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Na região do país basco, entre Santander e Bilbau, está a Caverna de Cullalvera com inscrições pré-históricas, que tem uma entrada com 30 metros de altura... 



... e que serve de apresentação a uma interessante pequena palestra de Genevieve von Petzinger, que é bastante elucidativa, do tipo de investigação que decidiu fazer sobre a arte rupestre.
Não se focou na imagem dos animais, mas sim nos múltiplos desenhos geométricos que polvilham as cavernas, e que segundo ela, são mais do dobro das representações de animais.


Em particular, ficou mais conhecida por definir 32 símbolos geométricos frequentes, que aparecem na arte rupestre, comuns a diversas cavernas europeias.

1) Timidez...
Desculpem, mas só pintamos se ninguém ver!
Conforme é dito no vídeo, é suficientemente estranho só encontrar os primeiros símbolos depois de se entrar 800 metros na caverna. As paredes não eram boas para escrever?
Uma situação mais típica, é outra... todos os registos na entrada acessível podem ter sido destruídos, e só os registos mais inacessíveis, ou considerados pouco relevantes, foram poupados.
Porquê?
Para simplificar, coloquemo-nos ao tempo romano do imperador Augusto, que finalmente arrumou com toda a resistência ibérica. Os chefes locais ainda poderiam ser tentados a mostrar aos jovens a sua ascendência a tempos mais gloriosos, fazendo-os visitar cavernas magnificamente pintadas, ao estilo de Altamira. Ora esse despertar de consciência nacionalista, seria um rastilho para rebelião e inconveniente para uma potência invasora. Assim, tudo o que seriam símbolos visíveis de um passado notável, deveriam ser ocultados.
Por isso, com escopro e martelo, nada seria mais fácil do que destruí-los. 
Como se isso não fosse muito ético, fica a esperança de que os desenhos tenham sido reproduzidos em pergaminho, e mandados para Roma, para as catacumbas do Vaticano, antes de serem destruídos.

Podemos perguntar, isso não implicaria igualmente destruir monumentos megalíticos?
A questão é que uma civilização estar associada a monumentos de pedra não trabalhada, não se compararia minimamente com a sofisticação e imponência que os edifícios romanos tinham.
Acrescia um problema maior... as pinturas pré-históricas mostrariam animais extintos, como bisontes, mamutes, tigres de dente-de-sabre, etc. Isso remeteria para um passado demasiado longínquo, que convinha ser ignorado. Tanto pior quando o cristianismo começou a despontar a sua faceta mais ortodoxa, que foi levando à destruição de referências a outras divindades, vistas como diabólicas.
Basta lembrar que esse mesmo espírito levou a que no tempo de Teodósio, em 393 d.C. tivessem terminado os jogos olímpicos, e abandonada a cidade pagã de Olímpia, que os acolhia.

Por outro lado, ainda uma explicação mais simples, é que seria natural que os sítios mais acessíveis, podendo ser facilmente vandalizados, não fossem convenientes a desperdiçar tempo com pinturas demoradas e sofisticadas. No entanto, em contraponto, convém não esquecer as diversas pinturas ou relevos, encontrados ao ar livre, que contrariam essa tendência.

2) Montanheses
Acima de 500 metros só cabras e montanhas...
Depois há um pequeno grande problema!
Na Idade do Gelo o nível do mar estaria umas boas centenas de metros abaixo do actual, por isso o mais natural seriam as povoações estarem concentradas junto ao nível do mar, e hoje em dia isso significa... umas boas centenas de metros submersas, como foi exemplificado no caso da Caverna Cosquer. Ou seja, aquilo que recuperamos enquanto registo civilizacional, é apenas aquilo que está acima do nível da água, e que antigamente seriam regiões em altitude, ou montanhosas.
Curiosamente uma boa maioria das cavernas pré-históricas encontra-se na zona basca, onde a diferença entre o anterior nível marítimo e o actual, seria menos significativa, o que não é muito diferente da zona occitana, onde ocorre a mesma frequência de pinturas rupestres.

Não estamos a falar apenas da questão do nível do mar, porque a Idade do Gelo também é supostamente fria... e assim os ambientes mais elevados, onde a densidade atmosférica seria menor, seriam igualmente os mais frios, e os menos convidativos à vivência.

Para se entender melhor a questão, pensemos que o nível do mar subitamente passava a ser superior a 5000 metros... o que temos como vestígios humanos acima dessa altitude? Praticamente só não ficaria submersa a região montanhosa dos Himalaias, e como Lhassa está abaixo de 4000 metros de altitude, praticamente não ficaria uma única povoação significativa, só restariam montanheses nepaleses...

3) Os símbolos geométricos
O que há e o que falta...
Conforme é colocado por Petzinger, o problema não está apenas no que está representado, está também em tudo o que não foi representado!
Não se vêem desenhos de árvores, de pássaros, dificilmente se encontram referências às fases da Lua, às constelações, não há desenhos de rios, de mares, de nuvens, de armas, são praticamente raras ou quase inexistentes figuras humanas,  etc...
Parece ter havido um propósito de desenhar apenas certas coisas, muito específicas... como fossem os animais que constituíam parte da dieta paleolítica.
A razão pela qual há essa selecção de temas, parece um aspecto fulcral, sem grandes respostas convincentes. Uma possibilidade, que já considerei, seria o uso da técnica da camera obscura para a fazer as pinturas com um elevado nível de precisão.
Mas, conforme é referido, surge um grande número de símbolos abstractos, geométricos, cuja intenção ultrapasaria uma representação concreta. A sua difusão, ou presença comum em diferentes paragens, mostra que haveria contactos reais entre os diveros grupos pré-históricos, e mesmo que se pretenda algum significado, na tentativa de servir de passo conducente a uma línguagem escrita, o ponto principal que Petzinger consegue é mostrar que o conjunto existe, sem avançar nada mais, do que escassas especulações.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 05:20


3 comentários

De João Ribeiro a 12.05.2018 às 19:44

Boa tarde. Fazem lembrar as siglas poveiras.

https://www.vortexmag.net/siglas-poveiras-a-misteriosa-heranca-dos-vikings-na-povoa-de-varzim/

Cumpts,

JR

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