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Há uns anos falei aqui das Pedras de Ica
https://alvor-silves.blogspot.com/2012/11/pedras-de-ica.html
mas não falei das Estatuetas de Acámbaro. 
Talvez porque o assunto fosse semelhante, talvez porque não soubesse delas à época, acabei por me ir esquecendo de relatar mais este caso de "objectos estranhos".

Uma imagem típica dessas 33 mil estatuetas é a figura de um homem cavalgando um estiracossauro

A história que podemos ler em diversos sítios (inclusive na Wikipedia) dá o assunto como possível falsificação, e a história parece ficar encerrada.

Já abordei aqui o exemplo do Marquês de Sautuola, que primeiro descobriu os touros de Altamira, mas que foi desacreditado, urrando-se então que seriam falsificações, etc... 
Só quando as descobertas passaram a ser também francesas, e não apenas espanholas, o gado amansou, o erro foi reconhecido e desculpas póstumas foram entregues à filha do marquês.

Poderia pensar-se que a comunidade aprende com os erros. Ora, é claro que não!
São inúmeros os casos de descobertas que são classificadas como falsificações, e noutros casos arranjam-se outras desculpas mirabolantes, todas para descartar o inconveniente, e satisfazer o conveniente de regressar à tese oficial. 
Eliminadas todas as provas no sentido contrário, é depois muito fácil arrogar que todas as provas apontam na direcção pretendida, e assim se vai fazendo "ciência"... 

O que tem de estranho o argumento de convivência de humanos com dinossauros?
- O dogma científico de que os dinossauros foram extintos há muitos milhões de anos.
Há alguma prova inquestionável disso? 
- Zero.
O que acontece é que a maioria das ossadas encontradas foram datadas de há muitos milhões de anos, e é claro não foram descobertas pinturas nas cavernas com desenhos de dinossauros. Definido um dogma, caso haja alguma datação diferente, é porque está errada. E, caso fosse encontrada alguma pintura rupestre com um dinossauro, seria descoberta, ou seja, tornada pública?
Pois, é neste estado de (des)confiança que vivemos.

Pelo facto de não terem vindo a público datações de ossadas de dinossauros mais recentes, isso não significa que não possam existir. Não me pareceria nada escandaloso admitir que restassem alguns dinossauros até ao aparecimento humano, e já houve espécies que foram dadas como extintas, até que foram encontradas vivas - um caso bem conhecido é o do celacanto (peixe).

O mosaico romano sobre o Nilo, encontrado em Palestrina, Itália, apresenta um bicho identificado como "Crocodilopardalis", o nome é uma mistura entre Crocodilo e Leopardo (pardalis), e deve ser entendido na medida em que os romanos chamavam "Camelopardalis" à Girafa. Ou seja, a girafa era vista com particularidades similares ao camelo e ao leopardo (as marcas na pele). 
O animal tem sido visto como um possível dinossauro, e o nome sugere que tivesse uma cabeça com dentição do tipo crocodilo - tal como os dinossauros tinham, e um corpo com algumas manchas na pele. Depois, é ir a uma lista de dinossauros africanos, e escolher o mais parecido...

Portanto, parece ser precipitado assumir que não haveria dinossauros há uns milhares de anos atrás.
No entanto, fico perfeitamente confortável com a hipótese de que os dinossauros se extinguiram há muito, e não seria um desenho a mudar a narrativa.

A questão é outra.
A questão é assumir que não estiveram disponíveis fósseis de dinossauros aos olhos dos nossos antepassados. Que sentido faz pensar que os fósseis só se tornaram visíveis desde o Séc. XVII ou XVIII, e antes eram inacessíveis ou desprezados? 
Não aparecem estes fósseis aos olhos de quem quer ver, quando há deslocamentos de terras?
Não houve tantas escavações e explorações mineiras ao longo da Antiguidade?

Portanto, mesmo sem estar em causa a presença de dinossauros num tempo mais recente, parece-me ridículo assumir que não houvesse uma idealização da sua forma com base nas ossadas.
Afinal não foi também isso que nós fizémos?

Sendo assim, antes de queimar a credibilidade de pessoas, seria bom assumir que também podemos estar perante efectivos achados.
Neste caso houve datações por termoluminescência que apontaram para 2500 a.C., mas foram datações refutadas dizendo que a técnica estava ainda pouco testada, ou argumentando que tinham aparência de "não estar desgastadas pelo tempo" (é claro que fracturas limpas, poderiam aparecer pelo simples facto de se terem partido durante a escavação).
Diz-se ainda que Waldemar Jusrud, que as foi recolhendo em 1944, pagava 1 peso por figura aos camponeses mexicanos, por cada figura encontrada (reuniu 32 mil, terá pago 32 mil pesos?). Teria sido isso a despoletar o fabrico massivo de figuras pelos camponeses (com imaginação e engenho, porque incluiam ainda figuras que lembravam sumérios, etc.)! A inspiração campesina em 1944 teria sido o cinema de Acámbaro. No entanto, Jusrud disse que fez isso, só depois de ele próprio ter encontrado uma razoável quantidade de figuras acidentalmente.

O ponto mais crítico para a tese de falsificação à la carte, é que os camponeses apresentaram figuras de saurópodes com serrilhados nas costas, como neste caso (há muitos outras similares):

Isto era considerado uma apresentação errada de um saurópode, que normalmente era representado sem nenhum serrilhado... Porém, em 1992, passados quase 50 anos sobre a descoberta das figuras, concluiu-se que de facto os saurópodes podiam ter serrilhados nas costas, conforme o artigo de Stephen Czerkas, "Discovery of dermal spines reveals a new look for sauropod dinosaurs", publicado na revista Geology. Aí era apresentada uma figura ilustrativa:

Stephen Czerkas (1992) ilustração do saurópode com serrilhado nas costas ("dermal spines")

Portanto, temos uma outra "coincidência".
Não só os camponeses mexicanos de Acámbaro tinham a imaginação cheia de dinossauros, sumérios, etc... como se lembraram de pôr erroneamente um serrilhado em dinossauros saurópodes. Tiveram tanta sorte neste seu erro que passados 50 anos se verificou que tinham mesmo!

É claro que nada disto afectou minimamente a opinião consensualmente estabelecida...

É facil perceber que não poderia modificar, porque as pessoas estão terrivelmente presas às suas ideias pré-estabelecidas, e não são pequenas coisas que as fazem mudar de opinião. Mesmo que encontrassem um dinossauro vivo, seria mais fácil julgarem que viria de um "Jurassic Park" do que pensarem que se tratava de algum resistente sobrevivente, de tal forma esta ideia do desaparecimento antigo ficou incutida.

Acresce a este apontamento uma outra imagem que já aqui tinha usado, referente a inscrições rupestres feitas pelos índios dos Grandes Lagos na América do Norte:

Também neste caso, aquilo que poderá parecer ser um saurópode com um serrilhado nas costas, perseguido por índios numa canoa, não passará de mais uma "coincidência". A representação seria errada antes de 1992, mas depois disso é coincidência estar certa.

São Jorge
A figura de São Jorge está intimamente ligada à morte do dragão, conforme foi inúmeras vezes representado, por exemplo neste caso, pelo pintor renascentista Paolo Ucello:
Paolo Ucello - São Jorge e o dragão (1458-60)

Este era um dos medos instaurados na população medieval - a eventual presença de um dragão - que ameaçasse a sua sobrevivência, e que seria eliminado por um cavaleiro destemido como S. Jorge.

Ora a existência de dragões pode ligar-se a transportar a palavra dinossauro para o mesmo contexto.
Mais concretamente, se pensarmos em asas, podemos facilmente acreditar que não seria fácil encontrar uma ossada de um pterodáctilo...
... sem pensar que tal bicharoco poderia causar graves problemas de sobrevivência, para o reino.

Portanto, é imediato fazer a ligação entre referências a dragões com referências a dinossauros.
Se eles estavam ou não vivos, isso é um assunto secundário. O medo existiria se não houvesse a convicção de que tais bichos estavam extintos há milhares de anos, e poderiam ainda aparecer.

A bandeira de S. Jorge, a cruz vermelha sobre fundo branco, foi muito usada pelos portugueses e  pelos ingleses. Confunde-se um pouco com a bandeira templária, mas o ponto principal, caso ainda houvesse vestígios significativos deste tipo de bicharocos... seria o seu extermínio.
Portanto, se quisermos supor que na América do Norte ainda havia vestígios de dragões/dinossauros no Séc. XV, um bom moto de extinção definitiva seria usar a bandeira de S. Jorge. Talvez não apenas para extinção, mas também para ocultação da sua presença recente, quando novos colonos viessem a ser convidados a instalarem-se naquelas paragens.
Isso é uma hipótese alternativa a uma eventual necessidade de ocultação de territórios que não tinham ainda sido "desinfectados". Em causa estariam algumas paisagens americanas e australianas.

O Atlas Miller tem diversos bichos, que identificamos como existentes, mas também tem outros que colocamos na imaginação como sendo "dragões", vendo-se aqui um caso:
Excerto do Atlas Miller (ver imagem aqui)

Se estes animais, tantas vezes representados e considerados como fruto da fantasia decorativa, existiam ou não, pois isso é mera hipótese de especulação ligeira. No entanto, pode não ser tão ligeiro considerar que os exploradores da época estavam de alguma forma pensando neles quando relatavam as suas observações, passadas para o desenho dos cartógrafos.

Não me parece que tenha sido esta uma causa de ocultação, sendo muito mais credível que os novos territórios só foram "descobertos" quando havia já garantias suficientes de que as novas colónias continuaram a obedecer aos reinos europeus, por indirecta via da maçonaria.

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publicado às 04:23


19 comentários

De João Ribeiro a 17.09.2018 às 13:39

Lembrei-me disto:

https://alvor-silves.blogspot.com/2014/02/cosquer-caverna-rupestre-submersa.html?showComment=1485901030109#c7221383579744344437

Poder-se-à pois juntar este relato in loco a todas as provas de coexistência entre humanos e dinossauros. E não acredito que o relator tivesse algum tipo de agenda que o forçasse a inventar esta descrição.

Cumpts,

JR

De da Maia a 17.09.2018 às 17:48

E lembrou muito bem, João!
Sabia que tinha discutido isso há pouco tempo, e já não me lembrava onde estava...

Cito o que escreveu então:

Tirado da História Trágico-Marítima de Bernardo Gomes De Brito, Naufrágio da Nau São Bento (edição do Círculo De leitores, pág. 55-56)

“vimos da banda d’além sair uma alimária maior que cavalo debaixo de certas lapas, e de cor negra, ao que cá donde estávamos pareceu, a qual nas partes que mostrava fora de água, que foram cabeça e pescoço, e parte do lombo, nenhuma diferença tinha de camelo; e se o assim há marinho, certo que este o era; do qual quis escrever isto, porque em nenhuma parte de todo aquele caminho achámos despois outra alimária de tal feição.”


Há também o estranho Ipupiara, que foi desenhado no livro de Pedro Magalhães Gândavo:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Ipupiara_(criptozoologia)

... e que é muitas vezes esquecido.

Na maioria das vezes é bem mais fácil perceber a agenda de quem escreve a versão oficial, do que a agenda de quem, à conta de lucrar zero, escreve o contrário disso.

Ou seja, é fácil perceber que há muita gente que se dedica a teorias alternativas com um objectivo de vender uns livros, cobrar umas palestras ou conferências, ou até simplesmente para tornar-se conhecido. Alguns acreditam mais ou menos no que escrevem, outros nem isso... é simplesmente mais uma negociata.
Agora, antigamente, há uns séculos, quando havia a pressão da inquisição... só escrevia fora do bacio quem tinha alguma coisa para dizer e que não podia ficar esquecida. Poderiam estar errados, ter feito confusão, mas dificilmente vemos alguma agenda.

Abç

De João Ribeiro a 18.09.2018 às 13:24

Bem, e dois há as descrições zoológicas de Fernão Mendes Pinto na sua "Peregrinação".

Se isto fosse um país como deveria de ser quão interessante seria instituir algum tipo de organismo dedicado aos estudos Peregrinos onde se tentasse descortinar o roteiro, alimárias e povos narrados por Fernão Mendes Pinto.

Cumpts,

JR

De João Ribeiro a 18.09.2018 às 13:26

Perdão... Onde se lê "dois" deve-se ler "depois".

De da Maia a 18.09.2018 às 17:16

Pois... a Peregrinação deve ser outra boa fonte, e curiosamente ainda não tenho aqui nada que remeta para ela. Também é verdade que só a raras vezes passei os olhos pelo livro, mas foi porque nunca calhei a encontrar nada que de imediato me espantasse.
Mas tenho a convicção de que se procurar melhor vou encontrar...

Abç

De João Ribeiro a 19.09.2018 às 22:21

É talvez o livro mais interessante que alguma vez li e o mais curioso. Aconselho vivamente. Encontrará lá material que daria para criar um blog exclusivamente dedicado a "Peregrinação". É o melhor testemunho in loco de variadas situações dos nossos descobrimentos.

Um pequenino exemplo curioso...

Ou existiram pelo menos 2 naus "Frol de la mar" ou esta não se afundou em 1511 porque em 1537 parte novamente de Portugal para a Índia indo como capitão Lopo Vaz Vogado.

A partida desta armada é comprovada pelas "Décadas da Ásia" de João de Barros.


Cumpts

JR

De João Ribeiro a 19.09.2018 às 22:23

CapII da peregrinação.

De Alvor-Silves a 20.09.2018 às 03:47

Pois é um assunto pendente...

Quanto ao Frol de la mar, o nome é estranho e tem sido traduzido como "Flor do Mar", ou ainda "Flor de la mar".

Afonso de Albuquerque refere-se aos navios de grande dimensão que existiam na Índia, segundo a sua escrita "na imdia avia":
- "frol de la mar"
- o "cirne"
- o "rrey gramde"
- a "rumesa"
estas eram naaos da gramdura que vos alteza já lá sabe.
(e depois descreve as mais pequenas)

Sendo um manuscrito que o filho recuperou é natural que "frol" fosse "flor" por lapso na troca de letras, mas também poderia ser "farol de lá mar"... ou algo do género, por isso fez muito bem em deixar "Frol" e não escrever "Flor".

Há uns anos disseram que a tinham encontrado (julgo que a de 1511), mas não vi mais nada de concreto.

Abç

De Anónimo a 20.09.2018 às 19:14

Caros,

Perdoem-me a interrupção, mas serve apenas para lembrar da "industrialização" da marinharia "renascentista" Portuguesa.
Em muitas ocasiões, como a da 2ª viagem de Vasco da Gama à Índia, eram levadas Caravelas desmontadas, no porão das naos. (Penso ser conhecimento geral esta ocorrencia, lembro-me de um professor meu falar disto, há várias decadas).
Este facto é de extrema importância, pois não só demonstra o conhecimento marítimo e da navegação nos 2 oceanos (atlantico e índico) à época da 2ª viagem de VdG, como também demonstra a segurança na navegação, quando em "certas circunstâncias" terão 2 embarcações em 1, correndo o risco de perder ambas num naufrágio.

A duplicação de nomes pode vir daí.
Supondo que a segunda não tinha as peças todas para a completar, e tiveram de usar as da primeira, faria sentido passar o "testemunho" (neste caso o nome) d'uma embarcação para a outra.

Cumprimentos,
Djorge

De da Maia a 21.09.2018 às 12:02

Não tenho conhecimento disso... por isso seria conveniente ter algum livro onde isso fosse dito, de preferência remetendo para a fonte.
A duplicação de nomes não me parece ser invulgar, e ter existido uma nau de referência com um nome, poderia facilmente motivar a que outra tivesse o mesmo nome. Aliás, podemos ver a duplicação de nomes em tantas terras descobertas - por exemplo, lembro-me de Santarém e Óbidos, no Brasil.

Abraço.

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