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Num comentário recente, a Maria da Fonte mencionou o Manuscrito 512, da Biblioteca Nacional brasileira, onde se descreve a descoberta de "uma oculta e grande povoação antiquíssima" no interior brasileiro.
... última página do Manuscrito 512, que se transcreve na íntegra (em baixo).

A história envolvente é suficientemente fascinante, porque está longe de começar ou terminar com este manuscrito. O manuscrito começa por referenciar "o grande descobridor Moribeca", e ao que consta este Moribeca do Mato Grosso, meio-português, meio-índio, tornou-se uma lenda da segunda metade do Séc. XVI, pois ostentaria grande riqueza de ouro e prata, tendo levado "a expedições portuguesas com 1400 homens que desapareceram na selva"...
Esta é a parte anterior ao manuscrito, que faz referência a Moribeca, e a parte posterior continua especialmente com as expedições amazónicas do Coronel Percy Fawcett, que se vai basear no Manuscrito 512. Em 1925, na sua 9ª exploração, perde-se definitivamente na selva amazónica.
A cidade perdida, a que Fawcett chamou "Lost City of Z", foi nome de um livro de 2009, e de um filme por estrear (previsto para 2015), .

Desconhecia o assunto, mas lendo o relato notei seguinte a passagem:
  • "Três dias caminhamos rio abaixo, e topamos uma catadupa de tanto estrondo pela força das águas, e resistência no lugar, que julgámos não faria maior as bocas do decantado Nilo: depois deste salto espraia de sorte o rio, que parece o grande Oceano"...

Os rios em questão são denominados Pará-oaçú e Uná, e não fora a referência ao sertão da Bahia (quantos baías e "lagoas de patos" há no Brasil?), e esta descrição assentaria melhor noutros rios: 
- Paraná-Igoaçú. e nas famosas Quedas do Iguaçu,

Acontece que a região sul do Brasil ficou conhecida pelas missões jesuítas abandonadas:
Quedas do Iguaçu (azul), e as missões jesuítas: S. Miguel Arcanjo e S. Ignacio Mini

São bem conhecidas algumas imagens destas duas missões jesuítas (que fazem parte de um conjunto UNESCO das missões jesuítas em território Guarani).
 Ruínas da Missão de S. Ignacio Mini - Argentina (wikipedia)
Ruínas da Missão de S. Miguel Arcanjo - Brasil (panoramio)

Qual a relação entre estas missões jesuítas abandonadas e as cidades perdidas?
Aparentemente, nenhuma.
Se as ruínas da Missão de S. Miguel Arcanjo dão de facto ideia de uma igreja (mas dir-se-ia mais de uma igreja ou edifício romano, nos tempos finais da Roma Imperial...), onde estão os traços tão identificadores de que era uma igreja ao tempo do barroco?

O que dizer então das ruínas da missão de S. Ignacio Menor? 
Há algum vestígio de sinal cristão, sem ser uma placa que aparece distintamente (e dir-se-à talvez recentemente...) esculpida na parede. Quem são os dois personagens que ladeiam a entrada?
Pois, não encontramos resposta a esta questão.

Portanto, aquilo que nos pode parecer é que há um momento em 1753 onde se revela no Rio de Janeiro a existência de uma cidade perdida com ouro... cuja descrição em muito se parece com a que vemos em S. Ignacio, até pela circundante com os caudalosos rios e a estrondosa cascata.  
Chegada essa notícia, tornava-se inevitável resolver o problema destes vestígios... como?
Já sabemos que o terramoto de 1755 serviu para esconder documentação, mas em 1759, surge a ordem pombalina de abandonar as missões jesuítas. A mesma ordem é dada depois pelo lado espanhol e os exércitos ibéricos, rivais naquele território, ficam juntos contra os Guaranis que estranhamente lutavam pelos estabelecimentos jesuítas. 
Onde havia outros estabelecimentos de construção semelhante no Brasil, ou na Argentina? 
Não se conhece. 
Aparentemente só houve interesse jesuíta em fazer grandiosas construções de pedra, anacrónicas, ali, junto aos Guaranis, entre Brasil, Argentina e Bolívia.

Já falámos aqui dos relatos de Candido Costa sobre achados greco-macedónios na zona vizinha de Montevideu, em Dores. 
Não é difícil pensar noutra história... podia haver missões jesuítas na zona, sem dúvida, mas também podemos pensar em que o abandono reportado fosse outro... muito mais antigo, onde as árvores arranjaram maneira de crescer por entre os muros desaparecidos. Aquelas construções têm poucas ou nenhumas referências católicas, tão características da época barroca. Afinal, as que existem podem bem ter sido colocadas posteriormente. O que os guaranis quiseram preservar pode ter sido a memória antiga do lugar, que iria ser lapidada com mais um cinzel do Marquês.

As referências à Bahia apontaram sempre para a zona da Chapada Diamantina, e terá sido aí que se perderia o Coronel Fawcett. Porém, como bem se sabe, não há melhor maneira de esconder um registo do que deixá-lo bem visível e chamar-lhe outra coisa. Poderá ter sido esse o caso de cidades perdidas, atestando presenças greco-romanas, e que passaram depois por ser ruínas de missões recentes.

Fica apenas a hipótese, e também um trabalho de Diomário de Paula Filho
Manuscrito 512 (Dossiê do manuscrito encontrado na Biblioteca Nacional-RJ)

que segue na linha da hipótese de Schwennhagen sobre o domínio atlântico (dos atlantes), e vai depois estabelecer nexos interessantes. Saliento que encontra um nexo entre a escultura descrita e uma escultura romana:

Diz a este propósito:
Com respeito a esta estátua há pouco tempo tive a oportunidade de visitar o Museu de Belas-Artes no Rio de Janeiro e vi uma escultura praticamente idêntica a esta. Representava uma pessoa de pouca idade sem barba coroada de louro e atravessada por uma banda. Escultura feita por sinal em mármore. Dizia a plaqueta abaixo: "desenterrada nos arredores de Roma em escavação realizada a custeio da princesa Isabel".
Portanto, já se sabe como foram para esculturas romanas ao Brasil... outro caso conhecido é o da coluna romana em Natal, oferecida por Mussolini...


Deixo de seguida o texto transcrito do Manuscrito 512.


MANUSCRITO 512

Relação histórica de uma oculta, e grande povoação antiquíssima sem moradores, que se descobriu no ano de 1753. 
Em a America ................. 
nos interiores .................. 
contiguo aos .................... 
Mestre de cam ................. 
e sua comitiva, havendo dez anos de que viajava pelos sertões, a ver se descobria as decantadas minas de Prata do grande descobridor Moribeca, que por culpa de um Governador se não fizeram patentes, pois queria usurpar-lhe esta glória e o teve preso na Bahia até morrer, e ficaram por descobrir: 
Veio esta noticia ao Rio de Janeiro em principio do anno de 1754. 

Depois de uma longa, e inoportuna peregrinação, incitados da insaciável cobiça de ouro, e quase perdidos em muitos anos por este vastíssimo sertão, descobrimos uma cordilheira de montes tão elevados, que parecia chegavam à região etérea, e que serviram de trono ao vento às mesmas estrelas; o luzimento que de longe se admirava, principalmente quando o sol fazia impressão ao cristal de que era composta e formando uma vista tão grande e agradável, que ninguém daqueles reflexos podia afastar os olhos: entrou a chover antes de entrarmos a registar esta cristalina maravilha e víamos sobre a pedra escalvada correr as águas precipitando-se dos altos rochedos, parecendo-nos como a neve, ferida dos raios do sol, pelas admiráveis vistas daquele ............. uina se reluziria 
............. 
das aguas e tranquilidade do tempo nos resolvemos a investigar aquele admirável prodígio da natureza, chegando-nos no pé dos Montes, sem embaraço algum de matos ou rios, que nos dificultasse o trânsito, porém, circulando as montanhas, não achamos passo franco para executarmos a resolução de acometermos estes Alpes e Pyrineos Brasílicos, resultando-nos deste desengano uma inexplicável tristeza.

Abarracados nós, e com o desígnio de retrocedermos no dia seguinte, sucedeu correr um negro, andando à lenha, a um veado branco, que viu, e descobrir por este acaso o caminho entre duas serras, que pareciam cortadas por artificio, e não pela Natureza: com o alvoroço desta novidade principiamos a subir, achando muita pedra solta, e amontoada por onde julgamos ser calçada desfeita com a continuação do tempo. Gastámos boas três horas na subida, porém suave pelos cristais que admirávamos, e no cume do monte, fizemos alto, do qual estendendo a vista, vimos em um campo raso maiores demonstrações para a nossa admiração.

Divisamos cousa de légua e meia uma Povoação grande, persuadindo-nos pelo dilatado da figura ser alguma cidade da Corte do Brazil: descemos logo ao valle com a cautela
................ seria em semelhante caso, mandando explorar
................ gar a qualidade, e ...........
............... se bem que repararam ................. fuminés, sendo este um dos signais evidentes das povoações.

Estivemos dois dias esperando aos exploradores para o fim que muito desejávamos, e só ouvíamos cantar galos para ajuizar que havia ali povoadores, até que chegaram os nossos desenganados de que não havia moradores, ficando todos confusos: Resolveu-se depois um índio da nossa comitiva a entrar a todo risco, e com precaução; mas tornando assombrado, afirmou não achar, nem descobrir rasto de pessoa alguma : este caso nos fez confundir de sorte, que não o acreditamos pelo que víamos de domicílios, e assim se arranjaram todos os exploradores a ir seguindo os passos do índio.

Vieram, confirmando o referido depoimento de não haver povo, e assim nos determinámos todos a entrar com armas por esta povoação, em uma madrugada, sem haver quem nos saísse ao encontro a impedir os passos, e não achamos outro caminho senão o único que tem a grande povoação, cuja entrada é por três arcos de grande altura, o do meio é maior, e os dois dos lados são mais pequenos: sobre o grande, e principal devisámos letras, que se não poderão copiar pela grande altura. 
Faz uma rua da largura dos três arcos, com casas de sobrados de uma, e outra parte, com as fronteiras de pedra lavrada, e já denegrida; so-......... inscrições, abertas todas ............. ortas são baixas de fei- .................. nas, notando que pela regularidade, e simetria em que estão feitas, parece uma só propriedade de casas, sendo em realidade muitas, e algumas com seus terrados descobertos e sem telha, porque os tectos são de ladrilho requeimado uns, e de lajes outros.

Corremos com bastante pavor algumas casas, e em nenhuma achamos vestígios de alfaias, nem móveis, que pudéssemos pelo uso, e trato, conhecer a qualidade dos naturais: as casas são todas escuras no interior, e apenas tem uma escassa luz, e como são abóbadas, ressoavam os ecos dos que falavam, e as mesmas vozes atemorizavam.
Passada, e vista a rua de bom comprimento, demos em uma praça regular, e no meio dela uma coluna de pedra preta de grandeza extraordinária, e sobre ela uma estátua de homem ordinário, com uma mão na ilharga esquerda, e o braço direito estendido, mostrando com o dedo index ao Polo do Norte: em cada canto da dita praça está uma agulha a imitação das que usavam os Romanos, e mais algumas já maltratadas, e partidas, como feridas de alguns raios.

Pelo lado direito desta praça está um soberbo edifício, como casa principal de algum senhor da terra, faz um grande salão na entrada e ainda com medo não corremos todas as ca..... , sendo tantas, e o retr......... zeram formar algum........... mara achamos um ............... massa de extraordinária .............. pessoas lhe custavam a levantá-la.
Os morcegos eram tantos, que investiam as caras das gentes, e faziam uma tal bulha, que admirava: sobre o pórtico principal da rua está uma figura de meio relevo talhada da mesma pedra e despida da cintura para cima, coroada de louro: representa pessoa de pouca idade, sem barba, com uma banda atravessada, e um fraldelim pela cintura: debaixo do escudo da tal figura tem alguns caracteres já gastos com o tempo, divisam-se porém os seguintes:

[Imagem 1]

Da parte esquerda da dita praça está outro edifício totalmente arruinado, e pelos vestígios bem mostra que foi Templo, porque ainda conserva parte de seu magnífico frontespício, e algumas naves de pedra inteira: ocupa grande território, e nas suas arruinadas paredes, se vêem obras de primor com algumas figuras e retratos embutidos na pedra com cruzes de vários feitios, corvos, e outras miudezas que carecem de largo tempo para descrevê-las.

Segue-se a este edifício uma grande parte de povoação toda arruinada e sepultada em grandes, e medonhas aberturas da terra, sem que em toda esta circunferência se veja erva, árvore, ou planta produzida pela natureza, mas sim montões de pedra, umas toscas outras lavradas, pelo que entendemos ..........verção, porque ainda entre .............da de cadáveres, que 
.............e parte desta infeliz ............da, e desamparada, ...........talvez por algum terremoto.

Defronte da dita praça corre arrebatadamente um caudaloso rio largo, e espaçoso com algumas margens, que o fazem muito agradável à vista: terá de largura onze, até doze braças, sem voltas consideráveis, limpas as margens de arvoredo, e troncos, que as inundações costumam trazer: sondamos a sua altura, e achamos nas partes mais profundas quinze, até dezasseis braças. Da parte d'além tudo são campos muito viçosos, e com tanta variedade de flores, que parece entoar a Natureza, mais cuidadosa por estas partes, fazendo produzir os mais mimosos campos de Flora: admiramos também algumas lagoas todas cheias de arroz: do qual nos aproveitamos e também dos inumeráveis bandos de patos que se criam na fertilidade destes campos, sem nos ser difícil caçá-los sem chumbo mas sim às mãos.

Três dias caminhamos rio abaixo, e topamos uma catadupa de tanto estrondo pela força das águas, e resistência no lugar, que julgámos não faria maior as bocas do decantado Nilo: depois deste salto espraia de sorte o rio, que parece o grande Oceano: É todo cheio de penínsulas, cobertas de verde relva: com algumas árvores dispersas, que fazem 
............. 
davel. Aqui achamos.............. 
a falta delle de noss............... ta variedade de caça..................... 
tros muitos animais criados sem caçadores que os corram, e os persigam.

Da parte do oriente desta catadupa achamos vários sub-cavões, e medonhas covas, fazendo-se experiência de sua profundidade com muitas cordas; as quais por mais compridas que fossem, nunca podemos topar com o seu centro. Achamos também algumas pedras soltas, e na superfície da terra, cravadas de prata, como tiradas das minas, deixadas no tempo.
Entre estas furnas vimos uma coberta com uma grande laje, e com as seguintes figuras lavradas na mesma pedra, que insinuam grande mistério ao que parece
[Imagem 2]

Sobre o pórtico do templo vimos outras da forma seguinte designadas
[Imagem 3]

Afastado da povoação, tiro de canhão, está um edificio, como casa de campo, de duzentos e cinquenta passos de frente; pelo qual se entra por um grande pórtico, e se sobe, por uma escada de pedra de varias cores, dando-se logo em uma grande sala, e depois desta em quinze casas pequenas todas com portas para a dita sala, e cada uma sobre si, e com sua bica de água
................. a qual água se ajunta 
................mão no pateo exter 
................ columnatas em cir- 
...............ra quadrados por artifício, suspensa com os seguintes caracteres:
[Imagem 4]

Depois destas admirações entrámos pelas margens do Rio a fazer experiência de descobrir ouro e sem trabalho achámos boa pinta na superfície da terra, prometendo-nos muita grandeza, assim de ouro, como de prata: admirámos o ser deixada esta povoação dos que a habitavam, não tendo achado a nossa exacta diligência por estes sertões pessoa alguma, que nos conte desta deplorável maravilha de quem fosse esta povoação, mostrando bem nas suas ruínas a figura, de grandeza que teria, e como seria populosa, e opulenta nos séculos em que floresceu povoada; estando hoje habitada de andorinhas, morcegos, ratos e raposas que cebadas na muita criação de galinhas, e patos, se fazem maiores que um cão perdigueiro. Os ratos têm as pernas tão curtas que saltam como pulgas e não andam nem correm como os de povoado.

Daqui deste lugar se apartou um companheiro, o qual com outros mais, depois de nove dias de boa marcha avistaram a beira de uma grande enseada que faz um rio a uma canoa com duas pessoas brancas, e de cabelos pretos, e soltos, vestidos à Europeia, ....... um tiro como sinal para se ver.............. para fugirem. Ter
.............. felpudos e bravos, ................ ga a eles se encrespam todos e investem.

Um nosso companheiro chamado João António achou em as ruínas de um casa um dinheiro de ouro, figura esférica, maior que as nossas moedas de seis mil e quatrocentos: de uma parte com a imagem, ou figura de um moço posto de joelhos, e da outra parte um arco, uma coroa e uma seta, de cujo género não duvidamos se ache muito na dita povoação, ou cidade desolada, por que se foi subversão por algum terremoto, não daria tempo o repente a por em recato o precioso, mas é necessário um braço muito forte, e poderoso para revolver aquele entulho calçado de tantos anos como mostra.

Estas noticias mando a Vm., deste sertão da Bahia, e dos rios Pará-oaçú, Uná, assentando não darmos parte a pessoa alguma, porque julgamos se despovoarão vilas, e arraiais; mas eu a Vm. a dou das minas que temos descoberto, lembrando do muito que lhe devo.
Suposto que da nossa companhia saiu já um companheiro com pretexto diferente, contudo peço a Vm. largue essas penúrias e venha utilizar-se destas grandezas, usando da industria de peitar esse Indio, para se fazer perdido, e conduzir a Vm. para estes tesouros, etc.
..............
..............charão nas entradas 
.............. sobre lajes
..............
[Imagem 5]



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publicado às 21:23


7 comentários

De Anónimo a 03.12.2014 às 04:20

Caro Da Maia

Aquele esboço do Pórtico, com elementos iguais aos das Ruínas de Puma Punku, que faz parte do Manuscrito, e a estátua, idêntica à do Cavaleiro da Ilha do Corvo, deram-me a certeza de estarmos no caminho certo.

Eu acredito que Schwennhagen, tinha toda a razão. E agora a sua pesquisa, levou-nos até ás ruínas dos Jesuítas.
Algo entre a Suméria/Babilónia/Vale do Indo e o Egipto. Até as figuras em baixo relevo sugerem a Suméria.
Não acredito que seja coincidência! Não é coincidência!
Tal como não é por acaso, que tudo é classificado de Grego ou Romano....mesmo do outro lado do Atlântico.

Perto do Pórtico Principal, cujo esboço, com o dístico, estou certa foi codificado, para que apenas alguns, muito poucos, conhecessem o seu significado, existe uma queda de água.
Será por aí!

Eu não conheço o Brasil. procurei identificar a vegetação, mas não me foi possível. Sem conhecer a região, ficamos dependentes das imagens dos outros, e só um acaso, apontaria o caminho.

Claro que os Jesuítas sabem a verdade. O Marquês também sabia.
E como lhe disse no meu comentário, estou certa que Dom João II, não viajou, para o Taj Mahal, depois da falsa morte, no Alvor.
Foi para aqui, que o Rei viajou.

Um dia chegaremos lá!

Abraços

Maria da Fonte

De Alvor-Silves a 14.12.2014 às 04:56

Cara Maria da Fonte,
peço desculpa por responder com atraso, mas estive fora.
Obrigado pela menção a este manuscrito 512, que desconhecia.
Por acaso, depois de escrever este texto, fui ao Brasil, mas por razões profissionais, e nunca me desloquei à zona do Iguaçu.
As ruínas brasileiras de S. Miguel Arcanjo ainda podemos considerar que encaixam menos mal na historieta habitual.
Porém, o que me despertou a atenção foi mesmo o edifício de S. Ignacio Mini, na parte argentina.
Todos os detalhes escapam ao que esperaríamos de uma construção daquele período.
Até a placa bem evidente, com o símbolo jesuíta, tem uma cor diferente, e aparece ali deslocada, as pedras são algo toscas, de diferentes tamanhos, e as imagens pouco têm a ver com o que se espera de uma igreja naquele período. Se olharmos para as ruínas de S. Paulo em Macau, percebemos que há algo de muito diferente.

A ligação é, no entanto, circunstancial, ou seja, neste caso não tenho outros dados para juntar e sustentar a hipótese. A descrição do manuscrito 512 pode encaixar nalguns pontos, mas sem mais dados, é apenas uma especulação.
Schwennhagen levantou uma das hipóteses mais consistentes, e sem dúvida que a ele não lhe faltou conhecimento do terreno, numa altura em que as coisas estavam menos vedadas.

A intervenção conjunta de exércitos brasileiros e argentinos (na altura portugueses e espanhóis) não foi apenas para terminar com as "supostas missões jesuítas". Essa junção de interesses rivais foi algo estranha, tal como foi depois a intervenção brasileira e argentina contra os paraguaios.

A Guerra do Paraguai tornou-se um autêntico genocídio. O Duque de Caxias tinha conduzido a vitória até Assunção, e portanto tomada a capital paraguaia, retirou-se do comando, porque a ideia do genro do imperador Pedro II era continuar a ofensiva... Diz-se que no final da ofensiva o Paraguai teria perdido 90% da população masculina.
A recusa do Duque de Caxias não evitou o avanço genocida do consorte da futura imperatriz, um Saxe-Coburgo-Gotha, Conde de Eu (na zona habitual da Normandia). Porém, a coisa foi tão mal vista no Rio de Janeiro, que é assumido tal evento ter estado na origem da República Brasileira - ou seja, os brasileiros não deixaram à sorte uma futura regência do consorte imperial.

Agora, essa preocupação em aniquilar quase por completo a população paraguaia, tem duas razões plausíveis... primeiro, resolver o problema de memória antiga desses guaranis paraguaios, e segundo, depois da limpeza das missões, o Paraguai tinha prosseguido um isolamento, colocando-se à margem das dívidas trazidas no comércio internacional. O Paraguai tornara-se desenvolvido, sem analfabetos (!), e uma ameaça à ordem internacional inglesa, dos mesmos Saxe-Coburgo-Gotha (não apenas casados com a imperatriz brasileira, mas também com a imperatriz inglesa, Vitória, e também D. Fernando, casado com D. Maria II).
Também sabemos que a própria Argentina fez uma completa limpeza racial dos patagões...

Assim, parece-me haver razões mais do que simples contas militares para enveredar por tais atitudes genocidas. O genocídio anterior feito aos Incas não pareceu ter sido suficiente, e havia coisas que conviria fazer esquecer por completo na América do Sul ainda no Séc. XIX.

O problema desta hipótese não é propriamente os jesuítas saberem... é que sendo verdade, não só sabiam, como alinharam na patranha do Marquês. Ora isso significa um conluio complicado, até porque é de ponderar até que ponto não terá havido outras farsas no processo.

Abraços.

De Anónimo a 22.12.2014 às 01:54

Boa noite, caro da Maia

Santo Inácio Mini, está de facto, totalmente fora de contexto. De todas as fotografias e vídeos que vi, foram as ruínas desta Missão, que me fascinaram.
O Pórtico está construído em torno das ruínas de um antigo monumento que lembra Petra, na Jordânia. É pena estarmos limitados em termos de imagens, nestas discussões, porque encontrei uma fotografia deste pórtico, que não deixa a menor dúvida sobre este facto, e que valeria a pena publicar.

Como sabe, estou completamente de acordo consigo, sobre a finalidade dos genocídios praticados na América.
Havia que apagar o Passado, definitivamente da memória. E não sendo isso possível, apagou-se a própria memória.
Irónicamente de nada serviu o extermínio das populações locais, porque acabaram por ser os europeus e os americanos, quem começou a desenterrar as ruínas. Claro que a falsa datação dos monumentos ditos pré-Colobianos, deu algum tempo à Maçonaria. Adiou a revelação da verdade, mas apenas isso.
Tantos crimes, tantos mortos ao longo de milénios, apenas para impedirem que se abrisse a caixa de Pandora...

Não creio que a Cidade Perdida, do Manuscrito 512, esteja na zona do Iguaçu. Ainda que o esboço do Pórtico que acompanha o Manuscrito, tenha grandes semelhanças com as ruínas de Puma Punto.
Repare naquilo que designa por conluio complicado.

Um conluio que envolve a tortura e assassinato do Duque de Aveiro, da linhagem de Aviz e da Família Távora, e ele ligada por laços de sangue. Mas a que sobreviveu por exemplo, Dom Martinho de Mascarenhas da Silva de Lencastre, filho mais velho do Duque, e duas crianças da Família Távora
Dom Martinho, libertado após a morte de D. José, vem a ter um filho com Caetana da Assunção, cuja família se desconhece, a quem é dado o nome de António.
Dom António de Lencastre, virá a ter também um filho, a quem é dado o nome do pai, António.

Um conluio complicado, que leva mais tarde a Maçonaria, a descartar Napoleão e a mover céus e terra, para retirar o Rei Dom Miguel, do trono de Portugal, onde acaba sentado, exactamente um maçon estrangeiro, D. Fernando de Saxe-Coburgo-Gotha, sem o ADN de Afonso Henriques.

Existe na igreja de tabuaço, um Retábulo, que parece ter sido retirado do site da Paróquia, originário do Brasil, e que tudo leva a crer tenha sido pintado por Dom Miguel. Do mesmo espólio, faz parte uma estranha figura negra, com rosto de Moal, e mãos africanas, que à primieira vista, poderia parecer um missionário com asas....
Quando e como terão ido essas peças, parar à Igreja de Tabuaço.
E porquê? Logo em Tabuaço!

Foi, e é, um conluio complicado. Por vezes parece-me que vislumbro uma
sequência, mas são muitas as lacunas.

Como a História de Colombo e dos seus dois irmãos.
Três Y iguais, ao de Afonso Henriques.
O Rei Dom João II, o seu meio irmão, Dom Gonçalo de Trastâmara e Aviz e Cristóvão Colombo.
Uma História de loucos, caro da Maia....de loucos!

Abraços

Maria da Fonte

De Alvor-Silves a 22.12.2014 às 13:32

Estou de acordo consigo, Maria da Fonte.
Aquela fachada de S. Inácio Menor lembra muito os relevos em rocha feitos pelos nabateus e encontrados a monte nos desertos da Arábia.
Quanto ao destino dos Távoras, sempre me perguntei até que ponto é que não terá havido ali outra poderosa encenação. Afinal que certezas haveria na identificação dos executados, quando desprovidos das suas vestes aristocratas, e apresentados como simples desgraçados esfarrapados perante os carrascos?
Sem dúvida que tal encenação seria levado ao extremo de se fazer acreditar nela, nomeadamente a pobre da D. Maria, assaltada pelos crimes inconcebíveis do pai e do marquês. Porém, a ter algum sentido esta encenação da perseguição jesuíta, só poderia ter ocorrido com ajuda jesuíta, e assim não fará sentido pensar em toda uma grande farsa associada a esse período, para inglês ver?
Conforme diz, há demasiadas farsas e farsantes para podermos ter muitas certezas sobre estas estorietas. Mesmo as mais próximas, mais recentes, aparecem sempre enredadas em múltiplos contornos mal explicados. Afinal até hoje ainda se perdem em inúmeras comissões sobre os inquéritos de Camarate, sem que se queiram chegar a certezas sobre uma versão ou outra. Por isso, estas histórias parecem mais para deixar esse rasto de loucos, com o intuito de deixar de cabeça perdida quem delas quiser tirar muitas certezas.

Abraços.

De Anónimo a 25.12.2014 às 01:00

Da Maia e José Manuel

FELIZ NATAL!

Abraços

Maria da Fonte

De Alvor-Silves a 26.12.2014 às 15:31

Boas festas!

De Anónimo a 27.12.2014 às 00:10

Boas festas a todos igualmente.

Cpts.
José Manuel CH-GE

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