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Observando um quadro de um homem, pintando por Van Oostsanen em 1518, reparamos que segura um pequeno objecto:
Retrato de J. Gerritz, por J. Van Oostsanen (1518) [daqui]
Esse objecto é visto em várias pinturas medievais e renascentistas, e foi bastante usado pela realeza à época da dinastia Tudor. Trata-se de um dispositivo com perfume, conhecido como "pomander", uma concatenação francesa de "pomme-de-ambre" (pomo de âmbar, mais laranja que maçã), que servia para se substituir aos maus cheiros de uma época em que cuidados de higiene não abundavam.

 
Occitane Vanilla Pomander (à esquerda), e simples pomander artesanal, feito de laranja com cravos (à direita)


Fez o José Manuel referência ao Pomander de Nuremberga, considerado o primeiro relógio (não fixo), construído por Peter Henlein em 1505 em Nuremberga.
Relógio Pomander de 1505, feito por Peter Henlein.
... ver o link ...
http://quillandpad.com/2014/12/15/the-worlds-oldest-watch-a-peter-henlein-mystery-from-1505-solved/
Antes de entrar em detalhes sobre este relógio, convirá notar que não se tratava de caso único, sendo conhecidos "Ovo de Nuremberga" e o "Melanchthon" - havendo uma página dedicada ao assunto
Pomander Watches
onde aparecem outros dois, com os nomes Qatar 1 e Qatar 2.
Isto interessa porque os perfumes vinham do Oriente, neste tipo de recepientes, para serem consumidos na Europa. Como já abordámos aqui a tradição árabe em produzir mecanismos:
nomeadamente os mecanismos de Al Muradi (Séc. X), que incluíam relógios complexos, e esquecendo por instantes o caso do mecanismo mais antigo de Antícitera (Séc. I)... poderemos suspeitar que estes Meca-nismos viessem inicialmente das paragens de Meca. 
Uns poderiam comprá-los como simples recipientes caros para perfumes, mas outros, num grupo mais restrito, teriam o faro mais apurado, e receberiam preciosos mecanismos de relojoaria. Sem inspecção mais cuidada, seriam semelhantes para o observador exterior. O fabrico deste pomander parece ser, no entanto, alemão, como veremos.

Vem isto a propósito da menção do José Manuel ao mecanismo do relógio do Convento de Cristo, em Tomar.., que serve de contraponto gigantesco, quando comparado com os relógios Pomander, sendo ambos atribuídos ao Séc. XVI.
Mecanismo de relógio no Convento de Cristo em Tomar (foto JM)
Os relógios associados às igrejas tinham esta grande dimensão, e de certa forma este não será muito diferente do relógio existente na Catedral de Salisbury... com a diferença de que este mecanismo faria mais sentido ser datado para o Séc. XIV e não XVI.


Microprecisão
Voltando ao pomander de Henlein, criado em 1505, o que acabou por se revelar surpreendente foi a sua inspecção ao microscópio! Se produzir peças para um relógio tão pequeno já é um prodígio na Renascença, mais surpreendente foram as inscrições encontradas nas suas peças, com as inicias PH remetidas ao criador Peter Henlein, mas com dimensões muito inferiores a 1 mm.

Comparado com um fósforo aparece a peça (1ª figura) onde foram encontradas inscrições PH (2ª figura)
Ver vídeo sobre o assunto aqui:
https://www.youtube.com/watch?t=68&v=Sivfd7jdn7U
Como se não bastasse, e a menos que consideremos um caso de pareidolia, de sugestão de face numa forma natural, diz-se que o microscópio revelou também rostos, entre os quais este:
Rosto encontrado ao microscópio, segundo o site Quill & Pad.
E assim, se já era questionável a capacidade de fazer uma inscrição numa peça com menos de 1mm de espessura, a presença de um rosto quase fotográfico, quando comparado com os toscos desenhos que decoravam a caixa, poderia requerer a presença de um "teórico dos deuses-astronautas" a falar de ETs, a menos que seja uma notável coincidência num caso de pareidolia.

No entanto, convém não esquecer o caso do minúsculo relógio encontrado num túmulo Ming fechado durante 400 anos, caso que já tinhamos referido:

... mas que assim se torna mais verosímil de cair na hipótese de construção do Séc. XVII, ao contrário do que se julgava possível.

Se o Ovo de Nuremberga tinha a surpresa lá dentro, só vem na linha de confirmar a ocultação sistemática de uma maior tecnologia a toda a população, e só acessível a um "clube restrito".
Ainda dentro dessa linha dos "ovos com surpresa", não tanto ao estilo dos "ovos Kinder", e mais ao estilo dos "ovos Fabergé", perceberemos como a Páscoa de uns foi razoavelmente diferente da Páscoa dos outros.
Não é preciso ir buscar nenhuns ET's para explicar isto, basta compreender a perversidade de certa natureza, mais ou menos humana, e admitir que a humanidade não acordou para a tecnologia só nos últimos 150 anos, quando decidiu passar das carroças para os foguetões. Esta capacidade esteve presente há muitos milénios, mas não foi dada como presente por via de um passado condicionador do futuro. O ligeiro detalhe que não estava escrito em nenhum ovo, é que os presentes do passado teriam essa conta passada escrita no futuro... e sobre isso, não haverá volta a dar-lhe, é pena.

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publicado às 05:47


O engenho a vapor que se vaporiza (2)

por desvela, em 22.11.13
Surge hoje uma notícia que vem confirmar a invenção prévia de máquinas a vapor em Espanha:
A Biblioteca Nacional espanhola anunciou hoje ter adquirido um documento datado de Espanha do início do século XVII que faz referência ao que tudo indica ser uma máquina a vapor, 100 anos antes da sua invenção.  ________ Datado de 1600, o documento descreve as ideias do navarro Jerónimo de Ayanz e Beaumont, comendador de besteiros da ordem de Calatrava, sobre o uso "industrial da energia do vapor mediante uma série de engenhos" (...)  

 Ler mais em
http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=697830&tm=4&layout=121&visual=49
http://expresso.sapo.pt/documento-espanhol-do-seculo-xvii-faz-referencia-a-uma-maquina-a-vapor-primitiva=f842455

O assunto já tinha sido aqui abordado, com uma documentação ainda mais antiga, relatando não apenas uma invenção de máquina a vapor, mas de um inteiro barco a vapor, apresentado a Carlos V:
http://alvor-silves.blogspot.pt/2011/02/o-engenho-vapor-que-se-vaporiza.html

... portanto, não é a mesma notícia, é algo de muito mais suave, mas caminha na direcção certa de desencobrimento da monstruosa cobertura que nos envolve.

Sobre Jeronimo de Ayanz y Beaumont, pudemos ler rapidamente uma descrição constante de um artigo de 2003:
Out of his experience as overseer of mines came not only new assaying techniques but a precision balance, designs for more efficient furnaces, a steam injector to ventilate mines (a priority after his assistant was poisoned by toxic gases), and pumps using pressurized steam to drain flooded mines. He also developed a diving bell and suit for retrieving underwater treasure, shipboard pumps, a submarine, windmills, and sundry other useful machines.
Un inventor navarro: Jeronimo de Ayanz y Beaumont (review), Alison Sandman
 
Imagens da página


Portanto isto não é novidade, como atestam artigos antigos, a novidade é mais o esforço da Biblioteca de Espanha na divulgação.
No entanto, devemo-nos lembrar que as notícias do barco a vapor de Blasco de Garay, contemporâneo a Cortés, Pizarro, (até de Colombo), também as obtivemos em jornais do Séc. XIX, e pouco ou nada adiantaram -- foram simplesmente esquecidas pelas gerações seguintes.

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publicado às 23:10


Fernão de Oliveira (2)

por desvela, em 14.06.13
Vamos fazer uma pequena mistura antigo-moderno neste texto.

Catedral de Salamanca
Muitos foram vendo na catedral espanhola a escultura de um astronauta, e isso ganhou algum espaço de divulgação, devido à internet, nos últimos anos:
Catedral de Salamanca - escultura de astronauta. (imagem)

O que isto tem de especial? Nada. Nada, porque descobre-se que afinal é habitual os escultores de catedrais espanholas colocarem astronautas, fotógrafos, dragões a comer gelados, telemóveis, etc...
Sim é verdade, mas a versão oficial diz-nos que não foram os escultores antigos... é fruto da inspiração artística dos restauradores modernos! A Igreja ou o Estado encomendam o restauro, e o sujeito pensa - não, vou mas é aqui colocar um astronauta (deve ser pelo efeito Axe, com um cheiro de sovaco diferente).

Depois alguém publica uma foto diferente... que tanto circula como sendo uma foto anterior (versão de que existia antes do restauro), como posterior (versão de que foi vandalizado o restauro - creio que correcta).
Por isso aparece uma terceira versão, que creio ser a actual, com um restauro mais grosseiro, substituindo a anterior cara por uma máscara, tirando a expressão dos olhos.
Curiosamente não encontrei fotos dessa parte da Catedral sem o astronauta, antes do restauro, algo que teria acontecido em 1992 (parece ser uma teoria lançada pela Wikipedia portuguesa), e vi muitas pessoas a queixarem-se do mesmo problema - ausência de fotos anteriores (ninguém fotografou antes de 1992?).
Num dos sites apresentam-se testemunhos de que o astronauta já estaria representado na catedral em 1970. Antes dos anos 1960 era natural que as pessoas nem soubessem o que era um astronauta, e por isso nem notavam nada de especial numa representação com aquele aspecto.

Há quem também possa ver referências a astronautas nas esculturas de Pensacola:
Seria possível que o "astronauta" da Catedral de Salamanca tivesse sido inspirado nas esculturas encontradas na América-Latina? 
Após 1960, pela sua parecença com os astronautas, talvez isso tivesse motivado a ideia de um restauro original... ou seja, substituir a imagem que se parecia com um astronauta por uma verdadeira representação de astronauta moderno. Isso seria uma solução para evitar polémicas - criando uma figura mais explícita eliminava-se a parecença. As imagens anteriores não teriam entretanto sido divulgadas porque afinal iriam revelar essa semelhança, não resolvendo o problema.

Isto é obviamente uma hipótese... outra hipótese será que qualquer dia se veja uma garrafa de Coca-Cola esculpida no túmulo de Camões, por inspiração dos restauradores. 
Finalmente, a outra hipótese é a de que a evolução da tecnologia pode não ter sido o que se pensa... e já assim dizia Fernão de Oliveira.

Artilharia de Fernão de Oliveira 
Fernão de Oliveira escreveu também uma "Arte da Guerra do Mar", em 1555.
Não, não encontramos na decoração do livro nada de estranho. Talvez se destaque uma Fénix que sempre renasce das cinzas, um poder que renasce sempre de todas revoluções... porque, enfim, parece que tem sido preciso "mudar para que nada mude". Esta "arte" de Fernão de Oliveira tinha sido "novamente escrita", agora "vista e admitida pelos senhores deputados da Santa Inquisição". Há uma parte rasgada, e a data de 1555 é confirmada no final.

Há mais uma vez muito material de interesse, começando por uma dissertação sobre a necessidade de manter guerra constante para não ser surpreendido em paz pela guerra alheia.
Passamos directamente à artilharia. Diz ele, na página XXV:
A invenção da artilharia, segundo dizem alguns, foi achada na Alemanha do ano de Cristo de c. 1380, mas a mim me parece que é mais antiga. Porque nós temos que os homens da Fenícia se defendiam de Alexandre Manho com tiros de fogo. E que as gentes de Russia pelejavam com pelouros de chumbo lançados de canos de metal com fogo de enxofre. E alguns filósofos que fizeram fogo artificial que voava, o que parece que fariam com os materiais de pólvora que se acostuma nas bombardas e arcabuzes. Finalmente a fábula de Prometeu, o qual dizem que quis imitar os trovões e coriscos de Jupiter, disto parece que teve seu fundamento, que no princípio da Grécia sendo ela rústica, Prometeu trouxe este artifício de tiros de fogo do exército de Jupiter, rei de Creta ou da África, o qual artifício os rústicos Gregos imaginaram ser trovões, como também cuidaram que os homens de cavalo eram monstros. Como quer que seja, a invenção da artilharia quer velha, quer nova, ela é mais danosa que proveitosa para a geração humana.
(clique na figura para aumentar)

Portanto temos aqui uma explícita referência à existência de armas de fogo, artilharia, desde o tempo dos Fenícios, contra Alexandre Magno (ele diz Manho), e que também era usada na Rússia (muitas vezes o nome aparece só Rusia ou ainda como Rufia...).
Se "tiros de fogo" pode ter alguma ambiguidade, saber que o cerco foi a Tiro, diz muito sobre o conceito de "tiro"... e depois não atirem mais nossa língua, com o objectivo de atirar para a tirar.

No caso russo a descrição é bastante completa, e não parece oferecer grandes dúvidas. Afinal, já é aceite a utilização de dispositivos explosivos na China, praticamente desde a Antiguidade. A sua utilização apenas para efeitos pirotécnicos seria uma limitação filosófica benigna, pouco realista dada a capacidade humana, e desumana, de transformar invenções positivas em armas negativas... conforme Fernão de Oliveira salienta no final.

A referência a um Júpiter rei de Creta (ou África, talvez Cyrene, Líbia, que seria ilha), é bem mais antiga, e tem muito maior ambiguidade interpretativa. Pode servir como pista para entendermos como um rei passou a ser associado a raios e coriscos, e depois a um deus de raios e trovões, pela utilização da artilharia.
Não deixa ainda de ser curioso Fernão de Oliveira dizer que os gregos primitivos entendiam os cavaleiros como um conjunto monstruoso... sendo natural que daí tivesse surgido a noção de Centauro
Lembramos que também é dito que os cavaleiros espanhóis foram vistos como um conjunto homem-cavalo pelos Incas.

No fundo...
O que hoje é associado a representações de "antigos astronautas" tem algo de moda passageira...
Podemos usar uma imagem meso-americana, que encontrámos, para ilustrar a questão:

Acontece que hoje pode ser habitual ver esta figura como um Astronauta... mas no Séc. XIX seria muito mais natural ver esta representação como um Escafandrista.
Escafandristas em 1873 (wikipedia)

Portanto, estas interpretações estão sujeitas às modas dos tempos... convenientemente confundidas.
Depois, é preciso rever um pouco da história do mergulho.
No fundo, chegamos mesmo aos Assírios, que nos ofereceram esta representação:
Representação de um mergulhador num friso Assírio (c. 900 a.C.)

Trata-se provavelmente de um Anedoto, do homem-bacalhau, de que já falámos... e aqui torna-se mais evidente como ele poderia desaparecer nos mares, parecendo um homem-peixe.
A imagem pode ser encontrada no US-Navy Diving Manual. Acrescenta-se aí que a origem do mergulho poderia ser remetida a 3000 a.C., há ainda a lenda de Scyllis e da filha Cyana, ao tempo de Xerxes.

Mas, ainda mais interessante, voltamos ao cerco de Alexandre "Manho" aos fenícios de Tiro, que usavam "tiros", a que se contrapunha a "manha" de mandar mergulhadores ao fundo do Porto de Tiro para remover os obstáculos, em 332 a.C.
Nesse manual encontra-se ainda uma figura de 1511, que ilustra a utilização de um tubo de respiração:
Ilustração de 1511, mostrando o uso de um tubo de respiração em mergulho.

Bom... e haverá quem possa ver no mergulhador uma cabeça com aspecto alienígena?
Talvez... porém, serviria para isolar a cabeça para a respiração.
Outras imagens que nos aparecem com aspecto alienígena são, por exemplo, estas:

Ora, fica mais ou menos evidente que o halo que envolve a cabeça também poderia ser visto como uma "representação de santidade".
Essa foi uma outra interpretação... mas nos tempos que correm nem sequer se pensa em santos, nem em capacetes de escafrandos, vai-se directamente para astronautas ou alienígenas.

Enfim... o que concluir?
- Não vou discutir a versão dos "restauradores brincalhões", até porque esse caminho é uma contradição com a noção de obra "restaurada", é mais uma visão de "rês tourada". Quando a cozinha aventar uma "restauração" com ares desses, acaba-se a credibilidade do serviço, entra-se no fast-food justificativo.
- Tenho dúvidas sobre a capacidade tecnológica dos Anedotos. Já percebemos que impressionavam as civilizações menos desenvolvidas com um aspecto estranho. Tanto poderiam ser homens-peixe, como homens-falcão, homens-crocodilo, etc... dependia do povo e da religião que quisessem impor. Pelo lado homem-peixe justificar-se-iam os acessórios de mergulho. Porém, creio que o mais importante seria protegerem o seu corpo... A última imagem indicia uma possível vestimenta imune a alguma flecha perdida, que os poderia vitimar. Assim, para não serem vítimas de ataques de populações hostis, ou de um atirador incauto, uma fatiota-armadura com um elmo de vidro espesso seria suficiente para lhes conferir um estatuto de imunidade, de divindade.
- Bom, e sobre os Anedotos mais não sei, mas como também percebemos, as Anedotas continuam...

14/06/2013

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publicado às 07:54


Gás na Passarola

por desvela, em 29.03.12

Já aqui escrevi sobre Passarolas e Balões, no entanto na altura não tinha conhecimento do texto de Pinheiro (Fr. Lucas de S. Joaquim) que vim a descobrir online no Arquivo da Torre do Tombo.
Este texto está incluso no final de uma compilação de cartas e obras de Alexandre de Gusmão até 1752, pelo que se conclui que Pinheiro, o autor desta transcrição viveu posteriormente, e pela descrição na sua Nota final, dá a entender que o texto foi escrito numa altura em que o Torreão da Casa da Índia estaria por concluir, após a reconstrução derivada do Terramoto de 1755. A frase final, assinalando a perda desta glória para Portugal, sugere que talvez as experiências dos Montgolfier já fossem conhecidas, remetendo esta transcrição para final do Séc. XVIII.

O que interessa é que a leitura deste texto coloca praticamente um ponto final sobre o assunto. É claro que não fui eu o único a ler o texto, que até se encontra online, pelo que se trata obviamente de mais um segredo de Polichinelo, silenciado pelos numerosos arlequins que embelezam esta tragicomédia popular.

Transcrevo as páginas manuscritas 202 a 204 que podem ser consultadas directamente no link da Torre do Tombo. Fica claro que houve de facto uma farsa, mas não no desenho remetido ao 2º Marquês de Abrantes, nem que se tratava de uma outra embarcação com ascenção por ar quente, conforme tinha lido e escrito no texto anterior... ou seja, em breves palavras:
  • Bartolomeu Lourenço terá criado o primeiro dirigível, que se elevava por auxílio de um gás leve, provavelmente hidrogénio. Isso tornava grande parte do restante aparato como uma grande ilusão, onde entrava o fascínio à época pelo magnetismo (pedras de cevar). Uma grande quantidade de gás poderia de facto permitir a ascenção independentemente da forma pouco convencional do aparelho.
  • Pinheiro sugere que o gás poderia estar colocado nas esferas e no velame, mas talvez seja mais natural considerar ainda que o corpo da barca também seria um depósito de gás. A isso acresce a descrição de que o corpo da barca era forrado a chapas de ferro e palha de centeio, talvez com algum propósito de calafetar o conteúdo. As duas esferas poderiam estar ligadas a dois depósitos internos, regulando a inclinação da barca pela libertação de gás, e finalmente permitiriam a descida do aparelho.
  • Isto não exclui que o próprio Bartolomeu não tivesse feito demonstrações com balões de ar quente, usando o princípio das Lanternas de Kongming (balões de S. João...). Porém a verdadeira novidade seria mesmo a utilização de um gás mais leve, o que evitaria a necessidade de alimentar uma combustão e daria a necessária autonomia.
  • É notável que na carta a D. João V, Alexandre de Gusmão refira o particular interesse de explorar as regiões mais vizinhas dos Pólos, dando a entender por isso que seriam apenas aquelas onde não seria possível a navegação... assumindo implicitamente que as naus portuguesas já teriam explorado as regiões navegáveis. Nada disto será de estranhar se lermos o que dizia Pedro Nunes, já 200 anos antes... e complementa-se pelo pouco relevo dado à descoberta das costas marítimas da Antártida (que nem tem descobridor atribuído...).
Após este gás no reinado de D. João V, que potenciaria uma nova ascenção portuguesa, percebemos que seria necessário um abalo de fortes consequências para que os sonhos caíssem por terra.

Segue a transcrição que fiz do texto manuscrito:
_________________________

Petição do Padre Bartholomeu Lourenço
sobre o instrumento que inventou para andar pelo ar e suas utilidades.

Diz o licenciado Bartholomeu que ele tem descoberto um instrumento para andar pelo ar da mesma sorte que pela terra, e pelo mar, com muita mais brevidade, fazendo muitas vezes duzentas e mais léguas de caminho por dia, nos quais instrumentos se poderão levar os avisos de mais importância aos exércitos e terras mais remotas, quasi no mesmo tempo em que se resolvem - no que interessa a Vª Majestade muito mais que todos os outros Princípes pela maior distância de seus Domínios, evitando-se desta sorte os desgovernos das conquistas, que provem em grande parte de chegar tarde a notícia deles. Além do que poderá V. Mag. mandar vir todo o (?) delas muito mais brevemente e mais seguro. Poderão os homens de Negócio passar letras e cabedais a todas as Praças sitiadas: poderão ser socorridas tanto de gente, como de víveres, e munições a todo o tempo, e tirarem-se delas as Pessoas que quiserem, sem que o inimigo o possa impedir.

Descobrir-se-ão as regiões mais vizinhas aos Pólos do Mundo, sendo da Nação Portuguesa a glória deste descobrimento, além das infinitas conveniências que mostrará o tempo. (?) deste invento se podem seguir muitas desordens cometendo-se com o seu uso muitos crimes, e facilitando-se muito na confiança de se poderem passar a outro Reino, o que se evita estando reduzido o dito uso a uma só Pessoa, a quem se mandem a todo o tempo as ordens convenientes a respeito do dito transporte, e proibindo-se a todas as mais sob graves penas. E é bem se remunere ao suplicante invento de tanta importância.

Pede a V. Majestade seja servido conceder ao suplicante o privilégio, de que pondo por obra o dito invento nenhuma pessoa de qualquer qualidade que for possa usar dele em nenhum tempo neste Reino, ou suas conquistas sem licença do suplicante, ou seus herdeiros sob pena de perdimento de todos os bens, e as mais que a V. Majestade parecerem.

Consultou-se
No Desembargo do Paço a El Rey com todos os vossos(?) e que o prémio que pedia era muito limitado e que se devia ampliar.
Saiu Despachado
Como parece à Mesa, e além das penas acrescento a de morte aos Transgressores, e para com mais vontade o suplicante se aplicar ao novo Instrumento, obrando os efeitos que relata, lhe faço mercê da primeira Dignidade, que vagar nas minhas colegiadas de Barcelos, ou Santarém, e de Lente de Prima de Mathematica da minha Universidade de Coimbra com 600 mil réis de renda, que crio de novo em vida do suplicante somente.
Lisboa, 7 de Abril de 1709
(com a rubrica de Sua Majestade)

Explicação da Máquina
a. Mostra o modo velame para cortar os ares.
b. Mostra o leme para se poder governar
c. Mostra o corpo da barca levando em cada concha um fole e cano para lhe suprir a falta de ventos.
d. Mostra as Asas, que como pás servem para não voltar de todo à banda.
e. Mostra as Esferas feitas de metal, levando na base uma pedra de cevar e dentro dizia o Autor que ia o segredo. O corpo da barca era de madeira forrado de chapas de ferro forrado de esteiras de palha de centeio e tabuado capaz de conduzir até 11 Pessoas.
f. Mostra uma coberta feita de Arames com alambres enfiados fingindo que com o calor do Sol atrairão a si as esteiras com a barca.
g. Mostra a agulha de marear
h. Mostra o Piloto com o Astrolábio
i. Mostram as roldanas para se governar a escota.



Nota
Suposto como certo, e infalível, que o Autor achando o segredo do gás o havia de encobrir até estar certo da felicidade de suas operações, e de alcançar os prémios que pretendia, devemos confessar que justo o encobrisse fingindo que o ascenso da Máquina procedia de outros princípios atractivos com que o vulgo se enganasse.
Enfim, não obstante que diga que dentro dos globos ia a Magnete, cujo virtude faria subir a Máquina, ou barca, contudo a sua elevação não podia proceder da virtude atractiva, mas sim da expansão, e força do gás, a que o Autor chama segredo que ia dentro dos globos - ou talvez no velame. O certo é que o Autor era curiosíssimo na composição de fogo do ar e que esta Máquina foi experimentada, e lançada da Praça de Armas do Castelo, e que veio cair no Torreão da parte Ocidental da Praça, que então era Terreiro do Paço, e o Torreão Casa da India, e hoje é Praça do Comércio, e o Torreão está por concluir, e disto havia muitas testemunhas que alcançaram os meus dias. O fim desastrado do Autor foi causa de Portugal não ter a glória desta descoberta.

Pinheiro (assinatura)


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publicado às 06:00


Gás na Passarola

por desvela, em 28.03.12

Já aqui escrevi sobre Passarolas e Balões, no entanto na altura não tinha conhecimento do texto de Pinheiro (Fr. Lucas de S. Joaquim) que vim a descobrir online no Arquivo da Torre do Tombo.
Este texto está incluso no final de uma compilação de cartas e obras de Alexandre de Gusmão até 1752, pelo que se conclui que Pinheiro, o autor desta transcrição viveu posteriormente, e pela descrição na sua Nota final, dá a entender que o texto foi escrito numa altura em que o Torreão da Casa da Índia estaria por concluir, após a reconstrução derivada do Terramoto de 1755. A frase final, assinalando a perda desta glória para Portugal, sugere que talvez as experiências dos Montgolfier já fossem conhecidas, remetendo esta transcrição para final do Séc. XVIII.

O que interessa é que a leitura deste texto coloca praticamente um ponto final sobre o assunto. É claro que não fui eu o único a ler o texto, que até se encontra online, pelo que se trata obviamente de mais um segredo de Polichinelo, silenciado pelos numerosos arlequins que embelezam esta tragicomédia popular.

Transcrevo as páginas manuscritas 202 a 204 que podem ser consultadas directamente no link da Torre do Tombo. Fica claro que houve de facto uma farsa, mas não no desenho remetido ao 2º Marquês de Abrantes, nem que se tratava de uma outra embarcação com ascenção por ar quente, conforme tinha lido e escrito no texto anterior... ou seja, em breves palavras:
  • Bartolomeu Lourenço terá criado o primeiro dirigível, que se elevava por auxílio de um gás leve, provavelmente hidrogénio. Isso tornava grande parte do restante aparato como uma grande ilusão, onde entrava o fascínio à época pelo magnetismo (pedras de cevar). Uma grande quantidade de gás poderia de facto permitir a ascenção independentemente da forma pouco convencional do aparelho.
  • Pinheiro sugere que o gás poderia estar colocado nas esferas e no velame, mas talvez seja mais natural considerar ainda que o corpo da barca também seria um depósito de gás. A isso acresce a descrição de que o corpo da barca era forrado a chapas de ferro e palha de centeio, talvez com algum propósito de calafetar o conteúdo. As duas esferas poderiam estar ligadas a dois depósitos internos, regulando a inclinação da barca pela libertação de gás, e finalmente permitiriam a descida do aparelho.
  • Isto não exclui que o próprio Bartolomeu não tivesse feito demonstrações com balões de ar quente, usando o princípio das Lanternas de Kongming (balões de S. João...). Porém a verdadeira novidade seria mesmo a utilização de um gás mais leve, o que evitaria a necessidade de alimentar uma combustão e daria a necessária autonomia.
  • É notável que na carta a D. João V, Alexandre de Gusmão refira o particular interesse de explorar as regiões mais vizinhas dos Pólos, dando a entender por isso que seriam apenas aquelas onde não seria possível a navegação... assumindo implicitamente que as naus portuguesas já teriam explorado as regiões navegáveis. Nada disto será de estranhar se lermos o que dizia Pedro Nunes, já 200 anos antes... e complementa-se pelo pouco relevo dado à descoberta das costas marítimas da Antártida (que nem tem descobridor atribuído...).
Após este gás no reinado de D. João V, que potenciaria uma nova ascenção portuguesa, percebemos que seria necessário um abalo de fortes consequências para que os sonhos caíssem por terra.

Segue a transcrição que fiz do texto manuscrito:
_________________________

Petição do Padre Bartholomeu Lourenço
sobre o instrumento que inventou para andar pelo ar e suas utilidades.

Diz o licenciado Bartholomeu que ele tem descoberto um instrumento para andar pelo ar da mesma sorte que pela terra, e pelo mar, com muita mais brevidade, fazendo muitas vezes duzentas e mais léguas de caminho por dia, nos quais instrumentos se poderão levar os avisos de mais importância aos exércitos e terras mais remotas, quasi no mesmo tempo em que se resolvem - no que interessa a Vª Majestade muito mais que todos os outros Princípes pela maior distância de seus Domínios, evitando-se desta sorte os desgovernos das conquistas, que provem em grande parte de chegar tarde a notícia deles. Além do que poderá V. Mag. mandar vir todo o (?) delas muito mais brevemente e mais seguro. Poderão os homens de Negócio passar letras e cabedais a todas as Praças sitiadas: poderão ser socorridas tanto de gente, como de víveres, e munições a todo o tempo, e tirarem-se delas as Pessoas que quiserem, sem que o inimigo o possa impedir.

Descobrir-se-ão as regiões mais vizinhas aos Pólos do Mundo, sendo da Nação Portuguesa a glória deste descobrimento, além das infinitas conveniências que mostrará o tempo. (?) deste invento se podem seguir muitas desordens cometendo-se com o seu uso muitos crimes, e facilitando-se muito na confiança de se poderem passar a outro Reino, o que se evita estando reduzido o dito uso a uma só Pessoa, a quem se mandem a todo o tempo as ordens convenientes a respeito do dito transporte, e proibindo-se a todas as mais sob graves penas. E é bem se remunere ao suplicante invento de tanta importância.

Pede a V. Majestade seja servido conceder ao suplicante o privilégio, de que pondo por obra o dito invento nenhuma pessoa de qualquer qualidade que for possa usar dele em nenhum tempo neste Reino, ou suas conquistas sem licença do suplicante, ou seus herdeiros sob pena de perdimento de todos os bens, e as mais que a V. Majestade parecerem.

Consultou-se
No Desembargo do Paço a El Rey com todos os vossos(?) e que o prémio que pedia era muito limitado e que se devia ampliar.
Saiu Despachado
Como parece à Mesa, e além das penas acrescento a de morte aos Transgressores, e para com mais vontade o suplicante se aplicar ao novo Instrumento, obrando os efeitos que relata, lhe faço mercê da primeira Dignidade, que vagar nas minhas colegiadas de Barcelos, ou Santarém, e de Lente de Prima de Mathematica da minha Universidade de Coimbra com 600 mil réis de renda, que crio de novo em vida do suplicante somente.
Lisboa, 7 de Abril de 1709
(com a rubrica de Sua Majestade)

Explicação da Máquina
a. Mostra o modo velame para cortar os ares.
b. Mostra o leme para se poder governar
c. Mostra o corpo da barca levando em cada concha um fole e cano para lhe suprir a falta de ventos.
d. Mostra as Asas, que como pás servem para não voltar de todo à banda.
e. Mostra as Esferas feitas de metal, levando na base uma pedra de cevar e dentro dizia o Autor que ia o segredo. O corpo da barca era de madeira forrado de chapas de ferro forrado de esteiras de palha de centeio e tabuado capaz de conduzir até 11 Pessoas.
f. Mostra uma coberta feita de Arames com alambres enfiados fingindo que com o calor do Sol atrairão a si as esteiras com a barca.
g. Mostra a agulha de marear
h. Mostra o Piloto com o Astrolábio
i. Mostram as roldanas para se governar a escota.



Nota
Suposto como certo, e infalível, que o Autor achando o segredo do gás o havia de encobrir até estar certo da felicidade de suas operações, e de alcançar os prémios que pretendia, devemos confessar que justo o encobrisse fingindo que o ascenso da Máquina procedia de outros princípios atractivos com que o vulgo se enganasse.
Enfim, não obstante que diga que dentro dos globos ia a Magnete, cujo virtude faria subir a Máquina, ou barca, contudo a sua elevação não podia proceder da virtude atractiva, mas sim da expansão, e força do gás, a que o Autor chama segredo que ia dentro dos globos - ou talvez no velame. O certo é que o Autor era curiosíssimo na composição de fogo do ar e que esta Máquina foi experimentada, e lançada da Praça de Armas do Castelo, e que veio cair no Torreão da parte Ocidental da Praça, que então era Terreiro do Paço, e o Torreão Casa da India, e hoje é Praça do Comércio, e o Torreão está por concluir, e disto havia muitas testemunhas que alcançaram os meus dias. O fim desastrado do Autor foi causa de Portugal não ter a glória desta descoberta.

Pinheiro (assinatura)


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publicado às 22:00


O engenho a vapor que se vaporiza

por desvela, em 28.02.11
A Héron de Alexandria é atribuído o primeiro engenho a vapor
A eólipila de Héron (Séc. I)

(... entre outras invenções), ainda que o mesmo engenho possa ser atribuído um século antes a Vitrúvio, afinal o mesmo homem que muito inspirou Leonardo

O engenho a vapor foi então enterrado ou vaporizado durante 1500 anos, como tantas outras coisas, até que se registou o seu reaparecimento em 1543, em Barcelona, com Blasco de Garay e o primeiro barco a vapor de que há registo.

Conforme consta da publicação "Archivo popular", volume 2, página 411:
No ano de 1543, um oficial da marinha, chamado Blasco de Garay, ofereceu-se a mostrar ao imperador Carlos V uma máquina, por meio da qual se faria andar um navio sem a ajuda de velas ou remos. Não obstante que a proposta se julgasse ridícula, o homem mostrava-se tão certo do que afirmava, que o imperador nomeou uma comissão para examinar, e dar conta do resultado da experiência. Com efeito teve ela lugar em 17 de Junho de 1543, em um navio chamado a Trinidad, do lote de duzentas toneladas, o qual pouco antes havia chegado de Colibre com uma carga de trigo.  
O navio, diz o escriptor, foi visto, no dia aprazado, andar rapidamente, e virar em todos os bordos, segundo se quería, sem ser impelido por velas ou remos, e mesmo sem que se lhe percebesse mecanismo algum, à excepção de uma enorme caldeira com água a ferver, e um certo jogo de rodas e pás. 
A multidão que se achava presente rompeu em gritos de admiração , e o porto de Barcelona ressoou com os seus aplausos. Os comissários do governo participaram do entusiasmo geral, e deram conta favorável ao imperador, excepto um deles, o tesoureiro Ravago. Este homem, por algum motivo que se ignora, declarou-se contra o inventor e a sua máquina: fez toda a diligência por a desacreditar, dizendo entre outras cousas que a invenção não oferecia vantagem alguma, pois que apenas podia fazer andar uma embarcação duas léguas no espaço de quatro horas; que a máquina era dispendiosa, e complicada, e finalmente que apresentava o grande e frequente perigo de arrebentar a caldeira. Acabada a experiência, Garay retírou o seu maquinismo, entregando no arsenal o que aí se fizera, levou o resto para sua casa. 
Apesar das invejosas observações de Ravago, Garay foi aplaudido pelo seu invento. O imperador o protegeu, promoveu-o ao posto imediato, e lhe mandou dar dozentos mil maravis; ordenando mais que o tesoureiro invejoso pagasse todas as despesas da experiência. Mas Carlos V achava-se então muí ocupado com suas expedições militares, e tratando só de devastar a humanidade deixou desaproveitado o novo invento que a podia beneficiar; inventor e invenção ficaram no esquecimento; e a honra que Barcelona poderia ter recebido do aperfeiçoamento desta tão útil descoberta, ficou reservada para uma cidade, que ainda então não havia entrado na carreira da existência.
A invenção do barco a vapor ficaria reservada em nome para Robert Fulton, inventor americano, prezado de Napoleão. O mesmo Archivo Popular faz menção a outros inventores:
-  um italiano Bracas(?), 80 anos depois de Garay, 
- e ao Marquês de Worcester, Edward Somerset, 100 anos depois, com uma utilização engenhosa do vapor... normalmente atribuída a James Watt.

É claro que espanhóis, catalães, mostraram com os registos do Arquivo Geral de Simancas, toda a documentação necessária, e tal foi publicado de forma semelhante no "El Instructor" (1835), mas foi recusado pelos franceses (e Balzac terá feito a sátira Les ressources de Quinola a este propósito).

O que vemos?
Héron de Alexandria propunha logo aplicações para o seu engenho a vapor... mas é claro que ninguém quis "entender", e tudo foi perdidamente ocultado. 
O mesmo se passou com Blasco de Garay, e com todos os sucessores até ao final do Séc. XVIII.
A era industrial só aparece autorizada para o Séc. XIX, e à Hispânia já estava vedada essa competição.

Note-se que Carlos V protegeu a invenção e inventor... mas o verdadeiro poder estaria mais representado por Ravago. Como se percebe da leitura, Carlos V ficou imediatamente ocupado com novas guerras... e a invenção foi "esquecida".

Não basta inventar ou descobrir... é preciso ter autorização para tal, no tempo próprio.
Foi assim com a "reinvenção da roda"...
Que instituição, superior em potência ao imperador Carlos V, decide isto?
É este problema milenar que abordamos... há já algum tempo!

.

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publicado às 05:21


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