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Ankh
É um dos símbolos mais persistentes nas inscrições egípcias, que é assim representado,
 
O símbolo Ankh numa inscrição egípcia. Templo de Amón-Rá em Karnak.

O mesmo Ankh é conhecido como "cruz ansata", tendo sido considerada cruz cristã para os coptas.

O significado egípcio estava ligado a um ideal de vida eterna, ou ainda à perpetuação das espécies, no ciclo reprodutor a que se pode associar na imagem o papel polinizador das abelhas (ou ainda, eventuais esporos). Thomas Inmann em 1869 já associava o Ankh aos órgãos reprodutores ("the male triad and the female unit"), e a manutenção de uma linhagem pela reprodução, visaria esse ideal de perpetuação da espécie.

Anca
Ver o símbolo Ankh como uma união entre o T terço reprodutor masculino e o Ó do útero feminino, não traz nada de muito estranho, tendo em atenção rituais religiosos mais antigos.
Acontece que a reprodução está ainda ligada à Anca, e normalmente ao alargar das Ancas durante a gravidez. Que a palavra Anca seja próxima de Ankh, e ambas se relacionem assim ao ciclo reprodutor, pode ser uma mera coincidência... ou talvez não.

Âncora
Uma outra coincidência fonética de Ankh é com o prefixo em Âncora. Isso não mereceria nenhuma referência especial, excepto que a forma das âncoras é demasiado parecida com o símbolo Ankh, para poder ser descartada. Digamos que é muitas vezes apresentada como um símbolo Ankh, a que se adiciona um crescente na parte inferior (mais recentemente, na perpendicular).


Este símbolo da âncora tendo implícita uma cruz cristã, foi usado pelos primeiros cristãos, e pode encontrar-se nas catacumbas romanas (figura em cima, à direita), ou em certos sarcófagos (em baixo, num museu de Konya, Turquia).


Curiosamente, e nesta última imagem isto ainda fica mais claro, podemos mesmo identificar semelhanças com o símbolo pré-histórico do Indalo (em Almeria, Espanha). Note-se ainda que há duas cruzes suásticas neste sarcófago (uma do lado esquerdo, e outra do lado direito) - ver notas (ii) e (iii) em baixo.

Há ainda uma cruz de São Clemente, associada justamente ao símbolo da âncora. Clemente foi um dos primeiros papas, do Séc. I, e terá sido morto afogado, preso a uma âncora. Por isso, é habitual considerar o símbolo da âncora como uma variante de cruz cristã, neste caso associada a São Clemente.

Na igreja de St. Clement Danes, na City de Londres, encontramos justamente uma associação à âncora, tratando-se de uma igreja da RAF (Royal Air Force), que também alberga uma loja maçónica desde o Séc. XIX.
Curiosamente, o símbolo da igreja tendo a âncora de São Clemente na parte inferior, tem na parte superior uma águia relativa ao símbolo da RAF. O conjunto é particularmente curioso porque a águia estende as suas asas sobre o conjunto tal como vemos em certas representações das deusas egípcias Nut ou Ísis, onde o símbolo Ankh está presente.


Terço
A forma como o símbolo Ankh é usado nas pinturas ou relevos egípcios traz, nalguns casos uma outra sugestão. Com efeito, se em diversos casos é usado parecendo uma chave, noutros casos é transportado na mão, e ficamos com uma certa ilusão de que a divindade transporta um terço do rosário.
 

O rosário é normalmente apresentado com a cruz, mas como o principal propósito era a contagem do número de orações, há versões sem cruz. A concatenação de rosa com cruz, está associada ao movimento rosacruciano, com ou sem maçonaria, e a todo o simbolismo associado que em muitos casos remetia justamente ao velho Egipto.

Ankh mexicano?
Nalguns sites é possível ver a suposição de que em Toluca (México), num complexo arqueológico azteca de Calixtlahuaca, está um símbolo Ankh.

 ☥ 

Percebe-se um pouco melhor, indo encontrar o objecto no Google Maps e vendo nalgumas fotografias a imagem da cruz ansata. Não me parece ser daquelas situações em que seja totalmente claro que o objectivo daquela construção era desenhar um símbolo Ankh, mas quer queiramos, que não é o que aparece. Com a direcção Nascente-Poente, apontando directamente para uma pirâmide em ruínas, junta-se o velho problema - as pirâmides como construções comuns ao México e ao Egipto.

Convém ainda notar que o símbolo Ankh é demasiado próximo do símbolo de Vénus  para que uma associação à divindade maternal, ou deusa do amor, não seja referida. Como o planeta Vénus foi ainda associado como "estrela da manhã" ou "estrela da tarde", a orientação Nascente-Poente, poderá ter alguma relevância.

Notas:
(i) Caí neste assunto, por via da restituição de uma estatueta egípcia Ushabti, que foi encontrada no México. O artefacto foi encontrado numa propriedade mexicana, e o dono terá entregue a estatueta à embaixada egípcia, que depois confirmou ser uma estatueta autêntica. O responsável egípcio terá dito que deve ter surgido de uma escavação ilegal, pois não estava declarada.
Estatueta Ushabti encontrada no México

Este assunto fez-me lembrar o tema Cabeça Perdida, de que falei em 2012, com a diferença que aqui não houve nenhum problema. Não houve problema, porque sempre que forem encontrados objectos egípcios no México, basta devolver ao Egipto, lugar onde eles deveriam estar, e ninguém fica chateado. Acabam-se logo os Ooparts.

(ii) A segunda nota diz respeito às cruzes suásticas.
Também são encontradas suásticas em Portugal, conforme se pode ver num trabalho publicado recentemente:
 


Num dos casos (Alto do Castro) a inscrição tem a suástica e depois as inscrições "ANICETO CAMPOS 1941", o que poderia levar qualquer observador descuidado a entender que se tratava de uma inscrição recente. No entanto, conforme os autores salientam, e bem, também se poderia tratar de algum simpatizante do "estado novo", que vendo a antiga suástica posta na rocha, decidiu associar o seu nome em 1941, altura em que o regime nazi estava ainda em ascenção mundial. No outro caso (Monte de Novais), as marcas têm claramente um registo antigo, que os autores atribuem à Idade do Ferro. Há mais ocorrências em gravuras rupestres (Portela da Laxe, Serra de Sicó, Castro de Pirreitas).

(iii) A outra situação diz respeito a um símbolo próximo da suástica que aparece frequentemente no País Basco. Trata-se do "lauburu", que é apresentado de forma mais arredondada. É encarado como um talismã de boa sorte, mas por outro lado é suposto representar ainda a unidade do País Basco.
Isto apenas para relembrar que este tipo de símbolos, como a suástica, estiveram espalhados por todo o globo, e são ainda usados em templos budistas (p.ex. na Índia ou China), sem qualquer conotação com o significado mais recente que lhes foi impresso pelo regime nazi. Na prática, como o símbolo era milenar, foi desconsiderada a sua ligação nazi, e como se o símbolo não fosse conspurcado por essa imagem negativa, continua a ser usado sem problemas, nos dias de hoje.

23.09.2018

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publicado às 05:15


2 comentários

De Anónimo a 12.10.2018 às 14:41

Sobre a suástica...
Segundo me consta, a cruz usada pelos Nazis roda no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio, ou seja, no sentido da involução.
A cruz usada pelos Budistas etc roda no sentido evolutivo, no dos ponteiros do relógio.

Gualdim

De da Maia a 12.10.2018 às 18:38

Caro Gualdim,
sim, é frequente ouvir dizer isso, mas não será bem assim.

O budismo usará 卍, o hinduísmo usará 卐 (como a cruz gamada nazi), mas parece algo mais arbitrário, e talvez só regulado mais recentemente, depois do uso nazi.

O artigo na wikipedia parece-me estar muito elucidativo:

https://en.wikipedia.org/wiki/Swastika

Mesmo nestas inscrições em solo nacional parece haver cruzes nas duas direcções.
Tenho algumas dúvidas que houvesse um particular cuidado em escolher uma direcção ou outra, ainda que possam ter tido significado diferente ou oposto, em certas culturas, ou em determinados momentos.

Abraço.

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