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Tarso

por desvela, em 01.07.11
Tarso é um conjunto de ossos do pé, em que se inclui o calcanhar (calcâneo), e em particular estaria aí o Calcanhar de Aquiles, cujo nome ficou associado ao tendão.
Raio-X de fractura do calcâneo no Tarso

Paulo de Tarso
Tarso é ainda a cidade da Ásia Menor na Cílicia considerada como local de nascimento de São Paulo, também conhecido como Paulo de Tarso. É bem conhecida a conversão de Saulo em Paulo, e a influência em tornar o cristianismo numa religião de gentios e não apenas de judeus. Os périplos de S. Paulo começam numa viagem na região da Ásia Menor:
onde podemos ver a confusão de estarem aí nomeadas duas Antióquias no percurso.

Há um ano colocámos aqui a questão crucial, no sentido de Crux, sobre como o aparecimento do cristianismo terminou com as revoltas de escravos simbolizadas nas dezenas de milhar de cruzes da revolta de Spartacus na Via Ápia, e como isso foi um erro de Crasso. 
Com a conversão de Saulo a expansão cristã não fica restrita ao núcleo judaico de Pedro (com quem tem algumas dissensões), e Roma continuará como centro, agora religioso, distante dos símbolos cristãos de Jerusalém. Constantino, também dito Magno, torna o cristianismo religião imperial, e muda o centro do Império para  Bizâncio, mas não para a Terra Santa. A Igreja de Pedro e Paulo ficará em Roma, e o tempo será juliano durante uma boa parte da Idade Média... a marcação a.C/d.C só é iniciada com Carlos Magno e completada com D. João I, em Portugal (é ainda nessa altura que os infantes podem então passar a príncipes). 

Lídia, Targum e Tarsis
No mapa vemos nomeada a Galácia, vizinha da Frígia, da Lídia, e da Lícia.
Interessa-nos a Frígia, pois com uma crux ficaria Frísia, tal como a Lidia (ou Licia) ficaria Lisia, e se tal território não existe, existiu a Lysitania, ou Lusitania. Uma crux é dúbia, mas a informação de que os Lídios se denominam "sfards", transportar-nos à designação dos sefarditas, ibéricos. Sobre a Galácia, e a proximidade com Galícia, até dispensaria qualquer crux.

A Lídia ficou mais conhecida pelo seu último rei Creso, tal como a Frísia pelo rei Midas. Estas fortunas eram associadas ao ouro vindo do rio Pactolo, afluente do Hermo, e já aqui citámos Juvenal:
The man for whose desires yesterday not all the gold which Tagus and the ruddy Pactolus rolls along would have sufficed (...)
que associava os rios Pactolo e Tagus, não mencionando o rio Hermo. Vários autores romanos falaram do ouro existente nos rios da Lusitania, e mencionavam que o ouro do Pactolus e Hermo se deveria ter entretanto extinguido. Apesar da abundância de ouro estar inicialmente associado ao Jardim das Hespérides, e à procura que Hércules vai fazer para além das Colunas (na Lusitania), estes mitos posteriores parecem esquecer isso e colocam o mito aurífero na Ásia Menor!

Creso acabará derrotado pelo persa Ciro, o mesmo que irá reencaminhar os hebreus do cativeiro para Israel, e aí surge um pormenor interessante. Há uma diferença entre os judeus que falavam o aramaico e outros que falavam hebreu, ao ponto de surgirem os Targus (decidi colocar assim o plural de Targum, apesar de ser indicado targumim) - traduções para aramaico do original hebreu. Nota-se por isso que são dois povos separados, juntos na mesma região, o que corre no sentido aqui várias vezes mencionado sobre os Ebreus do Ebro.

A ligação a Tarso, surge agora por via de Tarsis... cujo nome bíblico é Tarshish, e que pode ser associada a Tartesso. Conforme diz William Smith (no Concise dictionary of the Bible. pág. 921):
"Tartessus being merely Tarshish in the Aramaic form"
... entre outras razões para associação entre a Tarsis bíblica e Tartessos na Ibéria, ao mesmo tempo que descarta a natural confusão de Tarso na Ásia Menor com Tarsis (todo o texto de William Smith merece ser lido). Uso ainda aqui uma citação breve, via wikipedia:
De fato, o Rei Salomão tinha naves de Tarsis no mar junto com as naves de Hirão. As naves de Tarsis vinham uma vez a cada três anos e traziam ouro, prata, marfim, bugios e pavões. (I Reis 10: 22)
Se há Tarso, em que de Paulo se sustentará o cristianismo, a Tarsis ibérica sustentava um comércio com paragens distantes (provavelmente africanas e americanas, dada a carga...) a cada três anos. E quando William Smith diz que, no Livro das Crónicas, Tarshish teria ligação ao Mar Vermelho, não precisamos de colocar a localização longe da Hispania, pelas razões que já explicámos nos sinais vermelhos.


Calcanhar de Aquiles
Uma boa parte da nomenclatura anatómica pode ser encontrada em Galeno, médico de Marco Aurélio, que vemos aqui representado com um barrete frígio:
Galeno (129-217 d.C)

Se a associação a Tarso foi casual, feita pela sustentação de Paulo, pela fragilidade na localização de Tarsis, ou por outra razão, pois é tão dúbio quanto uma crux, e podemos seguir várias direcções.
Ao mergulhar Aquiles no rio Estige do Hades, Tétis deixou vulnerável a sustentação do aqueu, o seu calcanhar, o Tarso... talvez uma fragilidade de sustentação dos aqueus acerca do poderio de uma antiga Tarsis, que prolongou a guerra de Tróia. Quem quebrará essas muralhas será um ardil de Ulisses, através do cavalo de Tróia... Ulisses que seguirá depois um caminho atlântico, qual Tarsis.

Para dar um exemplo da utilidade das designações anatómicas, lembramos o cúbito, afinal um osso do antebraço (também chamado ulna), que nos daria uma ideia da antiga unidade de comprimento egípcia, também representada por um antebraço - mas que implicaria antebraços de meio metro... bastante maiores que os actuais, digamos quase de gigantes!

Ficamos por aqui... já que não vamos falar do rádio, outro osso do antebraço, pois a conjunção "Rádio" com "Galeno" parece fortuita. Não encontramos já um motivo não linguístico para o associar ao Rádio de Galena, ainda que essa forma primitiva de Rádio AM seja baseada no Galeno (sulfeto de chumbo), material que foi usado como cosmético entre os egípcios.
Afinal, aprendemos que o desenvolvimento eléctrico, que vai de Alessandro Volta (nomeado conde por Napoleão), até aos rádios de Marconi (ou anteriores), dura menos de 100 anos, e por isso aceitamos ser absolutamente ridículo pensar que os egípcios pudessem ter ideias eléctricas, apesar dos vários milhares de anos de civilização. Digamos que devemos ter ficado mais espertos...

Radius, significa ainda raio, e pode ser explicado pela possibilidade de movimento circular no antebraço, pelo que seria tão gratuito como fazer outras associações linguísticas, seja ao elemento rádio, ou até ao facto de termos começado o texto sobre ossos com uma radiografia! Isso seriam estórias completamente diferentes destas...
Aliás, do tarso não seguimos para o metatarso, pelos cuneiformes, sob pena de invocar ainda as falanges!

[este post estava previsto aparecer em 29 de Junho... porém às vezes as dificuldades no blogger surgem, e compreendemos!]

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 06:03


1 comentário

De Anónimo a 20.10.2011 às 03:34

Caro Da Maia

Não temos relatos dos acontecimentos, em 1ª Mão, a não ser, retroactivamente até ao final do Século XIX....
Pelo que tudo foi permitido aos políticos que escreveram a História, ou melhor a Pseudo-História.

Em que momento, o Médio Oriente, desértico, miserável, sem o menor interesse Geopolítico, onde apenas Pastores Nómadas sobreviviam, ascende à Ribalta, desempenhando o papel de Berço da Humanidade?

Terá sido quando se começou a soletrar a Palavra:

PETRÓLEO?!

Abraços

Maria da Fonte

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