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Ré vista (4)

por desvela, em 17.10.14
Como esperado, esta visita à ré, corria o risco de se atrasar irremediavelmente.
Quando há novidades à frente, frequentemente esquecemos a consolidação da retaguarda. Até porque a vista já é diferente, e certos assuntos, então tidos como importantes, passei entretanto a vê-los como menos interessantes.

(011) O tema da espiga e do alecrim, colocado em Maio, continuava na questão sombria da história do período dos descobrimentos, e da questão dinástica causada pela forte perturbação dos duques de Bragança, especialmente contra a casa de Coimbra-Aveiro, de Alfarrobeira até ao terramoto do Massacre dos Távoras. A bastardia da dinastia de Bragança, do neto do Barbadão, terá custado muitas vidas e sofrimento durante esses 300 anos. Já fiz uma síntese da questão bastarda nas dinastias portuguesas
Entre os comentários, da sempre enigmática Maria da Fonte temos:
Leite de Vasconcelos, diz que as Giestas Amarelas se chamam Mayas. Curioso, mas curioso mesmo, é que Giesta e Sarça, são ambas da mesma Classe: Magnoliopsida, e da mesma Família: Fabaceae.Sarça ou Giesta? - Qual arderia sem se consumir, na Mata Atlântica?
... e por isso encontrámos uma informação interessante sobre as Janeiras e Maias, cantigas que tinham sido proibidas em 1402:
Esta festa [das Maias], de reminiscências pagãs, foi proibida várias vezes, como aconteceu em Lisboa no ano de 1402, por Carta Régia de 14 de Agosto, onde se determinava aos Juízes e à Câmara "que impusessem as maiores penalidades a quem cantasse Mayas ou Janeiras e outras coisas contra a ley de Deus..."
Aproveito para acrescentar agora o decreto anterior de 1386 (ver comentários abaixo):
Outrosim estabelecem que daqui em diante nesta cidade e em seu termo não se cantem janeiras nem maias , nem a outro nenhum mez do anno , nem se lance cal ás portas sob titulo de janeiro, nem se furtem aguas , nem se lancem sortes. . . [in Panorama, Maio 1840
Hoje não é preciso proibir, basta colocar as coisas "fora de moda".  Se ainda envergonhadamente hoje se cantam as Janeiras, das Maias já nem lhe conhecia a existência.


(012) Em bom tempo o Calisto sugeriu a leitura de Damião Castro e isso levou a meu conhecimento a "Mitologia dos Antigos Reis Lusitanos".  Em particular, dos nomes "República de Setúbal" e das "Torres Altas de Tróia"... algo que calhava muito bem com esta imagem lacónica da premonitória implosão do nosso desgoverno:
Implosão de Torres da Torralta em Tróia ... 
(duas torres implodidas, em Setembro, dia 8, em 2005)

__________
É esta a citação de Damião de Castro sobre as "altas Torres de Tróia":
Mas já chama pelas nossas atenções o estrondo da Armada de Ulysses rompendo as correntes do Tejo, e devassando as suas margens no anuo 77 do governo do velho Gorgoris, pai do celebrado Abidis. Poetas famosos, homens de grandes talentos, e até as Aventuras de Telémaco , obra de um espírito sublime, nos instruem, como reduzidas a cinza as altas Torres de Troia. os autores de tanta ruína se botaram a viajar pelo mundo. Ulysses, Rei de Ítaca, reputado perdido, e buscado em muitas partes por seu filho, o dito Telémaco, bem conduzido na pena do ilustre Fenélon; a ele no lo representam embocando o Tejo em uma grossa Armada, que seria formada dos navios de papel em que fala o Profeta lsaías, e saltando em terra com os seus camaradas aventureiros, gostarem tanto dela, que esquecidos da Grécia, determinaram fundar uma povoação, que foi dita Ulysséa, ou Ulyssipo, hoje a famosa Lisboa. Afirma-se, que a eloquência de Ulysses não só moveu a Gorgoris para consentir a fundação; mas a dar-lhe por mulher a sua filha Calypso, que elle tratou como tal em quanto se demorou na Lusitânia. [História Geral de Portugal e suas Conquistas, Damião de Castro, 1786, Pref. pag. XXXI ] 
... aconselhando a leitura deste prefácio notável, que continua, na página seguinte, dizendo que "o amor à verdade está primeiro que a amizade de Platão", a propósito da Odisseia poder reportar viagens a ilhas atlânticas, às ilhas de Aea e Ogygia, referidas por Heródoto. Sendo claro que a propósito do discípulo de Sócrates (o da antiga narrativa) se referia a uma Atlântida. 

(013) O texto Por Tubal surge assim numa sequência natural, e a este propósito já voltámos a abordar o assunto dos míticos reis ibéricos, de Tubal e Ibero, a Gorgoris e Abidis. 
Não tanto através de Damião de Castro, mas mais directamente remetendo a Fr. Bernardo de Brito, através da sua Monarquia Lusitana.  É aqui no campo dos comentários, ainda em 2010, que surgem as primeiras referências à ligação directa do ADN britânico ao hispânico (J. Manuel), e ainda as referências da M. Fonte aos Boii e Konii, ou seja Boios e Cónios... e ainda a Krisaor (Crisaor), o homem da falcata de ouro, que seria pai do mítico Gerião, tirano ibérico, depois derrotado por Hércules.

(014) A Academia dos Humildes e Ignorantes é basicamente uma outra referência para a mesma história mítica dos reis ibéricos, ainda que contenha outro material significativo.

(015) Na mesma linha, o texto Ulyssippo, de António Sousa Macedo, em 1640, remete para o campo mítico, num poema publicado ainda a 31 de Dezembro de 1640, um mês depois da Restauração, num fulgor nacionalista que remetia às míticas origens lisboetas.

(016) Em dia de Camões, Lusíadas Canto IX (91)  é uma curta citação às estrofes que remetem a origem humana dos nomes dos deuses do panteão clássico 

(017) Em dia do santo, Mapa com St. António referia a particularidade de haver mapas sob o signo do colo o menino Jesus, aqui ao colo de St. António, noutros casos ao colo da Virgem Maria. Pareceu-me à época interessante esta dualidade franciscana e mariana.
Houve por esta altura uma certa ideia de publicar a par com as datas comemoradas - formato que viria a abandonar por completo.

(018) Ainda nessa perspectiva de "blog com alguma actualidade" um texto sobre Saramago era algo inevitável, e fazia ainda sentido pela "viagem de Salomão" - uma iniciativa entre o irreal da sua ficção, uma certa referência ao mito hebraico e a uma viagem pelo interior profundo de Portugal.

(019) O caminho desse Salomão de Saramago passou em Centocellas. 
Por Brito e Bluteau seguiram-se então duas referências àquele que é talvez o mais enigmático monumento antigo que restou de pé, em Portugal. O texto destinava-se mais a dar algum crédito à informação histórica da Monarchia Lusitana de Bernardo de Brito, assunto que foi completamente anulado pela intervenção histórica de Alexandre Herculano.

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18-10-2014

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publicado às 03:31


Ré vista (3)

por desvela, em 19.06.14
(009) Os mapas Theatrum Mundi conferiram à época mais uma confirmação da ocultação propositada e consciente. Neste caso, o que era perfeitamente claro dos mapas era o conhecimento do Estreito de Bering, muito antes de Bering sequer ter nascido. Já era evidente dos mapas de João de Lisboa, mas quer o mapa de Lavanha-Teixeira, quer o mapa de Ortelius deixavam claro o nome desse estreito:
Estreito de Anian

Como novidade ao assunto, citamos o notável ensaio de Sebastião Francisco de Mendo Trigozo:
Sobre os Descobrimentos, e Comércio dos Portugueses 
em as Terras Setentrionais da América
Memórias da Literatura Portugueza - Academia Real das Sciencias (1814) Tomo VIII pág. 305

Trigozo, ao contrário de outros vai tentar sustentar cautelosamente uma posição menos oficial. Numa tentativa de salvar o corpo e a alma, não quer deixar de referir o seguinte (pág. 325):
Se déssemos crédito a alguns Authores, seriam os Portuguezes os que achassem esta nova Pedra Filosofal, do caminho às Índias pelo Norte da América(1), em que tanto trabalharam até nossos dias as Nações Marítimas da Europa (...)
... assim, para salvar o corpo não dá o crédito, mas para salvaguardar a alma deixa a nota de rodapé:
(1) Referiremos (ainda que sem lhe dar credito) o que dizem dois modernos Escritores a respeito deste nosso pretendido descobrimento. He o primeiro o Duque de Almodovar em a Historia Politica de los Establecimentos Ultramarinos de las Naciones Europeas Tom. IV. pag. 584, onde conta que Lourenço Ferrer Maldonado, Hespanhol de origem, se embarcara em 1588 no Porto de Lisboa, em hum navio de que era Piloto João Martins, natural do Algarve; e dirigindo o seu rumo pelo Nordeste á Terra do Lavrador, passando o Estreito de Davis, desembocou pelos 75 gráos de Latitude em o Mar glacial: depois navegando ao Oeste quarta de Sudueste, se achou em o Estreito de Anian, que dista de Hespanha 1750 legoas, segundo a sua derrota, e desembocou no Mar do Sul pelos 60º. Na ida atravessou o Estreito em Fevereiro, e saiho da sua boca em Março, pelo que padeceo muitíssimo frio, e escuridade: vio grande quantidade de gelo em as margens, porém nunca achou o mar gelado. Na sua volta, que foi em Junho e Julho, teve sempre muito bom tempo, e desde que cortou o Circulo Artico em os 66° 30' até que o tornou a cortar no meio do Estreito de Lavrador , jamais lhe desappareceo o Sol do Orisonte, e sempre sentio bastante calma. O Author que dá esta noticia, diz que se conserva o Roteiro manuscrito donde ella foi extrahida, escrito mui circunstanciadamente, com as correspondentes relações das correntes, marés, e sondas, com as vistas das Costas da Ásia, e dos rumos, e Costas da America &c.
O segundo lugar he tirado de Debrosses na sua Historia da Navegação às Terras Austraes Tom. I, pag. 73. Tratando da passagem da Índia á Europa pelos mares do Norte: 
« Não he fora de propósito (diz elle) accrescentar .... o contheudo n' huma Carta escrita a hum Ministro d' huma Corte, que tomava informações sobre hum semelhante facto. Os novos descobrimentos (diz a Carta) que eu fiz sobre a passagem á China pelo Norte da Europa , e de que me pedis a relação, vem a ser, de que hum navio chamado o Padre Eterno, commandado pelo Capitão David Melguer, Portuguez, partio do Japão a 14 de Março de 1660; e navegando ao longo da Costa da Tartaria, correo ao Norte até 84º de latitude; donde continuou a viajem entre Spitzeberg, e a velha Groenlândia, e passando pelo Oeste da Escossia e da Irlanda, chegou á Cidade do Porto; aonde hum Marinheiro do Havre de Grace diz ter visto haverá 28 annos este Navio o Padre Eterno, e o Capitão Melguer que morreo neste tempo, e cujo enterro o Marinheiro prezenceou. Já fiz escrever para Portugal a fim de obter, se for possível, o Jornal desta navegação. &c. »
Trigozo refugia-se em Almodovar e Debrosses, autores estrangeiros, e assim não deixa de relatar os pormenores de duas viagens.
- viagem de Ferrer Maldonado e João Martins, em 1588, que fazem a Passagem Noroeste.
- viagem de David Melgueiro, no navio Padre Eterno, que em 1660 faz a Passagem Nordeste.

Estes relatos apenas se acrescentam à evidência dos mapas Theatrum Mundi, que tinham já os contornos dessas Passagens bem evidenciados... muito para além do que depois vieram a apresentar os mapas fantasiosos do século seguinte, e até à viagem de Cook. A preocupação teatral fantasiosa nos Theatrum Mundi era só o hemisfério sul, da parte australiana, então proibida.
A parte das passagens árcticas, noroeste e nordeste, foi só causada pela mudança climática que congelou os mares e anulou a repetição da proeza até ao Séc. XX.

Esta não é a primeira vez que falo de Melgueiro, é claro, mas creio que o nome do navio e a data exacta não tinha sido referenciada. Quanto à viagem de Ferrer Maldonado creio ser a primeira vez que aqui é mencionada (ver por exemplo: uma pequena biografia canadiana ou a menção na wiki-espanhola Paso del Noroeste). A existência de documentação detalhada não redundou em nada, pois o relato do historiador espanhol, o Duque de Almodovar, em 1788, foi só tomado a sério à época, e passadas umas décadas foi decidido serem tudo falsificações... Quando se está sob alçada de uma Quádrupla Aliança as opiniões tendem a ser muito unânimes. Nem é preciso o efeito de prebendas e ameaças, basta cuidar que as vozes sejam isoladas para parecerem malucas face ao consenso. 

Lendo estes textos antigos e as caixas dos comentários, acabo por notar que aqueles primeiros meses foram de facto significativos, pois basicamente andei nos anos seguintes a relatar as mesmas conclusões que já estavam ali presentes, e de alguma forma esquecidas. Um caso bem visível é já estar neste texto a observação de que o golfo da Califórnia era chamado Mar Vermelho.

(010) Bom, mas tudo isto é quase redundante face à prova brutal do Teatro nos Descobrimentos

Não vou negar que depois da afirmação de Pedro Nunes de 1538, clamando a total descoberta, até dos penedos e bancos de areia, ficava a curiosidade de saber como seria um mapa dessa altura, com toda a informação. Não teria resistido nenhum?
Pois bem, por momentos pensei que poderia ser aquele. Aquele que estava exposto no Museu da Marinha, à vista de todos, mas em que a simples menção "Executado pelo pessoal técnico do Museu da Marinha. Maio de 1970" destruía a convicção de ser o original.

Assim, havia só uma frágil convicção, de "poder ser"...
Essa convicção passou a ser muito maior quando os "pinguins" desenhados na Gronelândia faziam sentido, dada a extinção das "grandes alcas". Portanto, não era só toda a consistência do mapa relativa às inscrições, bandeiras, e tudo o resto... até a colocação aparentemente errada dos pinguins estava certa. E estava tão certa que depois foi ocultada no Museu da Marinha, pintando-lhe um iceberg por cima. 
Ainda assim, era claramente insuficiente como prova... apenas aumentava a convicção.
A prova final surgiu da forma mais estranha - autêntica obra do Caos.
Um simples quadradinho num artigo de Steve Strong sobre aborígenes
mapa antigo no artigo de Steve Strong
... e como não me falhou a memória visual, constatei que aquele mapa da Austrália já o tinha visto - era o mapa do Museu da Marinha. Não tinha inscrições, tal como acontecia estranhamente no caso do mapa do museu, estava descolorido, e mal se viam os cangurus. Ora como tinha Steve Strong aquele mapa? Ainda hoje não sei, que não me respondeu... nem sei se chegou a ler a pergunta.
É irrelevante. 
Interessa só que apesar de idênticos ao olhar, um não sai do outro por simples descoloração ou por efeitos automáticos tipo Photoshop. Para algo desse género ficaria assim:
alteração "photoshop" do mapa do museu da Marinha
... ou parecido.
Qual é a grande diferença?
A grande diferença está no facto de uma parte da costa estar mais carregada que outra, e todo o mapa não tem equilíbrios resultantes de algo automático. Se era para dar um efeito antigo, bastava fazer isso. A única outra hipótese seria andar a escurecer manualmente todo o mapa, salientando umas partes e outras não... basicamente a pintá-lo de novo. 
Qual o interesse de fazer isso casualmente, a partir de um mapa recente do Museu da Marinha? Nenhum!
Não. Tem aspecto antigo, porque vem de um mapa antigo.
Há um limite para acreditar em coincidências. 
Depois das suspeitas anteriores, já existentes, passados 3 anos estava ali a prova, irrefutável.
Claro que é irrefutável para mim. 
Outros podem ser iludidos no que quiserem, porque há inúmeras histórias sempre prontas para inventar. A imaginação desta malta já se viu que entra em acção facilmente. Só que o Caos que dá é o Caos que tira... e nesse processo de dar e tirar, só a racionalidade fica. Senão, é só o Caos que impera.

Depois desta prova, o assunto das descobertas fica arrumado até à época de D. Sebastião, circa 1570, que é a datação muito provável do mapa. 
Obrigado a Marcelo Caetano ou ao responsável pelo atrevimento, pela coragem de 1970... pode parecer pouco, mas a guerra do ultramar poderia ser muito mais que uma obstinação por terras. Poderia ser uma luta pela verdade, em nome das gerações seguintes.



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publicado às 04:59


Ré vista (2)

por desvela, em 10.06.14
(005) Durante o período de Janeiro a Abril de 2010 devo ter lido mais obras literárias antigas do que julguei possível. Não estava muito interessado em escrever nessa altura, estava muito mais ocupado a ler o suficiente para colar de novo as peças históricas.
A carta enviada por Angelo Poliziano a D. João II, bem como a resposta, foi muito importante para ter uma ideia independente, de como era entendida a figura do rei português no Renascimento italiano.

Por um lado, a percepção de um rei estrangeiro ao italiano Poliziano, por ele colocado acima de Alexandre Magno, Júlio César, Átila, ou até de Hércules. Por outro lado, pela estória feita história, será ainda uma figura quase desconhecida do protagonismo mundial. A carta tem o lado subjectivo de se propor a um trabalho, ao trabalho que Camões, 80 anos depois, teve que fazer em circunstâncias muito mais difíceis. Camões já pouco podia mencionar em nome de D. João II, o rei que o então já famoso humanista Poliziano queria cantar para a eternidade. Quando Poliziano refere:

                                             Então haveria eu também de absolver de toda a suspeita de falsidade o grande Platão e os annaes seculares do Egipto, que, sem prestarem crédito, fizeram menção d'esse Oceano por ti subjugado com poderosos exércitos.

... parece bastante claro a referir-se à referência de Platão tirada dos anais egípcios sobre a existência da Atlântida, ou melhor da América enquanto fronteira do Oceano Atlântico, a tal "ilha" cujas dimensões se reportavam ao conjunto da África e Ásia. Sobre a subjugação que D. João II terá feito no Oceano Atlàntico é difícil encontrar registos, a menos que nos reportemos à já mencionada presença islâmica na América.

Ambos os correspondentes vão morrer envenenados, e de alguma forma, a resposta de D. João II transmite bem a Poliziano esse perigo funesto.

(006) A questão do Tejo Mahalay, mais conhecido hoje como Taj Mahal aparece no texto seguinte, que começa por abordar a bandeira de quinas em Jerusalem, no Livro de Marinharia.
Foram duas hipóteses lançadas, tendo em conta o domínio completo que Portugal detinha sobre o Índico no Séc. XVI. Não procurei, nem encontrei, mais informação sobre estas possibilidades.
Sobre o Taj Mahal a questão é um mero detalhe da menção "Tejo Mahalay" e da construção de tão imponente monumento num subcontinente indiano sob controlo português, que certamente não se alheavam do Império Mogol sediado na nova Agra.

Mais enigmático é a bandeira portuguesa, a quina com cinco bezantes, estar colocada em Jerusalém em 1514 (ou anos seguintes).
Para nexo suplementar relevam os 3 bezantes de Bolonha (Boulogne), de onde sairiam os irmãos Bulhão, primeiros reis de Jerusalem, e cujo outro irmão Guilherme seria o avô de Afonso Henriques, segundo as investigações de Damião de Goes.
Todos estes irmãos seriam filhos de Eustácio II, Conde de Bolonha, que acompanha em 1066 o ataque bem sucedido do Duque da Normandia, Guilherme I.
Escudos de quinas em Hastings, e a admitida ilustração de Eustácio II,
completando a inscrição apagada de EVSTACIVS que segura uma bandeira 
talvez com uma quina (4 bezantes tem, o bezante central apagado é duvidoso)

O episódio de Hastings em 1066, que forma a base da monarquia inglesa posterior, é interessante.
Primeiro, é um problema de sucessão de Eduardo o Confessor, que gera uma disputa entre 3 candidatos ao trono vacante:
- Guilherme da Normandia,
- Haroldo Godwinson, Conde de Wessex
- Harald Hardrada, Rei da Noruega, aliado de Tostig Godwinson

Segundo a Tapeçaria de Bayeux, que ilustra a pretensão normanda (e é atribuída a Matilde, mulher de Guilherme), o rei Eduardo teria encarregue Haroldo de passar a coroa a Gulherme, seu primo. Numa certa desventura, Haroldo acaba capturado, liberto por resgate pago por Guilherme que o convida a uma investida contra um certo Conan II, então duque da Bretanha, de que sai vencedor.
Lembramos que desde o primeiro Conan, havia uma ligação entre as Bretanhas, e Guilherme terá tratado de afastar a Grã-Bretanha da pretensão bretã. Porém, do lado nórdico ainda aparecia Harald, rei da Noruega a reclamar o trono.
Quando Haroldo regressa e o rei Eduardo morre, é investido como rei pela nobreza Anglo-Saxónica, e a tapeçaria não deixa de colocar o Cometa Halley, que aparece em 1066, como prelúdio dos eventos seguintes.
O já rei Haroldo vê-se confrontado com duas invasões.
De um lado o seu irmão Tostig alia-se ao rei norueguês Harald e desembarcam em Inglaterra, quase ao mesmo tempo que Guilherme desembarca, vindo da Normandia.
Haroldo é vencedor em Stamford Bridge (conhecida no futebol por ser nome do Estádio do Chelsea), parando a invasão do rei norueguês Harald, que é aí morto, tal como o irmão Tostig.
Quadro moderno da Batalha de Stamford Bridge (25/09/1066).
Vitória de Haroldo sobre o rei norueguês.

Haroldo acorre então para Hastings, tentando parar a invasão de Guilherme. Nas ilustrações de Bayeux, ao contrário da cavalaria de Guilherme, o exército de Haroldo irá então lutar apeado.
Em 14 de Outubro, menos de um mês depois de Stamford Bridge, dá-se a Batalha de Hastings, onde os normandos de Guilherme saem vencedores, e Haroldo é morto.
Batalha de Hastings (14/10/1066)
Haroldo é morto por Guilherme da Normandia

A vitória de Guilherme não será imediata, a instalação de uma corte afrancesada encontrará muita resistência britânica. Os normandos provinham da concessão da Normandia a piratas vikings liderados por Rolão. Assim, a Inglaterra manteria a sua ligação a uma corte de origem viking com os normandos, depois de um longo período de domínio de invasões de anglos e saxões que se perdem na mitologia do Rei Artur, de um domínio original bretão.

Este apontamento é interessante porque mostra a importância que tinham aqueles terrenos no Canal da Mancha, da Normandia, de Bayeux, Bolonha, Brabante, Bulhão, etc.
Quando as tropas inglesas desembarcam na Normandia no dia D, há 70 anos, em Junho de 1944, é visto como um regresso para libertar a Normandia natal de Guilherme, a quem remonta a monarquia inglesa.
Aliás, até ao Séc. XIII a Normandia continuava a fazer parte dos domínios dos reis ingleses, situação que levou aos problemas da Guerra dos 100 anos, já que a troca da Normandia com a Guiana (na Aquitânia francesa) não resolvia essa velha ligação normanda à França.

A participação de Eustácio II, conde de Bolonha, ao lado de Guilherme, ganha especial relevo quando são os seus filhos, e muitos nobres da Normandia, que irão estabelecer o Reino de Jerusalém.
Entre 1066 e 1099, nesses 33 anos, a Normandia aparece na invasão da Inglaterra e da Terra Santa.
Segundo Damião de Góis, o próprio Conde D. Henrique seria neto de Eustácio II, pelo que a primeira dinastia seria Bolonhesa e não Borgonhesa.
Esta ligação à Bolonha francesa seria depois indiscutível com Afonso III, o Bolonhês, que é Conde de Bolonha por casamento com outra Matilde. Afonso III irá depor o irmão Sancho II e terminar a conquista do Algarve. 

A quina, com o número de bezantes em 5 ficou só definitivo com D. João II, e inscrições anteriores mostravam escudos até com maior número de bezantes. O número de bezantes fixado para Bolonha passou a 3, mas também variou, e podemos ver nas ilustrações de Bayeux cavaleiros com maior número de bezantes nos seus escudos.

A única informação nova, face ao já exposto antes, será assim a associação de Eustácio II a esses escudos com bezantes, provavelmente 5, que irão definir também o símbolo português. O filho, Godofredo de Bulhão, primeiro regente de Jerusalém, será associado também ao número cinco, com o símbolo de cinco cruzes.

(007) Ainda nas paragens do Mar do Norte, temos o texto Navegações Islandesas que retrata os relatos das navegações vikings que teriam chegado à América. É o conhecido período de expansão viking, que leva Rolão à Normandia como duque em 911, mas também Eric, o Ruivo, à Gronelândia em 982, e o depois o seu filho Leif Ericson à América.
Convirá referir que até ao Séc. XIII a cristinização da Escandinávia era escassa, e portanto um dos objectivos da Igreja foi também inserir a ameaça viking no quadro aristocrático europeu... de forma semelhante ao que tinha sido feito nas invasões bárbaras.
Os piratas vikings passaram a normandos, e esses normandos serviam as Cruzadas. De inimigos em raides mortais contra mosteiros e populações, os vikings iriam ser inseridos na sociedade e aristocracia europeia pela "porta grande".
O que começou na Normandia prosseguiu com a cristianização da Escandinávia.
Stavekirke Borgund - Séc. XII - Primeiras igrejas na Noruega

Um dos aspectos curiosos na Tapeçaria de Bayeux é ilustrar o irmão de Guilherme, o Bispo Odo na sua vertente militar, com uma maça a incentivar os cavaleiros.
Essa vertente de monges militares, que tem em 1066 com Odo o seu primeiro registo visível, terá depois sequência nas Cruzadas com toda uma lista de Ordens militares de monges guerreiros.

(008) Sobre o texto Tagus Aureo é importante a citação de Juvenal, e de outros autores romanos, acerca da riqueza do Tejo enquanto fonte interminável de ouro!
Aparentemente seria algo que rivalizaria com as míticas lendas de Midas e Creso, ligadas ao minúsculo rio Pactolus, na Lídia (Turquia).
É ainda feito aqui um primeiro avanço sobre as associações à mitologia que remeterá a Ulisses de Olissipo, mas mais a Calipso, pelo nome Calipos dado ao Sado.
A associação pelos nomes serve apenas como pista e não é nenhum tipo de prova.
O que é uma prova de bom-senso é que Ulisses não iria ficar perdido no Mediterrâneo, e portanto a sua viagem foi muito além do circuito clássico. Encarar Tróia como vizinha à Grécia também não faz qualquer sentido. Ítaca estava mais longe de Micenas do que Tróia... o cerco de 10 anos que tinha afastado os gregos da pátria seria ridículo com uma Tróia ali ao lado na Turquia.
Há limites para o ridículo... e Homero não era certamente ridículo.

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publicado às 04:02


Ré vista (1)

por desvela, em 18.04.14
A primeira parte dos textos era focada na questão dos descobrimentos, do final da Idade Média ao final do Renascimento e início da Idade Moderna. Há pouco mais que um ano, recuperei os textos iniciais(*), e não há propriamente muito mais a dizer. Ou, o que há a dizer pode ser mencionado acerca doutros textos.

(001) Por isso, começo pelo texto Dom Fuas, que é basicamente o fiel de todo o balanço seguinte.
Podemos perseguir um objectivo, mas não ao ponto de pensar que a gravidade não afecta a montada. Se o corcel ganha asas, avança para terrenos draconianos.
Porquê? Porque há sempre uma fronteira que define os limites. Podemos ultrapassar uma limitação, para nos depararmos de seguida com outra, porque há sempre limites. A ideia de ilimitação é uma simples negação de um limite que conhecemos. Como qualquer negação, nada acrescenta ao conhecido.
Num comentário, Calisto definiu bem outro ponto de Dom Fuas... a fuga não é caminho e o recolhimento é apenas solução temporária.

A mentira precisa de propaganda e divulgação, porque precisa de inventar mundos.
Sem constantes cuidados de manter o fabrico da mentira, o mundo que emerge é o da verdade.
A verdade subsiste por si, não precisa de paladinos que a protejam.
A única coisa a reconhecer é a verdade que podemos retirar da informação que temos, ou melhor, é reconhecer a falsidade pelas suas contradições. Tudo o resto é temporário e serve de paisagem.
Só as crianças se podem sentir enganadas na Disneylândia, os adultos sabem onde estão, e sabem conviver com a fantasia.
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(002) De seguida, o texto Boeta de D. João II é dispensável, e ilustra apenas o simbolismo da morte do rei, do secretismo e mistério que o rodeou, e rodeou os descobrimentos. Se o Infante D. Henrique escolheu Lagos, para local fúnebre, D. João II escolheu Alvor, no outro lado da Meia-Praia.
Garcia Resende assinala que tinha sido o único rei a morrer fora de Portugal, porque escolhera os Algarves... o outro rei será D. Sebastião. O pedido de ficar na Sé de Silves, longe do repouso da Batalha, para onde depois será trasladado, adensa essa parte trágica do isolamento final. Quando escrevi o texto estava convencido do simbolismo nas longitudes: 
Silves está à longitude de Coimbra, e Alvor à longitude de Aveiro.
Por um ponto ligava-se ao avô (Infante) Pedro, e pelo outro à irmã (Santa) Joana. Com o filho D. Jorge reeditava o Ducado de Coimbra, que passou a Ducado de Aveiro, até à sua extinção no Processo dos Távoras. Os Lancastre e Távora obtiveram os condados de Alvor e Portimão, ligando-se ao local do óbito.

Sendo normalmente secundarizado, convém notar que há na prática uma mudança de Dinastia pela morte de D. João II. Houve uma guerra política pela sucessão, entre D. Manuel e D. Jorge, e a opção de D. João II não vingou. D. Manuel vai trasladar D. João II para o Mosteiro da Batalha, onde será o último rei. O novo panteão da Dinastia Avis-Beja será o Mosteiro dos Jerónimos, afinal D. Manuel não seguia a linha directa dos reis anteriores, D. Afonso V e D. João II. Sob certa forma é uma mudança maior do que a passagem de D. Fernando para D. João I, que é uma passagem de dinastia entre irmãos - aqui a passagem é entre primos. Afinal também D. Sebastião era primo de D. Filipe II...
Se não existiu uma guerra na altura, estavam ali os fantasmas de Alfarrobeira. 
Se o romance de D. Pedro I e Inês de Castro tinha abalado a corte, o romance do filho, D. João I, com outra Inês, Inês Pires, levaria à maior cisão na corte nacional. Afonso e sucessores, nunca aceitaram o papel secundário, algo bastardo, a que tinham sido relegados os Bragança pelo casamento Lancastre. Essa insatisfação trouxe a Dinastia Filipina, e também acabou com ela. Mesmo já reis, a sombra dos Lancastre permanecia e só foi afastada com a morte e extinção da Casa de Aveiro, pelo Processo dos Távoras.

Portanto, ainda que se façam todas as teorias sociopolíticas acerca do curso da História, uma simples "escapadinha" do Mestre de Avis teve consequências durante 400 anos, ou mais... e assim nunca é de negligenciar o problema da efectiva beleza de Helena numa Guerra de Tróia, ou o efeito das velhas invejas familiares. Se a racionalidade controla uma parte da acção, a irracionalidade controla a outra parte.
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(003) A Passagem Noroeste é um pequeno texto numa altura em que ainda procurava perceber uma codificação nos mapas. Uma tentativa mais complicada está no texto Carta do Atlântico Norte. Se a rotação do mapa africano de Reinel permitira ver o contorno do Golfo do México, pensei ser possível encontrar outras relações, nomeadamente pela posição das rosas dos ventos. No entanto, nunca fiquei satisfeito com o resultado - que não vai além de curiosidade.
No entanto, esclareça-se, é objectiva a informação seguinte:
a) A presença de bandeiras portuguesas na zona Inca, indicando ali presença anterior à espanhola.
b) A propositada distorção e alteração dos mapas incluindo menção a ilhas fictícias.
c) As ilhas fictícias foram marcas nos mapas indicando outras terras - p.ex. a Ilha Brasil. 
d) A rotação de alguns mapas indicia contornos americanos.
e) A degradação da informação objectiva dos mapas, durante 200 anos a Califórnia passou por ser ilha!
f) A existência de um mapa com contornos exactos do globo à época de D. Sebastião - o mapa do Museu da Marinha. A afirmação disso é escrita por Pedro Nunes em 1536 - não restavam ilhas, penedos ou baixios por cartografar.

Que os portugueses teriam navegado a Passagem Noroeste e Nordeste, disso não tenho grandes dúvidas, e basta olhar para os mapas de Ortelius, Lavanha, ou ainda mais, para o mapa do Museu da Marinha. 
O que não consegui provar é que essa informação estivesse encriptada noutros mapas... mas isso é um detalhe, interessante, mas entretanto irrelevante.
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(004) Algumas bandeiras, p.ex. triangulares vermelhas, indiciavam uma Presença Islâmica na América, tese que tinha sido já avançada pela Duquesa de Medina-Sidónia, que encontrou também um paralelismo entre as referências a África e correspondentes referências americanas.
Por um lado, se essa presença, vinda dos reinos marroquinos ou granadinos, seria mais que natural, também é verdade que não conheço relatos de registos físicos que atestem isso. Não restou uma lamparina ou faiança árabe esquecida em solo americano? Um indício mais suspeito seria o nome Nova Granada dado à zona colombiana... local onde se vêem as bandeiras no mapa de João de Lisboa. 
Colômbia-Perú : castelos portugueses (e islâmicos?)

Porém, os espanhóis usaram também Nova Galiza e Nova Castela, referindo-se às suas províncias americanas. O assunto não é conclusivo, mas o importante do mapa do Almirante Piri Reis é evidenciar que nunca deixou de haver navegações islâmicas no Atlântico concorrentes às cristãs. 
O mapa de Piri Reis é praticamente idêntico a parte do mapa do globo de Lopo Homem que ilustra o Atlas Miller:
... se o de Piri Reis faz parte do folclore nos sites de "mistérios", os de Lopo Homem e Reinéis são convenientemente ignorados... apesar de Piri Reis mencionar a cartografia portuguesa como fonte.

Convém não esquecer que se os navios turcos rivalizavam com os espanhóis em Lepanto, a única força que os impedia de avançar pelos mares ocidentais era a passagem entre Gibraltar e Ceuta. Por isso a conquista de Ceuta marca o domínio para a expansão europeia... e é o verdadeiro início da Idade Moderna, já que a queda de Constantinopla não anuncia nenhum futuro domínio global turco. Ao contrário, as quedas de Ceuta e Granada, mostram o domínio ibérico que se seguiria, e que só foi perdido na Guerra dos 30 anos, mantendo-se ainda assim em centro europeu.
A Idade Moderna deveria começar com avanço pelo Bojador, para além dos limites antigos, e que coincide "enigmaticamente" com o fim de aventura semelhante chinesa. Este "enigmaticamente" denota ou uma coincidência pretendida, ou um controlo mundial escondido... escolha-se!
Essa Idade Moderna é caracterizada pela ocultação de boa parte do Pacífico, desde a costa oriental Australiana à costa ocidental norte-americana. Termina simbolicamente com a viagem de Cook, logo seguida da independência dos EUA. A Idade Contemporânea começa assim antes da Revolução Francesa, quando houve autorização para descobrir o que restava da Terra... e terminará quando houver verdadeira permissão para explorar o espaço para além da Terra. A encenada "ida à Lua" está ao nível das referências confusas sobre a Austrália antes de Cook, ou sobre a Guiné antes do Infante D. Henrique.

Foi neste texto que José Manuel lançou a questão sobre as motivações das viagens nacionais:
Mas o que continua encoberto é o que motivou as viagens marítimas e expedições terrestres dos portugueses? Uns dizem que foi para expandir a cristandade, outros que foi por os lucros comerciais das especiarias, outros dizem que foi para encontrarem um Reino perdido, e aí aflora-se o encoberto que é a "Rota Marítima do Megalítico pelos portugueses nos Re descobrimentos".

Concorreram diversos factores, para além da necessidade de abrir a porta a uma Europa fechada sobre si mesma. Os portugueses tomaram as chaves do Vaticano e foram abrindo a descoberta. A ideia da "táctica da cunha", ou seja, o ataque ao Islão através do Oceano Índico, era outra motivação clara, nunca escondida pelo Infante D. Henrique, nem pelo sucessor da Casa de Viseu, D. Manuel.
Porém, o mais importante era a abertura ao desconhecido, simbolizado pelas riquezas materiais do ouro, e pela diversidade de novos produtos, as especiarias, fossem elas culinária ou drogaria... e ainda por toda a recuperação de informação de um passado perdido. Desde as pirâmides comuns ao México e Egipto, a tantos outros monumentos, certamente que esses dados não passaram despercebidos - foram colhidos, e depois recolhidos - ficaram no segredo das novas organizações que se substituíam ao Vaticano no secretismo, nomeadamente, a Maçonaria.

__________________
(*) Os seis textos iniciais estão aqui:
D. Sebastião (2º texto no post)Nuno GonçalvesColomboEncobertoAdamastorPacífico.

Uma versão PDF então compilada, e cujo link desapareceu 
pelas restrições dos GoogleGroups pode ser reencontrada aqui:

https://sites.google.com/site/alvorsilves/Encoberto-Alvor-Silves-02-2010.pdf

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publicado às 19:28


Ré vista (0)

por desvela, em 13.04.14
No final de 2014 vão cumprir-se 5 anos sobre os textos que fui colocando em blogs, a maioria dos quais aqui e no odemaia. Vai sendo pois altura de uma pequena revisitação, e enquadramento actualizado.

Posso fazer uma divisão pessoal dos textos.

1) Tese de Alvor-Silves (de Dezembro 2009 a Dezembro 2010)
1.1) Seis partes de sete (Dezembro 2009) 
1.2) D. Fuas e o canhão da Nazaré (Janeiro a Julho 2010)
1.3) Cola do Dragão e as suas Cores (após Agosto)

2) A questão Gaia (de Dezembro 2010 a Agosto 2011)
2.1) Traffic Signs (até Março 2011)
2.2) Teogonias e o Puto de Vénus (até Agosto)

3) Peça a Peça (desde Setembro 2011, ou Abril 2012)
3.1) Primeiras Arquitecturas - Espiral (Abril até Maio 2012)
3.2) Segundas Arquitecturas - Abraçadabra (até Fevereiro 2013)
3.3) Banho maria (até Dezembro 2013 e continua)

Mais do que um mapa de navegações, tão claro quanto possível (mas com símbolos próprios), o que aqui ficou foi um Livro de Marinharia. Não sabia disso quando comecei a escrever, nem quando escolhi o símbolo do globo de João de Lisboa para o blog.

Há muita coisa que não sei, a maior parte da qual nem me preocupa saber.
O marinheiro não tem que conhecer todos os mares, mas tem que estar preparado para qualquer um.

Porém, não haja confusões. 
Não se tratou de um diário de bordo de navegações na internet...
A noção de "navegar" na internet creio que ficou popularizada com o velhinho Netscape Navigator:
... esse foi o imenso mar que a Google cartografou. São os mapas da Google que hoje definem as rotas, e foram eles que permitiram encontrar ilhas de informação pouco conhecida.

Só que há um detalhe muito importante.
Antes de nos metermos no Oceano há que saber o que procurar e porquê... senão estamos à deriva.

Visitar imensos sites, tal como visitar imensas ilhas, sem outro intuito, é apenas turismo.
Fazer um blog com curiosidades, apanhadas aqui e ali, é como fazer um álbum de fotografias dos sítios onde se foi navegar, ou passear. Depois quer-se mostrar aos outros:
- "Já viste esta? Aqui sou eu e o meu filho na selva do Bornéu!
... Olha agora esta foto do caçador de cabeças! - Queres ver as da Nova Zelândia?"

Pois. A deriva é isso. É não ter orientação. Navegar por navegar. Sem memória, sem critério.
Não é necessariamente mau, pode ser útil, mas não é suficiente.

Aqui encontram-se muitos registos de navegação, mas sempre foi claro ao que ía.
Pelo menos, na minha cabeça foi.
Num mar de mentiras, interessava perceber qual era o batel da verdade. 
Ao que eu ia, encontrei há já algum tempo, agora estou só a cartografar a paisagem circundante.
Por isso, os textos Teogonias e Arquitecturas foram um ponto final, aliás escritos com atraso, e a partir daí há uns detalhes mais importantes que outros.

Lamento, mas não é pelo facto de haver embarcações perdidas que a minha está. 
Não está. Chegou a porto ainda mais seguro do que estava antes. 
Posso viajar, mas sei sempre onde regressar.

Lamento, mas não há ilhas de verdade... há apenas batéis que navegam num mar de ilusões.
A única coisa verdadeira é a estrutura, não é a paisagem.
A paisagem é um adereço, uma máscara... só que a máscara tem que assentar nalguma estrutura.
É essa estrutura que é inabalável, ultrapassa todo o tempo e toda a mentira ocasional.
Somos feitos dessa estrutura.
O pensamento não é nada fluido, assenta em matéria consolidável - as palavras.
As palavras são elásticas, podem até servir a confusão, ou a mentira dos outros, mas não nos enganam  a nós - sabemos o significado que lhes damos.

O que somos então?
Somos meros operadores de palavras?
O que nos faz acreditar que é uma pessoa que escreve um comentário?
Já respondi aqui a textos enviados por máquinas... simplesmente porque podiam também ser enviados por uma pessoa. Tinham nexo para isso, e foram de facto pensados por alguém... 
Um interlocutor desde que apresente nexo nas respostas passará sempre por uma pessoa.
A origem tanto pode estar num humanóide, numa máquina, num habitante de 8 pernas da galáxia Andrómeda, ou no vizinho do lado... é absolutamente indiferente. Tudo se resume a palavras que são reflexo das noções profundas que nos constituem.
Quantas são essas palavras? Fundamentais, são ainda poucas, muito poucas. A maioria das linguagens é redundante, usa muitos sinónimos, ou composições de noções mais simples. 
Não quer isso dizer que não venham a ser precisas mais, simplesmente sentimo-nos completos com as que temos, e isso pode ser uma medida da nossa limitação... ou não. Isso é o tema "hélgia", no odemaia, e aqui não interessa tanto.

Se a origem da comunicação for desconhecida, mas tiver nexo novo e relevante, interessa a origem, ou a comunicação? - Eu preocupar-me-ia pouco com a origem, e muito mais com a comunicação.
Por exemplo, indo a um exemplo típico de filmes de terror... se aparecesse uma mensagem a desenhar-se na parede, era razão para ficar assustado? Pela mensagem, ou pela origem desconhecida? 
Uma mensagem nunca fez mal a ninguém, é quem a envia que pode fazer... por isso interessa apenas o conteúdo. O facto de aparecer de forma estranha, apenas indicaria uma origem sobrenatural. Ora o que assusta o sobrenatural? Saber que há alguém mais potente do que nós? Isso não é novidade para quem se habituou a lidar com a impotência. Aliás, não há nada atroz nos filmes de terror que não tenha sido pensado por humanos, e o pior que conhecemos vem de nós próprios, e dos medos não combatidos.

Por isso, a resposta é sim. Na essência somos operadores de palavras, de noções. Só compreendemos uma coisa quando a assentamos nessas palavras, senão é apenas uma emoção pessoal... e como não treinamos a partilha de emoções, as palavras são vagas e confusas para muitas delas. Funcionamos como máquinas, que perante uma situação a analisam, reduzindo a noções conhecidas, depois processam essa informação, dando uma resposta. Quando não fazemos isso, agimos por impulsos, e essa parte não é completamente nossa, porque não a controlamos racionalmente. É inútil atribuir a nós o que não é nosso... se não controlo o bater do meu coração, o que me adianta atribuir isso a mim? Se não controlamos os sonhos, o que adianta dizer que são produto nosso?

Como já disse num comentário, o nosso suporte físico parece-me tão importante quanto este texto estar a ser visto numa folha de papel, num computador, ou se a letra é Times ou Arial, se o tamanho é 10 ou 12pt.
O texto é o mesmo, o suporte físico é indiferente e irrelevante para o seu conteúdo. Também é indiferente ser escrito em português ou ser traduzido para qualquer outra língua. No entanto, é preciso ter um suporte físico, porque o texto não se escreve no vazio. 
Mais que isso... por muito que se copie fisicamente o texto, o conteúdo é o mesmo.
Por isso, é para mim algo inútil procurar explicações ou divisões biológicas. Não interessam para nada.
Se entender que um animal processa respostas como um humano, é para mim um humano.
No entanto, essa noção é socialmente inútil se os outros não considerarem o mesmo. 
Os outros são sempre um referencial de controlo do acordo. 
Não aprendemos as palavras sozinhos, elas servem a comunicação. Da vibração caótica de múltiplas partículas podem surgir frequências comuns - um universo onde há um acordo de acordes.
Por isso a comunicação é importante, e provavelmente por isso, tudo o que sabia antes estava limitado pelo guardar, por não ver ali interesse ou concerne alheio generalizado.

Este é um registo de marinharia.
O mar é a informação que recolhemos ao longo do tempo, seja na internet, ou onde for. Navegamos na vida, e mais que a história dos outros, convém não perder muito a memória da nossa história.
O único batel que temos é individual, mas podemos comunicar... pelo menos aqui, neste espaço físico.
Ao contrário do que se pensa, o tempo não é linear, tal como a Terra não é.
Os outros batéis desaparecem na linha do horizonte, mas isso não significa que caiam no precipício da morte. A ideia de que o mundo acaba no horizonte visível é apenas uma ilusão local devida à curvatura... e também não se encontra na linha do horizonte com nenhum céu.
A estrutura do batel é suficientemente sólida, mas as vagas são altas e podem meter medo.
Não adianta muito unir os batéis e navegar em comboio quando há tempestade.
A água entra a jorros pelo batel se a compreensão não for suficientemente estanque às ilusões.
Não se afunda, mas pode-se ficar muito tempo isolado à deriva.
Para onde navegamos?
Antes disso é preciso encontrar o nosso porto. Essa é a primeira parte da navegação.
O primeiro passo é que cada um esteja seguro do seu porto, e não pense que é seguindo os outros que o encontra... ou então que tem que haver disputa pelo melhor sítio para apanhar vento. Sem conhecer os ventos, tanto se pode afastar como aproximar da costa. 
Há pretensas naus que cruzam os mares a grande velocidade, com orgulho nas suas velas enfoladas... mas para onde vão? Quo vadis?

Portanto, por muito que veja as velas enfoladas, a pergunta será sempre - já conhece o seu porto?
Só depois de se conhecer bem esse caminho é que se pode saber até onde se pode afastar da costa.
Este é um registo de marinharia, mas não é para marinheiros de água-doce, nem para flibusteiros errantes.

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