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A Cartografia Portuguesa está muito dispersa na internet, e apenas uma pequena parte está na Wikipedia, não sendo sempre fácil colocar mapas aí, devido à política de rigoroso controlo de direitos legais que a wikipedia respeita.

Fomos contactados por David Jorge, que decidiu compilar uma grande base de dados cartográfica, especialmente focada na cartografia nacional:
https://mega.nz/#F!moN3iSjL!0a57E0iCJijqGqtCKT67ww
e que tem mapas com elevada resolução.

Foto anterior - a localização foi mudada - está agora em Mega.nz

Em particular, David Jorge interessou-se pelo planisfério atribuído a Sebastião Lopes e Pedro Lemos (com datação atribuída de 1590):
Planisfério de Pedro de Lemos e Sebastião Lopes, datado 1590.
(download
Este mapa com datação tardia tem vários detalhes curiosos, nomeadamente na parte da Terra Nova e Labrador, onde se focou o David Jorge - sendo de 1590 não menciona posses francesas, evidenciando as portuguesas... ou qual seria a correcta interpretação da bandeira azul listada?

Mas não só. Há ainda uma cartografia de toda a parte Árctica com razoável precisão, especialmente se notarmos que a posição das bandeiras e indicará uma datação de c. 1530, ou seja, 60 anos anterior à atribuição oficial. Este mapa seria uma provável cópia de mapa anterior, também onde se poderá ter inspirado o Theatrum Mundi de Lavanha e Teixeira.

O Instituto Hidrográfico usa como símbolo uma Rosa dos Ventos, atribuída ao mesmo cartógrafo Sebastião Lopes, nesta outra carta de 1558:
Carta de 1558 de Sebastião Lopes, com a Rosa dos ventos,
usado no logotipo do Instituto Hidrográfico. (download do mapa)
_________________________________________________
Nota - Actualização de 25/02/2017
- actualização do site para Mega,nz, conforme comentário de David Jorge.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 07:56


16 comentários

De Anónimo a 22.02.2017 às 11:13

Em breve novos links para a biblioteca....
DJorge

De Alvor-Silves a 24.02.2017 às 04:51

Caro David Jorge, aguardo esses links, porque pouco tempo depois o site ficou inacessível, aliás ainda está...
Um abraço, e votos de bom trabalho.

De Anónimo a 24.02.2017 às 16:40

Aqui fica o novo link com novas cartas adicionadas à biblioteca:
https://mega.nz/#F!moN3iSjL!0a57E0iCJijqGqtCKT67ww

DJorge

De Anónimo a 24.02.2017 às 17:51

Sobre um dos "mistérios"(Mapa de Pedro Lemos e Sebastião Lopes), o das 2 bandeirolas listadas a vermelho e branco de forma triangular, diferentes dos "estandartes" quadrados com as mesmas listas ainda não tenho fundamentos completos mas deixo aqui o seguinte link que, carecendo de uma tradução ainda, penso representar um navio otomano na página 859 do tratado de marinhagem de Pirî Reis: http://gallica.bnf.fr/ark:/12148/btv1b6000438h/f859.item.r=portolan.zoom

Cumprimentos,
DJorge

De Alvor-Silves a 25.02.2017 às 14:57

Pois, é deveras notável a quantidade de mapas com qualidade que conseguiu reunir.
Presumo que também não seja fácil encontrar um sítio que albergue essa informação toda (esse mega.nz parece colocar algumas restrições ao download).
Obrigado!

De Alvor-Silves a 25.02.2017 às 15:22

Outro bom link - o acesso ao tratado de Piri Reis, que tem bastantes mapas costeiros, nomeadamente um de Istambul... que é praticamente dos poucos que se pode tentar reconhecer.
O navio em causa, com as velas latinas, é muito próximo de uma caravela portuguesa, e ainda que tenha o símbolo da flor-de-lis, pode também ser um navio otomano.
Quanto às riscas vermelhas e brancas... é complicado tirar conclusões.
Sugiro ler isto:
alvor-silves.blogspot.pt/2016/06/arrisca-seguir-risca.html

Cumprimentos.

De Maria da Fonte a 28.02.2017 às 21:34

Caro Da Maia

Sobre os Corsários que eram Reis, nunca se sabendo se seriam Capitão ou Almirante, levantam-se questões tão complexas, que por vezes me parecem ser um absurdo.
Mas serão?

Sabemos que os Portugueses se disfarçavam de Espiões e adoptavam nomes árabes. Vamos encontrar Espiões desses, na Costa de África e na Índia, por exemplo.
Também sabemos, que Dom Sebastião, quando pressionado pelo Papa, para "combater o Turco", se esquivou diplomáticamente.
O inimigo era Veneza.

Veneza que em conjunto com o Papa e os venerados Templários, destruíra Bizâncio.
Veneza que provocara o Crash financeiro de 1340, que arrasara a Europa.
Veneza, que Dom João II confinara ao Mediterrâneo, segundo um Tratado, que pese embora não termos acesso aos Termos do Original, se destinava a impedir a Sereníssima República, de pôr um remo que fosse no Atlântico, ou no Índico.

Existiam dois Reis, Tio e Sobrinho, de que nada se sabe ao certo.
Kemal, o Tio, era conhecido por Camali ou Camalaichio.
Combatera por Boabdill de Granada, um Mauria da Índia.
Diz-se que teria inventado os canhões fora de bordo....

Navegaram juntos e juntos combateram Veneza, desde 1495 a pedido do Sultão Bayezid II.
"Digam a Kemal para vir ter comigo, disse " e me aconselhe nos assuntos do Mar".
Diz-se que foram construídas duas Caravelas, uma para Kemal outra para Burak ou Barak, que também se pode lêr Baracho.
Diz-se que o seu nome seria Amade Camalidino. Não seria própriamente um nome Árabe, mas serviria.
A Camalie e Piri junta-se um outro Corsário de nome Cortugoli que também é Reis, e terão combatido heróicamente, surgindo em vários lugares com a rapidez de um raio.

A última vez que o navio de Camali foi avistado, diz-se, foi em 1511. Terá morrido no Mar.

O sobrinho Piri, escreveu em sua homenagem no "Livro da Navegação" um sentido poema, que quanto a mim, ou está mal traduzido, ou Piri, que poder ser Pedro é propositadamente revelador.

Lembrei-me de falar neste assunto, em que penso há bastante tempo, porque o Da Maia recordou aqui o famoso Mapa e o Kitab-i-Bahriye e eu recordei o Atlas Miller e outros nomes.

Abraço

Maria da Fonte

De Maria da Fonte a 28.02.2017 às 21:58

Errata:Deve lêr-se Curtoglo ou Kurtoglo e não Cortugoli,se bem que venha dar no mesmo.
Kurtoglo ter-se-há junto a Kemal e a Piri Reis em 1509.

De da Maia a 06.03.2017 às 13:23

Acerca do nome turco "Reis", que significa "almirante" ou "capitão"

https://en.wikipedia.org/wiki/Reis_(military_rank)

... talvez não seja de desconsiderar uma origem indo-europeia, ligada ao mesmo que "raja" na Índia, e que é apontado para estar também na origem do nome "reis" enquanto detentor do comando:
http://www.etymonline.com/index.php?search=raja

De forma muito breve, "reis" seriam os que seguiam à frente, enquanto "rês" seriam os que seguiam atrás... a ré, o resto.
O facto de se escrever "reis" da mesma forma que nós, é pela mudança que o turco sofreu, escrevendo-se com o alfabeto latino... mas muito provavelmente a origem é a mesma, e com tanta volta, acabou por se escrever da mesma forma.

Depois, também há toda a questão dos ingleses usarem a mesma palavra "turkey" para "turco" e "peru"... sendo que no nosso caso o nome "Peru" se refere a outro país, enquanto para os franceses a ave é simplesmente "D'inde" - da Índia (os turcos também lhe chamam "hindi").

Quanto às confusões turco-venezianas... para mim é sempre um mistério que quando Afonso de Albuquerque estava pronto a libertar Jerusalém, e finalmente realizar a velha táctica da cunha - que seria apanhar a cidade pela retaguarda, conforme era plano templário da Ordem de Cristo, e do Infante D. Henrique. Nessa altura ficou o plano de Afonso de Albuquerque sem efeito, pela substituição do vice-rei, e os turcos em 1516 apanharam a cidade dos mamelucos - já enfraquecidos.
Vá-se lá saber porquê...

Abraços.

De Anónimo a 07.03.2017 às 12:33

Caros,

Sobre "Piri", o sobrinho ou "Kemal" o tio, aqui ficam alguns artigos que encontrei no site do Comité Français de Cartographie (http://www.lecfc.fr/):

Couto, Dejanirah - Autour du Globe - Carte Hazine nº 1825 - 216-article-10.pdf
[encontra-se na biblioteca anunciada acima dentro da pasta: 1550-1599 - Reis, Piri - Kitab-i bahriyye - کتاب بحریّه - O Livro da Armada (1ª Versão)]

Soucek, Svat - Piri Reis - 216-article-11.pdf
[encontra-se na biblioteca anunciada acima dentro da pasta: 1600-1699 - Reis, Piri - Kitab-i bahriyye - Book of Navigation (Expanded Version)]

e outro que é uma "adaptação da conferência The 1513 Map of Piri Reis: An Historical
Puzzle, proferida em Nova York, na Universidade de Columbia, em novembro de 1993." pelo Contra‑Almirante da Marinha Brasileira - Max Justo Guedes.

Guedes, Max Justo - A carta náutica de Piri Reis (Piri Reis Haritasi), 1513 - v17n1a07.pdf
[encontra-se na biblioteca anunciada acima dentro da pasta: 1513 - Reis, Piri - Mapa Mundis Pars]

É interessante o facto dos 3 artigos terem pontos de vista diferentes quanto à origem do "escravo" que segundo a tradução dos textos no seu mapa mundi, era de seu tio e foi uma das suas fontes para os mapas que compilou no Kitab-i bahriyye e no seu mapa mundi.
Sobre os textos do seu mapa mundi, circula na internet a tradução, que o escravo seria "spanish".
Ver documento "Key to the Piri Re'is Map.pdf"
[encontra-se na biblioteca anunciada acima dentro da pasta: 1513 - Reis, Piri - Mapa Mundis Pars]

Por sua vez, Deja Couto, admite a hipótese de ser um dos marinheiros da viagem de Magalhães um Veneziano, Italiano ou Português. Enquanto Soucek traduz o texto do Kirab e encontra diversos textos onde o prório "Piri Reis" se apresenta como "slave" (escravo) na apresentação do seu tratado.

Por sua vez, os 3 autores mencionam a importância que Ibrahim Pasha no reconhecimento do trabalho de Piri Reis como (cartografo/cosmógrafo)?? e a influencia que teve na reedição do Kitab e sugestão que Piri Reis a dedicasse a Suleiman. De notar que o wikipedia define Ibrahim Pasha como Cristão e que foi conhecido como Frenk Ibrahim Pasha ("the Westerner") antes de ser conhecido como o "favorito" e finalmente o "morto".

Um abraço,
DJorge

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