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(continuação do anterior)


O Encoberto e o Descoberto
Aspectos da História dos Descobrimentos

(continuação) 

Capítulo 2 - Os paralelos como referência

Havendo todo este secretismo nacional, o que serviria de referência para diferenciar Descobertas vs. Encobertas?... Normalmente, nas descrições de Gomes Eanes de Zurara e de Duarte Pacheco Pereira, podem ser os paralelos, entre África e a América, da seguinte forma:

Resumo do possível paralelismo nas descrições de Duarte Pacheco Pereira e Zurara.

Ou seja, a cada descrição em África, corresponderia uma descrição na América, podendo haver sobreposições. Há até uma subida de latitude (que pode ir até 6º) nas cartas de marear, a que Pedro Nunes se refere:
(...) convém a saber Roma, que está a 41 e meio, fica na carta a 46, e Veneza que está em45 fica na carta a 50. Rodes que está em 36 fica em 42 (...)
Com este pressuposto, é possível seguir as descrições dos autores, sem preconceitos, e sem préjulgamentos, de localização geográfica. Percebe-se que pode haver algo diferente que os autores nos queriam transmitir, de forma encriptada. 
A organização é de tal forma complexa, que D. Afonso V achou bem oferecer uma cópia das Crónicas da Guiné de Zurara, ao Rei de Nápoles, seu familiar. Duarte Pacheco Pereira, é mais explícito... mas igualmente intrincado, já que a certa altura é mais difícil perceber quando fala de África ou da América. 

Alguns nomes vão mudando... uma designação para Zurara, não é necessariamente a mesma de Pacheco Pereira, pois o nome já é outro. É preciso abstrairmo-nos de preconceitos, pegar num  mapa, e ir descendo a Costa Americana, de acordo com as latitudes. Não é assim um exercício tão difícil, e é surpreendente!

A propósito da Crónica de Zurara, o Visconde de Sacavém relata que Frei Luis de Sousa (na sua História de S. Domingos) teria visto a divisa do Infante num “livro que o Infante mandara escrever do sucesso destes descobrimentos, em que usava com a mesma letra diferente corpo de empresa, mas muito avantajado em agudeza de significação e graça”. Ou seja, também Frei Luís de Sousa invocava essa dupla interpretação.

2.1. Cabo Bojador
Começamos pelo Cabo Bojador. Qualquer cabo só constituiria uma dificuldade a navegações mais primitivas, onde seria necessário seguir a linha costeira para orientação. A partir do momento em que se fazem (oficialmente) carreiras frequentes com a Ilha da Madeira (desde 1419), ou com os Açores (desde 1432), em alto mar, não há qualquer razão para uma dificuldade em ultrapassar um cabo costeiro. Muito menos que tal tenha tomado 12 anos de tentativas infrutíferas, até 1434, conforme se lamentava o Infante D. Henrique (na Crónica de Zurara)!

Esses 12 anos simbolizam algo diferente, e o cabo a ultrapassar não seria uma dificuldade de navegação costeira, mas mais naturalmente, uma dificuldade de navegação política.
Assim, podemos conjecturar que "dobrar este cabo de trabalhos", o Bojador, começa depois de Gil Eanes ter coordenado uma grande expedição - exploratória da América - até 1434.
Quando os portugueses perceberam que passar o continente não era possível, dentro de latitudes razoáveis, o Infante Dom Henrique terá tido luz verde para avançar com outro projecto, o projecto Oriental, com consentimento do seu irmão, o Rei D. Duarte. O cabo Bojador estava dobrado!

Dito doutra forma, uma vez passado o Cabo Bojador, em 1434, que sentido faria parar asnavegações e atacar Tanger de seguida, em 1437?- Apesar de Tanger ser costeira, a invasão vai ser por terra, partindo de Ceuta. Porquê?Qual a razão desta estratégia do Infante Dom Henrique?

D. Manuel, sucessor político do Infante D. Henrique, insistiu sempre num ataque à península arábica, no sentido determinar com o poder islâmico e recuperar Jerusalém. Seguiria assim um velho ideal templário, herdado desde a fundaçãoda nacionalidade, e acentuado com o estabelecimento da Ordem de Cristo. Uma possível motivação para o desenvolvimentodas navegações no seio das ordens, seria um plano militar de Cruzada, contornando o continente africano, e surpreendendoos mamelucos do Cairo com um desembarque, colocando bases europeias no Mar Vermelho, no sentido de recuperarJerusalém. Com D. Manuel, o centro de poder passou para Istambul, mas a ideia manteve-se, e levou à conquista de algumaspraças na península arábica. No entanto, no tempo de D. Manuel, há duas (ou mesmo três) perspectivas distintas. Por umlado, mantem-se essa perspectiva de Cruzada, que D. Manuel preconiza, mas por outro lado há uma perspectiva maiscomercial, que favorece o comércio com os novos territórios, e que é seguida por uma boa parte dos Vice-Reis da Índia(Afonso de Albuquerque será talvez a maior excepção). A este propósito citamos o Cardeal Saraiva:
He portanto fora de duvida, que o sábio Infante levou na gloriosa empreza de seus descobrimentos hum fimmais alto e mais importante do que a mesquinha idéa de colher os Mouros pela retaguarda, idéa da qual se nãodiz uma só palavra na vida do Infante, nem de seu augusto pai, nem tão pouco em historia alguma dosdescobrimentos Portuguezes. (Cardeal Saraiva, Obras Completas, 1875) 
Assim, a ideia do Infante D. Henrique poderá ter sido usar Tanger como simulação para mostrarque seria perfeitamente possível, a partir de um ponto terrestre marchar por um terreno difícil, eatingir Jerusalém. Precisava do apoio dos aliados europeus... e assim julgaria convencê-los.

Acaba por não conseguir, sendo derrotado!... Tem apenas uma escapatória, o apoio por mar do irmão Fernando, que escolhecomo refém, e será esse “Infante Santo” sacrificado para manter Ceuta. Há um claro trauma nacional, durante o cativeiro doInfante Santo, e faz-se ainda uma tentativa armada de resgate... mas sem sucesso. Pouco depois D. Duarte morre e há umproblema na regência, pela menoridade de D. Afonso V, a mãe aragonesa é rapidamente exilada (havia demasiados segredosem jogo, para qualquer conhecimento de Aragão)! É nessa altura que se definem três irmãos nos vértices do triângulopolítico nos descobrimentos:

- Infante D. Henrique, pelo projecto oriental de cruzada;
- Infante D. Pedro, pelo projecto ocidental de colonização e comércio;
- D. Afonso, Duque de Bragança, por um projecto político ibérico.

O Infante Dom Pedro, Duque de Coimbra, assume a regência em 1439, e é o primeiro período deouro, que marcará os desenvolvimentos seguintes. Inicialmente há uma colaboração com o irmãoHenrique, nesta nova empresa. É literalmente o primeiro período de ouro, já iniciado no reinado deD. Duarte. É o tempo das caravelas... rápidas na ligação com a América.Se as expedições de Gil Eanes se teriam preocupado com a passagem ocidental, sem entrar nocontinente, navegando pela costa, a partir daí vão começar os contactos comerciais.

Logo de início, antes de 1440, há expedições por Gil Eanes e Afonso Baldaia - os registos começamaí com Zurara (que escreve "sob orientação científica do Infante Dom Henrique", já depois doInfante Dom Pedro morrer). Observa-se uma sucessão de nomes em África, de locais desérticos quenenhuma importância aí parecem ter, mas que se percebe terem importância - à mesma latitude -na América, por exemplo - o Rio do Ouro (pequeno rio, em África), poderá ser associado ao RioBravo. A costa vai descendo, Arguim, Tider, Ergim, invocando povos em ilhas que não passam debancos de areia... em África. Do outro lado, na América, é só difícil saber exactamente que ilhas setratam.

É aqui que se começa a atribuir a chegada do ouro a "mercadores do deserto"... é a necessidade defazer uma Feitoria em Arguim. Há contactos com Azenagues, de língua desconhecida. Mas... ondese passará tudo isto?
Porque não do outro lado, no mesmo paralelo, no México, com os Aztecas?
O Infante Dom Pedro pode ter sido um excelente governante (a nível interno e externo), mastambém poderá ter beneficiado desse proveitoso comércio aurífero!

2.2. Cabo Verde e Antilhas 
Seguimos a descida da costa usando a descrição de Duarte Pacheco Pereira, e chegamos ao CaboVerde (actualmente em Dakar).Essa pequena península do Cabo Verde, será associada por distorção (que se vê nos vários mapas) àgrande península do Iucatão. Qual seria a razão para essa escolha? À mesma latitude, a CostaAfricana continua a descer, mas a Costa Americana tem essa enorme península do Iucatão, que serádiminuida (e assim seriam também ignorados os contactos com os Maias...).As ilhas de Cabo Verde seriam associadas a Grandes Antilhas, enquanto ilhas que surgem dessagrande península do Iucatão. Assim, poderá corresponder São Tiago a Cuba (essa designaçãoconsta ainda do mapa de João de Lisboa).

Com maiores dúvidas, surgem os nomes de outras ilhas. Essa diferença de designações pode aindaser vista nos mapas constantes do Livro de Marinharia e do Planisfério de Jorge Reinel (figurasseguintes). Há algumas curiosidades, talvez a mais interessante é a actual ilha Mayaguana nasBahamas (que foi ilha de piratas) ser anteriormente designada Triamgo. Inagua mantém o nome,mas a ilha adjacente perdeu o nome anterior Sabaio. No mapa de Jorge Reinel usa-se a designaçãoHispaniola, mas no Livro de Marinharia aparece como S. Domingos (em Duarte Pacheco Pereirapoderia ser designada Santo Antão). Há uma sucessiva confusão de nomes, invocando nuns casos nomes de ilhas cabo-verdianas (como Ilha de Mayo em Reinel, e Santa Luzia ou São Vicente noLivro de Marinharia), e só em poucos casos mantendo designações: Guadalupe, Antigua, etc.Todas estas ilhas e zona tropical paradisíaca poderia ser aquilo que Camões designava como Jardimdas Hespérides.

A península do Iucatão (cujo nome poderá advir da confusão colombiana de Cipango|Japão comCuba e dessa terra com Cathay|China), surge assim com um correspondente Cabo Verde africano,exagerado nos mapas da época e associado a um zénite polar, para justificar a distorção.É ainda aqui que Pacheco Pereira faz a distinção entre Etiópia Superior e Etiópia Inferior... ehavendo ainda uma outra, a Etiópia Sob-Egipto.
Esta confusão de etiópias, pode ser justificada ainda na perspectiva do paralelismo. De facto, nãohavendo o continente americano, uma circum-navegação por paralelos nas latitudes superiores dacosta brasileira, faria prever encontrar do outro lado a Etiópia no continente africano. Ou seja, estaconfusão que Colombo terá cometido, e que levou à designação de Índias Ocidentais, pode terestado presente previamente, nas primeiras navegações portuguesas, onde foi encontrado o pauBrasil (que é até referido por Chaucer nos Contos de Canterbury, 1387).

2.3. Nicarágua e Canágua 
A próxima latitude, compatível com outras latitudes no continente africano, é já localizada nasHonduras, na "Etiópia Inferior". Teremos aí outros pontos de referência, já que há rios comcaracterísticas semelhantes às descrições, por exemplo o Rio Patuca ou o Coco. No entanto, o nomemais importante em África é o Rio Canágua... que depois é renomeado convenientemente:
Canágua >> Çanaga >> Senegal 
conforme vai constando nas cartas, e temos ainda o Rio Gambea.
Do outro lado a nessa latitude temos, exactamente a Nicarágua.
O nome aparentemente deriva dadesignação do chefe Nicarao... e da palavra água, mas não deixamos de notar que Canágua estátambém foneticamente muito próximo da capital Manágua.

Para além disso, na descrição desta região Duarte Pacheco Pereira fala de uma lagoa com "32 por 12léguas", falamos de aproximadamente 188 Km por 72 Km... dimensões que se ajustam ao Lago daNicarágua. Não encontramos nada semelhante a isso na costa ocidental africana (o lago Guier émuito mais pequeno). Convém ainda notar que na zona Honduras/Nicarágua a resistência à colonização espanhola foi muito prolongada, e por isso não terá sido possível uma imediatarenomeação.

Comércio na Gambea: Sobre o comércio de escravos tido perto do Rio Gambea, Duarte PachecoPereira faz a seguinte descrição do comércio que os mandiguas faziam:
(...) todo aquele que quer vender escravo ou outra cousa se vai a um lugar certo para isto ordenado& ata o dito escravo a uma arvore & faz uma cova na terra daquela cantidade que lhe bem parece &isto feito arreda-se fora um bom pedaço & então vem o rosto de cam & se é contente de encher adita cova d’ouro enche-a & se não tapa-a com a terra & faz outra mais pequena & arreda-se a fora &como isto é acabado vêem seu dono do escravo & vê aquela cova que fez o rosto de cam & se écontente aparta-se outra vez fora & tornado o rosto de cam ali enche a cova de ouro & este modotem em seu comercio & assim nos escravos como nas outras mercadorias & eu falei com homensque isto viram (...) 
Duarte Pacheco Pereira in Esmeraldo de Situ Orbis (1506-09). 

Para além da curiosidade trágica, o ponto em trazer aqui esta descrição será salientar que não haviaapenas uma compra de escravos pelos portugueses. Desta transcrição, concluímos que os escravoseram vendidos em troca de ouro. Ou seja, transportando esta descrição, tida em África, para aAmérica Central, isto poderá sustentar a hipótese de que os portugueses levariam escravosafricanos para trocar por ouro com as culturas da América. A este propósito, Duarte PachecoPereira refere que Gambea tem nome Guabú na língua mandígua, e o fonema “gua” é comum natoponímica da América Central.

2.4. Panamá e Sagres 
À mesma latitude da cadeia montanhosa do Panamá, que liga a América do Sul à do Norte,encontra-se a Serra Leoa, em África. Essas montanhas são o obstáculo natural que impede apassagem para o Oceano Pacífico, só contornado no século passado com a abertura do Canal doPanamá. Mais uma vez a Costa volta a subir, e o contorno americano não acompanha o africano... éaqui que encontramos um Cabo Sagre no Panamá, conforme o mapa do Livro de Marinharia.
Cabo Sagre no mapa do Livro de Marinharia (assinalado no quadrado verde).

Haveria assim 3 cabos Sagres em 3 continentes distintos (um em Portugal; outro, menos conhecido,em África, na Guiné-Conacri; e finalmente este no Panamá, que foi renomeado Nõbre de Dios, eactualmente é denominado Graças a Dios). É interessante notar (ver figura do paralelismo) que:

  •  (i) os cabos americano e africano estão ~ sobre o mesmo paralelo;//
  • (ii) os cabos português e africano estão ~ sobre o mesmo meridiano; 
  • (iii) aí terminam as "navegações" atribuídas ao Infante D. Henrique. 


2.5. Colômbia e o Castelo da Mina 
A Mina está normalmente associada à fortaleza existente em Elmina, no Gana. Mais longe, masainda no Gana, após a cidade de Acra, encontra-se a foz do Rio Volta.Toda a descrição feita por Duarte Pacheco Pereira envolve um largo rio navegável, cuja descrição sepode assemelhar também ao Rio Atrato, na Colômbia. A foz destes rios está aproximadamente nomesmo paralelo (a foz do Atrato a 8ºN e a foz do Volta a 5ºN), correm ambos na direcção norte-sul,ainda que o sentido do rio Atrato seja sul-norte.

A ligação Atlântico-Pacífico através do Rio Atrato chegou a ser considerada como alternativa aoCanal do Panamá. A navegabilidade do conjunto dos rios Atrato e San Juan (o Rio de São João, quedesagua em Buenaventura, está assinalado no Livro de Marinharia) passa por uma pequena cidadechamada Istmina (próximo de Quibdó).No lado africano, no Gana, temos a cidade de Elmina, por outro lado na Colômbia temos Istmina.A diferença principal é que não há nenhum rio próximo de Elmina que corresponda à descriçãofeita por Duarte Pacheco Pereira. A melhor hipótese seria o Rio Volta, que está bastante afastado deElmina, e até mesmo de Acra.

Encontramos finalmente uma possível justificação para os castelos com bandeira portuguesa naColômbia... seria talvez aí o Castelo de S. Jorge da Mina.

Há ainda coincidências menores. O navegador português Pêro Escobar esteve associado às navegações da Mina, e àdescoberta de São Tomé, sob serviço do comerciante lisboeta Fernão Gomes. Esse serviço requeria efectivamente muita mãode obra, de origem africana. Para além de Escobar ser um nome comum na Colômbia, este é também o país hispânico docontinente americano que tem mais população de origem africana. Uma hipótese é que essa mão de obra seria usada noserviço da Mina. Quando Portugal abandonou esses locais para a Espanha, os escravos ficaram e só mais pontualmenteforam usados pelos espanhóis noutros locais. Algumas das ilhas das Antilhas, como é mais evidente no Haiti, têm tambémuma grande população de origem africana, provavelmente devido a esse uso de mão de obra em plantações. Essaspopulações podem assim também ter resultado de um cruzamento de população africana e portuguesa, que posteriormentefoi abandonada, em consequência da evolução política internacional.


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