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"Outros Quinhentos" é uma expressão razoavelmente popular cuja origem parece algo incerta. Uma das várias explicações que vi apontava para uma coima por injúria à elite nobre.

Deveríamos ter entrado este ano com alguma comemoração relativa à primeira notícia da chegada a Timor. Essa notícia remetia para Janeiro de 1514, e portanto estão já quinhentos anos passados. 
Outros quinhentos anos passaram sobre a notícia da chegada à China de Jorge Álvares, em 1513.

Não houve comemoração significativa destes quinhentos, porquê? São precisos outros quinhentos?
É claro que se pode falar da "crise"... a tal crise selectiva que só afecta parte da estrutura, mas como é óbvio não há nenhuma crise económica que impedisse que se falasse abundantemente do assunto.
A menos, é claro, que tal crise impusesse uma qualquer chantagem que impedisse a menção desse período épico português. Bom, mas isso seria alinhar por uma daquelas teorias da conspiração - sei lá, que os judeus não esqueciam a expulsão ibérica, e que do muro das lamentações de Wall Street imporiam um enorme garrote financeiro. Qualquer coisa absurda desse género.
Ora, como isso não parece fazer sentido nenhum, resta a habitual incompetência e insensibilidade governativa... por acaso de um governo da ala mais ligada aos símbolos da história nacional.
Portanto, esta explicação também parece muito incompetente, e ficamos perdidos. 
Serão outros quinhentos?

É claro que se pode argumentar que a vice-regência de Afonso de Albuquerque foi muito traumática no Oriente, e conviria não hostilizar parceiros comerciais com "más lembranças"... mas dificilmente há herdeiros directos desses reinos, e o "politicamente correcto" não chegaria ao ponto de se evitar a comemoração intramuros. 
O "César do Oriente", como foi epitetado, estabeleceu de facto um domínio completo sobre o Índico, abrindo a comunicação directa à China após a conquista de Malaca em 1511, o que libertou a entrada no estreito. Podem-se questionar as datas a partir daqui... logo de seguida, os navios com bandeira portuguesa navegaram pelas diversas ilhas indonésias, até atingirem as Molucas e Timor. Pode ter sido um, dois ou três anos depois, mas é difícil de acreditar que a maioria das ilhas da Indonésia até à Austrália não foi pelo menos avistada, e em grande parte cartografada durante a regência de Afonso de Albuquerque. Quando Pedro Nunes refere que tudo tinha sido descoberto, desde a mais remota ilha ao simples penedo ou baixio, reporta mais de 20 anos depois, mas é natural que o conhecimento global já estivesse presente em 1514 como atesta o Globo do Mapa de Marinharia.

Apesar de haver quem esteja disposto a todo o folclore da negação (e é claro, com espaço de antena para isso), a chegada a Timor em 1514 (pelo menos) é confirmada por Armando Cortesão (Esparsos, Vol. 3, pag. 326, Acta Univ. Conimbrigensis, 1975), que diz o seguinte:
"Na Suma Oriental confirma Tomé Pires esta viagem do junco português à China, quando, escrevendo em Dezembro de 1513, ou começo de Janeiro de 1514, informa: «Lugares onde os nosso juncos e naus foram; as nossas naus a Java, a Banda, a China. Junco é a Pacee(?), a Paleacate(?); agora vão a Timor por sândalos, e vão a outras partes e foi já nosso junco a Pegú ao porto de Martaniane(?)» (fol. 177r) (118). A informação tem ainda o valor especial de nos dizer, de fonte bem autorizada e fidedigna, quem em 1514 foi um junco de Portugueses a Timor, em que iriam Portugueses, como foram nos outros (119).
Na nota (119) menciona-se uma carta de Rui de Brito que diz que não teriam então chegado a Timor, mas o próprio Cortesão esclarece que Brito fala do passado e Pires do presente, 1514. No passado mês de Fevereiro Xanana Gusmão esteve em Portugal, e como podemos ler, não houve menção a esse evento histórico na comunicação social.

Bom, mas este texto não é certamente sobre política, manipulação histórica, nem tão pouco para lamentar a falta de comemorações, sempre muito desligadas da população... Cada macaco no seu galho, e à racionalidade humana só compete distinguir naturais incertezas de evidentes contradições.

Este texto é sobre outros quinhentos: - Nan Madol.
 
Nan Madol - Micronésia (Ilhas Carolinas)

Por lapso, esqueci-me de juntar este conjunto monumental no texto Lemuria, onde referi a pedra-dinheiro de Palau... Foi agora num comentário de Maria da Fonte que relembrei que este monumento ainda não tinha aqui tido nenhuma referência, apesar de ser várias vezes falado nos comentários, ligado à ideia do continente perdido, Mu. 
Não vou falar sobre Mu, porque já de alguma forma foi mencionado no texto sobre a Lemuria, e penso tratar-se do mesmo mito. Há por vezes ideias sobre continentes de dimensões gigantescas, como se isso acrescentasse dimensão à civilização. Na realidade basta reparar na enorme superfície euro-asiática para perceber que é na sua maioria inabitada. O mesmo se passa na América, basta reparar na grande Amazónia ou no enorme Canadá. Mesmo com 6 biliões de pessoas, a nossa concentração dá-se em pontos muito particulares... e ilhas de dimensão menor, como o arquipélago do Japão, podem oferecer um grande desenvolvimento. Por isso, a ideia de continentes de grande dimensão apenas traria mais terra inabitada a um planeta que já tem muita terra inabitada.
Conforme referi no texto sobre Lemuria, o aumento do nível do mar terá submergido uma grande parte da região da Melanésia, então contígua da Malásia até às ilhas da Nova-Guiné. Essa parte era suficientemente extensa para corresponder ao afundamento de uma superfície semelhante à da Austrália, justificando-se perfeitamente essa associação mítica àquelas paragens.

O complexo monumental de Nan Madol não revela nenhum surpreendente esplendor técnico, mas é notável do ponto de vista megalítico, e remete mais uma vez para uma parte da história que parece ter submergido juntamente com Mu. Essa submersão não vem apenas de natural falta de dados, vem de propositada ocultação ou distorção. 

Damos um exemplo ilustrativo. O texto de Armando Cortesão foi encontrado ao procurar informação adicional sobre as Ilhas Carolinas. Essa descoberta é atribuída a Gomes de Sequeira em 1525 (ou Janeiro de 1526, ver pág. 320 de Esparsos, vol. III). Pelo menos a ilha de Palau deverá ter tido o nome de Sequeira, antes de passarem a ser nomeadas Novas-Filipinas, por Álvaro Saavedra em 1529, e depois Carolinas, por respeito ao imperador espanhol Carlos (V?). 
Esta nomeação de Carolinas é encontrada em quase todo o lado, mas há uma versão diferente. Numa tradução de Jacques Arago, viajante francês, lemos ("De um a outro pólo", pág. 177) numa nota de rodapé que afinal teria sido o espanhol Ponce de Léon (!!!) a descobri-las em 1512, e que o nome Carolinas era devido a Carlos IX, rei francês, é claro, e que o nome teria sido mantido por Carlos II, rei inglês. O facto dos nomes reais serem moda numa certa época permite estas variações, em que nomes similares servem vários propósitos ambíguos, só faltava um Karl germânico, para justificar Karolinen sob sua alçada. Só encontrámos na tradução do livro de Arago tal versão afrancesada, mas presumo que tenha origem noutra fonte. Isto mostra suficientemente como as tentativas de alterar o registo histórico foram constantes e tiveram frequentemente origem nas mesmas paragens europeias.

A contrario desta tentativa francesa, Cortesão procura provar que a viagem de Sequeira não teria chegado à Austrália, como entretanto foi pretendido, e dá uma justificação pelos relatos e pelos ventos... De facto a documentação existente não parece ter nenhuma referência directa à Austrália, até porque não seria assim nomeada à época, como é natural. Os mapas que Cortesão conhecia pareciam estar fora de uso para fazer prova. Não parecia haver nome, nem registo da navegação que teria permitido fazê-los. No entanto, esses mapas existem e mostram o conhecimento completo à época de D. Sebastião, pelo menos. Qualquer outra pretensão é apenas pura formalidade burocrática ou cegueira.


Nota adicional (01/04/2014):
Esta referência a Nan Madol foi colocada há já muito tempo num comentário de José Manuel, onde se refere a descoberta de Nan Madol por Pedro Fernandes Queirós e a sua associação à colónia de Nova Jerusalém, por vezes ligada também a Vanuatu.
Mapa de 1612 de Hessel Gerritsz onde se aponta a Australis Incognitae 
a uma descoberta de Queirós.
Este mapa é especialmente relevante por ser holandês...

Já tínhamos aqui mencionado o cartógrafo holandês Gerritsz, que em 1618, ou seja passados 6 anos, já poderá desenhar a costa australiana ocidental com toda a precisão... de Queirós, a Australia terá apenas herdado o nome com que a baptizara - Australia do Espírito Santo.
Qual a diferença entre 1612 e 1618?
Em 1618 é declarada a Guerra dos Trinta Anos, e a Holanda vai aparecer como autónoma reivindicando então o seu quinhão de descobertas, então ocultas, nomeadamente a Australia.

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publicado às 06:24


49 comentários

De Amélia Saavedra a 25.03.2014 às 11:16

Sobre a primeira parte do seu texto, pelos vistos esta questão já se está a tornar num tema tabu... O que foi épico para uns, para outros foi sinónimo de domínio, escravatura e colonização... Das discussões que tenho tido com amigos brasileiros e africanos percebo perfeitamente um sentimento que mistura um certo desprezo e ódio pelo branco e português de uma forma geral. Esse sentimento está lá: uns não conseguem esconder, outros conseguem ser mais subtis e ainda há os (poucos) que tentam contextualizar a história - história essa que também teve a cumplicidade e aprovação dos ditos dominados ou colonizados (pelo menos de alguns).
Hoje em dia torna-se complicado falar sobre esses acontecimentos. Já tive que pedir desculpa pelas acções dos meus antepassados... percebi que tinha que o fazer para conseguir amenizar o ambiente.
E por falar em escravatura e afins, deixo aqui uma noticia curiosa sobre um mercado português de escravos:
"Lagos recebeu desde 1444 carregamentos regulares de escravos e foi aqui que se instalou o provável primeiro mercado de escravos da Europa."
http://www.publico.pt/cultura/noticia/mercado-de-escravos-em-lagos-classificado-monumento-de-interesse-publico-1627039

Em relação aos mapas e caso alguém tenha disponibilidade, deixo aqui a sugestão - II Workshop Internacional | 27-28 Março | Auditório BNP | Entrada livre
História da Cartografia Ibérica: do Mediterrâneo ao Mundo
http://www.bnportugal.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=903%3Aiii-workshop-internacional-historia-da-cartografia-iberica-do-mediterraneo-ao-mundo-2728-mar&catid=164%3A2014&Itemid=929&lang=PT

De Anónimo a 26.03.2014 às 00:46

Caro Da Maia

Mas para abrir Portugal, ás máfias, e lhes servirmos de lavandaria, servimos à China.
Para lhes vender a EDP, também. Até celebraram com "champagne"... francês...Presumo!

Para lutarmos na ONU e nas ruas, pela libertação de Timor da ocupação Indonésia, os Portugueses serviram.
Para os ajudar financeiramente, e acolher os refugiados, Portugal também serviu.

Mas quando se trata de recordar a História e homenagear, aqueles a quem devem, o simples facto de existirem como País, nunca se recordam dos Portugueses.

Está de Parabéns a Maçonaria Portuguesa!
Conseguiu extinguir o seu próprio País

Abraço

Maria da Fonte

De Anónimo a 26.03.2014 às 03:03

Cara Amélia

Conheço o dito Mercado de Escravos. Demasiado exíguo, note-se, para tanta escravatura.
Mas a minha grande dúvida foi e é, não a exíguidade do espaço em causa, mas a origem e o destino dos ditos escravos.
É que se vieram para Portugal, esfumaram-se com o vento!
A ausência de vestígios sobre a sua estadia, é gritante.
Apenas uma entrada pouco significativa de ADN mitocôndrial Africano, a partir do Século XV..
Então e o Y dos ditos escravos? Terá sido congelado?
Há algo que não bate certo.
Nem ADN, nem representações em quadros, nem documentação.
Esta questão, começa a lembrar-me a existência da Lua, anterior a 10 000 anos, altura e que surge o primeiro Calendário Lunar.
A não ser que fossem todos para o Brasil.....em 1444... 38 ANOS ANTES DA PRIMEIRA VIAGEM OFICIAL DE COLOMBO PARA A AMÉRICA, E 56 ANOS ANTES DE CABRAL TER TROPEÇADO NO BRASIL.

Convenhamos que a historietografia oficial é uma obra prima do anacronismo.

Abraço

Maria da Fonte

De Anónimo a 27.03.2014 às 03:58

Descobrir Nan Madol / Temuen na Oceânia foi como encontrar agulha em palheiro... numa superfície total de 1.340 km2, as Ilhas Carolinas constituem o maior grupo de ilhas da Micronésia, na região noroeste. Entre as aproximadamente 1.500 ilhas, a Pônape com superfície de 504 km2 é a maior das ilhotas espalhadas ao seu redor. Uma dessas ilhotas, com 0,44 km2, extensão territorial da Cidade do Vaticano, cujo nome oficial é Temuen, é chamada de Nan Madol, por causa das ruínas gigantescas, ninguém sabe a data e quem foram os seus construtores. Segundo dados históricos autênticos, em 1595 o navegador português Pedro Fernandes de Queirós lançou as âncoras do seu barco "São Jerónimo" em Temuen (Nan Madol) é provavelmente o primeiro europeu a descobri as ruínas.

Faltaria referir o Queirós e que o assunto foi parcialmente primeiramente referido pelo José Manuel aqui e no face (como o pó das múmias igualmente).

Referência: O Mistério de "Sete Cidades" do Brasil e Nan Madol (nos livros de Robert Charroux e Von Däniken) igualmente referido na net em diversos artigos.
O que peca é que neste artigo o Pedro Fernandes de Queirós não seja citado...

Cpts

De Anónimo a 27.03.2014 às 05:40

O que fomos e o que somos...
http://www.colonialvoyage.com/portuguese-fort-solor-island-indonesia/#
Se nem ligam nem prestam cavaco ao tal petróleo que sabem possuir desde 1939 em Portugal... como querem que se interessem ao passado!? e ainda acredita nesse “povo português” ? São na maioria descendentes de africanos, mas isso não o querem reconhecer... gastem 350€ com a saliva que perdem a mania de serem celtas de origem branca pura, sim Portugal foi invadido por “escravos” negros não se evaporaram... Até em Bispos se tornaram.
Cpts

De Alvor-Silves a 27.03.2014 às 14:54

Obrigado, Amélia.
Na sua pesquisa genealógica já encontrou ligação a este Saavedra?... navegador das Carolinas ao tempo de Carlos V (pelo que o nome "carolino" deve referir esse Carlos I espanhol e não ao Carlos II, que é muito posterior).

É verdade que há sempre alguns melindres nestas conversas de café com outros estrangeiros... uma vez, numa convenção há muitos anos, em conversa com uma investigadora de origem judaica, referi que em Portugal não havia tensões entre árabes e judeus porque nos tínhamos livrado de ambos. Pude então notar a tensão actual...
A maioria dessas questiúnculas resultam de propaganda educacional manipuladora. Por exemplo, na questão dos escravos, há esse registo de termos feito apenas comércio - ou seja, havia os angariadores locais que os faziam escravos. Como é óbvio, isso não liberta de nenhuma culpabilidade, havia um genuíno entendimento de castas e isso sim era a visão condicionadora. Ao contrário do que se pretende crer, a escravatura não esteve associada à raça, mas sim à condição social. No tempo dos romanos, a maioria dos escravos eram branquelas, mais recentemente eram quase todos negros. No entanto, os portugueses reconheciam reinos negros, e por isso não se aplicava apenas uma questão racial, era uma questão de condição social.

Para além da conhecida questão da escravatura não ser muito censurada em Roma e Atenas, também não se vêem nos Testamentos considerações contra a escravatura (aliás, no Velho Testamento é ao contrário - Ismael era filho de Agar, escrava, banida), algo que era a sustentabilidade do sistema romano:
http://www.evilbible.com/Slavery.htm

Podemos perfeitamente vir a ser acusados pelas gerações vindouras de também ser insensíveis ao uso abusivo dos animais, muito depende do contexto histórico, e por isso pode ser manipulador usar ideias actuais para apreciar atitudes antigas, que eram vistas como normais.
Não faltava mais nada que os europeus censurarem os italianos pela ferocidade da Roma antiga...

Sobre a conferência, obrigado pela nota, o centro de história da UNL parece-me estar com uma boa dinâmica, mas como é óbvio estará também limitado ao politicamente correcto. Esse politicamente correcto é depois incutido como modo de vida pragmático, mas que imagino ser algo frustrante. Ou seja, há dados que conhecem mas simplesmente não os podem usar... e depois passa a haver uma auto-censura. Só passa com conversas off-the-record ou com umas bocas aqui e ali, umas coisas que escapam, etc.

De Alvor-Silves a 27.03.2014 às 15:08

Em resposta ao último comentário :
«O que peca é que neste artigo o Pedro Fernandes de Queirós não seja citado..»

Tem razão sobre as referências a Queirós e à ilha Caroline, mas não sei, porque me parece haver uma confusão entre Caroline e Carolinas...
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ilha_Caroline
... ou seja, eu acrescentaria esse ponto de bom grado, mas temo que haja aqui uma confusão (talvez propositada) e não tenho mais elementos. Se houver mais dados, agradeço a informação.

De Alvor-Silves a 27.03.2014 às 15:30

Que o país foi usado como plataforma, desde há muito tempo, isso não há grande dúvida, Maria da Fonte... pelo menos desde o tempo que os Templários cá foram instalados por D. Dinis. Como a maçonaria reivindica essa herança templária (basta ver que a Ordem dos Cavaleiros Templários é colocada no degrau máximo, o 33, pelo Rito de York), pode argumentar que serve para os dois lados... serviu Portugal nos descobrimentos.
Como o KT gostava de mencionar, os templários tinham agora as suas caravelas nos foguetões da NASA, e tinham abandonado a Península deste lado, para irem para a Península da Florida, no outro... para o Cabo Canaveral - e isto é de facto um grande Carnaval, onde não faltam máscaras.

De Amélia Saavedra a 27.03.2014 às 17:03

Grata pela resposta... mas, infelizmente na parte dos Saavedras ainda não consegui ir além do séc. XIX... Nem sempre é fácil encontrar os livros paroquiais.. Alguns desaparecem e por diversos motivos: desde o puro desleixo, incêndios (por vezes podem resumir-se a uma simples fogueira para aquecer numa noite fria), guerras, pilhagens, etc.
No entanto, vou tomar nota e como é do séc. XVI, talvez consiga chegar ai... O normal neste tipo de pesquisas, com base em documentação, é conseguir chegar até ao séc. XVI... isto se não houver filhos de pais incógnitos e expostos (deixados na roda).. ai torna-se complicado continuar a pesquisa... Só se consegue ir além do séc. XVI com muita sorte ou no caso de tratar-se de famílias nobres (neste caso pode ser possível chegar até ao séc. XII)... Ainda tenho muito que penar... ;-)
Da parte do meu pai já cheguei ao séc. XVIII e comecei no distrito de Setúbal e já vou no distrito de Faro... a ver qual será a próxima paragem...

De José Manuel de Oliveira a 28.03.2014 às 03:23

Olá boa noite,

Já se tinha discutido o assunto (2012?):
A Nova Jerusalém de Pedro Fernandes de Queirós (Tierra Autralia del Espiritu Santo & Nan Madol)
Deixo-lhe só aqui algo que diz talvez respeito ao seu tópico"Jerusalém no Livro de Marinharia", pois os portugueses, ou um criou uma Nova Jerusalém, mas como o caro não levou a sério a minha "tese" não lha vou apresentar de novo.
AlvorSilves disse:
“Duvido que inicialmente os Portugueses tenham procurado os vestígios do que quer que fosse”
Experimente embarcar sozinho num barco sem motor e sinta por si o que é "ir descobrir algo" por via marítima, verá que nem consegue sair do porto, ninguém ia vai ou irá à descoberta algo pelo mar oceano sem saber a rota e local a alcançar, nem com costa à vista.

Sim os portugueses sabiam onde iam e o que iam descobrir, mas aqui vai um que foi considerado de louco e que no meio de milhares de ilhas teve que ir desembarcar numa de uma civilização megalítica, mas tem a honra de ser citado e imortalizado em mais de 4 livros, mas completamente ignorado pelos portugueses:
Queirós foi recebido pelo Papa antes de iniciar esta viagem…

“L'île s'appelle toujours Espiritu Santo. Il y fonde une colonie qu'il baptise Nouvelle Jérusalem, mais doit rapidement abandonner son projet en raison de l'hostilité des autochtones et des conflits entre les membres de l'expédition. Le nom de Quirós sera mentionné par Bougainville dans son Voyage autour du monde, et par Jules Verne dans Vingt Mille Lieues sous les mers”
http://fr.wikipedia.org/wiki/Pedro_Fernandes_de_Queir%C3%B3s

Nan Madol na Oceânia (1595 Pedro Fernandes de Queirós)
“Com superficie total de 1.340 km2, as Ilhas Carolinas constituem o maior grupo de ilhas da Micronésia, na região noroeste da Oceânia. Entre as aproximadamente 1.500 ilhas, Pônape, com superfície de 504 km2, é a maior das ilhotas espalhadas ao seu redor. Uma dessas ilhotas, com 0,44 km2, extensão territorial da Cidade do Vaticano, cujo nome oficial é Temuen, é chamada de Nan Madol, por causa das ruínas gigantescas de Nan Madol. Também neste caso, falta a data da origem desse complexo e ninguém sabe quem foram os seus construtores. Segundo os dados históricos, autênticos, em 1595, quando o navegador português Pedro Fernandes de Queirós lançou as âncoras do seu barco "São Jerônimo" em Temuen, os visitantes já encontraram as ruínas”

http://fr.scribd.com/doc/20137550/O-Ouro-Dos-Deuses
No Sribbd de José Manuel

Mas termino para dizer que muito encobrem os portugueses da sua história, tem medo ainda de algo presentemente, que sejam tratados de nacionalistas de saudosistas, e ficam reduzidos a mediocridade que lhes é imposta pelo lobby dos juristas e maçónicos que comandam a historiografia portuguesa, é esta a verdade.

AlvorSilves diz:
"É nesta parte difícil distinguir o aproveitamento da lenda para interesse próprio..."
Sim se andar a fazer história só pelos papeis e ignorar outras disciplinas, a Bíblia sérvio par desenterrar muitas cidades que eram lenda…
Fim de citação.

Não tenho disponibilidade para procurar mais sobre Queirós, o Däniken é claro sobre a descoberta de Nan Madol / Temuen por Queirós.

Como tinha sugerido na discussão em 2012 sugiro a leitura seguinte, desconheço se é esta a fonte do Däniken:
The First Discovery of Australia and New Guinea being the narrative of Portuguese and Spanish discoveries in the Australasian Regions, between the Years 1492-1606, with Descriptions of their Old Charts.
By George Collingridge De Tourcey (Olba a Sunda tao larga que huma banda esconde para o Sul difficultuoso. CAMOËNS - Os Lusiadas)
http://www.gutenberg.org/files/17022/17022-h/17022-h.htm#ch-11

Boas leituras, cumprimentos, José Manuel CH-GE

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