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A propósito da tenebrosa execução de Robert Damiens em 1757, que mencionei num comentário, e recuperando a descrição do famoso Casanova
... "tentou assassinar Louis XV; mas apesar do falhanço, tendo o rei apenas sofrido uma pequena ferida, [Damiens] foi feito em pedaços, como se o crime tivesse sido consumado ... Fui forçado várias vezes a virar a cara e a tapar os meus ouvidos pelos seus gritos agonizantes, quando metade do corpo lhe era arrancada, mas os Lambertini e a Mme XXX nem se mexeram."
... percebemos como uma sociedade pode ser maquinizada, desprovendo os indivíduos de qualquer visão reflexiva. A desproporcionalidade pensada pelos carrascos reais fora tal, que dificilmente haveria imaginação suficiente para pensar em penalizá-los em sofrimento com o mesmo nível de perversidade exagerada que ali cometiam. 

Ao contrário do que é vulgar pensar, os aspectos de crueldade, a frieza ou requintes de malvadez, não são propriamente novidade trazida com a espécie humana. Estiveram presentes na natureza de forma banal, a partir do instante em que uns serviram como alimentação de outros, de uma forma que podemos entender como mais, ou menos, perversa ou brutal. Nem a natureza foi propriamente condescendente na necessidade alimentar dos seres vivos. O tempo exigido às necessidades de sobrevivência foi sempre exigente, e praticamente, assim que o animal digeria a sua refeição, já deveria começar a procurar a próxima, numa labuta diária incessante. Aliás, apesar das diferentes fontes de recursos energéticos, houve o "cuidado" de criar estômagos dedicados a um tipo de alimentação específica, sendo raros os casos de animais omnívoros.
As situações em que animais se podem encontrar em situações particularmente funestas e perversas, são tão variadas como o caricato caso das tartarugas, que incapazes de se voltarem, perecem implacavelmente ao sol.
Para além das ameaças de grande dimensão, a natureza não descurou trazer ainda grandes ameaças de pequena dimensão, na forma de infestações, doenças por vírus, bactérias, ou até por simples rebelião interna das próprias células. O panorama natural teve uma inconstância tão grande, que os ocasionais momentos de paz, de alguma normalidade, seriam o maior factor positivo.

Assim, por muito criativas que sejam as mentes perversas, não serão propriamente originais nas suas formas de perversidade. O embrutecimento está na natureza, é natural, e do ponto de vista objectivo não há grande diferença entre uma devastação nuclear de uma cidade, ou a sua destruição completa por algum fenómeno natural. A maior diferença é que num caso podemos apontar responsáveis, e no outro não... pelo menos até ao momento em que haja responsabilidades humanas na manipulação de fenómenos aparentemente naturais, sendo por exemplo antigas as técnicas de infestações em cidades sitiadas.

O ponto principal na observação de Casanova não era propriamente a crueldade da execução de Damiens, seria muito mais o aplauso ou indiferença dos que assistiam. Aliás, o aspecto perverso da execução reside apenas em considerar-se que era realizada por humanos e não por bestas.
É perfeitamente inútil esperar racionalidade ou compaixão de bestas, tal como é perfeitamente inútil esperar racionalidade ou compaixão da violência de um fenómeno natural, ou da acção de uma máquina descontrolada. Um sujeito que seja vítima de violência gratuita só sofre mais se atribuir ao executor alguma humanidade... uma vítima de ataque de um lobo não tem grandes esperanças sobre as intenções do animal, e a coisa só poderá piorar se afinal estiver rodeado por uma matilha. Como se terá vindo a constatar posteriormente, no decurso do Regime de Terror, na sociedade francesa tinham-se criado todos os mecanismos educacionais propícios a matilhas sanguinárias.


Casanova na Maçonaria
Na vida de Giacomo Casanova, plena de negócios e viagens aventurosas, para além dos mais conhecidos registos amorosos, terá tomado parte integrante a Maçonaria.
Nas suas memórias, deixa alguns apontamentos sobre uma sociedade secreta que começava então a impor-se no panorama europeu (excertos daqui)
It was in Lyon that a respectable individual, whose acquaintance I made at the house of M. de Rochebaron, obtained for me the favour of being initiated in the sublime trifles of Freemasonry. I arrived in Paris a simple apprentice; a few months after my arrival I became companion and master; the last is certainly the highest degree in Freemasonry, for all the other degrees which I took afterwards are only pleasing inventions, which, although symbolical, add nothing to the dignity of master.
É especialmente interessante a sua constatação pragmática de que apenas os 3 primeiros graus, conducentes ao título de "Mestre", seriam efectivas novidades, remetendo os restantes títulos a meras invenções aprazíveis. Sendo certo que não terá chegado aos famosos 33, talvez não visse mais no segundo 3 do que uma repetição do primeiro. Não é propriamente uma novidade que os 3 primeiros graus são os mais importantes, mas não tinha ainda encontrado uma afirmação tão contundente sobre a aparente frivolidade dos restantes.
No one in this world can obtain a knowledge of everything, but every man who feels himself endowed with faculties, and can realize the extent of his moral strength, should endeavour to obtain the greatest possible amount of knowledge. A well-born young man who wishes to travel and know not only the world, but also what is called good society, who does not want to find himself, under certain circumstances, inferior to his equals, and excluded from participating in all their pleasures, must get himself initiated in what is called Freemasonry, even if it is only to know superficially what Freemasonry is. It is a charitable institution, which, at certain times and in certain places, may have been a pretext for criminal underplots got up for the overthrow of public order, but is there anything under heaven that has not been abused? Have we not seen the Jesuits, under the cloak of our holy religion, thrust into the parricidal hand of blind enthusiasts the dagger with which kings were to be assassinated! 
Casanova continua, dizendo claramente que quem não quiser "sentir-se inferior aos seus iguais", não pode deixar de procurar a Maçonaria. E se a reputa como instituição benemérita, não deixa de afirmar o seu uso para conspirações na alteração da ordem pública, ao mesmo tempo que remetia também aos jesuítas outras conspirações regicidas.
All men of importance, I mean those whose social existence is marked by intelligence and merit, by learning or by wealth, can be (and many of them are) Freemasons: is it possible to suppose that such meetings, in which the initiated, making it a law never to speak, 'intra muros', either of politics, or of religions, or of governments, converse only concerning emblems which are either moral or trifling; is it possible to suppose, I repeat, that those meetings, in which the governments may have their own creatures, can offer dangers sufficiently serious to warrant the proscriptions of kings or the excommunications of Popes?
In reality such proceedings miss the end for which they are undertaken, and the Pope, in spite of his infallibility, will not prevent his persecutions from giving Freemasonry an importance which it would perhaps have never obtained if it had been left alone. Mystery is the essence of man's nature, and whatever presents itself to mankind under a mysterious appearance will always excite curiosity and be sought, even when men are satisfied that the veil covers nothing but a cypher.
Esta última constatação, sobre o crescimento da maçonaria por via do mistério que a envolvera, e também por resultado da perseguição papal - "que lhe dera uma importância que antes não teria", acaba de forma bastante reveladora sobre o efeito do véu não esconder nada mais que uma simples cifra. Ou seja, de certa forma Casanova acaba por sugerir que a sociedade, que cativara os membros pela revelação de ocultações significativas, encontrara formas de os manter entretidos noutras ocultações, que pouco mais seriam que simples codificações.
Upon the whole, I would advise all well-born young men, who intend to travel, to become Freemasons; but I would likewise advise them to be careful in selecting a lodge, because, although bad company cannot have any influence while inside of the lodge, the candidate must guard against bad acquaintances.
Those who become Freemasons only for the sake of finding out the secret of the order, run a very great risk of growing old under the trowel without ever realizing their purpose. Yet there is a secret, but it is so inviolable that it has never been confided or whispered to anyone. Those who stop at the outward crust of things imagine that the secret consists in words, in signs, or that the main point of it is to be found only in reaching the highest degree. This is a mistaken view: the man who guesses the secret of Freemasonry, and to know it you must guess it, reaches that point only through long attendance in the lodges, through deep thinking, comparison, and deduction. He would not trust that secret to his best friend in Freemasonry, because he is aware that if his friend has not found it out, he could not make any use of it after it had been whispered in his ear. No, he keeps his peace, and the secret remains a secret.
Este parágrafo de Casanova é ainda mais pragmático, e continua a sua visão anterior. A ideia de que os membros são enredados em múltiplos mistérios, e persistem na procura do último segredo em códigos, ou trepando até ao último degrau. Assumindo que há esse segredo, Casanova acaba por suspeitar que se mantém pelo simples facto de que quem o encontra acaba por concordar com o seu secretismo.
Everything done in a lodge must be secret; but those who have unscrupulously revealed what is done in the lodge, have been unable to reveal that which is essential; they had no knowledge of it, and had they known it, they certainly would not have unveiled the mystery of the ceremonies.
The impression felt in our days by the non-initiated is of the same nature as that felt in former times by those who were not initiated in the mysteries enacted at Eleusis in honour of Ceres. But the mysteries of Eleusis interested the whole of Greece, and whoever had attained some eminence in the society of those days had an ardent wish to take a part in those mysterious ceremonies, while Freemasonry, in the midst of many men of the highest merit, reckons a crowd of scoundrels whom no society ought to acknowledge, because they are the refuse of mankind as far as morality is concerned.
In the mysteries of Ceres, an inscrutable silence was long kept, owing to the veneration in which they were held. Besides, what was there in them that could be revealed? The three words which the hierophant said to the initiated? But what would that revelation have come to? Only to dishonour the indiscreet initiate, for they were barbarous words unknown to the vulgar. I have read somewhere that the three sacred words of the mysteries of Eleusis meant: Watch, and do no evil. The sacred words and the secrets of the various masonic degrees are about as criminal.
Casanova continua com a mesma argumentação. Os que acabam por revelar o que se passa nas lojas simplesmente não entendem o mistério das cerimónias... porque se o tivessem entendido, não o teriam revelado.
Tirando um pouco mais do véu da antiguidade dos segredos, e como comparação benigna no conteúdo, Casanova vai buscar o exemplo dos mistérios de Eleusis (ou Elísios), centrados na fertilidade agrícola de Demeter.
Placa evocativa dos mistérios de Eleusis dedicados a Demeter (Ceres)

Semelhantes mistérios iniciáticos, estiveram ligados primordialmente às religiões, e seriam encontrados desde o Egipto até à Frígia. Para além da hierarquia masculina dos panteões divinos, estes cultos recuperavam a ligação às "grandes deusas" neolíticas, ou mesmo paleolíticas.
Os mistérios de Eleusis foram reduzidos por Santo Hipólito (Séc. III) ao "mais perfeito mistério" - uma espiga ceifada em silêncio. 
Entre os múltiplos significados que tal imagem pode ter, uns vistos como mais profundos que outros, podemos cair facilmente nas cifras inconsequentes, num falar tudo sobre nada. No entanto, e notando que Camões cita Petrarca no famoso verso "Tra la spica e la man qual muro he messo", entre a espiga e a mão habitualmente levantam-se os muros que para a mão querem outros usos.
Mas aqui, e apenas a título de curiosidade rápida, é interessante saber que Spica é uma estrela de Virgo, constelação bem associável a Demeter, e pela sua posição na eclíptica é por vezes ocultada pela Lua, e por outros planetas (reportando-se a última ocultação por Vénus em 1783). Por isso, facilmente Spica poderia ser ceifada da vista em silêncio, e foi-se até talvez um dia pela foice de Saturno... confirmando a maior proximidade de todos os planetas.

Conforme Casanova perspicazmente nota, basta um mistério, bastará dar relevo a uma ocultação, para que isso capte a atenção dos curiosos. Muitas vezes mais do que pela importância do mistério em si, o que move será o simples desafio lançado.


Memoirs of Jacques Casanova De Seingalt 1725-1798
Episode 6 - To Paris and Prison (Chapter 5)
Translated by Arthur Machen, 
The Rare Unabridged London Edition, 1894 

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publicado às 07:03


6 comentários

De Anónimo a 31.12.2014 às 01:53

Digamos que Robert-François Damiens, foi apenas o bode expiatório, da história macabra de um rei pedófilo, magistrados sádicos e bandos de crianças orfãs, pelas ruas de Paris, ao alcance da pseudo-elite psicopática da época, que Damiens bem conhecia e Casanova discretamente referiu...
Discretamente, porque se a caracterização tivesse sido mais clara, teria tido igual destino.

Um abraço e Votos de Feliz Ano Novo para todos.

Maria da Fonte

De Alvor-Silves a 31.12.2014 às 20:07

Cara Maria da Fonte,

tem toda a razão, e esse problema não foi apenas de uma certa época... esteve e está presente.

Deixo aqui uma citação de Roger Bacon que me parece muito elucidativa - acerca da ocultação de segredos à população:

And so it is insane that anything secret should be written down unless it be concealed from the populace, and with difficulty understood by the most studious and the wise.
So has run all the multitude of the wise from the beginning, and it has hidden in many ways the secrets of wisdom from the populace. For some have hidden many things by characters
and charms, others by enigmatic and figuratiye words, as Aristotle in the book of Secrets saying to Alexander :
" O Alexander, I wish to show you the greatest secret of secrets, and the
divine power shall aid you to conceal the mystery, and to execute the design. Take, therefore, the stone which is not a stone, and it is in what man you will, and what place you will, and what time you will ; and it is called the philosopher's egg, and the terminus of the egg." And thus innumerable things are found in many books and various sciences, obscured by such speeches, so that they cannot in any way be understood without a teacher.

Mas, espero ainda falar um pouco melhor sobre este Bacon and Eggs...

Abraços e votos de melhor 2015.

De Anónimo a 03.01.2015 às 00:28

Caro da Maia

Tenho três figuras para lhe mostrar:
O Quadro de Alejo Fernandes: A Virgem dos Navegantes, o Brazão de Armas do Sr Dom Jorge de Lencastre e o Monograma de Cristóvão Colombo.
O Monograma de Colombo, foi descoberto no Manto de Colombo, pelo Manuel Rosa, no ombro direito. Vê-se bem, apesar de estar junto ao braço de Beatriz de Bobadilha, vestida de Manto vermelho debruado a pele castanha.
Quando tiver tempo e paciência passe pelo Origem Lusitana, ou pela minha página do Facebook.
Deixei para mais tarde a referência aos traidores, acorrentados à coroa, ou não, que figuram à esquerda.
da Virgem.

Como nota de esperança deixo-lhe a Fénix, Ave Única, da Divisa de Dom João II, que constitui o Timbre das Armas de Dom Jorge.
Recorda-se de termos falado do falso Terramoto Pombalino e do Assassinato do Duque de Aveiro e dos Távoras a ele ligados?
Agora tudo faz sentido.

Só que a Fénix, renasce sempre.

Abraço a todos

Maria da Fonte

De Alvor-Silves a 04.01.2015 às 04:13

Cara Maria da Fonte,
há 5 anos atrás (... sim, já foi há bastante tempo), claramente eu fui levado nalgumas semanas a entender a historieta como um problema entre um lado "bom" e um lado "mau".
Esse lado "bom", era associado ao Infante D. Pedro, a D. João II, etc., à casa de Coimbra, depois passada a casa de Aveiro, apoiada pelos Távoras, destruída pelo Marquês, etc.

Creio que ainda não o disse, porque pouco interessava dizer, surgiria como mero boato meio infundado, mas não excluí a hipótese de D. Jorge ser depois associado a Aveiro, por razão diversa - não por razão de um problema de bastardia, mas sim por um problema diferente.
Como é sabido, D. João II era tido como homem de impulsos, que estimava e amava a irmã D. Joana. Ora, se a Rainha D. Leonor era já prima directa, não era de excluir que pudesse ter acontecido outra coisa... o que também explicaria muita coisa.
Não esqueçamos que o casamento do pai, Afonso V com a sobrinha, fora já suficientemente complicado, nomeadamente no que dizia respeito à sucessão de Castela, levando à batalha de Toro, e à ascensão de uma Espanha unida pelo casamento da bragantina Isabel com o aragonês Fernando.
Se uma união entre tio e sobrinha estava nos limites das uniões incestuosas, caso pior seria o de D. João II com D. Joana. Princesa, essa sim efectivamente ligada a Aveiro pela sua reclusão monástica.
Como disse, este assunto do incesto nunca me interessou, para além de mera hipótese teórica, e achei-o sempre suficientemente secundário, face ao restante.

Agora, se o símbolo era Pelicano ou Fénix, conforme já aqui tinha sido abordado
http://alvor-silves.blogspot.pt/2010/12/fenix-e-fenicia.html
é algo que se enreda na mitologia rosacruciana, na oclusão da Fénix fenícia por oposição à Romã romana.

De certa forma, podemos ver no símbolo da Fénix o renascimento das navegações, não das navegações fenícias, aniquilada Cartago pela ascensão romana, mas nas navegações dos seus herdeiros ibéricos. Contra essa abertura do mundo estava o papado, herdeiro do antigo poder romano.
Tornando-se inevitável essa abertura dos oceanos, o poder romano foi operando sucessivamente por equilibrar o poder marítimo português com um rápido crescimento do poder marítimo espanhol.
Os "Reis Católicos", como o nome indica, serviam essa Romã Católica.
Ainda que se lhe possam traçar origens bragantinas ou vicentinas (de Viseu), Colombo é um mero operacional ao serviço de Beatriz, ao serviço desse poder romano brigantino.
As romãs (granadas) no manto, são bom símbolo de Granada, caída no ano da sua partida, aberta também Cartagena, afinal a outra "nova cidade", a outra Cartago, que por si sucedera a Tiro. "Nova Granada" será aliás o nome dado às terras colombianas onde Colombo desembarcou.

Como contra-poder ao poder romano, passado para a Espanha dos Habsburgos, os novos herdeiros do sacro-império germânico, detentores das duas cabeças da águia imperial, para onde iria a velha Fénix da Fenícia do mito de Hirão e Salomão?
Essa antiga aliança judaico-fenícia, transportada pelos cavaleiros do Templo de Salomão, precisava de novo poiso, para garantir a abertura consolidada e não um novo fecho do mundo romano.
Esse poiso da ave foi transportado pelo lado judaico para a Holanda, e pelo lado laico para Inglaterra.
Esta união comercial de interesses dos "navegadores", ganhou poder com as Companhias das Índias, e depois com o estabelecimento da maçonaria escocesa e inglesa.
A Guerra dos 30 anos terminou com o poder romano, e colocou o mundo definitivamente fora do Mediterrâneo.
Só aí o Mediterrâneo passou a ser periférico, e não o grande centro civilizacional. O mar europeu agora era o Atlântico, e o fecho no "mare nostrum" não foi mais possível.

De Alvor-Silves a 04.01.2015 às 04:13

Convém notar que os descobrimentos iniciais não eram vistos como colonizadores, e convém reafirmar a observação do José Manuel sobre a prisão europeia. O grande passo de libertação da população europeia da prisão na miséria feudal só foi dado muito depois, com as grandes vagas migratórias do Séc. XIX.

A nova Cartago, onde uma colónia poderia libertar-se dos velhos poderes, foi colocada nos Estados Unidos. Os americanos usam o Mayflower como simbolismo, mas o processo e o mito só se consolidariam mais tarde.
Os reinos europeus se fizeram alguma colonização, seria no intuito de manter o controlo directo pelos velhos estados. A nobreza teria um alargamento das suas posses em territórios exóticos, mas manteria a sua fidelidade ao poder europeu. Um plebeu embarcado seria ainda plebeu nas novas terras.

As invasões napoleónicas aos reinos ibéricos acabaram por ser o grande moto das independências americanas... já que as colónias não obedeceram ao poder napoleónico, e também não caíram sob acção inglesa, levando à Revolução de Maio na Argentina.
Depois, o poder maçónico definiu os seus próprios protagonistas maçons, não exactamente os mesmos maçons que lutaram antes pela independência...
A moda das revoluções, germinadas nas casas maçónicas, mas manipulada por poderes reais (como no caso de D. Pedro IV) invadiu e destabilizou os diversos estados durante o Séc. XIX. Ainda que nobres de propósitos, as pretensões libertadoras locais caíam se não obedecessem à ordem global.
A ave única assim exigia esse domínio total, ainda que o epíteto:
- "Avis unica", poderia remeter inicialmente a uma flor de lis, que passou por Avis.

Voltando ao início...
De facto, durante alguns instantes, há 5 anos atrás, ainda pensei que houvesse lados a escolher, trincheiras a cavar. Porém, felizmente, rapidamente percebi que o único lado a escolher é o da simples acção individual discreta e o mais possível anónima.
Qualquer acção de grupo tem todas as intenções nefastas que interessa salvaguardar.
As maiores acções são para os eleitos, e felizmente, não fui eleito para nada.
A única vez que fui eleito para algo relevante, percebi imediatamente que acima dos poderes que me davam, outros poderes mos tiravam, e de quem me elegeu vi apenas uma mera soma de interesses individuais.
Por isso, o melhor grupo que conheci foi o dos que não têm grupo. O facebook, ao contrário, aparece como o local dos que querem pertencer ou fazer grupos. Assim, vai-me perdoar, mas eu desliguei por completo do facebook. Agradeço sim, trocar informações consigo, como sempre, umas vezes mais em sintonia que outras.

Grande abraço.

De Anónimo a 06.01.2015 às 07:17

Caro da Maia

Aqui, não lhe posso enviar fotografias, pelo que a discussão se faria no abstracto.
Também eu, não faço parte de nenhum grupo de eleitos. Digo o que penso.
Ás vezes penso certo, ás vezes penso errado.

Neste caso da oficialização da existência da América, o que penso, é que a estratégia de Dom João II, visou bloquear Veneza. É por aí que passa a História.
Bloqueou-a a Oriente, onde há muito existiam fortificações Portuguesas.Como se depreende pelas Memórias do Cardeal Saraiva e pelos Mapas que escaparam à fogueira.
E forçou o bloqueio do Atlântico com um Tratado de conveniência com Castela.

Nessa época, a sede do Poder estava em Veneza, e como sempre no Vaticano.
Estou certa que Dom João II, sabia muito bem de que poder se tratava. E que, do que nessa época sucedesse, dependeria o futuro dos Povos.
Fernando de Aragão escolheu trair o Futuro, em nome de um Presente lucrativo mas envenenado, de que Filipe II, se terá dado conta, quando os ingleses lhe destruiram a Invencível Armada.
Só que nessa altura, já era tarde, e não consta que Filipe II, tenha aprendido com os erros.

Em 1492, sete dias determinaram o Futuro, e conduziram ao Presente com que hoje nos confrontamos.

Mas isso faz parte das Teorias da Conspiração.
Nome pomposo com que se atiram para a Vala dos Proscritos, os que como eu se atrevem a pensar.

Abraço da Maia

Maria da Fonte

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