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Estado da Arte

27.07.15
"Estado da Arte" é uma expressão usada normalmente para dar conta da situação em que se encontra uma certa parte do conhecimento, geralmente designada como "arte".
Iremos procurar dar aqui sentido a uma outra interrogação, que não tem nenhuma resposta conhecida... pelo menos que faça sentido.

O maior problema que aqui ficou por resolver, é ilustrado assim:
Pintura Rupestre na Caverna de Font-de-Gaume, datada com 20 mil anos.

Se as restantes pinturas rupestres são notáveis, esta composição evidencia uma sensibilidade e um grau de abstracção surpreendentes. Os chifres não foram desenhados para corresponder a uma realidade observada, as pernas são estreitas e demasiado curtas, e sobretudo é uma cena que só uma alma muito insensível pode associar a "caçadas"... 
Diz-se que Picasso, depois de visitar a Caverna de Altamira terá dito: 
- Depois de Altamira, tudo é decadência...
A questão é muito simples. 
Depois de se atingir os píncaros da pintura, o que fazer nos 20 milhares de anos seguintes?

Tal como Font-de-Gaume, Lascaux, Chauvet, etc... uma grande parte dos mais notáveis registos de pintura rupestre estão na região Occitana, que em tempos romanos foi designada Aquitânia
Durante a Guerra dos Cem Anos, uma parte chegou a ser designada como Guyenne, ou Guiana, província que chegou a mãos dos Lancastre, e já aqui mencionámos que esse nome poderá ter sido corrompido em português para Guiné, pelos filhos de Filipa de Lencastre. 

Parte da região é conhecida como Languedoc, "langue d'Óc", em occitano "lenga d'Óc"... o que de certa forma corresponde a dizer "língua de Ó" - ou abreviadamente "linguadó", como alternativa ao nome Romance (designação das línguas românicas). 
Porquê o linguado? - Falamos da parte vocal, e não da parte bocal, do Romance. 
Podemos ver esse peixe como uma versão camuflada de uma raia (sendo que já falámos de Cronos e Raia... no contexto, da Raia miúda!)
Linguado usando o mimetismo como camuflagem na superfície.

Esta língua do Ó, ou dos Ós (ou ainda, se quisermos, língua de Oz) seria muito provavelmente a raiz de onde saíram as restantes línguas "latinas"... o que nem é especular coisa nenhuma, já que se assume o desvio das restantes num certo "Romance", a língua provençal.
E sim, estou a entrar moderamente em "jogos florais", porque foi em Toulouse criada a primeira Academia em 1323... a Academia dos Jogos Florais, em resposta à brutal repressão contra o movimento cátaro na Occitânia. 

Esta técnica do "jogos florais" não é bem como ler ao contrário "amor" em "roma", até porque por via das dúvidas, de "roma" sai também a palavra "romance"... que não é bem amor. Seria mais gerar-se aqui uma discussão entre escrever palavras "occitanas" ou "oxitanas". 
A querela poderia parecer minudência.
Por exemplo, procurar rebuscada relação com o osso occipital, na retaguarda do crânio... sabendo que os Neandertal, habitantes das paragens occitanas, tinham esse osso bem mais saliente. 
Noutra versão, oxitanas" poderia ler-se como uma manifestação política grega actual, no sentido de "Oxi, o tanas!"... entendendo que o "não-oxi" no referendo grego foi uma farsa! Convém relembrar que Tanas é a divindade primitiva, de onde derivam os nomes como "lusi-tana", "mauri-tana", etc.

Eram assim os jogos florais, alimentados por poetas, onde uns liam uma coisa, e outros, outra. Coisas próprias de tempos em que a chama ardente era mesmo a das fogueiras inquisitórias contra os cátaros occitanos. Mas, as coisas são como são, e não me é difícil ver muitas mais relações florais... porque afinal com dois Ós (oo) faz-se um oito (8), ou "octo" na língua de óc. E por aí adiante, com oc-culto, com oc-cidente, com mais ou menos óculos (que é como quem diz oc-olhos), e tantas outras palavras formadas com o prefixo latino "oc", entendido como "por razão de...". E, é claro, todo este jogo floral pode ser entendido como oco.

Para o que interessa, toda a região do sul de França teve um papel activo nas Cruzadas, sendo o porto de La Rochelle a base naval dos Templários, antes da sua extinção... sendo ainda mais significativa a própria Cruzada Albigense contra os Cátaros, levada a cabo pelo rei de França, que arrasou a ideia de cisão do Deus do Antigo Testamento, Jeová, do Deus do Novo Testamento, Jesus. Isto seria uma ideia particularmente mal vista pelos judeus, já que os cátaros remetiam o mal para o pai Jeová, e o bem para o filho, Jesus.

Madalenas
Não falamos de Maria Madalena, nem dos bolos a que se chamam madalenas, cujo formato é uma significativa vieira, de inspiração antiga no culto de Vénus.

A questão principal são os 20 mil anos, que separam os traços dos pintores trogloditas, dos traços dos pintores modernos.
Se em tempos remotos foi lançado o desafio aos pintores futuros... o Estado da Arte pareceu não ter evoluído de sobremaneira.
Alguém foi capaz de desafiar na pintura, os cervos de Font-de-Gaume?
Quando a técnica atingiu o apogeu, o que restou aos pintores modernos?
- Passaram do impressionismo aos movimentos mais abstractos, tornaram o traço mais grosseiro, menos realista. Mas será que alguma dessas tendências seria novidade, com efeito?
O que vemos nas pinturas rupestres não são também muitas vezes temas abstractos?
E os rostos humanos?
Por que razão escapavam de tema os rostos humanos, a quem com segurança desenhava de forma notável os animais que via?
Será que não houve nenhum pintor, durante todos esses milhares de anos, que não pintou sequer um rosto humano, com a mesma perícia com que desenhava bisontes e cervos?
Poderia ser proibido, certo, mas mesmo assim... haveria tal proibição capaz de impedir um rapaz de pintar a cara da sua amada, quanto mais não fosse por saudade, ou para impressioná-la?
Durante milhares de anos, em tantas grutas descobertas, e não se encontra um esboço?
De vestígios humanos pintados, só encontramos mãos impressas?
Pois, uma coisa é encontrar... coisa completamente diferente é conseguir divulgar a descoberta, nos nossos dias de ocultação. Se tal coisa existe, ou foi passada a ácido, ou ainda está bem escondida.

Bom, mas o que aconteceu aos habitantes das cavernas? Desapareceram?
O que é interessante é que nessa mesma região do Sul de França, restam habitações "trogloditas"... ou seja, algumas casas que foram feitas aproveitando as saliências da rocha.
É o caso do "Abrigo da Madalena", que acabou por dar nome a toda a Cultura Magdaleniana, associada aos Cro-Magnons no período final da Idade do Gelo.
Abri de la Madaleine - Sul de França (Tursac, Dordogne)

Talvez o caso mais bem conservado será a "Casa Forte de Reignac"

Esta "casa forte", só teve janelas abertas no final da Idade Média, e só recentemente passaram a autorizar a visita a uma sala e a um quarto. Apesar da habitação ser denominada "troglodita", porque se traça permanência humana até aos tempos paleolíticos, esta casa certamente vedaria o acesso a um interior de grutas pré-históricas, só possível de concretizar mediante autorização dos proprietáriso.

Certamente que a população muito mudou, mas não se poderá pensar que alguns dos habitantes da região poderiam traçar as suas origens a épocas perdidas na noite dos tempos?
- Afinal, nem os romanos levaram todos os gauleses como escravos, e sabe-se dessa contínua permanência de habitantes, desde tempos remotos.
É claro que isso se poderia afirmar para todos os povos... mas quando se mantêm casas na rocha, cujo acesso interior leva certamente a cavernas e galerias usadas desde o Paleolítico, estamos com uma continuidade, e preservação do local de habitação, a tempos da Idade do Gelo.

Entre o Estado da Arte, em que ficaram as pinturas rupestres, será que não podemos ser levados a pensar num outro "estado", num estado em que à arte era dada uma importância crucial, e que se poderá ter mantido em continuidade, desde a Cultura Magdaleniana até aos nossos dias... mantida por Magos e Magdas?
Claro que não há nenhuma evidência concreta nesse sentido... tirando uma propositada história de continuada ocultação, permanecendo em quase todas as civilizações de que nos chegou registo.

E nem tão pouco podemos dizer que cenas com fauna animal, como a de Fonte-de-Gaume, tenham desaparecido da pintura. Aliás, encontramos até exemplos disso nos Romanos.
Frescos romanos (1)

... no entanto, estes fragmentos de frescos, são apenas alguns dos múltiplos registos, que podemos encontrar entre os romanos, e cuja qualidade lembram tempos mais recentes da pintura:
Frescos romanos (2)

A maior parte encontram-se hoje em pedaços, mas alguns que restaram, dão-nos ideia de qual foi a força erosiva que esteve em presença, quando se tratou de apagar registos antigos
Frescos romanos (3)

... ou seja, numa boa parte dos casos, a força erosiva em presença, não foi nenhuma ruína natural - foram apenas homens munidos de escopros! E essa mesma força, continua a mandar no Estado da Arte.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 07:49


19 comentários

De José Manuel a 29.07.2015 às 20:48

Gostei muito de ler este seu "Estado da Arte", desconhecia a existência de compaixão nos "homens das cavernas"!

Olá boa tarde,

Almendres Cromlech is a double stone circle at Alentejo, Portugal (earliest region of megalithic activity in Europe).
https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Megalithic_spirals_at_Almendres_Cromlech.jpg

Quando lá estive Inspeccionei as pedras sem ler previamente o painel à entrada, molhei as gravuras que ia descobrindo, e encontrei o que queria: as espirais, fiquei sem água para beber e mais não encontrei...
A edição das tonalidades da minha photo foi feita de propositadamente mais clara, pois o logiciel da wiki mais tarde as faz mais escuras automaticamente (?).

É visível uma mancha que lembra uma dama, pois o cérebro humano está programado para o reconhecimento da sua espécie, vi depois que um britânico mencionava esta espiral em Almendres:

Portuguese Spirals
Being one of the earliest regions of megalithic activity in Europe, it is interesting to find one of the largest spirals in Europe here also [ver photo doutra; This recently discovered spiral-art (above), was found in the region of Piodáo in Portugal]

Also from Portugal, the stone circle at Almendres which is considered to be one of the oldest oldest stone circles in Europe ('4th to 5th millennium B.C' - Site plaque - 2007.), also has/had a spiral on one of it stones.
http://www.ancient-wisdom.co.uk/spirals.htm

Seguem a tal "máquina" que poderá ser o estandarte de D. Afonso V (Rodízio do dito, em todo o caso nunca a tal roda duma nossa senhora nem um moinho de água) encontrei tirei photo e pubiquei:

Clock machine 16th century-Convent of Christ,Tomar, Portugal
At the registry (Cartório) archives of the Order of Christ
https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Clock_machine_16th_century-Convent_of_Christ,Tomar,_Portugal.jpg

Isto foi, não sei como datado do século 16 pois ninguém quer ser detentor de relógio precisão antes do Giovanni de Dondi (1364). Ilustração de pequeno relógio de parede idêntico (?) está na Bíblia dos Jerónimos de D. Manuel...
Assunto já abordado no Portugalliae blogspot...
(...) Penso haver uma ligação entre estes dois mecanismos, de Anticítera e Rodízio de Afonso V, representado nos estandartes das Tapeçarias de Pastrana, quando comparado com o Astrarium de Giovanni de Dondi, terminado em 1364, encontra-se uma peça que pode ser comum aos dois últimos, uma roda dentada com palas inclinadas, um oscilador isócrono.
http://portugalliae.blogspot.ch/2010/11/o-mecanismo-de-anticitera-e-o-rodizio.html

O Alvor se desejar utilizar photos e desenvolver os temas todos agradecemos (não precisa me mencionar) pois eu estou limitado pelas minha incapacidade em escrever correctamente e sem paciência para tal.

Até breve, há mais...

Cpts.
José Manuel CH-GE

De José Manuel a 29.07.2015 às 22:42

Olá de novo,

Gostaria que os franceses fossem dar uma voltinha a Almendres talvez encontrassem o que não conseguimos ver, exemplo do que aqui fizeram...

http://font-de-gaume.monuments-nationaux.fr/fichier/p_picture/718/picture_fichier_fr_iv.6.1.a.man.estier.inverse.jpg

Cpts.
José Manuel CH-GE

De Alvor-Silves a 30.07.2015 às 04:46

Tem razão, José Manuel, deveria ter mencionado que o estado actual da pintura de Font de Gaume é lastimável.
Encerraram Lascaux, mas parece que houve pouco ou nenhum cuidado com Font de Gaume, deixando essa obra prima num estado lastimoso.

Quanto às fotos, creio que podemos aqui inseri-las em dois contextos diferentes.

Primeiro, sobre os Almendres - a última vez que lá fui foi há 25 anos... e nessa altura não ia com olhos de ver.
Acho que as inscrições nos megalitos são um tema por si. Em concreto, também há ao lado Portela dos Magos (até o nome, invocando "magos" é sugestivo), que também é um cromeleche menos conhecido, com inscrições nas pedras:

https://www.flickr.com/photos/alnitak61/8310172802

http://www4.cm-evora.pt/NR/exeres/8766DA69-F7D1-4D94-8A65-7C896B65EE3A.htm

... com um símbolo de crescente, que lembra o do brasão de Sintra, ou ainda e especialmente as invocações à deusa Tanit:

http://www.britishmuseum.org/research/collection_online/collection_object_details.aspx?objectId=282700&partId=1&object=20160&sortBy=imageName&page=1

notando que os caduceus podem levar a pensar numa associação Vénus - Mercúrio.

Quanto ao mecanismo de relógio, tem razão, parece de facto demasiado primitivo para o Séc. XVI... e sendo certo que os mecanismos de rodas dentadas existiam na Antiguidade, como mostra o relógio de Anticitera, quem usasse o símbolo de "roda dentada", como Afonso V, estava certamente a invocar o princípio fundador de todos os mecanismos, não apenas de relógios, mas também de outras máquinas de automação.

Vou tratar de organizar as coisas para esses temas. Obrigado.
Abraço.

De José Manuel a 30.07.2015 às 13:26

Olá bom dia,

O Convento de Cristo em Tomar tem muito mas muito de encoberto, os Filipes "gajos porreiros" foram lá acabar o claustro de D. João III, D. Manuel andou ali a pôr cordas por todo o lado, tirei photos de escadarias góticas obstruídas por paredes... a parte aberta ao público é muito pequena... espero que a photo do mecanismo deste templo não tenha o mesmo fim na Wiki, desprezo e esquecimento, pus na inglesa dos relógios:
https://en.wikipedia.org/wiki/Clock

Fiz montagem de photos minhas da:
Igreja de Santa Maria dos Olivais,Tomar
https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Igreja_de_Santa_Maria_dos_Olivais,Tomar.jpg
Tem uma estrela no que resta do templo teria sido fundado pelo mestre dos templários Gualdim Pais
ou "parte do mosteiro da Ordem beneditina, mandado edificar no século VII por São Frutuoso, Arcebispo de Braga" (in Wiki)?

Portugal é um país muito estranho, cheio de encobrimentos e coisas enigmáticas.

Cpts.
José Manuel CH-GE

De José Manuel a 04.08.2015 às 02:32

P. S.
A estrela que fotografei na Igreja de Santa Maria dos Olivais em Tomar é anotada na Wiki como sendo símbolo da Ordem dos Guardas do Templo do Rei Salomão!
Onde anda a Maria Fonte? para divulgar isto ?

Cpts.
José Manuel CH-GE

De Alvor-Silves a 04.08.2015 às 16:22

Caro José Manuel,
podemos encontrar aqui
http://www.fraternidaderosacruz.org/ddc_arcep_segunda_parte_51.htm
uma certa descrição da importância simbólica desses pentagramas - na igreja de Tomar e no mosteiro de Alcobaça, no quadro de todo o misticismo ligado aos rosa-cruz. Acho sempre piada às contas de criança, em que as letras passam a números, e na regra dos "noves fora" reduzem tudo a um simples número entre 0 e 9.

De José Manuel a 04.08.2015 às 23:15

Re: " misticismo ligado aos rosa-cruz "

Merci pela rosa,

Não me lembro de ter visto antes uma "estrela" num templo católico, primeiro pensei na de Davide, mas antes de ler sobre esta Igreja dos Olivais no local constatei que tem pelo menos 3 tipos de construção, é muito desmotivante de alguém se interessar ao património português, mal identificado, sem placas que digam o mínimo sobre o que são, sem a indicação pelo funcionário do sítio do turismo de Tomar esta Santa Maria dos Olivais tinha ficado fora do meu roteiro! Para se visitar o Convento de Cristo entrasse pela porta do Castelo sem se saber, depois dá-se com a construção dos Templários, é o resultado de cada monarca ter ido marcar o sítio com a sua achega, ou esconder o que não le convinha. Acabaram-se os monarcas ficou o IPAR como inquisidor censor...

Cpts.
José Manuel CH-GE

P. S.

Esta igreja foi alvo de três bulas papais!
O "pentagrama" visto do interior com a tal anotação:
https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Iglesia_de_Santa_Mar%C3%ADa_del_Olivar.jpg
https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Santa_Mar%C3%ADa_de_los_Olivares.jpg

De Alvor-Silves a 05.08.2015 às 01:02

Tem razão, já fui várias vezes a Tomar, inclusivé duas vezes fiquei no Hotel dos Templários, que era bastante bom. Mas essas visitas não foram muito informativas... nunca fui propriamente em turismo, e também a mim me escapou essa Igreja de Santa Maria dos Olivais. Do Convento de Cristo fiquei com a mesma sensação de "demasiadas portas fechadas" e mesmo numa das vezes, sendo acolhidos por visita oficial, do que me lembro é que à época (há uns 10 anos ou mais) foi usada a técnica habitual do ilusionismo. Ou seja, fizeram gala de uns detalhes da treta, e quando se perguntava algo mais objectivo, desviavam o foco da conversa. Não fui lá nestes últimos cinco anos, para não me chatear... porque quando fui à Biblioteca do Convento de Mafra, acabei por entrar em discussão, dado o bloqueio total à lista de livros aí existente. Assim, se faziam gala dos morcegos que ajudavam a preservar os livros, acabei dizendo que era o mesmo do que estarem todos destruídos, já que nem havia uma lista deles, e o que estávamos autorizados a ver eram as capas decorativas. Insistiam que tinha que pedir autorização à curadora, e eu insistia que não poderia pedir acesso a um livro se nem sequer tinha acesso à lista deles... É claro que se poderia usar as minhas funções para forçar a burocracia a funcionar, mas sempre considerei que não deveria misturar uma coisa com a outra.
Sempre que pretendi acesso a qualquer coisa, apanhei com curadores que exigiam uma identificação pessoal e motivo específico para autorizar o acesso... só faltava exigir um juramento de sangue.
Ora, eu estou-me a borrifar para o acesso personalizado, e passarei sempre bem com o mesmo acesso que tem o comum da população.
Podem morrer todos enterrados com os seus segredos de Polichinelo, que é para o lado que eu durmo melhor. Não precisei de nenhum acesso especial nunca a coisa nenhuma, para fazer o meu caminho. E, chegado a esta fase, pouco ou nada me têm a mostrar que me surpreenda.
Aliás, eu não daria um centavo para saber algo que está escondido do público. Se está escondido, para mim é como se não existisse, e se não chego lá por essa porta fechada, chegarei lá por outra... Aliás, assim dá muito mais gozo, e é muito mais claro em termos de verosimilidade.
Foi sempre assim que pensei, e não vejo nenhum interesse em informação privilegiada, que obviamente só interessa aos que se consideram privilegiados. A minha fase de clubes secretos com chaves e códigos secretos terminou na adolescência. Por isso, e até que essa malta decida crescer, podem bem continuar a brincar ao Harry Potter sozinhos, ou uns com os outros, que eu não tenho paciência para infantilidades.

De José Manuel a 05.08.2015 às 13:58

Olá bom dia,

Re: "e se não chego lá por essa porta fechada, chegarei lá por outra... Aliás, assim dá muito mais gozo, e é muito mais claro em termos de verosimilidade"

Grato por ter partilhado a sua experiência pessoal, caro Alvor, minha vantagem nesta visita de 3 meses a Portugal, especialmente para ver as minhas origens maternas paternas, Loriga e Marvão, vantagem dizia foi o de ser ajudado pela minha companheira reformada do ministério do exército (secretária administrativa) quando preciso de algo mando-a falar com o aparelho burocrático... eu não posso fazer pois acabo sempre a discutir e não obtenho NADA...

Mas é claro que quando se descobre algo por si próprio dá mais satisfação, especialmente se for um fruto proibido.

Em Almendres no meio de mais de 90 menires dei com a espiral gravada, sabem que ela está lá certamente mas não a incluíram na placa informativa, nem na Wiki...

Volto em breve com photos e informações sobre a Cabeça da Velha da Serra da Estrela, de Loriga já publiquei uma do Cemitério dos Ingleses, mas não sei bem onde a incluir pois não existe artigo sobre o assunto:

Graves of six Commonwealth airmen (village of Loriga, Portugal)

Captain-Robert Tavener HILDICK; Lieutenant-Daniel De Waal WALTERS; Lieutenant-John BARBOUR ; Lieutenant-John Patie THOM; Corporal-Jack Learoyd WALKER; Corporal-Henry Ernest HEDGES.
The crew of a Hudson bomber of the South African Air Force and their two R.A.F. passengers, and were killed on 22 February 1944 when their aircraft failed to clear the 1,820 metres eastern wall of the Serra da Estrela at the Penha do Gato.

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Graves_of_six_Commonwealth_airmen_%28village_of_Loriga,_Portugal%29.jpg

Abraço, bom verão

Cpts.
José Manuel CH-GE

De José Manuel a 05.08.2015 às 14:41

Sobre relógios

The Henlein pocket watch dispute
Is the Henlein pocket watch really the "oldest pocket watch in the world"?
For decades, experts have been disagreeing about whether the famous "Henlein pocket watch" in the GNM really is the oldest preserved portable watch in the history of technology. Other small-scale watches from the early 16th century also stake claim to this title or are – like the Henlein pocket watch – suspected forgeries. In total, around five watches are under discussion here.

From December 2014, a special exhibition will be dedicated to these fascinating examples of past timekeeping technology and will attempt to go some way towards resolving the argument (...)

http://www.gnm.de/en/research/archival-research-projects/the-henlein-pocket-watch-dispute/

Aqui dá para ver melhor quanto é pequeno o objecto:

http://www.gnm.de/en/research/archival-research-projects/the-henlein-pocket-watch-dispute/3d-micro-computer-tomography/

Cpts.
José Manuel CH-GE

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