado por Plínio. A província Galaica estava dividida em 3 conventos, e esta incursão terminava na parte Bracarense, faltariam os conventos Lucense (Lugo) e Asturicense (Astorga). É aqui que aqui o sufixo transmontano +Torga aparece ligado ao sudoeste cónio, na junção do noroeste em Astorga com o sudoeste em Conistorga.

O que nos despertou a atenção foi o registo do cerco, em que teriam sido apanhados desprevenidos, e a ausência de registo de baixas lusitanas... ou seja, este número elevado de mortes em batalha, pareceu-nos ajustado à descrição que levaria o nome à Serra de Ossa, conforme já aqui sugerimos. Orósio nomeia vários povos ibéricos, mas não fala de Cónios, por isso não é de excluir que passados vários séculos já estivesse sob influência de uma versão de esquecimento ou confusão (os Cónios poderiam passar por Galaicos, ou serem efectivamente o mesmo povo em localizações diferentes).
Há ainda um registo semelhante, passado um século, em 22 a.C. os povos Galaicos vão sofrer uma brutal derrota no Monte Medulio (serra de Arga), que levará a um suicídio colectivo, pois os habitantes preferiram morrer a ser tomados como escravos... a uma falha da Pax Julia, impunha-se a Pax Augusta.

Galicia
Talvez fosse altura de falar na confusão Galaica, ou Calaica... já que o nome (que parece alteração de Galo, ou Gaulês) se espalhou por várias partes. Por estranho que pareça, para além de outros locais, merece especial atenção o Reino da Galicia na actual zona da Ucrânia (ucranianos que tomaram a decisão acidental de recentemente rumarem até aos confins da Europa e falar português como se sempre tivesse sido a sua língua...)
Como ilustração colocamos o brasão desse Reino da Galicia na Ucrânia (e Polónia), e o brasão do Reino de Leão, de Astorga, das Astúrias:

  
É claro que o leão tornou-se um símbolo comum, mas para além das cores, que têm significado, as semelhanças são ao nível da identificação completa!

Quando Afonso VII decide proclamar-se imperador em 1135, juntando definitivamente o Reino de Leão com o de Castela, um problema complicado surge ao nível do "esquecimento"... provavelmente temeu-se que a conexão ancestral se fosse diluir no tempo com a junção! 
Por isso, a incursão de Afonso Henriques, indo direito ao coração alentejano de Ourique, em 1139, vai directamente aos registos antigos de Conistorga, e ao coração de Leão e Astorga. Não terá adoptado o símbolo, pois havia outras questões pessoais, e quando falámos em "táctica da cunha", não estávamos propriamente a pensar na "cunha" que dava nome aos Cónios... mas também não há propriamente outra razão para essa designação!

E que sentido faz novamente esta ligação ibérica a paragens junto ao Mar Negro? Ainda por cima, territórios interiores? Só faz sentido pela ligação entre o Mar Negro e o Oceano, através de um "rio", o Tanais, que depois foi sendo fechada por assoreamento, deixando povoações costeiras no interior da Europa! Nesta estória que vamos contando, os galaicos da ucranianos são também descendentes de uma civilização oceânica europeia, que foi sepultada no Lethes do esquecimento pelos romanos e pelo tempo.

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publicado às 23:58


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