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O texto que se segue escrevi-o há quase duas semanas... era suposto ser sobre silêncio e ruído.
Tomou caminho diferente e tive que parar, porque por vezes as coisas ganham vida própria, e do que sabemos chegamos ao que não sabíamos.
Segue o texto conforme ficou... parado:
_______________________________________________ 
Zebras e Leões
Aprendemos de infância uma linguagem, pouco importa qual, interessa o processo.
Ninguém ensina uma criança a falar de forma sistemática... aliás a criança até quase pode dispensar o tutor individualizado, o que interessa é o despertar das palavras em si. Não das palavras, na forma de som, mas sim das noções que se associam a elas. 

Há um martelar do mesmo som associado a situação semelhante, e o som começa a fazer par com a situação que se repete. Até aqui não há nenhuma novidade, mas o "problema" é que não fica por aqui.

Os animais têm uma capacidade de aniquilar diferenças e remete-las ao mesmo tratamento igual.
Uma zebra aniquila a diferença entre leões com mais ou menos juba, pois a informação que lhe interessa é apenas a de se pôr a milhas de qualquer leão...
Pode parecer que o processo é destrutivo de informação, já que não cuidou de ver a distintiva juba do leão, mas a zebra não se podia estar a ralar menos para esse detalhe. De forma semelhante, o leão não parece muito interessado no padrão das listas da zebra, e presta-se a fazer refeição de qualquer uma.

O que interessa isto? 
Interessa que há uma criação de informação tomando por igual o que é diferente. Os leões são processados indistintamente pela zebra, e vice-versa. Se aí encontramos uma luta pela sobrevivência, podemos ver que o mesmo processo de tomar por igual o que é diferente permitiu definir a maior parte das noções abstractas que temos. 
Os copos, as mesas, as cadeiras, podem ser diferentes, mas retirámos as diferenças, e quando falamos num copo, não podemos dizer que falamos nalgum em particular, ainda que possamos nos referir a um em concreto.
Ora, como vimos, essa capacidade de abstracção simples parece estar presente nos animais.
Qualquer bicho tem processos inerentes desse género - servem a alimentação e a reprodução. Nalguns casos esses processos básicos evoluíram para uma socialização básica.

Uma socialização básica é apenas um apuramento desses instintos animais, onde o indivíduo procura obter vantagem aumentando o seu corpo. Ou seja, em vez de ser um único ser, a interacção de vários seres pode efectivamente levar à coordenação de um corpo maior. 
Não foge do seu aspecto animalesco se interagir com outros tendo em vista os fins animalescos.
Os leões ganham vantagem em caçar em manada, os humanos também, e em última análise fizeram exércitos para aumentar esse corpo. Os leões disputam a supremacia no grupo, e entre as fêmeas, e os humanos também... ainda que usem doutros artifícios de despiste. O maior do bairro, da paróquia, ou o mayor da cidade, do país, etc... poucas vezes é mais motivado do que por esse processo animalesco. Seja em que campo for, desde o campo de futebol, ao campo intelectual. 
A situação é tanto mais caricata que o macho em questão raramente pretende ser alfa, pretende que os alfas lhe reconheçam o estatuto de beta...

Quando deixa a socialização de ser básica?
Creio que a maior demonstração de uma socialização que ultrapassa o básico se dá quando o indivíduo abdica dos interesses próprios, para se colocar verdadeiramente noutros interesses.
Quando uma mãe defende uma cria, ainda que defenda a sua reprodução, coloca um futuro doutrém acima do seu interesse individual presente. Se é instintivo, radicado nos genes, então esses genes codificaram o destino presente do indivíduo como irrelevante face ao futuro.

Portanto, a socialização não básica é a dos parvos.
Quando o indivíduo coloca outros interesses acima do seu interesse individual animal, está a ser agente de um processo que ultrapassa os interesses do seu corpo. No entanto, continua a servir a lógica animalesca se tomar como destino apenas os seus filhos, ou alguma descendência comunitária específica. A noção primitiva podemos vê-la na mãe que defende a cria, mas o seu entendimento é limitado, provavelmente limitado pelos genes que lhe programam esse instinto. Esse é ainda o enquadramento fundamental, na ligação ao semelhante, mas deve ser estendido quando a compreensão das semelhanças se alarga à compreensão de todo o universo onde se insere. 

Ora, para a compreensão plena dessa parvoíce altruísta, a que também se chama "amor", os genes não são suficientes... porquê?

O Sísifo das Formigas
As formigas desenvolveram um processo de orientação baseado em feromonas, que lhes é muito útil na definição de caminhos, por onde umas se seguem às outras, mas ocorre um fenómeno interessante que é a possibilidade desse caminho definir um circuito. Como as formigas se basearam exclusivamente na orientação de feromonas, se esse caminho ficar circular, ficam aí presas... É algo ridículo para quem vê de fora, mas a condição de processamento animalesco, baseado numa programação genética, leva àquilo a que se chama um "loop infinito", e ao que é dito, o circuito pode não ser desfeito, ficando sucessivamente a andar em círculos até ao seu esgotamento e morte.

Portanto, nem toda a programação instintiva codificada nos genes ficou à prova de situações absurdas. 
E se a natureza foi madrasta para estas formigas não prevendo este detalhe ao dotá-las de feromonas, ofereceu-nos a possibilidade de ver o fenómeno, e tirar daí algumas ilações... nomeadamente sobre o comportamento de manadas presas a uma repetição tirada da história das suas feromonas.

Qual o principal problema nesta repetição? 
A incapacidade de ver a repetição.
Poderíamos dizer que as formigas não poderiam fazer de forma diferente, dada a informação circular... mas não é assim. Tão confiantes estavam nas suas feromonas que não abdicaram dessa orientação instintiva, apesar de ficarem cada vez mais fracas e sem alimento.

Ora, o que acontece com as formigas, acontecerá sempre com qualquer processo pré-determinado.
Qualquer regra escrita leva às mesmas acções perante as mesmas condições.
Assim, qualquer definição genética sofreria sempre do mesmo problema... do problema das formigas.
Sendo determinadas geneticamente, as acções seriam as mesmas perante situações semelhantes.
Pode argumentar-se que o cérebro se desenvolve distintamente, permitindo reacções diferentes perante situações similares... mas isso já é propriedade de cérebros mais evoluídos, e ainda assim não sairia do mesmo vício circular. Porquê? 
Porque se o cérebro fosse definido por um número finito de genes então esse próprio cérebro seria definido por um número finito de ligações (os neurónios não são infinitos), e a certa altura entrava em repetição, ao esgotarem-se todas as combinações possíveis. E isto é independente do exterior... quando o exterior se repete.

Portanto, para abdicar de andar à volta em repetições, o indivíduo teria que ter capacidade de questionar os seus instintos genéticos, ou animalescos. Teria que ter capacidade de se questionar, de ser parvo ao ponto de recusar o caminho por onde todos seguiam, e que instintivamente deveria seguir.
Ora, essa capacidade de auto-análise não é programável geneticamente.
Porquê? Porque é anti-instintiva, recusando o que é programado geneticamente.
A única coisa que a genética pode fazer é abrir a porta à programação exterior, ou seja, deixar que o caos externo se possa sobrepor à ordem interna inerente. A programação cerebral deixa de depender dos genes, e encontrando outra ordem nesse caos, é a ordem do caos exterior que definirá as noções infinitas.

Isto é apenas um pequeno complemento à evidência, já falada, de que um número finito de genes nunca poderiam programar um ser capaz de conceber o infinito. Num mundo de bezerros dourados pode ocultar-se que a inteligência artificial é impossível, pelo simples facto de ser impossível aritmeticamente a uma máquina finita desenvolver conceitos infinitos, mas isso seria voltar a falar do vortex de formigas. Isso seria falar do ruído do silêncio... 
____________________________________ 5/05/2014

Por que razão parei o texto?
Ora, o texto até estava a fluir, e apesar de extenso, até a questão maternal ligava bem com o "dia da mãe".
Apareciam várias ideias novas, que ainda não tinha aqui falado, e iria aproveitar para pegar noutras para o contexto do "Sísifo das formigas".
A parte que está a cinzento, era o fluxo planeado. A conclusão já a tinha, antes de aparecer outra.
É essa nova conclusão que remete a mais um item no tópico "Arquitecturas".

Poderia não escrever mais nada, mas não sei se fica suficientemente claro o que escrevi.
Ora, eu estava a seguir a argumentação genética, conforme a ciência tanto gosta.
O meu ponto era repetir que essa argumentação genética não podia funcionar no nosso caso, pela capacidade de conceber o infinito, pela capacidade de auto-análise, etc.
Porém, subitamente vi que poderia funcionar na mesma... e isso não estava à espera.

Ia para o argumento negativo porque não via o argumento científico positivo.
Ia para o argumento negativo porque estamos habituados a ver-nos de dentro para fora.
No entanto, bastava aceitar que a visão era feita de fora para dentro... e tudo encaixava!

O que significa isto?
Algo muito complicado e muito simples ao mesmo tempo.
Complicado porque é contra-intuitivo, simples porque é compreensível.
Significa que estamos fora do universo que vemos.
O universo físico é apenas uma plataforma de informação e comunicação.
Ninguém está dentro da internet... liga-se ao universo da internet.
Se se desligar, apenas perde a possibilidade de aí interagir e comunicar...

Até aqui seria apenas uma teoria normal, própria de um livro de sci-fi.
O problema é o encaixe. E o encaixe é perfeito.

Começa pela linguagem.
Como já disse várias vezes, ter a noção de infinito só poderia ocorrer num ser infinito. Se o nosso interior físico é limitado, o exterior não é. Por isso, a nossa noção de infinito tinha que estar fora do corpo.
O mesmo acontece com a simples noção de número.
Sabemos o que são 7 maçãs ou 7 laranjas, mas em que parte física está o número 7?
O número 7 não está em nenhuma natureza que conheçamos. Transcende toda a natureza, porque sabemos que podemos identificar 7 coisas, e estas coisas são o quê? São só o que conhecemos?
Não! A noção do número 7 aplica-se a coisas desconhecidas também.
Ora, como podemos ter esta certeza sobre o desconhecido?
O número 7 não se aplica a sete coisas... aplica-se a uma infinidade de coisas e à nossa capacidade de agrupá-las, contando sete... Pior, estabelece uma tal identificação que permite misturar na contagem alhos com bugalhos.
Tal noção só pode ter emergido depois de se ter formado. Esse invariante numérico é uma noção que o universo repetiu e repetirá pela eternidade. Só depois do número ter ficado como invariante universal, é que é impensável ser colocado em causa. Só depois é que pudemos pensar nele dessa forma.

Portanto a linguagem trouxe-nos noções infinitas invariantes que resistiram a todos os tempos.
São despoletadas nas crianças pela repetição, e ecoam firmes no infinito da sua mente onde se alicerçaram.

O processo vem de fora para dentro biologicamente... e essa foi a conclusão.
Foi a conclusão quando os genes que determinavam o indivíduo levaram a um cérebro.
Os animais passavam a ter uma possibilidade de ajustar a sua acção com o exterior. A programação ordenada geneticamente passou a aceitar modificações no comportamento através do cérebro. A formação do cérebro era interior pelo lado genético, mas exterior pela sua reprogramação na aprendizagem.
Se os instintos resultavam de ordens finitas programadas, a ordem que emergia do caos exterior permitia um novo conhecimento. O cérebro passou a ser programado como máquina formatada, com alguns programas de sobrevivência, vindos da genética, mas abriu-se também à programação externa. Se não existisse alguma ordem no caos exterior, nenhumas noções teriam sido adquiridas. Porém, o cérebro aberto a esse exterior incorporou essas manifestações externas, e fixou-as pelas noções invariantes.
Portanto, o nosso pensamento abstracto não vem do interior, está cimentado no exterior, e encontrou nos cérebros humanos uma maneira de manifestar as noções que tem... porque a arquitectura do cérebro humano era suficientemente flexível para o aceitar consistentemente.

Ora, esse exterior é comum, e por isso as noções abstractas são comuns, permitindo a linguagem.
Doutra forma, seria até suficientemente estranho que as noções abstractas fossem as mesmas, não havendo ponto comum.
Aquilo que estou a dizer nem sequer vai contra o que é assumido habitualmente... porque é obviamente pelo exterior que o cérebro aprende a linguagem. A grande diferença é que admitido que o exterior conseguiria com umas tantas repetições fazer despertar numa criança as noções da linguagem... que são infinitas, mas que ficariam dominadas "magicamente" por um cérebro finito. Isso é que é impossível matematicamente.
Por isso o nosso pensamento não pode residir nessa limitação, pode é ser condicionado por ela.

Por outro lado, ao colocar o pensamento num exterior que se manifesta e é condicionado por um avatar corpóreo, isso parece implicar que para além dessa condicionante corpórea, o substrato comum é o mesmo.
Digamos, vindos do exterior, os diversos pensamentos são canalizados para o cérebro onde fazem sentido no contexto corpóreo que o definiu. Como é óbvio, ainda que não tenham nenhuma manifestação física, ideias abstractas comuns existem... e com o contexto físico apropriado, podem ser partilhadas, mesmo para além da linguagem. Ou seja, se temos noções comuns, só condicionantes físicas implicam que não possamos ter pensamentos comuns. No entanto, quanto mais não seja a bem da diversidade, haver pensamento distinto é uma benesse contra o isolamento numa única entidade.

Este texto não será tão fundamental quanto os anteriores desta série, mas pela constatação dessa localização comum externa da abstracção do pensamento, apresenta uma visão bem diferente do habitual.

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publicado às 03:59


5 comentários

De Amélia Saavedra a 19.05.2014 às 12:49

Não sendo expert(a) em questões abstractas, mesmo assim, vou arriscar em fazer uma pergunta estúpida... estúpida porque o mais provável é não ter percebido bem o texto... o que é que impede um ser finito com um cérebro finito (qual maravilha da genética) conceber o infinito? Esta capacidade será fruto de alguma relação dialética entre o interior e o exterior? Como é que os animais conseguem adaptar-se a diferentes condições ambientais e não só? No caso do ser humano, que vai muito mais longe nessa capacidade de adaptação, conseguindo a proeza de ser o ambiente a ter que se adaptar ao ser humano... o que impede esta capacidade ter sido geneticamente programada? O Universo, segundo consegui perceber, é regido por inúmeras leis que parecem não mudar no tempo e no espaço... logo, o nosso caso (humano) já estaria previsto, certo?

"No entanto, quanto mais não seja a bem da diversidade, haver pensamento distinto é uma benesse contra o isolamento numa única entidade."... Creio também ser preferível, mas a tendência, ou melhor, o interesse é a uniformização global e plena (a todos os níveis, não só na organização das sociedades, como inclusive nos comportamentos - alterando hábitos, costumes e culturas)...

De Alvor-Silves a 19.05.2014 às 17:47

Como se costuma dizer, as perguntas nunca são estúpidas, é mais natural que sejam as respostas... e as únicas perguntas parvas são as provocatórias.

O infinito aparece normalmente nas conversas de criança, quando disputam por dizerem o maior número que conhecem.
Uma diz um número, a outra diz um número maior, e como é óbvio basta juntar um ao anterior para se ter um número maior.
O processo não tem fim.

É a conclusão de que o processo de contagem não tem fim que leva à noção de infinito numérico.
Da mesma forma podemos pensar que podemos sempre ter coisas a maior distância, e isso leva ao infinito espacial... curiosamente todas essas noções de infinito estão ligadas a um único infinito - o infinito temporal.

É a nossa capacidade potencial de repetir o processo pela eternidade que nos diz que nunca mais acabaria. Ou seja, poderia estar eu a dizer que a maior distância era um 1 milhão de anos-luz, outro diria que eram 2, e assim sucessivamente. Se não tivéssemos a capacidade de parar e concluir que a um número maior sucedia outro ainda maior, poderíamos ficar nisso até morrer.
Não experimentamos a eternidade, o tempo infinito, mas sabemos parar porque sabemos o que significa. Ora, como é isso possível? Se fossem os nossos neurónios a fazer essa conta... como são num número finito, diz-se 86 mil milhões (um pouco mais que a dívida à Troika), por muito que se esforçassem não passavam da sua limitação, não chegariam à noção de infinito... porque ela não está lá. Não pode estar em nenhuma combinação dos neurónios.
Suponha que a noção de infinito era encontrada numa combinação qualquer com 5 mil milhões de neurónios... pois bem, mas então para cada outro número que pudessemos conceber havia uma específica disposição de neurónios, e assim está a ver que 5 mil milhões mal chegariam para a primeira encomenda.
Por exemplo, um computador pode trabalhar com o símbolo de infinito, mas nunca pode conceber o que é infinito. Tem um número limitado de memória.

Pior, o computador nunca pode saber a diferença entre o número 1 e o 2.
Pode ensinar-lhe isso para um grande número de situações, mas não para todas as situações.
Imagine que tem um teórico da informática à procura disso (ainda há muitíssimos, porque o assunto não é divulgado).
Imagine que ele fez um programa que acha capaz de distinguir uma coisa de duas, para todas as ocorrências (LOL). Terminado o projecto você só tem que lhe pedir para o programa distinguir um - correspondendo a essas situações todas, de dois - repetir duas vezes a experiência. Ora, ele teria que fazer novo código... e a situação nunca pararia.

O que pode acontecer... e isso eu não tinha previsto antes de escrever este texto, é que poderá eventualmente despoletar uma inteligência semelhante à nossa através de uma máquina, mas isso é um assunto completamente diferente do que se tem procurado. O que se tem procurado é impossível. Parei o texto para perceber se esta divulgação abria alguma caixa de Pandora, dada a quantidade de espertinhos que por aí andam...

A conclusão que se retira é que todas as inteligências bebem de noções comuns, radicadas numa estabilidade que se formou na eternidade.
E se parece estranho dizer isto desta forma assumindo que a eternidade já existe, basta pensar que se não existisse nem teria sentido conceber a noção.

De Alvor-Silves a 19.05.2014 às 18:11

Estas noções abstractas formaram-se automaticamente e são como pilares invariantes no universo. Tudo mudou menos elas.
Essa certeza é tão grande quanto a certeza que tem de saber distinguir um de dois, para uma infinidade de conceitos. Pode nunca ter visto todos os grãos de areia do universo, mas sabe que se forem grãos de areia, consegue distinguir um de dois.

Isto não significa que o universo tenha parado... longe disso, como é óbvio. O que lançou foi pilares universais - os números, e não só... há outra racionalidade nas noções abstractas. Pode bem ser que a última racionalidade, que é a busca da razão para além da razão, se codifique numa única palavra agora lamechas - amor.
Afinal, foi essa razão sem razão que nos tirou de todos os instintos animalescos, e deu um sentido quando não parecia haver sentido.

De Amélia Saavedra a 20.05.2014 às 09:06

"What we do in life echoes in ETERNITY" - Citação retirada do filme - The Gladiator (um dos meus favoritos... ;-) )

De Alvor-Silves a 20.05.2014 às 16:34

Muito boa frase...
em poucas palavras pode-se dizer mais do que em textos enormes, mas são precisos textos enormes para alicerçar racionalmente o que as poucas palavras dizem. Porque quando se tem a sensibilidade para perceber, a frase entra como música, mas quando não se tem, a frase parece igual a tantas outras. Para não ser apenas uma questão de gosto, é preciso alicerçar o pensamento. É preciso ligar as palavras para que a música entre mesmo nos ouvidos mais empedrenidos.
Depois, quando os sons não forem atirados uns contra outros, como ruído em discursos vazios, saberemos tocar na sinfonia universal... Cada um tem as suas harmonias, e alguma desarmonia também faz parte da música. Mas é preciso primeiro afinar a orquestra, para que a harmonia se sobreponha ao ruído.
Podemos fechar os olhos, mas não os ouvidos, e som dos outros ecoa em nós, até pelo seu silêncio.

Grande filme, um dos melhores que já vi.

O grande problema, que ninguém parece querer aceitar é encontrar sentido num universo que não destrói.
De que valem enormes exércitos, se o inimigo não for destruído?
De que vale falar mais alto, se o som do outro se continuar a ouvir?
E é isso que deveríamos ter aprendido - que nunca deixaremos de inventar inimigos e de achar que os outros só emitem ruído. Podemos aniquilar uns, silenciar outros... mas o problema não é só dos outros, é também nosso.
Quem não soubesse viver num mundo onde nada se destrói, onde tudo se tem que conjugar, não encontraria lugar na eternidade.

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