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Luciano Cordeiro
Começo pela referência ao livro de Luciano Cordeiro, referido no comentário de José Manuel

De la part prise par les Portugais dans la découverte de l'Amérique 
 lettre au Congrès internacional des américanistes 
(première session -Nancy -1875) (1876) 
https://archive.org/details/cihm_56489

Li um pouco em diagonal, e parecem-me especialmente relevantes as notas de rodapé, que têm as citações dos textos originais, a maioria dos quais foram já aqui abordados. 
O texto segue a linha que iria ser mais clara com Faustino da Fonseca e Garcia Redondo, ou ainda com os trabalhos do Visconde de Santarém, e de muitos outros, ao longo do Séc. XIX. Curiosamente, é quando entra a República que os historiadores portugueses e brasileiros deixaram de se incomodar com a progressiva subalternização das descobertas nacionais, parecendo aliás tomar claro partido pela sua secundarização.

Bom, mas parece algo frustrante ler a compilação de provas de Luciano Cordeiro e a extensa argumentação. O problema pode resumir-se ao seguinte:
1) Hugo Grotius e a pseudo-argumentação da "legalidade pelo poder efectivo".
2) Processos kafkianos ou então Kangaroo Courts

Quando não se tem o poder efectivo, seja financeiro ou militar, então é inútil argumentar num "Kangaroo Court", arriscando por outro lado a ser alvo de um processo kafkiano.
O termo inglês "Tribunal Canguru", para um julgamento viciado, só o passei a conhecer devido à ilustração do canguru... mas parece apropriado. Mesmo que fossem encontradas as ossadas de um canguru numa cripta anterior a 1600, o poder efectivo trataria de ter o assunto ignorado, ou decidido num tribunal marsupial, em que a Bolsa serve o resultado.
Bom, mas uma coisa é não poder tocar a vera canção, outra coisa é alinhar no coro de falsetes.

A "tribo uno" é mote de tribuno no tribunal. O bréu confunde o réu.
Essa subida a palco serve a união da tribo no circo romano, quando se mostra o poder efectivo do clube das cláusulas leoninas ao réu isolado. Quando a razão está ausente há só circo, com mais ou menos palhaçada, sangue, e drama emocional... um teatro trágico-cómico, normalmente de péssimo gosto.

Especiarias e Drogarias
O texto sobre a Batochina invocava um comentário de José Manuel sobre Gunnar Thompson, onde se mencionava o comércio de drogas:
(...) os mapas que se conheciam eram segredos de comércios, malagueta, milho, peru, drogas, metais, etc. eram trazidas para as cortes europeias, e egípcias, isto está documentado, só não vê quem não quer.
a que acresciam referências de vestígios nas múmias egípcias e de Tarim.
Num comentário seguinte, Maria da Fonte, salientou de novo a importância de Hatchepsut,
(...) Pelo mesmo motivo, porque vivemos uma mentira de milénios, foi ocultada a existência da América. Gunnar Thompson, refere as viagens egípcias para a América, desde o tempo da Rainha Iseptara Hatshepsut, e a confirmação deste facto, está amplamente documentada nos Murais de Deir El Bahari. Só que Hatshepsut, a Rainha Faraó de origem Hitita, é apagada de registos e monumentos, e só há pouco tempo, começa a ser redescoberta.(...)
Ora, Hatchepsut tinha um comércio exótico registado, com a Terra de Punt, que poderia ser Xambalá ou Xangri-lá, terras míticas referidas nesse comentário.

Não querendo repetir a extensa conversa, que se encontra nos comentários seguintes, estas informações levaram à consideração de que a menção especiarias seria suficientemente geral para englobar como primeiro motivo as drogas. Não apenas drogas medicinais, mas psicotrópicos.
Como diria depois a Maria da Fonte: 
»» Sobre as Especiarias...é óbvio! Não se trafica Canela!!!

Sendo óbvio ou não, talvez sejamos suficientemente drogados educacionalmente para achar que sim, que um primeiro objectivo das viagens se prenderia com canela, pimenta, cravo, noz-moscada, malagueta, e outros condimentos alimentares designados como "especiarias".
No entanto, por muito caros que seja o caviar, as trufas, e outras iguarias, de entre os produtos naturais, é bem sabido que o mercado mais rentável sai dos alucinogénios cujo preço a peso chega a superar o do ouro. Não há razão para que não fossem procurados noutras épocas.

Um ponto, conforme referiu o José Manuel é o declínio que isso trouxe às sociedades:
Desde sempre acreditei que muitas civilizações desapareceram principalmente por causa do consumo das drogas, os Vikings adicionavam um cogumelo alucinogénico na produção da sua cerveja, potes com canábis foi encontrado no cemitério lacustre da bacia do Tarim, o das múmias dos celtas do ocidente, não digo que foram lá para o comprar mas que desde sempre a humanidade não pode viver sem elas, que o digam igualmente as múmias do faraós do Egipto.
Múmias da Bacia do Tarim - um dos YouTube mostra o xamane da Índia com o canábis (3/3).
Para além das vantagens comerciais, na Rota da Seda, por Cabul, conforme refere a Maria da Fonte:
A questão do narcotráfico, surgiu exactamente quando me dei conta da insignificância que toda aquela região tinha quer em termos de recursos, já que Petróleo ainda não era comercializado, quer em termos geopolíticos. 
E no entanto Kabul, surgia demasiadas vezes.... 
Tantos Reinos em tão pouca Terra... Tantos Reis, Governadores. Cônsules, Satraps.
A maioria Yuezhi, descendentes do Clan da Lua, de cujo Cemitério no Deserto do Taklamakan, o José Manuel de Oliveira já há muito falara.
Foi quando dei por mim a pensar na Rota da Seda....E do ódio mortal que o seu desvio para a Rota Marítima tinha provocado.
E nos anúncios do século XIX, em que tudo era feito à base de Cocaína.
E no comércio absolutamente chocante, de Pó de Múmia.
Xamãs, Druidas e Sacerdotes
As alucinações xamãs parecem estar na origem do problema remoto.
Aqui a designação xamã evolui depois sob diversas formas. Um exemplo instrutivo, noutro sentido educacional, está na personagem do druida Panoramix:

Panoramix... e incenso herbal (de canabis - ver artigo Mirror)

A procura constante de novas ervas, com vista a "poções mágicas", foi bem ilustrada no personagem que ilustrava uma pesquisa dos druídas celtas. 
Também poderemos encontrar outras referências em diversos ritos sacerdotais, sendo que o próprio incenso vulgar tem propriedades calmantes ou relaxantes. Quanto à mirra teria mais propriedades anti-sépticas, do foro medicinal.
Assim, o conjunto "mirra, incenso e ouro" engloba uma saúde física, espiritual e financeira.

Porém, não convém apenas pensar nesta questão dopante como um vício de alienação própria.
O "alien" no alienar era visto como um passeio por outras paragens. Quais paragens?
Aqui é que entra a mistura entre realidade e alienação.
Uma droga poderosa poderia permitir sentir uma alienação como igualmente real, deixando memórias menos difusas que as dos sonhos.

Convém ainda não esquecer que estas investigações com drogas chegaram a ter objectivos mais "sinistros", como seja o caso da LSD e o projecto MK-ULTRA, em que o objectivo da CIA era:
the research and development of chemical, biological, and radiological materials 
capable of employment in clandestine operations to control human behavior.

Aprovação do MK-Ultra com LSD.

Portanto, quando falamos de drogas, não se trata apenas de permitir o descansado ingresso temporário num sonho alternativo, há outras que implantariam cognições controláveis. Como se vê, os objectivos das drogas eram diversos, e até enquanto estimulantes poderiam servir a inspiração!

Inspiração. Plantas e Implantas. Voynich.
Ora, inspiração é para um fumador uma palavra adequada. Um cigarro pode ajudar no trabalho, mas a planta inspirada que motivou essa designação foi anterior ao tabaco, e deveria ser mais drástica no resultado. 
A inspiração de um alucino-génio poderia abrir visões alternativas, algumas de génio... e coincidência ou não, é quando o comércio desses produtos começa a abundar na Europa que se redesperta o génio criativo. Os diversos produtos existiam separadamente em cada paragem remota, mas o comércio concentrava na Europa uma variedade imensa de novos produtos.
É claro que se pode remeter a inspiração para a nova visão do mundo, nessa amálgama de culturas e novas informações que chegava à Europa, mas isso não é indissociável de novos hábitos alimentares, desde as infusões, chás, café, cacau, a novas modas, o tabaco, o rapé, etc...
E o hábito de inalar rapé, não se perdeu propriamente, se lembrarmos que há outros produtos inalados, e que servem de "inspiração", bem conhecida pelo menos em meios artísticos e financeiros.

Assim, numa sociedade competitiva a fonte de inspiração para ideias, para visões, que trouxessem vantagens sobre os competidores, poderia passar justamente por este tipo de "aditivos". 
Não só... já referimos que a própria deformação craniana levaria a alucinações, visando um contacto com o "mundo dos espíritos".

Alucinar e alienar são palavras na raiz. 
Numa vemos o "luce", da latina luz, mas também se remete à grega "alyein" (ou "aluein") de um errar, por outro caminho, ao "ali", "alien" do alienar. Tudo isto tem o lado casual, que não iria extrapolar ao "ali" em "alimento", ou a um "ali baba", ou a génios de lâmpadas doutras luzes.
Mas, sim, forcei aparecer "na raiz" para lembrar o "nariz".

O olfacto tem o facto de ir buscar memórias antigas num cheiro particular. Isso nota-se cada vez menos numa sociedade quase inodora, mas não deixo de lembrar os comentários que José Manuel fez acerca da importância das plantas (e das borboletas), referindo-se em particular ao Manuscrito Voynich. 
Pois bem, talvez o Manuscrito Voynich seja um livro de drogaria... convenientemente codificado para que não estivesse acessível essa ligação com mundos para os quais as plantas nos seduziriam. A procura de chás, compostos, por iniciativa individual era vista como alquimia ou bruxaria, sendo fortemente reprimida enquanto iniciativa privada.

Ora, é bem sabido que as plantas usaram imensos estratagemas, mesmo com animais, para estabelecerem uma reprodução a seu favor. E esta aspiração começa logo na alimentação.
As plantas mais apreciadas pela espécie dominante - o homem, seriam as mais cultivadas e preservadas.
O trigo, por exemplo, tornou-se numa espécie de sucesso, graças ao pão.
Que hipóteses teriam pequenas espécies em sítios remotos de colher a atenção humana?
Curiosamente, foi pelas suas diversas propriedades medicinais, mas também pelos efeitos alucinogénios. Foi assim que mereceram atenção, passando a ser cultivadas com sucesso em diversos sítios.

Não se trata de nenhuma conspiração de "implantes por plantas", mas esse efeito de convocar para outras percepções existe e não deve ser negligenciado.
Se o efeito existe não é apenas porque as plantas têm a chave para essa visão alternativa, é também porque há uma predisposição na química das ligações cerebrais que o permite. 

Assim, o que o homem foi descobrindo nessa relação primitiva com as plantas, é que podia ser vítima de doenças, mas poderiam haver plantas que detivessem a cura. Como é difícil conceber que as plantas congeminassem doenças para serem depois procuradas como cura, o problema é obviamente mais global. 
É todo o sistema que parece interagir entre si, colocando problemas e soluções, levando o Homem a fazer a ligação, a desenvolver relações entre problemas e soluções, com mais ou menos inspiração. 
Assim, nesse processo, parece uma abelha, que estando interessada no pólen para o mel, ajuda na melodia geral à fertilização das plantas.
Ao ser convocado para melodias de sereias doutras realidades, e até eventuais visões de futuro, mais do que esse mel de interesse próprio circunstancial, interessaria ao universo fertilizar ideias de interesse perene, na raiz!

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publicado às 12:57


17 comentários

De Anónimo a 12.02.2014 às 02:50

Caros

É incrível como passamos a vida a acreditar em mentiras, sem reflectirmos.
E súbitamente, um pequeno pormenor, levanta a suspeita...E a mentira cai definitivamente em descrédito.

Eu nunca reparara no disparate do "Comércio das Especiarias". Nunca parara para pensar.
E no entanto, como diz o José Manuel, as tais especiarias que custariam fortunas, estão ainda hoje, práticamente ausentes da nossa culinária.

A Canela serve para borrifar arroz doce, e pouco mais.
A doçaria conventual não usa canela, usa amêndoa, nozes e figos.
Claro que usamos açúcar, mas tinhamos Mel e as plantações de Cana na Madeira.
A Pimenta é dispensável. Usávamos e usamos Pimentos e Malaguetas, mas uns e outros são espécies nativas da América do Sul, não da Índia. Tal como o Cacau.
O Alecrim é do Mediterrâneo, a Mangerona e os Orégãos da Europa, o Mangericão da América do Sul, e a Salva é Mediterrânica.
Nem o Café veio da Índia, veio de África.
Daí eu pensar, que os Portugueses comercializavam as "Especiarias" da América do Sul, já que, como sabemos, o continente americano era conhecido dos Portugueses, muito antes da oficialização por Colombo.

Só que um dia, por acaso, dei por mim a seguir o rasto dos Yuezhi, que curiosamente, a dada altura, são designados nos registos como Yuezhi ou Judeus.
E toda a migração deste povo, gira em torno dos chamados Crescente de Ouro e Triângulo de Ouro. Regiões desprovidas de qualquer interesse, a não ser o Ópio.
E como se não bastasse, encontro no período Pós Glaciação, um Rei dos Vivos, que oficializa o Ritual do Soma.
Claro que me lembrei de imediato das Múmias drogadas...no Egipto.... drogadas no Deserto do Taklamakan.

E quando passo por aqui, para recordar a Rainha Hatchepsut, madrasta do "Rei David", que explorou a Amazónia em conjunto com o Rei de Tiro, que aprendera a navegar com os Tartéssicos, ou Toirinis, o Da Maia revelara já que as Especiarias eram Alucinogéneos.

Portanto, a minha suspeita estava certa!

Diz o José Manuel, que alguém encontrou uma das Cápsulas do Tempo pré-diluvianas.
Seguramente a chamada Ordem do Templo, que já existia em Portugal, anos antes de ser fundada, encontrou uma.

Mas esses sabiam exactamente, onde era o Templo certo...

Nas minhas pesquisas pelo Passado Remoto, quando segui os Reis dos Vivos, fui parar ao mais remoto ancestral, de que há registo:
Nilus O Antediluviano, nascido em Tanis, que se situaria nessa época, há cerca de 25 000 anos, na actual Mauritânia.
O filho de Nilus, Oadane, nasceu em Idjil, perto do Domo de Richat, ou Olho de África, na Mauritânia, a tal enigmática estrutura de vários circulos concêntricos, só visível por satélite, que o José Manuel, já referira.

Se pensarmos que os Tartéssicos, descendentes dos Atlantes, Tartéssicos ou Toirini em gaélico, estacionavam a sua frota nas Canárias, e que o antigo Canyon do Nilo, não seguia até ao Mediterrâneo, mas até ao Atlântico, e que a antiga nobreza Maurya deposta, migra muitos séculos depois do norte da Índia para a Mauritânia, penso que poderemos começar a desenhar o Mapa da Atlântida.

Um pouco diferente do esperado...mas a convulsão geológica, terá sido de grande magnitude.

Abraço

Maria da Fonte

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