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Uma humanidade sem mapas

por desvela, em 27.12.10
Talvez por educação, talvez por falta de atenção, somos levados a certas convicções notáveis.
Se tivermos que explicar a alguém um caminho complicado, o que fazemos?
- Podemos dar direcções, 1ª à esquerda - depois em frente - 2ª à esquerda - frente - 2ª à direita.
No entanto, até mesmo crianças (e sem serem ensinadas na tarefa) sabem fazer um esboço de mapa!

Por razões inexplicáveis, certamente explicáveis com sapiência erudita, o Homem manteve-se incapaz de esboçar direcções, num simples traçar de linhas, durante milénios e milénios.
  • Os Romanos fizeram imensas estradas, mas foram incapazes de nos presentear com um mapa delas! Tinham um imenso Império, mas era mental. Não seriam capazes de colocar num esboço em pedra que a Hispania ficaria a oeste, que os Partos ficariam a leste, a Germânia a norte, e a Líbia a sul. Exércitos inteiros deslocavam-se sem mapas.
  • Os Gregos fizeram avanços conceptuais a nível da Geometria que colocaram problemas milenares, de regra e compasso, mas foram incapazes de traçar um mapa da sua linha costeira, ou das suas ilhas. Eram marinheiros experimentados, uniam as estrelas em constelações, mas eram incapazes de unir cidades em mapas. Nas suas vastas obras arquitectónicas, cerâmicas, documentos, etc... não são encontrados vestígios de mapas.
    Creta: uma das raras imagens onde se vê uma cidade e contorno marítimo anexo.
  • Problema similar se teria passado com as civilizações egípcias ou mesopotâmicas. Faz-se grande gala de um pretenso mapa babilónico (~ 600 a.C) incrustado numa tábua de barro:
Foram apenas estes registos que restaram... ou havia incapacidade de orientação?
A nível erudito isso seria tese insustentável... havia geógrafos, que tinham mapas, como Ptolomeu e Eratóstenes.
- Afinal, o problema é só que nada disso nos chegou?
- Ou, o problema é maior, e nem sequer temos qualquer esboço de mapa, da Europa, à India e China... já para não falar de outras culturas, como Incas e Aztecas.

Chegaram-nos registos detalhados, de discursos romanos, de tratados gregos, mas nem um único mapa!

Aparentemente, só devemos dar como certo um primeiro mapa do mundo num esboço de Isidoro de Sevilha (séc. VII), que coloca os três continentes Ásia, Europa e África, rodeados por um Mar Oceano, num canto de uma página:

Dos mapas que é suposto terem existido na Geografia de Ptolomeu não nos chegou nenhum exemplar, e tal como de Heródoto ou Eratóstenes, apenas podemos julgar as interpretações no séc. XIV ou posteriores:

Interpretações: no Séc. XIV de Ptolomeu, e no Séc. XIX de Eratóstenes.  

Qual é o panorama que nos é oferecido?
- Milhões de seres pensantes, incapazes de traçar um esboço, um mapa, que tivesse resistido alguns milhares de anos, fosse gravado numa rocha, numa escultura, numa decoração cerâmica, num documento que não tivesse desaparecido...

Porém, tudo desapareceu até à Alta Idade Média, idade em que temos os primeiros portulanos mediterrânicos.
- É suposto ser isto uma situação normal?

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publicado às 03:41


11 comentários

De José-Manuel CH-GE a 28.12.2010 às 03:10

Olá,
No terceiro vídeo de Gunnar Thompson, Professor Doutor Antropologista, tem lá três mapas interessantes:
http://portugalliae.blogspot.com/2009/12/como-os-portugueses-enganaram-colombo.html

Fiz-lhe cópias se não tiver tempo para visionar:

http://3.bp.blogspot.com/_H3hPB3_DZTE/TRlEH9L7doI/AAAAAAAAAjo/18-c4X8wqd8/s1600/Gunnar+Thompson+%25281%2529.jpg

http://4.bp.blogspot.com/_H3hPB3_DZTE/TRlEIllkb2I/AAAAAAAAAjs/sA9ig7OXYKs/s1600/Gunnar+Thompson+%25282%2529.jpg

http://2.bp.blogspot.com/_H3hPB3_DZTE/TRlEK5KFCzI/AAAAAAAAAjw/2WKVQr6OPPw/s1600/Gunnar+Thompson+%25283%2529.jpg

No terceiro Gunnar Thompson questiona porque atribuem a descoberta da América a Colombo se romanos e os portugueses já conheciam a Florida? Actualmente ele defende que os chineses também lá iam, eu digo TODA a gente lá ia e voltava, a peste e guerras reduziu substancialmente a população na Europa, portanto não havia interesse de se dar a conhecer territórios vastíssimos no Continente Americano, os mapas que se conheciam eram segredos de comércios, malagueta milho peru drogas metais ect eram trazidas para as cortes europeias, e egípcias, isto está documentado, só não vê quem não quer.

Cumprimentos,
José Manuel CH-GE

De Anónimo a 28.12.2010 às 05:07

Caro Alvor

Um Império sem mapas?
Impossível!
A Humanidade sem Datas? Sem a Memória do Tempo?
Impossíval!

Agora repare, se ALGUÉM, digamos que por questões de ordem Geopolítica, ou outra mais obscura, quisesse trocar o Oriente com o Ocidente, e reduzir centenas de Milénios de História, o que faria?

Teria que eliminar os Mapas, e confundir as Datas.

Que me recode, temos QUATRO FAMOSOS INÇÊNDIOS:

O do Palácio de Persépolis, por Alexandre da Macedónia.
O da Biblioteca de Alexandria, pelo Império Romano.
O da Biblioteca de Granada, pelos Reis Católicos.
O de Roma, por Carlos V.

Sem os Mapas, trocam-se as Terras.
Sem a cronologia do Tempo, perde-se a Memória do Passado.

Inteligentemente planeado. Meticulosamente feito.

Maquiavélico!

Chegamos ao Século XXI, sem saber quem somos, de onde viemos, nem há quanto Tempo estamos aqui!

Um abraço e Votos de Feliz 2011

Maria da Fonte

De AlvorSilves a 28.12.2010 às 17:58

Caro José Manuel,

obrigado por ter relembrado os vídeos do Gunnar.
Parece que entretanto tiveram pouco mais de 200 visitantes no Youtube, o que mostra como trabalho cuidado pode passar despercebido. Talvez por isso, as tais web-conferências atlânticas parecem ter ficado por 2009.

Fui encontrar os tais mapas de Macrobius aqui:
http://cartographic-images.net/Cartographic_Images/201_Macrobius.html
O problema é semelhante ao de Ptolomeu e Eratóstenes...
Tratam-se apenas de interpretações medievais, lendo o texto. Dá a entender que os "monges" procuraram visualizar o que estava escrito, sem ter acesso a nenhum mapa original.
Isto faz-me lembrar a cena do filme "Nome da Rosa"... imensas bibliotecas com livros proibidos.
A conexão Mar Cáspio - Golfo do México é mesmo, mesmo muito interessante. Porque eu tenho outra com o Mar Vermelho que bate certo com essa!

O site
http://cartographic-images.net/ (http://cartographic-images.net/)
parece prometer uma boa compilação de mapas... que aparentemente esteve desactivada, e terá sido reactivada em 2010.

Quanto à sua conclusão:
- Tudo está documentado, só não vê quem não quer ver!

Não posso estar mais de acordo.
Porém, como o Hans Christian Anderson nos quis transmitir, o Rei pode desfilar nú com um belo fato feito pelos mais hábeis tecelões, e toda a população se cala.
Uma diferença - Não há perigo das crianças gritarem "o Rei vai nú", pois a sua voz pequenina só é ouvida pelos mais próximos. E esses, perante a incomodidade do grito infantil, tentam abafá-lo.

Um abraço e bom 2011.

De AlvorSilves a 28.12.2010 às 18:07

Cara Maria da Fonte,

Adicionava aos seus incêndios, o do "Terramoto" de 1755. A Torre do Tombo ruiu durante o terramoto, nem podia ter sido doutra forma... se não tivesse ruído, teria tido ajuda para ruir.

Depois falta ainda juntar os "incêndios" que abafaram toda a informação oriental... India, China, etc...

Maquiavel tentou espelhar bem o pragmatismo e frieza que os príncipes usavam para atingir os objectivos. Mais do que ensiná-los a eles, estava a avisar todos os leitores!
O humor negro voltou a actuar... Maquiavel ficou com a fama de ser o promotor, quando apenas era o denunciante.

Ainda vou fazer mais uns posts...
mas vão ficando os melhores votos para 2011.

De Anónimo a 29.12.2010 às 05:49

Caro Alvor

Claro! O Terramoto de 1755. Mesmo a propósito!

Mas, também está de partida?
Assim? Com tudo a meio?

É que, começamos a perceber o que aconteceu, e porquê.

Mas ainda não sabemos... por quem....

Maria da Fonte

De Anónimo a 29.12.2010 às 23:03

Cara Maria da Fonte,

e sabem com quem é que nós o fizemos? É que não consigo compreender de onde vieram os fundos para tanto estudo, pesquisa e investimento durante tantos anos (e não creio que o país tivesse recursos para tal empreitada). E como vcs tão bem referem, não se investe tanto sem ter a certeza para onde se vai.

Com os melhores cumprimentos, e votos de um bom 2011

Calisto

De AlvorSilves a 30.12.2010 às 07:20

Cara Maria da Fonte,

como vê ainda não me fui embora!!
Eu só disse que ainda faltam mais uns posts até 2011, por isso não vou estar sempre a desejar "bom ano".

Abraços!

De Anónimo a 30.12.2010 às 16:18

Caro Calisto

Então os fundos não eram dos Templários?!
É o que consta!

Agora como é que os ditos Templários arranjaram tantos fundos....

E já agora, tantos anos a navegar para a América, em segredo. Tantas trocas comerciais de produtos nativos da América, referidos em Documentos que o provam, e subitamente ... abre-se o jogo!

E divulgam-se as Rotas!

Porquê?
Ou melhor, para quem?

Para Portugal, não foi de certeza, já que perdemos as Colónias na América, e o Monolópio Comercial, numa época em que mais ninguém tinha capacidade para navegar tão grandes distâncias.
E tenho um vago pressentimento, que não perdemos o Brasil nessa altura, por um milímetro.

Votos de Feliz 2011

Maria da Fonte

De AlvorSilves a 30.12.2010 às 21:09

Caros Calisto e Maria da Fonte,

... quem?
Pois, como sabemos há quem espere a vinda de um Messias, desde há muito tempo. A forma pela qual virá é que tem colocado as mais diversas divergências. Do catolicismo ao judaísmo, passando pelo arianismo e islamismo.

A Terra Prometida foi sempre o sonho americano... um jardim do Éden, do qual os homens foram expulsos por um cataclismo. Apresentá-lo sob a forma diluviana, sob a forma de uma Atlântida, não deixam de ser formas equivalentes.

A queda de um cometa (... ou "de um castigo") em terras americanas pode ter provocado um cataclismo tal - que fez levantar o nível do mar (terá estabilizado ~70m acima do actual), ao mesmo tempo que mergulhou a humanidade numa idade do gelo.

Os sobreviventes poderiam então ter que recomeçar quase tudo de novo, até porque provavelmente nada tinham a ver com a civilização destruída, apenas teriam contacto colonial com ela.

Os primeiros a terem acesso aos despojos dessa antiga civilização encontrariam alguns artefactos avançados, e procurariam estabelecer um domínio enquanto Magos, sacerdotes ou mágicos.
Seriam eles que iriam definir a corte real que dominaria o mundo. A estratificação por classes permitiria a esse grupo servir-se não apenas de animais, mas de outros homens, tratados como escravos. Num mundo oculto o que é divulgado nada tem a ver com o que se conhece, pelo que se estabelece uma diferença cada vez maior.

Se essa classe dominante invocaria a ascendência divina, uma outra classe começou a definir-se contra esse aproveitamento... aguardando nova vinda divina. Essa conclusão pode ter resultado de alguma ida exploratória à América no tempo de Akhenaton. A conclusão monoteísta teria sido guardada depois pela herança semita, quando a classe sacerdotal reestabeleceu o politeísmo egípcio. Alexandre foi preciso para abafar o zoroastrismo persa.

Neste sentido, as saídas americanas teriam sido sempre muito controladas (e há vários registos disto). Um reconhecimento americano só poderia ser assumido quando houvesse uma limpeza geral de vestígios, e um controlo suficientemente grande para manter submersa qualquer nova descoberta.

A tendências principais foram:
a) política de abdicação total de viagens;
b) política de secretismo elitista;
c) política da terra prometida - o sonho americano.

A tendência a) é consistente com a filosofia do arianismo godo, e com a repressão total de viagens durante a baixa Idade Média.

A tendência b) foi filosofia grega e romana, podemos vê-la ilustrada na alegoria da caverna platónica, e no manter do politeísmo.
Por constatação em tempo de Cruzadas, surgiu a tendência templária, na linha judaica c).

As lutas medievais seriam entre tendências a) e b), talvez razão de guerra dos 100 anos, e da eterna rivalidade França/Inglaterra.
Enquanto isto se discutia formalmente em terreno de batalha, os portugueses avançam no caminho b), com o apoio claro da tendência c) (templários e judeus).

[continua]

De AlvorSilves a 30.12.2010 às 21:10

Colombo marca a inevitabilidade de b), a opção a) cai definitivamente.
Tordesilhas permite que b) não persista, e será política adoptada por c).
De facto a repartição do mundo entre portugueses e espanhóis seria um projecto com tempo limitado, era óbvio que se seguiria o projecto c), e a guerra dos 30 anos, seguida de Vestfália, põe esse projecto em prática.

O projecto c) passa à prática, mas com vertentes:
ca) colonizar a terra prometida, fechar e aguardar a vinda messiânica;
cb) colonizar a terra prometida, mantendo o secretismo/elitismo;
cc) colonizar a terra prometida, abrindo progressivamente o segredo.

É aqui que estamos, uma vez colonizada a terra prometida...
A posição b) evoluiu naturalmente para cb), já que interessa apenas o elitismo, e aqui tem algum apoio de ca), já que era a base da posição c).
A posição cc) de abertura total terá sido um desvio da posição c), e actualmente não se nota a sua expressão. A maior expressão de cc) será talvez podermos falar através deste meio, ainda que ca) não queira impedir isso.

É claro, isto é apenas uma hipótese, e se encontrarem falhas, pois agradeço que me digam sinceramente. Em largos modos, era basicamente isto que estava a tentar mostrar com a Questão Gaia.

Abraços a ambos!

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