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Na Batalha de Alcântara em 1580, D. António não consegue evitar a progressão das forças do Duque de Alba, desembarcadas no Cabo de Cascais, em direcção a Lisboa. A designação à época - Cabo de Cascais é diferente da chamada Roca de Sintra.
Um excelente documento sobre a Batalha de Alcântara está disponível no site areamilitar.
A mais conhecida imagem da época mostra detalhes da paisagem, vista de Alcântara, que são interessantes por si só.

Podemos ver nesta imagem que a Torre de Belém está situada bem no meio do estuário, completamente rodeada por água, longe de terra. Há um braço de praia em frente a Belém, que estende até uma baía formada pela foz da ribeira de Alcântara. Vê-se ainda a antiga ponte de Alcântara. Toda esta paisagem foi mudada, a água desceu e Lisboa ganhou terra ao Tejo e a praia desapareceu, colando a linha de água pela posição da Torre de Belém (na altura também chamada Torre de S. Vicente).

Mais interessante é o pormenor que nos mostra Almada, com Palmela ao fundo, quase à beira-mar, ou melhor, à beira-rio:
A linha de água submergia grande parte da margem sul, na zona do Seixal, e estava quase encostada à zona do Castelo de Palmela, onde se lê "Palmela a 9 léguas de Lisboa".
Isto concorre com a hipótese de um nível da água do mar superior, como já abordámos.

Lavanha aproveita a descrição da viagem de Filipe II para ainda nos dar conta de factos acessórios.
Perto, entre Azeitão e Coina (ou rio Couna) estavam as matas e jardins do novo Duque de Aveiro (que acolheu Filipe II, no final da sua visita a Portugal, conforme diz Lavanha). O anterior Duque de Aveiro tinha morrido ao lado de D. Sebastião, em Alcácer Quibir.

Ao descrever a visita a Sintra, Lavanha revela que a sua ponta mais ocidental seria o Promontório Magno, ou Olisiponense, que era modernamente denominado Roca de Sintra... ou seja o Cabo da Roca. Fala ainda do convento de N. Sra. da Pena, da Ordem de S. Jerónimo, fundado por D. João II, que oficialmente ruiu pelo terramoto, e onde depois Fernando II, consorte de Maria II, edificou o Palácio da Pena sobre as ruínas, perdendo-se o vestígio da construção original. Essa construção teria "a Igreja e Oficinas, necessárias para um inteiro Mosteiro lavradas na mesma rocha".
Finalmente revela que, à época, num promontório da serra, existiriam ainda vestígios e inscrições de um antigo Templo dedicado ao Sol e à Lua.
No regresso de Sintra, Filipe II teria passado pela vila de Cascaes e pela fortaleza de S. Gião (depois S. Julião da Barra). Já mencionámos o Cabo de Cascais, que seria provavelmente a denominação junto ao Guincho-Cascais, onde foram encontrados vestígios arqueológicos de pesca.

É interessante a propósito do nome Cascais referir a menção do historiador árabe Al Masudi (-956 d.C.) sobre as explorações atlânticas de um jovem navegador de Córdoba, cujo nome seria KhashKhash, sendo talvez KhashKhash al Bahri ("o navegador") que morreu em 859 d.C. combatendo os normandos, justamente próximo de Cascais. Foneticamente, parece haver uma clara semelhança entre o nome da vila e o nome do navegador. Informações sobre as viagens árabes podem ser encontradas num interessante artigo de Abbas Hamdani (Handbuch der Orientalistik, S. Kahdra Jayyusi, M. Marin, pag. 275).

(12/04/2011)

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publicado às 07:48

Na Batalha de Alcântara em 1580, D. António não consegue evitar a progressão das forças do Duque de Alba, desembarcadas no Cabo de Cascais, em direcção a Lisboa. A designação à época - Cabo de Cascais é diferente da chamada Roca de Sintra.
Um excelente documento sobre a Batalha de Alcântara está disponível no site areamilitar.
A mais conhecida imagem da época mostra detalhes da paisagem, vista de Alcântara, que são interessantes por si só.

Podemos ver nesta imagem que a Torre de Belém está situada bem no meio do estuário, completamente rodeada por água, longe de terra. Há um braço de praia em frente a Belém, que estende até uma baía formada pela foz da ribeira de Alcântara. Vê-se ainda a antiga ponte de Alcântara. Toda esta paisagem foi mudada, a água desceu e Lisboa ganhou terra ao Tejo e a praia desapareceu, colando a linha de água pela posição da Torre de Belém (na altura também chamada Torre de S. Vicente).

Mais interessante é o pormenor que nos mostra Almada, com Palmela ao fundo, quase à beira-mar, ou melhor, à beira-rio:
A linha de água submergia grande parte da margem sul, na zona do Seixal, e estava quase encostada à zona do Castelo de Palmela, onde se lê "Palmela a 9 léguas de Lisboa".
Isto concorre com a hipótese de um nível da água do mar superior, como já abordámos.

Lavanha aproveita a descrição da viagem de Filipe II para ainda nos dar conta de factos acessórios.
Perto, entre Azeitão e Coina (ou rio Couna) estavam as matas e jardins do novo Duque de Aveiro (que acolheu Filipe II, no final da sua visita a Portugal, conforme diz Lavanha). O anterior Duque de Aveiro tinha morrido ao lado de D. Sebastião, em Alcácer Quibir.

Ao descrever a visita a Sintra, Lavanha revela que a sua ponta mais ocidental seria o Promontório Magno, ou Olisiponense, que era modernamente denominado Roca de Sintra... ou seja o Cabo da Roca. Fala ainda do convento de N. Sra. da Pena, da Ordem de S. Jerónimo, fundado por D. João II, que oficialmente ruiu pelo terramoto, e onde depois Fernando II, consorte de Maria II, edificou o Palácio da Pena sobre as ruínas, perdendo-se o vestígio da construção original. Essa construção teria "a Igreja e Oficinas, necessárias para um inteiro Mosteiro lavradas na mesma rocha".
Finalmente revela que, à época, num promontório da serra, existiriam ainda vestígios e inscrições de um antigo Templo dedicado ao Sol e à Lua.
No regresso de Sintra, Filipe II teria passado pela vila de Cascaes e pela fortaleza de S. Gião (depois S. Julião da Barra). Já mencionámos o Cabo de Cascais, que seria provavelmente a denominação junto ao Guincho-Cascais, onde foram encontrados vestígios arqueológicos de pesca.

É interessante a propósito do nome Cascais referir a menção do historiador árabe Al Masudi (-956 d.C.) sobre as explorações atlânticas de um jovem navegador de Córdoba, cujo nome seria KhashKhash, sendo talvez KhashKhash al Bahri ("o navegador") que morreu em 859 d.C. combatendo os normandos, justamente próximo de Cascais. Foneticamente, parece haver uma clara semelhança entre o nome da vila e o nome do navegador. Informações sobre as viagens árabes podem ser encontradas num interessante artigo de Abbas Hamdani (Handbuch der Orientalistik, S. Kahdra Jayyusi, M. Marin, pag. 275).

(12/04/2011)

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publicado às 23:48

A recepção a Filipe III de Espanha em Lisboa teve aspectos de veneração quase universal, cujo rasto se perdeu na História. João Baptista Lavanha registou essa veneração desenhando os diversos e sumptuosos arcos de triunfo, então construídos em 1622, e dos quais não restou posteriormente pedra sobre pedra.
Apesar de em Lisboa restar apenas o nome Arco do Cego, convirá não fechar os olhos aos seguintes arcos:
  • Arco dos Homens de Negócios de Lisboa (no cais)
  • Arco dos Ingleses (porta da cidade)
  • Arco dos Oficiais da Bandeira de S. Jorge
    (Praça do Pelourinho Velho, donde saem: a Rua Do Ver do Peso, a Rua Nova, a Rua da Prataria, e a Rua de Gil Eanes) 
  • Arco dos Corrieiros (Rua de Gil Eanes)
  • Arco dos Atafoneiros (Rua das Carneçarias Velhas)
  • Arco dos Oleiros (Padaria que leva à Sé, Rua da Misericórdia)
  • Arco dos Capateiros (no topo da Padaria, na entrada da Rua que sobe a Igreja da Madalena)
  • Arco dos Cerieiros (na Porta do Ferro - Muros antigos da cidade - pelo menos fundados pelos Godos)
  • Arco dos Italianos (na Porta da Sé de Lisboa)
  • Arco na Rua dos Mataporcos
  • Arco dos Pintores (na entrada da Rua de S. Gião)
  • Arco dos Flamengos (a meio da Rua Nova)
  • Arco dos Ourives e Lapidários (ao cabo da Rua Nova, à entrada da Rua dos Ourives)
  • Arco dos Moedeiros (defronte da Rua dos Ourives, e Casa da Moeda)
  • Arco dos Alfaiates (na Calcetaria)
  • Arco na Rua dos Tanoeiros (e arco antigo do Armazém, nos muros da cidade)
  • Arco dos Familiares do Santo Ofício (do Paço vai ao Forte, para entrar no Terreiro do Paço)
  • Arco dos Alemães (no Terreiro do Paço)

 
 Arcos: dos Ingleses, dos Oficiais da Bandeira de S. Jorge, dos Cerieiros, e dos Italianos
    
  Arcos: dos Pintores, dos Ourives, dos Moedeiros, e dos Alfaiates

Arco do Santo Ofício e Arco dos Alemães

A dimensão dos referidos arcos é explícita pela inserção no desenho de pessoas, para mais fácil apreciação. A descrição refere alguma ornamentação com muito ouro, marfim, pérolas, e pedras preciosas.
Torna-se claro que os portugueses sempre foram hospitaleiros, e vê-se aqui que já teriam esquecido a trágica derrota de D. António, Prior do Crato, na Batalha de Alcântara, às portas de Lisboa, em 1580, frente ao Duque de Alba. 
A hospitalidade era por contágio extensiva aos estrangeiros sediados em Lisboa, em particular, ingleses, flamengos, italianos e alemães.
Terá sido natural que os referidos arcos, dedicados ao bisneto de D. Manuel, Filipe III de Espanha, não tenham resistido ao terramoto da Restauração da Independência.
Lavanha relata ao pormenor os arcos, algumas pinturas e inscrições... destacamos, por exemplo, a do Arco dos Alfaiates, que tinha três inscrições em latim: "Nem Salomão com tudo o que tinha", mas também: "Da verdade vos há Deus pedir conta", ou ainda "A Prudência vos guardará", "Para que ordene, e disponha o Mundo em equidade".

Continuaremos o relato de João Baptista Lavanha, que sendo escrito sob o reinado de Filipe II, apresenta a expectável arte bajulatória superlativa, misturada com alguma informação interessante.

_________________
Nota (Agosto 2015):
Foi em 1622, tratava-se de Filipe III de Espanha, Filipe II de Portugal. Corrigido.

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publicado às 04:31

A recepção a Filipe II de Espanha em Lisboa teve aspectos de veneração quase universal, cujo rasto se perdeu na História. João Baptista Lavanha registou essa veneração desenhando os diversos e sumptuosos arcos de triunfo, então construídos em 1581, e dos quais não restou posteriormente pedra sobre pedra.
Apesar de em Lisboa restar apenas o nome Arco do Cego, convirá não fechar os olhos aos seguintes arcos:
  • Arco dos Homens de Negócios de Lisboa (no cais)
  • Arco dos Ingleses (porta da cidade)
  • Arco dos Oficiais da Bandeira de S. Jorge
    (Praça do Pelourinho Velho, donde saem: a Rua Do Ver do Peso, a Rua Nova, a Rua da Prataria, e a Rua de Gil Eanes) 
  • Arco dos Corrieiros (Rua de Gil Eanes)
  • Arco dos Atafoneiros (Rua das Carneçarias Velhas)
  • Arco dos Oleiros (Padaria que leva à Sé, Rua da Misericórdia)
  • Arco dos Capateiros (no topo da Padaria, na entrada da Rua que sobe a Igreja da Madalena)
  • Arco dos Cerieiros (na Porta do Ferro - Muros antigos da cidade - pelo menos fundados pelos Godos)
  • Arco dos Italianos (na Porta da Sé de Lisboa)
  • Arco na Rua dos Mataporcos
  • Arco dos Pintores (na entrada da Rua de S. Gião)
  • Arco dos Flamengos (a meio da Rua Nova)
  • Arco dos Ourives e Lapidários (ao cabo da Rua Nova, à entrada da Rua dos Ourives)
  • Arco dos Moedeiros (defronte da Rua dos Ourives, e Casa da Moeda)
  • Arco dos Alfaiates (na Calcetaria)
  • Arco na Rua dos Tanoeiros (e arco antigo do Armazém, nos muros da cidade)
  • Arco dos Familiares do Santo Ofício (do Paço vai ao Forte, para entrar no Terreiro do Paço)
  • Arco dos Alemães (no Terreiro do Paço)

 
 Arcos: dos Ingleses, dos Oficiais da Bandeira de S. Jorge, dos Cerieiros, e dos Italianos
    
  Arcos: dos Pintores, dos Ourives, dos Moedeiros, e dos Alfaiates

Arco do Santo Ofício e Arco dos Alemães

A dimensão dos referidos arcos é explícita pela inserção no desenho de pessoas, para mais fácil apreciação. A descrição refere alguma ornamentação com muito ouro, marfim, pérolas, e pedras preciosas.
Torna-se claro que os portugueses sempre foram hospitaleiros, e vê-se aqui que já teriam esquecido a trágica derrota de D. António, Prior do Crato, na Batalha de Alcântara, às portas de Lisboa, em 1580, no ano anterior, frente ao Duque de Alba. 
A hospitalidade era por contágio extensiva aos estrangeiros sediados em Lisboa, em particular, ingleses, flamengos, italianos e alemães.
Terá sido natural que os referidos arcos, dedicados ao neto de D. Manuel, Filipe II de Espanha, não tenham resistido ao terramoto da Restauração da Independência.
Lavanha relata ao pormenor os arcos, algumas pinturas e inscrições... destacamos, por exemplo, a do Arco dos Alfaiates, que tinha três inscrições em latim: "Nem Salomão com tudo o que tinha", mas também: "Da verdade vos há Deus pedir conta", ou ainda "A Prudência vos guardará", "Para que ordene, e disponha o Mundo em equidade".

Continuaremos o relato de João Baptista Lavanha, que sendo escrito sob o reinado de Filipe II, apresenta a expectável arte bajulatória superlativa, misturada com alguma informação interessante.

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publicado às 20:31

Santa Cláusula

08.04.11
Dissidências, querelas, guerras, foram associadas a uma questão sobre a natureza de Cristo.
Não houve apenas combate entre religiões... uma questão milenar atravessou o cristianismo, causando profundas feridas civilizacionais por motivo de diverso entendimento teológico.
Falamos primeiro do Arianismo, e depois do Cisma entre as igrejas Romana e Ortodoxa.

O problema é essencialmente filosófico e reside na aceitação da Trindade, cujo entendimento escapará a muitos cristãos. Um problema académico filosófico transforma-se num problema letal.

É só no Séc. XX que o Arianismo vai ser confundido com uma questão racial. 
A história do arianismo estava ligada à cisão do cristianismo provocada por Arius de Alexandria, conforme já foi referido.
A questão da identificação de Deus a Cristo, a um Homem, encerra contradições aparentes, que foram levantadas por Arius, e consideradas heréticas no Concílio de Nicéia em 325 d.C.
Não foi por isso que a linha de pensamento de Arius deixou de estar presente na História. 
A revolta de Nika, esmagada por Belisário, opunha os verdes monofisistas (aceitando apenas a parte humana de Cristo), aos azuis conservadores (que aceitavam a dupla natureza, divina e humana, de Cristo). O arianismo surgiu ainda entre os Suevos, durante o seu período obscuro - talvez depois ignorado por essa mesma dissidência. O arianismo esteve ainda ligado à Alemanha através dos Cavaleiros Teutónicos.

Há alguma controvérsia sobre se São Nicolau (de Mira) teria ou não estado presente no Concílio de Nicéia, dado o seu nome não estar presente na lista. No entanto, corre também a forte tradição que teria sido ele a conduzir os trabalhos, e que teria chegado a bofetear Arius de Alexandria.
Nessa tradição, São Nicolau aparece como herói que sustém a heresia de Arius e dos seus seguidores, e impõe a Santa Cláusula da Trindade de Cristo. 
Seria exagerado colocar aqui o epíteto "Santa Cláusula" que é omitido, não houvesse a Cláusula Filioque, que aborda o mesmo tema. É claro que a tradição associa ainda a São Nicolau a distribuição de presentes pelas crianças, e que no Séc. XIX ficou instituído o nome Santa Claus, foneticamente lido como Santa Clause. Não é assim nos países latinos, usando-se a designação Pai Natal. O nome teria difícil justificação cristã, sendo associado a São Nicolau... porém junta os dois aspectos essenciais da Cláusula - a junção entre o Pai e o Filho - expresso no nascimento, no Natal.
São Nicolau de Mira (Séc. IV)
terá defendido a "Santa Cláusula" da Trindade

A Cláusula Filioque foi um outro assunto teológico sobre a Trindade, que provocou divisões. Esta cláusula do papa Leão I originou a cisão entre as igrejas Romana e Ortodoxa. Foi inicialmente aceite pelo Concílio de Calcedónia em 451 d.C., mas foi alvo de dúvidas e de uma disputa decisiva em 1059 d.C. entre Miguel Cerulário, patriarca de Constantinopla, e o Papa Leão IX. A Santa Cláusula Filioque impunha que o Espírito Santo emanasse não apenas de Deus, mas também de Cristo. As cláusulas da Trindade obrigavam a uma equivalência entre Pai e Filho.
Não vamos aqui discutir a validade das posições, até porque isso levaria a assuntos de índole filosófica que são normalmente omitidos, mesmo nas abordagens ao solipsismo.

Não sendo um assunto que estivesse claro nos Evangelhos, e não constando por isso como assunto colocado por Jesus Cristo, a questão pertinente será compreender como um assunto de índole filosófica vai afectar tão profundamente a fé cristã. A posição de Arius não negaria o carácter divino, apenas colocaria Jesus como uma encarnação, mas numa posição não igual a Deus.
Jesus seria filho de Deus, e não Deus... dificilmente a maioria dos católicos verá aqui uma heresia insanável. Convirá não esquecer a frase final, que consta nos Evangelhos de Mateus e Marcos, proferida por Jesus, quando se refere ao abandono do Pai.

Haveria muitos temas para controvérsia mais mobilizadora de opiniões e paixões populares, do que um tema de difícil compreensão filosófica, que serviu como mobilizador de populações e exércitos.
A questão colocar-se-ia a um nível diferente... se no entendimento judaico se aguardava o Messias, no entendimento cristão também se aguardava o Messias, mas numa segunda vinda, neste caso de Jesus Cristo. A sua natureza, humana ou divina, seria cuidado para a actuação na vinda futura.


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publicado às 04:40

Santa Cláusula

07.04.11
Dissidências, querelas, guerras, foram associadas a uma questão sobre a natureza de Cristo.
Não houve apenas combate entre religiões... uma questão milenar atravessou o cristianismo, causando profundas feridas civilizacionais por motivo de diverso entendimento teológico.
Falamos primeiro do Arianismo, e depois do Cisma entre as igrejas Romana e Ortodoxa.

O problema é essencialmente filosófico e reside na aceitação da Trindade, cujo entendimento escapará a muitos cristãos. Um problema académico filosófico transforma-se num problema letal.

É só no Séc. XX que o Arianismo vai ser confundido com uma questão racial. 
A história do arianismo estava ligada à cisão do cristianismo provocada por Arius de Alexandria, conforme já foi referido.
A questão da identificação de Deus a Cristo, a um Homem, encerra contradições aparentes, que foram levantadas por Arius, e consideradas heréticas no Concílio de Nicéia em 325 d.C.
Não foi por isso que a linha de pensamento de Arius deixou de estar presente na História. 
A revolta de Nika, esmagada por Belisário, opunha os verdes monofisistas (aceitando apenas a parte humana de Cristo), aos azuis conservadores (que aceitavam a dupla natureza, divina e humana, de Cristo). O arianismo surgiu ainda entre os Suevos, durante o seu período obscuro - talvez depois ignorado por essa mesma dissidência. O arianismo esteve ainda ligado à Alemanha através dos Cavaleiros Teutónicos.

Há alguma controvérsia sobre se São Nicolau (de Mira) teria ou não estado presente no Concílio de Nicéia, dado o seu nome não estar presente na lista. No entanto, corre também a forte tradição que teria sido ele a conduzir os trabalhos, e que teria chegado a bofetear Arius de Alexandria.
Nessa tradição, São Nicolau aparece como herói que sustém a heresia de Arius e dos seus seguidores, e impõe a Santa Cláusula da Trindade de Cristo. 
Seria exagerado colocar aqui o epíteto "Santa Cláusula" que é omitido, não houvesse a Cláusula Filioque, que aborda o mesmo tema. É claro que a tradição associa ainda a São Nicolau a distribuição de presentes pelas crianças, e que no Séc. XIX ficou instituído o nome Santa Claus, foneticamente lido como Santa Clause. Não é assim nos países latinos, usando-se a designação Pai Natal. O nome teria difícil justificação cristã, sendo associado a São Nicolau... porém junta os dois aspectos essenciais da Cláusula - a junção entre o Pai e o Filho - expresso no nascimento, no Natal.
São Nicolau de Mira (Séc. IV)
terá defendido a "Santa Cláusula" da Trindade

A Cláusula Filioque foi um outro assunto teológico sobre a Trindade, que provocou divisões. Esta cláusula do papa Leão I originou a cisão entre as igrejas Romana e Ortodoxa. Foi inicialmente aceite pelo Concílio de Calcedónia em 451 d.C., mas foi alvo de dúvidas e de uma disputa decisiva em 1059 d.C. entre Miguel Cerulário, patriarca de Constantinopla, e o Papa Leão IX. A Santa Cláusula Filioque impunha que o Espírito Santo emanasse não apenas de Deus, mas também de Cristo. As cláusulas da Trindade obrigavam a uma equivalência entre Pai e Filho.
Não vamos aqui discutir a validade das posições, até porque isso levaria a assuntos de índole filosófica que são normalmente omitidos, mesmo nas abordagens ao solipsismo.

Não sendo um assunto que estivesse claro nos Evangelhos, e não constando por isso como assunto colocado por Jesus Cristo, a questão pertinente será compreender como um assunto de índole filosófica vai afectar tão profundamente a fé cristã. A posição de Arius não negaria o carácter divino, apenas colocaria Jesus como uma encarnação, mas numa posição não igual a Deus.
Jesus seria filho de Deus, e não Deus... dificilmente a maioria dos católicos verá aqui uma heresia insanável. Convirá não esquecer a frase final, que consta nos Evangelhos de Mateus e Marcos, proferida por Jesus, quando se refere ao abandono do Pai.

Haveria muitos temas para controvérsia mais mobilizadora de opiniões e paixões populares, do que um tema de difícil compreensão filosófica, que serviu como mobilizador de populações e exércitos.
A questão colocar-se-ia a um nível diferente... se no entendimento judaico se aguardava o Messias, no entendimento cristão também se aguardava o Messias, mas numa segunda vinda, neste caso de Jesus Cristo. A sua natureza, humana ou divina, seria cuidado para a actuação na vinda futura.


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publicado às 20:40

Seguindo a historiografia oficial, é interessante notar nalguns detalhes normalmente esquecidos na evolução do governo na península ibérica.

Após Teodósio I, Honório, sucessor no Ocidente, sendo incapaz de resistir à pressão dos Godos, acaba por conceder a regência da Lusitânia a Alanos e da Galiza aos Suevos, ao mesmo tempo que Vândalos e Visigodos preparavam a sua entrada posterior. Apesar de teoricamente vassalos de Roma, os Suevos e Visigodos, rapidamente partilham e dominam a península, enquanto Alanos e Vândalos têm uma presença inferior a uma década. Os Vândalos vão sucumbir em Tunis/Cartago ao ataque de Belisário, quando Bizâncio exibe a sua maior capacidade bélica sob Justiniano.

É normalmente esquecida a presença de Bizâncio nas costas da Espanha visigoda... como aliás é esquecido o milénio bizantino. Um milénio, sem interrupção, de herança formal romana... estagnado no tempo, sem aparente evolução científica.
Ao mesmo tempo, os Suevos serão esquecidos durante os 100 anos do seu "período obscuro" (469-550), entre Veremundo e Teodemundo... entre o "verdadeiro mundo" e o "deus do mundo". Neste período e até à conquista visigoda é muito natural que tivessem prosseguido viagens atlânticas proibidas... depois retomadas em fuga, aquando da invasão árabe.

É ainda interessante o milénio árabe... que padece do mesmo mal - uma estagnação técnica, a que nem as guerras ou cruzadas religiosas conseguiram aguçar um engenho científico. 

Há que distinguir dois períodos na presença árabe:
(i) o Califado Omíada, com capital em Damasco; 
(ii) o Emirato de Córdoba, independente em 756, refúgio Omíada, após o domínio Abassíada de Damasco. 
Há assim uma constituição independente, que só sucumbirá com a queda de Granada, ainda que ocorram mudanças pela múltipla subdivisão em Taifas independentes, antes e depois do domínio Almorávida no Séc. XI.

A invasão Almorávida provoca uma pequena brecha temporal onde Afonso VI de Leão consegue alargar uma breve conquista de Santarém e Lisboa, e o Conde D. Henrique retomará Sintra, antes das conquistas definitivas do seu filho Afonso Henriques.

A formação da nacionalidade tem protagonistas anteriores, habitualmente esquecidos.
997 - Gonçalo I Mendes, que proclama Portucale como ducado, e não apenas condado... mas será deposto!
1071 - Nuno II Mendes, proclama a independência de Portucale, mas é morto em batalha.

Para além do condado de Portucale, fundado por Vimara Peres, que dará nome a Guimarães, já muito antes estava consolidado e definido o condado de Coimbra. Mais instável, pela sua posição avançada, Coimbra esteve desde cedo fora de controlo árabe, mas trocou de mãos várias vezes... 



Pequena compilação cronológica 
(domínio nas terras lusitanas na Baixa Idade Média)

Transição Romana -- concessões aos bárbaros 
_______ Reis Godos (Suevos, Alanos, Vandalos Asdingos, Visigodos)
_______ sob imperador romano... até 476 (altura da deposição de Rómulo Augusto por Odoacro)

0392-0395 Teodosio I (Roma), imperador do Oriente: 379-395.
0395-0423 Honório (Roma - Ocidente)
_______ em 411- concede a Lusitania a Alanos, e Galiza a Suevos
0406-0441 Suevos: Hermerico [Galiza]
0409-0418 Alanos: Atax Respendial (Ataces, Adax) [Lusitania]
0409-0416 Vandalos silingos: Fredebaldo
0419-0428 Vandalos+Alanos: Gunderico (desde 407-vandalos)
0428-0429 Vandalos: Genserico (428-477)
_______ em 429: abandonam a Iberia, fixando-se em Tunis
0395-0410 Visigodos: Alarico I [Toulouse]
0410-0415 Visigodos: Ataúlfo, Sigerico (415)
0415-0418 Visigodos: Vália
_______ em 418 domina a Iberia de Alanos e Vandalos


Reis Suevos & Visigodos

0411-0441 [Suevo] Hermerico (desde 406, fora da Iberia)
________ 0418-0451 [Visigodo] Teodorico I
0441-0448 [Suevo] Réquila
0448-0456 [Suevo] Requiário
________ 0451-0453 [Visigodo] Turismundo
________ 0453-0466 [Visigodo] Teodorico II
0456-0460 [Suevo] Maldras (Bracarense) // 456-457 Agiulfo, 457-Framtan
0460-0464 [Suevo] Frumário (Bracarense) // 457-... Remismundo (Lucense)
0464-0469 [Suevo] Remismundo (reunião Bracarense-Lucense)
________ 0466-0484 [Visigodo] Eurico
0469-0484 [Suevo] Veremundo (*) período obscuro
________ 0484-0507 [Visigodo] Alarico II
0484-0508 [Suevo] Réquila II (*) período obscuro
________ 0507-0510 [Visigodo] Gensaleico ou Geserico [Toledo]
0508-051? [Suevo] Requiário II (*) período obscuro
________ 0510-0531 [Visigodo] Amalarico
051?-051? [Suevo] Hermenerico II (*) período obscuro
051?-0520 [Suevo] Riciliano (*) período obscuro
0520-0550 [Suevo] Teodemundo (*) período obscuro
________ 0531-0548 [Visigodo] Teudis
________ 0548-0549 [Visigodo] Teudisclo
________ 0549-0554 [Visigodo] Ágila I
0550-0559 [Suevo] Carriarico
________ 0551-0567 [Visigodo] Atanagildo
0559-0570 [Suevo] Teodomiro
________ 0567-0572 [Visigodo] Liuva I
0570-0583 [Suevo] Miro
________ 0573-0586 [Visigodo] Leovigildo
0583-0584 [Suevo] Eborico
0584-0585 [Suevo] Audeca

Reis Visigodos (Leovigildo: reina em toda a Ibéria, cap: Toledo):

0585-0586 [Visigodo] Leovigildo
0586-0601 [Visigodo] Recaredo I
0601-0603 [Visigodo] Liuva II
0603-0610 [Visigodo] Viterico
0610-0612 [Visigodo] Gundemaro
0612-0621 [Visigodo] Sisebuto
0621-0621 [Visigodo] Recaredo II
0621-0631 [Visigodo] Suintila
0631-0636 [Visigodo] Sisenando
0636-0639 [Visigodo] Quintila
0639-0642 [Visigodo] Tulga
0642-0653 [Visigodo] Quindasvinto
0653-0672 [Visigodo] Recesvinto
0672-0680 [Visigodo] Vamba
0680-0687 [Visigodo] Ervigio
0687-0702 [Visigodo] Égica
0702-0710 [Visigodo] Vitiza
0710-0711 [Visigodo] Rodrigo

Invasão Árabe (1) - Califado Omíada de Damasco
Reino das Astúrias

0711-0715 [Omíada] Al-Walid I ibn Abd al-Malik (Damasco, 705-715)
________ África: 711-713 Musà ibn Nusayr
           (711 - invasão de Tariq bin Zeyad)
________ África: 713-716 Abd al-'Aziz ibn Musà ibn Nusayr
           (714 - definida é a Andaluzia - Espanha árabe)
0711-0714 [Visigodo] Ágila II,
0714-0721 [Visigodo] Ardão (ou Ardabasto?)
0715-0717 [Omíada] Suleiman ibn Abd al-Malik (Damasco)
________ Andaluzia: 716-716 Ayub ibn Habib al-Lajmi
________ (716 - conquista de Lisboa)
________ Andaluzia: 716-719 Al-Hurr ibn Abd al-Rahman al-Thakifi
0717-0720 [Omíada] Umar ibn Abd al-Aziz (Damasco)
________ Andaluzia: 719-721 Al-Samh ben Malik al-Jawlani

0718-0737 [Astúrias] Pelágio (Capital: Cangas de Onis)

0720-0724 [Omíada] Yazid II ibn Abd al-Malik (Damasco)
________ Andaluzia: 721-721 Abd al-Rahman ibn Abd Allah al-Gafiqui
________ Andaluzia: 721-726 Ambasa ibn Sohaym al-Kalbí
0724-0743 [Omíada] Hisham ibn Abd al-Malik (Damasco)
________ Andaluzia: 726-726 Odhrah ibn Abd Allah al-Fihrí
________ Andaluzia: 726-728 Yahyà ibn Sallamh al-Kalbí
________ Andaluzia: 728-728 Uthman ibn Abi Nasah al-Khathami
________ Andaluzia: 728-729 Hodjefah ibn al-Ahwan al-Kaysi
________ Andaluzia: 729-730 al-Haythan ibn Ubeyd al-Kelabí
________ Andaluzia: 730-730 Muhammad ibn Abd Allah al-Ashjai
________ Andaluzia: 730-732 Abd al-Rahman ibn 'Abd Allah al-Gafiqui
________ Andaluzia: 732-734 Abd al-Malik ibn Qatan al-Fihri
________ Andaluzia: 734-741 Uqba ibn Hayyay al-Saluli
________ Andaluzia: 740-741 Abd al-Malik ibn Qatan al-Fihri
________ Andaluzia: 741-742 Baly ibn Bisr al-Qushayri
________ Andaluzia: 742-743 Ta'laba ibn Salama al-Amilí

0737-0739 [Astúrias] Fáfila
________ 0732-0757 Flávio Alarico ("conde de Coimbra")


Invasão Árabe (2) -
Reino das Astúrias consolidado ocupa a Galiza/Minho
Califado Omíada de Damasco, Emirato de Córdoba

0739-0757 [Astúrias] Afonso I (o católico, cria o "Deserto do Douro")
0743-0744 [Omíada] Al-Walid II ibn Yazid II (Damasco)
0744-0744 [Omíada] Yazid III ibn al-Walid & Ibrahim ibn al-Walid (Damasco)
________ Andaluzia: 743-745 Abu-al-Jattar al-Husam ibn Dhirar al-Kalbí
0744-0750 [Omíada] Marwan II ibn Muhammad (Damasco)
________ Andaluzia: 745-746 Tuwaba ibn Salama al-Yudami
________ Andaluzia: 746-747 Abd al-Rahman ibn Kabir al-Lahmi
________ Andaluzia: 747-756 Yusuf ibn Abd al-Rahman al-Fihri
0750-0754 [Abassíada] Abu al Abbas As-Saffah (Bagdad)
0754-0756 [Abassíada] Al Mansur (Bagdad - 775)

Emirato de Córdova (depois de 756)
0756–0788 [Omíada] Abd ar-Rahman I [Córdova]

0757-0768 [Astúrias] Fruela I (o cruel)
________ 0757-0805 Flávio Teodósio ("conde de Coimbra")
0768-0774 [Astúrias] Aurélio
0774-0783 [Astúrias] Silo [Capital: Pravia]
0783-0788 [Astúrias] Mauregato (usurpador)

0788–0796 [Omíada] Hisham I [Córdova]

0788-0791 [Astúrias] Bermudo I
0791-0842 [Astúrias] Afonso II (o casto) [Capital: Oviedo, reconquista Lisboa]


0796–0822 [Omíada] Al-Hakam I [Córdova]
0822–0852 [Omíada] Abd ar-Rahman II [Córdova]


0842-0842 [Astúrias] Nepociano (usurpador)
0842-0850 [Astúrias] Ramiro I
0850-0866 [Astúrias] Ordonho I

0852–0886 [Omíada] Muhammad I [Córdova]

Reino de Leão (ex-Astúrias) & Condado Portucalense

0866-0910 [Astúrias] Afonso III (magno): divide o reino: Asturias, Galiza, Leão (910)
________ 868-873 [Portucale] Vímara Peres: fundação do condado Portucalense e Vimarães
________ 873-922 [Portucale] Lucidio Vimaranes
________ 878-920 [Conimbria/Portucale] Hermenegildo Guterres (conq. definitiva de Coimbra)
0910-0914 [Leão] Garcia I
0914-0924 [Leão] Ordonho II [Cap. Léon] (toma Évora)
________ 922-924 [Portucale] Onega Lucides
________ 920-928 [Conimbria] Aires Mendes
0924-0925 [Leão] Fruela II , Afonso Froilaz (925)
0925-0931 [Leão] Afonso IV
________ 926-950 [Portucale] Hermenegildo Gonçalves & Mumadona Dias
________ 928-983 [Conimbria] Gonçalo Moniz
0931-0951 [Leão] Ramiro II [Cap: Viseu]
________ 950-999 [Portucale] Gonçalo I Mendes
0951-0956 [Leão] Ordonho III
0956-0958 [Leão] Sancho I
0958-0960 [Leão] Ordonho IV
0960-0966 [Leão] Sancho I
0966-0984 [Leão] Ramiro III
________ 983-990 [Conimbria] Múnio Gonçalves
0984-0999 [Leão] Bermudo II
________ 990-1017 [Conimbria] Froila Gonçalves
            997: Gonçalo I Mendes de Portucale proclama ducado, e é deposto em 999.
________ 999-1008 [Portucale] Mendo II Gonçalves
0999-1028 [Leão] Afonso V
________ 1008-1015 [Portucale] Alvito Nunes
________ 1016-1028 [Portucale] Ilduara Mendes & Nuno Alvites
________ 1017-1034 [Conimbria] Mendo Luz
1028-1037 [Leão] Bermudo III
________ 1028-1050 [Portucale] Mendo III Nunes

Reino de Leão e Castela de 1037-1143

1037-1065 [Leão e Castela] Fernando I (magno)
________ 1050-1071 [Portucale] Nuno II Mendes
________ 1064-1071 [Conimbria] Sisnando Davides (-1091)
1065-1072 [Leão e Castela] Sancho II
          1071: indep. Portucale batalha de Pedroso - Nuno II Mendes é morto
1065-72 [Galiza] Garcia II  (C. Portucalense inserido na Galiza em 1071)
1072-1109 [Leão e Castela,Galiza] Afonso VI
________ 1091-1093 [Portucale & Galiza] Raimundo de Borgonha
________ 1091-1093 Martinho Moniz (Conimbria)
________ 1095-1112: [C. Portucalense] Henrique de Borgonha (c. Teresa de Leão)
1109-1126 [Leão e Castela] Urraca
________ 1114-1128: [C. Portucalense] Teresa de Leão
1126-1157 [Castela] Afonso VII (imperador, Portucalense até 1143)
________ 1128-1143: [C. Portucalense] Afonso Henriques


Surge aqui a 
DINASTIA de BOLONHA


O nome será Bolonha e não Borgonha... os irmãos Raimundo e Henrique seriam sobrinhos dos Reis de Jerusalém, Godofredo e Balduíno, conforme atesta Damião de Goes
A filiação do pai de Afonso Henriques é a Bolonha, de Boulogne-sur-mer, ou ainda ao Condado do Bulhão, de Bouillon, na Normandia.
Aliás essa ligação a Bolonha é reeditada por Afonso III, dito o Bolonhês, que se casará com Matilde, condessa de Boulogne-sur-mer.

É especialmente interessante notar o escudo de armas usado pelos Condes de Bolonha
Armas do Condado de Boulogne-sur-mer

Os três bezantes invocariam os três irmãos reconhecidos, filhos de Eustácio II e de Ida, ou seja, Godofredo, Balduíno e Eustácio III... os dois primeiros Reis de Jerusalém.
Ficariam de fora outros filhos, do casamento posterior, em particular Guilherme, o pai do Conde D. Henrique, conforme afirma Damião de Góis.

Assim, as nossas quinas poderão ser uma tentativa de correcção, passando de 3 para 5 bezantes... ou ainda reflectindo as 5 cruzes que Godofredo coloca no escudo de Jerusalém
Godofredo de Bulhão e o escudo com as 5 cruzes.

Poucos anos antes dos irmãos do Condado de Bolonha partirem para ser Reis de Jerusalém em 1099, a milhares de quilómetros, em 1088, uma outra Bolonha... esta de Itália, entrava na história ao fundar a primeira universidade.
O segundo milénio começava com duas Bolonhas: a francesa nas cruzadas e a italiana na universidade. 

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publicado às 05:19

Seguindo a historiografia oficial, é interessante notar nalguns detalhes normalmente esquecidos na evolução do governo na península ibérica.

Após Teodósio I, Honório, sucessor no Ocidente, sendo incapaz de resistir à pressão dos Godos, acaba por conceder a regência da Lusitânia a Alanos e da Galiza aos Suevos, ao mesmo tempo que Vândalos e Visigodos preparavam a sua entrada posterior. Apesar de teoricamente vassalos de Roma, os Suevos e Visigodos, rapidamente partilham e dominam a península, enquanto Alanos e Vândalos têm uma presença inferior a uma década. Os Vândalos vão sucumbir em Tunis/Cartago ao ataque de Belisário, quando Bizâncio exibe a sua maior capacidade bélica sob Justiniano.

É normalmente esquecida a presença de Bizâncio nas costas da Espanha visigoda... como aliás é esquecido o milénio bizantino. Um milénio, sem interrupção, de herança formal romana... estagnado no tempo, sem aparente evolução científica.
Ao mesmo tempo, os Suevos serão esquecidos durante os 100 anos do seu "período obscuro" (469-550), entre Veremundo e Teodemundo... entre o "verdadeiro mundo" e o "deus do mundo". Neste período e até à conquista visigoda é muito natural que tivessem prosseguido viagens atlânticas proibidas... depois retomadas em fuga, aquando da invasão árabe.

É ainda interessante o milénio árabe... que padece do mesmo mal - uma estagnação técnica, a que nem as guerras ou cruzadas religiosas conseguiram aguçar um engenho científico. 

Há que distinguir dois períodos na presença árabe:
(i) o Califado Omíada, com capital em Damasco; 
(ii) o Emirato de Córdoba, independente em 756, refúgio Omíada, após o domínio Abassíada de Damasco. 
Há assim uma constituição independente, que só sucumbirá com a queda de Granada, ainda que ocorram mudanças pela múltipla subdivisão em Taifas independentes, antes e depois do domínio Almorávida no Séc. XI.

A invasão Almorávida provoca uma pequena brecha temporal onde Afonso VI de Leão consegue alargar uma breve conquista de Santarém e Lisboa, e o Conde D. Henrique retomará Sintra, antes das conquistas definitivas do seu filho Afonso Henriques.

A formação da nacionalidade tem protagonistas anteriores, habitualmente esquecidos.
997 - Gonçalo I Mendes, que proclama Portucale como ducado, e não apenas condado... mas será deposto!
1071 - Nuno II Mendes, proclama a independência de Portucale, mas é morto em batalha.

Para além do condado de Portucale, fundado por Vimara Peres, que dará nome a Guimarães, já muito antes estava consolidado e definido o condado de Coimbra. Mais instável, pela sua posição avançada, Coimbra esteve desde cedo fora de controlo árabe, mas trocou de mãos várias vezes... 



Pequena compilação cronológica 
(domínio nas terras lusitanas na Baixa Idade Média)

Transição Romana -- concessões aos bárbaros 
_______ Reis Godos (Suevos, Alanos, Vandalos Asdingos, Visigodos)
_______ sob imperador romano... até 476 (altura da deposição de Rómulo Augusto por Odoacro)

0392-0395 Teodosio I (Roma), imperador do Oriente: 379-395.
0395-0423 Honório (Roma - Ocidente)
_______ em 411- concede a Lusitania a Alanos, e Galiza a Suevos
0406-0441 Suevos: Hermerico [Galiza]
0409-0418 Alanos: Atax Respendial (Ataces, Adax) [Lusitania]
0409-0416 Vandalos silingos: Fredebaldo
0419-0428 Vandalos+Alanos: Gunderico (desde 407-vandalos)
0428-0429 Vandalos: Genserico (428-477)
_______ em 429: abandonam a Iberia, fixando-se em Tunis
0395-0410 Visigodos: Alarico I [Toulouse]
0410-0415 Visigodos: Ataúlfo, Sigerico (415)
0415-0418 Visigodos: Vália
_______ em 418 domina a Iberia de Alanos e Vandalos


Reis Suevos & Visigodos

0411-0441 [Suevo] Hermerico (desde 406, fora da Iberia)
________ 0418-0451 [Visigodo] Teodorico I
0441-0448 [Suevo] Réquila
0448-0456 [Suevo] Requiário
________ 0451-0453 [Visigodo] Turismundo
________ 0453-0466 [Visigodo] Teodorico II
0456-0460 [Suevo] Maldras (Bracarense) // 456-457 Agiulfo, 457-Framtan
0460-0464 [Suevo] Frumário (Bracarense) // 457-... Remismundo (Lucense)
0464-0469 [Suevo] Remismundo (reunião Bracarense-Lucense)
________ 0466-0484 [Visigodo] Eurico
0469-0484 [Suevo] Veremundo (*) período obscuro
________ 0484-0507 [Visigodo] Alarico II
0484-0508 [Suevo] Réquila II (*) período obscuro
________ 0507-0510 [Visigodo] Gensaleico ou Geserico [Toledo]
0508-051? [Suevo] Requiário II (*) período obscuro
________ 0510-0531 [Visigodo] Amalarico
051?-051? [Suevo] Hermenerico II (*) período obscuro
051?-0520 [Suevo] Riciliano (*) período obscuro
0520-0550 [Suevo] Teodemundo (*) período obscuro
________ 0531-0548 [Visigodo] Teudis
________ 0548-0549 [Visigodo] Teudisclo
________ 0549-0554 [Visigodo] Ágila I
0550-0559 [Suevo] Carriarico
________ 0551-0567 [Visigodo] Atanagildo
0559-0570 [Suevo] Teodomiro
________ 0567-0572 [Visigodo] Liuva I
0570-0583 [Suevo] Miro
________ 0573-0586 [Visigodo] Leovigildo
0583-0584 [Suevo] Eborico
0584-0585 [Suevo] Audeca

Reis Visigodos (Leovigildo: reina em toda a Ibéria, cap: Toledo):

0585-0586 [Visigodo] Leovigildo
0586-0601 [Visigodo] Recaredo I
0601-0603 [Visigodo] Liuva II
0603-0610 [Visigodo] Viterico
0610-0612 [Visigodo] Gundemaro
0612-0621 [Visigodo] Sisebuto
0621-0621 [Visigodo] Recaredo II
0621-0631 [Visigodo] Suintila
0631-0636 [Visigodo] Sisenando
0636-0639 [Visigodo] Quintila
0639-0642 [Visigodo] Tulga
0642-0653 [Visigodo] Quindasvinto
0653-0672 [Visigodo] Recesvinto
0672-0680 [Visigodo] Vamba
0680-0687 [Visigodo] Ervigio
0687-0702 [Visigodo] Égica
0702-0710 [Visigodo] Vitiza
0710-0711 [Visigodo] Rodrigo

Invasão Árabe (1) - Califado Omíada de Damasco
Reino das Astúrias

0711-0715 [Omíada] Al-Walid I ibn Abd al-Malik (Damasco, 705-715)
________ África: 711-713 Musà ibn Nusayr
           (711 - invasão de Tariq bin Zeyad)
________ África: 713-716 Abd al-'Aziz ibn Musà ibn Nusayr
           (714 - definida é a Andaluzia - Espanha árabe)
0711-0714 [Visigodo] Ágila II,
0714-0721 [Visigodo] Ardão (ou Ardabasto?)
0715-0717 [Omíada] Suleiman ibn Abd al-Malik (Damasco)
________ Andaluzia: 716-716 Ayub ibn Habib al-Lajmi
________ (716 - conquista de Lisboa)
________ Andaluzia: 716-719 Al-Hurr ibn Abd al-Rahman al-Thakifi
0717-0720 [Omíada] Umar ibn Abd al-Aziz (Damasco)
________ Andaluzia: 719-721 Al-Samh ben Malik al-Jawlani

0718-0737 [Astúrias] Pelágio (Capital: Cangas de Onis)

0720-0724 [Omíada] Yazid II ibn Abd al-Malik (Damasco)
________ Andaluzia: 721-721 Abd al-Rahman ibn Abd Allah al-Gafiqui
________ Andaluzia: 721-726 Ambasa ibn Sohaym al-Kalbí
0724-0743 [Omíada] Hisham ibn Abd al-Malik (Damasco)
________ Andaluzia: 726-726 Odhrah ibn Abd Allah al-Fihrí
________ Andaluzia: 726-728 Yahyà ibn Sallamh al-Kalbí
________ Andaluzia: 728-728 Uthman ibn Abi Nasah al-Khathami
________ Andaluzia: 728-729 Hodjefah ibn al-Ahwan al-Kaysi
________ Andaluzia: 729-730 al-Haythan ibn Ubeyd al-Kelabí
________ Andaluzia: 730-730 Muhammad ibn Abd Allah al-Ashjai
________ Andaluzia: 730-732 Abd al-Rahman ibn 'Abd Allah al-Gafiqui
________ Andaluzia: 732-734 Abd al-Malik ibn Qatan al-Fihri
________ Andaluzia: 734-741 Uqba ibn Hayyay al-Saluli
________ Andaluzia: 740-741 Abd al-Malik ibn Qatan al-Fihri
________ Andaluzia: 741-742 Baly ibn Bisr al-Qushayri
________ Andaluzia: 742-743 Ta'laba ibn Salama al-Amilí

0737-0739 [Astúrias] Fáfila
________ 0732-0757 Flávio Alarico ("conde de Coimbra")


Invasão Árabe (2) -
Reino das Astúrias consolidado ocupa a Galiza/Minho
Califado Omíada de Damasco, Emirato de Córdoba

0739-0757 [Astúrias] Afonso I (o católico, cria o "Deserto do Douro")
0743-0744 [Omíada] Al-Walid II ibn Yazid II (Damasco)
0744-0744 [Omíada] Yazid III ibn al-Walid & Ibrahim ibn al-Walid (Damasco)
________ Andaluzia: 743-745 Abu-al-Jattar al-Husam ibn Dhirar al-Kalbí
0744-0750 [Omíada] Marwan II ibn Muhammad (Damasco)
________ Andaluzia: 745-746 Tuwaba ibn Salama al-Yudami
________ Andaluzia: 746-747 Abd al-Rahman ibn Kabir al-Lahmi
________ Andaluzia: 747-756 Yusuf ibn Abd al-Rahman al-Fihri
0750-0754 [Abassíada] Abu al Abbas As-Saffah (Bagdad)
0754-0756 [Abassíada] Al Mansur (Bagdad - 775)

Emirato de Córdova (depois de 756)
0756–0788 [Omíada] Abd ar-Rahman I [Córdova]

0757-0768 [Astúrias] Fruela I (o cruel)
________ 0757-0805 Flávio Teodósio ("conde de Coimbra")
0768-0774 [Astúrias] Aurélio
0774-0783 [Astúrias] Silo [Capital: Pravia]
0783-0788 [Astúrias] Mauregato (usurpador)

0788–0796 [Omíada] Hisham I [Córdova]

0788-0791 [Astúrias] Bermudo I
0791-0842 [Astúrias] Afonso II (o casto) [Capital: Oviedo, reconquista Lisboa]


0796–0822 [Omíada] Al-Hakam I [Córdova]
0822–0852 [Omíada] Abd ar-Rahman II [Córdova]


0842-0842 [Astúrias] Nepociano (usurpador)
0842-0850 [Astúrias] Ramiro I
0850-0866 [Astúrias] Ordonho I

0852–0886 [Omíada] Muhammad I [Córdova]

Reino de Leão (ex-Astúrias) & Condado Portucalense

0866-0910 [Astúrias] Afonso III (magno): divide o reino: Asturias, Galiza, Leão (910)
________ 868-873 [Portucale] Vímara Peres: fundação do condado Portucalense e Vimarães
________ 873-922 [Portucale] Lucidio Vimaranes
________ 878-920 [Conimbria/Portucale] Hermenegildo Guterres (conq. definitiva de Coimbra)
0910-0914 [Leão] Garcia I
0914-0924 [Leão] Ordonho II [Cap. Léon] (toma Évora)
________ 922-924 [Portucale] Onega Lucides
________ 920-928 [Conimbria] Aires Mendes
0924-0925 [Leão] Fruela II , Afonso Froilaz (925)
0925-0931 [Leão] Afonso IV
________ 926-950 [Portucale] Hermenegildo Gonçalves & Mumadona Dias
________ 928-983 [Conimbria] Gonçalo Moniz
0931-0951 [Leão] Ramiro II [Cap: Viseu]
________ 950-999 [Portucale] Gonçalo I Mendes
0951-0956 [Leão] Ordonho III
0956-0958 [Leão] Sancho I
0958-0960 [Leão] Ordonho IV
0960-0966 [Leão] Sancho I
0966-0984 [Leão] Ramiro III
________ 983-990 [Conimbria] Múnio Gonçalves
0984-0999 [Leão] Bermudo II
________ 990-1017 [Conimbria] Froila Gonçalves
            997: Gonçalo I Mendes de Portucale proclama ducado, e é deposto em 999.
________ 999-1008 [Portucale] Mendo II Gonçalves
0999-1028 [Leão] Afonso V
________ 1008-1015 [Portucale] Alvito Nunes
________ 1016-1028 [Portucale] Ilduara Mendes & Nuno Alvites
________ 1017-1034 [Conimbria] Mendo Luz
1028-1037 [Leão] Bermudo III
________ 1028-1050 [Portucale] Mendo III Nunes

Reino de Leão e Castela de 1037-1143

1037-1065 [Leão e Castela] Fernando I (magno)
________ 1050-1071 [Portucale] Nuno II Mendes
________ 1064-1071 [Conimbria] Sisnando Davides (-1091)
1065-1072 [Leão e Castela] Sancho II
          1071: indep. Portucale batalha de Pedroso - Nuno II Mendes é morto
1065-72 [Galiza] Garcia II  (C. Portucalense inserido na Galiza em 1071)
1072-1109 [Leão e Castela,Galiza] Afonso VI
________ 1091-1093 [Portucale & Galiza] Raimundo de Borgonha
________ 1091-1093 Martinho Moniz (Conimbria)
________ 1095-1112: [C. Portucalense] Henrique de Borgonha (c. Teresa de Leão)
1109-1126 [Leão e Castela] Urraca
________ 1114-1128: [C. Portucalense] Teresa de Leão
1126-1157 [Castela] Afonso VII (imperador, Portucalense até 1143)
________ 1128-1143: [C. Portucalense] Afonso Henriques


Surge aqui a 
DINASTIA de BOLONHA


O nome será Bolonha e não Borgonha... os irmãos Raimundo e Henrique seriam sobrinhos dos Reis de Jerusalém, Godofredo e Balduíno, conforme atesta Damião de Goes
A filiação do pai de Afonso Henriques é a Bolonha, de Boulogne-sur-mer, ou ainda ao Condado do Bulhão, de Bouillon, na Normandia.
Aliás essa ligação a Bolonha é reeditada por Afonso III, dito o Bolonhês, que se casará com Matilde, condessa de Boulogne-sur-mer.

É especialmente interessante notar o escudo de armas usado pelos Condes de Bolonha
Armas do Condado de Boulogne-sur-mer

Os três bezantes invocariam os três irmãos reconhecidos, filhos de Eustácio II e de Ida, ou seja, Godofredo, Balduíno e Eustácio III... os dois primeiros Reis de Jerusalém.
Ficariam de fora outros filhos, do casamento posterior, em particular Guilherme, o pai do Conde D. Henrique, conforme afirma Damião de Góis.

Assim, as nossas quinas poderão ser uma tentativa de correcção, passando de 3 para 5 bezantes... ou ainda reflectindo as 5 cruzes que Godofredo coloca no escudo de Jerusalém
Godofredo de Bulhão e o escudo com as 5 cruzes.

Poucos anos antes dos irmãos do Condado de Bolonha partirem para ser Reis de Jerusalém em 1099, a milhares de quilómetros, em 1088, uma outra Bolonha... esta de Itália, entrava na história ao fundar a primeira universidade.
O segundo milénio começava com duas Bolonhas: a francesa nas cruzadas e a italiana na universidade. 

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