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Puto de Vénus

por desvela, em 20.08.11
Um famoso quadro de Botticeli, "Nascimento de Vénus" ilustra o nascimento de Afrodite/Vénus, das ondas do mar (Ponto), resultado do corte adamantino de Cronos a Urano:
(é dito que Botticeli teria seguido uma descrição de Angelo Poliziano)

A modelo usada para o quadro foi Vespucci, Simonetta Vespucci, que casou em Florença com Marco, um primo de Alberico, depois dito Américo, Vespucci.

Convém notar que há uma confusão de Afrodites... uma original, que é a que sempre referimos - a Afrodite Uraniana, ligada a Dione, e a sua filha com Zeus, designada Afrodite Pandemos, ligada ao amor físico.
Parténon: Vesta, Dione e Afrodite (Pandemos).

Se começámos a "Questão Gaia" com uma ousada ligação de Gaia pela substituição de I por J, o que daria Gaja, e falámos ainda dos gaiatos, vamos terminar o tópico com os "Putos".

Putti
Os Putos são pequenas crianças, representados na Arte Renascentista e Barroca, e que não são exactamente os habituais anjos (Querubins e Serafins) - têm "estatuto inferior" por serem associados a entidades pagãs - ou seja, Cupido/Eros:


A associação de Vénus a Cupido é bem conhecida e antiga. A entidade pagã, a pequena criança que dispara setas de amor, é o original Puto de Vénus. Há uma relação maternal que se estabeleceu entre estas duas divindades, caso raro em que são representadas quase sempre em conjunto:
Afrodite com Eros 
(terracota do Séc. IV a.C., Hermitage Museum)

Após o Renascimento, esta representação singular de associação divina, numa relação mãe-filho, será retomada em múltiplos quadros... e como é óbvio não estamos a referir-nos apenas à representação destas divindades pagãs. Esta relação nem será nenhuma novidade, pois há vários textos que sinalizam as semelhanças.

A relação divina entre mãe e filho passa claramente para o catolicismo, e será um dos focos de cisma entre protestantes e católicos. Numa primeira análise superficial esta associação seria desadequada para ser retomada pelo catolicismo... mas depende do nível a que a colocamos. Tal como existia uma Afrodite primordial, na Teogonia de Hesíodo também Eros é colocado a um nível ainda mais primevo, um amor surgindo como fonte de luz, e resultando do Caos, tal como Gaia e Tártaro (Eros, é assim mesmo anterior a Urano, filho de Gaia). Como Afrodite, também Eros tem uma segunda encarnação, mais conhecida, enquanto filho de Afrodite e Ares, e é aí representado como uma criança que surge da relação entre os deuses do amor e da guerra, que dispara flechas de paixão. (Este novo Eros será mesmo vítima da sua própria flecha, ficando apaixonado por Psique, numa história que terá inspirado o beijo da Bela Adormecida.)

A representação simultânea de Vénus e Cupido, está muitas vezes presente na pintura e escultura:

 
Venus e Cupido / Afrodite e Eros

Não colocamos aqui a imagem da mais famosa Vénus de Milo... mas, seguindo esta linha, talvez não faltassem apenas os braços, talvez faltasse ainda um Cupido ao colo (assim o sugere o olhar, a posição da perna avançada e do braço elevado). Uma representação assim poderia colidir de "forma grave" com as imagens clássicas, denominadas "Madonas"... isso justificaria a mutilação, uma polémica secreta e a consequente fama associada à estátua. Se Renoir a chamou "grande polícia" talvez não se referisse à falta de beleza, que claramente possui, mas sim ao que representaria a sua mutilação. 
Mais precisamente, aludimos a uma possível representação desta forma:

Há, é claro, uma versão alternativa, relacionada com a devolução da Vénus de Medici, que tem ambos os braços em baixo,  tal como a Afrodite de Cnido (onde Eros está ausente). Aliás a própria "Vénus de Medici" tem uma cópia com um Cupido maior:
 
"Venus de Medici" (de Praxiteles?) e "cópia romana" (imagens)


Vieira
Na representação de Botticeli temos essa Vénus primordial, que emerge adulta da espuma do mar primevo, como uma pérola de uma vieira (ou ostra). Isso já ocorre antes, conforme podemos ver num fresco de Pompeia:
Há assim, uma associação muito antiga, que liga o nascimento de Vénus, enquanto deusa primeva do amor, a uma vieira, e que foi recuperada no quadro de Botticeli.
Não podemos deixar de notar que essa vieira é ainda o símbolo de Santiago, e que os peregrinos seguiam esse caminho levando num cajado esse símbolo primevo do amor. A mensagem profunda da vieira de Santiago, é assim o reflexo em Cristo desse símbolo ancestral do amor espiritual, ligado ao nascimento da Afrodite Uraniana.
Isso terá tido uma grande influência na comunidade peninsular que já venerava Cupido (chamado Endovélico), conforme escreveu Carvalho da Costa. Venerar, de Venera (Vénus), é aqui mesmo a palavra correcta. A relação entre mãe e filho terá factores acrescidos de ligação, na propagação dessa mensagem de amor primeiro. O caso singular do cristianismo enquanto religião é a capacidade de colocar um Deus omnipotente em posição humana, com as fragilidades inerentes na situação de reflexão literal, recuperando uma noção primeva de amor, complemento ao equilíbrio dinâmico, possível com o corte temporal de Cronos.
A lâmina adamantina de Cronos cindiu um universo de todos os tempos, de Úrano, mostrando um tempo de cada vez, em contínuo. As ideias, os verbos, iriam ser definidos pela sua emergência dessa sequência imparável. O tempo surgia assim como uma ilusão de reprodução dinâmica do estado anterior, saindo de todo o caos possível uma aparente inteligibilidade. É assim que emerge a noção de amor, de partilha dinâmica do mesmo universo, pelos seres pensantes... e esse amor pode ser local, quando os seres reduzem o seu universo, a uma pessoa, ou a uma ocasião, ou pode ter contornos mais profundos, procurando uma harmonia global. Digamos que estão definidos todos os caminhos das Moiras, mas não o caminho que cada um decide seguir... é isso que o define enquanto ser emergente da estrutura estática, e que assim passa a "existir" na "ilusão" temporal.

Pombas e Peleiades
Se o Corvo está muitas vezes associado a Helios/Sol/Apolo, por outro lado, a pomba está associada a Afrodite e a Eros, havendo várias representações nesse sentido!

Será escusado dizer que também a pomba foi colocada no cristianismo como elemento revelador a Maria, para a concepção de Jesus, e ainda como um símbolo de paz e amor ligado à mensagem cristã.
Deus ao colocar-se numa posição humana através de Cristo, terá o seu complemento, o Espírito Santo, representado na pomba. Fica obviamente definida a trindade inevitável, pela abnegação do todo numa parte... teria que existir o seu complemento. 
Convirá referir que Zeus, escrito com um dzeta, se poderá ler Dzeus, da mesma forma que na componente romana, Júpiter tinha como nome alternativo Jove, que não difere muito de Jeova. Ou seja, os nomes não são assim tão diferentes quanto aparentam, à primeira vista... 

Peleiades significa em grego - pombas, e encontramos aqui ligação à designação das Pleiades, que enquanto agrupamento estelar representa as filhas de Atlas, um bando de pombas perseguidas pelo caçador Orion,. As referências às Pleiades são variadas, e estão inevitavelmente ligadas ao Ocidente, ao paraíso perdido, após o Atlas e Atlântico. 
Limite do Atlântico que será quebrado, após o Corvo (ilha), por um pombo que se chamará Colombo.
Colombo terá sido antes Colón, ou terá tido outro nome... mas seria afinal um pombo que se iria juntar às pombas passando o Atlântico, do pai Atlas que sustentava o mundo. A viagem de Colombo toma assim um aspecto simbólico de revelação, que ultrapassou o limite ocidental do Corvo, ave de Apolo.
[Peleiades era ainda o nome das sacerdotisas do templo de Dodona, ligado a Gaia, Reia e Dione (de alguma forma identificadas), sendo Dione a Afrodite Uraniana.]

Vénus ou Lucifer?
Uma das Pleiades é Maia, filha de Atlas e mãe de Hermes/Mercúrio. Tal como Gaia e Reia, também Maia acabou por ser uma divindade ligada à Terra, em diversas culturas. 
Se Vénus estava ligada a Mercúrio, e como ambos os planetas têm órbitas aparentes próximas um do outro, e próximas do Sol, não é de excluir que Mercúrio possa ter sido identificado ainda a Eros/Cupido. Há outros aspectos que concorrem nesse sentido, nomeadamente a célebre menção do Hermes Trimegisto e o hermético Hermetismo, onde a mensagem do caduceu se complementará com as ligações pelas setas de Cupido.

Um aspecto sinistro nestas ligações mitológicas, acabam por ser as contradições propositadas, criadas com objectivos obscuros... um dos mais evidentes é transformar Lucifer (em latim "o portador da luz"), a estrela da manhã, ou seja Vénus, a deusa do amor, numa personificação do mal. Como vimos, as contradições disto seriam totais, se Vénus não fosse também a estrela da tarde, e como tal Hesper... a esperança! 
É claro que, pretendendo-se manter a obscuridade, qualquer luz será encarada como um mal, que subverte a ordem instalada... nem que para isso se tenham que colocar educacionalmente reflexos condicionados. Pensar-se-à assim sobrepor uma "verdade social fabricada", mas até quando? Até que ponto será preciso ir, para que a verdade do passado deixe de pesar sobre o presente e ensombrar/assombrar o futuro?

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 07:56


Puto de Vénus

por desvela, em 19.08.11
Um famoso quadro de Botticeli, "Nascimento de Vénus" ilustra o nascimento de Afrodite/Vénus, das ondas do mar (Ponto), resultado do corte adamantino de Cronos a Urano:
(é dito que Botticeli teria seguido uma descrição de Angelo Poliziano)

A modelo usada para o quadro foi Vespucci, Simonetta Vespucci, que casou em Florença com Marco, um primo de Alberico, depois dito Américo, Vespucci.

Convém notar que há uma confusão de Afrodites... uma original, que é a que sempre referimos - a Afrodite Uraniana, ligada a Dione, e a sua filha com Zeus, designada Afrodite Pandemos, ligada ao amor físico.
Parténon: Vesta, Dione e Afrodite (Pandemos).

Se começámos a "Questão Gaia" com uma ousada ligação de Gaia pela substituição de I por J, o que daria Gaja, e falámos ainda dos gaiatos, vamos terminar o tópico com os "Putos".

Putti
Os Putos são pequenas crianças, representados na Arte Renascentista e Barroca, e que não são exactamente os habituais anjos (Querubins e Serafins) - têm "estatuto inferior" por serem associados a entidades pagãs - ou seja, Cupido/Eros:


A associação de Vénus a Cupido é bem conhecida e antiga. A entidade pagã, a pequena criança que dispara setas de amor, é o original Puto de Vénus. Há uma relação maternal que se estabeleceu entre estas duas divindades, caso raro em que são representadas quase sempre em conjunto:
Afrodite com Eros 
(terracota do Séc. IV a.C., Hermitage Museum)

Após o Renascimento, esta representação singular de associação divina, numa relação mãe-filho, será retomada em múltiplos quadros... e como é óbvio não estamos a referir-nos apenas à representação destas divindades pagãs. Esta relação nem será nenhuma novidade, pois há vários textos que sinalizam as semelhanças.

A relação divina entre mãe e filho passa claramente para o catolicismo, e será um dos focos de cisma entre protestantes e católicos. Numa primeira análise superficial esta associação seria desadequada para ser retomada pelo catolicismo... mas depende do nível a que a colocamos. Tal como existia uma Afrodite primordial, na Teogonia de Hesíodo também Eros é colocado a um nível ainda mais primevo, um amor surgindo como fonte de luz, e resultando do Caos, tal como Gaia e Tártaro (Eros, é assim mesmo anterior a Urano, filho de Gaia). Como Afrodite, também Eros tem uma segunda encarnação, mais conhecida, enquanto filho de Afrodite e Ares, e é aí representado como uma criança que surge da relação entre os deuses do amor e da guerra, que dispara flechas de paixão. (Este novo Eros será mesmo vítima da sua própria flecha, ficando apaixonado por Psique, numa história que terá inspirado o beijo da Bela Adormecida.)

A representação simultânea de Vénus e Cupido, está muitas vezes presente na pintura e escultura:

 
Venus e Cupido / Afrodite e Eros

Não colocamos aqui a imagem da mais famosa Vénus de Milo... mas, seguindo esta linha, talvez não faltassem apenas os braços, talvez faltasse ainda um Cupido ao colo (assim o sugere o olhar, a posição da perna avançada e do braço elevado). Uma representação assim poderia colidir de "forma grave" com as imagens clássicas, denominadas "Madonas"... isso justificaria a mutilação, uma polémica secreta e a consequente fama associada à estátua. Se Renoir a chamou "grande polícia" talvez não se referisse à falta de beleza, que claramente possui, mas sim ao que representaria a sua mutilação. 
Mais precisamente, aludimos a uma possível representação desta forma:

Há, é claro, uma versão alternativa, relacionada com a devolução da Vénus de Medici, que tem ambos os braços em baixo,  tal como a Afrodite de Cnido (onde Eros está ausente). Aliás a própria "Vénus de Medici" tem uma cópia com um Cupido maior:
 
"Venus de Medici" (de Praxiteles?) e "cópia romana" (imagens)


Vieira
Na representação de Botticeli temos essa Vénus primordial, que emerge adulta da espuma do mar primevo, como uma pérola de uma vieira (ou ostra). Isso já ocorre antes, conforme podemos ver num fresco de Pompeia:
Há assim, uma associação muito antiga, que liga o nascimento de Vénus, enquanto deusa primeva do amor, a uma vieira, e que foi recuperada no quadro de Botticeli.
Não podemos deixar de notar que essa vieira é ainda o símbolo de Santiago, e que os peregrinos seguiam esse caminho levando num cajado esse símbolo primevo do amor. A mensagem profunda da vieira de Santiago, é assim o reflexo em Cristo desse símbolo ancestral do amor espiritual, ligado ao nascimento da Afrodite Uraniana.
Isso terá tido uma grande influência na comunidade peninsular que já venerava Cupido (chamado Endovélico), conforme escreveu Carvalho da Costa. Venerar, de Venera (Vénus), é aqui mesmo a palavra correcta. A relação entre mãe e filho terá factores acrescidos de ligação, na propagação dessa mensagem de amor primeiro. O caso singular do cristianismo enquanto religião é a capacidade de colocar um Deus omnipotente em posição humana, com as fragilidades inerentes na situação de reflexão literal, recuperando uma noção primeva de amor, complemento ao equilíbrio dinâmico, possível com o corte temporal de Cronos.
A lâmina adamantina de Cronos cindiu um universo de todos os tempos, de Úrano, mostrando um tempo de cada vez, em contínuo. As ideias, os verbos, iriam ser definidos pela sua emergência dessa sequência imparável. O tempo surgia assim como uma ilusão de reprodução dinâmica do estado anterior, saindo de todo o caos possível uma aparente inteligibilidade. É assim que emerge a noção de amor, de partilha dinâmica do mesmo universo, pelos seres pensantes... e esse amor pode ser local, quando os seres reduzem o seu universo, a uma pessoa, ou a uma ocasião, ou pode ter contornos mais profundos, procurando uma harmonia global. Digamos que estão definidos todos os caminhos das Moiras, mas não o caminho que cada um decide seguir... é isso que o define enquanto ser emergente da estrutura estática, e que assim passa a "existir" na "ilusão" temporal.

Pombas e Peleiades
Se o Corvo está muitas vezes associado a Helios/Sol/Apolo, por outro lado, a pomba está associada a Afrodite e a Eros, havendo várias representações nesse sentido!

Será escusado dizer que também a pomba foi colocada no cristianismo como elemento revelador a Maria, para a concepção de Jesus, e ainda como um símbolo de paz e amor ligado à mensagem cristã.
Deus ao colocar-se numa posição humana através de Cristo, terá o seu complemento, o Espírito Santo, representado na pomba. Fica obviamente definida a trindade inevitável, pela abnegação do todo numa parte... teria que existir o seu complemento. 
Convirá referir que Zeus, escrito com um dzeta, se poderá ler Dzeus, da mesma forma que na componente romana, Júpiter tinha como nome alternativo Jove, que não difere muito de Jeova. Ou seja, os nomes não são assim tão diferentes quanto aparentam, à primeira vista... 

Peleiades significa em grego - pombas, e encontramos aqui ligação à designação das Pleiades, que enquanto agrupamento estelar representa as filhas de Atlas, um bando de pombas perseguidas pelo caçador Orion,. As referências às Pleiades são variadas, e estão inevitavelmente ligadas ao Ocidente, ao paraíso perdido, após o Atlas e Atlântico. 
Limite do Atlântico que será quebrado, após o Corvo (ilha), por um pombo que se chamará Colombo.
Colombo terá sido antes Colón, ou terá tido outro nome... mas seria afinal um pombo que se iria juntar às pombas passando o Atlântico, do pai Atlas que sustentava o mundo. A viagem de Colombo toma assim um aspecto simbólico de revelação, que ultrapassou o limite ocidental do Corvo, ave de Apolo.
[Peleiades era ainda o nome das sacerdotisas do templo de Dodona, ligado a Gaia, Reia e Dione (de alguma forma identificadas), sendo Dione a Afrodite Uraniana.]

Vénus ou Lucifer?
Uma das Pleiades é Maia, filha de Atlas e mãe de Hermes/Mercúrio. Tal como Gaia e Reia, também Maia acabou por ser uma divindade ligada à Terra, em diversas culturas. 
Se Vénus estava ligada a Mercúrio, e como ambos os planetas têm órbitas aparentes próximas um do outro, e próximas do Sol, não é de excluir que Mercúrio possa ter sido identificado ainda a Eros/Cupido. Há outros aspectos que concorrem nesse sentido, nomeadamente a célebre menção do Hermes Trimegisto e o hermético Hermetismo, onde a mensagem do caduceu se complementará com as ligações pelas setas de Cupido.

Um aspecto sinistro nestas ligações mitológicas, acabam por ser as contradições propositadas, criadas com objectivos obscuros... um dos mais evidentes é transformar Lucifer (em latim "o portador da luz"), a estrela da manhã, ou seja Vénus, a deusa do amor, numa personificação do mal. Como vimos, as contradições disto seriam totais, se Vénus não fosse também a estrela da tarde, e como tal Hesper... a esperança! 
É claro que, pretendendo-se manter a obscuridade, qualquer luz será encarada como um mal, que subverte a ordem instalada... nem que para isso se tenham que colocar educacionalmente reflexos condicionados. Pensar-se-à assim sobrepor uma "verdade social fabricada", mas até quando? Até que ponto será preciso ir, para que a verdade do passado deixe de pesar sobre o presente e ensombrar/assombrar o futuro?

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 23:56


Teogonias (3)

por desvela, em 13.08.11
Um acontecimento não desprezável, e que merece a nossa atenção como "coincidência" notável é o seguinte:
- a filosofia e o saber grego apareceram após a subida ao poder de Ciro, o Grande, e consolidação do Império Aqueménida... na Pérsia!
... mas não só, aparecem ainda pouco depois - Buda, na Índia, e Confúcio, na China.
O que tinha de notável, o novo império aqueménida?
- seguia a doutrina de Zaratustra (Zoroastro), tendo como entidade suprema Mazda (Ahura).

 
(falcão que olha o oriente?... depois no zoroastrismo as águias olhavam o ocidente 
- tal como romanas, americanas, ou mesmo nazis... a  opção dupla cabeça foi Habsburgo)

Os conflitos entre gregos e persas começam justamente com esta expansão aqueménida... (e digamos que se os gregos já escreviam da esquerda para a direita, a língua avéstica fazia o contrário, como era comum à época... apenas um detalhe, como é claro!)

A questão principal é que houve conhecimento similar que foi difundido, e iluminou subitamente vários povos, nas fronteiras da expansão aqueménida, sobretudo feita por Ciro, Cambisses e Dario. É ainda nessa altura que se dá a libertação judaica, do cativeiro na Babilónia, e se recompilam os textos bíblicos. A transição do Séc. VI a.C. para o Séc. V a.C. parece ser assim uma altura de salto no conhecimento e religião.

A expressão mais notável é a grega... podemos dizer que acordam subitamente, e começam a debitar vários tratados, com uma profundidade que não parece ter paralelo anteriormente. É evidente que o conhecimento persa não está ausente, mas muito podia estar presente pelo lado dos babilónios!
Perante a invasão persa, e adopção da nova religião, o Zoroastrismo (que os sacerdotes Medos haviam combatido) era natural algum medo face ao desequilíbrio na ordem hierárquica da classe. Os magos vão ser os novos sacerdotes do zoroastrismo.

Os egípcios não conseguem fazer face ao avanço persa, mas uma Grécia ainda arcaica, acordando para o registo histórico, vai suster de forma surpreendente o embate - em proporções que são ilustradas pela defesa das Termópilas. Havia é claro, toda a Guerra de Tróia, e até uma Guerra contra os Atlantes, que passaram a fazer parte da história que se escreveu e consolidou nessa altura, onde os gregos de então se identificaram com os aqueus, nessa altura já lendas com muitos séculos ou milhares de anos.

A Grécia passou a ser lugar de embate entre duas concepções... um modelo de racionalidade e progresso, mas ao mesmo tempo um modelo místico, que não se desligava do panteão de deuses, dos oráculos, das oferendas, das decisões tomadas pelas entranhas ou voo dos pássaros.
Levantamos a hipótese de a Grécia ser ainda um campo externo de uma guerra interna que se passava no Império Aqueménida... entre os novos magos do zoroastrismo, e os antigos sacerdotes babilónios. Os primeiros procuravam que os gregos aderissem ao império e à filosofia de Zaratustra, os segundos quereriam a resistência grega, como forma de segurar a expansão e voltar ao culto dos velhos deuses. O conflito entre racionalidade e o misticismo teve o seu episódio com Sócrates e a cicuta...
Com Aristóteles e Alexandre, a defesa grega passa a ataque macedónico, e os persas são mais uma vez surpreendentemente derrotados, a ponto de perderem o império num par de anos. Porém, as políticas de Alexandre não corresponderiam exactamente ao acordo de quem tão prontamente o acolheu e inseriu. Alexandre queria ir mais longe, para além da Pérsia, e seguiria a filosofia grega... mas morreu demasiado cedo. O império estilhaçou na divisão interna entre os generais. Preparava-se um novo império, o romano, onde mais uma vez imperou o conflito entre adeptos republicanos e os da monarquia imperial.
Com o fim da República e a instalação do Império Romano terminaram as expansões territoriais significativas, e até o génio inventivo e literário começou a estagnar. O Mundus Clausus, fechado sobre os limites antigos chegou a deixar aventuras para além das Colunas de Hércules como primeiras obras de ficção científica, com reinos alienígenas e viagens à Lua (caso de Luciano de Samosata).
Se o advento cristão teve a benção dos (reis) magos, o modelo que a igreja cristã seguiu foi um modelo de casta sacerdotal, seguido por Roma e Bizâncio, após Constantino.
Ainda assim, o Império Romano seria demasiado heterogéneo, multi-racial e multi-cultural... um imperador poderia resultar de equilíbrios de forças instáveis, e raras vezes seguia a linha hereditária. Os segredos não eram tão estanques, quanto pretendido, e flutuavam numa classe demasiado vasta...
Mais eficaz seria introduzir um factor racial, fácil distintivo... a escolha recaiu sobre os godos, que ficaram encarregues de preservar uma linhagem aristocrata, que se misturasse pouco com as populações autóctones. Como sempre, se os romanos tinham um poder esmagador e conseguiram suster a divisão do Império com Aureliano, nunca conseguiram grandes progressões a norte... já estariam designados os godos/suevos como possíveis sucessores.
Ao mesmo tempo conseguia-se um retrocesso civilizacional, que caracterizou a Idade Média, e que com Carlos Magno assumiu contornos de novo império romano, perfeitamente controlado, com hierarquias e castas bem definidas... nenhum soldado passaria a general e daí a imperador, como podia acontecer em Roma. A casta tinha o modelo ariano, afinal aquele que desde o princípio estava centrado na extensa zona de influência babilónica/persa/indiana, e serviu não só na Europa, mas ainda como modelo racial no sistema de castas da Índia. Curiosamente, é ainda ariano o nome da filosofia monofisista que os godos vão adoptar, mas por nomeação de Arius de Alexandria, seu proponente.
Esta linha ariana acaba por ser derrotada sucessivamente, afinal os magos teriam confirmado o carácter divino de Jesus Cristo,  cuja vida em muitos aspectos tem analogias assinaladas com o percurso do próprio Zaratustra. O ataque ao que restava do Império Romano será feito pelos árabes. Constantinopla resiste até quando pode... e a Península Ibérica fica também embrenhada em guerras de reconquista. O Mediterrâneo antigo mar estável, fica em permanente confronto entre duas civilizações que não se falam, divergindo profundamente na questão da vinda do Messias (e de Maomé enquanto profeta). Será esse o principal foco da discórdia entre cristãos, judeus e árabes.

A Península Ibérica ficou como território ambíguo, resistiu à invasão árabe, e também ao Império de Carlos Magno, na sua derrota em Roncesvalles (haverá uma outra Roncesvalles com Napoleão).
O mais significativo nisto é que só no momento em que o Infante D. Pedro se coloca ao serviço do Imperador Sacro-Germânico é que de alguma forma os reis portugueses se sujeitam a alguma vassalagem imperial, passam a ter o direito a ter Príncipes (deixa de haver Infantes...), e as suas viagens marítimas começam a ter chancela oficial.
A Europa tem autorização de expansão, para além das fronteiras... Portugal e Espanha vão dar relevância aos Reis Magos nalgumas nomeações que vão fazer. A situação é estranha, ao ponto da Europa estar ao mesmo tempo ameaçada com a queda de Constantinopla, até Viena e Veneza, e  ameaçar o Império Otomano nas paragens orientais com a presença portuguesa no Suez, em Ormuz, etc...
As navegações ficam de novo suspensas - há territórios proibidos... e surge novo conflito ideológico.
De um lado, uma cultura protestante procurando manter um monoteísmo, e do outro lado o catolicismo abre uma quantidade enorme de devoções secundárias. O fecho da Igreja Católica usa métodos drásticos, especialmente com a Inquisição, e continua a restringir alguns territórios. O Renascimento já iniciado, que basicamente vai repiscar e republicar toda a literatura antiga, proibida, fica em perigo.
A herança que ficara em Alexandria e Constantinopla, vai passar pela Hispânia, tendo árabes e judeus como transmissores. Mas esse privilégio hispânico cai definitivamente na Guerra dos 30 anos... e o novo avanço será dado pelo lado protestante, que também vai colaborar no esquema de ocultação, mas através de instituições secretas.
Uma coisa será o poder estabelecido e visível, outra coisa completamente diferente serão os acordos entre nações. A ocultação será mantida, e voltamos ao velho problema... como evitar que os segredos ou o poder caia na mão de um cidadão que passa a imperador?
O teste maior terá sido feito na Revolução Francesa e com Napoleão. Viram-se aí os barretes frígios, mas a Verdade não se impõe num ápice sobre a "verdade social". A "verdade social" é volátil, e precisa de um farol de referência... o resultado foi caótico, onde tudo seria alvo de dúvida, e os executores passaram a executados, no Regime de Terror que se seguiu a 1789. Napoleão foi uma solução contra esse caos, mas pelo lado indesejado... julgou deter um poder absoluto, e ao coroar-se imperador, não se terá apercebido da dimensão do problema que enfrentava (aliás, tal como terá ocorrido com D. Sebastião)... o sistema aristocrático implantado deixou de o considerar como um problema, ao ponto da Conferência de Viena ter mesmo começado antes de se ter dado a Batalha de Waterloo (que definiria o seu asilo final).

Se a anterior lógica era uma lógica repressiva, dispendiosa e que abria novas brechas de conflito, a implantação monetária definiu novos executantes e um novo sistema. A "verdade social" tinha um preço, que cada nação tinha de preservar na "fabricação"... estímulos monetários, reconhecimentos, etc, tudo iria servir para garantir a preservação dos segredos. Controlando o sistema de publicação, o sistema de divulgação, a "verdade social fabricada" poderia ser mantida, criando manobras de diversão, prémios ou ameaças veladas se necessário.
Para os inseridos no sistema não há outra solução sob pena de se cair na desordem ou fraqueza... uma parte não pode abrir o jogo unilateralmente, sob pena de ser aproveitado pela outra. Após séculos de conflito, não há confiança entre as partes para que possam deixar cair a máscara - até porque ninguém vai querer aparecer como parte fraca na fotografia. Assim, a certeza aparente é a de que o sistema se deve manter, ou então que se deve ainda fechar mais. A pressão de divulgação é vista como tentativa de uns para trocarem os lugares de poder com os outros... porque tudo é sempre visto numa lógica de poder. Será difícil distinguir entre aqueles que o querem fazer sinceramente, e os que o querem fazer aparentemente, preparando a estratégia seguinte. Uns gozam com outros, de maneira explícita ou velada para a população, mas sabendo que há muitos que percebem os códigos, coisas habitualmente infantis e perversas, aprendidas em muitos séculos de diletantismo nas cortes. Esse pretenso elitismo, fruto de um preço inato de silêncio, e de ausência de liberdade, tem assim uma recompensa incompleta num estatuto artificial, sem objectivo, nem outra finalidade que não seja a preservação.
As dívidas são essencialmente dívidas à verdade, que são remetidas ao próprio povo, pela sua felicidade na ignorância, paz e soberania iludida...

É aqui que entra de novo a filosofia de Zaratustra, "o velho camelo".
Se pensarmos que somos cindidos e uma parte de nós se separa da outra, perdendo uma parte das nossas memórias, artes e faculdades de raciocínio para a parte restante, aceitaríamos ou não regressar ao ponto em que pelo menos pudéssemos trocar informação e cooperar com essa parte separada fisicamente? - Claro que sim! Porquê... porque nos lembramos dessa identificação. A menos que uma parte seja colocada em posição de ter que escolher entre si e a outra, poderia haver dúvidas... e mesmo assim, se o próprio der mais valor à sua reflexão, poderá sacrificar-se, no que normalmente se chama amor.
Essa cooperação sente-se mais facilmente em famílias, em aldeias, sem pressões e influências externas... e é claro que está mais afastada numa cidade onde a lógica competitiva ocorre todos os dias, e em várias ocasiões.

Naturalmente um objectivo estável de um universo pensante, separado em diversas componentes, será a troca sincera de informações entre essas componentes separadas. Chama-se a isso curiosidade...
Poderá pensar-se que se podem definir estratos, mas a menos que não sejam comunicantes, de nenhuma forma, uns influenciam-se aos outros, de forma indissociável.
Pode pensar-se em fechar, como protecção... mas isso só significa uma coisa - medo!
E portanto como não está aberto ao desconhecido, ficará aberto ao medo que tem dele.
Estes são alguns dos processos que o Universo usará para um objectivo muito simples - concentrar toda a informação num único ser pensante - que será resultado da junção de todos os seres pensantes, através de canais de comunicação fiáveis. Só assim poderá observar-se em plenitude, e até observar o passado... mas isso é outra história, e por enquanto seguimos adormecidos nas estorietas de quem julga que o sonho que inventa se sobreporá à realidade.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 04:22


Teogonias (3)

por desvela, em 12.08.11
Um acontecimento não desprezável, e que merece a nossa atenção como "coincidência" notável é o seguinte:
- a filosofia e o saber grego apareceram após a subida ao poder de Ciro, o Grande, e consolidação do Império Aqueménida... na Pérsia!
... mas não só, aparecem ainda pouco depois - Buda, na Índia, e Confúcio, na China.
O que tinha de notável, o novo império aqueménida?
- seguia a doutrina de Zaratustra (Zoroastro), tendo como entidade suprema Mazda (Ahura).

 
(falcão que olha o oriente?... depois no zoroastrismo as águias olhavam o ocidente 
- tal como romanas, americanas, ou mesmo nazis... a  opção dupla cabeça foi Habsburgo)

Os conflitos entre gregos e persas começam justamente com esta expansão aqueménida... (e digamos que se os gregos já escreviam da esquerda para a direita, a língua avéstica fazia o contrário, como era comum à época... apenas um detalhe, como é claro!)

A questão principal é que houve conhecimento similar que foi difundido, e iluminou subitamente vários povos, nas fronteiras da expansão aqueménida, sobretudo feita por Ciro, Cambisses e Dario. É ainda nessa altura que se dá a libertação judaica, do cativeiro na Babilónia, e se recompilam os textos bíblicos. A transição do Séc. VI a.C. para o Séc. V a.C. parece ser assim uma altura de salto no conhecimento e religião.

A expressão mais notável é a grega... podemos dizer que acordam subitamente, e começam a debitar vários tratados, com uma profundidade que não parece ter paralelo anteriormente. É evidente que o conhecimento persa não está ausente, mas muito podia estar presente pelo lado dos babilónios!
Perante a invasão persa, e adopção da nova religião, o Zoroastrismo (que os sacerdotes Medos haviam combatido) era natural algum medo face ao desequilíbrio na ordem hierárquica da classe. Os magos vão ser os novos sacerdotes do zoroastrismo.

Os egípcios não conseguem fazer face ao avanço persa, mas uma Grécia ainda arcaica, acordando para o registo histórico, vai suster de forma surpreendente o embate - em proporções que são ilustradas pela defesa das Termópilas. Havia é claro, toda a Guerra de Tróia, e até uma Guerra contra os Atlantes, que passaram a fazer parte da história que se escreveu e consolidou nessa altura, onde os gregos de então se identificaram com os aqueus, nessa altura já lendas com muitos séculos ou milhares de anos.

A Grécia passou a ser lugar de embate entre duas concepções... um modelo de racionalidade e progresso, mas ao mesmo tempo um modelo místico, que não se desligava do panteão de deuses, dos oráculos, das oferendas, das decisões tomadas pelas entranhas ou voo dos pássaros.
Levantamos a hipótese de a Grécia ser ainda um campo externo de uma guerra interna que se passava no Império Aqueménida... entre os novos magos do zoroastrismo, e os antigos sacerdotes babilónios. Os primeiros procuravam que os gregos aderissem ao império e à filosofia de Zaratustra, os segundos quereriam a resistência grega, como forma de segurar a expansão e voltar ao culto dos velhos deuses. O conflito entre racionalidade e o misticismo teve o seu episódio com Sócrates e a cicuta...
Com Aristóteles e Alexandre, a defesa grega passa a ataque macedónico, e os persas são mais uma vez surpreendentemente derrotados, a ponto de perderem o império num par de anos. Porém, as políticas de Alexandre não corresponderiam exactamente ao acordo de quem tão prontamente o acolheu e inseriu. Alexandre queria ir mais longe, para além da Pérsia, e seguiria a filosofia grega... mas morreu demasiado cedo. O império estilhaçou na divisão interna entre os generais. Preparava-se um novo império, o romano, onde mais uma vez imperou o conflito entre adeptos republicanos e os da monarquia imperial.
Com o fim da República e a instalação do Império Romano terminaram as expansões territoriais significativas, e até o génio inventivo e literário começou a estagnar. O Mundus Clausus, fechado sobre os limites antigos chegou a deixar aventuras para além das Colunas de Hércules como primeiras obras de ficção científica, com reinos alienígenas e viagens à Lua (caso de Luciano de Samosata).
Se o advento cristão teve a benção dos (reis) magos, o modelo que a igreja cristã seguiu foi um modelo de casta sacerdotal, seguido por Roma e Bizâncio, após Constantino.
Ainda assim, o Império Romano seria demasiado heterogéneo, multi-racial e multi-cultural... um imperador poderia resultar de equilíbrios de forças instáveis, e raras vezes seguia a linha hereditária. Os segredos não eram tão estanques, quanto pretendido, e flutuavam numa classe demasiado vasta...
Mais eficaz seria introduzir um factor racial, fácil distintivo... a escolha recaiu sobre os godos, que ficaram encarregues de preservar uma linhagem aristocrata, que se misturasse pouco com as populações autóctones. Como sempre, se os romanos tinham um poder esmagador e conseguiram suster a divisão do Império com Aureliano, nunca conseguiram grandes progressões a norte... já estariam designados os godos/suevos como possíveis sucessores.
Ao mesmo tempo conseguia-se um retrocesso civilizacional, que caracterizou a Idade Média, e que com Carlos Magno assumiu contornos de novo império romano, perfeitamente controlado, com hierarquias e castas bem definidas... nenhum soldado passaria a general e daí a imperador, como podia acontecer em Roma. A casta tinha o modelo ariano, afinal aquele que desde o princípio estava centrado na extensa zona de influência babilónica/persa/indiana, e serviu não só na Europa, mas ainda como modelo racial no sistema de castas da Índia. Curiosamente, é ainda ariano o nome da filosofia monofisista que os godos vão adoptar, mas por nomeação de Arius de Alexandria, seu proponente.
Esta linha ariana acaba por ser derrotada sucessivamente, afinal os magos teriam confirmado o carácter divino de Jesus Cristo,  cuja vida em muitos aspectos tem analogias assinaladas com o percurso do próprio Zaratustra. O ataque ao que restava do Império Romano será feito pelos árabes. Constantinopla resiste até quando pode... e a Península Ibérica fica também embrenhada em guerras de reconquista. O Mediterrâneo antigo mar estável, fica em permanente confronto entre duas civilizações que não se falam, divergindo profundamente na questão da vinda do Messias (e de Maomé enquanto profeta). Será esse o principal foco da discórdia entre cristãos, judeus e árabes.

A Península Ibérica ficou como território ambíguo, resistiu à invasão árabe, e também ao Império de Carlos Magno, na sua derrota em Roncesvalles (haverá uma outra Roncesvalles com Napoleão).
O mais significativo nisto é que só no momento em que o Infante D. Pedro se coloca ao serviço do Imperador Sacro-Germânico é que de alguma forma os reis portugueses se sujeitam a alguma vassalagem imperial, passam a ter o direito a ter Príncipes (deixa de haver Infantes...), e as suas viagens marítimas começam a ter chancela oficial.
A Europa tem autorização de expansão, para além das fronteiras... Portugal e Espanha vão dar relevância aos Reis Magos nalgumas nomeações que vão fazer. A situação é estranha, ao ponto da Europa estar ao mesmo tempo ameaçada com a queda de Constantinopla, até Viena e Veneza, e  ameaçar o Império Otomano nas paragens orientais com a presença portuguesa no Suez, em Ormuz, etc...
As navegações ficam de novo suspensas - há territórios proibidos... e surge novo conflito ideológico.
De um lado, uma cultura protestante procurando manter um monoteísmo, e do outro lado o catolicismo abre uma quantidade enorme de devoções secundárias. O fecho da Igreja Católica usa métodos drásticos, especialmente com a Inquisição, e continua a restringir alguns territórios. O Renascimento já iniciado, que basicamente vai repiscar e republicar toda a literatura antiga, proibida, fica em perigo.
A herança que ficara em Alexandria e Constantinopla, vai passar pela Hispânia, tendo árabes e judeus como transmissores. Mas esse privilégio hispânico cai definitivamente na Guerra dos 30 anos... e o novo avanço será dado pelo lado protestante, que também vai colaborar no esquema de ocultação, mas através de instituições secretas.
Uma coisa será o poder estabelecido e visível, outra coisa completamente diferente serão os acordos entre nações. A ocultação será mantida, e voltamos ao velho problema... como evitar que os segredos ou o poder caia na mão de um cidadão que passa a imperador?
O teste maior terá sido feito na Revolução Francesa e com Napoleão. Viram-se aí os barretes frígios, mas a Verdade não se impõe num ápice sobre a "verdade social". A "verdade social" é volátil, e precisa de um farol de referência... o resultado foi caótico, onde tudo seria alvo de dúvida, e os executores passaram a executados, no Regime de Terror que se seguiu a 1789. Napoleão foi uma solução contra esse caos, mas pelo lado indesejado... julgou deter um poder absoluto, e ao coroar-se imperador, não se terá apercebido da dimensão do problema que enfrentava (aliás, tal como terá ocorrido com D. Sebastião)... o sistema aristocrático implantado deixou de o considerar como um problema, ao ponto da Conferência de Viena ter mesmo começado antes de se ter dado a Batalha de Waterloo (que definiria o seu asilo final).

Se a anterior lógica era uma lógica repressiva, dispendiosa e que abria novas brechas de conflito, a implantação monetária definiu novos executantes e um novo sistema. A "verdade social" tinha um preço, que cada nação tinha de preservar na "fabricação"... estímulos monetários, reconhecimentos, etc, tudo iria servir para garantir a preservação dos segredos. Controlando o sistema de publicação, o sistema de divulgação, a "verdade social fabricada" poderia ser mantida, criando manobras de diversão, prémios ou ameaças veladas se necessário.
Para os inseridos no sistema não há outra solução sob pena de se cair na desordem ou fraqueza... uma parte não pode abrir o jogo unilateralmente, sob pena de ser aproveitado pela outra. Após séculos de conflito, não há confiança entre as partes para que possam deixar cair a máscara - até porque ninguém vai querer aparecer como parte fraca na fotografia. Assim, a certeza aparente é a de que o sistema se deve manter, ou então que se deve ainda fechar mais. A pressão de divulgação é vista como tentativa de uns para trocarem os lugares de poder com os outros... porque tudo é sempre visto numa lógica de poder. Será difícil distinguir entre aqueles que o querem fazer sinceramente, e os que o querem fazer aparentemente, preparando a estratégia seguinte. Uns gozam com outros, de maneira explícita ou velada para a população, mas sabendo que há muitos que percebem os códigos, coisas habitualmente infantis e perversas, aprendidas em muitos séculos de diletantismo nas cortes. Esse pretenso elitismo, fruto de um preço inato de silêncio, e de ausência de liberdade, tem assim uma recompensa incompleta num estatuto artificial, sem objectivo, nem outra finalidade que não seja a preservação.
As dívidas são essencialmente dívidas à verdade, que são remetidas ao próprio povo, pela sua felicidade na ignorância, paz e soberania iludida...

É aqui que entra de novo a filosofia de Zaratustra, "o velho camelo".
Se pensarmos que somos cindidos e uma parte de nós se separa da outra, perdendo uma parte das nossas memórias, artes e faculdades de raciocínio para a parte restante, aceitaríamos ou não regressar ao ponto em que pelo menos pudéssemos trocar informação e cooperar com essa parte separada fisicamente? - Claro que sim! Porquê... porque nos lembramos dessa identificação. A menos que uma parte seja colocada em posição de ter que escolher entre si e a outra, poderia haver dúvidas... e mesmo assim, se o próprio der mais valor à sua reflexão, poderá sacrificar-se, no que normalmente se chama amor.
Essa cooperação sente-se mais facilmente em famílias, em aldeias, sem pressões e influências externas... e é claro que está mais afastada numa cidade onde a lógica competitiva ocorre todos os dias, e em várias ocasiões.

Naturalmente um objectivo estável de um universo pensante, separado em diversas componentes, será a troca sincera de informações entre essas componentes separadas. Chama-se a isso curiosidade...
Poderá pensar-se que se podem definir estratos, mas a menos que não sejam comunicantes, de nenhuma forma, uns influenciam-se aos outros, de forma indissociável.
Pode pensar-se em fechar, como protecção... mas isso só significa uma coisa - medo!
E portanto como não está aberto ao desconhecido, ficará aberto ao medo que tem dele.
Estes são alguns dos processos que o Universo usará para um objectivo muito simples - concentrar toda a informação num único ser pensante - que será resultado da junção de todos os seres pensantes, através de canais de comunicação fiáveis. Só assim poderá observar-se em plenitude, e até observar o passado... mas isso é outra história, e por enquanto seguimos adormecidos nas estorietas de quem julga que o sonho que inventa se sobreporá à realidade.

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publicado às 20:22


Teogonias (2)

por desvela, em 07.08.11
No mito grego da criação, Gaia apoia Cronos contra o pai Úrano, pelo facto deste ter relegado para as trevas alguns dos seus filhos, entre os quais os Ciclopes, que assim não poderiam ver a luz.
Digamos que esta alegoria pode ter uma interpretação perfeitamente racional. 
Cronos personifica o Tempo. (Sobre a dupla escrita Κρόνος ou Χρόνος percebemos estar ligada à introdução posterior que substituiu o Κ
Qualquer estado fixo (a menos que seja trivial) implica um desequilíbrio, e é através do tempo que esses estados vão alternando a sua posição, e se poderá cumprir um equilíbrio.
O tempo, Cronos, através da sua prevalência, permitiria a que os filhos de Gaia, os filhos da terra, tivessem igual tratamento... uma representação adequada pela maternidade que dispensa igual atenção aos filhos.

No entanto, Cronos será deposto pelo seu filho Zeus.
Esta sequência é ainda racional, já que a prevalência da personificação de uma estrutura mais poderosa não seguiria nessa linha de equilíbrio. O mito de um Cronos que "devora os filhos", mas que também corresponde a um "período de ouro", de felicidade humana, pode ser visto no sentido de impedir que esses filhos exercessem um poder despótico sobre as restante entidades. A Guerra dos Titãs (Titanomaquia) que se segue tem a ver justamente com esse desequilíbrio... com essa revolta dos Titãs perante um destino de desequilíbrio, onde não iriam pertencer ao Olimpo.

A deposição de Cronos apenas pode ser vista como aparente... o Tempo está longe de se ter esgotado.
Do ponto de vista puramente abstracto, qualquer Universo já cumpriu todo o seu Tempo.
Não há qualquer razão para admitir que o Universo parou no Tempo, e está à espera de ordens para definir o que vai ser a seguir... essas ordens viriam de onde? De algo que não pertencia ao Universo? - isso seria uma contradição da própria definição de Universo.
Aquilo que temos é uma visita, um pouco no sentido da Escola Pitagórica "A vida é como uma sala de espectáculos, entra-se, vê-se e sai-se" (ver o ponto 10 aqui). 

Há no entanto várias coisas que não seria experimentadas numa "posição divina".
A omnisciência não permite saber o que é o conhecimento... 
O conhecimento não se define pelo saber, define-se pela passagem do "não saber" ao "saber". O "não saber" é tão importante quanto o "saber". O acto de passagem de um estado ao outro, começa pela ignorância.
O desejo é manifestado pela transição entre o que "não se tem" e o que se "pretende ter"... digamos que esta e outras coisas são sensações exclusivas de seres incompletos, imperfeitos.
Apenas seres limitados podem experimentar e sentir a visita a uma pequena parte do Universo... essas sensações são a ilusão a que chamamos realidade, a realidade que experimentamos enquanto seres humanos.

Perante as diversas hipóteses, digamos bifurcações, todas são possíveis, e de alguma forma correspondem às "acções" que definiram este Universo... um universo que tem assim consciência da sua existência, através da diversa contemplação parcial de cada entidade. Outras possibilidades nas  bifurcações não levaram ao resultado final que vemos e em que nos inserimos... e que no fundo correspondem parcialmente às "escolhas que fizémos/fazemos". Parcialmente, porque muitas das bifurcações são "decididas" por outras entidades, a que nós chamamos "acaso", e que antigamente também eram personificadas como deuses de entidades titânicas, ou animais... digamos que era habitual atribuir a Poseidon, ou a Zeus, o controlo de factores imprevisíveis (terramotos e tempestades). E se é possível prever parcialmente fenómenos lineares, já sobre as bifurcações em fenómenos que admitem duas ou mais possibilidades, aí fica a indefinição sobre a escolha ocorrida, e que antigamente se personificava na forma de entidade consciente e divina.

Diz-se que Cronos/Saturno, depois de deposto por Zeus/Jove, assumiu estatuto humano... parece-me alegoria natural para quem tivesse uma visão equilibrada de todo o Tempo, e não apenas de uma parte.
Cronus/Saturno

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publicado às 16:48


Teogonias (2)

por desvela, em 07.08.11
No mito grego da criação, Gaia apoia Cronos contra o pai Úrano, pelo facto deste ter relegado para as trevas alguns dos seus filhos, entre os quais os Ciclopes, que assim não poderiam ver a luz.
Digamos que esta alegoria pode ter uma interpretação perfeitamente racional. 
Cronos personifica o Tempo. (Sobre a dupla escrita Κρόνος ou Χρόνος percebemos estar ligada à introdução posterior que substituiu o Κ
Qualquer estado fixo (a menos que seja trivial) implica um desequilíbrio, e é através do tempo que esses estados vão alternando a sua posição, e se poderá cumprir um equilíbrio.
O tempo, Cronos, através da sua prevalência, permitiria a que os filhos de Gaia, os filhos da terra, tivessem igual tratamento... uma representação adequada pela maternidade que dispensa igual atenção aos filhos.

No entanto, Cronos será deposto pelo seu filho Zeus.
Esta sequência é ainda racional, já que a prevalência da personificação de uma estrutura mais poderosa não seguiria nessa linha de equilíbrio. O mito de um Cronos que "devora os filhos", mas que também corresponde a um "período de ouro", de felicidade humana, pode ser visto no sentido de impedir que esses filhos exercessem um poder despótico sobre as restante entidades. A Guerra dos Titãs (Titanomaquia) que se segue tem a ver justamente com esse desequilíbrio... com essa revolta dos Titãs perante um destino de desequilíbrio, onde não iriam pertencer ao Olimpo.

A deposição de Cronos apenas pode ser vista como aparente... o Tempo está longe de se ter esgotado.
Do ponto de vista puramente abstracto, qualquer Universo já cumpriu todo o seu Tempo.
Não há qualquer razão para admitir que o Universo parou no Tempo, e está à espera de ordens para definir o que vai ser a seguir... essas ordens viriam de onde? De algo que não pertencia ao Universo? - isso seria uma contradição da própria definição de Universo.
Aquilo que temos é uma visita, um pouco no sentido da Escola Pitagórica "A vida é como uma sala de espectáculos, entra-se, vê-se e sai-se" (ver o ponto 10 aqui). 

Há no entanto várias coisas que não seria experimentadas numa "posição divina".
A omnisciência não permite saber o que é o conhecimento... 
O conhecimento não se define pelo saber, define-se pela passagem do "não saber" ao "saber". O "não saber" é tão importante quanto o "saber". O acto de passagem de um estado ao outro, começa pela ignorância.
O desejo é manifestado pela transição entre o que "não se tem" e o que se "pretende ter"... digamos que esta e outras coisas são sensações exclusivas de seres incompletos, imperfeitos.
Apenas seres limitados podem experimentar e sentir a visita a uma pequena parte do Universo... essas sensações são a ilusão a que chamamos realidade, a realidade que experimentamos enquanto seres humanos.

Perante as diversas hipóteses, digamos bifurcações, todas são possíveis, e de alguma forma correspondem às "acções" que definiram este Universo... um universo que tem assim consciência da sua existência, através da diversa contemplação parcial de cada entidade. Outras possibilidades nas  bifurcações não levaram ao resultado final que vemos e em que nos inserimos... e que no fundo correspondem parcialmente às "escolhas que fizémos/fazemos". Parcialmente, porque muitas das bifurcações são "decididas" por outras entidades, a que nós chamamos "acaso", e que antigamente também eram personificadas como deuses de entidades titânicas, ou animais... digamos que era habitual atribuir a Poseidon, ou a Zeus, o controlo de factores imprevisíveis (terramotos e tempestades). E se é possível prever parcialmente fenómenos lineares, já sobre as bifurcações em fenómenos que admitem duas ou mais possibilidades, aí fica a indefinição sobre a escolha ocorrida, e que antigamente se personificava na forma de entidade consciente e divina.

Diz-se que Cronos/Saturno, depois de deposto por Zeus/Jove, assumiu estatuto humano... parece-me alegoria natural para quem tivesse uma visão equilibrada de todo o Tempo, e não apenas de uma parte.
Cronus/Saturno

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publicado às 08:48


dos Santos e Silva

por desvela, em 04.08.11

Portugal, 1917... não é novidade que, ao longo dos séculos, muitos foram aqueles que tentaram publicar, para transmitir à população, um conhecimento que parecia ser destinado à ocultação.
Calisto encontrou uma preciosidade de J. E. dos Santos e Silva, então engenheiro da Direcção Geral das Colónias, que procurava compilar conhecimento que se afastava "dos modernos historiadores portugueses" que faziam surgir "quase espontaneamente" a nossa História com D. Afonso Henriques (cito o autor).

Para além de no excelente material compilado por Calisto ficar evidenciada uma outra estória sobre as Colunas e Torres de Hérculesparece ainda clara uma ligação Egiptânia e não só... temos uma confirmação para a existência de um Canal do Suez na Antiguidade.

Não podemos deixar de notar que Estrabo dá a entender que os Pilares/Colunas seriam no seu tempo as torres que estavam em Cadiz:
... while the Iberians and Libyans place them at Gades, alleging that 
there is nothing at all resembling pillars close by the strait.

pelo que talvez haja uma confusão no texto com essas torres, que já teriam desaparecido por altura das invasões napoleónicas, fazia mais de um século quando Santos e Silva escreveu o livro (em vez de livro apetece aqui dizer balanço de balança, se libro vier de libra).


------------------- email de Calisto Barbuda  -------------------

Quando há pouco tempo andava à procura de informações sobre os Coni/Cynetes/Cunetes, deparei-me com este livro:
Episódios e Tradições relativos à História Antiga da LusitaniaJ. E. dos Santos e Silva (Lisboa, 1917) 
foi aqui que encontrei umas informações sobre Hércules que achei curiosas, pondo de parte algumas coisas que não percebi como por exemplo ter o nome de Rhamsés II, e a data 1600, quando Sesóstris I reinou 1908-1875 a.c.

Segundo o autor, sobre a vida de Sesóstris I (Rhamsés II), diz que os episódios relatados podem ser relativos a vários dos seus Reis 
“(...) mas que a imaginação e vaidade nacional reuniram n’um só. Supõem que é o Sesác dos livros sagrados; que viveu muito antes da guerra de Troya, no tempo dos Juízes de Israel; que é o Setósis de Maneton; o Egypto, irmão de Danáo; Typhon da Mythologia; o Pharaó submergido nas ondas do Mar Vermelho, quando ia em perseguição de Moysés; e por último que era ou foi chamado o Osíris Egypcio.
Heródoto coloca este rei um século antes da guerra de Tróia (1300 a 1100 A.C.), Cantù coloca em 1600, época em que a península Ibérica foi reinada por Geryon, e como o Sesóstris foi chamado de Osiris, parece lógico que o libertador da Península tenha sido ele.

A data de Heródoto, segundo o autor do livro, coincidiria com a invasão dos Pelasgos na Península, mas refere também que antes destas invasões podem ter havido outras, por outro lado entre os historiadores tem havido confusões chamando Pelasgos aos Tyrrhenos, por isto será (para o autor) a data que Cantù menciona; ou um século depois, na opinião de Bossuet (ou seja, 1491-1457 a.c.).

O autor continua dizendo que: 
Não há tambêm unidade de opiniões sôbre se a derrota de Geryon e a sua morte foi simultâneamente com a dos seus três filhos, nem são unânimes os autores em supôr a vinda de Horus distinta da de Osíris. O que é mais seguido e comentado nos livros antigos é a invasão da Península pelo Hércules Egypcio, isto é, por um rei conquistador d’aquela nacionalidade, cujos feitos o fizeram comparar com o deus Hércules, e que ficou conhecido por êste nome. Considerando, portanto, que a existência de Osíris e Horus, a ser verdadeira, teria necessáriamente que remontar-se a uma época muitíssimo anterior à de Geryon, em cujo tempo reinava no Egypto a XVIII dinastia, de que Sesóstris foi um dos últimos reis (1643, antes de Christo), e que a época d’êste rei coincide com a de Geryon, temos que concluir que o Hércules Egypcio, libertador da Ibéria, foi realmente Sesóstris.
Segundo Heródoto, Hércules teve origem no Egipto, de onde Gregos e Fenícios o adoptaram dando esse nome aos seus heróis, assim na Fenícia era Hércules Tyriano ou Melkarth, na Grécia era Hércules Thebano ou Heraklés, na Gália identificaram-no como Ogmios dos Celtas, chamando-lhe Hércules Gaulês, e na Itália também foi introduzido o culto do Hércules Tebano. Toledo e Huesca consagram vitimas a Hércules Endovecélio (ou Endovélico), mas Leite Vasconcelos (Religiões da Luzitânia) diz supor serem falsas as inscrições.
A história dos diferentes Hércules é um conjunto de prodígios, ou antes, é a história de todos aqueles que tiveram o mesmo nome e suportaram os mesmos trabalhos. Tem-se exagerado os sues feitos, reùnindo-os em um só homem e atribuindo-lhe todas as grandes emprêsas de que se ignorava o autor, cobrindo-os assim d’uma notoriedade que os elevava acima da espécie humana (Diodoro Sículo). Comtudo, o que parece averiguado é que um grande conquistador, que supomos ser Sesóstris e não Osíris nem Orus, e a quem se chamou «o Hércules Egypcio», à frente de forte exército d’esta nacionalidade, depois de ter empreendido uma grande peregrinação, ennobrecendo com os seus feitos quasi todo o mundo, veio à Península Ibérica.
O autor continua dizendo que por todas as partes extremas a que ele chegou erigiu colunas simbólicas das suas vitórias com inscrição do seu nome, pátria e a resenha das vitórias obtidas pelo seu exército sobre os povos subjugados, segundo Heródoto só Sesóstris usou a prática de establecer estas colunas, encontrando-se no tempo de Heródoto as de Scythia e da Thrácia, 
“Não será, pois, para estranhar e talvez seja esta a verdade histórica que as famosas colunas de Hércules do estreito de Gibráltar, que separa a Península Ibérica da África e que a fantasia transformou nos montes Calpe e Abyla, sejam as colunas colocadas por Sesóstris em Cádiz quando conquistou a Península e derrotou o rei Geryon.”.
Fala depois da introdução da agricultura na Península por ele, e diz que: 
“Estamos, pois, em presença d’outra grande invasão na Península, constituida pelo povo Egypcio e por todos aqueles que o conquistador arrastou na sua passagem; Ethiopes, Assyrios, Persas, Scythas e Thrácios; os quais, como veremos, prolongaram aqui o seu império por muitos anos, devendo ter deixado forçosamente vestígios da sua passagem na raça peninsular.”
Fala depois dos seus feitos, da abertura do canal do Suez que terminaram no tempo dos primeiros Lagidas (250 a.c.), tendo depois ficado obstruida e tornou-se novamente navegável no tempo de Trajano e Adriano conservando-se até ao séc. VI quando foi novamente obstruido sendo reaberto em 1869.
Para o autor, as lendas de Osiris e Sesóstris são semelhantes, os dois saem do Egipto, conquistam nações bárbaras, estabelecem a ordem social, fomentam a riqueza, etc, sendo “endeusados”, 
“(...) ficando na memória dos povos como um mito de virtudes cuja tradição constitue uma parte das suas crenças religiosas. Estas circunstâncias e o facto de Sesóstris ter sido chamado Osíris confirmam a suposição de ser aquele rei egypcio o Hércules que veio à Península e não o verdadeiro Osíris que, se existiu, foi em tempos muito mais remotos.”
Mais à frente diz: 
Há contudo uma consideração que, se bem não altera fundamentalmente a tradição, modifica-a na forma como os acontecimentos se teriam dado. Geryon, conhecido pelo monstro de três cabeças, por ter três filhos ou três exércitos, podia ter sido derrotado em Tarifa, na primeira invasão dos Egypcios, juntamente com os filhos, ou em três batalhas dadas em vários pontos da Península; e, n’êste caso, fica posta de parte a vinda de Horos para castigar os filhos de Geryon. O que porém, importa verdadeiramente é o facto, que parece fóra de dúvida, de ter-se dado na Península uma grande invasão egypcia acompanhada de Ethiopes, Assyrios, Persas, Scythas e Thrácios, catorze a dezasseis séculos antes de Christo.
Quando o autor fala dos Sírios diz o seguinte: 
“Carteya, diz Strabão, mantinha grande comércio com os Iberos e foi tomada por Amilcar, carthaginês, no ano de 236 da fundação de Roma. Era a povoação mais importante junto ao Estreito de Gibráltar (fretum Herculeum ou Gaditano), que para os antigos estava situado entre o cabo de Espartel (Ampelusa), junto ao monte Almina (Abyla), termo de Ceuta e o promontorium Junonis, antigo monte Calpe ao noroeste da ponta d’Europa, na montanha de Gibráltar. Êstes montes, Abyla e Calpe, eram as colunas de Hércules da Mythologia; as verdadeiras e reais deviam porêm, ser as de Sesóstris, edificadas em Cádiz.”
Sobre as colunas de Hércules o autor diz o seguinte: 
As colunas de Hércules passavam por ser antigamente, as portas do mundo. Êste monumento substiu até 1145. Constava de uma estrutura de pilares de pedra sobrepostos, formando uma espécie de torre levantada na praia ou já no mar. Cada pilar tinha quinze côvados de circunferência e dez de altura. O conjunto, que media de 60 a 100 côvados de alto, estava ligado sólidamente por barras de ferro chumbadas. Sôbre esta tôrre, em que todavia não existiam portas nem câmaras interiores, levantava-se uma estátua de bronze doirado, de Melkarth, o Hércules phenício, da altura de 6 côvados, representando o deus sob a figura de um homem barbado, com cinto e manto que lhe descia até ao joelho. Com a mão esquerda apanhava as dobras do manto contra o peito, e no braço direito estendido, a mão segurava uma chave ao mesmo tempo que o indicador apontava para o Estreito. O facto, porêm, de existir sôbre as colunas a estátua de Melkarth, não significa que elas fôssem construidas pelos Phenícios, mas unicamente a sua consagração àquele deus, efectuada posteriormente por aqueles povos invasores.

            Os Cruzados e os piratas normandos chamavam ao Estreito, Karlsar, ' as águas do homem'; e Isidoro de Beja, no tempo do domínio árabe, atribuia uma significação profética à atitude da dextra de Melkarth: a chave que empunha era o símbolo de que era essa a porta do país; e o dedo, apontando para o Estreito, queria dizer o caminho por onde vieram os exércitos de Muza.

            As colunas de Hércules foram destruídas em 1145 pelo almirante árabe Ali-ibn-Isa-ibn-Maimun, que se sublevára em Cádiz. Corria a tradição que a estátua era de oiro puro e por isso o Árabe a abateu: era doirada, mas ainda assim a douradura produzio 12.000 dinàrs. (Dozy, Histoire et Littérature d’Espagne).”
Só uma última referência em que é dito que 


“(...) outros dão a entender que Espanha quer dizer, terra desconhecida e afastada. Em língua euskara (vascongada) Espanha significa extremidade, isto é, extremo do mundo conhecido, convicção antiga que deu origem ao  non plus ultra que dizem estava escrito nas colunas d’Hércules, e que se vê reproduzido nas moedas peninsulares.”
No fim de ler isto lembrei-me da questão levantada pela Maria da Fonte sobre o haplogrupo de Tutankhamun ser da Península Ibérica...

Estátuas do templo de Melkarth em Cadiz...
cuja pose parece ser tipicamente egípcia. 

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publicado às 06:31


dos Santos e Silva

por desvela, em 03.08.11

Portugal, 1917... não é novidade que, ao longo dos séculos, muitos foram aqueles que tentaram publicar, para transmitir à população, um conhecimento que parecia ser destinado à ocultação.
Calisto encontrou uma preciosidade de J. E. dos Santos e Silva, então engenheiro da Direcção Geral das Colónias, que procurava compilar conhecimento que se afastava "dos modernos historiadores portugueses" que faziam surgir "quase espontaneamente" a nossa História com D. Afonso Henriques (cito o autor).

Para além de no excelente material compilado por Calisto ficar evidenciada uma outra estória sobre as Colunas e Torres de Hérculesparece ainda clara uma ligação Egiptânia e não só... temos uma confirmação para a existência de um Canal do Suez na Antiguidade.

Não podemos deixar de notar que Estrabo dá a entender que os Pilares/Colunas seriam no seu tempo as torres que estavam em Cadiz:
... while the Iberians and Libyans place them at Gades, alleging that 
there is nothing at all resembling pillars close by the strait.

pelo que talvez haja uma confusão no texto com essas torres, que já teriam desaparecido por altura das invasões napoleónicas, fazia mais de um século quando Santos e Silva escreveu o livro (em vez de livro apetece aqui dizer balanço de balança, se libro vier de libra).


------------------- email de Calisto Barbuda  -------------------

Quando há pouco tempo andava à procura de informações sobre os Coni/Cynetes/Cunetes, deparei-me com este livro:
Episódios e Tradições relativos à História Antiga da LusitaniaJ. E. dos Santos e Silva (Lisboa, 1917) 
foi aqui que encontrei umas informações sobre Hércules que achei curiosas, pondo de parte algumas coisas que não percebi como por exemplo ter o nome de Rhamsés II, e a data 1600, quando Sesóstris I reinou 1908-1875 a.c.

Segundo o autor, sobre a vida de Sesóstris I (Rhamsés II), diz que os episódios relatados podem ser relativos a vários dos seus Reis 
“(...) mas que a imaginação e vaidade nacional reuniram n’um só. Supõem que é o Sesác dos livros sagrados; que viveu muito antes da guerra de Troya, no tempo dos Juízes de Israel; que é o Setósis de Maneton; o Egypto, irmão de Danáo; Typhon da Mythologia; o Pharaó submergido nas ondas do Mar Vermelho, quando ia em perseguição de Moysés; e por último que era ou foi chamado o Osíris Egypcio.
Heródoto coloca este rei um século antes da guerra de Tróia (1300 a 1100 A.C.), Cantù coloca em 1600, época em que a península Ibérica foi reinada por Geryon, e como o Sesóstris foi chamado de Osiris, parece lógico que o libertador da Península tenha sido ele.

A data de Heródoto, segundo o autor do livro, coincidiria com a invasão dos Pelasgos na Península, mas refere também que antes destas invasões podem ter havido outras, por outro lado entre os historiadores tem havido confusões chamando Pelasgos aos Tyrrhenos, por isto será (para o autor) a data que Cantù menciona; ou um século depois, na opinião de Bossuet (ou seja, 1491-1457 a.c.).

O autor continua dizendo que: 
Não há tambêm unidade de opiniões sôbre se a derrota de Geryon e a sua morte foi simultâneamente com a dos seus três filhos, nem são unânimes os autores em supôr a vinda de Horus distinta da de Osíris. O que é mais seguido e comentado nos livros antigos é a invasão da Península pelo Hércules Egypcio, isto é, por um rei conquistador d’aquela nacionalidade, cujos feitos o fizeram comparar com o deus Hércules, e que ficou conhecido por êste nome. Considerando, portanto, que a existência de Osíris e Horus, a ser verdadeira, teria necessáriamente que remontar-se a uma época muitíssimo anterior à de Geryon, em cujo tempo reinava no Egypto a XVIII dinastia, de que Sesóstris foi um dos últimos reis (1643, antes de Christo), e que a época d’êste rei coincide com a de Geryon, temos que concluir que o Hércules Egypcio, libertador da Ibéria, foi realmente Sesóstris.
Segundo Heródoto, Hércules teve origem no Egipto, de onde Gregos e Fenícios o adoptaram dando esse nome aos seus heróis, assim na Fenícia era Hércules Tyriano ou Melkarth, na Grécia era Hércules Thebano ou Heraklés, na Gália identificaram-no como Ogmios dos Celtas, chamando-lhe Hércules Gaulês, e na Itália também foi introduzido o culto do Hércules Tebano. Toledo e Huesca consagram vitimas a Hércules Endovecélio (ou Endovélico), mas Leite Vasconcelos (Religiões da Luzitânia) diz supor serem falsas as inscrições.
A história dos diferentes Hércules é um conjunto de prodígios, ou antes, é a história de todos aqueles que tiveram o mesmo nome e suportaram os mesmos trabalhos. Tem-se exagerado os sues feitos, reùnindo-os em um só homem e atribuindo-lhe todas as grandes emprêsas de que se ignorava o autor, cobrindo-os assim d’uma notoriedade que os elevava acima da espécie humana (Diodoro Sículo). Comtudo, o que parece averiguado é que um grande conquistador, que supomos ser Sesóstris e não Osíris nem Orus, e a quem se chamou «o Hércules Egypcio», à frente de forte exército d’esta nacionalidade, depois de ter empreendido uma grande peregrinação, ennobrecendo com os seus feitos quasi todo o mundo, veio à Península Ibérica.
O autor continua dizendo que por todas as partes extremas a que ele chegou erigiu colunas simbólicas das suas vitórias com inscrição do seu nome, pátria e a resenha das vitórias obtidas pelo seu exército sobre os povos subjugados, segundo Heródoto só Sesóstris usou a prática de establecer estas colunas, encontrando-se no tempo de Heródoto as de Scythia e da Thrácia, 
“Não será, pois, para estranhar e talvez seja esta a verdade histórica que as famosas colunas de Hércules do estreito de Gibráltar, que separa a Península Ibérica da África e que a fantasia transformou nos montes Calpe e Abyla, sejam as colunas colocadas por Sesóstris em Cádiz quando conquistou a Península e derrotou o rei Geryon.”.
Fala depois da introdução da agricultura na Península por ele, e diz que: 
“Estamos, pois, em presença d’outra grande invasão na Península, constituida pelo povo Egypcio e por todos aqueles que o conquistador arrastou na sua passagem; Ethiopes, Assyrios, Persas, Scythas e Thrácios; os quais, como veremos, prolongaram aqui o seu império por muitos anos, devendo ter deixado forçosamente vestígios da sua passagem na raça peninsular.”
Fala depois dos seus feitos, da abertura do canal do Suez que terminaram no tempo dos primeiros Lagidas (250 a.c.), tendo depois ficado obstruida e tornou-se novamente navegável no tempo de Trajano e Adriano conservando-se até ao séc. VI quando foi novamente obstruido sendo reaberto em 1869.
Para o autor, as lendas de Osiris e Sesóstris são semelhantes, os dois saem do Egipto, conquistam nações bárbaras, estabelecem a ordem social, fomentam a riqueza, etc, sendo “endeusados”, 
“(...) ficando na memória dos povos como um mito de virtudes cuja tradição constitue uma parte das suas crenças religiosas. Estas circunstâncias e o facto de Sesóstris ter sido chamado Osíris confirmam a suposição de ser aquele rei egypcio o Hércules que veio à Península e não o verdadeiro Osíris que, se existiu, foi em tempos muito mais remotos.”
Mais à frente diz: 
Há contudo uma consideração que, se bem não altera fundamentalmente a tradição, modifica-a na forma como os acontecimentos se teriam dado. Geryon, conhecido pelo monstro de três cabeças, por ter três filhos ou três exércitos, podia ter sido derrotado em Tarifa, na primeira invasão dos Egypcios, juntamente com os filhos, ou em três batalhas dadas em vários pontos da Península; e, n’êste caso, fica posta de parte a vinda de Horos para castigar os filhos de Geryon. O que porém, importa verdadeiramente é o facto, que parece fóra de dúvida, de ter-se dado na Península uma grande invasão egypcia acompanhada de Ethiopes, Assyrios, Persas, Scythas e Thrácios, catorze a dezasseis séculos antes de Christo.
Quando o autor fala dos Sírios diz o seguinte: 
“Carteya, diz Strabão, mantinha grande comércio com os Iberos e foi tomada por Amilcar, carthaginês, no ano de 236 da fundação de Roma. Era a povoação mais importante junto ao Estreito de Gibráltar (fretum Herculeum ou Gaditano), que para os antigos estava situado entre o cabo de Espartel (Ampelusa), junto ao monte Almina (Abyla), termo de Ceuta e o promontorium Junonis, antigo monte Calpe ao noroeste da ponta d’Europa, na montanha de Gibráltar. Êstes montes, Abyla e Calpe, eram as colunas de Hércules da Mythologia; as verdadeiras e reais deviam porêm, ser as de Sesóstris, edificadas em Cádiz.”
Sobre as colunas de Hércules o autor diz o seguinte: 
As colunas de Hércules passavam por ser antigamente, as portas do mundo. Êste monumento substiu até 1145. Constava de uma estrutura de pilares de pedra sobrepostos, formando uma espécie de torre levantada na praia ou já no mar. Cada pilar tinha quinze côvados de circunferência e dez de altura. O conjunto, que media de 60 a 100 côvados de alto, estava ligado sólidamente por barras de ferro chumbadas. Sôbre esta tôrre, em que todavia não existiam portas nem câmaras interiores, levantava-se uma estátua de bronze doirado, de Melkarth, o Hércules phenício, da altura de 6 côvados, representando o deus sob a figura de um homem barbado, com cinto e manto que lhe descia até ao joelho. Com a mão esquerda apanhava as dobras do manto contra o peito, e no braço direito estendido, a mão segurava uma chave ao mesmo tempo que o indicador apontava para o Estreito. O facto, porêm, de existir sôbre as colunas a estátua de Melkarth, não significa que elas fôssem construidas pelos Phenícios, mas unicamente a sua consagração àquele deus, efectuada posteriormente por aqueles povos invasores.

            Os Cruzados e os piratas normandos chamavam ao Estreito, Karlsar, ' as águas do homem'; e Isidoro de Beja, no tempo do domínio árabe, atribuia uma significação profética à atitude da dextra de Melkarth: a chave que empunha era o símbolo de que era essa a porta do país; e o dedo, apontando para o Estreito, queria dizer o caminho por onde vieram os exércitos de Muza.

            As colunas de Hércules foram destruídas em 1145 pelo almirante árabe Ali-ibn-Isa-ibn-Maimun, que se sublevára em Cádiz. Corria a tradição que a estátua era de oiro puro e por isso o Árabe a abateu: era doirada, mas ainda assim a douradura produzio 12.000 dinàrs. (Dozy, Histoire et Littérature d’Espagne).”
Só uma última referência em que é dito que 


“(...) outros dão a entender que Espanha quer dizer, terra desconhecida e afastada. Em língua euskara (vascongada) Espanha significa extremidade, isto é, extremo do mundo conhecido, convicção antiga que deu origem ao  non plus ultra que dizem estava escrito nas colunas d’Hércules, e que se vê reproduzido nas moedas peninsulares.”
No fim de ler isto lembrei-me da questão levantada pela Maria da Fonte sobre o haplogrupo de Tutankhamun ser da Península Ibérica...

Estátuas do templo de Melkarth em Cadiz...
cuja pose parece ser tipicamente egípcia. 

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publicado às 22:31


Reflexão

por desvela, em 02.08.11
Há algumas palavras que temos e cujo significado primevo perdemos, por falta de um bom ensino de Português. O ensino da língua é lamentável, pois não nos faz estabelecer as múltiplas relações e conexões que têm as palavras que usamos e que estruturam o nosso raciocínio.

A língua funciona como uma formatação do pensamento. É até difícil perceber como seríamos pensantes sem uma linguagem... pelo menos não conseguiríamos exprimir esse pensamento.
As pessoas pensam numa determinada linguagem, são condicionadas pelas noções que foram aprendendo, de forma ocasional, mais pela sua experiência induzida pelo ambiente e sociedade circundante... não há propriamente uma aprendizagem estruturada da língua.

A aprendizagem estruturada prende-se com regras de sintaxe, primeiro com a gramática, que adquirimos e esquecemos. 
Porém ninguém nos tenta dar a mínima explicação para algumas curiosidades da nossa língua. 
Por exemplo, por que razão o SER e o IR têm a mesma conjugação no passado (pretérito perfeito)?
- a diferença que fazemos necessita do artigo... "ele foi à praia" por diferença a "ele foi a praia". 
Esta semelhança não tem origem no latim, é algo ibérico - ter "sido" ou ter "ido" é semelhante!
- Quem não foi, não foi!... para se ser não basta ficar, é preciso ir. 

Ninguém nos informa que o português transformou o L em R neste caso... os espanhóis usam L em "playa" (tal como os franceses em "plage"), mas os portugueses acharam mais "másculo" o som R (segundo diz Duarte Nunes do Lião) e passaram alguns L para R e do "playa" passamos a "praia". Nalguns casos manteve-se, noutros casos perdeu-se... o Castro viria de Castlo (os ingleses usam Castle), mas também mantivemos Castelo. Duarte Nunes de Lião usa outros exemplos:
- Obligar em espanhol (obliger - francês, inglês) desviou-se em Obrigar.
- Blando em espanhol passou a Brando... etc.
Digamos que o português ficava brando, mas não demasiado blando... mesmo assim há alguns exemplos que ele dava e que regrediram: "simpres" e "craro", retornaram a "simples" e "claro"... o que mostram que ficámos mesmo mais "blandos". Lião nota ainda a peculiaridade nortenha da mistura B e V, e dos CHs da região de Viseu. Percebemos que se a Távola seria Tábula ou Tábua (os ingleses dizem Round Table), com a passagem de L a R, também foi Távora.

Mas sejamos claros... há bastante uso nas palavras que, mesmo sendo óbvio, raramente é sentido ou mencionado, e cuja origem está no latim.
Claro está ligado a Aclarar, a Declarar... uma Declaração é algo que deve tornar claro.  
Clamar está ligado a Aclamar, a Reclamar, a Proclamar, a Declamar... o "falar alto" é usado na aclamação, na reclamação, na proclamação, na declamação!

Custará muito ensinar alguns destes casos aos nossos petizes, para que sintam curiosidade pela língua que falam? Será um caso de selar?... sendo que celare em latim significa esconder! 

Há muitas outras particularidades, mais ou menos conhecidas, como a distinção que fazemos entre o Ser e o Estar, sendo característica ibérica e um pouco italiana, em que o "estar" não liga exactamente ao "stare" do latim (que significaria mais ficar imóvel, de onde vem o "status").

O assunto deste post não é exactamente este...
A estrutura da nossa língua remete para noções às vezes demasiado profundas para serem acidentes linguísticos. 
Um exemplo é a palavra "Reflexão"!
A reflexão remete para a imagem no outro lado do espelho.
O que fazemos então quando "reflectimos"? ... apenas nos vemos a nós, no outro lado?
Ou será um pouco mais do que isso?

Seguimos na linha do que escrevemos no texto Sapiens Sapiens... O indivíduo que interpreta, com consciência de si, terá capacidade de se colocar na posição do que observa?
A sua capacidade de abstracção coloca-lhe a possibilidade de se ver na posição do outro.
A reflexão muito mais do que um acto de introspecção, remete para a consciência do "outro", que no espelho da nossa alma deveríamos ver como semelhante. Podemos é claro, ignorar a sua existência enquanto "igual", mas aí reduzimos o nosso universo de igualdade, a um "grupo eleito", ou no limite ao caso "singular" de isolamento.
Até aqui tudo isto é simples... e não parece haver distinção entre as possibilidades.
Um grupo ou o indivíduo pode cultivar o elitismo, mas não pode ignorar a ideia dos "outros"... e é essa ideia que vai ficar presa no espírito. Poderá tentar ignorar a reflexão, mas essa possibilidade de "trocar de lugar" é inevitável no raciocínio do Animal Sapiens. Por isso, quando atinge um semelhante é inevitável colocar-se no lugar do outro lado do espelho. Pode tentar ignorá-lo, mas o seu cérebro coloca-lhe sempre essa hipótese, por muito que tente reprimi-lo... porque tem consciência - não apenas de si, mas do outro!
Assim, também sentimos as expressões dos animais como nossas, tanto mais quanto esses animais se assemelham a nós próprios. A reflexão é tanto mais evidente e inevitável com os que consideramos como semelhantes. A expressão do olhar de um animal consegue-nos tocar, porque somos levados a uma rápida reflexão e colocamo-nos mais facilmente no seu lugar.
Um Animal Sapiens só conseguirá estar em paz consigo próprio, quando conseguir reflectir, vendo os outros, e não se vendo apenas a si próprio.

Depois desta pequena divagação filosófica, fica-me a questão... é esta palavra "Reflexão" uma simples coincidência linguística, ou procurará transmitir um conhecimento perdido nos tempos?

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publicado às 20:08


Reflexão

por desvela, em 02.08.11
Há algumas palavras que temos e cujo significado primevo perdemos, por falta de um bom ensino de Português. O ensino da língua é lamentável, pois não nos faz estabelecer as múltiplas relações e conexões que têm as palavras que usamos e que estruturam o nosso raciocínio.

A língua funciona como uma formatação do pensamento. É até difícil perceber como seríamos pensantes sem uma linguagem... pelo menos não conseguiríamos exprimir esse pensamento.
As pessoas pensam numa determinada linguagem, são condicionadas pelas noções que foram aprendendo, de forma ocasional, mais pela sua experiência induzida pelo ambiente e sociedade circundante... não há propriamente uma aprendizagem estruturada da língua.

A aprendizagem estruturada prende-se com regras de sintaxe, primeiro com a gramática, que adquirimos e esquecemos. 
Porém ninguém nos tenta dar a mínima explicação para algumas curiosidades da nossa língua. 
Por exemplo, por que razão o SER e o IR têm a mesma conjugação no passado (pretérito perfeito)?
- a diferença que fazemos necessita do artigo... "ele foi à praia" por diferença a "ele foi a praia". 
Esta semelhança não tem origem no latim, é algo ibérico - ter "sido" ou ter "ido" é semelhante!
- Quem não foi, não foi!... para se ser não basta ficar, é preciso ir. 

Ninguém nos informa que o português transformou o L em R neste caso... os espanhóis usam L em "playa" (tal como os franceses em "plage"), mas os portugueses acharam mais "másculo" o som R (segundo diz Duarte Nunes do Lião) e passaram alguns L para R e do "playa" passamos a "praia". Nalguns casos manteve-se, noutros casos perdeu-se... o Castro viria de Castlo (os ingleses usam Castle), mas também mantivemos Castelo. Duarte Nunes de Lião usa outros exemplos:
- Obligar em espanhol (obliger - francês, inglês) desviou-se em Obrigar.
- Blando em espanhol passou a Brando... etc.
Digamos que o português ficava brando, mas não demasiado blando... mesmo assim há alguns exemplos que ele dava e que regrediram: "simpres" e "craro", retornaram a "simples" e "claro"... o que mostram que ficámos mesmo mais "blandos". Lião nota ainda a peculiaridade nortenha da mistura B e V, e dos CHs da região de Viseu. Percebemos que se a Távola seria Tábula ou Tábua (os ingleses dizem Round Table), com a passagem de L a R, também foi Távora.

Mas sejamos claros... há bastante uso nas palavras que, mesmo sendo óbvio, raramente é sentido ou mencionado, e cuja origem está no latim.
Claro está ligado a Aclarar, a Declarar... uma Declaração é algo que deve tornar claro.  
Clamar está ligado a Aclamar, a Reclamar, a Proclamar, a Declamar... o "falar alto" é usado na aclamação, na reclamação, na proclamação, na declamação!

Custará muito ensinar alguns destes casos aos nossos petizes, para que sintam curiosidade pela língua que falam? Será um caso de selar?... sendo que celare em latim significa esconder! 

Há muitas outras particularidades, mais ou menos conhecidas, como a distinção que fazemos entre o Ser e o Estar, sendo característica ibérica e um pouco italiana, em que o "estar" não liga exactamente ao "stare" do latim (que significaria mais ficar imóvel, de onde vem o "status").

O assunto deste post não é exactamente este...
A estrutura da nossa língua remete para noções às vezes demasiado profundas para serem acidentes linguísticos. 
Um exemplo é a palavra "Reflexão"!
A reflexão remete para a imagem no outro lado do espelho.
O que fazemos então quando "reflectimos"? ... apenas nos vemos a nós, no outro lado?
Ou será um pouco mais do que isso?

Seguimos na linha do que escrevemos no texto Sapiens Sapiens... O indivíduo que interpreta, com consciência de si, terá capacidade de se colocar na posição do que observa?
A sua capacidade de abstracção coloca-lhe a possibilidade de se ver na posição do outro.
A reflexão muito mais do que um acto de introspecção, remete para a consciência do "outro", que no espelho da nossa alma deveríamos ver como semelhante. Podemos é claro, ignorar a sua existência enquanto "igual", mas aí reduzimos o nosso universo de igualdade, a um "grupo eleito", ou no limite ao caso "singular" de isolamento.
Até aqui tudo isto é simples... e não parece haver distinção entre as possibilidades.
Um grupo ou o indivíduo pode cultivar o elitismo, mas não pode ignorar a ideia dos "outros"... e é essa ideia que vai ficar presa no espírito. Poderá tentar ignorar a reflexão, mas essa possibilidade de "trocar de lugar" é inevitável no raciocínio do Animal Sapiens. Por isso, quando atinge um semelhante é inevitável colocar-se no lugar do outro lado do espelho. Pode tentar ignorá-lo, mas o seu cérebro coloca-lhe sempre essa hipótese, por muito que tente reprimi-lo... porque tem consciência - não apenas de si, mas do outro!
Assim, também sentimos as expressões dos animais como nossas, tanto mais quanto esses animais se assemelham a nós próprios. A reflexão é tanto mais evidente e inevitável com os que consideramos como semelhantes. A expressão do olhar de um animal consegue-nos tocar, porque somos levados a uma rápida reflexão e colocamo-nos mais facilmente no seu lugar.
Um Animal Sapiens só conseguirá estar em paz consigo próprio, quando conseguir reflectir, vendo os outros, e não se vendo apenas a si próprio.

Depois desta pequena divagação filosófica, fica-me a questão... é esta palavra "Reflexão" uma simples coincidência linguística, ou procurará transmitir um conhecimento perdido nos tempos?

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