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O tema deste texto ficaria simplesmente ilustrado pelas imagens das Ilhas Faroé, que não apenas lembram Faraós pelo nome similar, mas também por estas formações geológicas notáveis, que lembram perfeitas pirâmides:
Ilhas Faroé - formações geológicas piramidais.
Esta seria uma forma típica, com que comecei aqui muitos textos, notando semelhanças fonéticas que deram títulos interessantes. No entanto, uma grande e principal diferença é que já não estou a trilhar nenhum caminho exploratório. Trata-se agora mais de um passeio, e o interesse de fazer este texto é residual, no sentido de não encerrar o blog por completo.

A semelhança fonética entre as Faroés e os Faraós existe também em inglês, e é até talvez maior, conforme se pode ver neste relato sobre uma marcação de viagem:
"I said the Faroe Islands, not the Pharoah Islands".

Como curiosidade adicional, fiz uma simples pesquisa para saber se havia alguma etimologia que ligasse uma coisa à outra, e não encontrei nada de relevante.
No entanto, encontrei um interessantíssimo livro
Archaic England de Harold Bayley (1919)
onde podemos ler uma folclórica ligação em que os habitantes das Faroé viam as focas como representações dos soldados do Faraó, afogados quando perseguiam Moisés pelo Mar Vermelho.
In all probability the phoca was a token of the Phocean Greeks who founded Marseilles: the phoca was pre-eminently associated with Proteus, and in the Faroe Islands they have a curious idea that seals are the soldiers of the Pharaoh who was drowned in the sea.
Provavelmente não seriam os únicos a usar esse mito, mas foi essa ligação remetida às Faroés que me permitiu encontrar o livro de Bayley. Esse livro começa com um capítulo chamado "Magic of Words", que remete ao fascínio da antiguidade das palavras... ou como é dito, a língua carrega uma história enorme que só parcialmente foi alterada pelas alterações gramaticais, impostas contra a tradição popular.
Bayley dá como exemplo o caso do lugar de Palmira, uma cidade síria (de que já aqui falei a propósito de Zenóbia), para enfatizar que a origem da toponímia se pode perder em milénios de história. Não tanto pelas ruínas de Palmira que seriam influência greco-romana, mas por uma cidade ainda anterior a essa, cujo nome mais antigo era Tadmor. Hoje a cidade recuperou o nome da tradição árabe, mas à época de Bayley, antes da independência síria, era mais natural aos ocidentais considerar Palmira como o nome antigo. Provavelmente estão ambas ligadas a "palmeiras" ou "tâmaras", indicando um talvez antigo oásis. Palmira fez entretanto notícia televisiva, pelo medo ao novo papão chamado "Estado Islâmico", e a associada destruição do património greco-romano.
[É sempre curioso saber que os exércitos de "drones" vigilantes são afinal muito selectivos nos inimigos que deixaram crescer, e que Israel se preocupa mais em bombardear escolas em Gaza, do que em incomodar os vizinhos lunáticos cortadores de cabeças em fatos de ninja... isto, é claro, sem duvidar da qualidade da produção em cena. Ninguém ousa confundir o filme transmitido às 19h55 com a notícia transmitida às 20h05... a entrada do logotipo do "telejornal", tal como uma campaínha de Pavlov, faz passar do modo ficção para o modo realidade.]

Bayley refere ainda uma tradição de ligar o deus Thor ao touro: "a bull, the symbol of the god Thor was called thor", algo já aqui falado algumas vezes (aqui e ali), entre outras múltiplas relações facilmente sugeridas pela simples fonética. Porém, não é minha opinião que estas coisas tenham resistido simples e puramente duramente milénios, apenas por perservação linguística na tradição popular... Ao contrário, é possível que as modificações ocasionais tenham partido a porcelana, mas a sucessiva colagem permite ver onde se encaixavam as peças.

Bom, quanto às pirâmides da Ilhas Faroés, não é impossível que sejam naturais, mas parece um caso ainda mais evidente que a propalada "pirâmide da Bósnia", e não é de excluir que possa ter havido uma alteração humana a escopro e martelo sobre a rocha.... para obter aquele aspecto mais quadrangular.
Convém não esquecer que, não muito longe, entre as Faroé e a Escócia, estão as Shetland, onde foram encontradas grandes torres megalíticas. Ver p.ex. notícia final em

Assim, havendo construções megalíticas nas Shetland, parece mais facilmente possível uma modificação do relevo das rochas, para obter o aspecto piramidal.... isto sugere uma possível utilização até das Faroés como Faróis de referência, para limite da navegação a norte. Se o grande Farol de Alexandria, referência egípcia, foi proeza dos Faraós Ptolomaicos, nessa altura seria perfeitamente possível navegar até aos limites do Norte da Europa.


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publicado às 05:10


1 comentário

De Alvor-Silves a 05.07.2015 às 06:38

Tendo em conta as proximidade fonética dos nomes, como Jove é alternativo a Júpiter, parece-me consistente ver em Jove/Zeus a mesma entidade grega que os judeus chamaram Jeová/Deus. Ora Jove é também significado de "jovem", já que seria filho de Saturno.
Acresce a semelhança entre Satã e Saturno, que os gregos entendiam como Cronos, e que a mitologia judaica encarou como "cornos" em Satã.
Assim sendo, dá-se uma inversão face ao entendimento grego, já que Saturno seria o pai e não o filho de Jove.
Na chamada Titanomaquia, a guerra que Jove levou contra Saturno, do pai contra o filho, foi uma guerra de titãs e não de anjos, mas levou ao encarceramento de Saturno/Cronos nas profundezas da Terra.
Há assim algumas semelhanças, que são menores dado o carácter único de Deus no Céu, diferente de Zeus no Olimpo.
No entanto, o problema na relação pai-filho e o levantamento dessa questão como crucial no Cristianismo, mostram que o especial entendimento da separação ou união das duas entidades seria fundamental.

Eu tendo a dar mais importância ao poder simbólico do que ao poder material, até porque um poder sobrenatural nunca é um último poder, seria apenas maior para humanos, mas vulgar para entidades superiores. A supremacia entre entidades superiores precisaria então de um sobre-sobrenatural, e esta sequência nunca mais teria fim. Esse era a ideia das primeiras religiões que faziam uma hierarquia de poderes entre as suas divindades.
Dito isto, uma pedra "Ex Caeli" (do céu) só teria importância entre humanos, e serviria para os separar, tal como qualquer outra qualidade superior dividiria o Céu.

Por isso, acabo por considerar que a "pedra filosofal" é mesmo o conhecimento filosófico, a simples resposta a estas questões fulcrais que foram consideradas desde a noite dos tempos. Seria dado mais valor à resposta sobre o verdadeiro valor do poder, do que a ter qualquer poder.
Porque ter poder só interessa se estivermos certos do seu uso. Se estivermos certos de que suprimir A é sempre melhor que suprimir B. Ora isso só é claro para quem pode conhecer todo o futuro, e quem conhece todo o futuro não pertence ao tempo presente... aliás, já se findou no significado da sua existência. Porque sabendo o futuro, nada mais tem a saber, e o tempo termina para si.

Já quanto à questão do rei David, enquanto enteado de Hatshepsut, pois isso é diferente, e faz sentido que se liguem os registos egípcios aos mitos hebraicos, até porque essa ligação foi sempre conhecida. O que poderá ser mais controverso é o ajustar o personagem egípcio ao personagem judaico.

Termino, lamentando a sua perda, e enviando um abraço.
Abraço.

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